Capítulo 6 – A Importância dos Recursos Humanos




EU QUERO AUMENTAR NOSSA POPULAÇÃO E RECRUTAR algumas pessoas que possam gerenciar tudo no meu lugar, mas as coisas nunca saem bem do jeito que a gente quer. Ir até as cidades e vilas vizinhas é uma opção, mas isso significaria arrumar briga com os nobres encarregados daquelas cidades e vilas. O que eu deveria fazer?

| Van | [Talvez eu peça ajuda à Companhia Bell e Rango], eu sussurro.
Esparda acena positivamente. [Acredito que isso seria o melhor]
Acho que eu estava com a resposta certa! Que alívio. [Heh heh. Vamos fazê-los ir para a capital e outras cidades grandes primeiro. Eles podem recrutar pessoas que estejam procurando ganhar dinheiro, e posso definir o pagamento delas mais alto do que a média na capital. Haverá todo tipo de emprego disponível, então podemos atingir uma ampla variedade de pessoas! Também podemos acionar a Guilda dos Aventureiros com missões de escolta e exploração de masmorras ao mesmo tempo. Eles vão ficar tipo, 『whoa, a Vila Seatoh com certeza é próspera e incrível!』. Se conseguirmos contratar uma equipe cara de mercenários, eles basicamente servirão como propaganda!]

Agora, Esparda! esbanje em mim os elogios que mereço!

Em vez disso, Esparda olha de volta para mim com uma expressão reservada. [A Companhia Bell e Rango já está recrutando e fazendo propaganda para nós na capital e no território da Casa Fertio. Eu já enviei solicitações para a Guilda dos Aventureiros também. Tudo isso estava no relatório que lhe entreguei—]
Interrompo apressadamente. [Ah, eu li! Eu com certeza li! Eu sabia disso!], se eu não fingisse para escapar dessa, teria o inferno guardado para mim: o dobro da quantidade habitual de estudos. Elegantemente, limpo o suor frio da minha testa e lanço ao Esparda um sorriso cínico. [Eu já sabia de tudo isso. Estou falando de impulsionar a propaganda em outras cidades grandes! Também estava pensando em fazer a Companhia Bell e Rango comprar mais alguns escravos para nós. Temos muitos empregos aqui para pessoas trabalhadoras]
Por um longo momento, Esparda me avalia com os olhos estreitados. Desvio o olhar e respiro fundo. Finalmente, ele diz: [Tudo bem. Nesse caso, devo enviar-lhes a ordem. Qual é o seu orçamento para isso?]

Lá está. Ele estava tentando me pegar em uma mentira. Meu bem treinado Radar Esparda está gritando comigo. Se eu tivesse lido o relatório, poderia dar-lhe uma resposta adequada com base em quanto dinheiro temos... mas, francamente, eu não tenho a menor ideia de como está a nossa situação financeira. Como eu saberia? Estive ocupado marchando para as linhas de frente, reconstruindo cidades-fortalezas, consertando redutos, todo tipo de coisa!
Mas o Esparda jamais aceitaria isso como desculpa. Não esse demônio dos estudos.

| Van | [Deixe-me ver... Da última vez, custou algo como três moedas de platina para comprar 150 escravos jovens e saudáveis, certo? Nesse caso, vamos aumentar nosso orçamento para dez moedas de platina]
Pronto! Esquivei-me de qualquer referência direta ao relatório, mas também lhe apresentei um número concreto. Esparda ergue uma única sobrancelha e fica estático, mas após vários segundos de silêncio, ele responde: [Entendo. Dada a fortuna atual da Vila Seatoh, seria seguro gastar o triplo dessa quantia. Por que dez moedas de platina?]
| Van | [Bem, se mudarmos uma tonelada de pessoas para cá de uma vez, será muita coisa para lidar em termos de alojamento e alimentação, sem mencionar a educação], eu digo, tentando soar como alguém que já vinha pensando nisso há algum tempo. [E se comprarmos escravos demais de uma só vez, as pessoas vão ter uma ideia errada sobre mim, além de que o mercado vai sofrer. Acho que deveríamos comprar alguns de cada vez]
A expressão do Esparda relaxa minimamente. [Hmm... Isso faz sentido. Parece que o senhor dedicou muita atenção a isso. Não diria mais nada a respeito. Sobre a petição para mais equipamentos para as Ordens de Cavalaria, no entanto...]

Leva mais duas horas até que eu finalmente consiga fugir do casarão. Enquanto caminho pela vila, curvo as costas e suspiro. [Estou mortinho]
Till e Arte sorriem para mim. Till diz: [Excelente trabalho]
| Arte | [Pessoalmente], aventura-se Arte, [acho incrível o quanto você está gerenciando. Eu só entendi cerca de metade do que o Senhor Esparda disse]

Lanço às garotas um sorriso ambíguo. Dada a idade da Arte, é impressionante que ela tenha entendido tanto da conversa, mas ela poderia interpretar mal se eu dissesse isso em voz alta, especialmente porque sou mais novo do que ela. Em vez disso, dou uma olhada ao redor da vila.
Seguindo o conselho do Esparda de um tempo atrás, cerquei uma área bem ampla com a muralha, o que significa que atualmente temos uma tonelada de espaço aberto na vila. Mas, no contexto dos nossos planos futuros, mal temos terreno suficiente para acomodar todas as pessoas que queremos trazer. Como sempre, Esparda está um passo à frente. Isso que é sabedoria.

Enquanto caminho, converso comigo mesmo sobre minha visão para a Vila Seatoh. [Eu ainda quero mais restaurantes, lojas de roupas e outras lojas de mercadorias diversas nesta rua. Também adoraria ter um mercado aberto com barracas. Podemos estabelecer alguns ferreiros perto da forja dos anões, e depois precisaremos de carpinteiros, unidades de armazenamento para os negócios... Oh, e um distrito residencial chique e um parque. Hmm, o que mais precisamos?]

Já passamos há muito do ponto em que poderíamos razoavelmente descrever este lugar como uma vila, mas dado o tempo que estamos fazendo isso, estou comprometido com o nome até o fim.

Arte, ouvindo meu monólogo, ergue uma mão. [Não precisamos de um hospital?]
| Van | [Oh, eu esqueci disso. Nós com certeza precisamos], sorrio para ela.
Till ergue a mão em seguida. [Eu gostaria de uma biblioteca!]
| Van | [Entendo, entendo. E quanto à educação? Provavelmente precisamos de escolas, não é? Poderíamos nos virar ensinando apenas leitura, escrita e aritmética básica? As pessoas não serão capazes de ler livros sem essas habilidades]
| Till | [Espere, o senhor quer ensinar os plebeus também?], pergunta Till.
| Van | [Gostaria que todos tivessem uma educação]

Arte inclina a cabeça em confusão, e a Till e o Khamsin trocam olhares. Aparentemente, isso não é uma prática padrão. Em Scuderia, a nobreza contrata tutores, enquanto as pessoas de classe média, como cavaleiros ou mercadores, enviam seus filhos para serem educados em cursinhos. Sob esse sistema, apenas os nascidos em lares prósperos conseguem receber educação. Todos os outros têm uma relação fundamentalmente diferente com o dinheiro e regularmente lidam com despesas altas, tornando comum que os nascidos na pobreza não recebam educação alguma.
Há exceções a isso, obviamente. Por exemplo, alguém poderia se tornar um mercador em treinamento, o que lhe daria a oportunidade de receber educação. Mas esse tipo de coisa é relativamente incomum. Suponho que até mesmo a Terra tem nações inteiras com baixas taxas de alfabetização, então não deveria ser tão surpreendente; apenas locais com meios financeiros conseguem fornecer educação para todos, e neste mundo, isso parece especialmente verdadeiro.
Dito isso, quanto mais inteligentes forem os seus cidadãos, mais fácil será desenvolver o seu território.

| Van | [Tenho que encontrar pessoas que possam ser professores], eu murmuro enquanto construo o mínimo necessário de novas moradias familiares e alojamentos coletivos para solteiros. [Mas nós simplesmente não temos braços suficientes nem na Vila Seatoh nem na Vila Espa. Acho que minha única opção é escolher pessoas do novo grupo de imigrantes]
Soando um pouco confusa, Arte diz: [Um, Lorde Van?]
| Van | [O que foi?], eu me viro e ela aponta para uma das casas que acabei de terminar.
| Arte | [É impressão minha ou você ficou muito rápido em construir casas? Especialmente depois de todo o trabalho de construção que você tem feito?]
| Van | [Huh?], lanço um rápido olhar ao redor. Ela está certa; passou-se apenas uma hora, e eu já construí um monte de casas. Não estou apenas ficando mais rápido em criar armas, mas também em fazer edifícios. Olho para a Till e o Khamsin, que exibem expressões de fascínio. [Quando você é capaz de bolar planos e focar nos detalhes na sua cabeça, acho que o processo de criação fica mais rápido. Isso explicaria por que fiquei tão bom em construir edifícios. Quando eu estava fazendo a Cidade-Fortaleza Murcia, as muralhas ainda levaram bastante tempo, então talvez eu apenas não seja tão bom em imaginar os detalhes para esse tipo de coisa. Não ainda, de qualquer forma]

Ainda estou processando tudo na minha cabeça, então minha explicação é vaga, mas meus companheiros ainda acenam positivamente.

| Arte | [Bem, normalmente levaria anos para construir uma cidade ou um castelo inteiro], aponta Arte.
Till diz: [Lorde Van, se o senhor continuar se forçando demais, Sua Majestade vai impor mais trabalho para cima do senhor...]
| Khamsin | [O senhor é incrível, Lorde Van!], diz Khamsin.

Três pessoas, três respostas diferentes, e o único elogio aberto veio do Khamsin. Till tem um ponto, no entanto; ficar se destacando não é uma boa ideia.

Continuo arquitetando na minha cabeça. Como devo lidar com tudo isso daqui para frente? [Parece que minha imaginação é a chave para tudo isso], eu digo baixinho. [O quão detalhista consigo ser, você sabe? Aposto que se eu passar muito tempo sem construir algo, minha velocidade de produção vai diminuir. Seria do meu interesse continuar fazendo as coisas proativamente...]

O próximo problema: como posso aumentar nossa população? Isso ditará a velocidade com que derrubaremos Yelenetta, afinal.



Jard


QUANDO COMPLETOU DEZESSETE ANOS DE IDADE, JARD retornou para casa. É sua primeira visita ao casarão da Casa Fertio em um ano. Três meses após o Van ser exilado para uma vila fronteiriça, com boatos se espalhando sobre ele enviar seu filho mais novo embora, o Marquês Fertio enviou o Jard e o Sesto para grandes cidades para aprenderem a governar. Fazer com que seus segundo e terceiro filhos trabalhassem como governadores de cidades e educar seu primogênito para prepará-lo como seu sucessor são estratégias para fazer parecer que todos estão sendo estritamente educados, não apenas o Van. O marquês esperava evitar quaisquer boatos maldosos.
Jard, no entanto, está em pânico. Para um membro da nobreza, completar dezessete anos é um marco crítico, e no entanto aqui está ele, um governador em uma cidade qualquer. Ele é um candidato para se tornar o chefe da família e tanto ele quanto o Sesto possuem magia de fogo, tornando-os influentes até mesmo entre seus irmãos. Então por que ele está preso governando uma cidade em vez de receber treinamento para ser o próximo chefe da família?
Considerando a frequência com que o Jalpa é enviado para a guerra, não há como saber quando ele pode cair em batalha. É precisamente por isso que a candidatura para seu sucessor é tão importante, ou assim o Jard pensou.
Jard governa uma cidade na extremidade sul do território da Casa Fertio, na direção oposta da Vila Seatoh do Van. Ele ouviu relatos do Van se tornando um barão e indo para a batalha com Yelenetta, e vê isso como uma grande oportunidade. Quando o chefe da casa lhe envia uma convocação urgente para retornar para casa, parece a chance perfeita para mostrar sua verdadeira força como candidato a sucessor do Jalpa.

Transbordando alegria, ele corre para casa e se posiciona diante do Jalpa, erguendo a cabeça para se anunciar. [Pai! Seu filho, Jard Gai Fertio, retornou!]
Jalpa acena positivamente, impassível. [Como foi a sensação de governar uma cidade?]
A expressão do Jard tornou-se séria. [Sinto que aprendi como um lorde deve governar sua cidade: como lucrar e como desenvolvê-la. Foi de modo a solidificar ainda mais nossa casa, estou preparado agora para testar minha força no campo de batalha]

Estreitando os olhos, Jalpa encara seu filho de cima a baixo, como se estivesse escrutinando cada centímetro dele. Ele havia atribuído assessores experientes para o Jard e o Sesto e sabe que ambos os seus filhos passaram o ano aprendendo com eles. Ele também sabe que os municípios para as quais enviou seus filhos são prósperos e pacíficos. Desde que tratassem o trabalho com seriedade, teriam sido capazes de produzir resultados; era uma tarefa fácil.
De acordo com os relatórios dos assessores, Jard e Sesto simplesmente executaram seus deveres como lordes. Apenas isso. Jalpa não é tolo a ponto de aceitar isso pelo valor aparente. Esses assessores estão relatando sobre dois jovens que podem tomar o lugar do Jalpa. Eles gostariam de se esquivar de avaliações negativas e exagerar quaisquer notícias positivas o máximo possível. No ano em que seus filhos estiveram fora, nenhuma das cidades em que trabalharam mudou significativamente, para melhor ou para pior, e os assessores relataram apenas que os jovens fizeram seus trabalhos como governadores.

A conclusão do Jalpa foi que seus filhos foram preguiçosos. Ele faz uma careta para o Jard, depois suspira levemente. [No ano em que você governou sua cidade, Van exterminou um grande dragão, tornou-se barão, desenvolveu sua vila transformando-a em uma cidade-fortaleza e produziu resultados no campo de batalha. Como irmão mais velho dele, você não se envergonha?]
Jard faz uma careta. [N-não. Suspeito que o Van recebeu ajuda do Conde Ferdinatto], é impossível para seu irmãozinho, que não tem nem nove anos de idade, realizar esses feitos com sua magia inútil. [Correm boatos de que a filha do Conde Ferdinatto agora vive no território do Van, e acho que é seguro dizer que meu irmãozinho se tornou um dos peões do conde. Ele se apoiou na ajuda do Conde Ferdinatto para matar o dragão e desenvolver seu território. Na posição dele, eu poderia fazer o mesmo, se não melhor]
Jalpa havia se sentido da mesma forma que seu filho no início, mas agora que viu a magia do Van em primeira mão, as suposições do Jard parecem pura ilusão. [Cesse com essa tolice. Sua Majestade visitou pessoalmente o território do Van e reconheceu suas realizações. Se o Conde Ferdinatto tivesse o dedo em qualquer parte disso, ele jamais teria sequer tentado enganar Sua Majestade. Além disso, derrubar um dragão normalmente exige reunir Ordens de Cavalaria totalmente equipadas de dois a três mil cavaleiros, sem mencionar uma equipe de magos elementais de primeira classe. Sua Majestade certamente teria notado o Conde Ferdinatto fazendo algo tão ousado]

Jard tenta responder, mas as palavras não vêm. Ele é pego de surpresa pelo fato de seu pai reconhecer as realizações do Van e luta para juntar as ideias. Será que seu pai o convocou apenas para repreendê-lo?

Mais uma vez, Jalpa suspira. [No mês passado, tomamos um dos bastiões críticos de Yelenetta], diz ele longamente. [Você ficou sabendo?]
| Jard | [S-sim! Eu não esperaria nada menos do senhor, pai]
Jalpa franze a testa. [Entendo. Pois bem, esse bastião agora está sendo gerenciado pelo Van]
Jard pisca os olhos algumas vezes, de olhos arregalados. Ele espreme suas próximas palavras de pânico através de uma mandíbula tensa. [Isso é impossível! O garoto não tem nem dez anos! Como ele poderia gerenciar um local estratégico como esse?!]
Jalpa acena positivamente e, em seguida, bufa. [Os homens que lutaram na batalha para tomar o bastião já retornaram para seus respectivos territórios, mas imagino que começarão a se preparar para a próxima batalha. A gentalha que permaneceu para auxiliar o Van era toda de viscondes para baixo. Infelizmente, fui incapaz de infiltrar qualquer ordem leal nas fileiras deles]
| Jard | [O que Sua Majestade está pensando, deixando um bastião para a nobreza de baixo escalão?], murmura Jard. Jalpa dá de ombros e balança a cabeça.
| Jalpa | [Tenho certeza de que Sua Majestade acredita que até mesmo a nobreza de baixo escalão pode defender a área por um mês ou dois. Mesmo que muitos deles caiam em batalha, não seria um grande golpe para as nossas defesas nacionais. Eu não pretendo deixar tudo isso transcorrer longe dos meus olhos, no entanto e, sendo assim, enviei o Murcia para auxiliar o Van]
A cabeça do Jard se ergue num estalo. [Entendo. Então, se algo acontecer, o irmão Murcia poderá assumir o comando, e seus sucessos serão creditados à nossa casa]
| Jalpa | [Precisamente. Mas não devemos esquecer que a Casa Fertio sempre demonstrou seu valor através da batalha. Suspeito que Sua Majestade vai surfar nessa onda de sucesso direto para dentro de Yelenetta, arrancando mais de suas terras, e é aí que nossa casa exibirá seu verdadeiro valor], ele fixa seus olhos no Jard. [É por isso que convoquei você e o Sesto]

Jalpa está mentindo. Na realidade, Sua Majestade havia ordenado que o Murcia cooperasse com o Van, mas o Jalpa fez parecer que o plano era dele. Jard não tem como saber disso, é claro, então aceita as palavras de seu pai pelo valor aparente, concluindo que tudo isso é um teste para ele como candidato a chefe da casa.

| Jard | [Eu entendo. Sesto e eu mostraremos a eles o verdadeiro poder da Casa Fertio], diz Jard, sorrindo ferozmente.



Jard


JARD RECEBE TRÊS MIL MEMBROS DA Ordem de Cavalaria da Casa Fertio. Conforme eles reúnem armas e mantimentos para a marcha, Sesto se junta a ele.

| Jard | [Sesto! Há quanto tempo!]
| Sesto | [Há quanto tempo, irmão]
Jard nota então que a expressão de seu irmão mais novo está sombria, sua voz bastante melancólica. [Aconteceu alguma coisa?]
Sesto franze a testa de forma lastimável e suspira. Parece ao Jard que ele cresceu um pouco, mas, corcunda como está, ele na verdade aparenta ser menor. Ele acena positivamente. [O pai me deu uma bronca. Disse que brinquei com meu dinheiro e que não consegui sequer manter minha cidade depois de duplicar os impostos municipais...]
| Jard | [Ha ha ha! Seu idiota, todos os negócios nos dão tratamento favorável porque somos a Casa Fertio! Se você der um banquete ou algo assim, qualquer quantidade de nobres de visconde para baixo virá até você com planos para ganhar dinheiro. Mas não adianta chorar pelo leite derramado], diz Jard, jogando um colete salva-vidas proverbial para seu irmão. [Apenas aumente sua receita tributária em mais cinquenta por cento e faça com que os mercadores procurem oportunidades lucrativas para você]

Na visão do Jard, Murcia é um rival poderoso na linha de sucessão, mas o Sesto está destinado a se tornar o braço direito do Jard. Ele valoriza seu irmão mais novo nesse sentido. Sesto é fraco para tentações, e sua natureza indecisa significa que ele nunca se tornará realmente um rival para o Jard.
Jard olha para o mapa que tem estendido sobre a mesa. Antes da chegada do Sesto, Jard havia realizado uma reunião de estratégia com os comandantes das respectivas Ordens de Cavalaria nesta mesmíssima sala. O objetivo principal da reunião era analisar a geografia e a força de combate do inimigo. Agora, no entanto, Jard aponta para o mapa como um guerreiro veterano.
| Jard | [Sesto, isto aqui é Scudet, e este é o bastião que tomamos do inimigo na última batalha. Há outro bastião na costa, mas não será fácil para eles nos atacarem de lá porque temos a vantagem geográfica. Mais importante, ao tomarmos esta fortaleza, invertemos as posições com eles; eles agora estão na defensiva]
Sesto acena positivamente de forma vaga diante disso, a pitada de conhecimento que o Jard detém. [Porque tomamos esta fortaleza?]
Jard solta uma risadinha diante da confusão de seu irmão. [Você não entende? Pense nisso a partir da perspectiva de Yelenetta. O que aconteceria se nos fosse permitido invadir ainda mais as terras deles?]
Ele coloca o dedo no mapa e o desliza horizontalmente. Seguindo essa ação com os olhos, Sesto então chega a uma rápida percepção. [Ah! Eles ficariam isolados. Em outras palavras, seriam forçados a se enclausurar enquanto os atacaríamos em pinça. Isso os deixaria incapazes de conseguir suprimentos, certo?]

Jard acena positivamente, satisfeito, agindo como um professor, embora ele próprio tenha aprendido esse fato apenas alguns minutos antes. [Precisamente. Em essência, se Yelenetta não tomar de volta este bastião, eles não serão capazes sequer de nos atacar. Por outro lado, podemos usar a fortaleza recém-adquirida para golpeá-los, mas se a deixarmos desocupada, Yelenetta enviará suas forças para tomá-la de volta. Afinal, há cidades inimigas e pontos de defesa localizados em três direções diferentes; seria fácil para eles se reabastecerem]
| Sesto | [Entendo agora... Então Yelenetta vai atacar de novo em breve?]
Jard sorri audaciosamente e cruza os braços. [Exatamente. É por isso que devemos estar preparados para a batalha a qualquer momento. Devemos garantir que as Ordens de Cavalaria que nos foram emprestadas tenham os melhores equipamentos e suprimentos. Também deveríamos suplementá-las com mercenários e aventureiros, se for de todo possível]
Sesto olha para baixo então, com uma expressão patética no rosto. [Ah, mas não me restou dinheiro nenhum. O que eu deveria fazer?], sussurra ele, com o rosto ficando pálido.
Jard dá um sorriso largo. [Não tema! Com as vitórias que estão diante de nós, você pode pegar emprestado tanto dinheiro quanto precisar! Pegue emprestado de uma companhia e prepare seus homens. Esta é a oportunidade perfeita para adicionar algumas realizações ao seu nome. Certamente você não deseja falhar por ter sido pão-duro?]
| Sesto | [C-certo, eu entendo], responde Sesto, acenando positivamente com confiança.

Uma batalha para obter território é uma excelente chance de adquirir conquistas militares. Qualquer nobre veria isso como uma oportunidade de subir nas patentes, e isso significa que o preço dos suprimentos e da contratação de mercenários vai disparar. Mercadorias e pessoal ficam tão difíceis de encontrar que mesmo ter o dinheiro disponível não garante que você consiga o que quer. A Casa Fertio é certamente rica e poderosa, mas independentemente de quantas companhias e grupos de mercenários emprestem seu apoio, uma quantia considerável de dinheiro ainda precisará ser gasta.
Apesar de tudo isso, Jard sente que a vitória está praticamente garantida, por isso não hesita em gastar o dinheiro. No fim, ele não apenas esvazia os próprios bolsos, mas também pega uma grande quantia de dinheiro emprestada para apoiar seu esforço de guerra.



Van


| Van | [HEEEEY! TENHO NOVOS ARCOS DE REPETIÇÃO PARA TODOS VOCÊS!]
| Khamsin | [Lorde Van!], chama Khamsin de volta. Ele está ruidosamente carregando arcos de repetição, flechas e virotes em uma das novas carroças de guerra. [Nós já temos o suficiente para todo mundo!]

Na parte de trás da carroça senta-se Van, fabricando novas armas, e Lowe, assistindo a isso acontecer. Lowe não sabe bem o que fazer com todas as novas armas. Está tudo um tanto caótico.
Perto dali, membros da Ordem de Cavalaria assistem a essa cena incomum com sorrisos penalizados enquanto examinam o novo armamento.

| Soldado | [O Lorde Van fez um novo tipo de arco de repetição], diz um membro.
| Soldado | [Cara, sinto pena do inimigo], comenta outro.

Eles riem entre si, mas seus olhos exibem a confiança que têm no Van. Toda a armadura deles já foi substituída por equipamentos de estilo híbrido feitos de blocos de madeira e mitril. Este novo equipamento é leve e flexível, ao mesmo tempo em que ostenta altas capacidades defensivas — e as seções mais vulneráveis são todas revestidas com mitril para completar.
Por causa de como funciona o processo de produção, todos os equipamentos antigos podem ser reaproveitados, então não há escassez de materiais. Essa também é a razão pela qual o Van é capaz de usar qualquer tempo livre que tenha para realizar experimentos e modificar designs preexistentes. Ele já anexou suspensão às carroças e substituiu todas as suas rodas por pneus feitos com os couros de monstros mais apropriados. A esta altura, estas são as carroças mais confortáveis do mundo.

Em outros lugares, as Ordens de Cavalaria caçam monstros, o que também serve como um excelente treinamento. Os cidadãos com tempo livre em mãos fazem alimentos preservados e ajudam a se preparar para a longa campanha militar que está por vir. Dessa forma, Van consegue se preparar para a guerra sem estourar o orçamento.

| Soldado | [Lorde Van, temos mais pessoas querendo se mudar para cá!], chama um vigia.
| Van | [Certo!], responde Van alegremente. [Em que condições eles estão? Se parecerem famintos, alimente-os primeiro e deixe-os tomar um banho!]
| Soldado | [Entendido!]

O vigia em questão acena positivamente como se isso acontecesse o tempo todo, depois retorna para os portões da frente. Na Vila Seatoh, imigrantes são uma ocorrência semanal e algo a que todos há muito tempo já se acostumaram.

Bem, exceto pelos mercadores viajantes, pelos ex-escravos recém-chegados e pelos aventureiros. [Esta realmente é uma vila tão estranha]
| Aventureiro | [Não é? Acho que nunca vi Ordens de Cavalaria ou nobres agirem de forma tão gentil com estrangeiros]
| Mercador | [Acho que o Lorde Van é apenas único]
Ouvindo essa conversa por acaso, Van se vira. [Único? Sinto que isso poderia ser um pouco enganoso...]

O lorde desta vila, um paraíso para seus cidadãos, não gosta de ser descrito como 『único』.




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