Capítulo 3 - Punição Pública




Depois de guardarem seus equipamentos no alojamento, que por acaso fica localizado diretamente ao lado da guarnição, o grupo da Homura segue imediatamente em direção às barracas de comida. Ares e os outros, que estão levando muito a sério a tarefa de observar a cidade, dizem que vão até o porto para questionar as pessoas sobre o ataque ao navio mercante.
As barracas de comida são encontradas principalmente nas praças de Aurerich. Essas praças ficam localizadas por toda a cidade; algumas funcionam como praças de alimentação simples, enquanto outras incluem lugares para descansar, além de estabelecimentos completos de comida e bebida para completar. O cheiro tentador de comida deliciosa paira pesado no ar.

| Homura | [Tsutsumi, o que você gostaria de comer?], Homura pergunta.
| Tsutsumi | [Me dê carne!]

Mesmo com a máscara cobrindo seu rosto, fica óbvio que ela está sorrindo.

| Homura | [Okay! Se há uma coisa garantida para dar um ânimo nos passos da Tsutsumi, é a perspectiva de devorar um pouco de carne...]

Tsutsumi ama tanto carne que você pensaria que ela é uma carnívora. Ela quase sempre pode ser encontrada mastigando um pedaço de carne no momento em que uma missão termina. Obviamente, ela precisa de muita proteína para manter seus estupendos poderes de regeneração, mas a Homura tem bastante certeza de que a Tsutsumi apenas ama o sabor da coisa.
Tsutsumi conseguiu colocar as mãos em uma quantidade gigante de espetinhos de carne, que estão embrulhados em papel. Como ela não pode tirar a máscara em público para comer, ela está atualmente aninhando a carne em seus braços, com um saltitar feliz em seus passos. Ela parece adorável, quase como um filhote de cachorro solto em uma despensa.

| Homura | [Agora, então, o que eu devo pegar?]

Há uma grande variedade de comida, exatamente como se esperaria de uma cidade portuária tão movimentada e próspera.

| Homura | [Eu vou querer um desses, por favor, senhor], Homura aponta para algum tipo de prato de peixe frito e vegetais, que vem embrulhado em uma massa fina parecida com uma pizza.
| Vendedor | [Saindo já! Vejo que vocês, garotas, estão com a Falange das Lâminas. Bom trabalho o que vocês fazem por aí!], o dono da barraca responde de forma afável enquanto entrega a comida de Homura em uma embalagem de papel.
| Homura | [Sim, bem... Ha-ha...], diz Homura, sorrindo vagamente, sem saber direito como responder. A Falange das Lâminas tem mais do que sua cota de figuras briguentas e rudes, o que significa que os soldados da Falange frequentemente não são vistos com bons olhos. Como membro da Falange, Homura não está acostumada a receber um incentivo tão aberto assim.

Aliás, contanto que mostrem sua insígnia e assinem um recibo, o exército de Galdorssia está disposto a cobrir a maioria das despesas de seus soldados. Como resultado, os soldados costumam fazer compras rapidamente. Assim, os lojistas de Aurerich tendem a saudar os soldados como alguns de seus melhores clientes. Isso explica por que os lojistas são tão amigáveis, mesmo que as garotas estejam com a Falange das Lâminas.

| Vendedor | [Eu gostaria que você pudesse ter visto o quão animada esta cidade era antes do incidente, no entanto, senhorita. Mas acho que temos outro entretenimento para oferecer agora que— Errr, deixa para lá, eu não deveria mencionar isso a uma soldada. Esqueça isso, ah-ha-ha!]
| Homura | [Entretenimento...?]

Homura quer perguntar ao homem o que ele quer dizer, mas ele já começou a atender o próximo cliente, deixando novas perguntas fora de cogitação.
Mesmo assim... Homura olha para o dono da barraca com o canto dos olhos.
Ao contrário de Galdorssia, Homura nota um número razoável de pessoas de pele escura na cidade. As ilhas do lindo mar azul-profundo de Schelles, que fica localizado ao sul de Aurerich, formam uma nação arquipélago conhecida como Aliança do Mar de Schelles. Aparentemente, é de lá que muitos deles são.

| Homura | [Nós já compramos tudo o que queríamos, então deveríamos encontrar algum lugar para fazer uma pausa logo], Homura sugere.

Algum lugar sem outras pessoas por perto, onde possam relaxar e desfrutar de sua comida. O alojamento é sempre uma opção, mas já que estão aqui nesta pitoresca cidade portuária, seria uma pena não encontrar algum lugar com vista para o oceano.

| Psycho | [Nesse caso, por que não descemos até a praia? Aparentemente está fora dos limites para pessoas normais agora por causa do ataque ao navio], diz Psycho.

Isso é bom saber. Elas começam a fazer o seu caminho para lá imediatamente.
A cidade tem vista para o oceano ao sul. Seguir a costa em direção ao oeste leva ao porto, enquanto a praia fica localizada na outra direção, a leste. A extremidade oeste, centrada em torno do porto, é a área mais movimentada da cidade, enquanto a extremidade leste é mais silenciosa, com a praia, áreas residenciais, parques e assim por diante.
Conforme caminham, as ruas ficam mais silenciosas. Em pouco tempo, a agitação da cidade é substituída pelos sons da maré. As fileiras de edifícios de paredes brancas diminuem lentamente, e a vista se abre diante delas.
Areias extensas.
Ninguém colocou os pés na praia em um passado recente. A areia parece pura e sem manchas, como se alguém tivesse derramado uma camada uniforme de tinta cor de areia sobre a área. Ondas claras se estendem em direção a elas, lançando cristas brancas de espuma enquanto a maré bate contra a costa.

| Homura | [É muito bonito]

Por mais embaraçoso que seja admitir, a praia é quase bonita demais, o que deixa a Homura se sentindo estranhamente indiferente. É tão perfeita que quase parece computação gráfica barata. Nítida e vívida ao ponto de parecer falsa, como se cada pixel individual tivesse sido sistematicamente colocado.

| Homura | [Faz muito tempo desde que vi o oceano de tão perto...]

Para a Homura, o oceano era algo que se via na TV, não pessoalmente, então ela não consegue evitar sentir algo ao testemunhá-lo com seus próprios olhos. Se ao menos não fosse tão perfeitamente bonito como computação gráfica, ela poderia até ter ficado olhando maravilhada.

| Homura | [Quem me dera tivéssemos trajes de banho para podermos ir nadar]

Homura quer tentar nadar no oceano pelo menos uma vez na vida.

| Psycho | [Eles provavelmente os vendem em algum lugar por aqui. É claro que provavelmente não são o tipo de traje de banho com o qual estamos acostumadas], diz Psycho com pouco interesse enquanto fica de pé ao lado da Homura e olha para a água.
| Homura | [Apenas uma vez seria o suficiente, mas eu gostaria de experimentar um maiô bem fofo]
| Homura | [Que tal um maiô de educação física escolar?]
| Homura | [Duvido que eles tenham maiôs de educação física neste mundo!]
| Psycho | [Não, provavelmente não!]

Um maiô de educação física, do tipo que usam nas escolas no Japão, definitivamente não é o que a Homura tem em mente, mas ela espera que a moda de trajes de banho seja uma realidade neste mundo. Com certeza há trajes de banho fofos em algum lugar por aí.
Homura e as outras estão desfrutando de sua comida em um pavilhão localizado em direção a uma das extremidades da praia. A comida está deliciosa e a vista é linda. Naturalmente, elas têm pouca necessidade de falar, absorvidas como estão tanto pela culinária quanto pela paisagem... ou pelo menos, isso soaria sofisticado se fosse a verdade. Mas, na verdade, elas estão em sua maioria apenas focadas na comida. Finalmente, algo rico e saboroso o suficiente até para seus paladares modernos!
O peixe frito da Homura, envolto em uma massa crocante, e os vegetais frescos e suculentos misturam-se perfeitamente com o molho saboroso e fortemente temperado. Seu corpo experimenta uma onda de euforia salgada de umami.
Enquanto a Homura ainda está saboreando sua própria comida, o estômago da Tsutsumi já está roncando de novo. A quantidade massiva de carne no espeto que ela comprou desapareceu quase imediatamente, e ela ainda está reclamando que não foi o suficiente.

| Homura | [Aqui está, Tsutsumi. Diga ahh!], diz Homura, decidindo compartilhar um pedaço de sua própria comida, já que a Tsutsumi ainda está com fome.
| Tsutsumi | [Ahhmph!]
| Homura | [Ah... eu não esperava que você fosse comer tudo. Acho que você estava com fome mesmo! Quem é a garota grandona que come tanto?! Quem é a garota grandona?! É você!]
| Tsutsumi | [Tee-hee...]

Homura afaga desavergonhadamente a cabeça da Tsutsumi.
As garotas estão cada uma desfrutando de sua própria comida à sua maneira, com exceção da Proto, que não tem necessidade de comer e está, em vez disso, banhando-se nos raios de sol enquanto faz uma provocação ocasional às 『formas de vida orgânicas』 e seus 『meios ineficientes de aquisição de energia』. O meio de aquisição de energia muito mais eficiente da Proto envolve abrir o painel do seu peito e expor o seu núcleo, o que explica por que ela está atualmente com o peito nu.
É uma visão que é imodesta demais para escapar da atenção da Homura.
A aparência externa da Proto pode ser 100 por cento artificial, mas peito nu é peito nu, e a Proto faz exatamente o tipo da Homura. Homura sabe que precisa agir com naturalidade! Em vez de olhar diretamente, ela tenta dar espiadas furtivas, certa de que suas amigas não vão notar nada.

| Proto | [Você sabe que nós conseguimos ver o que você está fazendo, certo?], diz Proto.

Não é apenas a Proto — todas elas notaram. Homura consegue sentir os olhares delas perfurando sua alma.

| Homura | [Mas o meu disfarce era tão perfeito...], diz Homura, perturbada por seu crime ter sido tão facilmente exposto.
Psycho começa a deliberar sobre sua punição. [Agora, vejamos, devemos enterrar você na areia ou devemos jogar você no mar...? Ah, é verdade. Você disse que queria ir nadar, não disse?!]
| Homura | [Não desse jeito!]

Se elas vão afogá-la, o mínimo que podem fazer é dar a ela um maiô fofo para vestir.
Enquanto a Psycho ainda está ponderando a sentença da Homura, a mão da Jin congela de repente no meio da refeição.

| Jin | [Eu só queria que tivesse arroz...], ela murmura com profundo desespero.
| Homura | [Quero dizer, até tem arroz, mas não é a mesma coisa, é?]

Faz sentido, já que estão em um mundo diferente, mas a falta de um arroz devidamente grudento, como tinham de volta no Japão, tem sido um ponto doloroso para as garotas desde a sua chegada a este mundo.

| Jin | [Meu sangue japonês clama por arroz...], diz Jin enquanto seu desejo fica tão grande que ela começa a falar bobagens. Elas são subitamente interrompidas por uma voz familiar, mal audível por causa da maré.
| Ares | [Ah, vocês, garotas, estão aqui também]

É o Ares e seu grupo. Eles estiveram explorando a cidade separadamente. Eles se sentam na mesa ao lado das garotas, cansados de toda a caminhada que fizeram.

| Ares | [Espere... você é aquela que estava naquela armadura. Você diminuiu de tamanho?]

Ares e os outros estão vendo a Proto sem sua armadura pela primeira vez. Assim que finalmente a notam, eles olham em choque. Embora saibam que a Proto não é humana, não há como entenderem que tipo de criatura ela realmente é. Mesmo em seus sonhos mais selvagens, eles provavelmente nunca teriam imaginado que ela esteve preenchendo sua armadura com tentáculos semelhantes a fios que se estendem de seu núcleo tecnológico, animando-se assim como uma criatura exoesqueletal.

| Proto | [Esta é a minha forma real... Bem, na verdade, esta é a minha forma real], diz ela, expondo seu núcleo para eles.
| Ares | [Por favor, chega... Deixem-nos pelo menos um pingo de sanidade...], diz Ares, virando os olhos para o teto do pavilhão.

Para evitar maiores danos à sua estabilidade mental, os dois grupos passam os momentos seguintes ignorando-se mutuamente, aproveitando a praia separadamente. Assim que o Ares recupera a compostura, ele respira fundo e então fala com a Homura e as outras.

| Ares | [Bem, o que todas vocês acharam da cidade?]
| Homura | [Parece muito boa. As ruas são bonitas e bem animadas... embora supostamente costumasse ser ainda mais animada no passado]

As garotas aproveitaram muito o seu tempo e já desenvolveram um carinho por Aurerich. Elas estão claramente começando a experimentar um pouco daquele 『apego』 que o Torreque mencionou.

| Ares | [Entendo. As partes da cidade que vimos estão um pouco mais sombrias]
| Homura | [Vocês visitaram o porto, certo?]
| Ares | [Sim. O comércio foi em sua maioria restrito devido ao afundamento do navio mercante. Os mercadores que viajam por mar, em particular, estão sentindo o aperto. Não vai demorar muito para que esse descontentamento se espalhe para o resto de Aurerich. Precisamos resolver este incidente rapidamente, antes que a situação piore], diz Ares, cerrando o punho com determinação.

Homura lança os olhos em direção ao porto distante, na extremidade oeste da cidade. Há um farol encimado por uma gema de minério massiva naquela direção, bem como uma ilha artificial ao largo da costa. Esta ilha artificial é aparentemente para embarcações maiores, mas apesar do seu tamanho, há apenas um único navio grande atracado lá no momento.

| Ares | [Tem mais. Apesar de uma lei de silêncio estar em vigor, boatos sobre o retorno do Senhor das Trevas começaram a circular. Isso não pode ser bom. O reaparecimento do Senhor das Trevas significaria mais do que apenas combates intensificados entre humanos e monstros. A instabilidade poderia levar à confusão entre as pessoas e lançar o mundo em um caos ainda maior. O tipo de incidentes que nunca aconteceriam em tempos de paz poderia começar a se tornar comum], diz Ares, olhando para o mar melancolicamente.

Muito pouco tempo se passou desde que a Homura e suas amigas chegaram a este mundo, mas elas já ouviram conversas semelhantes várias vezes antes. Que o efeito desestabilizador do retorno do Senhor das Trevas está levando não apenas monstros, mas também bandidos e outros desordeiros a comportamentos terríveis.
Mas e quanto ao Senhor das Trevas, que é o responsável por incitar todo esse caos...?

| Homura | [Umm... Como é esse tal de Senhor das Trevas?]
| Ares | [Como você pode não saber quem é o Senhor das Trevas? Além disso, não se refira a essa criatura como uma pessoa]

A exasperação do Ares é evidente tanto por sua voz quanto pela expressão em seus olhos.
No entanto, as garotas foram jogadas neste mundo do nada. Elas já têm problemas suficientes tentando descobrir o que está acontecendo bem diante de seus narizes. Elas não podem ser culpadas por não saberem das coisas... ou pelo menos, o fato de serem novatas é parcialmente culpado. Outra razão pela qual não sabem de muita coisa é porque estão se divertindo tanto neste novo mundo que tendem a esquecer completamente de toda essa história de Senhor das Trevas. Na verdade, essa é provavelmente a razão principal.

| Homura | [Ah, é verdade. Nossa história de fundo é que somos um bando de caipiras da roça que não sabem de nada]
| Ares | [História de fundo...? Sabe de uma coisa, deixa para lá. Se eu começar a questionar cada palavra que você diz, isso provavelmente vai me enlouquecer. Apenas guarde seus comentários por enquanto]

Finalmente, Ares está começando a pegar o jeito de como lidar com essas garotas!

| Ares | [Os humanos e os monstros estão em conflito desde que qualquer um consiga se lembrar, mas os humanos sempre tiveram a vantagem devido à nossa coesão e unidade. Isso até o Senhor das Trevas liderar os monstros em um ataque unificado há cem anos. O exército do Senhor das Trevas usurpou nossos territórios um após o outro. Ele tinha até a raça demônio ao seu lado, que é habilidosa em magia de fortificação. Algumas das cidades que ele roubou de nós foram transformadas em fortalezas demoníacas que ainda não foram recuperadas até hoje]
| Homura | [Mas o Senhor das Trevas foi derrotado, não foi?]
| Ares | [Não exatamente. Nós conseguimos repeli-lo com sucesso, mas ninguém sabe o que aconteceu com ele depois disso. Nós dizemos que a guerra de cem anos atrás chegou ao fim, mas essencialmente, o Senhor das Trevas desapareceu de vista e simplesmente cessou seus ataques. Se o Senhor das Trevas voltar, então, naturalmente, seus generais e lacaios sobreviventes começarão a se agitar também. Novos monstros provavelmente se juntarão a ele também. Essa é a natureza do Senhor das Trevas]

O Senhor das Trevas não é apenas forte. Ele é um símbolo do fim da paz.

| Ares | [É por isso que estou tentando me tornar um Santo Protetorado e derrotar o Senhor das Trevas. Para proteger nosso modo de vida]

Ares está determinado. Ele tem um objetivo distante em mente e avança em direção a ele com uma resolução implacável.

| Psycho | [É uma pena que sejamos nós que vamos derrotar o Senhor das Trevas], interrompe Psycho de forma provocativa.
| Rhiann | [De jeito nenhum — o Ares vai ser aquele que vai derrotar o Senhor das Trevas!], retruca Rhiann.
| Psycho | [Cuidado, lá vem ela — a alta sacerdotisa da igreja do Ares!]
| Homura | [Quero dizer, nos pediram especificamente para derrotar o Senhor das Trevas. Pela Deusa], diz Homura timidamente. Na verdade, é por isso que foram invocadas para este mundo.
| Ares | [Acalme-se, Rhiann. Contanto que o Senhor das Trevas seja derrotado, não importa quem realmente o derrota. Nosso objetivo final é a paz]
| Rhiann | [Sim, exatamente! Com certeza! Não importa quem faça isso! Eu por meio desta dou permissão para vocês derrotarem o Senhor das Trevas]
| Psycho | [Para que precisamos da sua permissão?!], grita Psycho.

Como sempre, a opinião da Rhiann muda rapidamente dependendo de como o Ares se sente.

| Ares | [De qualquer forma — vocês, garotas, estabeleceram algumas expectativas absurdamente altas para si mesmas. Vocês são realmente impossíveis]

Apesar do que diz, Ares não está zombando do objetivo delas ou descartando-o como bobagem. Se há uma coisa que o Ares consegue apreciar, é quando as pessoas levam sua missão a sério.

| Psycho | [Você entendeu tudo errado. É porque somos impossíveis que temos esperanças absurdamente altas!]
| Homura | [Você não está ajudando, Psycho... Não que eu discorde, mas ainda assim], diz Homura.

Psycho está certa. No fim das contas, elas são simplesmente esquisitas.

| Ares | [De qualquer forma], Ares começa, [este rumorado Senhor das Trevas pode nem ser o mesmo Senhor das Trevas de cem anos atrás. De acordo com o relatório de vocês, ele está usando algo chamado Sangue Amaldiçoado do Senhor das Trevas para criar aliados?]
| Homura | [Eu... não tenho certeza se eles são realmente aliados ou não. Afinal de contas, não parecia que o Rotraud estava recebendo ordens particulares]
| Ares | [De qualquer forma, eu nunca ouvi falar do Senhor das Trevas anterior usando tais medidas. Isso pode indicar que um sucessor apareceu. Um que assumiu intencionalmente o título de Senhor das Trevas. Ele deve ter muita confiança se for o caso. Podemos assumir que é alguém forte o suficiente para se virar sozinho mesmo se um Santo Protetorado do Escudo batesse à sua porta]

A Hierarca Falmeyr afirmou algo semelhante quando a Homura e as garotas entregaram seu relatório. O fato de tanto a Falmeyr quanto o Ares terem chegado à mesma conclusão serve para mostrar o quão cautelosos eles estão em relação a esse Senhor das Trevas.
Homura se lembra da fenda gigante na terra que viu enquanto estava no topo da muralha defensiva que cerca Galdorssia; é um vestígio de guerra que foi deixado para trás pelo Senhor das Trevas. O que significaria lutar contra o Senhor das Trevas...? Isso faz a Homura hesitar.
Enquanto a Homura ainda está ponderando sobre a natureza de seu inimigo, ela de repente ouve gritos de excitação subirem do centro da cidade.

| Homura | [Huh? Está acontecendo algum tipo de evento?]
A multidão não parece pequena. Com base em seus aplausos, há algum tipo de show em andamento. O rosto do Ares fica sério. [Essa deve ser a praça central que o Capitão Torreque mencionou]
| Homura | [Você acha?]
| Ares | [Nós ouvimos um pouco sobre o que vem acontecendo lá. Não é nada que se queira ver]

Torreque havia se referido a isso como 『assunto incivilizado』.

| Psycho | [Você está certo, isso sim parece algo que deveríamos dar uma olhada!]
| Ares | [Você não ouviu o que acabei de dizer?!], exclama Ares, e quem poderia culpá-lo? [Ainda assim... por mais que eu odeie dizer isso, mesmo que seja por razões diferentes, acho que concordo. Nós não queremos ver isso — mas é por isso que devemos. Antes de podermos proteger esta cidade, precisamos entender sua verdadeira natureza. Há uma doença nesta cidade, e ela está acontecendo na praça]

Uma grande multidão de cidadãos e mercadores se reuniu na praça central, e eles estão atualmente gritando e berrando de excitação.
A praça redonda é bastante grande e pavimentada com pedras. Um casarão impressionante ergue-se na extremidade mais distante, que é aparentemente onde o governador vive. Ao contrário das casas padrão em Aurerich, que geralmente têm exteriores simples, o casarão do governador foi construído com atenção ao design e inclui detalhes em molduras ornamentadas e finas.
Uma estrutura de madeira, muito parecida com um palco, foi erguida na extremidade da praça mais próxima do casarão. É ao redor deste palco que os espectadores estão reunidos.

| ??? | [Contemplem, seus plebeus estúpidos!], grita uma voz estridente.

Uma garota de pele escura e vestida de forma berrante está de pé no topo do palco. Ela parece ter cerca de quatorze ou quinze anos e é alta, ágil e esbelta. Mas, apesar de sua estrutura, ela dificilmente parece fraca, e seus músculos são sutilmente definidos em seus membros e abdômen expostos. Visivelmente, ela está usando um par incomum de manoplas em seus pulsos que parecem que serviriam como armas altamente eficazes.



Ela parece gostar da atenção que está recebendo. Ela se banha nos olhares febris da multidão com uma expressão no rosto que parece tanto extática quanto sadista.

| Garota | [A punição está prestes a começar! São as manoplas-de-agulha para este pedaço de lixo!]

Há um homem pendurado como um saco de pancadas em uma estrutura de cavalete no palco ao lado dela. Seu torso foi despido, deixando sua carne magra exposta. Uma mordaça de pano foi encravada entre seus dentes, abafando seus gritos.

| Ares | [Aquela é a filha do governador, Elyliyah. Aparentemente, ela tem passe livre sobre esta cidade desde que o cargo de governador mudou de mãos há um ano], diz Ares, olhando fixamente para a garota. A indignação que ele está sentindo é evidente em seus olhos.
| Elyliyah | [A acusação, me disseram, é roubo, e você surripiou três pedaços de pão. O que você tem a dizer em sua defesa?]

Elyliyah arranca violentamente a mordaça do prisioneiro. Assim que a mordaça é removida, uma torrente de xingamentos flui de seus lábios.

| Homem | [A culpa é sua! Você é a razão de tudo ter dado errado aqui! Você proíbe as esmolas da igreja, então agora pessoas como nós—]
| Elyliyah | [Todos ouviram isso—? Este homem nem sequer reconhece sua própria culpa!]

Uma ondulação passa pela praça. Gritos de [sem misericórdia] sobem da multidão.

| Elyliyah | [Cabe a nós, então, ajudá-lo a perceber a verdade], a boca da Elyliyah se deforma em um amplo sorriso, deixando seus dentes expostos. [Punição por manoplas-de-agulha, três golpes!]

Elyliyah ergue o que ela chama de suas manoplas-de-agulha, um conjunto de manoplas afixadas com três protuberâncias longas e afiadas.

| Homem | [N-não, não faça isso—!], o homem implora, sua voz tremendo de medo. A garota, no entanto, não tem planos de parar.
| Elyliyah | [Ha-ha-ha, sim, esse é o olhar que eu gosto de ver nos olhos de uma pessoa! Isso me deixa tão animada!]

Os músculos dos membros expostos do homem ficam visivelmente tensos.

| Elyliyah | [Preparar! Apontar...! Um!!]

Elyliyah esmurra o homem com força no estômago, jogando todo o seu peso. O soco faz o homem dar um solavanco e pular, mas os espetos em suas manoplas perfuraram o torso dele, fazendo-o desabar sobre o punho dela como um macarrão meio mole.

| Homem | [Nrgh, aaaaaagh—!]

O homem grita em agonia.
Elyliyah retira rapidamente os espetos enquanto o sangue escorre dos três buracos redondos deixados para trás. As agulhas longas e finas responsáveis por aqueles buracos estão agora vermelhas, pingando sangue fresco.

| Elyliyah | [Sim! Sim! Olhe para como seus olhos se contraem de terror! A maneira como os gritos se rasgam de sua garganta! Sim, tema-me mais! Sinta mais calafrios! Sua Elyliyah!]

A voz da Elyliyah, conforme ela fica frenética com a visão do terror do prisioneiro, é alta o suficiente para ser ouvida mesmo acima da vaia insana da multidão.
Homura e as outras assistem à exibição a um passo atrás da multidão. Tudo é tão bizarro e perturbador. A punição e as vaias da multidão são repugnantes. O olhar afiado da Jin, em particular, transborda de hostilidade enquanto ela assiste ao que está ocorrendo.

| Jin | [Eu sei que um crime é um crime, mas tudo o que ele fez foi roubar um pouco de pão], diz ela. [Isso realmente merece uma punição tão severa quanto esta? E a maneira como todo mundo está tendo tanto prazer nisso...]
| Ares | [É provavelmente a recente instabilidade], responde Ares. [Aparentemente, essas punições nem sempre eram um evento tão grande, mas a recente conversa sobre agitação ajudou a transformá-las em uma forma de entretenimento de massa]

A multidão, que está repleta tanto de pobres quanto de abastados, continua a berrar suas vaias imundas. Não há como cada cidadão de Aurerich estar de acordo com tal comportamento, mas há o suficiente deles.
A visão por si só envia calafrios pelas espinhas do grupo da Homura.

| Psycho | [Nosso mundo não é diferente, no entanto], nota Psycho. [Antigamente, as execuções costumavam ser entretenimento público, e coisas semelhantes acontecem até atualmente]
| Homura | [Mas nada como isso...], Homura rebate.
| Psycho | [Eu não tenho tanta certeza disso. Derrubar aqueles que estão acima de você enquanto pisa naqueles que estão abaixo é um passatempo consagrado pelo tempo. Você pode encontrar isso acontecendo em quase qualquer lugar]
| Homura | [T-talvez, mas ainda assim...]

Como a Psycho disse, machucar os outros é uma forma de entretenimento que transcende mundos e gerações. As pessoas só precisam de uma desculpa, e se uma não estiver prontamente disponível, elas sempre podem inventar uma. A humanidade ama passar a perna naqueles que estão em melhor situação e rir das desventuras daqueles que estão pior.

| Psycho | [Nós mesmas não somos muito diferentes. Apenas pense em como você ama queimar o lixo. Nunca se esqueça de que a única razão pela quais nós mesmas não enfrentamos punição é porque nos refugiamos na justiça e alegamos endireitar o mundo]

Homura sente seu coração errar uma batida. As palavras da Psycho atingiram um ponto sensível.

| Homura | [Ainda assim], Homura começa, [não há como essa punição se ajustar ao crime... Você ouviu o que ele disse; essa garota é aquela que proibiu as esmolas da igreja para começo de conversa. Ela é a verdadeira vilã aqui...]
| Psycho | [Isso pode ser verdade, mas é preciso uma mente sensata para ver as coisas dessa maneira. E a sensatez pode facilmente ser erodida]

De acordo com o Ares, esse espetáculo barulhento é uma ocorrência diária. A exposição constante a tal iniquidade provavelmente alterou a sensibilidade dos espectadores, a ponto de agora verem essas punições excessivas como justificáveis e corretas.

| Ares | [Eu não gosto disso, mas isso não muda a verdade. O tédio e a insegurança podem facilmente corromper as pessoas. Foi apenas por um momento, mas hoje mais cedo, eu também me peguei desejando uma luta simplesmente para satisfazer meus próprios desejos. É o fardo de ser humano, um que temos que carregar ao longo de nossas vidas], diz Ares.

Seu rosto azeda. Ele tem grande orgulho em ser um soldado, mas ainda é humano. O olhar só dura um momento, no entanto. A luz feroz logo retorna aos seus olhos.

| Ares | [O que é ainda mais motivo para que seja um dever de cada um de nós guardar nossos corações contra tal corrupção. Em dobro para aqueles de nós com poder]
| Homura | [Ares...]

Homura fica tocada com as palavras do Ares. Embora ela não pense particularmente em si mesma e em suas amigas como justas, elas ainda têm suas próprias linhas e limites. Nunca é justo atacar injustamente. Mas as linhas que as pessoas traçam para si mesmas nem sempre são muito firmes. Se não fossem pelas circunstâncias, Homura poderia facilmente ter se encontrado no meio daquela multidão zombeteira.
Ainda mais motivo — é o que Ares havia dito. Ainda mais motivo para se proteger contra o desfoque dessas linhas. Obviamente, é uma tarefa difícil. Mas é, de qualquer forma, importante.

| Rhiann | [Belamente dito, Ares!], grita Rhiann.
| Psycho | [Eu não sabia que você tinha isso dentro de você!], diz Psycho.

Suas vozes cortam momentaneamente as vaias constantes da multidão, mas logo são engolidas mais uma vez.

| Elyliyah | [Ei! Não vá desmaiar agora! É hora do... golpe número dois—!!]

Elyliyah desfere seu segundo soco no homem. Os gritos dele ecoam alto enquanto respingos finos de sangue chovem pelo ar.

| Elyliyah | [Você não passa de um criminoso imundo e porco, mas pelo menos o seu sangue é bonito! Ah-ha-ha-ha!]

Há um sorriso distorcido de prazer estampado no rosto da Elyliyah enquanto ela tortura o homem. Fica claro por sua expressão que aplicar a justiça não é sua principal motivação bem agora.

| Ares | [Aurerich não pertence a Galdorssia. Nós fomos apenas enviados para cá para defender a cidade], Ares explica. [Contanto que eles não façam nada para ferir cegamente os cidadãos ou ameaçar a paz, nós não podemos agir. Nós não temos a autoridade para parar isso]
| Homura | [Mesmo se as punições forem excessivas assim...?]
| Ares | [Olhe em direção aos fundos do palco]

Homura espia além da plataforma, como o Ares a instruiu a fazer. Ela não havia notado antes por causa da multidão, mas uma sacerdotisa da igreja está esperando ali.

| Ares | [Se esse comportamento não se tornou um problema para a cidade, deve significar que eles estão mantendo a punição dos prisioneiros dentro dos limites da lei e da ordem. A pessoa sendo punida é um criminoso, e seus ferimentos são curados imediatamente depois. Ter um sistema como esse em vigor provavelmente torna difícil para as pessoas criticá-los abertamente]

A filha do governador é mais circunspecta do que elas pensavam.

| Ares | [É por isso que precisamos nos apressar e ficar mais fortes, derrotar o Senhor das Trevas e devolver a paz ao mundo. Se não eliminarmos essa instabilidade se estabelecendo entre as pessoas, coisas semelhantes continuarão a acontecer. Enquanto simplesmente interromper este espetáculo horrível não resolveria nada fundamentalmente], diz Ares com convicção.

Enquanto isso, o homem pendurado no cavalete está prestes a receber seu terceiro golpe.

| Elyliyah | [Não morra logo agora — eu odiaria nunca ter a chance de bater em você de novo! Lá vem o... golpe número três—!!]

Desta vez, o homem nem sequer grita. Ele perde a consciência no momento em que o terceiro golpe se choca. Independentemente disso, sua punição está agora terminada. Agora que o show nojento chegou ao fim, elas esperam que a praça afunde no silêncio novamente.
No entanto, esse não é o caso. Ao contrário dos dois primeiros golpes, conforme a Elyliyah retira seus espetos do estômago do homem, o sangue jorra no ar com uma força incrível. Há algo claramente não natural na maneira como o sangue dispara para fora. Provavelmente o efeito de algum tipo de magia.

| Elyliyah | [Sua punição terminou. Seja grato — seus crimes foram quitados]

O cheiro de sangue chega até a Homura e as outras no fundo da multidão. As vaias da multidão, enquanto isso, cresceram até um ponto febril, provavelmente estimuladas pelo fedor.
O som de seus cantos odiosos estremece a Homura até o âmago.
No entanto, o frenesi da multidão se dissipa rapidamente. Não porque a calma retornou — em vez disso, uma nova fonte de terror chegou.

| Elyliyah | [Mii, venha pegar seu jantar!], clama Elyliyah.

Em resposta ao chamado da Elyliyah, um monstro surge de repente do nada — ou mais especificamente, de dentro da sombra da Elyliyah.

| Homura | [O que... é aquilo?], diz Homura, empalidecendo diante da visão misteriosa.
| Rhiann | [Eu já vi um antes em um livro no Seminário. É um gato lambe-sangue. Eles são uma raça de monstro bastante perigosa], explica Rhiann.

O gato lambe-sangue tem mais ou menos o tamanho de um leão ou de outro felino grande, e possui um físico magro e enfraquecido. Sua aparência é horrenda, sem olhos nem pelos. Sua pele pálida é lisa e pegajosa como uma sanguessuga.
A multidão, que estava em alvoroço momentos atrás, imediatamente fica em silêncio, segurando a respiração para não assustar a criatura grotesca.

| Homura | [Como a filha do governador consegue manter uma besta monstruosa como aquela como animal de estimação? O que há de errado com esta cidade...? Monstros como esse geralmente não são amigáveis com humanos. Como ela conseguiu treiná-lo? Embora, vendo aquelas armas em seu punho, acho que posso imaginar]

O gato lambe-sangue estende uma língua alongada de sua boca escancarada. O órgão longo e fino começa a lamber os respingos de sangue, muito parecido com uma minhoca se contorcendo na sujeira.
É difícil dizer qual parte dessa criatura hedionda e perversa deveria ser um gato. Se alguém tivesse dito a Homura que era um alienígena, ela teria acreditado com a mesma facilidade.

| Ares | [Sim. Bestas monstruosas que são tão obviamente deformadas geralmente possuem habilidades que são igualmente incomuns. Se aquela criatura algum dia ficasse fora de controle, nós provavelmente teríamos dificuldade para pará-la]

Mesmo o Ares, que havia derrotado sozinho um urso-de-garras, parece ver o gato lambe-sangue como uma ameaça formidável. Deve parecer ainda mais aterrorizante para os cidadãos comuns, que carecem de suas habilidades de luta.
A voz estrondosa da Elyliyah preenche de repente a praça silenciosa.

| Elyliyah | [Eu não estou ouvindo vocês...]

Sua voz é desprovida de emoção, seus olhos escuros e sem fundo. Mas há uma agressividade em suas palavras, o que torna claro que ela está furiosa porque os olhos desses plebeus não estão mais sobre ela.

| Multidão | [E-Elyliyah... Elyliyah! Elyliyah!]
| Multidão | [Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah!]
| Multidão | [Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah!]
| Multidão | [Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah!]
| Multidão | [Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah! Elyliyah...!]

A multidão canta o nome dela, com os olhos arregalados, as bocas espumando.
Eles não estão elogiando-a. Eles não estão sequer mostrando respeito. Eles estão aterrorizados por essa garota, desesperados para não serem os próximos a alimentar o gato com seu sangue. Essa garota é tão cruel que os assusta ainda mais do que o monstro grotesco parado ao lado dela.

| Elyliyah | [Ah-ha-ha-ha! Já chega. Vamos, Mii]

Tendo se banhado em seus aplausos para sua satisfação, Elyliyah gira sobre os calcanhares e volta em direção ao casarão. O gato lambe-sangue se esgueira atrás dela, aconchegando-se ao lado da Elyliyah.
O coro de cantos continua mesmo depois que a filha do governador desaparece de vista. Mesmo depois que o prisioneiro é libertado e a sacerdotisa termina de curar seus ferimentos.

| Psycho | [Eu não estou mais no clima para diversão], diz Psycho. [Vamos voltar]
| Homura | [Sim...], Homura concorda.

Apesar do quanto estavam aproveitando a bela cidade portuária mais cedo, o clima foi totalmente arruinado. Os pensamentos da Homura são sombrios enquanto ela se vira para partir. Conforme se vira, no entanto, ela percebe que a Tsutsumi, que é muito mais baixa do que as outras, esteve assistindo aos eventos de cima dos ombros da Jin. E a Proto, que é similarmente baixa, literalmente esticou seu pescoço no ar para conseguir ver o show.

| Homura | [E se alguém vir você?!], Homura grita em um sussurro rouco.

Felizmente, Homura e as outras estão no fundo da multidão, então ninguém esteve olhando na direção delas, mas se tivessem, haveria sérias consequências.

| Ares | [Nós vamos ficar e observar a cidade por mais um tempinho], diz Ares.
| Psycho | [Isso é muito diligente da sua parte]
| Ares | [Alguém tem que ser]

Homura e as outras começam a caminhar, deixando o grupo do Ares para trás.
Ninguém fala no caminho de volta para a guarnição, provavelmente preocupadas com seus pensamentos. Sobre a filha do governador, Elyliyah. Sobre a multidão que se reuniu naquela praça. E, é claro, com pensamentos sobre si mesmas.
Conforme caminham em silêncio, no entanto, Homura jura que avista algo em uma das vitrines das lojas. Algo que não tem cabimento estar em um lugar como esse.

| Homura | [H... Huh?], ela diz reflexivamente.
| Psycho | [O quê? O que foi?], Psycho pergunta.
| Homura | [Eu devo estar imaginando coisas. Por um momento, eu poderia jurar que aquela loja logo ali atrás estava vendendo maiôs de educação física escolar...]
| Psycho | [Não seja tonta. Não tem como eles estarem vendendo maiôs escolares japoneses neste mundo]
| Homura | [Você provavelmente está certa...]

Soa tão louco para a Homura quanto para a Psycho. Ela ainda olha de relance para a loja, no entanto, uma última vez. Lá está, em plena luz do dia: um maiô inteiriço azul-marinho pendurado na frente da loja!

| Homura | [Não, eu estava certa! Está bem ali, um maiô de educação física! Bem ali, naquela loja!]

Homura aponta na direção de uma loja que parece não vender nada além de maiôs no estilo de educação física escolar.

| Psycho | [Não seja estúpida, não tem ne— Puta merda, você está certa...!]

Psycho recua em horror.




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