Capítulo 4 - Oh Meu, Que Artes Negras Você Tem
Assim que retornam a Galdorssia, Homura, Psycho e Jin se dirigem para a Academia das Artes Negras. Tsutsumi e Proto esperam em casa, como de costume.
| Psycho | [Este lugar é tão escuro e intimidador quanto as pessoas dizem], diz Psycho.
| Homura | [Isso é apenas a decoração], Homura responde. [É quente e acolhedor por dentro. É basicamente apenas um clube social para esquisitos perigosos]
Localizada no subsolo, onde a luz não chega, a Academia é naturalmente escura e sombria. As salas são iluminadas pela luz de velas, o que é uma raridade neste mundo. As pessoas geralmente usam pedras de minério, que emitem luz em resposta à energia mágica. Por mais vergonhoso que seja, a razão pela qual não usam pedras de minério na Academia é aparentemente apenas porque querem o ambiente.
| Psycho | [Tem cheiro de mofo...]
Elas estão atualmente em uma passagem de pedra úmida e com cheiro de mofo. As chamas oscilam cada vez que a Homura e as outras passam por outro suporte de castiçal, fazendo as sombras nas paredes dançarem de forma desconcertante.
| Homura | [Aparentemente, esse também é o jeito que eles gostam]
| Psycho | [O que há de errado com essas pessoas...?]
A razão pela qual a Academia das Artes Negras foi consignada ao solo é porque ela lida com os tipos de poderes e itens que são frequentemente evitados. É onde as pessoas estudam magia negra que cria anormalidades físicas e espirituais — magia como a piromancia, que é difícil de controlar e pode levar a grandes danos — e assuntos como itens amaldiçoados e mau-olhados.
A Academia também desempenha um papel no lado sombrio de Galdorssia, realizando assassinatos e torturando criminosos perigosos. É por isso que a Academia, que fica em um grande espaço subterrâneo, também está conectada a uma masmorra que mantém os criminosos mais traiçoeiros da terra.
| Psycho | [Eu sei que viemos perguntar sobre o sangue amaldiçoado... mas você tem certeza de que essas pessoas sabem o que estão fazendo?]
As garotas precisam de mais informações antes de relatar a Falmeyr. O que é uma maldição? O que é esse sangue amaldiçoado com o qual estão lidando? E quem, exatamente, elas estão enfrentando? Quanto mais a Homura conta a elas sobre os acontecimentos na Academia, no entanto, menos confiantes a Psycho e a Jin ficam de que este lugar vá ser de alguma ajuda.
| Homura | [Eles podem parecer estranhos... muito estranhos, para ser honesta. Mas eles sabem do que estão falando], diz Homura.
| Jin | [Você tem certeza? E quanto à espada maléfica?]
Jin também não está se sentindo muito confiante.
| Homura | [Está tudo bem! Eu já disse a vocês, eles têm especialistas em itens amaldiçoados!]
Depois de descerem vários lances de escada e fazerem o caminho por inúmeras passagens, a entrada para a Academia das Artes Negras finalmente surge à vista. Ela fica localizada bem no final da passagem. A Academia as aguarda logo além daquelas portas de madeira gastas.
Homura abre as portas tão casualmente como se estivesse chegando em casa.
| Homura | [Vovó, cheguei!]
Uma mesa grande e redonda foi colocada no centro da sala relativamente espaçosa. Uma mulher está sentada à mesa lendo um livro à luz de velas. Assim que vê a Homura, ela dá um pulo ficando de pé com um grito de empolgação.
| Vovó | [Minha querida e pequena Homura! Você voltou finalmente!]
Ela vai direto em direção a Homura, sua voz incrivelmente alegre, e a envolve em um grande e forte abraço. O cabelo da mulher é de um tom profundo de carmesim. Ela poderia facilmente ser confundida com a irmã mais velha da Homura.
| Homura | [A mulher me abraçando agora é Carlila, a preceptora da Academia. Ela é minha professora]
Sim, a mulher que atualmente esmaga seu seio abundante contra a Homura é Carlila, a preceptora da Academia das Artes Negras, bem como a instrutora de piromancia da Homura. Apesar do físico deslumbrante da mulher, ela poderia facilmente se passar pelo tipo digno e belo se permanecesse quieta. No momento, porém, ela é só sorrisos.
Os membros da Academia paparicam a Homura. As outras garotas sabem que a Homura nunca teve a chance de agir de forma mimada com sua própria família, mas não estavam preparadas para ver o nível ao qual a Homura desfruta desse tratamento.
| Carlila | [Ah, e vocês devem ser as amigas da Homura. Ela fala muito de vocês. Eu gostaria de poder conhecer as outras duas também!], Carlila diz, abraçando primeiro a Psycho e depois a Jin.
| Psycho | [Espere um segundo, Homura, você não acabou de se referir a essa senhora abelhuda como Vovó?], Psycho pergunta desconfiada.
| Homura | [Ah, é verdade. Eu não contei a você, contei?], Homura está tão acostumada com o jeito que as coisas são na Academia que se esqueceu completamente de explicar.
| Carlila | [Apesar da minha aparência deslumbrante, eu na verdade estou viva há um tempo muito longo. Eu parei de contar assim que atingi os três dígitos]
| Psycho | [Três dígitos?!]
Carlila afirma ter mais de cem anos de idade, mas parece que ainda está na casa dos vinte. A diferença faz a cabeça da Psycho girar.
| Psycho | [Você tem certeza de que ainda é humana?]
| Carlila | [Ah-ha-ha, é exatamente isso. Eu, de fato, me tornei uma espécie de monstro. É por isso que nunca tenho permissão para deixar este lugar sem autorização. Eu abandonei minha humanidade pelo bem de Galdorssia, mas Galdorssia é rigorosa quando se trata daqueles que não são humanos. Eu ainda pareço humana, no entanto, então geralmente não fico com o pior disso]
O tom da Carlila ainda é alegre, mas uma leve nuvem escurece seu rosto. Ela certamente não é tímida em discutir seu confinamento. De acordo com o que ela disse, ela escolheu de bom grado se separar de sua humanidade pelo bem de Galdorssia e, como consequência, não pode mais se mostrar em público, a menos que aqueles no comando solicitem.
| Carlila | [Ha, eu estou apenas tirando com a sua cara... Eu fui um pouco longe demais em meus esforços para me manter jovem e acabei meio monstruosa em vez disso. Então agora a Cidade Santa me trata como uma ferramenta. Ou talvez como o cão de guarda deles. Ah-ha-ha!]
Uma gargantilha de couro, quase como uma coleira de cachorro, está enrolada no pescoço da Carlila.
| Psycho | [Homura, você tem certeza de que não há algo de errado com essa senhora?]
A repentina explosão de riso da Carlila faz pouco para tranquilizar a Psycho.
| Homura | [É claro que há algo de errado com ela. Nós estamos na Academia das Artes Negras, afinal de contas]
| Psycho | [Sim, e você é uma dos membros deles!]
| Homura | [Você me pegou nessa! Eu não me importaria de saber o segredo para a juventude eterna eu mesma!]
| Psycho | [Bom ponto, eu também não me importaria com isso!]
| Homura | [Por uma vez, nós concordamos em algo]
Homura realmente, realmente quer saber qual é o segredo da Carlila.
| Jin | [Eu, também, estaria interessada em manter meu corpo para sempre jovem]
| Homura | [Eu não acho que você esteja interessada pelas mesmas razões que nós, Jin]
Jin está provavelmente mais interessada na parte de fatiar e cortar do que em parecer bonita. Essa é provavelmente a razão pela qual ela quer manter seu corpo jovem e forte.
| Jin | [Ah...?]
Jin inclina a cabeça, sem certeza do que a Homura quer dizer.
| Carlila | [Em todo caso, vocês garotas podem relaxar e comer alguns biscoitos. Meu marido os assou]
Carlila faz as três garotas tomarem assento e então traz um carrinho carregado de biscoitos. Ela está radiante, assim como uma vovó idosa e gentil oferecendo guloseimas para suas netas preciosas. O aroma doce de biscoitos permeia a sala escura e sombria.
| Psycho | [Marido?], diz Psycho. [Esse é o vice-preceptor de quem você nos falou? Aquele que trabalha em uma padaria?]
| Carlila | [Hmph. Eu gostaria que eu pudesse deixar a Academia sempre que estivesse a fim]
Carlila, a preceptora, parece com ciúmes de seu marido, que é capaz de ir e vir sempre que quiser. Mas ela só tem a si mesma para culpar por estar confinada dentro da Academia assim. Seu marido, o vice-preceptor, trabalha em uma padaria em seu tempo livre, fazendo pão, mas ultimamente ele se ramificou para biscoitos também.
Como gerente da padaria, o vice-preceptor é muito popular. Se tanto, seu bico na padaria está gradualmente se tornando seu trabalho principal.
Depois de mastigar biscoitos por um tempinho, Homura e as outras começam a explicar toda a história longa e confusa para a Carlila.
Carlila parece maravilhada.
| Carlila | [Este Sangue Amaldiçoado do Senhor das Trevas. Eu já ouvi falar dele antes, mas... isso significaria que o atual Senhor das Trevas está tão imerso em magia negra que seu próprio sangue carrega uma maldição poderosa o suficiente para alterar a alma]
| Psycho | [De acordo com o que a seguidora do Senhor das Trevas disse, o Senhor das Trevas nem deveria ser capaz de viver afligido com uma maldição tão poderosa. Mas não é como se qualquer uma de nós tivesse visto o Senhor das Trevas nós mesmas, então quem sabe o que é realmente verdade? Pelo que sabemos, o Senhor das Trevas pode nem sequer existir], Psycho diz.
Todas as informações delas vieram cortesia da jovem demônio tubarão que a Jin enfrentou. Homura foi informada após o fato. De acordo com a demônio, o Senhor das Trevas está trabalhando duro para salvar toda a raça dos demônio, apesar de ter o que deveria ser uma maldição debilitante.
Ele teria que ter uma tremenda força de espírito para fazer algo assim; o pensamento enche a Homura de medo e admiração. Mas no final das contas, o Senhor das Trevas ainda está tentando massacrar os humanos. E não há como a Homura perdoar tal injustiça.
| Carlila | [Bem, assumindo que o Senhor das Trevas de fato exista, há uma boa chance de ele possuir uma bênção que lhe dá resistência à magia de maldição. Mas o sangue amaldiçoado que você descreve vai muito além de qualquer proteção que uma bênção pode fornecer. Parece que este novo Senhor das Trevas é muito mais dissimulado do que o anterior. O anterior era apenas forte. Muito forte, sim, mas isso era tudo]
Carlila tinha visto o último Senhor das Trevas em primeira mão, mas o novo Senhor das Trevas que surgiu parece deixá-la inquieta.
| Carlila | [Falando nisso... Eu quero contar a vocês mais sobre o último Senhor das Trevas, também. Mas agora nós estamos discutindo maldições. Se você quer saber mais sobre maldições—]
| ??? | [Permita-me fazer as honras]
Uma voz gélida se insinua na sala, interrompendo a Carlila.
| Carlila | [Melch!]
| Melch | [Bem-vinda de volta, Homura]
Uma mulher alta e bonita, com cabelos azul-escuros que chegam até a cintura, aparece silenciosamente da passagem no final da sala. A mulher, aparentemente chamada Melch, usa vários cintos enrolados pelo corpo. Suas mãos estão carregadas de anéis pesados e vistosos. Embora a eficácia deles varie de peça para peça, aparentemente esses acessórios são todos imbuídos de magia negra.
Que tipo de tarada esquisita se enfeitaria voluntariamente com joias amaldiçoadas...?
| Homura | [Ah, e a Yppa está aqui, também!]
| Yppa | [Oi!]
Uma garotinha com um pequeno apito pendurado no pescoço aparece de trás da mulher. Os olhos da Yppa estão cobertos por uma faixa que foi feita pela Melch — e um deles é um olho maligno. Ela obviamente não consegue ver, então usa uma bengala para sentir o caminho à frente enquanto caminha.
Ela está acostumada a andar pela Academia, no entanto. Embora use sua bengala para traçar seu curso, ela caminha para a frente sem hesitação. Seu cabelo curto e loiro-escuro balança para a frente e para trás a cada passo.
Ela está vestida com um adorável poncho estampado.
| Carlila | [Vocês duas estavam esperando ali o tempo todo, não estavam?], diz Carlila, desconfiada da aparição convenientemente cronometrada delas.
| Melch | [Bem? O que tem isso?]
| Yppa | [É, o que tem isso?]
Melch e Yppa confessam imediatamente. Os membros da Academia adoram fazer uma entrada dramática.
| Homura | [A Melch sabe mais sobre maldições do que qualquer outra pessoa na Academia]
Melch e Yppa tomam assento a cada lado da Carlila. As gargantilhas que as três usam são claramente visíveis ao redor de seus pescoços. Carlila, Melch e Yppa são conhecidas como as {Três Bruxas do Abismo}, e detêm um lugar especial não apenas na Academia das Artes Negras, mas em toda Galdorssia. Carlila é a piromante mais poderosa da terra. Yppa é a praticante mais sórdida do olho maligno. E, claro, há a Melch.
Melch criou os instrumentos amaldiçoados que prendem as três, incluindo ela mesma. Essa é a verdadeira natureza das gargantilhas que elas usam ao redor do pescoço.
A razão pela qual as mulheres foram submetidas a tal tratamento incomum não se deve apenas ao seu poder, conhecimento e habilidades. Elas tinham amadurecido consideravelmente com a idade, mas pelo que foi dito a Homura, era uma vez, suas ideias e comportamento tinham sido extremamente radicais.
Agora elas são apenas um trio de vovós descontraídas com uma paixão por truques de beleza que desafiam a idade. Homura não as vê como particularmente perigosas e não tem reservas em se deixar mimar por elas.
| Psycho | [Antes de chegarmos ao assunto das maldições... essas duas não são tão jovens quanto parecem, também, são?]
Homura ainda não tinha apresentado as outras duas, mas apesar de suas aparências jovens, Psycho sente um cheiro de velhice astuta nelas.
| Melch || Yppa | [Bem? O que tem isso?], e [É, o que tem isso?], elas dizem, como se a juventude eterna fosse a coisa mais normal do mundo.
| Psycho | [Se vocês vão ser tão rápidas em desistir de sua humanidade, ao menos tenham uma boa razão para isso...!]
No início a Psycho tinha presumido que não havia como essas mulheres terem a si mesmas para culpar por ficarem trancadas na Academia, mas elas estão provando que ela estava errada!
| Melch | [Agora então, vocês desejam ouvir sobre itens amaldiçoados, correto? Particularmente aqueles envolvendo transformação monstruosa?], Melch pergunta, compreendendo o motivo pelo qual as garotas vieram.
| Psycho | [Sim, por favor], diz Psycho.
| Melch | [Como desejarem... Para começar, as transformações monstruosas surgem de uma mudança na alma. Quando a alma se transmuta, a carne se transmuta. Vocês já estão cientes disso, eu presumo?]
| Psycho | [Sim, a Lady Máscara Facial explicou essa parte]
| Melch | [É assim que você chama a Falmeyr? Muito divertido]
Melch deu uma risadinha, mas seu rosto permaneceu sombrio.
| Melch | [Existem magias negras que podem alterar a alma, bem como itens amaldiçoados que detêm tal magia. As condições necessárias para que tais maldições façam efeito podem diferir de item para item. Alguns precisam apenas ser tocados, outros devem ser ingeridos pelo corpo, enquanto outros — certas lâminas, por exemplo — devem ser empunhadas enquanto desembainhadas]
Melch olhou para a Jin ao mencionar a última parte. Os olhos da Jin se arregalaram em surpresa.
| Jin | [Impressionante. Eu não esperava que você identificasse minha espada só de vista]
| Melch | [Oh? Mas isso é óbvio. Não sabia? Uma vez que você entra em contato com magia negra, aprende a senti-la na pele. Especialmente algo que não adquiriu sua maldição naturalmente, mas foi intencionalmente criado para um propósito vil], Melch explicou, sua voz calma, embora parecesse satisfeita consigo mesma.
| Jin | [Algo semelhante aconteceu com o chefe da vila mais cedo]
O chefe da Vila School também tinha reconhecido a katana da Jin como uma espada maléfica de vista. Depois de manusear a espada, Jin tinha sido capaz de perceber imediatamente a gema que a Elyliyah usava como amaldiçoada.
| Melch | [A forma que um item amaldiçoado toma tem significado. Dito isto, o fato de o sangue ser líquido não é especificamente o que é importante. O que é importante é que o sangue deve ser levado para dentro do corpo. Vocês veem por que isso seria uma vantagem?], Melch perguntou, falando com as garotas como uma professora sabatinando seus alunos. Esta é uma academia, afinal de contas.
| Homura | [Você teria que bebê-lo para funcionar, no entanto, não teria? Onde está a vantagem nisso? Não seria mais fácil se as pessoas só precisassem tocá-lo para funcionar...?], Homura perguntou, inclinando a cabeça em confusão.
| Melch | [Sim, a necessidade de beber o sangue exigiria mais tempo e esforço do que um item amaldiçoado que transforma seus alvos ao toque. Mas esse tempo e esforço extras é onde reside a vantagem]
| Homura | [Como assim...?]
O que poderia ser vantajoso em algo levar mais tempo e esforço?
| Psycho | [É claro! Se não faz efeito a menos que você beba, então é mais seguro de carregar], Psycho disse.
| Melch | [Sim. Um item amaldiçoado que pode ser facilmente manuseado é uma coisa perigosa. Torna-se muito mais fácil espalhá-lo pelo mundo]
Homura empalideceu, percebendo agora o quão perigoso, e fácil de controlar, tal item seria.
| Homura | [Mas isso não significa que absolutamente qualquer um poderia ser transformado em um monstro a qualquer momento...?]
Se isso for verdade, pode haver monstros como Rotraud por aí apenas esperando para saltar de cada esquina.
| Melch | [Eu não me preocuparia tanto assim... Pelo menos, acho que não]
| Psycho | [Os monstros só mudam fisicamente? Aquela besta monstruosa que encontramos antes — o gato lenchedor de sangue, ou seja lá como se chama — era capaz de mergulhar nas sombras]
| Melch | [Os termos magia e monstros se referem a coisas que existem fora do senso comum], Melch explicou. [A magia distorce as leis naturais do mundo, enquanto os monstros vivem constantemente em uma realidade onde tais leis já estão distorcidas. Me disseram que um dragão visitou Galdorssia no outro dia. Vocês se lembram disso?]
| Homura | [No outro dia...? Eu pensei que isso já faz mais de um mês...?]
Homura ficou confusa a princípio, mas rapidamente acenou com a cabeça. Talvez quando se vive por tanto tempo quanto as bruxas viveram, o tempo simplesmente pareça diferente.
| Melch | [Normalmente, algo tão grande seria incapaz de permanecer no ar. Mas ele foi capaz de fazer isso, não foi? Esse é um exemplo do que quero dizer]
| Homura | [Agora que você mencionou...]
Homura já tinha aceitado que dragões voavam, com base em toda a fantasia que tinha consumido, mas se as leis da física neste mundo forem basicamente as mesmas da Terra, não deveria ter sido tão fácil para uma criatura daquele tamanho voar.
| Melch | [Mesmo entre outros monstros, os dragões são criaturas particularmente poderosas. Tanto que raramente são descritos como monstros, por si só. É da natureza de um dragão distorcer prontamente o mundo ao seu redor. Há dragões que podem manipular o próprio clima, ou que podem até lançar maldições sobre aqueles que estão próximos simplesmente com sua presença]
| Homura | [Eu não tinha ideia... Seigrat matou aquele dragão com um único golpe, então nós nunca tivemos a chance de ver muito dele]
Agora que as garotas pensam sobre isso, há muito sobre este mundo que elas ainda não sabem.
| Yppa | [A propósito], Yppa disse, [olhos malignos são supostamente quando apenas o olho se transforma, mas aqui, deem uma olhada nisso. Dependendo do poder do olho, às vezes você até tem que vendá-lo assim]
Yppa empurrou sua venda para o lado, dando a elas uma olhada rápida em seu olho direito. Ela parece estar se divertindo. A pálpebra tinha sido costurada com linha preta. Yppa já tinha mostrado a Homura seu olho maligno selado uma vez antes, mas ver isso novamente ainda deu arrepios na Homura.
Olho maligno ou não, isso era realmente necessário?
| Yppa | [Da próxima vez que você quiser perder o controle, Homura, é melhor se lembrar do meu olho. Você pode ser a próxima!]
| Homura | [Eek...]
Homura não gostou nem um pouco do som disso, e cobriu o próprio olho direito com a mão. Embora a Yppa não possa ver a reação assustada da Homura, ela ficou encantada com isso mesmo assim.
| Melch | [Voltando ao assunto, enquanto todos os monstros existem fora da racionalidade, o grau em que isso é verdade pode diferir muito de criatura para criatura. Há monstros como dragões que podem voar pelo ar apesar de seu tamanho massivo, e monstros como gatos lambedores de sangue que podem se imergir na sombra. Por outro lado, há também monstros como cães espinho que são quase insignificantes. Cães espinho são muito mais fortes do que cães comuns, mas é aí que terminam suas diferenças. Fisicamente falando, seus ossos simplesmente passaram por uma transmutação agressiva]
Quando se trata de alterações monstruosas, aparentemente o resultado pode variar.
| Psycho | [Bem, não há garantia, então, de que todos se tornariam tão poderosos quanto o Rotraud se tornou]
| Melch | [É claro que não. Isso seria ridículo]
| Homura | [Ainda bem...], Homura disse, suspirando de alívio. Ainda assim, elas não podem ficar descuidadas. [Ainda é possível, no entanto... não é?]
| Melch | [Suponho que sim], Melch disse. [Bestas monstruosas como cães espinho se desenvolveram naturalmente, na maioria das vezes. Mas as transformações humanas são mais complicadas. Os humanos são naturalmente resistentes a alterações em suas almas, e é por isso que as maldições devem ser usadas para alterá-los à força. Dependendo do nível da maldição envolvida, o corpo e a alma podem não ser capazes de suportar o processo. E embora isso possa levar a habilidades amplificadas, é provável que leve à morte ou à destruição da psique. A criação de um monstro imperfeito, por assim dizer]
Jin colocou a mão em sua espada maléfica, Chuva Carmesim.
| Jin | [Um monstro imperfeito...]
| Homura | [Como aquele ogro...]
O ogro que elas tinham encontrado na vila de pescadores já tinha perdido a cabeça no momento em que elas chegaram. É isso que uma maldição pode fazer com uma pessoa?
| Melch | [Transformar-se intencionalmente em um monstro para se tornar mais poderoso é algo complicado. Eu fui forçada a aprender essa lição no passado], Melch disse, encarando o horizonte enquanto relatava sua própria história dolorosa. [É por isso que estou aqui na Academia agora, eu suponho]
Parece que ela realmente tinha a si mesma para culpar.
| Psycho | [Mas o alvo poderia perder a psique e ainda assim adquirir grande força física, correto? Algo assim daria um excelente soldado, não daria?], Psycho perguntou.
Que pensamento nefasto. Mas o rosto da Psycho está mortalmente sério.
| Carlila | [Parece que você tem algo específico em mente], Carlila disse com um sorriso astuto.
| Psycho | [Nós vimos alguns monstros muito estranhos recentemente]
Recentemente...? Homura deu um pulo. [Você quer dizer...]
Ela está finalmente começando a juntar as peças.
| Psycho | [Sim, as pessoas-cavalo. Elas eram claramente humanos transformados]
Homura sentiu um calafrio gélido correr por sua espinha. [Mas havia tantos deles...!]
| Psycho | [Pode ter sido um acidente que fez com que uma maldição se espalhasse, ou pode ter sido intencional. De qualquer forma, um assentamento inteiro, no mínimo, foi perdido]
| Homura | [Isso é terrível...!]
| Psycho | [E se alguém usasse criaturas assim como soldados? Teria um exército instantâneo na ponta dos dedos], Psycho disse, descrevendo o que soava para os ouvidos da Homura como uma atrocidade.
Carlila gargalhou alto. [Se isso foi obra do novo Senhor das Trevas, ele deve ser podre até o caroço! Você vê o que está enfrentando agora, Homura? Vocês garotas terão muito trabalho pela frente]
Homura está tendo uma noção de quão difícil será cumprir o pedido da Deusa e derrotar o Senhor das Trevas.
| Homura | [Eu me pergunto se nós estamos realmente à altura da tarefa...]
Quando a Eirene fez seu pedido pela primeira vez, Psycho disse para a Eirene se ajoelhar, insistindo que apenas pedir não era o suficiente. Na época, Homura tinha presumido que a Psycho estava apenas sendo maldosa por ser maldosa. Mas talvez a Psycho tivesse uma noção do que tal tarefa envolveria. Não que isso a torne menos maldosa, é claro.
No presente, Psycho já está absorvida em seu próximo pensamento.
| Psycho | [Então se uma mudança na alma significa mudanças físicas e a distorção das leis naturais... então essas criaturas...]
Psycho está sendo surpreendentemente séria para variar. E desta vez, não parece que ela está apenas fingindo enquanto trama secretamente algo diabólico.
| Homura | [O que foi, Psycho?]
Psycho levantou a cabeça surpresa e se levantou de sua cadeira.
| Psycho | [Não é nada; esqueça. Acho que já ouvimos tudo o que precisamos. Nós provavelmente deveríamos ir para a igreja agora. Carlila, Melch, Yppa, obrigada pela ajuda de vocês]
Homura duvida que não seja realmente nada, mas se levantou da cadeira junto com a Psycho. Pelo menos a Psycho não parece estar aprontando nada.
Homura suspirou. Elas agora têm ainda mais a relatar. Apenas quando estava prestes a sair pela porta, Carlila de repente a parou como se estivesse se lembrando de algo.
| Carlila | [Ah, eu quase esqueci, uma daquelas duas garotas que não puderam vir com você adora ler, não adora?]
| Homura | [Você quer dizer a Tsutsumi?]
Carlila acenou com a cabeça vigorosamente.
| Carlila | [Aqui, por que você não leva isto para ela?]
Carlila entregou o livro que esteve lendo.
| Homura | [Este livro parece bem antigo...]
| Carlila | [É porque é. Você precisa ter cuidado com ele, no entanto]
| Homura | [Cuidado?]
Ela quer dizer que a Homura precisa ter cuidado para não danificar o livro por causa de quão antigo ele é?
| Carlila | [Você não deve permitir que mais ninguém veja você com ele]
| Homura | [Por quê? Há algo de perigoso escrito dentro?]
| Carlila | [Há. Este livro lida com magia negra proibida. Parece que o inimigo que vocês estão enfrentando é bem versado em tais coisas. Certifique-se de que sua amiga devoradora de livros o leia bem. Ela está presa lá dentro de qualquer maneira, afinal de contas]
| Homura | [Obrigada]
O livro que a Carlila entregou é muito mais espesso e pesado do que a Homura esperava, e a sensação dele fez sua pele arrepiar. Por alguma razão, Homura não quer tocá-lo por mais tempo do que o necessário.
| Homura | [Um livro sobre maldições que mais ninguém tem permissão para ver... Quase parece algum tipo de grimório proibido]
Homura está preocupada que o livro possa ser perigoso, mas como a Carlila o tinha entregue de tão boa vontade, ela provavelmente está apenas imaginando coisas. Ou não.
| Carlila | [É porque é um grimório proibido]
| Homura | [Um grimório proibido?!]
Um grimório proibido!!
| Carlila | [Obviamente, removê-lo da Academia é proibido. Se alguém encontrar você com ele, você será enviada para as masmorras imediatamente]
Elas pegaram o livro emprestado mesmo assim.



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