Capítulo 7 - Identidade Falsa
〔☆5〕 Antiga Hilith - Capital 『NÃO ENTULHEM O TÓPICO PRINCIPAL—POSTEM AQUI』
001: Alonson
Criei um tópico separado. A quantidade de especulação no tópico principal de Hilith estava ficando pesada, então achei melhor sairmos do caminho deles.
Links para outros tópicos:
》 Megatópico de Masmorras
》 『Antiga Hilith』 Megatópico de Estratégia de Masmorra 『Outros』
...
...
251: Orinkii
Entendi. Então vocês não vêm?
252: Mentai-list
Fomos completamente destruídos em Ellental, e aquilo era só uma de três estrelas. Não acho que estamos prontos ainda.
253: Elfa Anônima
O mesmo por aqui. Vamos nos limitar a Rokillean por enquanto. Vamos farmar um pouco antes de sequer pensar na capital. Se a gente não consegue limpar este lugar com conforto, não faz sentido ter pressa.
254: Country Pop
A masmorra de dificuldade variável, huh? Deve ser legal. Sorte a nossa que este jogo não funciona como um certo jogo antigo que escala seus inimigos pelo número de batalhas que você travou.
255: Duro e Não Descasca
Rokillean fica bem ao lado da capital, né? No pior dos cenários, se as coisas derem errado, a gente simplesmente muda o foco para lá. Eu topo.
≫240 Um irmão ainda consegue um convite?
256: Kuraaku
≫255 Com certeza
Com isso somos 26. Última chamada para quem mais quiser entrar na raid da capital. Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
257: Kuraaku
Dou-lhe três. A lista agora está fechada.
Primeira tentativa de masmorra, e estamos pulando direto para o coração do território da Calamidade. Mantenham suas expectativas sob controle. Permaneçam positivos mesmo se as coisas derem errado.
A Calamidade parece estar ausente por enquanto. Com sorte, continuará assim. Se não... bem, boa sorte.
258: Duro e Não Descasca
Por favor. Calamidade, de menos. Nós já a derrotamos uma vez, só estamos voltando para o segundo round.
259: Orinkii
≫258 ≫Diz que vai ser fácil, prepara um plano de contingência mesmo assim. KEK
260: Kuraaku
O horário do encontro é...
| Sieg | [Eles estão aqui, Vossa Majestade], diz Sieg.
| Leah | [Oh? Deixe-me ver, deixe-me ver]
Leah volta sua visão para o Ominous, voando bem alto acima da capital.
| Leah | [Um, dois, três... Vinte e seis, huh? Corresponde ao número no tópico. Acho que mais ninguém quis entrar na pequena cruzada deles]
Ainda assim, vinte e seis é um número quase absurdo de pessoas. E não quaisquer pessoas, mas vinte e seis dos melhores jogadores do jogo.
De acordo com outros tópicos do fórum, alguns já haviam tentado enfrentar masmorras de quatro estrelas. Os resultados foram medíocres na melhor das hipóteses, mesmo vindos de alguns dos grupos mais conhecidos do jogo. Eles terminaram em wipes completos ou em retiradas precoces, nada que alguém chamasse de sucesso.
Contra a barreira absoluta de insuperabilidade que é a masmorra de quatro estrelas, Leah supôs que essa é uma maneira de lidar com a situação — força bruta. Números esmagadores. Esqueça o tamanho usual de grupo de um único dígito, apenas atropele o lugar com dezenas de pessoas. Se o sistema não impõe um limite de tamanho de grupo para as masmorras, isso significa que o recurso está pronto para ser explorado.
Não que a Leah considere isso injusto. Se estivesse no lugar deles, faria o mesmo.
Se ela não fosse inteiramente antissocial, é claro.
Ela refletiu sobre como lidará com esse bando.
| Leah | [Eu poderia evitar encontrá-los na masmorra. Emboscá-los um por um, pegando-os exaustos após a travessia. Sim, isso é lógico], ela murmura. [É o que ganham por espalhar suas informações online para todos verem]
Mas não, ela não precisa depender de métodos tão dissimulados. Não mais. Não desde que tem amigos de confiança para fazer o trabalho por ela.
Leah tem uma transmissão ao vivo da ação através do Ominous, como sempre, mas desta vez ordenou que ele ficasse no alto — alto o suficiente para que ninguém no chão o avistasse. Uma coruja-das-torres na cidade chamaria a atenção. Como não será capaz de ouvir nada daquela altitude, ela usou o 【Invocar Visão】 em vez do sensorial completo 【Invocar Invocador: Espírito】. É uma pena, porque apesar de os devs insistirem que os monstros não são diferentes dos NPCs, os jogadores ainda agem de forma diferente perto deles. Um dos tiques mais engraçados deles é que falam suas estratégias em voz alta ao lutar contra eles, como se as criaturas não pudessem entender.
| Leah | [Eu estava ansiosa por isso, mas fazer o quê? Acho que vou apenas curtir isto como um filme mudo]
Ela se recostou, relaxou e assistiu enquanto a primeira invasão à Antiga Capital de Hilith começava.
Ao contrário das ruínas viçosas de Rokillean, da infinita e ondulante Planície de Tür ou do majestoso Grande Bosque de Lieb, a capital se destaca por um aspecto fundamental:
Ela tem muralhas grandes pra caramba.
Uma obra-prima de beleza funcional, as defesas da capital permanecem impecáveis e intactas — intocadas até mesmo pela invasão da Leah. Ela simplesmente gostou demais delas para permitir que sofressem qualquer dano.
Esse também é o motivo pelo qual ela deixou o portão principal aberto. Não como uma cortesia para o Grupo de Ataque que chega, mas porque não suportava a ideia de tamanha perfeição sofrer danos pelas tentativas deles de arrombar.
O Grupo de Ataque entrou pelo portão em uma fila única, avançando pelo bulevar principal com a curiosidade hesitante de turistas na cidade grande. Para a Leah, eles parecem menos guerreiros calejados e mais estudantes em uma 『excursão escolar』 de antigamente — lentos, cautelosos, com as cabeças girando para absorver a vista. É quase cativante.
De seu trono, ela inclinou a cabeça, assistindo com uma diversão preguiçosa. [Se as excursões servem para lançar os estudantes no desconhecido para expandir seus horizontes... bem, vocês não encontrarão professora melhor do que eu]
Como se seu pequeno monólogo presunçoso tivesse ativado o primeiro encontro (embora, na verdade, tenha sido apenas uma questão de tempo), zumbis começaram a avançar rapidamente para fora dos becos, prontos para atacar.
Mas com a largura do bulevar, chamar aquilo de emboscada era pura generosidade. Antes mesmo de os zumbis conseguirem chegar perto, um patrulheiro, que parece ser o batedor líder, os sentiu e colocou uma flecha no crânio de cada um. Um momento depois, a 〔Magia de Fogo〕 choveu, reduzindo os restos mortais a cinzas.
Leah cantarolou pensativa. [Talvez eu tenha que reconsiderar. Zumbis velhos e comuns sequer merecem um espaço em uma masmorra deste calibre?]
A maioria dos cidadãos da capital havia sido erguida como mortos-vivos uma hora após seu falecimento. Mesmo com o fato de não estarem decompostos (e, portanto, serem fortes) — zumbis ainda são zumbis. No fim das contas, até um iniciante conseguiria derrubar um se realmente se esforçasse.
| Leah | [Eles bem que podiam usar um upgrade, mas o que eu deveria fazer, ir pessoalmente por aí fazendo cada um Renascer um por um? Quem eu sou, a Blanc? Crédito seja dado a quem merece, mas vamos ser realistas — eu tenho muito mais cidadãos zumbis para gerenciar]
Em tom sério, se a capital ainda se qualifica como uma masmorra de quatro estrelas apesar da presença dos zumbis, então eles estão ali praticamente só para fazer figuração. e se há uma coisa que a Leah não tolera, é estarem ali apenas para fazer figuração.
| Leah | [Tudo bem, eu os farei Renascer. Ou, mais precisamente, farei o Sieg fazê-los Renascer]
| Sieg | [Huh?]
Oops. Leah esteve tão encantada assistindo ao progresso da raid que esqueceu que ele estava bem ali.
| Leah | [Nós não temos nada tão conveniente quanto sangue de vampiro, então acho que teremos que confiar em Pedras Filosofais], ela refletiu. [Bem, isso vai ser brutal. Pelo menos faça alguns Renascerem — misture algumas unidades mais fortes com as mais fracas. Depois que isto acabar, é claro]
Sieg quase soltou um suspiro. [Sim, Vossa Majestade]
Ela supôs que aquela seria a primeira e última vez que enviaria zumbis contra aquela equipe. Eles provavelmente não estão conseguindo nenhuma EXP real com eles de qualquer forma, e há muito tempo já não tinham utilidade para os seus drops. Para ambos os lados, era apenas uma perda de tempo gigantesca.
Os próximos contra p Grupo de Ataque foram um esquadrão de cavaleiros esqueletos. Estes fazem parte do contingente de mortos-vivos originalmente sob o comando do Sieg. Se esqueletos estão no mesmo patamar de zumbis, então cavaleiros devem estar um nível acima. Leah esperou para ver como eles se sairão.
Os cavaleiros se organizaram em fileiras disciplinadas, engajando o Grupo de Ataque com uma coordenação estreita e táticas bem ensaiadas...!
Mas não, foi a mesma história de antes. No momento em que colidiram com a linha de frente do Grupo, desmoronaram imediatamente.
Exceto por alguns, no caso?
Um punhado de esqueletos sobreviveu ao encontro inicial e conseguiu interromper o avanço do Grupo. Sob uma inspeção mais detalhada, não são cavaleiros esqueletos normais, mas sim Cavaleiros de Carpa, criaturas mágicas envoltas em armaduras forjadas a partir daquela liga superdura e magicamente reforçada.
Suas armaduras encantadas parecem ser mais duras do que as armas dos combatentes da linha de frente, forçando-os a clamar pelos conjuradores por suporte. O fogo choveu sobre os Cavaleiros de Carpa, mas, ainda assim, eles não caíram. Quando ficou claro que tinham alta resistência a fogo, os conjuradores imediatamente mudaram para a magia de gelo.
Isso fez a Leah parar para pensar. Por que mudar para a magia de gelo de todas as coisas contra mortos-vivos? Efeitos de frio mal afetam mortos-vivos — não há como eles não saberem disso. Será que apenas calcularam: Bem, o fogo não funcionou, então talvez o oposto funcione?
Qualquer que tenha sido o raciocínio deles, acabou funcionando a seu favor. Ela adoraria chamar isso de pura sorte, mas a verdade é que este é o contra-ataque perfeito para Cavaleiros de Carpa. Suas armaduras de carboneto são frágeis, vulneráveis a variações súbitas de temperatura. Ataques de fogo reduzem temporariamente a resistência deles ao frio, e ataques de frio fazem o mesmo para o fogo. Ao alternar entre os dois, o Grupo de Ataque involuntariamente estabeleceu as condições perfeitas para estilhaçá-los completamente. Sob a força pura do bombardeio de gelo do grupo, os Cavaleiros de Carpa foram dizimados até o esquecimento, deixando para trás nada além de alguns pedaços de metal espalhados pelo chão.
As coisas estão esquentando mais rápido do que a Leah esperava.
Aqueles pobres Cavaleiros de Carpa não mereciam esse nível de exagero de força. Será que esses jogadores estão realmente tão determinados a pôr um fim ao seu reinado? Ou será que a ineficácia inicial de suas armas de curto alcance os havia abalado tanto que sentiram a necessidade de dar tudo de si, mesmo tão cedo na masmorra?
Esquadrões de cavaleiros esqueletos e de Carpa continuaram a engajar o Grupo.
Cavaleiros de Carpa, por si só, não são fracos contra a 〔Magia de Gelo〕. Então, quando o segundo esquadrão entrou e o Grupo abriu com feitiços de gelo, assumindo que funcionaria como da última vez, isso praticamente confirmou a teoria de pura sorte da Leah. No entanto, aquela segunda tentativa foi tudo de que precisaram para decifrar o truque real. Em pouco tempo, eles estavam alternando ondas de fogo e gelo para explorar a maior fraqueza dos Cavaleiros de Carpa. Uma vez que decifraram o código, as lutas se tornaram fáceis até demais. Nesse ritmo, Leah não estaria dando ao Grupo de Ataque um desafio à altura do investimento deles, mas sim dando dinheiro de verdade na forma de EXP e saques.
| Leah | [Ter tantos conjuradores é uma ameaça maior do que eu esperava], Leah disse. [O fato de conseguirem alternar para cobrir o tempo de recarga uns dos outros é enorme. É como o fogo de saraivada nos tempos da guerra de mosquetes. Quem está liderando este grupo, Maurício de Nassau?]
Só então o verdadeiro perigo representado por um grupo tão grande e coordenado ficou claro para a Leah.
Até agora, cada batalha em grande escala que ela havia travado tinha sido de muitos contra um. Quando engajou o Grupo de Ataque na capital pela primeira vez, e quando a Sugaru derrubou aquele clã, o desequilíbrio de poder foi óbvio. Feitiços únicos mal importavam, e ela nem tinha certeza se os oponentes tinham tempo para lançar ataques coordenados em ondas. Mas agora, quando são combatentes de força semelhante se enfrentando, a vantagem pura dos números está se tornando impossível de ignorar.
São os conjuradores que se mostraram particularmente incômodos. Atacantes físicos e batedores ela consegue superar facilmente com equipamentos melhores, mas seria muito mais difícil compensar a maneira como os conjuradores, com seus números, e especialmente com sua nova compreensão da fraqueza dos Cavaleiros de Carpa, estão abrindo caminho por seus subordinados como faca quente na manteiga.
| Leah | [Bem, bem. Achei que eu seria a única a dar a lição, mas no fim das contas sou eu quem está sendo educada. Exatamente como com aquele clã, alguns jogadores trazem uma força que não pode ser quantificada por mera EXP. E esse tipo de força não tem preço, pois força a minha comitiva a crescer de maneiras que os atributos puros jamais conseguiriam]
Os conjuradores no grupo do clã tinham sido especialistas, cada um ajustado para maximizar a eficácia geral de combate do grupo de uma forma que a maioria das equipes não conseguia. Sugaru, com suas diversas criações de insetos, cada uma adequada para uma função específica, tem algo a aprender com a coordenação deles.
Estes conjuradores, por outro lado, são generalistas. Eles usam e confiam em sua versatilidade para compensar as fraquezas uns dos outros. Os soldados mais uniformes da legião de adamas têm algo a ganhar estudando a estratégia deles.
Duas abordagens diferentes, cada uma adequada a necessidades diferentes — e a Leah vê valor em ambas.
Enquanto isso, o Grupo de Ataque progrediu rapidamente, quase alcançando os portões do castelo real.
O castelo é onde todas as apostas estão canceladas quando se trata de dificuldade. Leah pode liberar o inferno dentro de seus salões para destruí-los. Mas há outra coisa que precisa acontecer antes que ela possa fazer isso: o Grupo de Ataque terá que romper as grandes e belas portas do castelo. E, mais uma vez, ela realmente não quer que chegue a esse ponto.
| Leah | [Talvez eu devesse enviar alguns Batedores Adamas — só alguns, para não afetar a dificuldade — e acabar com isto? Eles são furtivos, não têm nenhuma daquelas fraquezas gritantes como os Cavaleiros de Carpa. Por que perder tempo em um duelo de conjurador contra conjurador quando podemos apenas cortar algumas gargantas a partir das sombras? O que você acha, Sieg?]
| Sieg | [Se está oferecendo, eu aceito de bom grado], ele respondeu.
| Leah | [Sim, acho que vou fazer isso. Eles já tiveram o bastante por hoje e mais um pouco. Um pequeno bônus de primeira viagem, por assim dizer. Eu digo que já passou da hora de pedirmos para que façam o acerto de contas e voltem para casa]
Leah invoca um batalhão inteiro de Soldados Adamas de Lieb para o castelo. Como esta é a área do chefe, a presença deles não afetará a dificuldade ao redor. Sieg escolhe alguns Batedores Adamas para a missão, enviando-os à frente, enquanto o restante do batalhão permanece de prontidão.
Atendendo às ordens do Sieg, os Batedores Adamas deslizam pelas ruas da capital, esgueiram-se por trás da raid e decepam as cabeças de seus conjuradores.
Literalmente. Eles os atingiram direto no pescoço.
O pescoço é a fraqueza mais gritante de todas as raças humanoides. Qualquer golpe ali é um acerto crítico garantido. Embora, por sua obviedade e natureza facilmente explorável, seja também uma das fraquezas mais fáceis de se compensar. Armaduras, armas, equipamentos — há muitas maneiras de manter a cabeça firmemente presa aos ombros.
Então, como isso aconteceu?, você pode pensar. Como um grupo que chegou tão longe em território inimigo não foi mais cauteloso com a retaguarda?
Não foi inteiramente culpa deles. Essa falsa sensação de segurança vinha se formando desde o momento em que pisaram na capital. Cada ameaça que enfrentaram veio direto da frente ou, ocasionalmente, das laterais. Nem uma única vez por trás. Então eles se adaptaram, focando seus recursos para onde era necessário — até que deixou de ser.
Para realizar um ataque mínimo viável, Sieg enviou apenas um batedor para cada conjurador. Dessa forma, a ação pôde ser feita de uma só vez e sem afetar a classificação de dificuldade da masmorra. Eles entraram de mansinho, escolheram seus alvos e arrancaram suas cabeças como se estivessem colhendo repolhos. Um golpe limpo por conjurador, sem alvoroço, sem tempo para contra-ataque. A luta terminou antes mesmo que as vítimas percebessem que havia começado.
No momento em que a linha de frente e os batedores do Grupo registraram o que estava acontecendo, os Batedores Adamas já haviam sumido, desaparecendo nas sombras e nos becos. Quer seja porque realmente superavam os batedores inimigos em percepção ou porque o Grupo simplesmente foi treinada para olhar para o lado errado, não importa. O resultado é o mesmo. Eles escaparam sem deixar vestígios.
Sem seus conjuradores, o restante do Grupo de Ataque desmoronou como lenço de papel molhado.
Leah enviou outra onda de Cavaleiros de Carpa na direção deles. Exatamente como antes, as armas dos combatentes da linha de frente não conseguem sequer arranhar a armadura encantada dos Cavaleiros de Carpa. Mas, ao contrário de antes, o Grupo de Ataque não pode mais clamar por seus amigos manipuladores de magia para tirá-los do sufoco.
Percebendo a oportunidade, Leah deu uma nova diretriz aos Cavaleiros de Carpa: priorizar a destruição de seus equipamentos. Se tiverem a chance, ela quer que quebrem armas, estraçalhassem armaduras, enviando-os para a sepultura com nada mais do que as roupas do corpo.
Não foi exatamente uma jogada tática. Ela estava apenas curiosa.
Esses jogadores haviam se teletransportado até a capital. Se os equipamentos deles forem destruídos, o que vão fazer? Não há uma cidade amigável por quilômetros. Sem reabastecimento fácil, sem rede de segurança. Como eles vão se virar?
Nenhuma cidade amigável... Isso dá a Leah outra excelente ideia.
| Leah | [Eu já confirmei que os retentores de jogadores podem circular pelas Áreas Seguras sem restrições, com a única ressalva de que não podem tomar ações hostis contra os jogadores. Talvez... eu possa fazer alguém se infiltrar na Área Segura no ponto de teletransporte da capital e montar um pequeno assentamento para os jogadores usarem]
Uma cidade para atrair os jogadores para mais perto e atraí-los ainda mais para dentro da masmorra — é um estratagema perfeitamente diabólico. E ela já sabe exatamente quem quer para o trabalho: Kelli. Ou, mais precisamente, um dos retentores da Kelli — Gustaf.
Se a companhia comercial dele é importante o suficiente para ele mencionar o nome em sua apresentação a ela, então deve ser uma operação de tamanho considerável. Ele tem o currículo, a experiência para respaldar e, assumindo que possa delegar parte de suas responsabilidades em Lieflais para a família ou um subordinado, Leah definitivamente quer que ele supervisione o desenvolvimento dessa nova cidade.
Além disso, ela o havia transformado em nobre. Apenas de nome agora, mas se isso der certo, ele será um nobre de verdade, com propriedades e tudo.
Sieg interrompe sua linha de raciocínio. [O último invasor pereceu, minha rainha]
| Leah | [Oh? Pereceu, é? Obrigada pelo trabalho duro, Sieg]
Ocupada demais com seus planos para ter prestado qualquer atenção à parte final da luta, Leah encerra o 【Invocar Visão】 e volta seu foco para a sala do trono.
Esse encontro com os jogadores acabou sendo muito esclarecedor para a Leah. Ela tem certeza de que o Sieg fez muitas anotações também. Eles aprenderam em primeira mão quão devastadora a conjuração em fogo de saraivada pode ser quando um grupo tem conjuradores suficientes para executá-la. Isso é algo que merece o desenvolvimento de um contra-ataque.
| Leah | [Mas... como podemos fazer isso sem arruinar a dificuldade que planejei com tanto esmero?], Leah murmura para si mesma. [Fortalecer os Cavaleiros de Carpa está fora de cogitação. Então, ou continuamos com o esquadrão de assassinato ou... talvez usemos itens ou algo assim]
Para os itens, ela pode consultar a Lemmy. Não apenas a Lemmy tem suas próprias habilidades e conhecimentos, mas sua rede de retentores está cheia de artesãos e profissionais de criação. Se há um tipo de sabedoria que realmente a ajudaria a encontrar a ferramenta certa para o trabalho, é a sabedoria dos NPCs.
| Leah | [Sim, acho que esse é o caminho a seguir], Leah reflete. [Os Cavaleiros de Carpa não devem ser indestrutíveis de qualquer forma. Eles são a cenoura na ponta da vara para manter os grupos engajados. O único problema é... que tive que entregar cenouras demais desta vez]
Ela supõe que isso não seja um problema que os números não possam resolver, no entanto. Exatamente como os jogadores tentaram forçar a capital através de números puros, Leah pode fazer exatamente o mesmo de volta com eles.
| Leah | [O único problema seria se múltiplos grupos de mais de uma dezena de jogadores aparecessem de uma vez. Mas quão provável é isso, na verdade? Por garantia — Sieg, na remota chance de isso acontecer, chame a Sugaru imediatamente. Nós esqueceremos o equilíbrio de dificuldade e focamos apenas em eliminar os jogadores]
A Sugaru já tem um retentor posicionado na sala do trono para fins de 【Invocar: Invocador】 e havia trocado cartões de amigo com o Sieg. Se ele precisar dela, não levará mais do que um momento para trazê-la.
Apenas um pequeno seguro, caso as coisas fiquem realmente feias.
Após a incursão inaugural na capital, Leah instrui a Kelli e a Lemmy sobre suas respectivas tarefas e, em seguida, abre o fórum para ver como o Grupo de Ataque está reagindo.
Aparentemente, eles consideraram a Ataque um sucesso.
O principal motivo sendo os drops de metal que conseguiram recuperar dos Cavaleiros de Carpa derrotados. Eles citam a quase invencibilidade da armadura usada por uma 『variante muito forte de mortos-vivos』 — os Cavaleiros de Carpa — e como até suas facas de aço não conseguiam sequer arranhar os pedaços de metal que caíram como sinais de que haviam se deparado com um metal muito raro e muito poderoso.
Bem, se eles viram isso como um sucesso, então posso esperar mais grupos em nível de Ataque vindo na minha direção no futuro, Leah pensa. E, da próxima vez, os Grupos de Ataque serão ainda mais fortes — aprimorados com equipamentos novinhos em folha forjados a partir da liga superdura que saquearam hoje.
| Leah | [Sinto um pouco de pena dos outros mestres de masmorra, mas fazer o quê? O power creep é inevitável. Claro, eu vou trabalhar para ajudá-los o máximo que puder]
Por 『ajudá-los』, ela logicamente quer dizer assumir o controle de seus domínios e transformá-los em seus ranchos pessoais de EXP.
Ela estaria fazendo um favor a eles, na verdade. Se não conseguirem acompanhar o crescimento implacável da base de jogadores, os subordinados da Leah tirarão o fardo de suas mãos e vão administrar as masmorras por eles.
Enquanto rola a tela pelo tópico do fórum, ela de repente se lembra daquela expressão boquiaberta que os jogadores na Guilda de Mercenários tinham enquanto faziam exatamente a mesma coisa. Quase por instinto, ela se ajusta.
Ela sempre foi cuidadosa sobre como se apresenta no jogo. Ela mantém os olhos fechados, então talvez isso já arruine a ilusão, mas a única maneira de parecer totalmente ridículo seria se deixasse a boca aberta também. Mas isso não vai acontecer. Isso foi incutido nela, assim como todo o resto.
Ela ainda consegue visualizar a cena — sua mãe, de pé diante dela e de sua irmã, com aquela naginata de madeira na mão. Alinhando as duas. Então o golpe, agudo e preciso nas costas de suas mãos. Nunca forte o suficiente para deixar uma marca, mas sempre o bastante para arder. Era impressionante, na verdade, o controle que ela tinha sobre aquilo. A maneira como conseguia desferir dor sem um único sinal visível depois. Como levar um tapa de revés com uma naginata, se é que isso faz algum sentido.
Ela aprendeu a técnica também, é claro. Como empunhar a arma exatamente da mesma forma. Se esse tipo de precisão se traduz para o jogo é outra questão, mas, na realidade, ela sabe exatamente como golpear com uma espada de treino para que a dor atinja de forma limpa, sem nada extra. Provavelmente até com uma lâmina real também, se algum dia decidir tentar.
| Leah | [Uma naginata], ela murmura para si mesma. [Uma de adamas, claro. Acho que devo isso a mim mesma para tentar]
Com suas instalações tanto em Lieb quanto em Lieflais agora, certamente alguém saberá como fazer a coisa. Embora haja o problema da natureza exclusivamente... japonesa da arma. Supõe-se que ela é uma Chefe de Ataque NPC do jogo. Um jogo decididamente ambientado em um não-Japão. Ficar balançando uma naginata por aí quebraria tanto a imersão quanto balançar uma bandeira branca retangular com um círculo vermelho-carmesim bem no centro.
Mas, ainda assim. Isto é um jogo, não é? Jogos devem ser divertidos, então por que ela não pode se dar a esse luxo de vez em quando? Se não pode fazer isso como ela mesma, pode fazer como outra pessoa. Talvez a Kelli, como antes. Mas não, a Kelli passou anos demais com espadas curtas e adagas, e a memória muscular é profunda. O mesmo vale para o restante das Gatas da Montanha.
Alguém novo, então. Alguém cujas mãos ainda não tenham se firmado em torno de um punho, cujos pés já não sabem exatamente onde pisar.
| Leah | [Aquele sujeito Albert não tinha uma filha? Talvez eu pergunte a ele sobre isso então, para ver se não posso pegar a garota emprestada de vez em quando]
Leah passa na oficina da Lemmy no distrito dos artesãos para encomendar uma naginata — ou algo próximo o suficiente disso — antes de seguir para a mansão.
Pedir permissão ao pai é apenas uma formalidade, na verdade. Como a família do lorde é composta por retentores diretos da Leah, eles estão vinculados por uma lealdade inabalável. Claro, ele aceitou. Embora, quase com entusiasmo demais, como se estivesse entregando a filha em casamento ou algo assim.
Não foi isso o que eu quis dizer com pegar a garota emprestada, mas tudo bem.
Depois do pai, é a vez da garota. Leah chega à porta do quarto dela e bate, esperando pela permissão antes de dar um passo para o lado de dentro. A garota está lá, como esperado, de cabeça baixa, os olhos voltados para o chão.
| Leah | [Erga a cabeça], Leah disse. [Vim até você hoje para pedir um favor]
| Garota | [Um favor? Ora, eu faria qualquer coisa que me pedisse, contanto que você—]
| Leah | [É um projeto de longo prazo, por isso estou perguntando. Falei com o seu pai sobre isso também]
Só então a filha olhou para cima.
Ela é bastante bonita, como esperado de um Humano Nobre. Tem cabelos loiros como os da mãe, em vez do Albert de cabelos castanhos. Se a Leah tivesse que adivinhar, tem quase a mesma idade que ela. Semelhante no porte físico também — e na disciplina, ao que parece, a julgar pela maneira impecável como se porta.
Rapidamente, embora nem um pouco de forma sucinta, Leah dá à garota os detalhes do que quer que ela faça. Para resumir, no entanto: ela quer que a garota se torne uma extensão de si mesma (literalmente), se passe por mercenária, entre em combate e basicamente faça qualquer outra coisa que nenhuma garota nobre que se preze jamais deveria fazer. Então, foi uma surpresa quando, apesar do absurdo do pedido da Leah, a garota aceitou sem nem piscar. Sim, tecnicamente o 【Retentor】 a força a aceitar. Mas, sério, fazer isso sem qualquer reação diz muito sobre a sua criação.
| Garota | [Estou honrada além das palavras por você ter me escolhido para esta grande missão, Vossa Majestade], disse ela.
| Leah | [Você estará ao meu lado mesmo quando não estiver acontecendo nada, então suponho que isso meio que faz de você a minha atendente pessoal], Leah diz.
| Garota | [Nossa. E pensar que eu seria escolhida em detrimento do meu pai para tal função...]
| Leah | [Sim, bem, o seu pai tem os deveres dele aqui]
A cidade não vai se administrar sozinha.
Embora, agora que a Leah para para pensar, não seja algo inédito em sociedades nobres que nobres de alta linhagem escolham uma de posição inferior para ser sua atendente pessoal. Pensando dessa forma, que isso já tem precedentes no mundo real, ela não se sente nem um pouco mal.
| Leah | [Tudo bem. Então parece que você aceitou. Estou ansiosa para trabalhar com você, hum...]
| Amalie | [Amalie, Vossa Majestade. Amalie Seebach, ao seu devotado serviço]
| Leah | [Amalie. Ótimo. Então imagino que os amigos te chamem de Mali?]
| Amalie | [Ninguém nunca me chamou assim antes, mas parece adequado, sim]
| Leah | [Então, fora desta casa, você será conhecida como Mali. Esse é o nome que você vai dar se alguém perguntar. Pensando bem, eu provavelmente deveria checar se algum NPC ou jogador já tem esse nome, mas... se dissermos que é um apelido, deve ficar tudo bem, né?]
Com o consentimento resolvido, é hora da verdadeira tarefa — torná-la mais forte. Já que ela será uma extensão da própria Leah, uma arma para aplicar a punição tanto em monstros quanto em humanos com sua naginata da justiça...
Então aquilo vai levar um tempo.
Leah priorizou canalizar EXP em aumentos de atributos em vez de habilidades para elevar o potencial de combate da Mali.
Isso não significa que ela negligenciou as habilidades por completo. Ela ainda concedeu a Mali o essencial — as que já haviam se tornado fundamentais para o seu estilo de jogo: 【Encantamento】, 【Necromancia】, 【Invocar】, 【Controle】, 【Retentor】 e 【Magia Espacial】, apenas para citar algumas. Ela também incluiu um punhado de feitiços ofensivos para emergências, por garantia.
O que ela não fez foi gastar nenhum ponto em 【Maestria com Armas: Lança】 ou 【Maestria com Armas: Lâmina】 — as duas habilidades que, no papel, parecem que são a chave para liberar o estilo de luta da Mali.
Por quê? Porque ela não precisava.
As habilidades de 【Maestria com Armas】 melhoram a chance de acerto, conferem um bônus de dano e desbloqueiam capacidades ativas específicas da arma. Útil, com certeza — mas para uma mestra da arma na vida real, desnecessário.
Ela não precisa de ajuda para acertar os golpes ou de habilidades ativas; sua proficiência natural mais do que compensa isso. O bônus de dano ela consegue obter com o mesmo efeito apenas despejando mais EXP em 『FOR』 pura. Claro, investir um pouco de EXP na 【Maestria com Armas: Lança】 será uma maneira muito econômica de aumentar o poder ofensivo da Mali. Mas qual é o sentido? Sua naginata será feita de adamas, um dos materiais mais fortes que existem. Não precisa de bônus extras de dano quando já está em um patamar totalmente à parte. Aquela EXP será melhor gasta completando a Mali em outras áreas, como nas já mencionadas habilidades de suporte.
Quanto à importantíssima naginata em questão, Leah recebeu vários protótipos enquanto isso. Ela enviou de volta a mesma quantidade. Mas cada revisão a trazia mais perto de sua arma ideal. Está perto agora. Ela consegue sentir. O pensamento a enchia de empolgação.
Ao mesmo tempo, ela encomendou uma espada curta como arma secundária. Se houver situações em que não possa empunhar a naginata em todo o seu potencial — ou se algum dia a tiverem arrancado de suas mãos —, ela precisa de algo confiável para recorrer.
Enquanto esperavam que as armas fossem concluídas, Leah deu a Mali um curso intensivo sobre tudo. Ela a apresentou a Kelli, às Gatas da Montanha e a todas as outras figuras-chave com quem ela trabalhará. Ela a levou aos domínios delas, deixando-a observar e se familiarizar com suas operações. Ela também convidou a Mali para assistir, lá do alto, os jogadores farmando em suas masmorras, apenas para dar a ela uma noção de como as coisas funcionam sob essa perspectiva.
Isso foi feito pedindo a Mali (assim como às Gatas da Montanha) para Reter uma das aves silvestres que recentemente haviam começado a fazer ninhos na floresta artificial de Rokillean. Leah enfatizou a importância de ter um olho direto no campo de batalha, embora não possa levar todos os créditos por essa ideia. Ela pode ter se inspirado na Lemmy e sua rede de ratos espiões Retidos espalhados por Lieflais.
Apesar de tudo o que tinha para aprender, Mali assimilava as coisas rápido — sem dúvida graças aos generosos aumentos de 『INT』 que a Leah priorizou para figuras de comando como ela e seu pai.
Assistir a Leah em ação já era uma lição por si só, mas a Leah também fez questão de realizar sessões de treinamento prático usando o 【Invocar: Espírito】 para refinar as habilidades de combate físico da Mali. Embora, na realidade, isso seja menos o treinamento da Mali e mais o da Leah. Deixando a semântica de lado, as sessões foram produtivas, e a Leah rapidamente se acostumou a se mover no corpo da Mali. Ajudou o fato da Mali ser uma tela em branco. Sua criação protegida significa que a Leah não precisou perder tempo desfazendo maus hábitos ou tiques enraizados. Ela podia moldá-la do zero, exatamente como queria.
Então, após apenas alguns dias de treinamento intenso, algo inesperado aconteceu: Mali já estava começando a se mover como a Leah — apesar de ainda carecer das habilidades reais em 【Maestria com Armas】 para fazer isso. É pura imitação, claro, mas a imitação é sempre o primeiro passo. Imitar, depois inovar. Se ela continuar assim, Leah não ficaria surpresa se a Mali atingisse o nível de instrutora assistente em pouco tempo.
| Leah | [Parece que os NPCs conseguem aprender novas capacidades sem o uso explícito do sistema de habilidades], Leah murmura. [Isso significa que as IAs neste jogo têm memória implícita? Tipo uma consciência? Agora, por que os devs se dariam ao trabalho de implementar algo assim?]
O 【Invocar Invocador: Espírito】 restringe o invocador a usar apenas as habilidades do invocado. Movimentos e outras ações que não dependem de 『habilidades』, por outro lado, podem ser realizados livremente. Isso sugere que as habilidades de um NPC são separadas de sua 『consciência』 em um nível fundamental. Se essa suposta memória implícita reside no lado da IA — ou seja, na mente deles —, então as habilidades reais aprendidas através do sistema de habilidades estão atreladas ao avatar que a mente controla — ou seja, o corpo.
Isso significa que aqueles tiques estranhos sentidos ao controlar o corpo de um NPC se devem, na verdade, às habilidades físicas aprendidas no lado do corpo, e não têm nada a ver com a 『consciência』 do NPC, por assim dizer.
| Leah | [Isso faz sentido, agora que paro para pensar. Aquela sensação de conseguir caminhar facilmente na floresta com a Kelli pode ter sido devido a uma habilidade racial mais do que qualquer outra coisa]
Nesse caso, ela esteve errada ao pensar que uma 『sensação mais forte ou mais fraca de identidade própria』 explicava a diferença na vibe ao controlar o Senhor Placas versus a Kelli. O verdadeiro motivo é apenas que eles são seres de raças diferentes, com habilidades raciais diferentes.
| Leah | [Quem sabe se eu não estou apenas falando bobagem, no entanto], ela acrescenta baixinho.
| Mali | [Vossa Alteza, a Lady Lemmy se aproxima], uma voz diz de repente.
| Leah | [Oh, obrigada, Mali], Leah responde, voltando à realidade ao seu redor.
Ela está na adega de vinhos no subsolo da mansão em Lieflais, onde fixou residência temporária enquanto trabalhava no projeto com a Mali. O vinho já havia sumido há muito tempo, substituído por móveis e mobília, transformando o espaço em seu escritório particular.
Ela escolheu o subsolo não por causa de algum medo mortal do sol — apenas a exposição direta por um longo período de tempo causaria algum dano a ela agora —, mas apenas porque se sente mais em casa em lugares escuros.
... O que é uma bobagem para se apegar agora que parou para pensar. Em todo lugar fica escuro com seus olhos fechados o tempo todo de qualquer forma.
| Leah | [Consegui a mais recente aqui para você, chefa], Lemmy diz conforme desce as escadas, tirando o mais novo protótipo de naginata de seu Inventário. Ela parece bastante nervosa ao entregá-lo a Leah.
| Leah | [Obrigada], Leah diz, segurando-a. Ela murmura um hum pensativo, pesando a arma em suas mãos. O subsolo é apertado demais para qualquer golpe de treino adequado — um arco largo e ela estaria raspando nas paredes de pedra e no teto. Não que a lâmina vá sofrer qualquer dano, mas a pedra arranhada arruinaria totalmente a estética.
Após uma rápida avaliação de seu peso e equilíbrio, ela decide que é hora de levar as coisas para o lado de fora.
| Leah | [Mali], Leah diz.
| Mali | [Pronta quando quiser], a garota responde.
Leah entrega a arma a ela, deita-se na cama e invoca sua consciência para o corpo da Mali.
| Mali | [Muito bem então], Leah-em-Mali diz. [Vamos levar as coisas lá para fora, sim?]
| Lemmy | [Atrás de você, chefa]
Canteiros de flores arranjados com bom gosto emolduram o pátio da mansão. No centro há um espaço destinado a uma mesa e um jogo de chá — tipicamente usado para reuniões, mas atualmente vazio.
Ali, Leah executa uma série de movimentos praticados, alternando entre os arcos amplos de sua naginata e golpes rápidos e precisos com sua espada curta secundária, realizando uma demonstração solo de técnica marcial.
Ela já sabia disso desde o primeiríssimo protótipo, mas uma naginata de adamas é pesada. Claro, apenas a lâmina é de metal, mas o cabo em si é feito de um galho da Árvore do Mundo, e a madeira da Árvore do Mundo também não é exatamente leve.
Embora com a magia dos atributos, 『pesado』 seja mais um descritor objetivo da massa absoluta da arma do que uma medida subjetiva de falta de jeito. Com sua build atual, Leah consegue balançar a robusta arma como se fosse um graveto nas mãos da Mali. Ela consegue até mesmo realizar movimentos que seriam impossíveis na vida real, como girar a arma como um moinho de vento em torno de um único dedo. Para ela, bem que poderia ser uma espada de treino de madeira.
Por cerca de uma hora, ela se perdeu no ritmo, alternando entre as formas, refinando seus movimentos, sentindo o peso e o fluxo da arma. E, ao fim disso, teve que admitir — está gostando do que vê. Apesar de parecer não exigir esforço para ser empunhada, sua massa pura faz com que corte o ar como nenhuma outra coisa.
Isso pode ser apenas pura especulação de palpite de sua parte, mas do jeito que as coisas estão se desenhando, ela calculou que poderia até mesmo ser capaz de derrubar jogadores no nível daqueles que haviam invadido a capital real no outro dia. O único desafio real seria sobreviver ao bombardeio mágico deles por tempo suficiente para encurtar a distância. Mas se ela conseguir? Então é absolutamente possível.
Mas estou me desviando, Leah pensou. Esta estrutura foi feita para conquistar masmorras, não jogadores.
| Leah | [Então, o que você acha, chefe?]
| Mali | [Oops, Lemmy, esqueci que você ainda estava aí. Esta é a certa, eu acho. Está perfeita. Mande meus cumprimentos ao seu pessoal]
O rosto da Lemmy se ilumina com um sorriso amplo e satisfeito. Ela inclina a cabeça em gratidão antes de voltar para o distrito dos artesãos.
O distrito dos artesãos... É lá que ela mora agora?
Foi uma constatação estranha — Leah esteve tão envolvida com todo o resto que nem sequer havia acompanhado isso. Mas faz sentido. Lemmy vinha dando grandes passos por conta própria, o suficiente para que a Leah pudesse realmente manter suas mãos longe. Lemmy vinha prosperando no mundo dos artesãos, criando e desenvolvendo coisas novas de forma independente, o que é um grande trunfo para a Leah.
Aparentemente, ela havia inclusive ensinado a 【Alquimia】 e outras habilidades mágicas necessárias para a criação de Pedras Filosofais a alguns dos mestres artesãos da cidade. Eles estão cuidando da produção e refinando o processo. Se a Leah precisar de mais delas no futuro, já sabe a quem recorrer.
Quanto às outras Gatas da Montanha, Kelli está nos arredores da capital com o Gustaf, trabalhando duro na montagem de uma instalação de hospedagem simples — um dos primeiros passos na visão mais ampla da Leah para a área. Gustaf já está se provando inestimável nesse aspecto. Com seu nome e sua ampla rede de contatos, ele consegue mandar chamar trabalhadores qualificados, reunir materiais e manter o esforço de construção avançando em um ritmo acelerado. Como o jogo tem habilidades relacionadas à construção, as coisas progridem muito mais rápido do que jamais poderiam na vida real.
Claro, Kelli estar em campo aberto em Hilith é um tanto arriscado. Se o Wayne — que conhece o rosto dela — decidir passar por lá para investigar, pode haver problemas. Mas por enquanto, isso não é uma questão. Leah vinha acompanhando os passos dele através do fórum e, até o momento, ele e seu grupo ainda estão em Ellental, ocupados trocando golpes com a Blanc.
Riley está confortável em Lieflais, trabalhando duro para se estabelecer como a chefe de segurança local da cidade. Ela havia Retido todos os patrulheiros que já trabalhavam lá e se instalado como a nova líder deles.
Além dos patrulheiros em tempo integral que vigiam Lieflais, há também a Guarda de Lieflais, uma espécie de grupo de vigilância comunitária composto por voluntários. Riley não se deu ao trabalho de Retê-los, porque simplesmente não havia necessidade. Eles originalmente já eram uma força subordinada aos patrulheiros de qualquer forma, então, contanto que tenha o controle dos patrulheiros, tem o controle deles. Sua associação conhecida ao lorde da cidade também a ajudou a ganhar a confiança deles.
Marion, a quem a Leah enviou para buscar alguns golems de rocha, fez exatamente isso e agora está supervisionando a construção das novas muralhas externas da cidade.
Golems de rocha, pelo que se constatou, não crescem com a idade, mas com a EXP. O que, infelizmente, significa que a comparação original de marimo feita pela Leah não se sustenta muito bem. Mais triste ainda, essa não é uma habilidade adquirida — parece ser uma característica puramente racial. Na natureza, isso passa a impressão de que os golems crescem com o tempo, mas sob o controle da Leah, eles não têm fontes de EXP a menos que ela lhes dê alguma.
Então ela deu, entregando a Marion uma quantia considerável de EXP para usar nos ajustes de tamanho. Cada golem tinha vindo em tamanhos ligeiramente diferentes, mas com um pouco de ajuste fino, Marion conseguiu nivelá-los para combinarem.
| Leah | [Todo mundo já tem suas ordens de marcha, tudo o que resta sou eu. Finalmente, hora de me divertir um pouco]
A máquina de EXP da Leah está funcionando a todo vapor. Contanto que ela permaneça logada, a EXP continuará entrando. É hora de voltar sua atenção para algo novo.
| Leah | [Vejamos... qual era mesmo... Oh, Neuschloss. A masmorra urbana que não está sob o meu controle nem o da Blanc. Ouvi dizer que o chefe de lá também é um goblin. Pode valer a pena roubar um ou dois truques para a build do Gaslark. Sim. Vamos ver o que eles têm para mim]
Como a Leah logo descobriu, há outro benefício em jogar sem ser em seu próprio corpo: nenhum de seus retentores cheios de restrições se importa em lhe dar bronca por isso.
É verdade, o perigo para a vida da Leah jogando dessa forma é mínimo. Não tecnicamente inexistente, já que o dano de ricochete infligido ao invocador durante o 【Invocar: Invocador】 é uma realidade. Quanto mais próximos estiverem os atributos de 『MND』 do invocador e do alvo, maior será esse dano de ricochete. Mas como o 『MND』 da Leah é astronomicamente alto, esse dano é basicamente insignificante.
Mesmo assim, Leah não pode marchar com a Mali de cabeça no perigo sem se importar. Quando os jogadores morrem, eles desaparecem em partículas de luz. NPCs deixam cadáveres. Se a Leah quiser se passar por jogadora, deixar um cadáver para trás por uma hora inteira durante o renascimento da Mali estragaria seu disfarce imediatamente. Claro, uma maneira de evitar isso seria jogar solo.
Leah viajou para a Guilda de Mercenários de Lieflais, de onde se teletransportou direto para Neuschloss. Ao longo do caminho, ela conseguiu manter a discrição. A beleza da Mali é marcante, mas a de muitas jogadoras também é. A arma longa pendurada em suas costas é um pouco incomum (a maioria dos jogadores tende a guardar suas armas em seus Inventários), mas não é nada que não possa ser justificado pelo desejo de fazer o RP de uma mercenária NPC.
Para a armadura, Leah equipou a Mali com um conjunto leve. Leve, mas o tecido foi tecido com seda fiada por uma Rainha Arachnia, e as partes de metal são de adamas, tornando-o mais forte do que a maioria dos trajes de armadura de placas completa.
Um capuz feito sob medida, reforçado com placas de adamas ao longo do colarinho, repousa em torno de seu pescoço. Ela o mantém abaixado enquanto se move entre os jogadores, mas em combate ele pode ser facilmente erguido para proteger eficazmente a cabeça e o pescoço.
O ponto de teletransporte de Neuschloss a deixou em um campo nos arredores da cidade. Uma grande rocha serve como ponto de referência, mas além disso são em sua maioria pastagens vazias, exceto por algumas tendas montadas por jogadores. Até onde a Leah sabe, o único grupo que fez qualquer avanço significativo em uma masmorra de quatro estrelas foi a enorme Equipe de Ataque que invadiu a capital. Por causa disso, devido à dificuldade pura que esse conteúdo apresenta, poucos jogadores tentaram masmorras de quatro estrelas com um grupo de tamanho padrão. Aqueles que tentam estão ou farmando monstros comuns bem perto da entrada ou apenas passeando.
De qualquer forma, a falta de multidões funciona a seu favor.
Por hora, ela continuou pela estrada em direção a Neuschloss.
A cidade fica a uma boa caminhada de vinte minutos de distância do ponto de teletransporte. A cena é de devastação. As muralhas da cidade estão desmoronando e cheias de grandes brechas pelas quais qualquer um pode simplesmente entrar caminhando. No lado oposto da cidade há uma floresta — provavelmente o território original dos monstros. Como não é classificada como uma masmorra separadamente, provavelmente é considerada parte da cidade agora. A floresta que havia engolido a cidade — muito parecido com como Lieb havia dominado Erfahren, e Trae a Llyrid.
Leah cruzou as muralhas quebradas para dentro da cidade, onde a destruição é praticamente a mesma. Se mudou algo, foi ainda pior. Parece que os monstros invasores haviam ido de casa em casa, eliminando sistematicamente todos os que moravam ali. Ela consegue pensar em duas razões possíveis para esse massacre indiscriminado. Ou os monstros estavam morrendo de fome, ou a matança em si era o objetivo.
Se fosse fome, então são apenas criaturas selvagens comuns. Mas se o massacre foi intencional, há uma boa chance de o chefe da masmorra ser um jogador. Afinal, matar sem pensar não é um objetivo real — mas farmar EXP é.
Ela avançou cautelosamente, os olhos varrendo o ambiente ao redor, quando, das sombras de uma casa em ruínas, saltou um goblin. Mas esse goblin não é um daqueles com quem ela está acostumada. É verde como um, magro como um, mas sua altura, de quase a de um humano médio, o torna diferente de qualquer um que ela já tenha visto.
Ela sacou sua espada curta. Conforme o goblin avançava, ela se esquivou por baixo do alcance dele, passando direto enquanto desferia um corte atrás de seus joelhos.
Um baque pesado se seguiu conforme o goblin desabou. Isso quase foi uma surpresa para ela, pois não sentiu resistência quando a lâmina fez contato. Ela quase achou que errou, mas não, o gume da adamas é afiado a esse ponto. Ou o goblin é fraco a esse ponto.
Ela não perdeu tempo refletindo. Uma virada rápida, um movimento agudo — sua lâmina mordeu fundo na garganta dele. Sangue quente espirrou, mas ela recuou a tempo de se manter limpa. No momento em que a criatura atingiu a poeira, ela já estava se movendo, porque aquele ali não estava sozinho — mais goblins já avançavam sobre ela.
Leah estendeu a mão para a naginata em suas costas, puxando-a da bainha em um único movimento fluido. [Hah!], com uma expiração aguda, ela enfrentou a primeira onda, desviando de golpes com uma única mão enquanto embainhava sua espada curta com a outra. Idealmente, ela teria limpado o sangue primeiro, mas agora mal é o momento.
No momento em que a lâmina mais curta foi guardada, ambas as mãos se fecharam em torno do cabo da naginata. Agora, a luta de verdade pode começar.
Cortes de moinho de vento, cortes de roda d'água, golpes verticais e estocadas na garganta — a arma em estilo de alabarda gira pelo ar enquanto a Leah golpeava, estocava e abria caminho através da horda. Através de braços e pernas musculosos, mãos e pés com garras, a adamas não pode ser travada. Ela não diminuiu o ritmo. Ela não fez esforço. Era como se ainda estivesse na mansão, executando as mesmas formas marciais, apenas com goblins entrando em seu espaço pessoal de vez em quando.
Os goblins enxameavam. Um veio por trás. Sem pensar, ela bateu com a extremidade traseira com ponta de adamas de sua naginata para trás, esperando empurrá-lo para longe. Em vez disso, a ponta perfurou direto, emergindo do outro lado. Sorrindo de canto, ela girou o corpo empalado como se fosse um porrete, cumprindo o velho ditado — Vou bater em um desgraçado usando outro desgraçado.
Se sua avó pudesse vê-la agora, ficaria profundamente indignada com a maneira como ela estava tratando sua arma. Mas aquela ali não é uma relíquia delicada de aço e laca. Adamas e madeira da Árvore do Mundo não dobram nem quebram, nem lascam ou racham. Se mudou algo, exigem ser usadas ao máximo.
E assim, Leah fez.
Uns instantes empolgantes depois, Leah se viu sem nenhuma presa. Não porque tivesse deixado alguma escapar; todas jazem imóveis aos seus pés. Sangue e entranhas lambuzam seus braços, sua armadura, o cabo de sua arma. Ela puxou um lenço do bolso para se limpar, apenas para perceber rapidamente que o minúsculo quadrado de pano era lamentavelmente inadequado.
Então ela se lembrou de que havia dado magia a Mali. Especificamente, ela tem o feitiço de água 【Lavar】. No mundo real, encostar uma naginata na água teria sido um pecado mortal, mas água mágica deve ser de boa... certo?
Ela conjurou o feitiço. No ato, a sujeira em sua armadura e em sua arma sumiu, varrida como se nunca tivesse existido.
Olha só, falando sobre magia.
Curiosa, ela então tentou o feitiço em sua espada curta e na bainha dela. O resultado foi o mesmo. Não é apenas água simples, então — algo a mais, algo que limpa a imundície em um instante. O que, sob a perspectiva de design de jogo, faz todo o sentido. Quem gostaria de passar horas esfregando armas para limpá-las em um videogame?
| Mali | [E eu lá me dando ao trabalho de limpar as coisas manualmente no beta fechado], ela resmungou para si mesma.
Ela não se deu ao trabalho de dissecar os cadáveres em busca de saques. Ela nem sequer tem a faca necessária para fazer isso. Ela havia aprendido o 【Dissecar】, mas apenas porque precisava para desbloquear o 【Tratamento】.
Além disso, esta não é a masmorra dela. Problema que não é meu, estresse que não é meu.
Deixando os corpos onde jazem, ela seguiu em frente com sua exploração.
| Mali | [Para monstros comuns de quatro estrelas, eles eram terrivelmente frágeis em comparação com os meus Cavaleiros de Carpa], ela refletiu. [Honestamente, não tenho certeza de qual é mais forte no geral...]
Leah tem um motivo prático para escolher uma masmorra de quatro estrelas para sua primeira saída. Ela precisa ver o que a concorrência está fazendo — o que os diferencia, onde falham. Mesmo dentro da mesma classificação de estrelas, as masmorras variam drasticamente. Se ela quiser que a dela se destaque, precisa entender o que pode ser melhorado.
Até agora, não está impressionada. Ela está em apenas um encontro, mas já consegue ver por que a capital está atraindo mais jogadores a cada dia, enquanto Neuschloss tem apenas aquele punhado de tendas espalhadas do lado de fora.
Desde aquele Ataque inicial, a capital da Leah vinha recebendo cada vez mais movimento. Apesar da exigência de um grupo grande, da pesada dependência de conjuradores e dos jogadores corpo a corpo servindo como pouco mais que escudos humanos, todo mundo quer uma chance na EXP e nos saques.
A morte garantida nem é mais um impedimento — é apenas o preço da entrada. Os jogadores haviam parado de tentar sobreviver e, em vez disso, focam em espremer o máximo de EXP possível antes de seu fim inevitável. É uma tática comum para enfrentar conteúdos de nível alto em muitos jogos e, neste caso, Leah não podia estar mais feliz por isso se aplicar à dela.
Embora ela não possa evitar de se perguntar quanto tempo aquilo vai durar. Os jogadores são notoriamente instáveis, sempre em busca da maneira mais eficiente e rápida de jogar o jogo. Não dá para saber quando o meta pode mudar, deixando tudo isso para trás.
Por exemplo, e se alguém limpasse Neuschloss matando seu chefe final? E se descobrissem uma maneira de farmar o chefe repetidamente, e esse método de jogo oferecesse melhor EXP e recompensas?
Leah está quase certa de que os chefes podem ser farmados indefinidamente. Uma masmorra não se deslistaria simplesmente ou transferiria a propriedade no momento em que seu chefe morresse — se esse fosse o caso, ela teria perdido o controle de Lieb e Trae há muito tempo.
Tudo volta àquela regra de 『única facção』 para o controle. Na época em que a Leah derrotou a Sugaru pela primeira vez e assumiu o controle das cavernas, ela também eliminou cada uma das formigas sob o controle da Sugaru. Apenas quando nenhuma outra presença restou — apenas ela e sua comitiva — a propriedade foi transferida.
Em Tür, também, ela só conseguiu obter o controle matando a toupeira gigante e expulsando todos os outros jogadores. Embora a morte da toupeira tenha feito as menores desaparecerem automaticamente, se outros jogadores ainda estivessem presentes, ela provavelmente não teria recebido a opção de assumir a propriedade. Porque aos olhos do sistema, os jogadores, assim como os monstros, são facções separadas.
Isso significa que em qualquer situação normal, onde múltiplos grupos de jogadores ocupam uma masmorra ao mesmo tempo, é improvável que a propriedade mude, mesmo que o chefe da masmorra seja morto. Se os chefes NPCs seguirem as mesmas regras de renascimento que a Leah, então ele retornará em três horas, com seus subordinados renascendo uma hora depois disso.
Então, caso o chefe de Neuschloss caia, e se revele uma luta mais fácil com melhores recompensas, a balança pode mudar. Mais jogadores podem migrar para Neuschloss, atraídos por uma proposta de melhor custo-benefício.
Mas a proposta de custo-benefício mudará? Isso depende do que o chefe final realmente dropa. Isso ela não sabe. De uma coisa ela tem certeza, no entanto: se algum chefe final se revelar farmável, não será o dela. Afinal, o Rei dos Mortos-Vivos de classe Mensageiro, Sieg, dos Lamentos, guarda o castelo. Se ele cair, então serão a Sugaru e o Diaz. Não é intenção dela deixar o castelo cair ou deixar seus chefes serem farmáveis, então se ficar provado que o farm de chefes é massivamente recompensador, isso pode ser um problema para ela.
Embora, eu deva dizer, tudo isso é baseado na suposição de que o chefe desta masmorra é um NPC. Se este é o nível de seus subordinados, não tenho nada com que me preocupar. Vamos confirmar essa suposição, sim?
| Mali | [Espera. Aquele goblin estava usando armadura agora há pouco?]
Conforme a Leah avança mais fundo em Neuschloss, a monotonia começa a se instalar. Os primeiros confrontos tinham sido novidade e interessantes, mas depois disso, passou a parecer apenas uma obrigação antes que pudesse chegar à parte realmente interessante. Depois de um tempo, ela nem se dava ao trabalho de olhar duas vezes para nada — se algo ao menos se movesse, ela o estripava na hora.
Mas aquele último goblin. O que ela acabou de matar. Algo pareceu diferente quando sua lâmina passou por ele.
Com certeza, ao olhar para baixo, sua vítima fatiada mais recente — e os amigos dela — já estão se dissolvendo em partículas de luz.
| Mali | [Ooh, vocês eram jogadores...]
Bem, isso poderia ter sido ruim. Leah estava no piloto automático. Ela tinha sido quem avistou e começou o confronto, então as chances são de que eles não tivessem visto bem o rosto dela. Mesmo se vissem, não havia nada de particularmente marcante em um jogador usando um capuz e empunhando uma lança. Muita gente gosta de capuzes. Muita gente gosta de lanças — o alcance importa tanto em jogos de RV quanto na vida real. As espadas ganham força conforme os jogadores ficam mais confortáveis com as mecânicas, mas as lanças ainda são bastante comuns.
Não que esses coitados tivessem tempo de considerar nada disso antes de serem brutal e inesperadamente assassinados.
| Mali | [Mal aí. Mas a culpa foi de vocês por surgirem do nada]
Julgando pela rapidez com que os corpos deles se transformaram em luz, estão acostumados a morrer. O renascimento deles foi quase instantâneo — como se estivessem clicando sem parar no aviso de reviver antes mesmo de a mensagem de morte terminar de ser exibida.
Espera.
Um pensamento preocupante atinge a Leah.
Naquela época em que morreu na capital, ela definitivamente fez exatamente a mesma coisa. Ela com certeza clicou em renascer quase imediatamente — então por que não houve nenhum falatório em lugar nenhum sobre o cadáver da Calamidade desaparecer em partículas de luz, exatamente como o de um jogador?
Ela conseguiu enganar a todos. Mas como?
Teria sido apenas porque aquela foi a primeira vez que a base de jogadores encontrou um chefe de evento, e assumiram que chefes de evento simplesmente morrem daquele jeito? Teria sido porque o Senhor Placas dropou saques como um NPC normal? Leah não consegue se livrar de uma sensação de desconforto, mas a esta altura, talvez nunca venha a saber.
Bem, o que passou, passou. Não faz sentido se preocupar com isso agora.
Com um dar de ombros despreocupado, Leah continua em direção ao centro da cidade, abrindo caminho até a mansão do lorde, onde o chefe provavelmente está esperando. Graças à lacuna absoluta de poder entre ela e tudo em seu caminho, o ritmo de seu avanço não é muito diferente de um passeio casual pela cidade.
Se o chefe tiver alguma forma de rastrear os intrusos em seu domínio, quem está passeando e liquidando sem esforço cada subordinado em seu caminho estaria no topo de sua lista de vigilância.
Conforme ela se aproxima da mansão, nada muda de verdade. Ainda assim, os únicos monstros que dão um passo à frente para desafiá-la são os mesmos goblins relativamente grandes. Alguns capazes de usar magia apareceram, mas a magia deles se limita a feitiços básicos de projéteis de alvo único. Eles são facilmente esquivados com a velocidade impressionante da Mali.
Dado o nível dos feitiços que estão sendo lançados em sua direção, Leah calcula que eles conseguem conjurar magia em Área, mas simplesmente não estão fazendo isso. Isso a intriga. Seria porque ela está sozinha? Ou há algo mais em jogo?
Tipo, digamos, ordens vindas de cima? Uma diretriz para conservar mana?
A estratégia de conservação de magia, huh...
Isso lhe parece estranho. Não apenas estranho — rígido ao extremo. Leah entende o valor de uma gestão eficiente de recursos, mas isso não se trata de acumular ativos individuais. Trata-se de otimizar os globais, como o tempo. Se um feitiço em Área pode encerrar uma luta mais rápido, ela esperaria que suas próprias forças o usassem.
Dito isso, ela não esperaria que seus soldados comuns de nível baixo tomassem esse tipo de decisão no calor do momento. Na verdade, seus soldados mais rasos de todos — as formigas de infantaria e os zumbis — representam uma ameaça tão baixa individualmente que a única esperança de torná-los viáveis é fazê-los ir com tudo, o tempo todo.
Para ela, a única tomada de decisão real acontece no nível de comando. Por exemplo, quais tropas posicionar e onde. Foi por isso que ela investiu tanto no desenvolvimento de líderes competentes, garantindo que possam fazer escolhas estratégicas e inteligentes.
| Mali | [A estrutura organizacional é complicada], ela murmura. [Somos basicamente uma corporação com uma hierarquia de cima para baixo. A Sugaru e as rainhas agem como gerência média, ligando a estratégia de nível alto à execução na linha de frente. É volumoso, mas necessário. Se eu tivesse que microgerenciar tudo sozinha, a execução sofreria]
O tamanho da organização dita a estrutura. Uma força pequena pode se beneficiar de uma abordagem ao estilo ditador. Seria rápida, responsiva, adaptável de maneiras que ela não consegue ser. Mas com os números, seu sistema atual é o melhor que ela tem.
Ela não tem certeza de por que está pensando nisso agora, mas supõe que o fato de estar pensando de alguma forma diz a ela que está mais convencida do que nunca de que há um jogador no topo desta cadeia de comando. Monstros selvagens não pensam em gestão de recursos. Eles não se contêm. Eles vão com tudo, todas as vezes, para garantir a eliminação.
Ela continua a abater goblin atrás de goblin, avançando em direção à mansão que agora surge no horizonte. Apesar de estar mais perto da estrutura mais vital da área, ainda assim, essa resposta morna. Nenhum desafio real, nenhuma mudança na estratégia — apenas mais do mesmo.
A esta altura, ela está quase ficando entediada.
O que não ajuda em nada é sua naginata de adamas. O estilo de luta com naginata foi desenvolvido para contornar as limitações de uma arma forjada com madeira e ferro. Mas para uma arma que não dobra nem quebra, nem lasca ou racha, manter-se na forma adequada quase parece uma perda de tempo. Quando a arma é tão indestrutível, o poder bruto importa mais do que a técnica.
Talvez eu tenha exagerado com esta naginata. Deveria ter escolhido um material que estivesse mais próximo do meu nível...
Finalmente, Leah chega em frente ao portão da mansão. Está fechado, mas não trancado. Na verdade, quase parece que já foi quebrado e depois escorado de volta no lugar. Espreitando através das barras da cerca de ferro forjado, ela avista a porta principal da mansão. A mesma história. Claramente, nenhum jogador passou por aqui recentemente.
Leah se desloca até uma seção da cerca que ainda está firme e se impulsiona para cima e para o outro lado em um movimento rápido e fluido. É um método de entrada com o qual qualquer jogador que tenha chegado até aqui não teria problemas. Ela pousa em um jardim que claramente já viu dias melhores. Comparado aos jardins da mansão em Lieflais, isso aqui é um deserto. Aproximando-se da porta da frente, ela dá um empurrão. Ela se abre. Ou melhor, ela cai. A coisa nem sequer estava presa às dobradiças. Era menos uma porta e mais um pedaço de madeira colocado ali para impedir o vento de entrar.
| Mali | [Como o chefe sequer entra ou sai de sua própria mansão?], Leah murmura para si mesma.
Ou ele nunca sai, ou há outra passagem escondida em outro lugar. Sendo esse o caso, ele pode já ter fugido do local. Tudo bem, ela supõe. Não é como se tivesse vindo aqui com o propósito expresso de derrotar o chefe, para começo de conversa. Do contrário, não teria vindo sozinha. Isso é apenas uma excursão divertida, com o bônus de conseguir ver o rosto do chefe sendo um brinde legal. Por outro lado, derrubá-lo ao menos confirmaria ou refutaria suas teorias sobre o farm de chefes.
Pensando por esse lado... eu meio que quero ver se estou certa. Talvez eu me esforce um pouco mais para encontrá-lo e eliminá-lo.
Ela começa com uma varredura no andar térreo. O saguão é espaçoso, com escadarias tanto à esquerda quanto à direita levando para o andar superior. Uma corrente pende do teto, claramente destinada a segurar um lustre — mas a luminária em si está faltando. Ou os goblins a levaram embora, ou ela foi destruída na batalha inicial.
Ela se move pelos cômodos: sala de visitas, sala de jantar, cozinha, alojamento dos servos, sala de linho e uma área de lavanderia voltada para os jardins dos fundos tomados pelo mato. Nem um único goblin, muito menos um chefe. O primeiro andar inteiro está vazio.
| Mali | [Todos os monstros comuns ainda estão espalhados pela cidade?], Leah diz. [Nem mesmo uma jogada clássica de proteja-me usando goblins como escudos quando sua vida está em jogo? O que esse chefe está sequer fazendo?]
Se ela chegou até aqui sem que o chefe tomasse nenhuma precaução, talvez estivesse errada sobre ele ter vigilância. Mas, ainda assim — pensa-se que qualquer um incerto sobre onde ou quando uma ameaça pode surgir ao menos colocaria algum esforço em defesas básicas.
Por hora, ela volta ao saguão e sobe as escadas para o segundo andar. Mais quartos vazios. Alojamentos de hóspedes, quartos para o lorde e sua família — ainda sem goblins. Apenas um cômodo resta, escondido bem no lado oeste. Com base no que viu até agora, provavelmente é o escritório, o único espaço com o qual ainda não deparou.
E, no entanto, algo nele se destaca. Mesmo antes de abrir a porta, ela tem uma intuição. Há algo atrás dela.
Ela se aproxima da porta lentamente, então, em uma única respiração, golpeia três vezes — um corte limpo nas dobradiças, seguido por dois em um X no centro. A madeira se estilhaça, dividindo-se em quatro pedaços conforme desaba no chão.
No momento em que isso acontece, magia explode de dentro do quarto.
Não há tempo para contra-atacar com um feitiço. Não há espaço no corredor estreito para esquivar. Leah não tem escolha a não ser aguentar o golpe. Ela se agacha, erguendo um braço para proteger o rosto...!
| Mali | [Ngh!]
Um impacto agudo. Pela primeira vez hoje, ela sente seu LP cair.
Mas o dano é mínimo. Sua postura menor reduziu a caixa de colisão, e a armadura de seda de aranha absorveu mais da força do que ela esperava.
Graças a Deus por equipamentos bons, ela pensa. E graças a Deus eu não saí correndo para dentro no segundo em que quebrei a porta.
Ela nunca tinha realmente dado muita importância para armaduras antes. Este é o momento que mudará isso. Quando voltar, garantirá que cada retentor dela que possa usar equipamentos receba um upgrade feito de adamas e seda de Rainha Arachnia. Sério, a resistência mágica desse material não é brincadeira. Até mesmo apenas entregar a todos uma capa de seda de aranha pode ser o suficiente para fazê-los ignorar feitiços de nível baixo.
Tais são os pensamentos na mente da Leah conforme ela avança para dentro da sala, não dando ao seu atacante a chance de disparar uma segunda rajada.
Como ela suspeitava, é um escritório. Prateleiras de livros alinham as paredes, alguns sofás estão encostados nas laterais e, no centro, ergue-se uma escrivaninha de aparência majestosa e uma cadeira. Naquela cadeira ocia um goblin. Aparentemente, ele nem sequer se dignou a ficar de pé antes de cumprimentá-la com aquele ataque de abertura.
Fale sobre ser subestimada..., Leah pensa com um sorriso irônico.
O goblin ergue a mão direita para conjurar outro feitiço. Mas ele está lento demais desta vez. Leah avança com velocidade divina e arranca a mão fora de forma limpa. A força de sua investida faz a mesa de centro entre eles voar, colidindo contra uma estante de livros e trazendo a coisa toda abaixo.
| Goblin | [Guh-gyaaaah!], o goblin grita.
| Mali | [Essa é nova], Leah diz, sorrindo de canto. Com sua naginata já estendida, ela dá um leve giro, e lá se vai a outra mão do goblin — junto com metade da escrivaninha, que se divide sob a força de seu golpe. Ela não hesita, cortando através dos destroços e reduzindo-os a lascas. Com a escrivaninha fora do caminho, as pernas do goblin ficam expostas. Ela corta as pernas em seguida.
Sulcos profundos agora marcam o teto e o chão, com o cômodo deixado em ruínas. Bem, tanto faz. Não é a minha mansão. Culpa sua por querer lutar em um espaço tão fechado.
| Goblin | [Ga-ga-gyaa!], o goblin grita de novo.
| Mali | [Oh, você nem está tentando dizer nada. Apenas gritando como um animal. Acho que você é apenas mais um goblin, então]
É maior do que até os goblins grandes que ela encontrou lá fora, equipado com trajes melhores, o que levou a Leah a acreditar que pudesse ser o chefe. Mas claramente não é o caso. Se tivesse sido um jogador — ou mesmo minimamente inteligente —, seria capaz de se comunicar como o Gaslark. O fato de não conseguir apenas o torna mais um NPC burro.
| Mali | [Se você não é o chefe, então quem é?], Leah exige, apesar de saber muito bem que ele não consegue responder. Talvez ela apenas queira ouvi-lo gritar de novo.
Matar este aqui, depois voltar para a cidade. Se algum goblin ainda estiver de pé, isso significa que este não era o chefe.
Se ao menos houvesse alguns goblins dentro da mansão — ela poderia ter confirmado sem dar um passo para o lado de fora.
... Não, isso não teria funcionado. Ela teria massacrado até o último de qualquer forma.
Ela corta o pobre goblin em pedaços para que não reste dúvidas de que está morto, limpa o sangue de si mesma com o feitiço e, em seguida, sai da mansão.
Imediatamente, ela avista um grupo de goblins grandes e os abate.
Bem, pelo menos isso confirmou as coisas rapidamente.
Desde que pisou nesta cidade, ela estava com uma sensação incômoda de que não havia tantos inimigos por perto quanto deveria haver. No começo, ela não deu importância. Mas agora que parou para pensar, talvez isso seja porque ela está solo.
Porque não seria exponencialmente mais difícil rastrear os movimentos de um único jogador através de uma masmorra em comparação com um grupo grande que chama a atenção?
A linha de raciocínio a levou a uma possibilidade interessante — uma que ela não havia considerado antes.
Até agora, ela havia focado na ameaça óbvia: grupos massivos de Ataque invadindo a capital. Mas e quanto ao extremo oposto? Equipes pequenas. Um único jogador especializado em furtividade. Em ambientes urbanos densos como a capital ou Ellental, eles não poderiam simplesmente passar direto por suas defesas e causar tanto estrago quanto um Grupo de Ataque inteiro desfilando pelo bulevar central?
Claro que poderiam.
Ela está provando isso exatamente agora.
E pensar que ela nem teria cogitado essa hipótese se não tivesse vindo aqui ela mesma.
Viu só? É por isso que vale a pena olhar para as coisas sob uma nova perspectiva de vez em quando.
Guardando essa constatação para futuras melhorias na masmorra, Leah se refoca em sua busca pelo chefe.
Se não está na cidade, então tem que ser na floresta. Parando para pensar... talvez eu tenha ficado fixada demais no nome Neuschloss. Não há nenhuma regra dizendo que o homônimo da masmorra precisa ser o estágio final. E, sério, por que um chefe ficaria sentado na parte mais óbvia da zona, apenas esperando para ser atacado de qualquer forma?
| Mali | [Para a floresta, então], ela murmura, partindo.
Para se orientar, Leah invoca a ave silvestre sob o controle da Mali e a envia para voar no alto. Ela ordena que o pássaro localize a floresta próxima e paire na direção dela como um ponto de referência. A ave a conduz para fora da cidade através da muralha norte quebrada. Assim que ela passa pelas ruínas, uma névoa densa engole o ambiente. Através dela, ela consegue discernir apenas de leve a silhueta iminente da floresta a uma curta distância.
| Mali | [Eu gostaria de dar uma palavra com quem quer que tenha achado uma boa ideia construir uma cidade tão perto de uma floresta...], ela murmura e depois faz uma pausa. [Ou talvez tenha sido a floresta que se expandiu até alcançar a cidade]
Se não fosse isso, então talvez as muralhas externas tivessem sido construídas primeiro, destinadas a proteger infraestruturas vitais como as estradas, com o restante da cidade se desenvolvendo dentro delas ao longo do tempo — não que essa seja uma questão com a qual Leah devesse estar quebrando a cabeça no momento.
Dentro da névoa, Leah se move cautelosamente. Ela já enviou o pássaro de volta. Com essa visibilidade, ele é praticamente inútil para o reconhecimento. A névoa parece tão densa que bloqueia a maior parte da luz do sol. Até as ervas daninhas têm dificuldades para crescer.
Com a terra tão estéril, não há obstáculos para se esconder, nenhuma cobertura para uma emboscada. Até os goblins da cidade sumiram de vista.
Ainda assim, Leah não baixou a guarda.
Ela dá um passo, depois outro.
Um farfalhar seco agita a terra abaixo dela. No instante em que ouve, ela gira sua naginata para trás, golpeando o chão com a extremidade traseira exatamente onde o ruído surgiu. Um estalo agudo se segue — sua arma fez contato com algo.
Uma mão esquelética, despedaçando-se em um milhão de fragmentos minúsculos.
Algo estava cavando seu caminho para cima a partir da poeira.
Então, ao redor dela, membros esqueléticos rompem o chão, arranhando seu caminho para fora da terra.
| Mali | [Não faz sentido brincar de bater na toupeira com mãos de esqueleto], Leah murmura. Se eles estão tão ansiosos para subir de suas sepulturas, ela ficará feliz em acelerar o processo. [【Terremoto】!]
Apesar do nome, o feitiço não cria um terremoto literal. Ele transforma o próprio chão em uma arma. A terra se convulsiona, retorcendo-se e contorcendo-se como algo vivo. Pilares de pedra irregulares de dois metros irrompem para cima, perfurando o solo antes de desmoronarem de volta, apenas para que outros surjam em seu lugar. Um ciclo implacável de estacas de pedra perfurando e se estilhaçando, destruindo tudo o que for pego no caos.
Cinco segundos depois, o chão fica imóvel.
Nada se move novamente.
Os esqueletos provavelmente nunca tiveram uma chance. Pegos pela reviravolta, foram despedaçados no meio da emersão, com seus ossos quebrados e enterrados na terra recém-reconfigurada — nada mais do que fragmentos inofensivos agora.
| Mali | [Bem, isso resolveu o problema. Pena que eram tão fracos que mal ganhei alguma coisa. Apenas um desperdício de MP]
Ela se corrige. Não, essa não é a maneira certa de pensar sobre o assunto. Em termos de tempo economizado, o gasto de MP valeu muito a pena.
Depois disso, conforme avança pelo deserto, ela sente a presença de esqueletos mais algumas vezes. Em cada uma delas, ela os elimina completamente com o 【Terremoto】.
Mas sou só eu ou esses esqueletos são... feios?, ela reflete. Quero dizer, posso estar sendo parcial, mas os meus próprios mortos-vivos têm uma aparência muito melhor.
Como ela não viu nenhum esqueleto emergir intacto por completo, é difícil ter uma imagem perfeita, mas pelos restos espalhados — especialmente os crânios —, uma coisa ficou clara: eles não são iguais aos seus mortos-vivos.
Se os seus esqueletos se assemelham aos humanos modernos, estes parecem quase... primitivos em comparação. Não é a comparação mais elegante, mas o mais próximo com que consegue equipará-los são os fósseis de humanos primitivos.
Será que eram um tipo diferente de humanos? Existem sequer tipos diferentes de humanos?
| Mali | [... Não], ela murmura, com a percepção se encaixando no lugar. [Eles são goblins. Esses são os esqueletos dos goblins grandes que enfrentei mais cedo]
Esqueletos de goblins. Essa parece ser a explicação mais plausível — especialmente considerando que, durante as fases iniciais do último evento, os fóruns relataram mortos-vivos atacando a cidade.
Goblins grandes, agora esqueletos de goblins. Quem quer que esteja administrando este lugar claramente tem uma queda pelos humanoides verdes e verrugosos. Depois de toda aquela situação com o chamariz na mansão, Leah sabe que é melhor não baixar a guarda. Se este lugar já jogou uma surpresa contra ela, não dá para saber o que mais está esperando pela frente.
A floresta surge bem à frente agora. Ela não sente mais esqueletos e guarda o 【Terremoto】. A névoa termina na linha das árvores, mas isso não melhora as coisas. Embora seja dia, o interior da floresta é impossivelmente escuro. Não apenas sombrio — mas quase... artificialmente obscurecido. Quanto mais fundo ela olha, mais difícil fica de enxergar.
| Mali | [【Chamas do Inferno】.]
Ela libera o feitiço sem qualquer hesitação. Todas as árvores na área de efeito são envolvidas pelo fogo e, em seguida, reduzidas a cinzas. O pedaço de floresta antes denso torna-se instantaneamente um terreno carbonizado e fumegante, com pedaços de carvão espalhados. Ela chuta um torrão; ele se esfarela na hora, dissolvendo-se inofensivamente no vento. Pelo menos parece que não eram Treants.
Ela avança pela clareira queimada. Bem quando alcança a borda dela, prestes a dar um passo para dentro da floresta mais uma vez, ela sente uma presença — múltiplas presenças.
| Mali | [Relâm—]
| ??? | [Whoa, whoa, whoa, ei!], uma voz corta o momento. [Com licença, ei!]
Leah estava totalmente preparada para reduzir a cinzas o que quer que surgisse, assumindo ser apenas mais um encontro hostil. Mas conforme as figuras entram em seu campo de visão, ela hesita.
Jogadores. Cinco deles, na verdade.
Ela interrompe seu feitiço, mas mantém os olhos fixos neles, fazendo um gesto com a cabeça para instá-los a falar.
| Líder | [Ah, e aí], o que parece ser o líder deles diz. [Nós somos apenas alguns jogadores entrando na floresta. Estou assumindo que você também é?]
Leah se pergunta por um breve momento se deve sequer responder ou apenas reabrir com seu feitiço e eliminá-los no ato. Talvez se eles não tivessem visto seu rosto. Mas eles viram. E ela já os havia reconhecido, virando-se para falar. Se ela os matasse agora, eles a reconheceriam caso cruzassem caminhos com ela novamente — cimentando a reputação da Mali como uma PKer. Esse não é o tipo de atenção que ela quer. Então, por hora, ela escolhe a paz.
| Mali | [Eu também sou uma jogadora. Mas jogo solo], Leah diz em um tom consideravelmente formal e com as palavras cuidadosamente pronunciadas.
Não porque estivesse tentando fazer RP, mas porque, olhando para a frente, se a Mali vai operar de forma independente no futuro, faz sentido estabelecer uma persona consistente. Seria mais fácil para a Mali manter uma maneira de falar com a qual já está acostumada, em vez de tentar imitar a informalidade da Leah.
Além disso, os jogadores neste jogo tendem a falar educadamente de qualquer forma. Se muda algo, essa é a abordagem menos suspeita.
| Takuma | [Solo? Aqui?], o líder fica boquiaberto. Ele a olha de cima a baixo. [Você é uma conjuradora? Mas você tem essa grande... lança? essa coisa parecida? Uma maga de combate corpo a corpo, então? E definitivamente uma das melhores do jogo nisso... Você se importa de me dizer o seu nome? Eu sou o Takuma, a propósito]
Leah faz uma pausa. Ela deveria dizer o nome a eles? Não deveria? É um apelido, então deve estar tudo bem, né? [Meus amigos me chamam de Mali. Vocês podem fazer o mesmo]
O Tanque-man (Leah ouve o nome dele errado) é um homem-fera e, ostensivamente (para não dizer de forma muito prática), o tanque do grupo. Ele usa um conjunto impressionante de armadura e carrega um escudo robusto. Ambos já viram dias melhores. Sua armadura está arranhada e sulcada em múltiplos lugares, e seu escudo está amassado e castigado. Deveria haver uma habilidade relacionada à produção que permite reparar totalmente esses pequenos danos sem desvantagens, então o fato de seu equipamento estar detonado significa que esse grupo não retorna à cidade há algum tempo.
Um elfo no grupo toma a palavra. [Adivinhando que esses seus amigos não puderam vir hoje? Ou, julgando pelo fato de eu não te conhecer, você é uma jogadora nova e chegou aqui em apenas um dia? Ba-ha, só brincando! Meu nome é Shiitake, prazer em te conhecer]
A lacuna entre sua aparência élfica e seu nome e fala grosseiros não poderia ser mais gritante. Ele tem um arco curto pendurado nas costas — provavelmente um escaramuçador, decerto o batedor do grupo. Na opinião da Leah, se ele queria jogar como batedor, deveria ter escolhido um homem-fera pelas habilidades raciais extras de percepção, mas quem é ela para dizer a qualquer um como jogar o jogo?
| Kouki | [Oi, eu sou o Kouki], um segundo elfo se apresenta. [Aquilo foi uma 〔Magia de Fogo〕 impressionante ali atrás! Quão alta é a sua 『INT』?]
Sim, a pergunta mais sensata e educada para se fazer a alguém que você nunca conheceu antes: Quão alta é a sua INT?
Como se Leah fosse responder a isso. Ela achara que ele parecia o mais amigável, mas acabou se revelando o mais rude. Agora que ela o olha pela segunda vez, no entanto, o formato de suas orelhas é élfico, mas o restante dele parece decididamente humano. Deve ter optado pelo escaneamento corporal completo, igual a ela.
| Tonbo | [Ei, que diabo há de errado com você?], um humano consideravelmente grande diz, repreendendo o Kouki, e então se vira para a Leah. [Desculpe, você não precisa responder a isso. Oi, eu sou o Tonbo, DPS corpo a corpo de lança]
Leah não esperava isso do homem de aparência mais bruta e severa do grupo. Costeletas, bigode e barba cheia — será que esse homem nunca ouviu falar de uma lâmina de barbear na vida?
Ainda assim, Tonbo, huh? Vamos ver se a lança dele é tão afiada quanto o homônimo.
| Hourai | [Hourai], disse o último e mais reservado homem na equipe de cinco pessoas. Leah teve que olhar para baixo para vê-lo. O homem é baixo. Como uma criança. Mas ele tem um enorme martelo de guerra nas costas. Deve ter levado a otimização de sua 『FOR』 ao extremo se empunha isso desde o começo. Embora agora que ela realmente olha para ele, ele é um anão. Ela se desculpa internamente pelo comentário da criança.
O Tanque-man decide que é sua vez de falar de novo. [Olha, isso pode não ser da minha conta para falar para alguém que veio aqui solo e explodiu um grande pedaço da floresta, mas eu seria negligente se não te avisasse — esta floresta não é igual à cidade de onde você acabou de vir. A classificação de quatro estrelas — provavelmente é uma média calculada entre a cidade e a floresta]
Leah agradece a informação gratuita, mas não é nada que ela já não tivesse considerado. A facilidade relativa da cidade bem que poderia ser porque o grosso das forças da masmorra está concentrado na floresta.
| Takuma | [Acho que o que estou tentando dizer é — gostaria de se juntar ao nosso grupo por enquanto?], Tanque-man continua. [Ter alguém com o seu poder de fogo é obviamente uma vitória para nós. Quanto a você, terá o Kouki te curando, o Shiitake vigiando suas costas contra ameaças — parece uma experiência mais confortável, não?]
Confortável. Para eles? Talvez. Para ela? Nem tanto.
Ela não se importa com o desconforto — não quando se trata do jogo. Mas cinco homens estranhos orbitando ao seu redor o tempo todo enquanto ela joga o dito jogo? Agora, isso parece muito pior do que ir solo.
Isso está ficando irritante. Leah fica tentada a apenas matá-los, afinal. Mas após decidir se apresentar, essa não seria a opção mais produtiva. Bem, ela supõe que possa haver algum benefício nesse arranjo. Não porque precise de ajuda, mas porque terá a chance de observar um batedor elfo e um usuário de lança comum de perto. Ela pode assistir ao uso de habilidades deles, sua coordenação e a eficácia de seus equipamentos. Ela pode vir a aprender algo com isso.
| Mali | [Acho que você está certo], Leah respondeu. [Ficarei feliz em me juntar, por quanto tempo me quiserem por perto]
Se a situação ficar realmente feia, ela sempre pode apenas matar a todos de qualquer forma, que se danem as consequências. Se agora ou mais tarde, essa é a única questão real. Sem problemas em esperar para ver como as coisas se desenrolam. O único problema será se alguém testemunhar o PK acontecendo, mas... bem, esse é um problema para a Leah do futuro.




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