Capítulo 5 — Caça ao Monstro
Eu seguro o machado recém-cunhado com as duas mãos e tento um golpe de teste. O machado é pesado em minhas mãos e passa uma sensação de bastante solidez. Obviamente, eu queria que a extremidade com a cabeça do machado fosse mais pesada — isso ampliaria a força centrífuga a cada golpe e faria a lâmina morder mais fundo. A coisa toda é bem enorme.
Machados curtos não são tão eficazes quanto os mais longos, mas este é talvez um pouco longo demais — parece desequilibrado. Para ser justo, eu não tive tempo ou suprimentos para alterar o machado a esta altura, então apenas terei que me preocupar com isso mais tarde. Eu poderia adicionar um contrapeso ao punho quando chegar em casa para que o machado fique mais confortável de empunhar... mas essa é uma tarefa para outro dia.
| Eizo | [Ok, vamos fazer isso], eu digo.
Como um jogador de beisebol profissional, eu dou mais alguns golpes de teste no ar. Eu não quero golpear com força demais por medo de ter cãibras musculares. Eu me contenho, mas um *vwum* baixo ainda ecoa pela floresta enquanto o machado corta o ar. Antes de cada golpe, meu corpo se inclina em direção ao machado por causa de seu peso colossal, mas isso nunca me faz perder o equilíbrio. Eu ainda consigo desferir golpes precisos.
| Eizo | [Como está?], eu pergunto a Rike, que está me observando como um árbitro.
| Rike | [Eu acho que você é capaz de empunhá-lo bem], ela responde. [Mas quem quer que vá balançar este machado terá que usar muita força para fazê-lo se mover. Você não tem problemas porque é forte o suficiente]
| Eizo | [Mas talvez a Lidy, por exemplo, lutaria para usar isto]
| Rike | [Exatamente. E duvido que eu conseguiria usar também]
Lidy acena positivamente com a cabeça de onde está descansando.
Okay, então agora o problema é se isto pode ser empunhado por qualquer um. Lidy não é de forma alguma fraca. Se fosse, lutaria para cuidar do jardim e certamente seria incapaz de puxar a corda de um arco. Se ela não fosse forte o suficiente para empunhar o machado, eu suspeito de que a Diana lutaria também, embora ela seja bastante poderosa. Aquelas duas damas estão fora da equipe de lenhadores — caçadores de monstros?
| Eizo | [Tudo bem, é hora de uma reunião de equipe], eu anuncio. [Nós precisamos descobrir como derrubar aquela árvore. Posso pedir para vocês reunirem todo mundo?]
Rike e Lidy acenam positivamente com a cabeça. Enquanto as observo partir, eu giro meus ombros; parece que balançar o machado cobrou um preço do meu corpo, mesmo eu tendo sido tão cuidadoso. Todos, exceto Latifa, se aproximam — ela aparentemente deseja continuar vigiando o monstro.
| Helen | [Ei, parece bom], Helen diz.
| Eizo | [É um trabalho corrido], eu respondo com um sorriso tenso. [Esta coisa é um pouco rústica e bruta demais para ser um dos nossos produtos]
Helen levanta o machado no ar sem problema nenhum. Eu consigo ver as marcas recentes de martelo no metal de forma clara como o dia, então eu de fato quero poli-lo eventualmente. E talvez adicionar algumas decorações. Isso faria parecer mais com uma criação adequada da Forja Eizo.
| Eizo | [Agora, então, vamos bolar um plano], eu digo.
Helen abaixa o machado e o coloca no chão. [Parece bom]
Não estou nem um pouco surpreso por ela conseguir levantá-lo sem suar a camisa.
Nós dois corremos para onde todas estão se reunindo.
| Eizo | [Como está o monstro?], eu pergunto.
| Samya | [Ainda se contorcendo], Samya diz dando de ombros. [Aquela coisa não mostra sinais de crescer ou se mover do lugar, mas me dá arrepios]
| Eizo | [Parece perigoso?]
| Samya | [Nenhuma pista. Honestamente, qualquer coisa pode acontecer], ela balança a cabeça com resignação.
Eu olho ao redor para o resto da nossa família. [Talvez devêssemos nos apressar. Eu quero lutar com um grupo pequeno, mas afiado. Nós temos um pouco de espaço ao redor daquela coisa para trabalhar, mas ainda assim vai ser apertado. Nós só temos algumas armas que serão eficazes contra ela]
Helen levanta a mão. [Lâminas afiadas para fatiar funcionarão melhor]
| Eizo | [Então eu, Diana e Helen], eu murmuro de braços cruzados.
Helen acena positivamente com a cabeça. [E acho que a Anne deveria ficar encarregada do machado]
| Anne | [Eu?], Anne pergunta, de olhos arregalados e apontando para si mesma.
| Helen | [Isso aí], responde Helen. [O Eizo, a Diana e eu cuidaremos das coisas que se contorcem. E podemos dar segmento ao seu ataque se for necessário. Enquanto nos livramos daqueles apêndices, quero que você corra e balance esse machado], ela faz a contagem regressiva com os dedos. [Depois de mim, os que têm mais força são a Samya, você e o Eizo. E, Anne, você é a mais experiente em empunhar uma arma pesada]
| Anne | [Entendo...], Anne fica em silêncio por alguns instantes, ponderando, antes de acenar positivamente com a cabeça. [Okay. Eu farei isso]
Eu percebo uma determinação ardente tremeluzindo nos olhos dela.
| Helen | [Não se preocupe], Helen a tranquilizou. [Nós estamos aqui para apoiar você. Vamos acabar com isso e dar o dia por encerrado]
Todos nós acenamos positivamente com a cabeça. E assim, nossa equipe de subjugação de monstros está definida.
[Kululu]
[Arf! Arf!]
[Kree!]
| Maribel | [Boa sorte!], Maribel grita.
Minhas filhas agem como nossas líderes de torcida; Samya, Rike e Lidy nos acenam na despedida. Diana, Helen, Anne e eu vamos derrotar aquela árvore. Nós rapidamente repassamos nosso plano de batalha uma última vez.
Helen, que está à frente do nosso grupo, vira-se para nos encarar. [Eu não sei como aquelas coisas que se contorcem vão se mover, mas eu estarei na frente. Eizo, se eu deixar alguma passar por mim, quero que você cuide dela. E, Diana, se ele errar alguma, fica por sua conta]
| Anne | [Eu só preciso ficar na parte de trás e balançar isto contra o tronco, certo?], Anne pergunta, segurando o machado nas mãos.
Helen acena positivamente com a cabeça. [Apenas foque em balançar com toda a sua força. Preocupe-se apenas em atingir o seu alvo. O resto... bem, vamos apenas torcer para que o machado do Eizo esteja à altura]
Ela olha para mim, e eu dou de ombros. [Ei, eu posso garantir a qualidade para você]
Ele foi feito rapidamente em uma forja temporária, mas eu não me contive. Embora possa não ser um modelo totalmente personalizado, está bastante perto disso. A lâmina consegue cortar qualquer árvore normal sem esforço. O problema é...
| Eizo | [Se o monstro for incrivelmente resistente, você pode precisar dar dois ou três golpes], eu digo.
Anne e Helen acenam positivamente com a cabeça. Este machado poderia derrubar qualquer árvore comum com um único golpe, mas estamos enfrentando um monstro. É seguro assumir que a madeira pode ser muito mais resistente do que o esperado.
| Helen | [Bem, se isso acontecer, nós damos um jeito], Helen diz. [Vamos garantir que você consiga desferir algumas boas pancadas, Anne]
| Diana | [Sim], Diana diz com um aceno de cabeça.
Ela é a minha reserva, mas isso também significa que se a Helen e eu errarmos qualquer apêndice, ela será nossa linha final de defesa — aquela que precisará cuidar de tudo. Mas se a Diana não tivesse a habilidade, Helen não teria confiado nela para este posto importante. Diana deve ter sabido disso, é claro, mas o conhecimento de que seus esforços poderiam impactar diretamente o resultado é o suficiente para causar certa tensão no ar. Ela cerra os punhos, com os nós dos dedos ficando mais brancos do que o habitual.
| Eizo | [Nós só precisamos lutar como de costume], eu digo. [É assim que temos feito até agora, certo?]
Eu não tenho base para minhas afirmações, mas o que mais eu poderia dizer? Faz apenas um ano desde que cheguei a este mundo, mas trabalhamos duro para chegar a este momento.
| Diana | [Sim. Eu vou dar o meu melhor], Diana cerra o punho com entusiasmo, e o resto de nós ri baixo de sua energia.
Quando chegamos ao monstro árvore, mal consigo acreditar nos meus olhos.
| Eizo | [O que dia...?], eu murmuro.
Enquanto ficamos ali por alguns segundos em silêncio atônito, Latifa corre até nós.
| Latifa | [Pessoal! Um! Uh!], ela clama.
Ela luta para falar, mas não precisamos que ela explique o que estamos olhando. Quero dizer, está bem diante dos nossos olhos.
| Eizo | [Uh, eu achei que houvesse apenas dois apêndices], eu digo.
Helen acena positivamente com a cabeça devagar. [É. Até momentos atrás, havia apenas dois]
As vinhas que se contorcem do monstro árvore se multiplicaram. Há seis agora, retorcendo-se no ar de forma ameaçadora.
| Helen | [Hm, o que nós fazemos...?], Helen murmura.
Nós acalmamos a Latifa, e nossa mercenária residente gira suas lâminas com perícia enquanto encara as seis vinhas, perdida em pensamentos pensativos. Ela provavelmente está se aquecendo — ela faz isso frequentemente durante os treinos também.
| Eizo | [Eu espero que não cresçam mais vinhas], eu comento, alongando minhas pernas.
Eu odiaria pular demais por aí e distender um músculo da minha perna...
| Diana | [Pelo menos o monstro ainda não se moveu deste lugar], Diana aponta.
| Anne | [Sim], Anne concorda. [Se essa coisa começar a se mover, pode simplesmente fugir do nosso controle]
Eu não tenho certeza se é porque ambas têm uma linhagem nobre, mas às vezes elas agem como irmãs.
| Helen | [Tudo bem, eu assumo três], Helen diz. [Eizo, você pega duas]
| Eizo | [Entendido], eu respondo.
| Helen | [E, Diana, enfrente a restante]
| Diana | [Okay]
| Helen | [E se algo acontecer quando as cortarmos...], Helen pausa e gira suas lâminas nas mãos. [Nós nos preocupamos com isso se acontecer]
Quando ela exibe seu sorriso destemido, nós só conseguimos dar sorrisos forçados em resposta.
| Helen | [E assim que as vinhas forem cortadas e encurtadas, será a hora da Anne correr para dentro], Helen adiciona. [Golpeie com esse machado bem no centro]
| Anne | [Anotado], Anne diz, erguendo o pesado machado sobre o ombro.
Ela não parece de forma alguma uma princesa delicada — é ainda mais intimidador quando uma beleza incrível como ela age de forma ameaçadora. Agora não é hora de se preocupar com isso, no entanto.
| Helen | [Agora que estamos todos na mesma página...], Helen diz, preparando suas lâminas no ar. Com um *swish* suave, eu desembainho a Gelo Diáfano, e a Diana faz o mesmo com sua espada. [Vamos fazer isso!]
Esse é o nosso sinal. De uma vez, todos nós corremos em direção à árvore. Até agora, estávamos fora de alcance, mas no momento em que entramos no espaço do monstro, os tentáculos avançam contra nós. Anne está um passo atrás de nós com seu machado e, como linha de frente, o resto de nós assume o peso do ataque do monstro. Ele mira duas vinhas contra cada um de nós; talvez seja do tipo cauteloso.
Honestamente, este monstro me dá arrepios sem fim. Ignoro meus arrepios e corro em direção às duas vinhas que miram em mim. O monstro é rápido enquanto tenta me golpear com seus apêndices. Eu prefiro muito mais isso a ser envolvido e contido por eles se eu errar. Isso pareceria ruim... em mais de um sentido.
| Eizo | [Hmph], eu grunho.
Os reflexos que a Cão de Guarda concedeu ao meu corpo fazem bem o seu trabalho — eu corto um tentáculo em um único movimento limpo. Percebo que a Helen decepou dois num piscar de olhos, e a Diana está ocupada fatiando um de seus dois tentáculos também. Golpe Relâmpago realmente é um epíteto adequado para a Helen, e como sempre, fico maravilhado com sua velocidade. Diana também exibe habilidades de esgrima impecáveis enquanto fatia nitidamente uma vinha. Sinto que ela poderia ter lidado com duas.
De repente, três vinhas disparam em direção a ela em grande velocidade.
| Eizo | [O que dia...?!], eu grito.
Bem diante dos meus olhos, as vinhas do monstro se multiplicaram. Apesar do meu otimismo e da esperança de que resolveríamos isso rapidamente, parece que ele tinha um plano reserva. Helen e eu tentamos apressadamente lidar com quaisquer vinhas que ficassem ao alcance do golpe, mas então nós percebemos.
Os tentáculos não conseguem nem sequer tocar a Diana.
Ela respira de forma constante e gira, fatiando as vinhas em pedaços. A Rosa dos Campos de Duelo não recebeu seu título apenas por ser uma mulher nobre. Parece que a Diana consegue lidar com ainda mais do que isso sozinha.
Foi quando percebo um brilho de aço frio. Anne havia corrido para dentro. Os tentáculos decepados ainda estão se contorcendo por ali, mas enfraqueceram consideravelmente. A princesa imperial avança como um caminhão, com o machado erguido no alto. Ela descarrega o machado sobre o monstro árvore, que quase parece estar nos encarando de forma nefasta.
*Clang!* Um som claro reverbera por toda a Floresta Negra, mas o monstro parece ileso.
| Eizo | [Vamos lá...], eu rezo.
Eu corto mais tentáculos que se contorcem, torcendo veementemente para que as coisas funcionem como sempre funcionam. Este plano certamente parece que dará certo, mas eu não consigo relaxar até ver os resultados. Há um *shwump* alto, como se algo tivesse se levantado e começado a se mover, e meu coração quase salta do peito. O monstro árvore desliza lentamente para trás, afastando-se do machado, esperando fugir do poder da Anne.
| Latifa | [Como isso...?], Latifa murmura.
Sua voz é pequena, mas seu choque é evidente. Minha família tinha sentido a mesma coisa meros momentos atrás. Eu balanço a cabeça para me livrar de pensamentos inúteis e observo a árvore. Anne ainda está ocupada golpeando. Ela mudou sua empunhadura para poder golpear de baixo para cima — em uma trajetória diagonal — em vez de descarregar o machado de cima da cabeça.
O monstro árvore de movimentos lentos não consegue fugir dos ataques dela. Após vários golpes que mordem fundo na madeira, o tronco maciço foi desancorado e começa a tombar. A princípio, a queda do monstro foi gradual, mas logo ganha velocidade até que, finalmente, o monstro árvore colide contra o chão com um *thud* ensurdecedor.
Num piscar de olhos, Helen começa a fatiar os tentáculos enfraquecidos. [É aqui que o problema começa]
Eu imaginei que o monstro morreria assim que fosse derrubado, mas eu não sei exatamente muito sobre a biologia dos monstros. Eu não ficaria muito surpreso se tivéssemos que picar este monstro em pedaços cada vez menores até que ele morra. Nós tiramos um minuto para observar cuidadosamente as vinhas, o tempo todo nos certificando de que o monstro não tentasse nenhuma gracinha. Anne ergue o machado no ar mais uma vez.
A batalha provavelmente não levou muito tempo, mas parece que algumas horas se passaram. Depois de muito golpear, fatiar e cortar, a árvore em si para de se mover, e as vinhas antes cheias de energia mal se contorcem. Os sons da nossa respiração exausta se misturam com os gorjeios pacíficos dos pássaros ao longe. Quero dizer... acho que nós o vencemos, certo? Mas, ao contrário de goblins e trolls que desaparecem no éter quando morrem, um monstro que não é feito de energia mágica pura — um que estava vivo antes de ser transformado em uma besta — deixa um corpo para trás. Obviamente, este monstro era originalmente uma árvore, e elas não se movem, então eu não consigo dizer se ele foi completamente derrotado. Que sinais eu deveria sequer procurar?
| Eizo | [Uh, talvez nós devêssemos chamar a Latifa], eu sugiro.
| Helen | [Sim], Helen concorda.
Felizmente para nós, temos um espírito da árvore do nosso lado. Certamente, ela saberia se o monstro ainda está vivo ou não. Foi ela quem nos fez este pedido de qualquer forma, então preciso que ela se certifique de que sua ordem foi cumprida para a satisfação dela.
| Eizo | [Sinto muito por arrastar você para perto do campo de batalha, mas você poderia, por favor, verificar e ver se o monstro ainda está vivo?], eu pergunto.
| Latifa | [S-Sim!], Latifa responde.
Ela se aproxima cautelosamente da árvore caída, e nós a seguimos, com nossas armas de prontidão para que possamos defendê-la se necessário. Helen, na verdade, embainhou suas lâminas para poder estar pronta para agarrar a Latifa e levá-la para um local seguro, se preciso.
Latifa estica o pescoço para lá e para cá, espiando acima da árvore, depois abaixo, observando cuidadosamente cada centímetro do monstro.
| Latifa | [Ah!], ela exclama alto.
Latifa tinha falado mansamente até agora, então seu grito incomumente alto nos faz brandir nossas armas, mas ela imediatamente acena com as mãos na frente do rosto.
| Latifa | [Oh, n-não! Sinto muito!], ela diz. [Vocês conseguiram! Vocês derrotaram o monstro! É apenas uma árvore agora!]
Nossa família troca um olhar e, depois, toques de mão de vitória. Por alguns instantes, comemoramos nosso momento de triunfo, mas a Helen mais uma vez desembainha suas lâminas, e minha Gelo Diáfano ainda está de prontidão. O monstro em si pode estar morto, mas as vinhas ainda estão presentes e se contorcendo bem de leve.
| Eizo | [Essas vinhas não são na verdade o corpo real do monstro, certo?], eu me pergunto.
Helen, que está na minha frente, dá um sobressalto. [Heh, vamos lá, isso não tem graça]
Ela não se vira para mim, mas vejo um sorriso tenso e sem jeito passar por seu rosto; apesar de seu tom, talvez ela tenha tido o mesmo pensamento que eu. Enquanto encaramos as vinhas, elas dão um último espasmo antes de cessarem qualquer sinal de movimento.
| Eizo | [Tenham cuidado], eu aviso.
| Helen | [Eu sei], Helen diz.
Ela se aproxima e cutuca uma vinha sem vida com a ponta de sua espada; o tentáculo não se move.
| Eizo | [Você sente alguma energia mágica nelas?], eu pergunto a Latifa.
Ela arqueja, despertando de seu transe enquanto encara as vinhas. [Hmm, eu acho que vocês conseguiram, mas...], o rosto dela fica sombrio.
| Eizo | [O que há de errado?], eu pergunto.
De um pouco mais longe, Samya chama: [Ele está morto?], provavelmente atraída por nossos gritos de vitória, ela se aproxima de nós trazendo Krul, Lucy, Hayate, Maribel, Rike e Lidy logo atrás.
| Latifa | [A energia mágica ainda permanece...], Latifa murmura. [Nós provavelmente teremos que limpar isso]
| Eizo | [Hmm...], eu murmuro, colocando a mão no queixo.
O monstro em si se foi, mas as vinhas ainda persistem teimosamente. Como elas estavam se alimentando de uma árvore que havia se transformado em monstro, elas também estão cheias de energia mágica, e nós vimos com nossos próprios olhos como elas conseguem se multiplicar rapidamente. Até mesmo as que nós cortamos poderiam se regenerar com o tempo.
| Eizo | [Acho que é aqui que precisaremos da ajuda do fogo], eu digo. [Tudo bem por você?]
Latifa acena positivamente com a cabeça ansiosa.
Ótimo. [Agora, então, como nós vamos queimar essa coisa?]
Madeira verde já é difícil o suficiente de queimar, e esta é uma árvore inteira que já foi um monstro — eu não tenho certeza de quão facilmente ela pegaria fogo. Eu deveria testar uma vez? Mas e se algo acontecer enquanto a estivermos queimando?
| Eizo | [Maribel], eu chamo.
| Maribel | [Sim?]
| Eizo | [Você acha que consegue queimar aquela coisa?]
Talvez o fogo normal não funcione, mas eu tenho um fogo mágico mais poderoso do meu lado — Maribel. Certamente, ela daria um jeito. Sinto-me um pouco culpado por depender tanto dela, mas tento disfarçar.
| Maribel | [Claro], Maribel responde.
| Eizo | [Então eu poderia pedir para você me ajudar?], eu indago. [Sinto muito. Eu sei que é muito trabalho, mas a Helen e eu vamos garantir que você fique segura]
| Maribel | [Okay!]
Maribel sorri brilhantemente enquanto se aproxima das vinhas que se contorcem fracamente. Helen e eu a seguimos, com nossas armas desembainhadas.
| Maribel | [Hiyah!], Maribel grita.
Ela acena com as mãos em direção às vinhas, e elas instantaneamente irrompem em chamas. O fogo normal não conseguiria queimar daquela forma; o da Maribel é poderoso o suficiente para reduzir os tentáculos a cinzas em questão de segundos.
| Maribel | [O que você acha?], ela pergunta.
Eu mostro a ela um polegar para cima. [Perfeito]
Maribel sorri orgulhosa e começa a queimar todas as vinhas.
| Eizo | [E essa é a última], eu digo enquanto a Maribel incendeia a vinha final, deixando para trás nada além de cinzas. Eu me viro para a Latifa. [Você ainda consegue detectar magia?]
Latifa força os olhos, escrutinando a árvore e as vinhas, depois balança a cabeça vigorosamente. [Não! Não consigo sentir nenhuma magia!]
Uma comemoração surge entre os galhos da Floresta Negra. Eu olho ao redor, verificando se há mais alguma coisa suspeita, antes de meus olhos pousarem de volta na árvore caída.
| Eizo | [O que nós fazemos com isto?], eu pergunto a Latifa.
Ela encolhe os ombros, parecendo sem jeito. [Embora eu não tenha certeza se mais problemas podem surgir dentro desta árvore, não acho que devamos deixar o receptáculo de um antigo monstro no local onde ele foi corrompido. Acho melhor que nós o cortemos em pedaços...]
| Eizo | [Entendido]
Até agora, eu nunca tinha derrotado uma criatura que tivesse se transformado em monstro. Na verdade, o urso-negro pode ter sido uma, mas, honestamente, eu não tinha certeza. Os outros monstros que enfrentei tinham nascido de energia mágica pura, e não possuíam corpos físicos. Esses monstros puros se dispersavam no ar quando morriam, então não havia necessidade de se preocupar com um cadáver. Mas, neste caso, uma árvore era o antigo receptáculo do monstro, e ela pode potencialmente se transformar em monstro novamente.
Latifa está certa em ser cautelosa. Caída aqui em uma poça de magia estagnada, ela com certeza poderia se tornar um receptáculo de novo. Este tronco enorme tem que ser resolvido. Vamos cortá-lo.
| Eizo | [Okay, então estamos na reta final!], eu exclamo.
O resto da minha família concorda, e nossas vozes poderosas enchem a floresta em um grito de triunfo.
Anne ergue o machado acima da cabeça. [Eee... Humph!]
Eu não acho que esse grunhido seja adequado para um membro da realeza imperial, mas tanto faz. O som que o machado faz ao afundar na madeira é diferente agora. Não ecoa mais com um alto *clang* metálico — o som é mais como um baque surdo. Isso acontece porque o machado corta toda a espessura do tronco a cada golpe, e a cabeça do machado se enterra no chão da floresta. Helen coloca o pé no que sobrou do tronco enquanto encaramos os pedaços de madeira.
| Eizo | [Esta árvore era grande de fato, mas graças a Deus não era tão grande], eu digo. Se tivesse sido muito maior, teria sido um sacrifício cortar o tronco em pedaços.
| Helen | [Eu posso podar os galhos, não posso?], Helen pergunta enquanto desembainha suas lâminas.
Eu aceno positivamente com a cabeça. [Por favor, faça isso]
As armas dela são duráveis e conseguem aguentar o uso bruto de uma das mercenárias mais rápidas da região. Ela consegue podar os galhos num piscar de olhos.
Ela respira fundo, depois solta o ar com um bufo e desaparece quase inteiramente de vista. Eu vejo apenas flashes de seu cabelo ruivo e daquelas lâminas azuis enquanto ela corta habilidosamente os galhos. O tempo todo, Anne transforma o tronco em toras, e a Helen cuida dos galhos nelas também. A dupla trabalha como máquinas; toras lisas se formam bem diante dos meus olhos.
| Eizo | [Podemos deixar os galhos cortados aqui?], eu pergunto.
Latifa acena positivamente com a cabeça. [Esses devem ficar bem. A árvore como um todo era grande o suficiente para se tornar um receptáculo, mas galhos destacados não devem ser ameaça alguma]
| Eizo | [Tudo bem então], Teria sido problemático se cada um daqueles galhos tivesse a capacidade de se transformar em monstro, mas podemos deixar os pequenos (aqueles não mais grossos que o meu braço), e as feras desta floresta vão dar um fim rápido neles.
Assim que terminamos de golpear a árvore inteira, eu me viro para a Latifa. [Nós completamos o pedido para a sua satisfação?]
| Latifa | [Sim! Muito obrigada!]
A família suspira de alívio quando recebemos o selo de aprovação dela.
| Eizo | [Então acho que o nosso trabalho aqui está concluído], eu digo.
Nós batemos as mãos em comemoração novamente e, enquanto observo todas limparem tudo e saírem, minha mente vaga em direção a um plano para esta noite. Afinal de contas, nós simplesmente temos que comemorar um trabalho bem feito.
| Eizo | [Que tal... nós fazermos uma pequena festa?], eu pergunto.
Todas comemoram. Nós provavelmente poderíamos continuar nossa caminhada pela floresta se quiséssemos, mas achei que poderíamos fazer uma pequena festa no início da noite e depois ir dormir cedo, descansar bastante e partir com a primeira luz do dia. Isso atrasará nosso plano da rota de fuga em um dia ou dois, mas todos parecem exaustos, então achei melhor descansarmos por hoje.
Latifa se junta à nossa celebração. Quando a convidamos primeiro, ela recusou e alegou que não tinha feito muito para ajudar. Lembrei a ela que ela tinha ficado vigiando o monstro o tempo todo e pedi que se juntasse a nós pelo menos por um momento. A atmosfera festiva pode ajudar a melhorar o humor e o moral dela. Eventualmente, ela aceitou a oferta.
| Eizo | [Eu adoraria ter adicionado alguns temperos extras ao nosso jantar, mas deixei a maior parte deles em casa], eu digo com um suspiro.
| Rike | [Não há nada que você possa fazer a respeito disso], Rike diz com um olhar compreensivo.
Eu examino as sobras do almoço caseiro da Diana e da Anne, depois coloco a panela no fogo e espero ferver. Sem o meu repertório completo de temperos, não consigo fazer nada muito requintado. Dito isso, decido fazer uma fatia de pão sem fermento mais luxuosa (mais do que o habitual). Para ser honesto, é apenas um pouco mais espessa.
E como estamos acampando, também não temos álcool. Rike aguenta bem a bebida e provavelmente conseguiria agir normalmente mesmo se bebesse. Ainda assim, estamos sem sorte no quesito bebida no momento. Vou incentivá-la a beber até se fartar quando voltarmos para casa.
| Eizo | [Nós só temos água em nossos copos... mas aqui vai um brinde por derrotar o monstro!], eu anuncio.
| Todas | [[[[[[Saúde!]]]]]], todas gritam.
Todos nós batemos nossos copos de madeira e damos longos goles de água. Todos começam a conversar sobre a batalha de hoje, e a fogueira no centro do nosso acampamento está lançando fumaça no ar. Felizmente, esta madeira — os restos do monstro árvore — queima muito bem.
| Helen | [Eu não achava que árvores pudessem se transformar em monstros também], Helen murmura enquanto encara as chamas tremeluzentes.
| Latifa | [É muito raro], Latifa diz, atacando sua comida com entusiasmo. [Eu vivi muito mais tempo do que todos vocês e até eu só vi isso algumas poucas vezes]
A única parte da árvore que restou foi o toco, e a Latifa vai ficar de olho bem aberto nele. Aparentemente, só porque algo se transformou em monstro não significa que seja mais provável que se transforme em monstro novamente. Ainda assim, ela quer vigiá-lo para ver se ele vai brotar algum crescimento novo. Ela disse que espera que sim e quer que os novos brotos cresçam fortes e saudáveis. Esse é o trabalho dela como um espírito da árvore. Decidi confiar a ela essa função.
| Eizo | [Você normalmente não se move muito por aí, não é, Latifa?], eu pergunto.
Ela engole sua água rapidamente. Enquanto a observo, percebo que ela não está exatamente... bebendo. É mais como se ela estivesse nos copiando e fingindo dar um longo gole. Ela parece estar bebendo com frequência e uma quantidade considerável, mas raramente pede que encham seu copo de novo. Ela deve engolir apenas um filete minúsculo a cada gole.
Latifa dá outro pequeno gole. [Isso mesmo. Eu geralmente ajo como uma árvore e raramente me mostro diante dos outros. Não é como se muita coisa costumasse acontecer por aqui, e as fadas estão encarregadas de administrar a energia mágica]
| Eizo | [Então isso significa que você se manifesta quando ocorre um problema], eu adivinho.
| Latifa | [Algo assim]
Ela está aqui porque as árvores assim desejaram. Parece que ela não tem o poder de interferir diretamente como a Lluisa tem. Mas a Lluisa é claramente especial, já que faz parte do Dragão da Terra.
| Latifa | [Eu consigo lidar com a maioria dos problemas por conta própria], ela continua com um sorriso gentil. [Este foi um caso raro]
Eu sorrio de volta. [Se você precisar de nós algum dia, pode sempre avisar a Lluisa. Ela provavelmente vai nos trazer até aqui. Não posso dizer que estaremos aqui imediatamente, mas...]
Leva um pouco mais de um dia de caminhada da cabana até aqui. Se pudéssemos nos teletransportar, seria uma história diferente, mas não tenho certeza se um feitiço assim sequer existe. E mesmo que um feitiço existisse e alguém pudesse usá-lo, duvido que eu cruzaria com essa pessoa algum dia. Quero dizer, parece conveniente demais.
Latifa pisca para nós pensativa antes de exibir outro sorriso. [Okay. Sempre que eu precisar, estarei contando com vocês]
Um pequeno estalo de protesto ecoa no ar. Ele vem de uma tora — outrora parte do monstro — na fogueira esfumaçada. Lucy late, todos riem juntos, e nossa pequena comemoração na Floresta Negra lentamente se aproxima do fim.
| Eizo | [Sinto muito], eu peço desculpas. [Talvez devêssemos limpar tudo melhor ou algo assim. Não deixar rastros e tudo mais]
| Latifa | [Oh, não se preocupem. Vocês estão bem], Latifa olha para o nosso grupo de cima a baixo, claramente impressionada. [Todos vocês são realmente fortes. Foi bastante chocante ver vocês em ação]
Eu sorrio. [Bem, nós somos os Protetores da Floresta Negra]




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