Capítulo 10 - Garota Motosserra
O tempo parece parar enquanto o silêncio desce sobre a ilha artificial. A sensação é a de que a ilha está isolada do resto do mundo.
No encalço do confronto entre aquelas duas guerreiras inflexíveis, a ilha foi deixada irreconhecível. Os arredores estão cobertos por escombros dos armazéns destruídos, e o pavimento de pedra está marcado com vestígios da batalha. Seria impossível julgar apenas pela carnificina o que ocorreu aqui.
| Nadja | [Tsc... você só cortou o meu braço no final]
| Jin | [Agora que penso nisso, eu tinha algo que queria te perguntar]
O braço da Nadja foi decepado de forma limpa onde a carapaça cobre sua pele. O sangue jorra livremente da ferida. Embora seja a responsável por aquele ferimento, Jin perdeu uma quantidade significativa de sangue ela mesma.
Além de seu estômago, onde ela se esfaqueou com a katana, o sangue está brotando dos buracos deixados em seu corpo pelas lanças de água da Nadja. Ambas se sentam no chão, incapazes de dar mais um passo.
| Nadja | [Eu disse que, se você quisesse respostas, deveria arrancar a verdade de mim na porrada, então acho que você fez por merecer]
| Jin | [Seja rápida, então. Acho que estou às portas da morte]
| Nadja | [Ha-ha, você é louca, sabia disso? Tudo bem, vou direto ao ponto. Eu vim para libertar meus irmãos que foram sequestrados. Embora ache que esse desejo não vai se realizar agora...]
Arrependimento e resignação cruzam o rosto da Nadja... mas apenas por um momento.
| Jin | [É claro], diz Jin. [Deixe isso conosco, então... No entanto, a cura vem primeiro]
| Nadja | [Huh? Deixar conosco? Cura?], Nadja parece confusa.
| Jin | [Psycho, ande logo com isso! Estamos morrendo aqui]
| Psycho | [Você não é a única que está cansada, fique sabendo], diz Psycho. [Eu estive me matando de trabalhar lá fora]
Tendo agora eliminado a horda de tubarões-rastejantes, Psycho se aproxima para aplicar sua magia de cura nas duas combatentes. Como ela disse, a luta prolongada e o uso repetido de magia de cura a deixaram visivelmente exausta. Mas para o azar da Psycho, ninguém parece se importar.
| Nadja | [Espere, qual é o significado disso? Vocês não vão me matar?], Nadja pergunta.
| Jin | [Por que deveríamos? Você não planeja continuar lutando, planeja?]
| Nadja | [Bem, não...], diz Nadja, desviando o olhar, envergonhada.
| Jin | [Eu tenho uma ideia de onde eles possam estar. Vamos nos apressar, libertá-los e terminar este trabalho]
| Nadja | [Eu nunca soube que os humanos podiam ser razoáveis...]
Jin e Nadja permitem-se ser curadas. Os buracos no corpo da Jin se fecham, e o braço da Nadja é recolocado em seu corpo. Psycho tentou trabalhar rápido, porque a Tsutsumi estava encarando o braço decepado da Nadja com um brilho faminto nos olhos.
| Nadja | [Eu devo a vocês a minha gratidão, humanos]
| Psycho | [Poupe seus agradecimentos. Se o que você diz é verdade, parece que o nosso lado começou essa bagunça para começo de conversa], responde Psycho com desdém.
| Nadja | [Mesmo assim]
Ambos os lados tiraram vidas, mas os humanos parecem ter sido os instigadores. Uma obrigação é uma obrigação, no entanto, de acordo com a Nadja.
Com seu braço recolocado, Nadja se levanta de volta.
| Nadja | [Muito bem então, onde fica esse lugar...? Espere, primeiras coisas primeiro], Nadja vira sua atenção em direção ao tubarão-rastejador massivo. [Ei, você, até quando planeja continuar dormindo?!], ela berra. [Vamos, vá voltando na frente!]
Em resposta, a besta imóvel caminha lentamente de volta até ficar de pé. Aparentemente, ela estava apenas inconsciente. Assim que compreende a situação, ele balança a cabeça de um lado para o outro em uma tentativa de desalojar a Proto.
| Proto | [Ack!], reclama Proto conforme é arremessada bruscamente para longe. Um momento atrás, ela estava distraidamente banhando-se na luz da lua.
[—!!]
A besta monstruosa solta um uivo de rachar o crânio. Todas cobrem os ouvidos, mas o som estremece seus tímpanos de qualquer forma.
Em resposta, o exército de tubarões-rastejantes que ainda estava assolando a cidade imediatamente se vira e começa a recuar em direção ao mar. A extensa parede de chamas que cortava a cidade desaparece também.
Não há mais sons de luta. Não há vencedores e, portanto, nenhum grito de triunfo também. Um silêncio vibrante desce sobre a cidade repleta de escombros.
| Proto | [Huh? O que aconteceu? Acabou?], diz Proto, juntando-se às outras. Ela arrasta seu martelo de guerra, que ainda está emaranhado em seu braço direito, atrás de si. Ela finalmente recuperou energia suficiente para se mover.
| Jin | [Eu não teria conseguido sem você, Proto], diz Jin.
| Proto | [Desculpe, o quê?], Proto responde, ainda um pouco atordoada.
Resultado à parte, ela deve muito a Proto.
| Psycho | [E então? Onde fica esse lugar que você mencionou?], Psycho e as outras começam a caminhar, com a Nadja agora a tiracolo.
| Jin | [Tem que ser ali], Jin responde. [Pelo menos, eu acho que sim]
Elas estão indo direto em direção ao centro da cidade.
| Nadja | [Ahh... No final, parece que sou a única que conseguirá o que quer. Espero que ele não se importe], murmura Nadja em tom de desculpa.
| Jin | [Ele? Você quer dizer o Senhor das Trevas?]
| Nadja | [Sim]
| Psycho | [Esse tal de Senhor das Trevas — como ele é?], pergunta Psycho enquanto elas se dirigem ao destino delas. Essa é uma informação importante. O Senhor das Trevas é toda a razão pela qual elas foram invocadas para este mundo.
| Nadja | [Eu nunca o conheci pessoalmente, também. Uma mulher alegando ser serva do Senhor das Trevas apareceu do nada. De acordo com o que ela me disse, o Senhor das Trevas quer expulsar até o último humano das terras e providenciar a salvação para todos os monstros]
Elas passam por todo tipo de escombros ao longo do caminho. A visão as deixa com sentimentos conflitantes.
| Nadja | [De acordo com a mulher, se eu concordasse em me tornar uma das seguidoras do Senhor das Trevas e ajudá-lo em seu objetivo, ele me emprestaria poder. Aconteceu de eu estar bem no processo de planejar o meu próprio ataque a esta cidade, então achei que poderia fazer uso desse tal de Senhor das Trevas]
| Psycho | [E então ela te deu algo chamado sangue amaldiçoado?]
| Nadja | [O quê? Como você sabia?]
| Psycho | [Nós lutamos contra algumas pessoas antes que haviam usado o sangue amaldiçoado. Você tem mutações semelhantes, embora não tão extremas quanto as deles eram. Bem, eu digo isso, mas nunca vi a sua espécie antes, exceto como uma ilustração em um livro]
Tanto o Rotraud quanto o líder dos bandidos que ele havia manipulado abandonaram completamente sua humanidade, reduzidos a estranhas aberrações no final. Nadja também é diferente em alguns aspectos dos demônios-tubarão que elas viram no livro.
| Nadja | [Você está certa. O sangue amaldiçoado me deixou mais forte], diz Nadja, batendo na carapaça que cobre seus braços. É uma das características que não tinham sido incluídas na ilustração do livro. [Depois que o bebi, senti o poder brotar dentro de mim, e meus braços e pernas mudaram para o que você vê agora. Mas sinto que também fiquei mais pavio curto... Enquanto isso, meu parceiro acabou ficando gigante, como você viu]
Nadja soa orgulhosa a princípio, mas de repente baixa os olhos, com o rosto severo.
| Nadja | [No começo, eu só planejava usar o Senhor das Trevas, mas depois que bebi aquele sangue amaldiçoado, meu pensamento começou a mudar. Bastaram apenas alguns goles para eu perceber o quão ferrada aquela coisa é. Há uma maldição poderosa misturada com o sangue, uma que pode despedaçar a sua própria alma. Não há como alguém com aquele sangue nas veias encontrar qualquer prazer em sua vida. Dor, medo, desespero. Ele deve ser constantemente atormentado por tais sentimentos. Mas, apesar de tudo, ele ainda está tentando nos salvar, monstros. É claro que quero ajudar, sabendo disso. Como eu poderia não querer?]
| Psycho | [Parece que estamos enfrentando um nêmesis ainda maior do que pensávamos], reflete Psycho.
A expressão da Nadja de repente muda de novo. Desta vez, ela parece confusa.
| Nadja | [Pensando bem — a palavra ajudar de repente me fez lembrar disto. A mulher me disse que haveria uma outra pessoa me ajudando no ataque. No final, porém, parece que fui só eu]
| Proto | [Sorte a nossa. Você já deu problema mais do que suficiente por conta própria]
Elas continuam a caminhar pelas ruas demolidas com um monstro em seu meio, enquanto grupos de soldados as encaram de longe. Nadja não é o único alvo de sua suspeita. Eles parecem estar de olho na Proto e na Tsutsumi.
| Jin | [É aqui que acho que os encontraremos], diz Jin.
Elas chegaram à praça central, onde a Elyliyah realiza seus espancamentos públicos. O verdadeiro destino delas fica além da praça: o casarão do governador.
| Jin | [Tem havido boatos de gemidos estranhos e não identificados vindos lá de dentro]
Os boatos que o Ares havia relatado. A princípio, elas presumiram que aqueles sons vinham dos criminosos desaparecidos, mas e se estivessem, na verdade, vindo dos demônios aprisionados? Nadja logo confirma suas suspeitas.
| Nadja | [Sim, eu consigo sentir o cheiro do sangue dos meus irmãos]
Uma caixa hedionda e manchada de sangue envolta em uma bela fachada — essa é a verdadeira natureza do casarão.
Homura está atualmente descansando na praça aberta junto com o Ares e seu grupo. Eles correm rapidamente em direção às garotas.
| Homura | [Pessoal, vocês estão bem...! Ei, quem é o demônio?]
Para a Homura, é apenas uma pergunta simples. Mas o Ares e os outros reconhecem problemas quando os veem.
| Psycho | [Esta é a Nadja, a mente por trás do ataque. Pessoal, digam oi e tentem se dar bem!], anuncia Psycho.
| Ares | [Se eu já disse isso uma vez, já disse cem vezes, mas vocês, garotas, não têm nenhum bom senso...?]
Ares e seus companheiros preparam suas armas, subitamente tensos.
| Nadja | [Viram, eu sabia], diz Nadja. [É assim que as pessoas normais se comportam. São vocês que são as esquisitas]
| Psycho | [Eu não sei nada sobre bom senso — só sei que esta é a rota mais rápida para resolver essa bagunça], diz Psycho, aparentemente sem se incomodar com o fato de que até a dama tubarão a considera esquisita. [Para encurtar a história, os amigos da Senhorita Tubarão foram sequestrados, e ela veio aqui para pegá-los de volta]
| Ares | [Espere, você está dizendo que isso tudo pode ter sido culpa da Elyliyah?!]
O ataque ao navio mercante, a vila de pescadores que foi chacinada devido à lâmina maléfica e o atual ataque à cidade.
| Ares | [Isto era o culpado?], diz Ares, olhando feio para o casarão.
Conforme as peças do ataque se encaixam, Ares vê sua raiva ser redirecionada para a Elyliyah. Mas isso ainda não absolve a Nadja de seu ceticismo. Libertar o povo dela pode tecnicamente resolver este problema, mas ela ainda é um demônio. E a realidade dos fatos é que ela atacou esta cidade e seu povo. Eles dificilmente estariam ansiosos para confiar nela.
Os quatro membros do grupo do Ares as cercam de perto conforme elas se dirigem ao casarão do governador.
| Psycho | [A propósito, Homura — bom trabalho criando aquela parede de fogo enorme sem surtar e entrar em um alvoroço], diz Psycho. Ela esteve secretamente preocupada sobre como iria parar a Homura se a garota perdesse o controle de novo.
| Homura | [Contanto que eu mantenha minha atenção longe das chamas, fico bem. Eu apenas pensei em coisas felizes sobre a Tsutsumi, em vez disso. Eh-hee-hee...], diz Homura com um sorriso malicioso no rosto. Fica bem claro que tipo de 『pensamentos felizes』 ela esteve pensando sobre a Tsutsumi.
| Psycho | [Bom saber. Infelizmente, é para as masmorras com você!]
| Homura | [Mas por quê?!]
Homura e Psycho não parecem entender a urgência da situação.
| Nadja | [Jin], pergunta Nadja, olhando de soslaio para as duas garotas de bobeira atrás delas. [Você não tem nenhuma amiga normal?]
| Jin | [Não, todas são estranhas]
| Nadja | [Você tem as minhas simpatias...]
| Jin | [Elas são na verdade bem divertidas]
| Nadja | [Então você é tão estranha quanto elas]
Jin fica chocada demais para responder a isso.
O portão de ferro cercado foi deixado aberto. Além do grande casarão que se ergue no centro do terreno, elas descobrem uma cabana menor situada ao lado. Parece que foi colocada sem cerimônia no jardim do casarão, com sua porta ligeiramente entreaberta.
Nadja aponta o nariz em direção à cabana e cheira.
| Nadja | [Ali. O cheiro está vindo daquela cabana]
Elas se aproximam da cabana, com o grupo do Ares permanecendo atrás.
Assim que pisam através da porta aberta, o fedor de sangue é espesso o suficiente para até o nariz da Homura detectar. Uma pequena escrivaninha foi colocada lá dentro, e há várias armas alinhadas na parede. Não há outros itens por perto, mas há uma porta embutida no chão. Esse alçapão está atualmente aberto, e elas conseguem ver uma escadaria que leva ao subsolo. O odor está vindo de mais fundo lá de dentro.
Elas passam pelo alçapão. O ar frio e com cheiro de mofo acaricia suas peles. Assim que descem as escadas, descobrem uma fileira de portas de ferro preto, iluminadas debilmente por lâmpadas de gema de minério.
| Psycho | [É uma masmorra. O timing perfeito, não é, Homura?]
| Homura | [Não, não é nem um pouco!]
Já há uma outra pessoa ali no fim do corredor. Ela está de pé diante de uma das portas sombrias onde o brilho da gema de minério não alcança. É difícil dizer nesta luz fraca, mas ela parece ser uma mulher adulta.
A mulher segura um grande chaveiro em suas mãos e estava bem prestes a inserir uma de suas muitas chaves na porta quando salta de surpresa com o som das vozes delas. Notando-as, a mulher estende uma faca em sua mão trêmula, apontando-a em direção às intrusas.
| Sacerdotisa | [N-não se aproximem mais! Estou falando sério!]
A mulher é uma sacerdotisa. A mesma que esteve esperando atrás do palco durante o espetáculo público da Elyliyah.
| Sacerdotisa | [Por favor, eu já estou quase terminando. Apenas finjam que não viram o que eu estou... prestes a...], um olhar de confusão cruza o rosto da sacerdotisa conforme ela nota o demônio entre o grupo. [Espere, por que há alguém da Tribo dos Dentes-de-Tubarão com vocês?]
| Psycho | [Ela? Nós estamos aqui para libertar os amigos dela. O que isso importa para você?], diz Psycho.
É como se uma corda tivesse se rompido. Os joelhos da sacerdotisa vacilam, e a tensão se esvai de seus ombros.
| Sacerdotisa | [Entendo... Perdoem-me, eu não fazia ideia de que estávamos aqui pelo mesmo motivo...]
| Nadja | [Espere, você está aqui para libertá-los? Isso deve significar que ele ainda está vivo, certo?!], Nadja pergunta.
| Sacerdotisa | [S-sim!]
Nadja suspira de alívio. Ela provavelmente estava escondendo o quão preocupada estava.
| Sacerdotisa | [Recebi ordens para alimentá-los e curá-los, mas a Senhorita Elyliyah tem se divertido com eles quase todo santo dia. Ele não está em boas condições, mas está vivo]
| Nadja | [Basta saber disso]
Desta vez, a sacerdotisa insere a chave e gira a fechadura. Conforme a pesada porta de ferro se abre, o fedor espesso de sangue corre para cumprimentá-las. O ar úmido se apega de forma desagradável às suas peles.
A sacerdotisa entra na cela e toca na lâmpada de gema de minério localizada diretamente ao lado da porta, ativando a luz.
Nadja está rilhando os dentes com força suficiente para ser audível.
Há um demônio emaciado dentro da cela, preso à parede por correntes. Ao contrário da Nadja, não há carapaça nos braços e pernas deste demônio, mas é evidente que ele é da raça dela.
Embora ele esteja sem ferimentos, o sangue seco no chão fala sobre o tipo de tratamento que ele deve estar recebendo. Os gemidos que as pessoas tinham ouvido, noite após noite, eram os sons de demônios sendo torturados.
| Nadja | [Papai!], Nadja abraça o homem dentro da cela.
| Pai da Nadja | [Nadja, é você? O que aconteceu com os seus braços...?]
| Nadja | [Eu estive trabalhando duro, Papai! Eu estive fazendo um treinamento especial, e estou realmente forte agora! Meu corpo também mudou um pouco devido a uma maldição... mas eu nunca desisti. Eu sabia que salvaria todo mundo!]
Nadja não consegue mais conter as lágrimas quentes que escorrem pelo seu rosto. Uma única lágrima escorre pela bochecha abatida do pai da Nadja também.
Há tanto que a Nadja quer dizer a ele, mas ela está feliz demais agora para encontrar palavras. Nenhum vestígio da guerreira fria como pedra de antes pode ser visto em seu rosto soluçante; ela é apenas uma jovem garota novamente. Esta é provavelmente quem ela realmente é.
O rosto da Nadja de repente fica severo mais uma vez conforme ela se lembra de que os humanos estão de pé atrás dela, assistindo.
| Nadja | [Calem a boca! Eu estava lutando pela dignidade do nosso povo! Eu ainda faço parte do exército do Senhor das Trevas!]
| Psycho | [Ninguém disse o contrário! Vá em frente, aproveite o seu reencontro emocionante!], grita Psycho.
| Nadja | [Chega! Nós estamos voltando para fora!]
| Pai da Nadja | [Nadja, quando foi que você aprendeu a falar desse jeito? E o que é tudo isso sobre o exército do Senhor das Trevas?!]
| Nadja | [Papai, você fique quieto também!]
Todas desviam o olhar sem jeito, mas agora mesmo, a coisa mais importante é libertar o pai da Nadja e os outros prisioneiros Dentes-de-Tubarão. Elas removem as correntes de todos e verificam para ter certeza de que não estão feridos. Embora os prisioneiros não estejam nas melhores condições, eles ainda conseguem ficar de pé, então rapidamente deixam a masmorra para trás antes que a Elyliyah possa ter a chance de notá-los.
Ares e os membros de seu grupo apoiam as cabeças nas mãos quando veem o bando de demônios emergir da cabana. As pessoas que eles pensavam ser os vilões acabaram sendo as vítimas o tempo todo, e a pessoa a quem eles tinham dado o benefício da dúvida acabou por estar errada.
| Ares | [Sinto que acabo de ter um vislumbre do verdadeiro mal...], apesar de sua cautela inicial, Ares rapidamente abaixa sua arma, com o rosto ficando sombrio. [Vocês dois, vão com eles. Mantenham-nos seguros até que voltem para o mar]
| Cavaleiro | [Certo]
| Arqueira | [Pode contar comigo]
Os dois companheiros do Ares reconhecem sua missão de escoltar os prisioneiros libertados. Eles nem sequer questionam a decisão do Ares, aceitando-a imediatamente como a coisa certa a fazer. Fica evidente quanta fé depositam nele.
Ares permanece firme conforme seus antigos inimigos partem, com seus olhos desprovidos de hostilidade. O povo Dente-de-Tubarão parte em direção ao mar, amontoados vagamente. Aqueles que ainda conseguem caminhar normalmente oferecem um ombro àqueles que estão tendo dificuldades.
| Nadja | [Se eu tiver a chance de retribuir a vocês, farei isso], diz Nadja antes de partir também. Ela nunca olha para trás.
Ares assiste enquanto os demônios desaparecem na distância, antes de finalmente voltar sua atenção em direção à tarefa em mãos.
| Ares | [Rhiann, nós precisamos encontrar a Elyliyah e—]
Um estrondo alto ecoa pelo ar.
Aconteceu tão de repente que todos congelaram.
Escombros chovem pela praça. No centro do caos, eles veem que o palco da praça usado para as punições da Elyliyah acaba de ser destruído. Algo foi arremessado contra ele, lascando-o em pedaços. Um guerreiro com um capacete de chifres de touro — é o Torreque!
Assim que percebem que o Torreque acaba de ser arremessado contra o palco, eles voltam os olhos na direção de onde o som original veio. Um edifício semidestruído está de pé ali. Ele havia resistido à invasão dos tubarões-rastejantes, mas agora foi devastado por uma explosão vinda de dentro.
O corpo do Torreque está crivado de fragmentos de metal afiados que perfuraram sua armadura. Ele está se movendo ligeiramente, indicando que ainda está respirando, mas a quantidade de sangue que está brotando de seus ferimentos é imensa. Sem ajuda, a perda de sangue se tornará crítica.
| Sacerdotisa | [Capitão Torreque!], a sacerdotisa corre rapidamente para o lado do Torreque e começa a aplicar sua magia de cura.
| Elyliyah | [Eu pensei que parecia silencioso aqui fora. O que vocês fizeram com os meus brinquedos?! Vocês estragaram completamente o meu chá agora!]
As nuvens de poeira passam levadas pela brisa da noite, revelando a Elyliyah na entrada da porta, que mal conseguiu permanecer de pé após a explosão. Elyliyah não ficou encurralada como alguns dos outros. Não, enquanto a cidade estava sob ataque, ela esteve desfrutando de uma elegante xícara de chá.
| Elyliyah | [Isso tudo foi obra sua, não foi? Olhe para o seu braço nojento — você está se transformando em um monstro, não está? Claramente, eu estava certa em atacar você. Se eu matasse você agora, ninguém me culparia]
Olhando de perto, o braço esquerdo do Torreque está coberto por uma carapaça espessa, semelhante à dos tubarões-rastejantes. É o braço que a Psycho havia construído às pressas para ele, deformado e obviamente desumano. Embora resistente e poderoso, obviamente não pertence a um corpo humano normal.
| Torreque | [Parece que eu consegui mantê-la ocupada... o suficiente. Mas acho que... eu a deixei zangada. Vocês deveriam... provavelmente correr...], diz Torreque, com a respiração esparsa.
| Elyliyah | [Eu sei o que você tem feito, metendo o seu nariz onde não é chamado. Todos aqueles condenados que as pessoas não queriam mais por perto aqui — você os tem enviado para viver na sua antiga vila, não tem? E agora você foi lá e deixou meus brinquedinhos escaparem. Prestar auxílio a criminosos e monstros — você merece ser punido!]
Na mente da Elyliyah, ela é a lei. E contanto que não haja ninguém para enfrentá-la, para todos os efeitos, é isso o que ela é, de fato.
Elyliyah precisa ser tratada com luvas de seda. Zangá-la poderia prejudicar as relações entre Galdorssia e Aurerich. Apesar disso, Ares deu um passo à frente para se colocar em seu caminho.
| Ares | [Você foi a causa deste ataque. Se não tivesse tocado naqueles demônios, nada disso teria acontecido]
| Elyliyah | [E daí? Soldados como você matam monstros o tempo todo]
| Ares | [Apenas para proteger o povo. Não para ceder aos nossos próprios desejos e vontades, como você estava fazendo]
| Elyliyah | [O que exatamente você está tentando dizer...?], diz Elyliyah, ficando cada vez mais irritada com este novo recruta atrevido.
| Ares | [Como um soldado da Guarda Aegis, eu estou levando você sob custódia por perturbar a paz de Aurerich. Você sequestrou e torturou demônios, provocando seus aliados e, com isso, incitando o caos. Como soldados de Galdorssia, nós também estamos comprometidos a agir de acordo com a lei]
| Elyliyah | [Huh...?], Elyliyah fica tão perplexa com a resposta do Ares que apenas olha para ele tolamente por um momento. [Custódia...? A lei...? Você está brincando comigo...? Se você acha que pode me parar, então vá em frente e tente, mas esteja preparado para matar. Não que alguém como você pudesse algum dia]
Ela soa exasperada a ponto de parecer desapontada.
| Ares | [Eu estou bem ciente de que não posso derrotar você. Isso não muda o que eu preciso fazer]
Elyliyah vê a faísca nos olhos do soldado desafiador. Por que não há medo ali? Este covarde, sem coragem nem mesmo para tirar uma vida! Toda a intenção da Elyliyah é inspirar o medo. Para alguém como ela, uma pessoa sem medo é um tapa frio no rosto. Uma rejeição de tudo o que ela é.
| Elyliyah | [Tolos, covardes! Todos tão obstinados em entrar no meu caminho...! Por que vocês não olham para mim? Para a sua Elyliyah?!]
Conforme a Elyliyah grita, algo voa de sua mão. Ares rapidamente ergue seu escudo para desviar o objeto. O capacete que ele ainda estava tentando colocar cai no chão com um estalo e rola para longe. Embora tenha sido pego de surpresa, Ares calmamente preparou seu escudo e sua espada, invocando seu relâmpago para cobrir seu corpo.
| Elyliyah | [Esses olhos malditos!]
Em algum momento, um chicote feito de lâminas conectadas apareceu na mão da Elyliyah. A lâmina enrolada é excepcionalmente longa, e ela se contorce no ar como um tentáculo, mesmo quando ela não está fazendo nada.
| Ares | [Prepare-se], diz Ares antes de avançar rapidamente.
Ele é capaz de fechar a distância com velocidade, movendo-se como um raio caindo. Seus pés, envoltos em um trovão azul-celeste, partem o pavimento de pedra conforme ele dispara para a frente.
Mas embora ele se mova rápido demais para um piscar de olhos, Elyliyah o intercepta com sua lâmina enrolada. O chicote se contorce no ar, visando o Ares com precisão cirúrgica.
O chicote se move de forma errática, mas ela ainda o direciona perfeitamente para os seus pontos vitais. Ares bloqueia com seu escudo e para com sua espada, e o som áspero de metal colidindo e eletricidade preenche o ar.
Ares faz uma investida final, balançando sua espada alto no ar. Infelizmente, a continuação do golpe nunca vem.
| Elyliyah | [Eu esqueci de mencionar que eu tenho dois?]
Uma segunda lâmina enrolada se estende da mão esquerda da Elyliyah, perfurando o Ares através de seu braço direito.
| Ares | [Eu não acabei ainda—!]
É preciso mais do que isso para parar o Ares. Embora o chicote de lâminas esteja perfurando sua carne, ele arrasta seu braço para a frente através de pura força de vontade, apontando sua lâmina em direção a Elyliyah.
| Ares | [『Trovão azul-celeste, fe—]
Bem quando o Ares estava prestes a liberar seu relâmpago, incontáveis espinhos de metal de repente irrompem de dentro de seu braço.
| Ares | [Aurrrghhhh—!!]
Ares grita e cai inconsciente.
| Elyliyah | [Hmph, que sem graça. Eu queria ver como os olhos dele ficariam depois que perdesse a esperança], murmura Elyliyah, soando profundamente entediada. [Ah, bem. Ainda há mais punição por vir!]
Elyliyah acaricia seu outro chicote de lâminas, golpeando em direção ao homem agora inconsciente. As lâminas acorrentadas provavelmente cortariam a armadura de metal que ele está usando como se fosse manteiga...
| Rhiann | [『Barreira』!]
Uma parede de luz aparece de repente, repelindo o chicote. Rhiann saltou na frente do Ares para implantar um escudo mágico.
| Elyliyah | [O que você pensa que está fazendo? Entre no meu caminho e eu mato você também]
| Rhiann | [A luta já acabou!]
| Elyliyah | [Isso não é uma luta, sua tonta; é uma punição. Espera, era isso o que você pensava que isso era? Sinto muito, ele era tão fraco que eu nem percebi!]
Rhiann rilha os dentes. Ela sabe que, se abrir a boca agora, algo terrível vai sair. A humilhação e o medo nos olhos cheios de lágrimas da Rhiann parecem ter colocado a Elyliyah em um bom humor mais uma vez.
| Elyliyah | [Ah-ha! Tudo bem, você pode ser a próxima. Vou te propor uma coisa: se você conseguir proteger esse vermezinho, você vence. Eu até deixo você me levar sob custódia. Mas duvido que você consiga oferecer muita luta]
| Rhiann | [Não é por querer me gabar, mas eu sou a melhor em barreiras mágicas em todo o Seminário]
| Elyliyah | [Quanta confiança! Nesse caso, permita-me esmagar tanto a sua barreira quanto a sua confiança com um único golpe]
Ares desaba no chão conforme a espiral de lâminas que o suspendia do chão se dissolve em uma névoa vermelha e desaparece.
| Rhiann | [『Barreira sobre barreira, multiplique-se e proteja-me』!]
Uma nova parede de luz aparece, sobrepondo-se à primeira. A barreira mágica que protege a Rhiann e o Ares tem agora três camadas de espessura. Os tubarões-rastejantes eram facilmente capazes de quebrar paredes de pedra, mas uma única das barreiras da Rhiann havia repelido onda após onda deles. Com múltiplas camadas, ela tem agora uma verdadeira fortaleza.
Quando o assunto é defesa, pelo menos, Rhiann tem confiança de que não fica atrás de ninguém. As pessoas têm altas expectativas para ela, até mesmo sussurrando que, um dia, ela poderia se tornar tão forte quanto sua irmã no Santo Protetorado do Escudo.
É o destino daqueles como o Ares e a Rhiann, que nasceram com irmãos tão excepcionais; desde pequenos, eles haviam se acostumado a ser comparados com seus irmãos e irmãs talentosos, e cresceram lutando contra o sentimento de inferioridade que isso incute. Depois de muito sangue, suor e lágrimas, eles finalmente ficaram fortes, tendo chegado longe o suficiente, pelo menos, para pisar em algum lugar do mesmo campo de jogo.
Rhiann não pode falhar agora; há pessoas importantes que ela precisa proteger. Como ela vai alcançar o nível de sua irmã se perder agora para a Elyliyah? Seria a prova de que nenhuma quantidade de esforço jamais conseguiria alcançar o talento inato.
Rhiann derrama cada gota de esperança e força de vontade que possui em sua barreira de três camadas. E então a Elyliyah a estilhaça com um único golpe.
| Rhiann | [O quê?]
Aconteceu tão rapidamente que, mesmo depois que o golpe a atingiu, Rhiann ainda não entendeu. Elyliyah desferiu um peteleco em uma única gota de sangue de sua mão. A gota então se transformou em uma série de estacas de aço que rasgou a barreira mágica, atingindo a Rhiann em cheio.
Enquanto a Rhiann jazia no chão, olhando para o céu, lágrimas vêm sem serem chamadas aos seus olhos.
| Elyliyah | [O que foi que eu te disse? Fraca. Um bando de marginais sem talento como vocês nunca poderia me derrotar, Elyliyah. Eu sei que vocês não querem acreditar que são comuns, mas já passou da hora de aceitarem a verdade e—]
Antes que consiga terminar de falar, Elyliyah é de repente enviada voando.
Levou um momento para a Homura perceber que acabou de dar um soco na Elyliyah. No momento em que ela registra o calor e a dor vindos de sua mão em chamas, uma fonte de xingamentos já está jorrando de sua boca.
| Homura | [Não responda, ou você vai arrumar problemas! E quanto ao relacionamento entre Aurerich e Galdorssia? Bem, chore mais, adivinha quem não tá nem aí pra porra nenhuma?!], os olhos da Homura se acenderam, fazendo o ar tremeluzir com o calor. [Eu não vou deixar você falar da minha amiga desse jeito nunca mais!]
A zombaria da Elyliyah finalmente impulsionou a Homura à ação. Elyliyah ainda está um pouco atordoada, tendo acabado de levar um soco na cabeça, afinal de contas.
| Elyliyah | [Soco? Eu? Elyliyah?], murmura ela, de forma incoerente, antes de finalmente voltar seu olhar em direção à sua atacante. [De novo com esses olhos... eu disse para não olhar para mim desse jeito!]
| Homura | [Não se preocupe, tenho certeza de que consigo oferecer luta mais do que suficiente para você. Não se sinta muito mal se você acabar sendo a pessoa a ser punida desta vez, okay?], diz Homura enquanto aponta seu cajado em direção a Elyliyah. Ela está falando com arrogância como uma forma de se preparar psicologicamente.
Homura não pode simplesmente ficar parada assistindo enquanto a injustiça ocorre.
Alguém tem que parar a Elyliyah, e agora mesmo, Homura é a única que ainda tem forças para fazer isso. Ela não teve a intenção de dar um soco na Elyliyah daquele jeito, mas sua decisão está tomada. Ela está pronta. No fundo, ela já sabe o que precisa fazer.
| Elyliyah | [Uma luta? Punição? Você não entende...], diz Elyliyah, levantando-se lentamente. A queimadura em sua bochecha já se curou. [Isto aqui está prestes a ser uma execução]
Homura não recua. As duas se encaram, criando distância entre si.
| Elyliyah | [Eu, Elyliyah, uso magia de têmpera de sangue. Você sabe o que é isso? Eu manipulo o sangue derramado, usando-o para criar armas e armaduras de ferro], explica ela secamente, com suas palavras impregnadas de veneno.
| Homura | [Acho que eu já entendi isso...]
Depois de assistir à luta mais cedo, Homura não precisa que a Elyliyah explique como seus poderes funcionam. Mas esse não é o ponto que a Elyliyah estava tentando enfatizar.
| Elyliyah | [E apenas quanto sangue você acha que foi derramado em Aurerich hoje...?]
| Homura | [Espera um segundo...]
Um filete de suor frio escorre pela lateral do rosto da Homura.
Elyliyah enterra com força suas manoplas-de-agulha, já revestidas com seu próprio sangue, nos ladrilhos de pedra aos seus pés. O chão começa a pulsar, centrado no ponto onde o punho da Elyliyah se encontra com o solo.
| Torreque | [Isso parece ruim... Pessoal, corram!], grita Torreque conforme começa a dar no pé. A sacerdotisa, que o havia curado, o segue de perto, assim como os outros soldados na área. Psycho e as outras garotas, no entanto, param assim que ficam do lado de fora da praça, assumindo posições para assistir à luta.
A pulsação se espalha além da praça, logo engolindo a cidade inteira.
| Homura | [Ah, droga, ah, droga, ah, droga...!], diz Homura.
| Elyliyah | [『Goleie! Rasgue! Esmague! Despedace! Reduza-os a pedaços』!]
Lenta e gravemente, Elyliyah começa a retirar suas manoplas-de-agulha do chão. Conforme as longas estacas se erguem do solo, colunas sangrentas de névoa começam a subir por toda a cidade em paralelo ao movimento de seu punho, como líquido sendo puxado através de uma bomba. As colunas se aproximam, convergindo na praça.
| Elyliyah | [『Furacão...]
Conforme a Elyliyah conjura alto seu feitiço, a torrente de sangue começa a rodopiar em um círculo, criando uma enorme roda giratória de névoa de sangue.
| Elyliyah | [... garra-acorrentada...』!!!]
Fragmentos de metal grandes e afiados começam a se formar ao longo da borda externa do redemoinho sangrento, transformando-o em uma gigantesca serra circular — ou talvez uma motosserra.
A roda enorme e temível lembra a Homura de uma peça de maquinário pesado ultragrande conhecida como escavadeira de roda de caçambas.
| Homura | [.........]
Enquanto a Homura encara a criação da Elyliyah, de boca aberta, toda a sua raiva e fogo extras prontamente se apagam.
| Homura | [Um, pessoal... talvez a gente devesse lutar contra essa aqui juntas?]
Para um inimigo imenso como este, não seria melhor dar as mãos e trabalhar em grupo?
| Psycho | [Ei, você que começou essa luta!]
| Proto | [Estou torcendo por você!]
| Jin | [Boa sorte!]
| Tsutsumi | [Boa sorte... Homura...!]
Infelizmente, nenhuma das outras parece particularmente interessada em segurar a mão da Homura bem agora. As amigas da Homura continuam a assistir de posições de segurança fora da praça.
| Homura | [Qual é, pessoaall... Uaaaaaa!!]
O primeiro ato de batalha da Homura foi mergulhar cegamente para fora do caminho conforme a motosserra avança em sua direção, mastigando o pavimento de pedra conforme passa. Ela realmente pisou na bola desta vez!
| Elyliyah | [Caso você esteja se perguntando, eu não pretendo matar você rapidamente], diz Elyliyah.
Mas se esse for o caso, ela deveria provavelmente guardar aquela motosserra. Homura teria sorte em sobreviver até mesmo a um arranhão daquela coisa!
Sempre que a Elyliyah projeta suas manoplas-de-agulha para a frente através do ar, a motosserra avança pelo chão como se estivesse sendo empurrada. A coisa é rápida. No entanto, ela se move principalmente em linha reta e, após cada golpe, há uma pausa antes que ela consiga redirecioná-la novamente.
Um contra-ataque — é disso que precisa! Homura jorra chamas enquanto foge. Infelizmente, não há força suficiente por trás de seu fogo. A motosserra está circulando a velocidades tão altas que criou sua própria bainha de vento, impedindo que as chamas mornas da Homura alcancem as garras de metal lá dentro.
Os olhos da Homura correm de um lado para o outro. Ela precisa encontrar um ponto fraco. Bem nesse momento, ela percebe que há algo estranho sobre a Elyliyah, a conjuradora do feitiço. Elyliyah não se moveu um único passo de onde estava quando conjurou o feitiço pela primeira vez. Na verdade, ela parece um pouco trôpega em suas pernas. Talvez usar um feitiço tão enorme a tenha deixado tonta.
| Homura | [Entendi! Um ataque direto!]
Antes que a motosserra consiga vir em sua direção novamente, Homura começa a correr. Depois de ser dilacerado por tantas passagens da motosserra, o chão está agora entulhado de escombros, e o apoio para os pés é ruim. Homura quase tropeça várias vezes, mas corre como se sua vida dependesse disso.
Se a Elyliyah está tonta, isso significa que ela está aberta. Atacá-la agora é a melhor aposta de Homura.
| Homura | [Peguei você—!!]
Homura carrega seu cajado com chamas, aproximando-se o suficiente para garantir que vai flambar a Elyliyah mesmo se disparar aleatoriamente.
Elyliyah não mostra sinais de tentar sair do caminho. Exatamente como a Homura suspeitava, usar uma magia tão poderosa parece ter dividido a atenção dela.
Mas algo não está certo. Bem quando a Homura estava prestes a liberar suas chamas, ela começa a se perguntar por que a Elyliyah usaria um feitiço desses, para começo de conversa, se ele deixaria suas defesas escancaradas. Ela deve ter alguma outra coisa na manga.
Mas é tarde demais. Elyliyah já desferiu um chute, com seu pé a centímetros da lateral do rosto da Homura.
O chute atinge a Homura com força e a envia voando. Seu cajado risca ruidosamente contra o pavimento de pedra.
| Elyliyah | [O quê, você pensou que eu não conseguia usar artes marciais enquanto estivesse neste estado? Eu poderia matar um verme sem talento como você enquanto estou meio dormindo], diz Elyliyah, desdenhando da Homura, que está estirada no chão. Para a Elyliyah, meros reflexos são suficientes contra alguém tão pouco habilidosa em combate corpo a corpo.
| Psycho | [Aquela é uma garota durona]
| Torreque | [Sim, ela é uma lutadora muito habilidosa, embora não seria páreo para a minha lâmina se eu estivesse em plena forma], diz Torreque.
Enquanto a Homura está lutando por sua vida, Psycho e as outras estão relaxando e compartilhando suas opiniões sobre a partida.
| Homura | [Tsc... Lembrem-me de dar um soco na cara delas mais tarde...]
Homura rilha os dentes. Elyliyah tem a vantagem, tanto de perto quanto de longe. Mas se a Homura tentar arrastar a luta em uma tentativa de cansar a Elyliyah, ela apenas se colocará muito mais perto da morte.
| Elyliyah | [Finalmente! Aí está o olhar que eu queria ver nos seus olhos! Mas ainda não há desespero suficiente!]
Elyliyah ergue seu braço, fazendo a motosserra zuninte flutuar no ar acima das cabeças do Ares e da Rhiann, que ainda estão caídos inconscientes em direção à borda da praça.
| Elyliyah | [Porque você tentou fazer uma cena, esses dois vermes nojentos vão ter que pagar com as suas vidas!]
| Homura | [Rhiann!]
| Elyliyah | [Sim! Sinta o desespero esmagar você!]
| Homura | [Rhiann, corra!]
Conforme a Elyliyah abaixa sua mão, a motosserra começa a descer de acordo com as leis da gravidade, como se a corda que a segurava tivesse acabado de ser cortada. A incrível massa de estilhaços de ferro desaba sobre a dupla imobilizada, já a centímetros de esmagá-los.
De repente, uma explosão estrondosa ecoa, e a praça é envolvida por uma luz ofuscante.
| Elyliyah | [H-huh...?]
Conforme a luz se dissipa e a Elyliyah compreende o que aconteceu, ela só consegue gemer em confusão.
| Homura | [Eu quase deixei algo acontecer de novo de que eu me arrependeria... Se eu não lutar, se eu não queimar, posso perder as pessoas que mais importam]
A mão direita da Homura tremeluz com o vestígio de chamas. As lâminas traiçoeiras da motosserra foram explodidas em pedaços por uma explosão ardente antes que pudessem alcançar a Rhiann. Homura está no auge de sua raiva, com seu corpo mais uma vez impregnado de chamas. Uma penumbra de fogo se manifesta em suas costas.
| Homura | [Espero que esteja pronta. O meu fogo é brutal]
O fogo selvagem rasteja para fora a partir de seus pés.
| Elyliyah | [O-o que... você é? Que porra você é...?!], o medo começa a vir à tona nos olhos da Elyliyah conforme as chamas lambem seus pés. [Eu ainda tenho poder sobrando! 『Furacão garra-acorrentada』!]
Elyliyah enterra seu punho no chão mais uma vez, fazendo com que motosserras reapareçam no ar acima da praça. Quatro, desta vez.
Conforme a Elyliyah desfere um soco para a frente, todas as motosserras avançam na direção da Homura simultaneamente. Mover quatro de uma vez cobra um preço alto da Elyliyah, deixando-a mal conseguindo ficar de pé.
As motosserras dilaceram o pavimento de pedra conforme avançam, vindo na direção da Homura por todos os lados. Conforme a Homura se esquiva de uma, outra toma o seu lugar. Não há lugar para onde correr, nenhuma oportunidade de se aproximar da Elyliyah.
Mas a Homura não pretende correr.
A franja da Homura flutua para cima com o calor tremeluzente. Seu olho direito, anteriormente escondido atrás de seu cabelo, brilha com uma luz brilhante e chamas fervilhantes conforme ela estuda as motosserras que se aproximam. Instantaneamente, quatro explosões são traçadas no ar.
| Elyliyah | [Nrk...]
Quando as explosões se dissipam, apenas fragmentos das motosserras restam. Elyliyah começa a gritar em descrença.
| Elyliyah | [Como você pode ter tanto poder?! Você deveria estar com medo de mim, não o contrário! Não! Não! Não! Por que eu, Elyliyah, deveria ter medo de você?!]
| Homura | [Aí está o olhar que eu queria ver nos seus olhos], diz Homura. [Mas ainda não há desespero suficiente!]
As chamas que envolvem a Homura se acendem ainda mais alto. O fogo que havia se acendido em seu olho, no entanto, já desapareceu. O preço deve ter sido alto, porque lágrimas de sangue começam a escorrer de seu olho direito. Homura, no entanto, continua a sorrir.
| Elyliyah | [Esses olhos! Esses olhos! Esses olhos...!! Eu odeio eles, eu odeio eles, eu odeio tanto eles—!!], grita Elyliyah.
Elyliyah deve estar nas últimas, porque não tenta invocar outra motosserra. Mal conseguindo ficar de pé, ela assume, em vez disso, uma postura de combate corpo a corpo e tenta desferir socos na Homura com suas manoplas-de-agulha.
| Homura | [Você não ofereceu muita luta no final, ofereceu?]
A praça estremece com chamas brilhantes.
Um inferno impiedoso envolve a exausta Elyliyah. Naturalmente, Homura se contém para que as chamas não matem a Elyliyah, mas não há como ela se mover no futuro previsível com ferimentos como esses.
Parte da Homura sente que isso não foi o suficiente, uma conclusão sem graça para esta saga triste. Sua compulsão de queimar tudo até o chão ameaça assumir o controle. Mas a Homura diz a si mesma para se acalmar. Não precisa ser 『o suficiente』.
Pelo canto do olho, Homura vê os dois amigos do Ares correndo de volta. Eles puxam o Ares e a Rhiann para a segurança. Agora tudo o que precisa ser feito é curar a Elyliyah e levá-la sob custódia.
O incidente está finalmente encerrado — ou assim parece. Mas a Homura de repente sente um calafrio poderoso em suas costas. Ela falou cedo demais. Intuitivamente, ela se vira na direção da Elyliyah. Uma luz vermelha sinistra brilha ao redor dela onde jaz no chão.
A fonte da luz é a gargantilha que a Elyliyah usa no pescoço. Especificamente, as gemas vermelhas ornamentais que cravejam sua superfície.
| Homura | [Huh? O que está acontecendo...?]
| Jin | [Cuidado, Homura. Aquela gargantilha me deu um mau pressentimento desde a primeira vez que a vi. Acho que é um item amaldiçoado, exatamente como a minha espada], diz Jin, que se familiarizou com a aura que esses itens exalam.
| Homura | [Você acha que está controlando ela?]
| Elyliyah | [Um item amaldiçoado? Controlando a mim? Eu não sei sobre o que você está falando... mas consigo sentir o poder brotar dentro de mim!]
A pele vermelha e cheia de bolhas da Elyliyah começa a se curar visivelmente diante dos olhos delas.
| Elyliyah | [Vou matar todas vocês! Vou demolir esta cidade inteira!]
De pé mais uma vez, Elyliyah enterra suas manoplas-de-agulha no chão, invocando até a última gota de sangue da cidade em uma torrente que converge sobre a praça.
| Elyliyah | [『Garra-acorrentada...』! 『Finale...』!!]
O finale da motosserra da Elyliyah é ainda mais massivo do que os cinco anteriores. Os fragmentos de metal aleatórios são mortalmente afiados. A própria Elyliyah já parece estar sem energia. É o item amaldiçoado ao redor de seu pescoço ampliando à força suas habilidades.
| Elyliyah | [Eu vou esmagaaaar vocês—!!]
Girando a uma velocidade muito mais rápida do que as motosserras anteriores, o finale dispara para a frente, enviando pedaços de pavimento de pedra esmagado voando.
Homura ergue sua mão esquerda diante da barragem de morte que está voando direto em sua direção.
| Homura | [Queeeeeeimeeeeee—!!]
Num piscar de olhos, a praça é envolvida por uma tremenda cacofonia de calor e luz. O som da explosão ecoa por toda a cidade. O braço esquerdo da Homura pende inerte ao seu lado, torrado até ficar esturricado pela explosão massiva que ela acabou de criar.
| Homura | [Ah...!]
No entanto, a motosserra temível permanece intacta. Apenas sua superfície foi chamuscada.
A motosserra fatia direto através da explosão. Homura mal mergulha para fora do caminho a tempo, pousando com força no topo de uma pilha de escombros. A queda a deixa toda arranhada, com fragmentos aleatórios e pedaços de escombros incrustados em sua pele.
| Homura | [Nrk—!]
Mas não há tempo para se preocupar com a dor agora. A motosserra já está dando a volta, mastigando as ruas do lado de fora da praça conforme gira.
Desta vez, é a Homura quem está exausta e em fuga. Ela mal consegue enxergar com o olho direito, e seu braço esquerdo foi deixado inútil. Apesar de tudo, ela consegue se esquivar repetidamente da motosserra conforme ela avança em sua direção.
Enquanto isso, a motosserra massiva continua a destruir mais da cidade conforme avança de um lado para o outro como um rolo compressor. Parece que seu caminho de destruição logo alcançará os moinhos de vento gigantes e a muralha fortificada para onde as pessoas evacuaram. Gritos sobem no ar a cada passagem, conforme a roda se aproxima.
Homura se foca na conjuradora, Elyliyah. Sua única chance é atacar a Elyliyah diretamente. Mas a Elyliyah se cercou de incontáveis fios de arame farpado ondulante.
| Homura | [C-como eu deveria me aproximar?! Espera... o que há de errado com ela...?]
Foi quando a Homura percebe que a condição da Elyliyah tomou outro rumo em direção ao bizarro. Obviamente, o preço cobrado da Elyliyah por usar uma magia tão poderosa deve ter sido tremendo. O sangue está jorrando de seu nariz, e lágrimas de sangue estão escorrendo de seus olhos. Seus olhos estão vazios, e o sangue borbulha de sua boca aberta.
| Homura | [Elyliyah, você precisa parar! Você vai morrer!]
Mas a Elyliyah não responde. Não parece que ela consegue ouvir a Homura. Mais cedo, Elyliyah insistiu que não estava sendo controlada, mas isso obviamente não é normal.
| Psycho | [Ei, Homura!], grita Psycho. [Aquela dama tubarão não tinha dito que deveria ter ajuda? Talvez o que quer que esteja acontecendo com aquela merdinha seja obra do Senhor das Trevas!]
| Homura | [Pensando bem, toda a razão pela qual a Elyliyah foi enviada para esta cidade, para começo de conversa, foi porque seus impulsos violentos estavam ficando fora de controle...]
A personalidade da Elyliyah começou a mudar depois que ela foi sequestrada, supostamente. Mas, por qualquer motivo, ela aparentemente ficou ainda mais violenta em algum momento. Cerca de um ano antes, ela finalmente foi enviada para Aurerich porque as mudanças cada vez mais violentas em sua personalidade estavam ficando fora de controle.
| Homura | [Você acha que é possível que ela tenha caído nas mãos do Senhor das Trevas antes mesmo disso...?!]
Homura se vira para encarar a Elyliyah novamente. Desta vez, seus olhos vazios quase parecem estar implorando por ajuda. A intromissão em sua mente pode estar consumindo a Elyliyah sem que ela mesma tenha consciência disso.
| Homura | [Nós temos que ajudar ela...], Homura cerra sua mão direita, crivada de ferimentos, em um punho. [Esqueça a punição — esqueça a luta. O que a Elyliyah precisa bem agora é de uma intervenção!], grita ela, recusando-se obstinadamente a reconhecer a dor que atormenta seu corpo. [E eu tenho o punho perfeito para fazer isso!]
Se a Homura estragar isso, vai acabar morta. Tem que ser feito com um único golpe. Sem hesitação. Homura sabe o que precisa fazer, e o medo da morte não vai pará-la.
| Homura | [Aguente firme. Estou indo, Elyliyah]
A força vital da Elyliyah está se esvaindo a cada momento. Homura poderia simplesmente correr e se esquivar até que a Elyliyah esteja morta. Não levaria muito tempo. Então todo esse teste estaria terminado sem que a Homura precisasse se expor ao perigo.
Mas a Homura prefere morrer ela mesma a permitir que isso aconteça.
Um novo fogo se acende no peito da Homura. Ela vai salvar essa garota.
| Homura | [『Punho...]
Homura começa a correr na direção da Elyliyah como se sua vida dependesse disso.
| Homura | [...ardente...]
Quando ela traz seu punho direito para o ar, ele irrompe em chamas. Colunas de fogo sobem debaixo de seus pés.
| Homura | [...da...]
Os fios ondulantes de arame farpado atacam a Homura, perfurando sua pele, incrustando-se em sua carne e cercando-as. Mas a Homura nunca para. Ela está incandescente. Farpa após farpa emaranhada se derrete. Ela ignora a motosserra gigante que avança em sua direção vinda de trás. Ela queima com uma determinação obstinada de salvar a Elyliyah.
| Homura | [... salvação』!!]
Elyliyah é sadista, e é diabólica, mas ela também é trágica. Homura esmurra a garota, atingindo-a na fonte vil de toda essa catástrofe — a gargantilha ao redor de seu pescoço — com um punho impregnado de toda a força e fogo da Homura.
Ocorre um rugido explosivo, calor escaldante e uma explosão deslumbrante de esplendor. É como um sol ilusório descendendo sobre a terra. As chamas da Homura iluminam a cidade inteira como se fosse meio-dia.
Homura fala baixinho na calmaria que se garante.
| Homura | [Eu... posso ter exagerado um pouco ali...]



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