Capítulo 20 - Abate... Eu Fiz o Meu Melhor.
Certo, calma. Para começar, vou tentar refrigerar. Preciso de mais tempo para pensar, então vou resfriar para não estragar. Seria um desperdício se apodrecesse.
Como imagem mental para criar a magia, escolho uma caixa de morangos dentro de uma geladeira. Os morangos premium que eu tinha comprado no último pagamento ainda estão na minha geladeira em casa — e nunca serão comidos.
Eu estava tão ansioso por eles. Que pena.
| Akira | [Refrigerar], um toque rápido na pele da besta confirma o sucesso. Talvez sucesso demais — está mais perto de 『congelado』 do que de 『frio』.
Bom... próximo! Ah, é, agora vem o esquartejamento...
Decido fazer isso do lado de fora da caverna, e não lá dentro. Há uma boa chance de eu falhar, e não quero nem imaginar a cena horrível que isso causaria.
Então, o que eu preciso fazer? Sangue e órgãos vão ser o maior problema... Ah, sangria! Tenho que drenar o sangue! Você corta a cabeça e pendura de cabeça para baixo numa árvore... Pelo menos foi assim naquele drama histórico que eu vi. Por que eu fui assistir algo tão grotesco mesmo?
O problema real é se eu vou conseguir fazer isso ou não. Tenho a estranha sensação de que, mesmo se conseguisse, nunca mais dormiria direito. Não — vou tentar resolver isso com magia primeiro.
Sangue é basicamente água, né? E se eu tentar remover toda a água... Não, provavelmente só viraria carne-seca.
Tento usar Consciência Espacial para olhar dentro da criatura, mas imediatamente fico enjoado e desfaço a magia antes de ver qualquer outra coisa.
E se eu acabar vendo o estômago ou o coração? Ugh.
Mesmo essa breve tentativa já deixou imagens realistas demais na minha cabeça.
Certo, calma um pouco. Se recomponha, eu. Sangue... vasos sanguíneos. Isso dá para visualizar. Vou imaginar os vasos sendo puxados para fora do corpo. Se eles saírem sozinhos, vai ser melhor pra mim. Imaginar os vasos deslizando pra fora... Deslizando... Não. Isso é coisa de pesadelo. Rejeitado. Nojento.
Respiro fundo. O que eu realmente quero é tirar os vasos sanguíneos do corpo sem precisar vê-los.
Ei, tive uma ideia — vou fazê-los desaparecer! Mas... para onde eles vão? Não sei se consigo visualizar isso... Teletransportar pode funcionar. Vou teleportar para fora do corpo e incinerar. Isso!
Coloco a mão novamente no monstro semelhante a um javali e foco apenas nos vasos sanguíneos — o que se mostra muito mais difícil do que eu imaginei. Há muitos vasos no corpo, incluindo capilares minúsculos, e os vislumbres vagos que tive do interior não ajudam em nada.
Certo, talvez eu nem precise saber onde eles estão. Vou apenas imaginar todos sendo teleportados para fora e queimados até virar cinzas. Vamos tentar.
| Akira | [Teleportar, Incinerar], uma pilha de cinzas aparece em cima do corpo da criatura.
Oops. Eu devia ter teleportado um pouco mais longe.
| Akira | [Limpar], as cinzas desaparecem.
Em seguida vêm os órgãos; vou removê-los do mesmo jeito.
Órgãos, órgãos... Eu limpei um peixe uma vez, mas acho que animais terrestres são diferentes... Quais órgãos existem mesmo? Coração e estômago são fáceis. E... o que mais?
De repente, lembro do modelo de anatomia da sala de ciências do ensino médio. Para minha mente infantil, parecia um brinquedo estranho, e passei horas tirando peças e montando de novo, até o professor perder a paciência comigo. Era um corpo humano, claro, mas acho que lembro o suficiente.
Certo, vamos ver — cérebro, olhos, coração, intestinos, rins...
| Akira | [Teleportar, Incinerar]
Legal, funcionou. Da próxima vez, com certeza vou fechar os olhos. Com certeza.
Mesmo tendo visto tudo só por um instante, tenho certeza de que aquela montanha de órgãos vai ficar gravada na minha mente para sempre.
Depois disso, uso uma rajada de magia de vento para dividir a carcaça em duas partes bem limpas — só então percebo que esqueci de retirar a pele antes.
Vou só tirar um pouco da carne de dentro por enquanto, eeee... pronto!
Não saiu exatamente como eu imaginava, mas, de alguma forma, consegui esquartejar o estranho monstro-javali. Fico com medo de comer cru, então decido cozinhar usando Incinerar — esquecendo, claro, que essa magia tinha reduzido os órgãos a cinzas. Meu bife vira uma bela pilha de pó cinza.
Idiota.
Corto outro pedaço e tento de novo, desta vez visualizando a carne bem passada. Assim, finalmente garanto minha primeira refeição (com algumas marcas de queimado extras).
Eu tive muitos pesadelos naquela noite.


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