Capítulo 88 - Mortos Não Contam Histórias




A insurreição liderada pelo Max Fecht encontrou um fim prematuro. Agora que tudo está dito e feito, fica claro que esta revolta foi o resultado de um pretenso estrategista manipulando uma criança ignorante, e ela foi contida antes mesmo de realmente começar. Mas se Orcus tivesse dado um passo em falso, o país teria sido dilacerado.
Muitos desejam a execução do Max após sua captura, mas a Sieglinde foi contra sentenciar a criança à pena de morte. Em vez disso, ele foi trancado nos calabouços da nação. Por mais trágico e lamentável que seja, este mundo infelizmente não é o pacífico Japão do século XXI. Sim, seja uma criança ou um mero instrumento — haja espaço para circunstâncias atenuantes serem levadas em conta ou não, ou o autor não estando em sã consciência —, aqueles que se voltam contra a coroa recebem a morte; esse é simplesmente o jeito deste mundo.
Mercedes já foi uma mulher japonesa renascida no Planeta Vermelho, mas até ela já aceitou as normas daqui há muito tempo. Assim, mesmo que o Max tivesse sido executado, ela não teria pensado muito a respeito. Sim, ele merece piedade e simpatia, mas é só isso.
Por um momento, Mercedes ponderou sobre um cenário diferente. E se não tivesse sido o Max, mas sim alguém que ela conhece? Sua irmã Margaret, por exemplo. Como ela teria se sentido então? Teria terminado em 『Oh, que pena. Continuamos』? Ultimamente, ela vem tendo a sensação de que não está ganhando a humanidade que lhe faltava em sua antiga vida, mas sim continuando a perdê-la.
A origem do labirinto do Max e os pecados de um rei tolo anterior são revelados a todos, bem como o fato de que o Felix Grunewald é um colega herdeiro. As conversas avançam sem problemas e, antes que se perceba, Felix e Sieglinde ficam noivos.
Felix possui um labirinto e também é homem; ele possui habilidade além de qualquer queixa. O casamento dos dois é apenas o resultado óbvio, embora deva ter vindo como uma grande surpresa para o próprio Felix. Embora nutram opiniões positivas um sobre o outro, isso mal equivale a amor. Mas, ao mesmo tempo, isso é verdade para a maioria dos casamentos reais. Os benefícios da família são priorizados em detrimento do afeto pessoal. Nesse sentido, os dois tiveram sorte; no mínimo, são conhecidos e também não se odeiam. Eles simplesmente precisam se aproximar um do outro e nutrir o amor.
Enquanto o povo da nação transborda de entusiasmo com o advento de um novo (quase certo) rei, Mercedes se direciona para o subsolo do castelo após receber permissão especial para entrar. Lá, os mercadores e nobres que ajudaram o Basil estão aprisionados antes de seus interrogatórios.
Embora não seja particularmente importante, deve-se notar que o Trein está ausente. Ele se removeu da Facção do Verdadeiro Rei um passo antes dos outros e, como entregou suas informações a Mercedes, seus crimes foram perdoados. Ele realmente é um homem de jogo de cintura.
A equipe de investigação do quase-labirinto que estava desaparecida foi resgatada também, e eles estão atualmente relatando suas informações. Após entregarem a chave-mestra ao Felix, Hannah e Mercedes investigaram o interior do labirinto. Lá, elas descobriram a equipe aprisionada. Eles realmente haviam sido capturados pelo Basil.

| Hannah | [Oh, Mercy! Por aqui], conforme a Mercedes avança pelo labirinto, Hannah aparece, abrindo caminho em meio a uma multidão de seus subordinados. Devido à sua baixa estatura, parece que uma criança encontrou o caminho para dentro de um grupo de adultos, mas ela é a chefe deles.

Hannah conduz a Mercedes a uma sala localizada nas profundezas da prisão. É uma sala simples com uma mesa posicionada no centro. Em cima dela está o cadáver do Basil Salmon.

| Mercedes | [Ele está morto?]
| Hannah | [Sim. Está morto]

Está incrivelmente claro que o Basil já está a caminho do inferno. Seu rosto assumiu a cor de terra e está desprovido de qualquer vitalidade.

Mercedes coloca a mão no queixo e relembra a batalha, inclinando a cabeça. [Acho que evitei causar ferimentos fatais nele]
| Hannah | [Não, o que você fez com ele foi fatal]
| Mercedes | [Eu apenas cortei seus membros]
| Hannah | [Ele morreu de choque]

Matar o Basil em si não é necessariamente um problema. Ela lutou com a intenção de matar, então esse é o resultado natural. No entanto, Mercedes queria capturar o Basil vivo e extrair informações dele, se possível, por isso evitou intencionalmente ferimentos fatais e, em vez disso, decepou todos os seus membros. Ela não achava que isso pudesse matar um vampiro, mas aparentemente estava errada.
Que estranho, pensa ela. Os mesmíssimos subordinados que a Hannah afastou perderam membros na batalha anterior, ou tiveram as pernas de outra pessoa presas aos seus corpos, ou foram até cortados ao meio ou esmagados sob o Frieden, contudo continuam trabalhando aqui em perfeitamente bom estado de saúde hoje. Embora, pelo visto, o homem que fora cortado ao meio teve sua metade inferior recolocada ao contrário, forçando-o a um moonwalk perpétuo.

De qualquer forma, Mercedes acha estranho que o Basil seja tão frágil. [Você descobriu quem ele é?]
| Hannah | [Mais para... descobrimos que não fazemos a menor ideia], responde Hannah, balançando a cabeça. O maior mistério é de onde o Basil Salmon tinha vindo e quais eram suas ambições. Como a Mercedes o matou antes que pudesse falar, contudo, esse mistério foi enterrado junto com ele. Ainda assim, ela esperava que, dada a rede de informações da Hannah, ela ainda conseguisse descobrir a identidade dele mesmo na morte. Mas, aparentemente, isso não foi tão fácil.
| Hannah | [Dê uma olhada], diz Hannah, erguendo o cabelo do Basil para revelar suas orelhas.
Mercedes faz uma careta. Elas são... pontudas, uma característica não presente em vampiros. [Então ele é um elfe], comenta ela. Agora as coisas fazem sentido. Basil não é um vampiro — é por isso que é tão frágil.

Um não-vampiro obviamente morreria se tivesse seus membros decepados e não fosse tratado imediatamente. Mas todos presumiram que ele era um vampiro e simplesmente o deixaram para lá. Essa foi a ruína deles.

Claro, ele teve os membros cortados. Mas ele é um vampiro! Alguém pode simplesmente curá-lo mais tarde! Quem se importa?!
Ah, ele está se contorcendo por aí, mas ele é um vampiro, e alguém provavelmente já deu uma olhada nele! Além disso, a equipe de investigação vai curá-lo também! Quem se importa?!
Ele está imóvel como uma rocha, mas ele é um vampiro! E alguém deve ter curado ele de qualquer forma. Quem se importa?!
E-Ele está... morto.


Esse é um resumo geral dos eventos que levaram à morte do Basil. Mercedes não consegue evitar sentir que carrega alguma responsabilidade por sua tolice também.

| Hannah | [Sim, mas os elfens são a espécie mais dominante de Falsch neste mundo, então não há como saber de onde ele veio. Não sabemos nem se isso foi obra dele mesmo, ou algum plano maior dos elfens]
| Mercedes | [Desculpe por matá-lo]
| Hannah | [Eu queria capturá-lo vivo e conseguir algumas informações, se possível, mas quem pensaria que ele era um elfe? Ainda assim, é melhor ele estar morto do que circulando livremente, e isso é parcialmente culpa minha também]

Mercedes presumiu que o Basil era um vampiro e, por isso, desferiu ferimentos que seriam fatais para todos os outros Falsch. No pior dos cenários, ela presumia que a Hannah seria capaz de recuperar algumas informações com suas habilidades informacionais, mesmo se ele morresse. Mas os elfens são um bicho totalmente diferente.
Os mortos não contam histórias... Dadas as circunstâncias delas, o melhor curso de ação não era matar o Basil, mas capturá-lo vivo para que pudessem extrair informações dele.
Ainda assim, não há como voltar atrás agora. Exatamente como a Hannah observou, deixar o Basil ir livre por acidente teria sido ainda pior. Este não é o melhor cenário possível, mas é um cenário melhor. Agora, tudo o que podem fazer é aceitar isso.

| Mercedes | [Mas porque um elfe queria interferir com Orcus? Os elfens não são nossos adversários, certo?]
| Hannah | [A explicação mais credível é de que estão se preparando para uma invasão. Conflitos não começam com declarações de guerra. Esse tipo de formalidade tende a ser ignorado no mundo real. Naturalmente, primeiro eles enviam espiões como uma medida de precaução. Depois, ordenam que esses espiões vivam vidas normais até que as tropas sejam mobilizadas. Eu mesma já fiz isso], diz Hannah, devolvendo a cabeça do Basil para a mesa antes de incitar a Mercedes a sair ao apontar para a porta. Imediatamente, os homens da Hannah que estavam esperando de prontidão no canto da sala enxameiam o cadáver do Basil, carregando todos os tipos de instrumentos.

Quanto ao que acontecerá com o corpo do Basil, bem... isso provavelmente é melhor deixar sem ser dito. A única coisa que se pode dizer com certeza é que os cadáveres daqueles que se voltaram contra o trono não recebem respeito em Orcus.

| Hannah | [Isso é apenas um palpite, mas acho que o objetivo do Basil era se infiltrar no grupo que detém o poder neste país. Como o mordomo de confiança de um dono de labirinto, ele ganharia facilmente uma importância percebida, e a posição para dar conselhos aos outros junto com isso. E se o Kristoff tivesse se tornado rei, Basil naturalmente teria se tornado seu braço direito. Acho que é por isso que ele começou se aproximando do Kristoff, o homem mais próximo de conquistar um labirinto]
| Mercedes | [Mas graças ao rei tolo que temia que seu título fosse colocado em risco, ele mandou assassinar o Kristoff. É essa a questão?]
| Hannah | [Sim, e é por isso que é meio irônico. Pode-se dizer que as falhas do Rei August, em última análise, protegeram Orcus], é impossível determinar a resposta certa até que tudo esteja dito e feito. O fato de um homem como o August, que foi tolo do início ao fim, ter salvado sua nação inspira sentimentos conflitantes na Mercedes. Mas essa não é a única possibilidade. [Ou talvez o assassinato do Kristoff tenha sido obra dos elfens]
| Mercedes | [Isso faz mais sentido para mim. A maneira como utilizaram o guardião parecia obviamente fundamentada na morte do Kristoff]
| Hannah | [Então tudo isso foi um plano dos elfens?]
| Mercedes | [Não, eles só poderiam saber sobre aquela cápsula de extensão de vida depois que o labirinto fosse conquistado. Eles devem ter mudado seus planos em algum momento do caminho]

Mercedes e Hannah combinam suas mentes. Da forma como enxergam, os eventos se desenrolaram da seguinte forma: primeiro, os elfens souberam que o Kristoff havia capturado um labirinto — ou, talvez, perceberam que havia um homem a um passo disso — e enviaram o Basil para se aproximar dele. Mas após os dois fazerem contato, Basil descobriu uma Relíquia Superdesenvolvida dentro do labirinto do Kristoff que era capaz de reviver os mortos sempre que o usuário desejasse. Após o Basil relatar isso de volta para os elfens, eles ajustaram sua estratégia e decidiram assassinar o Kristoff. Por quê? Porque ele era um homem de julgamento sensato, não alguém que pudessem manipular facilmente.
Assim, Basil ganhou um jovem mestre que faria exatamente o que ele comandasse e um Guardião que ele poderia ativar por meio do cadáver do Kristoff. Com isso, Basil — bem como os elfens que o apoiavam — na prática adquiriram um labirinto para si mesmos. Em outras palavras, Niklas e seus homens não foram os únicos que agiram para assassinar o Kristoff; tanto os vampiros quanto os elfens enviaram assassinos de aluguel para fazer o trabalho. Naturalmente, até mesmo um mestre de labirinto seria pego de surpresa.

| Hannah | [Mas se a nossa teoria estiver certa, então o Rei August deve ter ido ao ponto de conspirar com os elfens para proteger seu poder]
| Mercedes | [Ele era realmente terrível, né? Quanto mais batemos no passado, mais sujeira encontramos. Não tem fim], diz Mercedes, suspirando enquanto a Hannah enterra a cabeça nas mãos.

Isso mesmo. Dado o momento, o Rei August teria sido quem estava no poder durante a guerra com os chimäres. Mercedes começa a se perguntar se esse rei idiota foi responsável por aquilo também.
Em comparação com os elfens, vogelen e chimäres, os vampiros possuem a maior força física. Mas talvez... eles sejam os mais burros entre as quatro espécies Falsch também.

| Mercedes | [Isso me lembra. Você sabe o que aconteceu com os pais do Max?]
| Hannah | [Oh, eles? Bem... Não é uma história bonita. Você ainda quer ouvir?]
| Mercedes | [Sim]
| Hannah | [É, típica Mercy. Bem, de qualquer forma... eles estavam dentro do labirinto. Ou melhor, os cadáveres deles estavam. Havia um homem deitado bem ao lado da Zabine. Ele provavelmente era o pai do Max]

Os pais desaparecidos do Max são finalmente encontrados em segurança — bem, não exatamente 『em segurança』, mas enfim. Tanto a Zabine quanto o homem que provavelmente era o pai do Max haviam sido armazenados dentro do labirinto. O próprio Max parecia saber muito pouco sobre seus pais, o que significa que eles provavelmente morreram quando ele ainda era um bebê.

| Mercedes | [Presumo que o Basil os matou assim que o Max nasceu?]
| Hannah | [Provavelmente. Não sei se foram envenenados ou se apenas foram incapazes de se defender graças às infalíveis táticas de reféns do Basil, mas... não deve ter sido nada muito agradável], diz a Hannah, suspirando enquanto descarrega sua raiva em uma parede próxima. O golpe deixa um amassado, fazendo-a praguejar baixinho.
| Mercedes | [É impressionante como alguém tão insignificante quanto ele foi capaz de agitar tanto as coisas]
| Hannah | [É assim que costuma acontecer. Até as grandes guerras geralmente começam por algo trivial. A maioria dos eventos em grande escala se resume a um único idiota agindo fora da linha, olhando para trás]
Enquanto caminham pelos corredores, Mercedes decide perguntar sobre outra coisa que estava em sua mente. [O que você vai fazer com o Max Fecht agora?]
| Hannah | [Sua Alteza é totalmente contra aplicar a pena de morte a ele, então ele provavelmente apenas será deixado aqui nos calabouços do castelo. Ele poderia ter seu título revogado e ser banido também, mas deixar um herdeiro de labirinto vagando livremente não é a ideia mais brilhante. Até a família real permite apenas que um único herdeiro nasça, e esse garoto é um traidor para completar. Quero dizer... não vai ser uma vida bonita, mas na melhor das hipóteses, ele será condenado à prisão perpétua]

O futuro do Max é sombrio. Suas duas escolhas são a morte ou viver como um homem morto. E isso apesar do fato de que ele próprio não tem culpa. Seu avô foi assassinado e seus pais foram mortos. Basil é tudo o que lhe restava, e se apegar a ele era sua única escolha. Se o Max tivesse percebido as intenções do Basil e bajulado a família real, talvez seu destino tivesse sido diferente. Mas seria injusto esperar isso de uma criança a quem não foram ensinados julgamento ou conhecimento.
Max é apenas um garoto. Sua educação distorcida incutiu uma altivez em seus pensamentos e palavras, mas ele sinceramente se preocupava com os súditos de Orcus da única maneira que sabia. Se ninguém tivesse adulterado seu destino, ele teria se tornado um excelente lorde local e nobre.
Oh, então é por isso que a Sieglinde foi tão contra a sua execução. Qualquer um que conhecesse o passado do Max Fecht percebe que ele é cem por cento uma vítima. Mas, independentemente disso, seu sangue, os crimes do Basil e a vontade do povo não lhe permitiriam paz.

| Hannah | [A questão real é por quanto tempo Sua Alteza conseguirá se opor à execução dele sem perder a confiança do povo]
| Mercedes | [Insistir na prisão dele provavelmente vai parecer bem para ela, no entanto]
| Hannah | [Sim]

Diante de uma plateia, Sieglinde protegeu o Max da Mercedes, ganhando a impressão de uma princesa misericordiosa. Ao insistir que o Max seja punido com prisão perpétua, ela poderia reforçar sua boa imagem, já que o povo pensaria: 『Oh, quão gentil ela é por salvar a vida de um garoto que se voltou contra ela』.
No entanto, se a Sieglinde forçar a barra demais e se opuser à prisão também, isso poderia ter o efeito oposto. Ela não seria uma princesa misericordiosa, mas sim uma ingênua.

| Hannah | [Então, eu odeio te pedir isso, Mercy, mas você poderia fazer algo por mim?]

Assim surge o pedido irracional da Hannah.
Mercedes solta um grande suspiro, vira-se para sua tia que está implorando de forma adorável e dá um tapa na cabeça dela.


***



O destino do Max Fecht foi decidido de forma incomumente rápida. Primeiro, realizaram um julgamento encenado no qual ele foi imediatamente considerado culpado, o que era natural, dado que todos os que observaram a batalha serviram como testemunhas contra ele. Sua única salvação foi que sua execução foi adiada por sete dias graças à clemência da princesa.
O garoto solitário não recebeu salvação. Em sete dias, ele foi decapitado diante do público, trazendo este incidente a um encerramento completo. Eventualmente, a memória do garoto lamentável desaparecerá da consciência pública.

Pelo menos, essa é a história pública.

Na realidade, o garoto que foi executado para todos verem tinha sido um sósia. Claro, não havia fanáticos dispostos a serem mortos no lugar de um traidor, mas isso apenas significa que precisavam criar um. Felizmente, os labirintos são capazes do impossível.

| Hannah |Quero que você puna o Max severamente o suficiente para agradar o povo, mas que ainda satisfaça a Sieglinde』, esse tinha sido o pedido irracional da Hannah e, imediatamente, Mercedes teve a ideia de criar um sósia, exatamente como fez com a Beatrix. Esta era uma cópia destinada unicamente à execução, então não precisava da habilidade de pensar. Consequentemente, Mercedes pressionou a Zwölf a criar uma cópia com um cérebro menor do que o original. Ela temia que isso pudesse ser impossível, mas aparentemente exigiu apenas que as partes copiadas sejam fabricadas com intenção, permitindo uma certa margem de manobra.

Segundo a Zwölf, 『Muito poucos pediram por isso antes』, o que faz sentido.

Mas graças a isso, Mercedes aprendeu que é possível criar intencionalmente novas espécies de monstros ao inibir ligeiramente suas funções e habilidades, o que a ajudaria a economizar pontos de labirinto. Talvez valha a pena criar orcs que estejam sem seus órgãos sexuais.

... Espere. Esses já existem.

Assim, a boneca de carne sem alma tomou o lugar do Max, permitindo que o garoto vivesse.

Aliás, Mercedes não podia revelar os funcionamentos internos de seu labirinto para a Sieglinde, então, em vez disso, disse à princesa: [Encontrei um bandido idêntico e o usei no lugar].

Max foi colocado dentro do labirinto da Mercedes para ser educado pelo Benkei e o Shufu, que não tinham muito o que fazer ultimamente. Se eles desfizerem a lavagem cerebral do Basil, talvez o Max volte a ver a luz do dia novamente.

| Mercedes | [De qualquer forma, você estará morando aqui a partir de agora], Mercedes construiu uma nova casa dentro do Labirinto Stark para servir como o novo lar do Max e da Julia. Ela também designou um goblin para ser o mordomo deles, para que vivam vidas livres de privações.

Quanto ao porquê da Julia estar aqui... isso é porque a Hannah não sabia o que fazer com ela. Ela não havia cometido crimes merecedores de pena de morte, mas deixá-la caminhar livremente seria perigoso. Além disso, havia uma chance de ela escapar de suas correntes e, considerando sua habilidade, não havia como saber o que ela poderia fazer caso isso acontecesse. Assim, Hannah ficou perplexa e, sabendo disso, Mercedes se voluntariou para o trabalho. Julia não consegue escapar do labirinto da Mercedes sem a permissão da mestra, tornando-o a instalação de isolamento perfeita.
Mas é claro que a Mercedes não acolheu a Julia pela bondade de seu coração. Embora as faculdades mentais da Julia sejam um caso perdido, suas artes marciais e habilidades mágicas podem se provar úteis. Portanto, Mercedes decidiu levá-la sob sua asa.
Por enquanto, ela designou o Benkei como seu professor. Assim que aquela cabeça vazia dela for preenchida um pouco, ela provavelmente pode se tornar útil.
Também, não que importe particularmente, mas a Beatrix havia construído um casarão dentro de seu antigo labirinto — para simplificar, vamos chamá-lo de Labirinto do Império — e está se isolando lá.

| Max | [E-Então você era uma herdeira de labirinto...], comentou Max, claramente chocado ao descobrir que a Mercedes possui um labirinto.

Ainda assim, Mercedes não tinha obrigação de se explicar, então simplesmente o ignorou. Ensinar-lhe, não ensinar-lhe, ou o que quer que seja, a primeira ordem de negócios deles é incutir algum bom senso no Max.

| Mercedes | [Se precisar de alguma coisa, fale com o Benkei. Ele me avisará. Não posso prometer que vou conseguir para você, mas vou satisfazer seus pedidos até certo ponto], disse Mercedes. Com isso, ela saiu do labirinto. Dizer qualquer coisa a mais provavelmente deixaria o Max desconfiado, e ela presume que ele precisa de algum tempo para se ambientar.

Agora que este episódio está acabado, é um pouco decepcionante. Ainda assim, elas haviam descoberto os segredos do nascimento do Felix, e ele agora tem um labirinto. Mercedes decidiu considerar isso uma vitória.


***



Durante os meses seguintes, Orcus esteve em paz. Não houve conflitos ou distúrbios, o que permitiu que a Mercedes focasse em seus estudos.
Em retrospecto, esta nação esteve cheia de barris de pólvora prontos para explodir. Sua jornada fez alguns desvios e rodeios, mas agora a Mercedes finalmente obteve o ambiente que desejava. As facções da academia também a ignoravam completamente e, em vez disso, lutavam entre si, algo pelo qual a Mercedes estava bastante agradecida.
Ela ouviu da Hannah que a Monika estava construindo uma Facção Mercedes, mas decidiu não pensar nisso.

Mas em meio a esses dias pacíficos, surgiu um que deixou a classe da Mercedes com os nervos à flor da pele. Um grupo de estudantes conversava entusiasticamente entre si, parecendo bastante inquieto. Mercedes se perguntou o que havia inspirado isso, e suas perguntas foram respondidas assim que o Gustav entrou na sala de aula.

| Gustav | [Antes que a aula comece, tenho algo a discutir com todos vocês. Como alguns de vocês já devem saber, um novo labirinto apareceu recentemente perto de Orcus]

Surpreendentemente, a fonte do fervor deles era um novo labirinto. Como filhos de ricos e poderosos, eles provavelmente haviam ouvido a notícia antecipadamente de seus pais. Embora esta seja a primeira vez que a Mercedes estava sabendo disso, seu pai não é do tipo que a informa de coisas que ela logo virá a saber de qualquer maneira.
Hannah estava sentada ao lado da Mercedes, mas não parecia nem um pouco animada. Ela já devia estar ciente.

| Gustav | [No entanto, o labirinto está localizado perto de Lumière e não dentro de nenhuma de nossas fronteiras. Portanto, o labirinto não está sob o controle de nenhuma das nações, tornando-o aberto a todos]

Mercedes puxou o nome 『Lumière』 dos anais de sua memória enquanto escutava a explicação do Gustav. Se está se lembrando corretamente, é a nação elfe mais próxima. Mas, apesar desse fato, ainda é bastante distante; é simplesmente o país elfe mais próximo, e este novo labirinto apenas por acaso surgiu entre ele e Orcus.
Quando um labirinto aparece dentro das fronteiras de um país, como aconteceu com o Labirinto Stark, ele será oficialmente considerado como pertencente a essa nação. Mas desta vez, nenhuma nação está no comando. Falsch de qualquer nacionalidade podem entrar, e qualquer um pode conquistá-lo. É uma corrida até a linha de chegada.

| Gustav | [Então, um assentamento internacional foi estabelecido por perto, e os esforços para conquistá-lo já começaram. A Guilda dos Caçadores planeja abrir uma filial lá em breve]

Por um momento, Mercedes questionou se seria realmente correto estabelecer uma força conjunta entre vampiros e os elfens, mas as duas raças não estão realmente em maus termos. Dada a guerra entre as duas, muitos chimäres ainda consideram os vampiros inimigos, e corre o boato de que estão secretamente se preparando para reiniciar as hostilidades. No entanto, não há tais boatos sobre os elfens. E embora o Basil tivesse causado uma comoção, ainda há a chance de ele estar agindo sozinho ou com uma força pequena, então isso também não pode ser levado em consideração. No mínimo, os elfens haviam alegado que não sabiam nada do Basil Salmon.

| Gustav | [Isso me traz ao cerne desta discussão. Foi decidido que um grupo de voluntários da academia se juntará à expedição]

Murmúrios preencheram a sala de aula, o que é natural. Até mesmo os nobres desta terra sonham com as riquezas que se pode obter dentro dos labirintos, exatamente como qualquer um. Adicionalmente, uma parcela dos colegas da Mercedes provavelmente ouviu a verdade de seus pais — o que verdadeiramente vêm com a conquista de um labirinto. Aqueles que obtêm um labirinto obtêm uma nação, uma bênção que qualquer um acolheria.
Claro, embora a Princesa Sieglinde não possa ascender ao trono ela mesma, já está noiva do Felix. Ainda assim, um conquistador de labirinto provavelmente seria priorizado em relação a um herdeiro, significando que qualquer um que conseguir se tornar um conquistador pode chutar o Felix para o meio-fio e pegar a princesa para si. Isso inspirou os garotos. Haveria algum homem por aí que não desejaria tanto labirintos quanto melões? Provavelmente não.

| Gustav | [Naturalmente, aqueles que não sabem falar elfe estão desclassificados. Se você não consegue se comunicar com eles, você é inútil]

Dada a expressão no rosto de metade dos garotos, você pensaria que eles estavam assistindo ao fim do mundo. Aparentemente, eles não sabem elfe, o que não é surpreendente, considerando que a aula não é obrigatória.

| Gustav | [Vou entregar os formulários de inscrição a todos vocês. Aqueles que desejarem participar devem preenchê-lo e entregá-lo para mim após a aula. Com isso, estaremos agora começando nossas lições de hoje], após isso, os formulários de inscrição foram passados pela sala de aula.

Então, o que fazer? Mercedes girou a caneta entre os dedos, mas seus pensamentos já haviam se voltado para este novo e distante labirinto.




Convite Discord
Achou um erro? Reporte agora
Comentários

Comentários

Mostrar Comentários