História Paralela 2 - Playboy
O príncipe, segundo nascido, tem plena consciência de sua própria ignorância. Edward levou as mãos à cabeça enquanto estava sentado em seu escritório.
Mesmo com as aulas suspensas, o príncipe ainda tem trabalho a fazer. Em sua mesa está o levantamento da distribuição de alimentos para todos os altos funcionários, que a Emma havia questionado durante o baile real. É exatamente como a Emma havia dito: a quantidade de comida distribuída depende do nobre responsável no momento. Para piorar a situação, a maioria dos nobres praticamente não distribui nada além de restos. Nesses casos, não importa como se tente dividir a comida, não é suficiente nem para uma refeição, quanto mais para uma semana inteira.
| Edward | [Como eles iriam viver assim...?], os relatórios indicavam que os prédios nas favelas estavam quase em ruínas e à beira do colapso. Apesar dos perigos da região, não havia como fortificar as casas, pois as portas e janelas já estavam praticamente apodrecidas. Não havia um único prédio com teto, piso e paredes em condições decentes. O que eles fariam quando o vento estivesse mais forte que o normal? Ou durante a chuva? Ou quando estivesse muito quente ou frio? Como eles deveriam viver?
| Arthur | [Já acompanhei minha irmã na distribuição de alimentos antes. Acredito que era um grupo diferente de pessoas quase todas as vezes, Sua Alteza], respondeu Arthur com uma expressão severa. Como o Arthur geralmente acompanha o príncipe como seu guarda-costas, sua irmã mais nova, Marion, geralmente é a representante da família Bell na distribuição de alimentos. O coração da Marion sempre se partia pelas crianças pobres, e ela queria fazer tudo o que pudesse, mas os outros nobres desaprovam pessoas que trabalham fora de suas semanas designadas, e ela tinha que manter as aparências, por mais estúpidas que fossem. Ela não teve escolha a não ser desistir. [Ouvi dizer que alguns que estavam em idade de trabalhar podiam ter a sorte de encontrar trabalho e sair das favelas. Especialmente agora, quando há muita mão de obra braçal necessária. Mas as crianças que são muito jovens...]
Os orfanatos da capital estão sempre lotados, e as crianças excedentes acabam nas favelas. Alguns pais de regiões pobres também abandonam seus filhos nas favelas para diminuir o número de bocas para alimentar. Em seu último suspiro de amor parental, acreditavam que as favelas ao menos alimentariam seus filhos por causa do sistema de distribuição de alimentos. No entanto, dada a situação real da distribuição de alimentos, o número de crianças que viveriam o suficiente para chegar à idade de trabalhar provavelmente era muito pequeno.
O príncipe se perguntava como eles tinham conseguido viver por tanto tempo... mas a verdade é que muitos deles não tinham conseguido viver tanto tempo. Arthur só conseguia pensar nos lamentos desamparados de sua irmã.
| Edward | [Por que eu não sabia disso? Eles são cidadãos do nosso país. Como família real, eles são nossos cidadãos], o coração do príncipe doía toda vez que lia os relatórios. Foi como durante a crise localizada na barreira, quando ele cortou o slime porque não sabia de nada. As favelas nem ficam longe dele. Levaria apenas uma hora de carruagem para chegar lá do castelo. Ainda está bem dentro da capital, então por que ele tinha demorado tanto sem saber de nada?
Ignorância é um crime. Ele não vai viver de um jeito em que 『não fazer nada』 seja uma opção. Não é certo.
Edward se levantou e falou com determinação. [Arthur, prepare-se para sair. Vamos para as favelas. Não vou me contentar apenas com relatórios]
| Arthur | [O quê?! S-Sua Alteza, não pode!]
| Edward | [Como parte da família real, preciso ver com meus próprios olhos]
| Arthur | [Espere! Sua Alteza, espere! Não podemos sair de repente!]
| Edward | [Por favor, Arthur], o príncipe curvou a cabeça. A família real não deveria baixar a cabeça tão facilmente... mas este não é um problema simples.
O príncipe nunca tinha exibido uma expressão tão séria, e isso foi o suficiente para fazer o Arthur ceder. Afinal, é papel de um guarda-costas ouvir as exigências mais egoístas do príncipe. [Eu... eu entendo. Me dê uma hora. Vou dar um jeito de conseguirmos a permissão e reunir alguns dos nossos cavaleiros mais fortes]
| Edward | [Não, não precisamos de nada tão extravagante. Nós dois ficaremos bem]
| Arthur | [O quê?]
| Edward | [Não conseguirei ver ou aprender o que preciso se estiver cercado por cavaleiros]
| Arthur | [Não há como eles nos deixarem fazer isso, Sua Alteza...]
| Edward | [Então não precisamos contar a eles. As favelas ainda fazem parte da capital, então não é muito diferente de ir para a escola]
| Arthur | [Você sabe o quão diferente é!]
| Edward | [Você ouviu dizer que a Emma foi para lá apenas com os irmãos. Eu posso não ser tão forte quanto o George, mas certamente sou mais capaz fisicamente do que a Emma e o William. Nós vamos ficar bem]
| Arthur | [Mas aqueles três estão sempre se metendo em encrenca!], Arthur bateu o pé, pois aqueles três são as últimas pessoas de quem o príncipe deveria se inspirar. Houve aquele incidente com o Robert (a briga na aula de Monstros), o outro incidente com o Robert (com a gelatina de slime), o último incidente com o Robert (os insetos)...
| Edward | [Tudo isso foi culpa do Robert. Como você pode culpar as vítimas por isso?]
| Arthur | [Q-Quero dizer... Acho que você tem razão, mas...], Arthur se conteve antes de dizer que a única razão pela qual o príncipe poderia dizer aquilo é porque não tinha visto como a Emma havia devorado a gelatina de slime. Seria errado um cavaleiro manchar a reputação de uma jovem daquela forma, mas os irmãos Stewart (principalmente a Emma) estão se metendo em mais encrencas do que ele imagina.
Se ao menos alguém tivesse lhe dito para não ceder aos caprichos do príncipe desta vez.
No distrito público, há uma área estranhamente aberta em meio às ruas lotadas. Parados ociosamente bem no meio, estão o Arthur e o Príncipe Edward, que haviam se disfarçado de plebeus. O príncipe e o Arthur haviam chegado a um acordo e ido ao distrito público com o Arthur como seu único guarda... mas as reações de todos ainda pareciam estranhas. Eles estão vestidos com roupas de plebeus que o Arthur havia preparado, e o príncipe usa um chapéu grande na cabeça para cobrir seus cabelos e olhos negros. é um disfarce perfeito, mas as pessoas ao redor ainda os evitam e não param de olhar em sua direção.
| George | [Huh? Ei, não é o Lorde Arthur? Ah, e...], a voz familiar que os chamava por trás ficou mais suave. [Sua Alteza? O que está fazendo aqui?]
Arthur se virou para a voz. [Ah! George!], George, o filho mais velho da família Stewart, veste roupas visivelmente remendadas, carrega uma tonelada de bagagem e olha para os dois com uma expressão confusa. [Eu poderia te fazer a mesma pergunta!], Arthur perguntou, preocupado que algo pudesse ter acontecido com o George para que ele estivesse com aquelas roupas de criado.
| George | [Quem, eu? Uh... Eu estou, uh... Com licença por um segundo], George baixou a voz e falou com o príncipe, que olhava ao redor. [Sua Alteza, estou sozinho hoje. Emma está em casa estudando... quero dizer, só estudando! Ela não está aqui]
O príncipe, que havia se animado pensando que veria a Emma fora da escola, ficou desanimado em um instante. [O-Oh! É bem incomum vocês três estarem separados...]
| George | [Bem, Emma não pode exatamente sair de casa nos seus dias de folga agora...], como a Emma é a Arauta de Hullabaloos, ela está sob observação rígida, com a sua mãe Melsa e sua avó Hilda se revezando para vigiá-la 24 horas por dia, em todos os lugares, exceto na escola. Naquele momento, ela provavelmente está em casa, estudando diligentemente as informações sobre owatas que sua mãe havia trazido.
| Edward | [Ah, o incidente na escola foi terrivelmente desgastante, afinal...], disse o príncipe, deixando a frase no ar. [Não importa o quanto ela se esforce para ir à escola e fingir que está bem, não há como ela se recuperar tão rapidamente de uma experiência tão horrível]
| Arthur | [Emma...], as expressões do Arthur e do príncipe escureceram quando ouviram que a Emma não pode sair de casa.
George ergueu uma sobrancelha. [Huh? Quero dizer... Sabe, vamos deixar por isso mesmo. Então, o que vocês estão fazendo aqui? Estão todos vestidos como um casal de nobres pomposos se infiltrando no distrito público para aprontar alguma travessura ou algo assim]
| Edward | [O quê?]
| George | [Eu tinha alguns assuntos para resolver nas favelas, então estava a caminho de lá], continuou George, ajeitando a carga que carrega.
Arthur e o príncipe realmente pensaram que tinham conseguido se disfarçar bem de plebeus, mas aparentemente foram descobertos. Embora estejam usando roupas mais casuais do que o habitual, os dois ainda carregam espadas abertamente, seus cintos são adornados com prata pura e não há um único arranhão em seus sapatos. Eles parecem tão suspeitos que os lojistas ficaram em alerta e pediram ao George que fosse ver o que os nobres de aparência estranha queriam.
Para as pessoas do distrito público que só querem viver em paz, nada é mais incômodo do que nobres pensando que podem 『casualmente』 entrar sorrateiramente em bordéis ou comprar um pouco daquela erva 『para se sentir bem』. A maioria dos lordes que aparecem para esses fins têm uma atitude esnobe, e as espadas, cintos e sapatos são exatamente o tipo de coisa que os ladrões procuram, então os problemas praticamente vêm junto com eles. E embora possa ser considerado engraçado se esses nobres se sentirem mal depois de aprenderem a lição, muitos deles, em vez disso, chamam seus guarda-costas para se vingarem. Sempre que isso acontece, vários lugares na cidade acabam danificados. É sinceramente mais do que eles podem suportar.
É por isso que os moradores da cidade observavam o príncipe e o Arthur de longe, e as mulheres e crianças mantinham distância para não serem repreendidas por 『esbarrarem neles』. É compreensível que, ao avistarem o George — que passa muito tempo perto dos funcionários da Companhia Rothschild —, pedissem a ele que fizesse algo a respeito.
| Arthur | [É perigoso ir sozinho para a favela, George! Você precisa de pelo menos cinco guardas para te proteger!], Arthur o repreendeu, sabendo que os irmãos tinham acabado de se meter em encrenca por irem lá sozinhos.
| George | [Mas tudo bem, né? Quero dizer, eu digo que vou para a favela para facilitar o entendimento, mas agora é território da família Stewart], é o território dele, então, naturalmente, George não está muito preocupado em dar uma passada por lá.
| Arthur | [Certo... Já é território da família Stewart...], Arthur murmurou.
A pedido da Emma, a família Stewart recebeu a favela como recompensa da família real por seus muitos feitos meritórios. A lembrança ainda está fresca na mente do Arthur. Há todo tipo de procedimento a ser resolvido com presentes reais, e eles já tinham começado o processo.
O príncipe pensou por um momento e então sorriu.
| Arthur | [Sua Alteza?], Arthur tinha um mau pressentimento sobre isso.
| Edward | [George, tudo bem se formos com você para as favelas... quero dizer, o novo território Stewart?]
| George | [Sim, claro]
| Arthur | [Sua Alteza! George! Vocês dois não podem simplesmente concordar com isso como se não fosse nada! George, o que você faria se algo acontecesse com o príncipe?!], Arthur balançou a cabeça enfaticamente, sabendo agora que seu pressentimento havia sido confirmado. Não é isso que ele e o Edward haviam combinado. No entanto, por ter se exaltado com isso, ele elevou um pouco a voz na rua movimentada.
Uma das lojistas, que por acaso ouviu a palavra em meio aos sussurros, puxou o George pela manga. [E-Ei... Espera aí! George, ele acabou de dizer o príncipe?]
| George | [Huh? Ah, é... você sabe! Esses dois são... artistas itinerantes! Sim! Eles são, tipo... atores... de uma peça nova... Então eles estão tipo... usando os figurinos para um... ensaio geral ou algo assim...], George sabe que se as pessoas descobrirem que o príncipe, o segundo nascido, havia agraciado o distrito público com sua presença, isso causaria um escândalo enorme, então ele rapidamente inventou uma desculpa esfarrapada.
Arthur percebeu seu erro e fechou a boca com um zíper, escondendo o príncipe atrás de si. Aquilo parece que pode se tornar um grande problema, e a culpa é dele. Mesmo que o George tenha sido colocado em uma situação delicada, sua desculpa foi ridiculamente ruim. Embora o Arthur estivesse grato pelo George ter tentado encobri-lo, é tão obviamente suspeito que os faz parecer ainda mais suspeitos do que antes. Não há como alguém acreditar em uma desculpa tão...
| Lojista | [Ah, eu sabia! Eu estava pensando em como os dois são bonitos! Faz sentido se eles são atores!]
| Mulher | [Se dois rapazes bonitos como eles estiverem no palco, pode apostar que eu estarei lá!]
| Mulher | [E vejam só como aquele rapaz de chapéu é adorável! O que eu não daria para que ele aparecesse na minha loja...]
Ou... talvez tenha. Os moradores da cidade caíram direitinho na armadilha. Aparentemente, a boa aparência do Arthur foi mais convincente do que a reação ridiculamente desconfiada do George. Todas as senhoras de meia-idade do distrito, que inicialmente observavam de longe, saíram correndo.
Bem, não seria apropriado para um Bell, que vem de uma longa linhagem de cavaleiros, recuar diante de damas tão encantadoras. Ele colocou a mão no ombro do príncipe e exibiu seu sorriso mais radiante.
| Arthur | [Meu nome é Art, e este jovem tímido é Ed. É um prazer conhecê-las, senhoras], disse ele, lançando um olhar tímido para as mulheres, levando a mão ao peito e curvando-se para elas.
| Mulheres | [[[[[Eeee!]]]]], as mulheres gritavam de alegria ao verem o belo e perfeito cavalheiro à sua frente, suas vozes ecoando por todo o distrito público.
George e Edward só conseguiam admirar o Arthur, enquanto ele acenava para a multidão que gritava.
| George | [Lorde Arthur é incrível... Ele conseguiu que todas as senhoras mais velhas... quero dizer, mais jovens, se apaixonassem por ele num instante...]
| Edward | [Talvez ele tenha mais talento para atuação do que para a cavalaria]
O príncipe notou duas crianças gritando, abrindo caminho em meio à multidão de mulheres que se aglomerava em torno do Arthur.
| Criança | [Lorde George!]
| George | [Hmm?], as duas crianças usam roupas roxas combinando, o que as faz parecer muito bem vestidas. Parecem mais abastadas do que a maioria no distrito público. O príncipe avisou o George que elas o chamavam, e as crianças gritaram ao perceberem que tinham sua atenção.
| Criança | [Lorde George! Houve outro roubo!]
| Criança | [Eles bateram no Harold e tudo mais!]
George suspirou irritado. [De novo?! Ugh, eles fazem isso toda vez que não tem ninguém de guarda! Tudo bem, eu cuido disso! Mostre-me o caminho!]
| Criança | [Certo! É por aqui!]
| George | [Sua Alt... quero dizer, Ed! Surgiu um imprevisto, então se cuide e volte para casa em segurança, okay?], disse George antes de sair correndo atrás das crianças.
| Mulher | [Art, você é realmente um rapaz tão bonito...], uma das mulheres disse com voz doce.
| Arthur | [Nossa, fico muito feliz em ouvir isso de uma dama tão encantadora como você. Ah... Espera, para onde o George foi? E o Ed?!]
| Lojista | [Hmm? Ah, eles foram correndo em direção à favela!], a lojista apontou, e o Arthur seguiu seu olhar apenas para ver o George e o Príncipe Edward desaparecerem atrás de duas crianças, virando a esquina.
| Arthur | [Aaagghhh! Sua Alteza!], Arthur gritou. [Eu disse que você não podia me deixar nem por um segundo!], ele fez uma rápida reverência às damas e saiu correndo em direção à esquina onde o príncipe havia desaparecido.
As mulheres ficaram em silêncio por um momento.
| Mulher | [Isso foi incrivelmente elegante da parte dele, não foi?]
| Mulher | [Com certeza!]
| Mulher | [Parecia que ele realmente era um cavaleiro de verdade!]
| Mulher | [Aposto que ele será um ator estupendo!]
| Mulher | [Vamos todas torcer por ele!]
Mesmo depois que o Arthur partiu, as mulheres continuaram com seu entusiasmo de fãs.
*Slam*!
Um homem alto e magro se chocou contra uma pilha de tijolos.
| Criança | [Harold!], duas crianças correram em sua direção, preocupadas. Quando o homem as viu, gritou.
| Harold | [Seus idiotas! Eu disse para vocês ficarem longe!]
Eles ignoraram os protestos do homem e começaram desesperadamente a remover os tijolos que haviam caído sobre ele. [Mas você vai morrer, irmão!], eles lamentavam.
| Homem | [Olha, não é como se tivéssemos tirado tudo. Ninguém vai saber se tirarmos só um pouquinho!], até o homem que havia arremessado o Harold contra a parede fez uma careta ao ver a cena. Não importa quantas vezes o atingissem, Harold não se renderia.
| Harold | [Esses tijolos foram doados às favelas pela família Stewart. Eles usaram os impostos da região de Pallas para nos fornecer. Não posso simplesmente deixar qualquer um ficar com eles. Além disso, a Companhia Rothschild os trouxe para nós. Se faltar um único tijolo, eles vão saber]
Após a tentativa de golpe de estado no ano anterior, o preço de materiais de construção como tijolos havia subido drasticamente. Os Stewarts haviam fornecido materiais para os bairros pobres para ajudar nos esforços de reconstrução, mas pessoas constantemente apareciam para tentar roubá-los e ganhar dinheiro fácil. Geralmente, há guardas da Companhia Rothschild fazendo a segurança, mas algumas pessoas são persistentes o suficiente para esperar por momentos em que eles não estivessem presentes.
| Homem | [Afinal, por que um graveto como você está se esforçando tanto?!], outro homem se aproximou com um sorriso malicioso e agarrou o Harold pela gola da camisa, levantando-o com uma mão como se não fosse nada. Apesar da altura do Harold, até os pés dele saíram do chão.
| Harold | [Hngh...!]
| Criança | [Harold!]
| Homem | [Entregue os tijolos se quiser viver! Você tem alguma ideia de quem somos? Somos os brutamontes Aiden e Caiden!], o homem que havia levantado o Harold tinha um olhar presunçoso e satisfeito enquanto se apresentava.
| Harold | [Uh...]
| Criança | [Huh?]
Nem o Harold nem as crianças jamais tinham ouvido falar daqueles nomes. Harold geralmente fica em casa e se mantém isolado enquanto pinta, e aquelas crianças ainda são bem novas na favela, então não conhecem ninguém assim. Independentemente de quão famosos aqueles rufiões possam ser na favela, seus nomes não dizem muita coisa para um pintor recluso e um grupo de recém-chegados.
| Homem | [Ah, chega! Vocês vão apanhar! Vão implorar por misericórdia quando eu terminar com vocês!]
| Criança | [Lorde George! Eles estão aqui!]
| George | [Whoa, Harold está fora do chão!]
| Harold | [Argh, vocês...!], Harold fez uma careta, ainda sendo erguido pelo homem. Ele pensou que tinha tirado as crianças do perigo, mas elas voltaram. Pior ainda, trouxeram o George com elas. [Eu vou ficar bem! Só saiam daqui!]
Enquanto as crianças veem o George como alguém mais velho, para o Harold, o garoto se encaixa perfeitamente na categoria 『criança』. E embora suas roupas o façam se misturar com a favela, ele é, na verdade, filho de um conde. Se o George se machucar, há uma grande chance de que não serão apenas os rufiões que levarão a pior — até mesmo o Harold e as crianças podem se meter em encrenca.
| George | [Você está bem, Harold?! Estou aqui para ajudar!], infelizmente, George não é intuitivo o suficiente para perceber os pensamentos do Harold. Ele viu o homem levantando o Harold no ar, largou tudo o que carregava e começou a correr ainda mais rápido.
| Homem | [Ei! Aonde você pensa que vai, amigão?], o outro homem está no caminho do George. Ele lambia os lábios com a perspectiva de ter um novo saco de pancadas para brincar.
| Harold | [Parem! Ele não tem nada a ver com isso! Sou eu quem vocês querem!], Harold já está bastante machucado, mas ainda tenta manter a atenção deles. Ele não suporta a ideia de ver crianças se machucando.
| George | [Ah, não se preocupem comigo. Sou bem forte], George manteve o sorriso diante do homem que bloqueava seu caminho.
| Harold | [Não sejam estúpidos! Saiam daqui!], é exatamente por isso que vocês, nobres, são tão problemáticos, pensou Harold. Ele tentou desesperadamente se soltar para salvar o George, mas o homem que o segurava é muito forte e ele não consegue se mexer. [Droga!]
Jovens lordes aprendem técnicas básicas de espada desde cedo. No entanto, esse treinamento só serve para o seu próprio prejuízo em uma situação como essa. Todos esses garotos se acham fortes, mas sua força se limita à sala de aula. Eles não passam de alunos sem nenhuma experiência prática. Esse tipo de brincadeira de criança não vai funcionar numa situação de sobrevivência do mais forte como essa.
| George | [Não, sério. Eu vou ficar bem, Harold], disse George, coçando a cabeça sem jeito ao ver a expressão preocupada do Harold. [Eu sei como parece, mas tenho bastante experiência], George deu um joinha confiante para o Harold.
| Harold | [Então não desvie o olhar, seu idiota!] gritou Harold.
O homem parado na frente do George desferiu um soco surpresa bem no rosto dele.
*Crack*!
| Homem | [Aaaaagh!], um som horrível, como de ossos quebrando, ecoou e o homem caiu de joelhos, agarrando a mão. Não o George — o homem que o havia atacado.
| Harold | [Huh?]
| Criança | [Lorde George, isso foi incrível!]
Mesmo depois de ser atingido, George estava de pé como se nada tivesse acontecido.
| George | [Ah, desculpe, cara... Você está bem? Você veio para cima de mim do nada, então acabei recebendo com a testa. Acho que todo mundo sempre diz que sou meio cabeça dura, então... você provavelmente quebrou o dedo, né?], George coçou a cabeça novamente e estendeu a mão para o homem agachado.
| Homem | [Seu pirralho! Acha que me venceu?!]
| George | [Huh?]
O homem deu um tapa na mão do George, caiu de costas e tentou chutar o pescoço dele. Uma faca estava presa em seus sapatos de couro, e mesmo um arranhão seria fatal. Não importa o quão covarde seja; a vitória é de quem sobreviver para contar a história.
| Edward | [George!]
Quando o Príncipe Edward e o Arthur chegaram correndo, a faca no sapato do homem estava a centímetros da garganta do George. Ambos estenderam as mãos para salvá-lo, mas não conseguiram chegar a tempo.
| George | [Oh, ei, vocês dois! Eu não sabia que vocês viriam!], George se virou para encará-los e, ao mesmo tempo, agarrou o pé que estava apontado para ele sem nem olhar. [Whoa, você tem uma faca no sapato! Parece que você é um ninja ou algo assim!], George aproximou o rosto do pé que acabou de agarrar para ver a faca mais de perto. O homem sabe que teria sido a oportunidade perfeita para esfaquear o George no olho, mas não conseguiu mover o pé um único centímetro.
| Homem | [O que— O que está acontecendo?! Me solta! Alô?!], as pernas do homem são mais fortes que seus braços, mas por mais que ele se debatesse, não conseguia puxar a perna.
| George | [Eu posso, se você prometer se comportar e ir para casa], disse George com uma expressão doce.
| Homem | [Nem pensar! Você acha que eu vou aceitar essa porcar—]
Isso foi tudo o que George precisava ouvir. Ele passou a própria perna por cima da perna esquerda que segura, como se fosse montá-la, e então, num movimento preciso, agarrou a perna direita do homem, torceu-a e o jogou para trás. Em outras palavras, ele está aplicando o golpe de imobilização de perna em figura quatro. É um golpe de luta livre que ele costumava usar no Peyta quando brincavam de lutar na vida anterior, então foi bastante nostálgico usá-lo novamente.
| Homem | [Ow! Que diabos?! Owowowow!], o homem gritou de dor.
| Homem | [O que diabos você está fazendo, Aiden?! Pare de brincar!]
O golpe de imobilização de perna em figura quatro não existe neste mundo, então o homem que o está recebendo sente um tipo bizarro de dor, completamente reduzido a um turbilhão de confusão e medo. Não importa o quanto ele grite e esperneie, ninguém pode entender o que ele está sentindo.
| George | [Você promete ir para casa agora?], George perguntou ao homem novamente. Não há muitos que conseguem dizer não quando estão presos daquele jeito.
| Homem | [P-Prometo! Eu juro! Eu imploro, me soltaaaa— Owowowowow!]
| Homem | [Filho da... Aiden, pare de agir como se mandasse aqui!], tendo ouvido seu parceiro se render repentinamente, o outro homem jogou o Harold no chão e correu para atacar o George.
| Edward || Arthur | [[George!]], Edward e Arthur levaram as mãos às espadas, mas o George reagiu mais rápido. Ele soltou a guarda em forma de quatro e desviou do soco que vinha em sua direção com facilidade, depois o pegou no ar. De lá, em outro movimento (aparentemente) ensaiado, ele saltou, envolveu as pernas na cabeça do homem, girou e jogou o agressor no chão. Em outras palavras, ele aplicou uma chave de braço voadora no homem. Considerando o quão perigoso é, George só tinha visto aquilo na TV, mas com a força que havia adquirido caçando monstros, ele conseguiu fazer com facilidade.
| Homem | [Ow! Owowowow!], assim como o primeiro homem, este também uivou de dor. A chave de braço voadora também não é um golpe que existe neste mundo.
| Criança | [Eu não sei o que você acabou de fazer, mas foi incrível, Lorde George!], as crianças que assistiam à cena começaram a incentivar o George com gritos de incentivo enquanto o homem gritava. Ver uma imobilização tão bem-sucedida é sempre divertido.
| Homem | [E-eu-eu me rendo! Eu imploro! Por favor, me solte!]
Assim que o George os soltou, os dois arrogantes aspirantes a bandidos fugiram com o rabo entre as pernas.
| Harold | [Me desculpe. Obrigado pela ajuda, mas, por favor, não se meta em algo tão perigoso da próxima vez, okay?], Harold avisou George. Seu coração não aguentaria se o George se machucasse.
| George | [Você se preocupa demais, Harold. São só pessoas! Não é como se pessoas pudessem cuspir fogo, expelir névoa venenosa, se autodestruir ou algo do tipo. Estou totalmente bem!], George riu. Seus oponentes usuais eram monstros na fronteira da barreira. [Os pontos vitais dos humanos ficam todos no mesmo lugar, então não importa se você os atinge, corta, aperta, estica ou torce, ainda assim causará dano. É muito menos com o que se preocupar!], com alguns monstros, não importa o quanto você os atinja, os golpes ricocheteiam. Alguns se dividem em múltiplos quando você os corta. Alguns liberam um cheiro horrível se você os aperta. Alguns mudam de cor quando você tenta esticá-los. Alguns criam pequenas formas de bebês se você os torce.
| Harold | [C-Certo], Harold e George claramente vivem em mundos diferentes. O artista jurou ali mesmo que nunca mais iria para a fronteira.
| Criança | [Lorde George! Ensine-nos a fazer as acrobacias incríveis que você fez para derrotar aqueles caras!]
| Criança | [Foi tão legal!]
| Criança | [Sim!]
As crianças, que tiveram o privilégio de serem as primeiras no mundo a ver a chave de perna em figura quatro e a chave de braço voadora, ficaram completamente fascinadas.
| George | [Ah, isso? Isso se chama chave de perna em figura quatro e chave de braço voadora]
| Criança | [Yon... o quê?]
| Criança | [Não foi isso que ele disse! Ele disse yo... dademe? E uh...udeme...?]
| Criança | [Lorde George, o que diabos você acabou de dizer?]
As crianças estavam todas confusas, como se os nomes dos golpes fossem grego para elas.
| George | [Eu disse que se chamam chave de perna em figura quatro e— Espera! Devo estar falando isso em japonês... quero dizer, na língua imperial oriental!], a terrível capacidade das crianças de entender o que o George diz é igualzinha à do Joshua, que não conseguia entender as palavras haramaki e kairo perto dos ninjas. [Er... São golpes de luta livre profissional... Er, droga. Vocês provavelmente não entenderam isso... uh... São chaves de submissão? Sim! É um jeito de fazer o oponente se render!], George tentou encontrar palavras no idioma do reino que descrevessem os golpes.
| Criança | [Chaves de submissão? Então, espera aí, isso significa que tem muito mais?!]
| Criança | [Mostre-nos como você fez isso, Lorde George!]
| Criança | [Eles foram tão, tão, tão legais!]
Aparentemente, ver golpes de luta livre profissional e querer experimentá-los é uma característica comum tanto em crianças japonesas quanto em crianças nascidas no reino.
| George | [Er... Acho que não é muito apropriado ensinar crianças a imobilizar alguém dessa forma. Eu os ensinarei quando vocês crescerem, tá bom?], George interrompeu a conversa, sabendo que as crianças agitadas acabariam se machucando se tentassem fazer o que ele tinha feito.
| Arthur | [Pfft... Qual é, George... Não fale assim...], Arthur bufou, incapaz de conter o riso.
| George | [Huh?]
Embora o George quisesse dizer 『submissão』 como a forma de alguém montar em um oponente para imobilizá-lo, aparentemente o significado que foi transmitido na língua do reino foi... um pouco diferente. Arthur estava desesperadamente tentando conter o riso, enquanto o Edward estava atrás dele, com o rosto vermelho até as orelhas e uma expressão constrangida.
| George | [Huh?], infelizmente, George não percebeu o que tinha dito para envergonhar tanto o príncipe.
| Harold | [A propósito, presumo que esses dois garotos obviamente ricos que saíram escondidos sem permissão ou guardas para causar problemas sejam seus amigos, George?], perguntou Harold, franzindo a testa. Ele tem um mau pressentimento sobre tudo isso.
| Criança | [Não é?! Se você estivesse andando por aí com essa aparência nas favelas alguns meses atrás, com certeza teria sido enganado!]
| Criança | [Você precisa ser mais cuidadoso!]
As crianças também começaram a alertar o Arthur e o Edward.
| George | [Huh? Ah, este é o príncipe Edward, o segundo filho, e o Lorde Arthur da família Bell. Eu os encontrei no distrito público], enquanto o George inventou uma desculpa esfarrapada no distrito público, ele se apresentou de forma totalmente honesta nas favelas.
| Arthur | [George, o que você está fazendo?!], Arthur entrou em pânico com o que poderia acontecer se eles fossem descobertos em um lugar como aquele. Se rumores começarem a surgir, eles estarão em sérios apuros.
| George | [Ah, vai ficar tudo bem! O povo da nossa terra é discreto! Certo, Harold?], antes de as crianças da favela serem autorizadas a trabalhar, elas são rigorosamente instruídas a distinguir informações secretas de informações públicas. Coisas como onde o Harold encontra a matéria-prima para seus pigmentos, como fazem a seda, a existência dos gatos e insetos gigantes, como a filha do conde às vezes passa a noite na favela... na verdade, há mais coisas sobre as quais elas devem manter segredo do que o contrário. Portanto, as crianças sabem muito bem que também não devem falar sobre o fato de o príncipe e o filho de um duque terem se infiltrado na favela. Graças aos ensinamentos diários do Harold, essas crianças conseguem guardar segredo.
Enquanto o George perguntava casualmente ao Harold para confirmar isso, o homem em questão ficou terrivelmente alarmado.
| Harold | [É sério que você está me perguntando isso agora?!], embora tivesse uma vaga ideia de que são nobres fingindo ser plebeus, jamais imaginaria que fossem o príncipe e o filho de um dos quatro grandes duques. Ele lançou um olhar furioso para o George e mandou as crianças se alinharem. [Vamos, crianças! Vocês têm que se curvar! Eu vou fazer primeiro, então observem e aprendam! E façam direito depois de mim!]
Harold fez uma reverência perfeita diante do príncipe. Embora as crianças o observassem atentamente e se esforçassem para imitá-lo, suas primeiras tentativas não foram muito refinadas.
| Harold | [Peço desculpas pela nossa grosseria, Sua Alteza. Esses pequenos... quero dizer, essas crianças ainda não sabem se curvar direito. Espero que possa perdoá-las], esquecer de se curvar perante a família real pode, no pior cenário, ser punido com a morte. Dado que as crianças das favelas são órfãs e não têm ninguém para cuidar delas, são facilmente descartáveis.
| Edward | [Está tudo bem. A culpa é minha por esconder minha identidade], Edward dispensou as reverências com uma expressão constrangida. Ele queria dizer que não precisavam se curvar para ele fora de ocasiões formais, mas, na remota possibilidade de encontrarem outros membros da família real, não pode garantir que eles serão tão compreensivos. Afinal, há alguns na família real, como seu tio — que liderou a tentativa de golpe na capital — que acreditam que a família real está acima de tudo.
| Arthur | [Aliás, acho incomum que alguém que não é nobre consiga fazer uma reverência real com tanta precisão], Arthur ficou surpreso ao ver que a reverência do Harold envergonharia muitos nobres.
| Criança | [É, porque nosso irmão sabe de tudo!]
| Criança | [Ele também sabe muito sobre nobres!]
As crianças começaram a se gabar alegremente depois de ouvirem o Arthur elogiar o Harold.
| Harold | [Parem com isso, seus pirralhos! Er... bem, eu sei como as coisas estão agora, mas houve uma época em que eu pintava retratos de noivado para nobres...], Harold murmurou, desviando o olhar. Faz sentido que um homem que venha morar nas favelas possa ter tido uma queda trágica em desgraça.
| George | [Hmm... Sabe, talvez fosse melhor focar na etiqueta em vez de ler e escrever enquanto estamos aqui na capital. Emma e William estão ocupados analisando todas aquelas informações sobre owatas, então talvez eu devesse conversar com minha mãe e minha avó sobre contratar um professor de etiqueta para vir para cá...], pelas reações das pessoas no distrito público quando o Arthur e o príncipe apareceram parecendo 『um par de garotos ricos encrenqueiros saindo escondidos e fingindo ser plebeus』 e pelo incidente com o ferimento do Harold quando os Stewarts chegaram às favelas pela primeira vez, parece que os nobres são mais propensos a causar problemas do que qualquer um dos rufiões de lá. Talvez se as crianças aprendessem um pouco de etiqueta básica, eventualmente chegariam ao ponto em que outros nobres não se irritariam mais com eles.
Emma disse que queria um prédio que pudesse funcionar como escola para as favelas, então o George achou que seria melhor fazer a construção um pouco maior para esse fim. Ele começou a imaginar a planta das favelas em sua mente.
Ele se ofereceu para ajudar a reparar e reconstruir as favelas, usando o conhecimento de sua vida anterior como capataz, mas está começando a parecer que será um projeto maior do que ele imaginou. Ainda assim, comparado a como a Emma e o William estão vasculhando cada fragmento de informação sobre o Império Oriental e o reino sobre os owatas (algumas delas até mesmo no idioma do Antigo Império Ocidental), a tarefa dele é a mais fácil.
Assim que o George começou a se perder em seus pensamentos, algumas vozes animadas soaram.
| Criança | [Oh, é o Lorde George!]
| Criança | [Lorde George!]
| Criança | [Eba, é o Lorde George! Oi!]
Aparentemente, algumas das meninas da favela tinham terminado seus trabalhos de costura. Elas vieram correndo assim que viram o George.
| George | [Ah, olá! Bem-vindas de volta, meninas. Vocês estavam costurando hoje?], todas estavam levando tecido para casa para tingir com os pigmentos artesanais do Harold, mas aparentemente estavam tão animadas para conversar com o George que tiveram que parar.
| Criança | [Todas as meninas adoram o Lorde George], as crianças da favela sussurraram para o Arthur e o Edward. Enquanto as meninas da escola mantinham uma certa distância dele por causa de sua aparência severa, as meninas daqui (que eram todas muito jovens) se aglomeravam ao seu redor.
| Arthur | [Então ele é um verdadeiro conquistador. Faz sentido], Arthur riu.
Alguns dias depois...
| Edward | [Ver aquilo foi muito diferente de apenas ouvir falar], murmurou Edward enquanto se dirigia para a próxima aula com o Arthur.
Depois de toda aquela confusão, eles foram levados para conhecer as favelas, e o príncipe ficou chocado com o quão mais antigos, danificados e inseguros eram todos os prédios, e com o tamanho da população de órfãos. É tudo muito pior do que ele imaginou. Embora a família Stewart esteja progredindo rapidamente na melhoria das condições ali, ainda há muitos lugares que eles não haviam alcançado.
Contudo, apesar das condições de vida precárias, as crianças de lá são surpreendentemente motivadas. Elas estudam e trabalham com muito mais entusiasmo e animação do que qualquer um dos lordes e damas que frequentam a escola sem nenhum obstáculo que os impeça.
Arthur assentiu em concordância. [Com certeza. Eu também fiquei surpreso com a situação. Todas as meninas já sabem ler e escrever frases simples, e os meninos têm um conhecimento estranho sobre insetos... Além disso, pedi a um criado que perguntasse por aí e, aparentemente, não houve um único boato sobre nós nos esgueirando para as favelas]
| Edward | [Alguns deles nem tinham idade suficiente para ter um tutor, se fossem nobres, mas estavam estudando mesmo assim. Suponho que aqueles que nos viram realmente ouviram o George e guardaram segredo], assim como o George havia dito, o povo das terras dos Stewart é discreto. Eles entendem a missão tanto no nível fundamental quanto no prático.
| Arthur | [Oh, falando no diabo! É o George!]
George caminhava à frente deles, parecendo um tanto confuso. Quando percebeu o Arthur acenando para ele, olhou para cima e respondeu. [Oh, Sua Alteza e Lorde Arthur! Olá!]
| Arthur | [Hmm? Onde estão a Lady Emma e o William?], Arthur perguntou, sabendo que o Edward provavelmente quer ver a Emma. Os irmãos do George quase sempre o acompanham na escola, mas não estão em lugar nenhum.
| George | [Ah, eles já estão a caminho da próxima aula. Não sei por quê, mas me disseram para falar com o Professor Wolfgang na sala de aconselhamento...]
| Arthur | [O quê? O Professor Wolfgang é responsável pelo aconselhamento além de dar aulas...], Arthur lançou um olhar ao príncipe, como que perguntando: O que o George fez?
| George | [Hum... É, eu realmente não faço ideia de por que me chamaram...], ele acha que as coisas estão bem menos caóticas ultimamente, já que a Emma está se concentrando em lidar com os owatas, e é estranho ele ser o único a ser chamado, então ele está realmente confuso.
| Garota | [Eep!]
| George | [Oh! Desculpe por isso. Você está bem?]
George parou no meio do corredor para conversar com o Arthur e o príncipe, e uma garota que não estava olhando por onde andava esbarrou nele.
| Garota | [Não, eu é que deveria me desculpar com você... L-Lorde George?! Ah... M-Me desculpe mil vezes!], embora o George tenha ajudado a garota imediatamente, que cambaleou depois do esbarrão, no momento em que ela viu em quem havia esbarrado, seu rosto ficou vermelho como um tomate e ela saiu correndo.
Depois de ver a garota se afastar, Arthur e Edward se voltaram para o George.
| Arthur | [George, o que você fez?]
| Edward | [George?]
| George | [Huh?]
George sabe que não a tinha tocado de forma inapropriada nem nada do tipo, mas ela mudou completamente de atitude no instante em que viu o rosto dele.
| Aluno | [Olha, aquele não é o irmão mais velho dos Stewart...?]
| Aluno | [Parece que os rumores são verdadeiros...]
| Aluna | [E eu que pensava que ele era mais certinho que isso...]
Todos os alunos que notaram a garota correndo se afastaram do George e começaram a cochichar.
| George | [O quê...?]
Depois, a voz do George pôde ser ouvida gritando [É tudo um grande mal-entendido!] da sala de aconselhamento.
| Melsa | [Vamos encerrar por hoje], Melsa, que havia assumido a tarefa de ensinar etiqueta às crianças da favela a pedido do George, suspirou.
| Criança | [Aconteceu alguma coisa, Lady Melsa?], as crianças estavam preocupadas com a expressão abatida dela.
| Melsa | [Ah, me desculpem, crianças. Eu só estava tentando descobrir como fazer meus filhos se interessarem por romance], Melsa tinha feito tudo o que podia, frequentando festas de chá e outras coisas desde que chegou à capital, mas com seu filho gorila de cara fechada, sua filha que adora velhos e insetos, e o caçula gostando delas muito, muito jovens, a busca pelo amor ainda está em mares tempestuosos para todos eles. [Eu gostaria pelo menos conseguir que o George ficasse noivo ainda este ano...]
Embora não tenha desistido da Emma ou do William, será muito difícil superar os gostos particulares deles agora. Especialmente com os rumores de que a Emma é uma santa ou algo do tipo. Mesmo que ofereça a Emma como uma possível parceira, cada vez mais pretendentes a rejeitam, dizendo que não são dignos.
As crianças, no entanto, ficaram bastante confusas com as lamentações da Melsa. [Espere, mas... Lorde George é super popular entre as garotas, Lady Melsa!]
| Melsa | [Eu sei. Ele é bem popular entre as garotinhas. Mas ainda não consigo encontrar uma noiva para ele...], embora o George seja bem visto pelas garotas, elas são, infelizmente, muito jovens para ele, e a Melsa não está disposta a esperar. [Eu só quero ter um neto meu em breve...], Melsa suspirou novamente.
Assim que a Melsa chegou em casa, as crianças começaram a discutir o que tinham ouvido.
| Criança | [Acho que é só que as garotas nobres não se interessam pelo Lorde George]
| Criança | [Não pode ser isso! Lorde George é tão bonito e confiável!]
| Criança | [Sim, o que ela disse!]
George é imensamente popular entre as garotas mais novas. Elas imediatamente se uniram para rejeitar a sugestão do primeiro garoto.
| Criança | [Mas você viu o jeito que a Lady Melsa suspirou!]
| Criança | [Tenho certeza de que elas simplesmente não entendem o quão maravilhoso ele é!]
| Criança | [Então, devemos contar a todos o que torna o Lorde George tão incrível!]
As crianças são muito gratas à família Stewart e sempre quiseram aproveitar todas as oportunidades para retribuir. Todos concordaram que essa seria a melhor opção.
Se o Harold estivesse lá, essa tragédia poderia ter sido evitada. Infelizmente, Harold estava pintando em uma das lojas da Companhia Rothschild naquele dia, então está ausente. Talvez se o Huey, uma das crianças mais perspicazes da favela (que originalmente furtou o jogo de karuta gigante do George), estivesse lá, eles poderiam ter evitado tudo isso. Infelizmente, Huey estava ocupado trabalhando na casa dos Stewart (um dos trabalhos mais populares entre as crianças da favela) e também está ausente neste dia. Não há ninguém para impedi-los, então a conversa (bem-intencionada) continuou.
| Criança | [Então, uma das melhores qualidades do Lorde George é que ele é forte, certo?]
| Criança | [É, ele derrotou aqueles ladrões de tijolos como se não fosse nada, né? Queria ter visto...]
| Criança | [Sim! Foi muito legal! Como ele chamava mesmo? Submissão ou alguma coisa?]
| Criança | [Isso mesmo! Ele é ótimo em imobilizar as pessoas até a submissão!]
| Criança | [Mas ele disse que nós, crianças, não podíamos fazer isso... Lorde George disse que havia ainda mais técnicas do que as que vimos!]
| Criança | [Ah, e precisamos garantir que todos saibam que as garotas também o adoram!]
| Criança | [Lorde George é tão gentil, confiável, maduro e... e...]
| Criança | [Okay, então basicamente, o Lorde George conhece um monte de técnicas de submissão, ele é ótimo em imobilizar pessoas e as garotas do mundo todo o adoram, certo?]
| Criança | [Sim, perfeito! Se comentarmos isso com os alfaiates quando formos trabalhar, provavelmente vai se espalhar pelo distrito comercial e as damas da nobreza vão ter que ouvir!]
| Criança | [Oh! E devemos dizer que ele é super legal, então ele fica feliz em brincar com qualquer um também! Ouvi dizer que as damas da nobreza são meio tímidas, então talvez isso facilite a conversa com ele!]
| Criança | [Ooooh, ótima ideia!]
Esses rumores bem-intencionados sobre o George realmente se espalharam do distrito comercial para o bairro aristocrático e para a escola num piscar de olhos. Essa atitude pura das crianças da favela, por outro lado, afastou um pouco mais o sonho da Melsa de ter um neto nos braços.



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