Capítulo 28 - Rumo ao Lago... É, Eu Deveria Imaginar.




Com a invasão noturna das sombras, agora sei que a água é um pouco resistente à purificação. Mesmo assim, isso não vai me impedir de investigar o lago. Ele fica a uma boa distância da montanha — não é mais um problema para mim, graças ao meu novo condicionamento físico, mas ainda é longe demais para chegar rápido em caso de emergência.
Chegamos ao lago e encontramos exatamente o que eu previa: ele ainda está infestado de manchas negras de sombras.

Droga! Maldição maldita!

Tento um Purificar rápido, sem sucesso. Por enquanto, fecho o lago e o rio adjacente dentro de outra Barreira, esperando ao menos impedir que as sombras se espalhem ainda mais.

Purificação de água, né... Como vou limpar esse lago? O filtro funciona no rio porque a água flui, mas não acho que vá funcionar em um lago quase parado. Droga, não consigo pensar em nada. Vamos, vamos... Sombras, maldições, limpar... Limpar? Tirar poeira! E se eu imaginar aqueles panos eletrostáticos que atraem poeira? Lá em casa eles puxam tudo como um ímã! Não sei se isso vai funcionar, mas só tem um jeito de descobrir!

| Akira | [Aderir]

Funcionou...? Funcionou!

Inúmeras massas de sombras agora grudam na superfície do lago como poças de óleo. Pelo visto, havia muito mais sombras submersas do que eu imaginei; mal consigo enxergar a água por baixo do preto.

Que nojo! Muito, muito nojento. Agora é só purificar— Não. Devolver.

Quando se trata de magia, estou descobrindo rapidamente que (com poucas exceções) meu único limite é a imaginação. A maioria dos feitiços que tentei funcionou; não há razão para pensar que devolver maldições seria diferente. Mesmo assim, hesito por um instante. Tenho devolvido muitas sombras para o lugar de onde vieram, mas só agora começo a considerar que tipo de problemas isso pode causar a quem as lançou.
Mas então olho de novo para o lago, e um velho ditado me vem à mente.

Você colhe o que planta.

Não preciso me preocupar. Se devolver a maldição estiver causando problemas para quem a lançou, é exatamente o que essa pessoa merece. Os lobos, Karen, as aranhas — todos eles foram feridos pela maldição. Isso é tudo o que importa para mim. A maldição machucou meus amigos, e sendo assim, não quero nada além de embrulhar cada pedacinho de sombra e devolver tudo com um belo laço.
Não sei quem está por trás disso, mas não importa. Do jeito que vejo, não importa em que mundo você esteja, uma coisa nunca muda: ações têm consequências.

Então volte para onde veio, maldição.

| Akira | [Contra-Maldição... Plus]

Uma luz radiante pulsa sobre o lago por um breve instante antes de se dissipar, revelando água cristalina. A luz do sol cintila refletida na superfície, e pela primeira vez desde que cheguei a este mundo, me pego apreciando a beleza da natureza.
Os poucos tentáculos de sombras restantes no rio abaixo são rapidamente levados pela correnteza, passando pelas minhas barreiras e saindo da minha área de preocupação. Reforço rapidamente a Barreira-filtro na parte superior do rio, desta vez visualizando um filtro de cinco camadas, só para garantir que o lago permaneça limpo.
Com isso, meu trabalho está feito. Vai levar um tempo até eu ter certeza de que meus feitiços estão funcionando como deveriam — e se os peixes realmente estarão livres de maldição — então, por enquanto, decido voltar para casa.

Estou bem no meio da minha reforma — espera, isso é uma reforma? Isso não só se aplica a casas já construídas? Talvez isso seja 『construção』...? Ah, tanto faz. Reforma serve.
De qualquer forma, continuo com meu grande projeto de reforma. Começo o trabalho do dia remodelando o primeiro andar, transformando-o em uma cozinha e sala de jantar. Amplio o espaço, garantindo que seja largo o suficiente para acomodar confortavelmente todos nós durante as refeições.

Acho que ficou grande demais agora... Mas tudo bem.

O próximo cômodo é um que eu queria há muito tempo — um banheiro. Meu feitiço Limpar é bom, mas nada supera um longo banho de banheira. Moldo uma banheira grande de pedra — de novo, talvez grande demais. Ela é espaçosa o suficiente para que os lobos caibam facilmente comigo, se assim desejarem...

Espero que todo esse espaço não seja desperdiçado! Fica a dica.

Consigo conjurar água com magia e aquecê-la também, então agora posso tomar banho no luxo sempre que quiser. Ao longo do dia, também fico um pouco melhor em ajustar o brilho da luz emitida pelas rochas, embora ajustes menores ainda estejam fora do meu alcance.
Por fim, chego ao meu projeto final do dia — algo que desejo mais do que qualquer outra coisa: um vaso sanitário. Preparo um pequeno cômodo ao lado do banheiro e visualizo a rocha se moldando em um vaso clássico, de estilo ocidental. E consigo — ou pelo menos acho que consegui. Levei um susto enorme na primeira vez que tentei usá-lo, quando ele deu descarga sozinho. De alguma forma, acabei criando um vaso sanitário japonês, autolimpante (ou melhor, limpo por magia), com todos os recursos possíveis.
Depois de me recuperar, instalo vasos sanitários em todos os níveis da caverna.

É perfeito — bem, quase perfeito. Ainda não descobri como fazer portas. Mesmo assim, ter acesso fácil a um banheiro é um alívio inestimável.

Será que eu devia fazer banheiros para os animais também...? Hmm.




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