Capítulo 10 - Uma Rocha Maligna...? Mais ou Menos.




Os lobos rosnam em uníssono. No instante seguinte, a rocha está bem na minha frente.

| Akira | [Argh!], eu jogo os braços à frente do corpo para me proteger, mesmo que uma pequena parte do meu cérebro saiba que uma defesa tão patética não serviria para nada.

*Crash*

Um som semelhante ao de um gongo abafado reverbera pela câmara, e a dor —

Espera, que dor? Eu não estou machucado.

Abaixo os braços com cautela para entender o que aconteceu e vejo a rocha cravada profundamente na parede oposta. Estranhamente, ela também está bem menor agora. A rocha se solta da parede e começa a se mover ao longo dela — quase como se estivesse tentando ficar o mais longe possível de mim.

O que foi que eu fiz, huh?! Você é que veio voando pra cima de mim... Ah, então foi um ataque? E depois — isso mesmo — ela deve ter batido na barreira. Então parece que funciona mesmo. Mas o resultado não foi nada do que eu imaginei... Por que ela acabou enfiada na parede?

Agora que consigo enxergar claramente, essa câmara é ainda maior do que aquela onde encontrei os lobos. A passagem por onde entramos fica próxima a um dos quatro cantos da sala retangular, e a rocha fugiu para um dos cantos superiores do lado oposto, o que a faz parecer ainda menor.

Ela deve estar muito assustada para ter ido até lá. Aliás... rochas malignas sequer são conscientes? Inclino a cabeça, pensativo, e olho para os lobos, que retribuem meu olhar com olhos pequenos e adoráveis. Ah... Isso é tão reconfortante — quero dizer, tranquilizador. Sim, tranquilizador.

Dou um passo à frente, e a rocha dispara novamente em minha direção. Agora que sei que minha barreira funciona, permaneço firme, curioso para ver o que acontece quando o ataque atinge. Há outro estrondo quando a barreira absorve o impacto, seguido por um clarão de luz quando ela lança um contra-ataque —

Espera, o quê? Incontáveis lanças de luz perfuram a rocha antes de desaparecerem um segundo depois. Er... barreiras deveriam ser capazes de atacar coisas? Droga... eu não fazia ideia de que barreiras eram tão assustadoras.

A rocha se afunda profundamente na parede distante pela segunda vez. Quando entrei na câmara, ela era quase alta o suficiente para tocar o teto, cerca de vinte e cinco metros acima da minha cabeça. Depois do segundo ataque, ela encolheu ainda mais. Agora tem só uns sete ou oito metros de altura.

Estou me sentindo meio mal. Quero dizer, ela me atacou primeiro, mas acho que meu ataque foi bem mais violento. Quem diria que barreiras atacam, né?

Olho para os lobos mais uma vez, mas eles parecem tão confusos quanto eu.

Ah, tanto faz. Vamos colocar as barreiras na pilha do 『ignorar』 por enquanto.

A questão mais urgente, claro, é a rocha ominosa. Caminho em direção à parede oposta da sala, sem mais me preocupar com a possibilidade de ataque. Mesmo assim, a rocha não se mexe nem um pouco.

É impressão minha, ou essa rocha parece mais um ser vivo do que matéria inorgânica? Ela passa a mesma sensação que os lobos passavam quando os conheci. Uma rocha viva? É por isso que ela consegue amaldiçoar coisas?

Endireito os ombros, reunindo cada resquício da minha força de vontade.

| Akira | [Purificar!]

A rocha brilha por uma fração de segundo, o véu negro ficando cada vez mais fino, mas logo a luz se apaga e ela retorna ao estado anterior.

Parece que minha magia de purificação foi fraca demais para isso...




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