Posfácio
Há quanto tempo não nos vemos, meu caro leitor. Sou eu, o Harajun.
Recentemente, tem havido momentos no meu emprego diurno em que quase escrevo 『sou eu, o Harajun』 em meus e-mails, em vez do meu nome real e do nome da empresa. Agora mesmo, na verdade, quase escrevi meu nome real e o nome da empresa para o início deste posfácio. Estou realmente enfrentando dificuldades, como podem ver. Se puderem rezar por mim.
Antes de começarmos, apenas uma atualização sobre o 『capitão』 de quem falei no posfácio do volume 3. Até este exato momento, nenhum contato ou informação chegou até mim. Eu presumi que, se alguém do ramo lesse aquilo, saberia imediatamente de quem eu estava falando, então, para ninguém ter entrado em contato comigo até agora, concluo que o romance simplesmente não chamou a atenção do Capitão, ou que eu passei a perna nele ao me tornar um autor primeiro.
Como não temos como saber de um jeito ou de outro, escolho a segunda opção. Eu te venci em ne tornar um autor, Capitão. Eu ganhei. Ou pelo menos é o que digo a mim mesmo para a minha higiene mental.
Da última vez, falei principalmente sobre os meus dias de estudante, então, desta vez, falarei sobre a minha vida como um recém-graduado solto no mundo.
Se você está se perguntando por que eu amo tanto falar sobre mim nesses posfácios, é porque meu editor sempre me dá páginas demais para escrever. Eu sei que esse espaço deveria ser preenchido com agradecimentos sinceros a todos os envolvidos na produção deste livro, mas... não tenho certeza de como dizer isso de outra forma. Não tenho as palavras certas para esse tipo de coisa. Simplesmente não seria possível para mim. Para o meu grande desgosto.
Claro, os agradecimentos são o propósito principal de um posfácio. Então, se você preferir não me ouvir falar sobre mim mesmo, sinta-se à vontade para pular direto para essa parte. Não ficarei chateado.
Agora, para o resto de vocês que ainda estão aqui, recebi minha primeira oferta de emprego quando ainda estava no meu terceiro ano de faculdade. Agora, lendo isso, você pode pensar: isso é cedo demais! E você estaria certo. Mas, na época, tudo em que eu conseguia pensar era em como poderia ter um ano inteiro só para mim para relaxar. Relaxar demais e quase bombar no meu projeto de fim de curso é uma lembrança querida minha. Tudo bem, talvez não tão querida assim, mas você me entende.
Depois que entrei na empresa, mal se passou um mês desde que terminei o treinamento e a integração quando me disseram para 『ir ajudar outro departamento por tipo uns três dias』. Foi meio ano até eu voltar. E quando finalmente voltei, recebi aquele feedback cortante: 『Já se passaram seis meses e você ainda não aprendeu o seu trabalho』. Hum. Por que será?
A avaliação do meu bônus ficou classificada entre as melhores, enquanto a avaliação do meu aumento salarial ficou classificada como a pior. (Nota do tradutor: há um trocadilho brilhante — leia-se: brega — perdido no japonês aqui: saitei para 『avaliação』 e satei para 『o pior』)
Então decidi pedir as contas. Se há uma razão singular que eu daria para querer sair, é que eu simplesmente não estava recebendo uma oportunidade justa.
E você sabe o que aconteceu quando entreguei meu aviso prévio? Meu chefe me puxou para uma conversa de duas horas para me convencer a ficar. Depois, o chefe dele por três horas. Depois, o chefe dele por uma hora.
Nessas conversas, eles expuseram — com uma precisão cirúrgica — cada motivo pelo qual eu era um funcionário modelo. Disseram que eu estava fazendo um bom trabalho, rasgaram elogios de cima a baixo, mas, o tempo todo, apenas um pensamento continuava circulando na minha cabeça: Se eles me enxergam de forma tão clara, por que nada disso foi refletido nas minhas avaliações?
Desnecessário dizer que tudo o que aquelas conversas fizeram foi fazer a minha decisão de sair parecer ainda mais correta.
Então me demiti, mergulhei de volta na busca por emprego e eventualmente aterrissei na minha empresa atual — onde continuo até hoje.
Passei por muita coisa desde então. Já usei muitos chapéus aqui, às vezes vários de uma vez. Mas eles respeitam e apoiam o meu trabalho paralelo, e sou genuinamente grato por isso. No fim das contas, o que mais um funcionário de escritório pode pedir além de um lugar onde suas habilidades sejam valorizadas, seus esforços reconhecidos e sua confiança recompensada com todo tipo de responsabilidade?
Se eu tivesse que apontar uma coisa de coçar a cabeça, porém, seria a vez em que disseram: [Ei, você escreve livros, certo? Então você pode cuidar dos formulários de pedido de subsídio, não pode? Manda bala, campeão]
Tipo... Hum?
Tenho certeza de que escrever romances e preencher formulários de subsídio são dois conjuntos de habilidades completamente diferentes, mas, dito e feito, fiquei preso com a tarefa. Ainda assim, como ninguém mais na empresa jamais havia tocado em pedidos de subsídio antes, o raciocínio básico foi: [Se alguém tem que tentar, que seja a única pessoa com pelo menos uma chance]. Se essa chance realmente pertencia a mim, porém... ainda me pergunto.
Em forte contraste com o meu emprego anterior, sinto-me quase supervalorizado neste. Todo dia é: [Entendido — sim, eu cuido do design do processo. Vou providenciar as estimativas de custo imediatamente. Eu escrevo as inscrições. Eu elaboro os relatórios. Eu preparo os padrões de trabalho. Eu projeto as ferramentas. Eu vou às reuniões. Eu faço as entrevistas — Espera, entrevistas também?! Vendas na feira de negócios também?! Existe alguma coisa que eu não tenha que fazer?!], et cetera, et cetera...
Nunca acaba. Mas, ainda assim, estou lá, firme no trabalho todo dia.
Chegamos ao fim agora, então aqui está. Hora dos agradecimentos.
Primeiro, fixro2n, você sabe que sou grato pelas suas ilustrações como sempre. Desta vez especialmente, sei que devo ter te amolado com todos os meus pedidos de revisão: Fofo demais — refaça. Descolado demais — refaça. Não está nojento o suficiente — refaça]. E assim por diante eu fui. Obrigado por me aturar. Tenha certeza de que salvei aquele rascunho 『fofo demais』 no servidor do meu coração.
Em seguida, a revisão. Sei que foi uma temporada especialmente movimentada para você e, no entanto, você ainda aceitou isso e entregou maravilhosamente. Por isso, você tem todo o meu coração.
E, claro, meu editor. Quero que todos saibam que é a você que devem agradecer por eu ter conseguido trazer aquele sentimento 『safado』 em uma das partes revisadas sem recorrer a nada explícito demais. Um fato tão bom que direi duas vezes: é graças a um pedido do meu editor que consegui trazer aquele sentimento 『safado』 em uma das partes revisadas sem recorrer a nada explícito demais.
A todos os outros que tiveram participação neste livro antes de ele chegar às prateleiras, vocês têm a minha gratidão infinita.
E, finalmente, a você — o leitor que pegou este volume —, obrigado, de verdade, do fundo do meu coração.


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