Capítulo 17 - A Garota do 『Novo Jogo +』




UMA RISADINHA BORBULHA AO LADO DA MELODY enquanto ela caminha pelo campus.

| Cecília | [Algo em sua mente, Lady Luciana?], ela pergunta.
É apenas com um imenso esforço que a dama se contém para não dar pulinhos. Ela está de fato em um excelente humor esta manhã. [Apenas pensando em como estou maravilhada por poder caminhar para a escola com você de agora em diante, Melília!]
| Cecília | [Oh, a senhorita e suas hipérboles], Melody ri baixo. [Sua segurança ainda é minha prioridade número um, mas fico sempre feliz em estar com a minha sen... com você. Com você, Lady Luciana]
| Luciana | [Nós temos que almoçar juntas, está bem? Nós podemos, não podemos? Não como uma empregada e sua patroa, mas apenas como colegas de classe!]
| Cecília | [Certamente]
| Luciana | [Isso!]

Normalmente, Melody estaria ocupada demais servindo sua dama para jantar com ela, como uma empregada deve fazer. Isso é inegociável para qualquer serva que se preze, mas a Cecília não é uma empregada ou serva e, portanto, desfruta do privilégio de jantar com a Luciana. Isso deixa a Luciana nas nuvens.
Conforme se aproximam da sala de aula, o clamor vindo de dentro dela aumenta como uma onda que arrebenta.

| Luciana | [O que é tudo isso?], Luciana diz.
| Cecília | [Algo deve ter acontecido]
Ao entrarem, Luciana saúda sua amiga, que havia chegado instantes antes. [Bom dia, Luna]
| Luna | [Dia]
| Cecília | [Bom dia para você], Melody diz.
| Luna | [Para você também, Cecília], Luna responde.

Quando a Melody fala, vários olhos, a maioria daqueles mais próximos da frente da sala de aula, fixam-se instantaneamente na garota plebeia.
Melody pisca diante da súbita onda de atenção. Ela encontra alguns dos olhares direcionados a ela, mas seus colegas de classe apenas sustentam o olhar por um momento antes de desviarem o rosto sem jeito. O burburinho diminui lentamente até virar um zumbido.

| Cecília | [Hum, foi algo que eu disse?], Melody pergunta.
| Luciana | [Talvez seja uma manhã ruim], Luciana teoriza.
Luna senta-se em sua escrivaninha e aponta. [Para algumas pessoas. Os resultados dos testes saíram]
| Cecília | [Já?], Melody diz. Elas haviam feito o teste há menos de vinte e quatro horas. Primeiro seu exame de admissão, agora isto. Sua admiração pelo corpo docente sobe mais um nível.
| Luciana | [Vamos dar uma olhada], Luciana sugere.
| Cecília | [Sim, vamos]

Elas se aproximam do quadro-negro, onde o Christopher e a Annemarie estão analisando os resultados dos testes. Luciana e Melody oferecem saudações aos membros da realeza.

| Christopher | [Lady Luciana], Christopher responde. [Madame Cecília]
| Annemarie | [Bom dia para as duas], diz Annemarie.

O casal real não foi difícil de encontrar no meio do mar de estudantes. Eles parecem de bom humor esta manhã.

| Christopher | [Aqui para ver como se saíram?], o príncipe pergunta.
| Luciana | [E torcer para não ser pior do que da última vez], Luciana diz.
Christopher sorri. [Receio que seja tarde demais para mim]
| Luciana | [Sua classificação caiu? A sua, Sua Alteza? O primeiro lugar foi usurpado pela Princesa Ciestine?]
| Christopher | [Veja por si mesma], ele abre caminho para elas.

Melody e Luciana espreitam as classificações. Em primeiro lugar, Cecília MacMarden. Cem pontos. Em segundo, Christopher von Theolas com noventa e seis pontos, empatado com a Ciestine van Rordpier. Em quarto, Annemarie Victillium com noventa e três. Em quinto, Luciana Luthorburg. Noventa e um. Em sexto, com noventa pontos, está Olivia Rincot’dor.

| Luciana | [Whoa], é tudo o que a Luciana consegue proferir. A admiração pela garota que esmagou essa competição supera qualquer decepção que a Luciana pudesse ter sentido em relação a si mesma.
| Cecília | [Sou eu em primeiro?], Melody diz.
| Luciana | [Uma pontuação perfeita], a admiração está se transformando rapidamente em descrença.

Eu sabia que ela era inteligente, mas mais inteligente do que o Príncipe Christopher? Luciana pensa. Está falando sério?! Melody já havia sido tutora da Luciana no passado. Ela está bem ciente de seu vasto intelecto, mas é apenas agora, diante da objetividade numérica, que ela realmente começa a compreender o quão vasto esse intelecto de fato é.

| Christopher | [Considere-me impressionado, madame, mas suponho que eu não devesse esperar nada menos de um caso especial como você], Christopher diz.
| Cecília | [O-o senhor me lisonjeia, Sua Alteza. Mas isso foi um golpe de sorte, tenho certeza disso]
| Annemarie | [A humildade é superestimada, querida], diz Annemarie. [Ninguém tropeça até chegar a uma pontuação perfeita. Parabéns]

Um sorriso tímido se espalha pelas bochechas coradas da Melody, piorado pela nova cascata de elogios da Luciana.
Enquanto isso, por trás de sua compostura de dama, as engrenagens na cabeça da Annemarie gemem de esforço. O que é isso, garota, sua segunda tentativa?! Estamos no 『Novo Jogo +』 ou algo assim?!
No jogo, os resultados dos testes do protagonista refletem duas coisas: os níveis de afeto com os interesses amorosos e cinco atributos que consistem em Conhecimento, Aptidão Física, Artística, Magia e Decoro. Cada atributo é emparelhado com uma matéria principal específica. Literatura contemporânea e matemática com Conhecimento; geografia e história, de forma confusa, com Aptidão Física; línguas estrangeiras, também de forma confusa, com Artística; assuntos de etiqueta com Decoro; e estudos arcanos com Magia.
Todos os dias, ao priorizar certas matérias ou estudar durante o tempo livre, o jogador pode melhorar esses atributos. Isso, por sua vez, alteraria a facilidade com que o jogador pode garantir certas rotas. Quanto maior o atributo, melhor o resultado no exame correspondente, e mais afeto se ganha com certos interesses amorosos. O atributo associado do Christopher é Conhecimento, o do Maxwell é Artística, o do Lect é Aptidão Física, o do Buque é Magia e o do Schroden é Decoro. Atributos altos significam mais eventos de encontros com o respectivo personagem. Assim, a forma como o jogador escolhe estudar, crescer e priorizar em termos acadêmicos é uma parte central da progressão do jogo — 『priorizar』 sendo a palavra de ordem.

Assumindo que a Cecília é a heroína, uma pontuação perfeita só pode significar que ela já maximizou cada um dos atributos. Ela tem todo o banquete de homens para escolher! Não, mas sério, quem é essa garota?! Essa porcaria não é fácil!

É tecnicamente possível atingir o limite de cada atributo no jogo, mas isso normalmente acontece no final dos três anos de jogo. Desnecessário dizer que é impossível conseguir isso no segundo semestre do primeiro ano. Fazer isso essencialmente coloca a heroína em um estado de pseudo-harém, desbloqueando cada evento de encontro com cada um dos personagens.

Não que eles tenham nos dado uma rota harém!

Dado que o enredo de 『A Santa Prateada e os Cinco Juramentos』 se centra na heroína encontrando o amor verdadeiro, e inclusive fazendo um juramento sobre isso, despertando assim para os seus poderes como a Santa, o poliamor simplesmente não é uma opção. O vínculo exigido pelas mecânicas do jogo necessita de um relacionamento rigidamente monogâmico.

É quase como se ela tivesse feito múltiplas jogadas. É a única maneira de seus atributos serem tão altos. Mas o jogo não oferecia essa função. E depois há... Annemarie lança um olhar para a garota de cabelos prateados que paira um pouco distante.

Celedia Leginbarth estuda seu ranque no quadro com amargura. Vigésimo nono lugar. Quarenta e quatro pontos.
Passando raspando, Annemarie contempla. Isso me diz que os atributos dela são basicamente o mínimo necessário, mas a heroína deveria se classificar entre os três primeiros. A nota da Celedia deixa muito a desejar. Não admira que ela esteja tão abatida. Realisticamente, porém, isso é mais ou menos o que eu esperaria de uma plebeia criada por uma mãe solteira que só recentemente subiu à nobreza. É honestamente um milagre ela não ter ficado em último.

Que se dane tudo! Celedia amaldiçoa internamente. As memórias da Leah me disseram que esta era a minha chance de amolecer os homens, mas não houve tempo para me preparar! Sem tempo, que diabos! Como vou entender esses princípios humanos tolos no meu primeiro maldito dia?! Quero dizer, er, que vexatório. Oh, estou horrorizada e desanimada. Sim, exatamente.

Uma pontada de imensa simpatia atinge a Annemarie diante da expressão de angústia (excelentemente trabalhada) no rosto da garota. Eu te entendo. Eu te entendo perfeitamente, Celedia. Na época em que eu era uma estudante normal do ensino médio, eu não era nem metade tão esperta, e cada teste era uma sentença de morte. Mantenha a cabeça erguida! Se eu consegui dar a volta por cima, você também consegue!
Comparada aos dons naturais do Christopher e da Melody, Annemarie é dolorosamente comum. Foi apenas a ameaça de aniquilação completa que a impulsionou a negligenciar seu papel como a vilã lamentável e realmente se dedicar. O respeito e a admiração que ela desfruta agora foram conquistados a duras penas. Não foi fácil, mas ela conseguiu, então por direito, Celedia, a talvez-heroína, também conseguirá.

Celedia, no entanto, não é telepática e, portanto, ignora o incentivo da Annemarie. Cecília, a garota com o nome da heroína. Ela me superou facilmente. Será que ela está atrás do mesmo papel que eu? Preciso fazer algo a respeito dela.

| Aluno | [Nota máxima? Como isso é possível?], alguém sussurra atrás da Celedia.

É a primeira de muitas notas de dúvida.

| Aluno | [Como é que uma plebeia que acabou de se matricular pode fazer o que nem mesmo Sua Alteza consegue?]
| Aluno | [É certamente inacreditável. Nós nunca conseguiríamos, a menos que tivéssemos trapaceado]

Os três estudantes riem da noção absurda, mas isso acende uma ideia na Celedia. Isso mesmo, ela pensa. Quão horrível de você se rebaixando a tais medidas, Cecília.
Um mana escuro e invisível escorre da garota, infiltrando-se pela sala de aula.
Melody congela. Por uma fração de segundo, sua visão fica completamente escura. Um piscar de olhos depois e tudo está normal, mas ela não está imaginando coisas, disso ela tem certeza. Exatamente como no baile, ela relembra.

| Luciana | [Cecília], Luciana diz. [Você está bem?]
| Cecília | [Oh, um, algo aconteceu com a minha...]
| Aluno | [Uma pontuação perfeita? Como isso é possível?], a voz de alguém corta a conversa na sala. Os dois garotos e uma garota atrás da Celedia exibem expressões de incredulidade.
| Aluno | [Não é possível. Esse é o ponto. Ninguém simplesmente faz isso]
| Aluna | [Vocês acham que ela trapaceou?], a garota pergunta.
| Aluno | [De que outra forma ela poderia ter feito isso?]
| Cecília | [Huh?], Melody recua. O grupo fala como se estivesse em particular, mas está flagrantemente alto o suficiente para que os outros ouçam. Eles lançam olhares mal disfarçados para o alvo de sua ira. E não são apenas eles. Quase a sala de aula inteira volta sua raiva contra a Melody agora. Luna, Annemarie e aqueles mais próximos a ela parecem ser as únicas exceções, bruscamente confusos com a mudança repentina de tom entre seus pares.

Celedia ri de deboche para si mesma. Perfeito. É uma questão simples amplificar o ciúme que já brota em seus corações. Pouco risco para o meu corpo também. Embacei os sentidos dos benfeitores para que não possam sair em defesa dela. Agora, mostrem-me! Revelem as sombras que espreitam em seus corações para Tindalos, O Sombrio!
Exteriormente, a garota age como se estivesse surpresa. Se pudesse, porém, ela teria erguido os braços e gargalhado feito uma maníaca.
Um grupo separado adiciona suas vozes à cacofonia ameaçadora.

| Aluna | [A garota em primeiro trapaceou?]
| Aluno | [Como ela teria feito isso, no entanto? Ela não teria que saber as perguntas antes do tempo?]
| Aluna | [Quem garante que ela não trapaceou nos exames de matrícula também? Ela é endossada pelo Lorde Leginbarth, afinal. E se deram a ela um tratamento especial? Ela poderia ter tido conhecimento prévio do teste de ontem]

Melody não consegue encontrar as palavras para se defender. De onde está vindo isso? Como podem saltar para conclusões tão lúgubres?
Luciana, enquanto isso, não consegue ranger os dentes com mais força sem quebrar um. Melody? Trapaceando?! Quem essas pessoas pensam que são?!

| Luciana | [Com licença...]
| Olivia | [Cessam essa infantilidade imediatamente!], uma voz áspera e severa corta o protesto da Luciana como uma faca.

A estranha quietude na sala se estilhaça. Tanto os instigadores quanto os confusos voltam-se em direção àquela voz como se de repente acordassem de um sono profundo, apenas para contemplar uma Olivia Rincot’dor irada pairando sobre eles como uma montanha, com o livro que esteve lendo silenciosamente deitado aberto em sua escrivaninha.
O que significa isto?! Celedia fica estupefata. Como a voz de uma garota pode dissipar os efeitos de sua magia?

| Olivia | [Assim que são superados, vocês acusam. Vergonhoso], a filha do duque cospe as palavras. [Em que fundamentos vocês baseiam essas alegações? Seriam os estudantes da orgulhosa Academia Real verdadeiramente tão baixos? Vergonhoso. Verdadeiramente vergonhoso. Tenho vergonha de chamá-los de meus pares!]

Desculpas e admissões de culpa ecoam de imediato, tão contagiosas que a Melody, Luciana e até a Celedia se juntam a elas.

| Olivia | [Para quem vocês deveriam estar direcionando tais palavras?], Olivia estala, com seus olhos de adaga focados nos instigadores.
Um desses instigadores se volta para a Melody imediatamente. [Pedimos profundas desculpas, MacMarden. Não tínhamos o direito de duvidar de você sem evidências]

Os outros dois instigadores pedem desculpas de forma semelhante.

| Cecília | [Um, obrigada], Melody diz.

O grupo seguinte vai atrás, com cada acusador expressando seus mais profundos arrependimentos. Eventualmente, as coisas voltam ao normal.

| Christopher | [Você tem as minhas desculpas também], Christopher diz. [Era meu dever repreendê-los, e eu falhei]
| Annemarie | [E as minhas], Annemarie acrescenta. [Duas vezes agora, contando com o baile, eu não me pronunciei por você quando deveria ter feito]
| Cecília | [Por favor, não é culpa de nenhum de vocês], Melody diz. Reparações vindas de um príncipe e da filha de um marquês são demais para ela aceitar.
| Luciana | [O que diabos deu neles? Eu não achava que eles fossem do tipo que se porta de forma tão rude], Luciana, por sua vez, ainda está furiosa.

Melody está mais estupefata do que qualquer outra coisa. O que tinha dado neles?
Espere um minuto, Annemarie pensa. Poderia isto ser obra do Sombrio? Lembro-me vagamente de um mini-evento onde algo assim acontece.
Certos mini-eventos no jogo têm pouco a ver com os interesses amorosos ou com a história principal. Tipicamente, eles tomam a forma de estudantes sob a influência do Sombrio antagonizando a heroína. Ao contrário de casos como o Buque ou a Luciana, a quem O Sombrio manipulava como marionetes, esses incidentes envolviam indivíduos afligidos por mana sombrio, o que amplificava suas emoções negativas e transmitia uma aversão pela Santa.

O que acabou de acontecer se encaixa perfeitamente, mas este evento específico não acontece em uma data fixa, se é que acontece. Os estudantes afetados são todos personagens de fundo sem nome. É impossível dizer com certeza. Argh, e eu apenas fiquei olhando com cara de tonta o tempo todo!

Ela e Christopher não haviam ficado imunes ao mana da Celedia. Ninguém ficou, exceto pela Melody, sendo a Santa, e a Luciana, protegida pela magia da Melody. E, curiosamente, uma terceira pessoa: Olivia Rincot’dor.

Aquela mulher. Ela se intrometeu da última vez também, Celedia pensou. A minha manipulação não a afetou? Ela examina o mana da garota. Nada fora do comum. Um pouco mais do que a média, mas não particularmente notável. Então ela não é a Santa. Então por quê? Não posso fazer uso desses poderes com uma anomalia como ela por perto. Maldita seja!

Celedia encara a Olivia de perto, mas isso é tudo o que ela pode fazer no momento.

| Carol | [Bom dia para todos], uma retardatária diz com um bocejo. [O que está acontecendo?], Carol observa a sala de aula com uma confusão sonolenta. Talvez graças à sua atitude desleixada, a chegada dela atua como um sedativo, aliviando a tensão remanescente na sala.

Melody percebe que não fez muita coisa além de ficar parada aqui desde que o incidente começou. Ela nem sequer agradeceu a Lady Olivia!
Mas o Instrutor Regus entra nesse momento, e a orientação começa. Os agradecimentos terão que vir mais tarde.
O instrutor distribui os testes corrigidos. Melody recebe o seu enquanto planeja mentalmente formas de encontrar a Olivia antes que o dia termine. Ao seu lado, Carol recebe o seu teste com uma careta. Melody lança um olhar para o quadro e avista as palavras 『27º lugar: Carol Misweed, 51 pontos』.

| Regus | [Revisem e corrijam essas perguntas que vocês erraram], Regus diz. [Quero os seus exames corrigidos até amanhã]

Um gemido surge da classe, um protesto fútil.

Melody suspira. [Eu nunca consegui agradecer a ela]
| Luciana | [Acontece. Sempre há o amanhã], Luciana caminha ao seu lado enquanto o sol se põe baixo para banhá-las em um pôr do sol sereno conforme avançam. Naturalmente, como sua guarda, Melody está acompanhando a Luciana de volta ao seu dormitório.

A cada instante, algo bloqueou a Melody de seu objetivo. Entre as aulas, a senhorita estava sempre no meio de uma conversa. No almoço, ela descobriu que a Olivia já havia saído. Essa sequência de má sorte continuou até que as aulas terminaram, e suas chances evaporaram.
É quase misterioso, ela pensa.
Com passos pesados, ela entrega sua senhorita em casa e, depois, retorna ao Salão Comum. O seu dia ainda não terminou.

| Cecília | [É hora do trabalho de empregada! Para o quarto da minha senhorita!], de fato, é hora do trabalho de empregada. Ela deixa de lado a sua tristeza pelas oportunidades perdidas, concentrando-se, em vez disso, em toda a diversão que está por vir. [Um jantar delicioso está a caminho! É só esperar!]

Cumprindo sua promessa a Micah esta manhã, Melody prepara a refeição de sua senhorita com entusiasmo. O tempo voa, como costuma fazer, e logo a Luciana terminou seu banho e se aprontou para a cama, o que significa que é a vez da Melody se retirar.

Ela se posiciona diante da porta mágica que leva ao seu quarto. [Lamentavelmente, devo me despedir agora, minha senhorita]
| Luciana | [Boa noite, Melody]

A empregada deixa sua senhorita para trás e passa pela porta. A escuridão total a saúda do outro lado do portal. Ela se deixa ajustar a ela por alguns segundos e, depois, suspira.

| Melody | [Se ao menos me permitissem esse luxo pelas manhãs também]
Uma batida vem na porta. [Cecília, você está aí?]
Melody se anima. [Carol?! U-um segundo!], mais silenciosamente, ela sussurra: [『Teattrice』]. Ela rapidamente veste sua persona de estudante e caminha até a porta. Essa tinha sido por pouco. [Sinto muito por isso]
| Carol | [Não, eu sei que está tarde. Eu só queria a sua ajuda com uma coisa]
| Cecília | [Minha ajuda? Com o quê?], Melody olha para baixo para os papéis na mão da Carol e compreende. [Corrigir o seu teste?]
Carol aperta o maço de papéis ansiosamente. O Instrutor Regus é um professor rigoroso, passando uma lição de casa tão exigente em um prazo tão curto. [Há alguns problemas que eu simplesmente não consigo decifrar e, bem, você tirou nota máxima. Você se importaria?]
| Cecília | [De forma alguma. Por favor, entre]

Melody a convida para entrar e elas começam a trabalhar. Carol já decifrou a maioria das respostas, mas várias perguntas particularmente difíceis permanecem. As soluções não são imediatamente óbvias com base no material que haviam estudado em classe. Melody guia a Carol através de cada uma delas. A matemática, ao que parece, é a sua nêmesis.

| Cecília | [Espero que isso ilumine algumas coisas], Melody diz.
| Carol | [Oh, entendi]

Levou uma hora, mas foi uma hora eficiente. Melody tem experiência por ser tutora de sua senhorita. Carol absorve as explicações dela com relativa facilidade.

| Carol | [Phew. Obrigada novamente pela ajuda. Você salvou a minha vida, Cecília]
| Cecília | [Fico feliz em poder ajudar], Melody sorri radiante. Ela vive para isso, afinal.
Carol sorri de uma forma autodepreciativa. [Eu realmente não sei por que sou assim. Nunca vou trabalhar no palácio desse jeito]
| Cecília | [Esse é o seu objetivo?]
| Carol | [Não exatamente. Não é importante. Esqueça. Obrigada de novo. Eu te pago de volta em breve]
| Cecília | [Oh, você não precisa fazer isso. Apenas saiba que pode sempre pedir de novo se precisar]
| Carol | [Vou tentar resistir à tentação de me mudar para cá. De qualquer forma, boa noite]
| Cecília | [Boa noite]

Passa das nove horas quando a Carol se retira. Hora de dormir. Melody toma banho e veste suas roupas de dormir.

| Melody | [Eu não dormi muito na noite passada, então vou me acomodar um pouco mais cedo. Oh, eu me esqueci completamente do jantar], após cuidar da Luciana, ela voltou para casa, ajudou a Carol com a lição de casa e teve pouco tempo para fazer qualquer outra coisa. O refeitório não estaria aberto a esta hora tardia. Se quiser comer, terá que cozinhar para si mesma. [Não estou particularmente com disposição. Deve ser o cansaço. Comi um pedaço enquanto testava o sabor da refeição da minha senhorita, pelo menos. Hora de ir para a cama então]

Alguns dias são simplesmente assim. A exaustão supera a fome, e a Melody escorrega para debaixo de seus cobertores. Ela tem outro dia cheio de proteção à sua senhorita amanhã, então ela começa a pegar no sono. E a pegar no sono. E a pegar no sono...

Aqui vamos nós de novo.

Ela está prestes a ter mais uma noite de descanso inquieto.



Algum tempo antes, enquanto a Melody e a Luciana estavam retornando aos dormitórios, Olivia Rincot’dor chegava ao seu próprio quarto.

| Empregada | [Bem-vinda de volta, minha senhorita]
| Olivia | [Obrigada. Pretendo estudar assim que me acomodar. Prepare um chá, por favor?]
| Empregada | [Imediatamente. A senhorita vai se trocar primeiro?]
| Olivia | [Mais tarde. Tomarei meu chá na sala de estar. Chame-me assim que estiver pronto. Estarei descansando enquanto isso]
| Empregada | [Como desejar, minha senhorita]

Olivia caminha para o seu quarto. Livre dos olhos atentos de sua dama de companhia, ela se joga na cama.
Que dia positivamente vexatório. Minha mente não consegue se esquecer do que aconteceu esta manhã. Acusações. Acusações sem fundamento. Tudo porque uma garota teve uma boa pontuação em um teste. Se ela não tivesse intervindo, as coisas poderiam ter saído do controle. Ela ficou feliz em intervir, na verdade. Ela detesta que seus pares não apenas denunciem as conquistas de outro tão rapidamente, mas acreditem em boatos infundados além disso. Ainda assim, isso estragou bastante o humor da Olivia. Tenho exatamente a coisa certa para isso, felizmente.
Olivia se levanta e estende a mão para baixo da cama, retirando um estojo longo e esguio. Adornos cintilantes que decoram o elegante estojo preto prometem um tesouro valioso em seu interior. Ela o coloca sobre a cama e o abre. Lá dentro jazem os restos partidos de metade de uma espada de prata.
Olivia se aproxima da janela com a espada partida e, depois, abre as cortinas com uma das mãos, com o crepúsculo invadindo o quarto. A espada brilha resplendente na luz fraca enquanto ela a ergue.

| Olivia | [Que linda], ela respira aliviada.

Banhada pelo sol da tarde, ela realmente é. Olivia fecha os olhos, lembrando-se do incidente da manhã. Ela quase consegue sentir o brilho intrínseco da espada.

| Olivia | [Você está partida. Imperfeita. Inadequada para o propósito para o qual foi feita. E no entanto você é linda. Como eu gostaria que você fosse eu]

Invisível para ela, uma incandescência argêntea irradia da seção transversal da lâmina estilhaçada. Partículas brilhantes de platina flutuam em direção ao peito da Olivia e através de seu próprio ser, onde desaparecem.

Olivia abre os olhos, com um sorriso caloroso no rosto. [Como é que você me traz tanta paz? Curioso. Meus receios remanescentes praticamente desapareceram. Por que será, eu me pergunto?], ela espera por uma resposta que não virá. [Talvez ainda mais curioso seja o porquê de eu me dar a falar assim com você. Você, eu digo. Para uma espada]

Conforme ela se vira de volta para colocá-la em seu estojo, ela ouve um estalo. Um fragmento da lâmina chocou contra o chão.

| Olivia | [O quê?! C-como?]

Como de fato. Olivia teve tanto cuidado com a relíquia. Ela não se lembra de jamais tê-la batido contra nada ou tratado de forma negligente, mas sem outra alternativa, ela a coloca em seu estojo e a esconde debaixo da cama novamente.

Em sua mão, ela segura o fragmento que caiu. [O que eu faço com isso? Pode ser reparado?]
| Empregada | [Minha senhorita, o seu chá está pronto]
| Olivia | [Oh! J-já vou!], com um sobressalto, Olivia desliza a peça para o bolso do uniforme e sai do quarto, fazendo o melhor para agir com naturalidade.

Naquele bolso aquele fragmento vai ficar, uma espécie de amuleto. Sem o conhecimento da Melody. Sem o conhecimento da Annemarie. Sem o conhecimento de todos os que poderiam ter demonstrar interesse por tal item.




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