Capítulo 4 - Explore Cedo, Explore Frequentemente




De volta à Antiga Capital de Hilith, Leah abre lentamente os olhos no topo do Senhor Placas, em cima de seu trono.

| Leah | [Oh, aquilo foi fantástico], diz ela com uma risadinha tímida.

A vingança nunca teve um sabor tão doce. Aquela garota elfa, se bem se lembra, tinha sido a mesma que apontou para ela dizendo que 『definitivamente achava que a Leah era focada em magia』 ou algo assim.
Para uma afeicionada por magia como ela, que melhor maneira de morrer do que com uma exibição deslumbrante de todas as cores do arco-íris mágico?



Durante a luta do grupo de elfas contra a Rainha Arachnia, Leah assumiu o controle total das ações da rainha. Não tinha sido seu plano original; ela pretendia apenas assistir à batalha se desenrolar através dos sentidos da rainha. Mas à medida que a luta se arrastava, sua inquietação crescia, a empolgação fervilhando até que ela não conseguiu mais resistir e assumiu o controle por completo.
Uma coisa que ela aprendeu com essa experiência é que, mesmo se você se invocar totalmente em um de seus retentores e assumir o controle total, ainda assim só consegue conjurar os feitiços que o retentor conhece.
Leah tinha dado à Rainha Arachnia apenas os feitiços mais básicos de alvo único e de Área para cada elemento. Eles não são particularmente poderosos e, mesmo com os atributos aprimorados da rainha, ela mal conseguiu anular a magia da garota elfa. Mas com aquela armadilha de teia pegajosa ali no final, ela criou uma brecha para golpear impunemente.
Deve ter sido uma experiência de aprendizado valiosa para a Rainha Arachnia também. Com sua alta 『INT』, sua capacidade de adquirir conhecimento — embora não seja um aumento de poder no papel — ainda não é de se ignorar.
Dando uma olhada rápida no tópico de dicas e truques da masmorra da Antiga Hilith, Leah vê que uma nova postagem já surgiu, provavelmente da elfa que ela acabou de enfrentar. A usuária, que atende por 『Elfa Anônima』, é um nome que a Leah realmente reconhece — esta não é a primeira vez que ela topa com ela online, mas é bom colocar um rosto em um nome. Um nome sem nome.
Para o grande deleite da Leah, 『Nacchan』 fez exatamente o que a Leah esperava, detalhando de forma confiante e minuciosa suas descobertas sobre o sistema de dificuldade dinâmica da masmorra. Não que houvesse uma grande farsa acontecendo aqui; Leah de fato projetou a masmorra para funcionar dessa maneira quando deixada sob o controle de suas rainhas.
A única exceção é que para um certo... tipo de desafiante (aqueles que já a derrotaram antes), não haveria dificuldade dinâmica. Eles enfrentariam a dificuldade mais difícil desde o início.
No geral, este foi um ótimo dia de lançamento para a Leah. As masmorras em seu domínio estão indo o melhor que podem.
Bem, masmorra, no singular.
Rokillean continua sendo a única a ver qualquer movimento.

| Leah | [Eu me pergunto se uma de quatro estrelas atrairia algum jogador], ela reflete em voz alta. [Trae e Lieb são importantes demais para se mexer, então não posso baixar as defesas delas... mas talvez a capital? Seria estranho eu estar em uma masmorra de quatro estrelas? E a dificuldade sequer cairia enquanto eu estivesse lá?]

Então talvez a solução seja se retirar da capital, pelo menos temporariamente. Mas como ela poderia deixar a base de jogadores sabendo disso sem depender das redes sociais? Talvez um grande espetáculo, como a Calamidade aparecendo em outro lugar, deixasse isso claro.
Se a visibilidade é o objetivo, então o melhor lugar para encenar um show seria onde a base de jogadores está atualmente com os olhos fixos: masmorras.
Ela poderia fazer uma aparição surpresa em uma masmorra popular — aparecer ao acaso, limpá-la por diversão e ficar por lá um tempo. Ao mesmo tempo, ela baixaria a dificuldade da capital.

| Leah | [Então a primeira pergunta seria], ela cantarola para si mesma, [em qual masmorra eu apareço?]

O termo 『masmorra』, como um termo cunhado pela base de jogadores e não pelos devs, é uma espécie de termo incorreto. As áreas a que se refere não são os espaços lineares, fechados ou mesmo instanciados habitados principalmente por inimigos como a palavra geralmente conota, mas um subconjunto muito mais amplo de áreas. Claro, provavelmente existem masmorras no estilo de cavernas, mas também existem florestas, cidades, basicamente seções abertas do mapa-múndi que ela consegue facilmente patrulhar e invadir. Para essas, a maneira mais rápida de limpá-las seria simplesmente descer do céu e desafiar o chefe diretamente, pulando o tédio de limpar os monstros comuns por completo.

| Leah | [Nesse caso, eu deveria apenas jogar o Uluru do céu. Isso sim seria um espetáculo]

Seria rápido, fácil e uma estratégia imbatível para limpar qualquer masmorra.
Mas não, Leah tem que se lembrar — o objetivo não é limpar a masmorra; é deixar a base de jogadores saber que a Calamidade não está em casa.

Quase coloquei a carroça na frente dos bois ali.

Com isso em mente, ela deve fazer sua entrada o mais visível possível. Talvez, digamos, aproximando-se de uma Área Segura próxima onde os jogadores se reúnem antes de irem para a masmorra. Não seria o speedrun que ela teria preferido, mas uma limpeza de masmorra mais tradicional pode funcionar melhor para esse propósito.

| Leah | [Próxima pergunta: que motivo uma Calamidade tem para aparecer do nada e pulverizar uma masmorra?]

A base de jogadores parece adorar eventos com ligações à lore. A enxurrada de jogadores para Rokillean depois que os boatos se espalharam é prova suficiente disso. Talvez uma abordagem semelhante funcione aqui.
Não que ela vá sair anunciando seu raciocínio em um alto-falante, é claro. Mas na remota chance de alguém perguntar, ela terá uma resposta pronta. Apenas se perguntarem, no entanto — manter o mistério se ajusta melhor à sua personagem. Por que soletrar seus motivos quando a base de jogadores consegue inventar algo muito mais convincente por conta própria?
Leah abre a lista de destinos de teletransporte dos fóruns e a coloca lado a lado com um mapa da Antiga Hilith e de Oral.
Olhando para ele agora, chama a atenção que Hilith é uma espécie de reino sem graça e discreto. Seu território é de tamanho médio, sem características geográficas de destaque ou áreas particularmente perigosas. Para as pessoas que viveram lá, isso deve ter sido uma bênção.
Tinha sido uma bênção, Leah tem que se lembrar.
Oral, em comparação, é um reino maior. Situado bem no centro do continente, Oral engloba a antiga capital do reino outrora unificado que governava a terra. Como conseguiu reter um pedaço de território tão crucial após a divisão é um mistério para a Leah. Independentemente do motivo, a localização central de Oral significa que faz fronteira com quase todos os Seis Reinos. Isso também significa que o território de Oral toca e inclui muito mais territórios de monstros do que Hilith. Talvez essa ameaça constante seja o motivo pelo qual se diz que Oral produz cavaleiros melhores do que Hilith — ou pelo menos foi o que Leah ouviu.
Aparentemente, esses cavaleiros — agora os cavaleiros da Lyla — foram enviados pela Lyla junto com o exército de Oral para subjugar regiões que não foram designadas como destinos de teletransporte. Se isso faz parte da simulação de reino da Lyla não está claro, já que a Lyla não deu uma explicação clara, mas a Leah suspeita que evitar destinos de teletransporte é, pelo menos em parte, para evitar que os jogadores arrumem confusão sobre isso nos fóruns.

| Leah | [Se a informação de que a Lyla e eu somos parecidas vazar, o plano não é dizer que já fomos parentes de sangue? Talvez haja uma história para inventar se eu causar um alvoroço perto do domínio da Lyla em Hugelkuppe]
Ouvindo isso, Sieg, de pé junto ao trono, se mexe em sua armadura. [Dado que a Lady Lyla e Vossa Majestade são irmãs, poderíamos dizer que é algum anseio subconsciente pelo calor do parentesco perdido?]

Leah consegue sentir sua testa franzir instintivamente. Não há nada de errado com a sugestão do Sieg. Na verdade, é muito boa. Mas a maneira como ele expressou, as coisas que isso implica, dão a Leah uma sensação de repulsa.

| Sieg | [Cabe-me aconselhar a não fazer essa expressão quando o Sir Diaz estiver por perto, Vossa Majestade], Sieg diz. [Bem, se esse plano não lhe agrada, então permita-me propor outro. Sua conquista já seguiu uma trajetória em direção ao oeste, do Grande Bosque de Lieb à Antiga Capital de Hilith, e alguns acreditam que a marcha da Calamidade está fadada a continuar nessa direção. Poderíamos usar isso a nosso favor. Ao golpear mais a oeste, poderíamos sugerir que a capital foi apenas um ponto de passagem, com seu verdadeiro objetivo estando além — talvez em Oral. Tal narrativa apoiaria naturalmente um ataque a uma masmorra nessa região]

Agora, com isso a Leah consegue concordar.
Mas entraria em conflito com algo que ela já disse ou fez? Ela conversou com o Wayne uma vez — logo antes de pulverizá-lo em sua revanche na capital —, dizendo que queria assumir a cidade porque a achava bonita, ou algo nessa linha.
Isso seria um problema?

Provavelmente não, porque não foi uma mentira. E além disso, ele não sabe por que eu estava indo em direção à capital para começo de conversa. Suponho que apenas passei por perto e me encantei por ela.

Claro, toda essa coisa de motivo complicado só importa porque ela está decidida a jogar como um NPC. Um jogador não precisaria de nenhum motivo mais profundo para assumir a capital além de ver se conseguia — o que, reconhecidamente, tinha sido sua real motivação.
Mas a base de jogadores não pode saber disso. Para continuar com seu disfarce, eles têm que pensar que ela está cometendo toda essa destruição por uma razão.
Esculpindo um caminho em direção ao oeste. Aconteceu que Hilith estava no caminho da Calamidade, e vai acontecer de novo que o domínio da Lyla fica nessa mesma direção — e definitivamente não por algum anseio por parentesco perdido ou algo do tipo, ugh.

| Leah | [Tudo bem], Leah diz, [vamos com o seu plano, Sieg. Quanto a quaisquer masmorras a oeste daqui... Oh, aqui está uma, bem antes da fronteira com Oral. E tem uma cidadezinha pitoresca ao lado dela. De acordo com a lista, é de uma estrela, mas... Bem, suponho que pareceria suspeito se um NPC começasse a escolher com base em uma classificação de estrelas da qual não tinha conhecimento, então teremos apenas que nivelar todas enquanto avançamos]

Mas talvez ela poupe a cidade. Seria útil ter uma cidade amigável ao lado da masmorra que ela está prestes a nivelar. Deus sabe que não restavam muitas dessas na área.

| Leah | [A Planície de Tür, huh?]

Esse é o nome da masmorra. As planícies são um local de farm de nível muito apreciado pelos iniciantes, com a cidade próxima, chamada Lieflais, servindo como seu polo. É um espaço seguro para novos jogadores encontrarem seu rumo e ganharem confiança antes de se aventurarem em áreas mais perigosas — semelhante ao que o Grande Bosque de Lieb costumava ser. A diferença é que, no caso de Lieb, as pastagens ao redor não tinham um nome específico. Elas e a própria floresta foram tratadas como uma única zona desde que os devs 『masmorrificaram』 tudo.
O pensamento de arruinar mais um espaço seguro para novos jogadores corrói a consciência da Leah. Mas, argumenta ela. há quanto tempo a base de jogadores sabe que deve evitar Hilith? Desde pelo menos o terceiro dia do evento.
A curva de dificuldade em Hilith foi estraçalhada há um tempo, então qualquer um que espera por um começo suave já sabe que deve ficar longe. O serviço de teletransporte vinha trazendo jogadores adicionais para desafiar o domínio da Leah, mas esses são jogadores que rolavam até o final de uma lista e escolhiam especificamente uma masmorra listada sob 『Outros』. Se eles quiserem argumentar que não sabiam no que estavam se metendo, Leah não queria ouvir.
Basicamente, como Hilith é o reino de uma Chefe de Ataque agora, e isso deveria ser de conhecimento comum a esta altura, se você vaga por ele, a culpa é da droga da sua própria escolha.
Além disso, Leah não está planejando acampar nas planícies para sempre. Quando terminar, deixará alguns de seus subordinados mais fracos para trás e converterá a área em uma masmorra de uma estrela. Claro, ela vai pisar forte por ali por um tempo, mas contanto que a restaure depois, sem danos, sem problemas, certo?
Isso a lembra de algo dos velhos tempos: a 『regra dos cinco segundos』. Se algo ruim acontecer apenas por um curto período, é como se não tivesse acontecido.


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Leah decide vestir o Senhor Placas para esta excursão. Como todo o ponto é enfatizar sua ausência da capital, deixar o boneco da Calamidade para trás não faria sentido.
Quanto aos companheiros, ela agonizou com a escolha antes de finalmente se decidir pela Sugaru. Limpar uma masmorra de uma estrela com uma Calamidade e uma entidade da Classe Calamidade é um exagero massivo, mas ela quer fazer isso pela Sugaru. Ela ficou confinada em Lieb por tanto tempo que mal conseguia ver qualquer coisa além de seu domínio.
Além disso, Sugaru consegue voar, o que poupa a Leah do incômodo de providenciar transporte alternativo.
Já é totalmente noite. Com Rokillean sob o comando da Rainha Arachnia, está em boas mãos.
Se querem causar um espetáculo, é melhor esperar pela manhã. Ainda assim, Leah decide partir agora para que possam chegar cedo, patrulhar a cidade e as áreas ao redor e ter uma noção melhor da disposição do terreno antes de agirem.


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Elas chegam a Lieflais bem antes do amanhecer. Em termos de distância, a cidade fica na verdade mais perto da capital do que Rokillean. Graças ao poder do voo, foi uma jornada rápida e fácil.
Lá do alto, luzes tremeluzem no chão distante abaixo. Parecem ser postes de luz, seu brilho visível tanto para a visão natural quanto para a visão magicamente aprimorada concedida pelo 【Olho Maligno】, fazendo a Leah suspeitar que são de natureza mágica.

| Leah | [Postes de luz mágicos], reflete ela, impressionada. [Essa sim é uma cidade que acredita na segurança pública]

Além da cidade fica uma vasta extensão de terra aberta — provavelmente a Planície de Tür. Pelo que a Leah sabe, assemelha-se a uma savana africana durante a estação chuvosa. Embora não haja confirmação se esta região sequer tem estações cheias ou secas, é inteiramente plausível que tenha essa aparência o ano todo.
Elas pousam em uma área um pouco afastada tanto da cidade quanto da planície, montando acampamento. Embora tudo o que isso realmente signifique seja apenas encontrar um lugar para Leah deslogar, já que tanto o Senhor Placas quanto a Sugaru precisam apenas de alguns minutos de sono por vez.
Isso faz sentido para a Sugaru, dadas as suas origens como uma forma de vida baseada em formigas. Mas é curioso que o Senhor Placas, um pedaço de metal encantado, precise de qualquer tipo de sono. Ele não fica cansado, não importa em qual posição esteja, e não precisa comer, então, logicamente, também não deveria precisar dormir. No entanto, ele dorme.
Leah considerou isso. No jogo, 『dormir』 é a forma como os jogadores salvam seus pontos de renascimento. Talvez seja isso o que o sono do Senhor Placas realmente representa — não descanso, mas uma maneira de registrar um ponto de controle. Pensando dessa forma, os poucos minutos que ele e a Sugaru passam 『dormindo』 podem ser simplesmente o tempo mínimo exigido para o jogo registrar a ação.
Satisfeita com sua conclusão, Leah cava um buraco no chão com a 〔Magia de Terra〕, joga o Senhor Placas lá dentro e desloga bem no interior dele.
Na manhã seguinte, Leah faz login no raiar do dia (do jogo). Antes de rastejar para fora do buraco de terra, ela conjura 【Camuflagem】 para tornar a si mesma — e, por extensão, o Senhor Placas — invisível. Para a Sugaru, ela simplesmente a instrui a se agarrar ao Senhor Placas. Como estarão voando, ninguém verá através da camuflagem para notar a Sugaru pegando uma carona. A menos, é claro, que alguém esteja voando mais alto do que elas...
Mais uma vez, elas ganham os céus para patrulhar Lieflais, desta vez sob a luz do dia. Na noite anterior, Leah dependeu principalmente do 【Olho Maligno】, mas sob a luz da manhã, a visão do Senhor Placas, aprimorada com 【Olhos de Águia】, oferece uma visão muito mais clara. Ela consegue ver que, mesmo a esta hora precoce, um fluxo constante de jogadores já se aventura pelas pastagens para farmar.

Fale sobre dedicação.

Sob uma inspeção mais detalhada, Leah nota dois grupos distintos no fluxo de jogadores. Um grupo segue em direção às pastagens vindo da cidade, enquanto o outro vem de um ponto logo nos arredores da cidade. Ela adivinha que este último grupo chegou através do ponto de teletransporte da Planície de Tür. Isso faz sentido, dado o nome do ponto de teletransporte. Se estivesse localizado na própria cidade, seria chamado de ponto de teletransporte de Lieflais.

| Leah | [Hum? Espera um segundo]

O sistema de teletransporte permite viagens de ida para destinos designados. Essa limitação foi projetada para reduzir a perturbação que o teletransporte irrestrito poderia causar. Mas...

Lieflais não é um polo de teletransporte a apenas um pulo de distância do ponto de teletransporte de Tür?

Logo, não seria possível para os jogadores se teletransportarem para a planície, caminharem até Lieflais e depois se teletransportarem para outro lugar?
Ela retira o mapa de seu Inventário e cruza a lista de pontos de teletransporte com um mapa da Antiga Hilith. Ela descobre que o ponto de teletransporte da Planície de Tür é o único que poderia factivelmente facilitar esse tipo de interação.
Em seguida, ela abre um mapa de Oral que surrupiou da Lyla. Após uma rápida revisão, encontra outro par de cidade e ponto de teletransporte em Oral que parece funcionar da mesma maneira.

| Leah | [Isso basicamente significa que essas duas cidades estão interligadas — há teletransporte gratuito entre elas], ela murmura. [Dependendo do que a base de jogadores fizer com esse conhecimento, essas cidades podem até ficar mais ricas do que suas respectivas capitais...]

Os devs realmente pensaram bem nisso?

Com um ponto na Antiga Hilith e outro em Oral, parece razoável assumir que essas 『exceções』 à regra do teletransporte de ida foram deliberadas — talvez uma rede de segurança para iniciantes, uma espécie de carta de saída livre da prisão para quando precisarem de ajuda.

Eles confiaram na base de jogadores com algo assim?

Vez após vez, em cada jogo e em cada era, os jogadores provaram exatamente por que não se pode confiar neles com nada minimamente bom. Se houver um exploit para ser encontrado, o público hardcore vai farejá-lo, explorá-lo até a última gota e arruinar qualquer recurso bem-intencionado que foi planejado para todos os outros.
Leah apenas se sente sortuda por ter descoberto isso logo no segundo dia.
Ela duvida que seja a única a ter percebido, mas quem quer que tenha decifrado isso com certeza está mantendo um silêncio absoluto. Os desenvolvedores foram claros sobre sua intenção de evitar que o teletransporte perturbasse a economia do jogo, mas se cada reino tiver um ponto de teletransporte como este, seria mais do que fácil montar um sistema de contrabando entre reinos. Esse tipo de descuido é exatamente o tipo de coisa que pode desencadear uma correção imediata de emergência ou até mesmo um rollback se alguém o explorar em grande escala para obter ganhos econômicos. Leah suspeita que o silêncio em torno disso é intencional — ninguém quer arriscar perder a oportunidade.

| Leah | [Eu deveria ligar para a Lemmy e para a Riley, fazer com que comprem algumas propriedades nesta cidade], ela murmura, e depois reconsidera. [Hum, não. É melhor trazer a Kelli e a Marion também e monopolizar o lugar inteiro. Nós ainda temos todos os fundos que liquidamos das residências nobres na capital. Este é o lugar perfeito para colocá-los em uso]

Mais uma vez, Leah se vê jogando um jogo totalmente diferente de todo mundo. Embora, se outros estiverem tentando a mesma estratégia, ela não seja tão especial assim.
Ou talvez seja. Ela tem acesso a um capital que a maioria dos outros jogadores não tem.
Na atual economia do jogo, os NPCs detêm significativamente mais poder econômico do que os jogadores. Mesmo que os jogadores queiram pegar grandes quantias emprestadas para comprar terras nessas cidades, há um limite para o capital que um recém-chegado ao mundo — com apenas alguns meses de bagagem — consegue realisticamente acessar.
Mesmo que um punhado de lotes já pertença a jogadores, não resultará em muita coisa. Leah consegue facilmente comprar o restante e controlar a maioria. E isso deve ser consideravelmente livre de atritos. Como ela não tem um plano imediato para essas terras ou edifícios, não há necessidade de despejar moradores ou discutir sobre suas intenções com a venda. Ela pode simplesmente comprar as escrituras e permitir que os atuais residentes fiquem — um arranjo do tipo 『venda a terra para mim, mas de resto os negócios continuam como de costume』. Se ela oferecer aos proprietários de terras um preço significativamente mais alto do que eles ganhariam com aluguel ao longo de várias décadas, eles quase certamente venderão.
Nesse caso, também pode valer a pena Reter alguns dos moradores da cidade. Não todos eles, é claro, mas apenas o suficiente para manter a estabilidade e servir aos seus propósitos.
O ataque à masmorra terá que esperar — Leah encontrou algo muito mais vantajoso. Ela entra em contato com a Kelli, instruindo o grupo a abrir o tesouro do castelo e trazer o máximo que conseguirem carregar.


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| Kelly | [Entendo. Em outras palavras, você quer que a gente governe esta cidade a partir das sombras sem deixar que os jogadores percebam?], Kelli pergunta.
| Leah | [Essa... não é exatamente a minha intenção, mas sim, acho que é a isso que se resume quando você compra a terra inteira], Leah diz.

Ela convocou as Gatas da Montanha para Lieflais e acabou de explicar seu plano para elas. Para fazer dar certo, ela também gastou toda a EXP que havia ganho no dia anterior para desbloquear o 【Retentor】 para cada uma delas. Foi outra despesa imprevista, mas não há como evitar se quiser que isso tenha sucesso. Ela decide encarar isso como um investimento.

| Leah | [Vou deixar a execução por conta de vocês], Leah diz. [Vocês podem usar o 【Retentor】 pesadamente para economizar dinheiro, ou com moderação e comprar as terras normalmente. Ah. Mas deixem o lorde da cidade e sua comitiva em paz — eu mesma vou Retê-los. Além disso, façam como quiserem]
| Kelly | [Entendido], Kelli acena com a cabeça.
| Leah | [Quanto aos jogadores], Leah continua, [tentem evitar que eles percebam se conseguirem, mas, honestamente, duvido que a maioria deles esteja aqui para qualquer outra coisa além de farmar a masmorra. Vamos considerar isso uma meta secundária. O que ninguém pode descobrir sob circunstância alguma é que vocês quatro estão trabalhando para mim. Essa é a única regra rígida. Façam o que quiserem, contanto que não possa ser rastreado de volta a mim]

Leah também quer controlar as cidades em outros reinos com pontos de teletransporte posicionados de forma semelhante — vamos chamá-los de portais para simplificar —, mas ela ainda não sabe suas localizações exatas. Além disso, ela não tem mãos suficientes para gerenciar todos eles. Se sua suposição estiver correta e cada reino tiver um portal desse tipo, controlar esta cidade já lhe dará o comando de um sexto da rede de portais que se estende pelo continente. Isso por si só já seria significativo.
Hilith pode ter perdido sua designação como reino, mas, em troca, Leah o transformou em um lugar de alta demanda entre os jogadores. A Chefe de Ataque, as masmorras especiais — tudo isso é obra dela. Então, por que não deveria ser ela a controlar este portal vital? Na verdade, o portal mais vital de todos?

| Leah | [Agora, sim. É hora de adentrar a masmorra. Mas primeiro, uma visita rápida ao lorde da cidade], Leah diz.


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Primeiro, Leah Retém o lorde. Os nobres na Antiga Hilith são muito mais complacentes do que os de Oral. Um 【Charme】 rápido foi tudo o que bastou para transformar o lorde da cidade em seu cachorrinho de colo babão.
Em seguida, ela passa para a esposa, a filha e o filho dele, Retendo cada um deles por sua vez. Se a suposição da Lyla estiver correta, todos os três devem ser Humanos Nobres, não apenas o lorde.
Por fim, ela Retém um homem na casa dos cinquenta ou sessenta anos que a viu surgir à vista enquanto conjurava 【Charme】 no lorde. Ela assume que ele seja o mordomo deles. Matá-lo é uma opção, mas dada a importância de um mordomo na gestão da propriedade, ela decide que vale a pena mantê-lo.
Com toda a família nobre e seu mordomo sob seu controle, a casa é praticamente sua.


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| Leah | [Sugaru, desculpe a espera. Vamos em direção à masmorra?], Leah diz.
| Sugaru |Você terminou tudo o que precisava na cidade?》 Sugaru pergunta.

| Leah | [No que diz respeito à minha parte, sim]

O trabalho da Leah está concluído aqui. O resto do plano agora cabe a Kelli e ao lorde da cidade executar.
A missão secundária inesperada atrasou o início delas, mas isso pode ter funcionado a seu favor. A esta altura, uma multidão considerável já se reuniu perto da masmorra. Entre eles, pelo menos alguns certamente postarão online sobre o que quer que se desenrole hoje.

| Leah | [Dito isso, ainda estou um pouco indecisa sobre como vamos limpar a masmorra], Leah murmura.
| Sugaru |Poderíamos bombardear a coisa toda lá de cima com magia
| Leah | [Não, nós ainda planejamos usá-la mais tarde. Prefiro não assumir o controle de um deserto fumegante]

Seria o desperdício de uma pastagem perfeitamente boa.

| Leah | [Vamos prosseguir a pé. Fazer isso normalmente], Leah diz.

Leah conjura Camuflagem e elas voam para um canto da zona onde uma grande multidão de jogadores se reuniu — provavelmente a entrada da masmorra. Uma vez lá, Leah cancela a Camuflagem e cai do céu como uma pedra. Afinal, a ostentação é tudo.
Dentro do traje pesado de armadura que é o Senhor Placas, ela faz um som impressionante ao atingir o chão, com o impacto levantando uma espessa nuvem de poeira que a esconde da visão. Sugaru pousa silenciosamente à frente um segundo depois.

Conforme a poeira baixa, Leah se vê encarando um mar de rostos estupefatos.
Bem, com o Senhor Placas sendo o colosso de três metros de altura que é, e a Sugaru uma aberração sobrenatural de quase dois metros de altura, Leah não consegue culpá-los por ficarem um pouco surpresos.
Mas essa surpresa não dura muito.



| Jogador | [Huh?], alguém murmura. [Quem é esse? O que é isso? Um monstro?]
| Jogador | [Alguém ativou um evento especial?], outra voz pergunta. [Quem fez isso? Alguém sabe?]

A multidão parece estranhamente indiferente à aparição repentina delas.
Sério? Leah pensa, sem achar graça. Ninguém reconhece a Calamidade que se abateu sobre Hilith?
Por outro lado, esta é uma masmorra de uma estrela. A maioria desses jogadores provavelmente é novo e não progrediu o suficiente em sua jornada no jogo para saber como é a aparência de uma Chefe de Ataque.

Mas talvez eles me reconheçam se eu sair do Senhor Placas?

Mas a Leah não consegue se forçar a fazer isso. Parece um tanto... exagerado demais.

| Sugaru |Que irritante》, a voz da Sugaru zune. 《Devemos dar uma lição neles?
| Leah |Não, deixe-os em paz》, Leah responde telepaticamente. 《A menos que queiram agredir, é claro. Então faça o que quiser com eles

Não há EXP a ser ganha massacrando tais níveis baixos — ou limpando os monstros da masmorra, aliás. Prolongar isso seria apenas uma perda de tempo.
Seguindo esse raciocínio, também não há necessidade de perder tempo com uma autoapresentação. Mesmo que esses jogadores não saibam quem ela é, suas eventuais postagens online descrevendo a experiência inevitavelmente alertarão os jogadores mais experientes a fazerem a conexão. Deixar os pontos para que os outros conectem é sempre mais eficaz para gerar falatório, de qualquer forma.
Ignorando a multidão boquiaberta, Leah e Sugaru dão um passo em direção à entrada da masmorra.
Curiosamente, a maioria dos jogadores começou a segui-las.

Eles ainda acham que isso faz parte de algum evento?, Leah se pergunta. Ou pretendem ficar nos perseguindo na masmorra, coletando qualquer saque que deixarmos para trás?
Será que isso é aceitável do ponto de vista da etiqueta de masmorras? Passa a sensação de ser seguida por um bando de hienas.
Não que importe muito. Leah não está de olho em nada que possa dropar desta masmorra. Se eles querem andar cambaleando atrás dela e recolher as sobras, que assim seja.
De repente, algo irrompe do chão à frente delas, interrompendo o avanço. À primeira vista, parece uma capivara massiva, mais a Leah rapidamente percebe que é uma toupeira gigantesca. Sugaru dá um passo à frente do Senhor Placas, sem dizer uma palavra, e abate a toupeira com as próprias mãos. O golpe abre um buraco limpo através da criatura. O sangue borrifa pelas pastagens intocadas enquanto a toupeira cai no chão, morta.

| Sugaru |Parece que estas criaturas cavaram inúmeros túneis no solo abaixo》, Sugaru diz.

Enquanto fala, seus apêndices semelhantes a antenas tremulam suavemente. Leah adivinha que ela consegue usá-los para avaliar as condições do terreno abaixo — como um sonar ativo, só que para a terra.

| Leah |Entendo》, Leah responde, considerando a informação. 《Você acha que é por isso que esta área é uma planície em vez de uma floresta? A infestação de toupeiras é tão extensa que as árvores não conseguem criar raízes aqui. Mas as gramíneas conseguem, porque suas raízes não alcançam os túneis

Se isso for verdade, pode ser possível transformar a planície em uma floresta exterminando as toupeiras. Alternativamente, ela pode manter os túneis e preenchê-los com formigas, transformando a planície inteira em um formigueiro massivo.

| Leah |Esta zona pode ser mais adequada para nós do que eu pensei》, Leah diz. 《Vamos colocar algumas formigas sapadoras aqui e fazê-las começar a trabalhar, sim?
| Sugaru |Muito bem》, Sugaru responde. Ela invoca cinco formigas engenheiras. 《Vão em frente, minha prole. Se encontrarem uma entidade que suspeitem ser o líder, não entrem em combate. Retornem a nós e reportem imediatamente

As formigas não perdem tempo, desaparecendo na terra. Se encontraram um túnel logo de cara não está claro, mas pela rapidez com que sumiram, certamente parece que sim.
Sugaru então invoca outro grupo de cinco formigas engenheiras e as envia para o subsolo da planície. Ela repete esse processo cinco vezes, elevando o total para trinta formigas.

| Leah |Obrigada》, Leah diz. 《A propósito, por que você disse especificamente para manterem o líder vivo? Se estiver dentro das capacidades delas lidar com ele, por que não deixar?
Há uma breve pausa antes da Sugaru responder: 《Devo admitir que estou bastante ansiosa para testar minhas habilidades contra outro ser. Pode ser uma disparidade de forças, mas um monstro considerado o senhor de seu domínio pode vir a ser um oponente adequado

Leah havia esquecido completamente — após fazer a Sugaru Renascer, ela não teve a chance de avaliar as habilidades de combate da nova entidade da Classe Calamidade. Sugaru está absolutamente certa de que vai subjugar qualquer monstro do tipo chefe que cruzar o caminho delas, mas a Leah supõe que isso ainda é melhor do que nada.

| Leah |Nesse caso, ficarei mais do que feliz em deixar você cuidar de todo o combate nesta ocasião》, Leah sugere. 《Você pode tentar a sorte contra os jogadores também, se quiser

Foi bem nesse momento que um murmúrio preocupado se espalhou pelo grupo de jogadores atrás delas.

| Jogador | [Sério, o que está acontecendo? Que tipo de evento é esse?]
| Jogador | [Então aquela coisa é o chefe de todas as formigas? Vai atacar a planície?]
| Jogador | [Então que porra é aquela armadura gigante? Você está me dizendo que aquilo é algum tipo de formiga?]
| Jogador | [Uma armadura enorme com um chefe formiga a tiracolo... Sinto que conheço isso de algum lugar...]

Leah e Sugaru se viram para encará-los. Imediatamente, o grupo de jogadores dá um passo cauteloso para trás.

| Jogador | [Estão olhando para cá...]
| Jogador | [Nós... nós estamos em perigo?]
| Jogador | [Espera!], alguém solta repentinamente. [Meu amigo acabou de me responder. É aquilo. Aquele Chefe de Ataque — o que destruiu todo o Reino Hilith!]
| Jogador | [Não pode ser! Aquele de quem estavam falando online? O que diabos ele está fazendo aqui?]

Aí está a reação que a Leah estava procurando. Antes tarde do que nunca, ela supõe.
Agora, infelizmente para a multidão reunida, eles acabaram de acionar um encontro de raid sem querer. O número de jogadores presentes é quase igual ao da equipe que derrubou a Leah na capital — então é um jogo justo, certo?

| Leah | [Sugaru], Leah diz, elevando a voz para que os jogadores consigam ouvir. [Lide com esse bando indisciplinado]

Isso soou como uma fala que ativa um encontro de chefe, não soou?

| Sugaru |Entendido, minha rainha

O choque se espalha pela multidão.

| Jogador | [O quê— Huh?! A gente acabou de entrar em um encontro de Chefe de Ataque?!]
| Jogador | [Quem fez isso?! Quem foi o desgraçado que fez isso?!]
| Jogador | [O que importa quem fez?! A luta já começou! Tanques! Tragam os tanques aqui para a frente!]

Interessante, Leah reflete. Parece que este grupo não é totalmente composto por jogadores novatos. Amigos ajudando amigos, talvez.
A forma como o jogo foi projetado, com sua falta de um sistema estruturado de grupo ou aliança, não desestimula esse tipo de comportamento. Como a EXP não é dividida automaticamente, jogadores de nível mais alto conseguem acompanhar os de nível mais baixo sem sugar a EXP deles, contanto que não intervenham. O propósito deles é intervir apenas se a situação sair do controle, como aconteceu aqui.
Sugaru permanece imóvel, esperando pacientemente enquanto os tanques do grupo marcham barulhentamente para a frente. Ela provavelmente sente que vencer a batalha contra esse grupo desorganizado com um ataque surpresa seria sem sentido.
Os tanques formam uma linha, erguendo seus escudos e adotando posturas defensivas. A estratégia deles parece ser esperar que a Sugaru faça o primeiro movimento, sobreviver ao primeiro ataque dela e então contra-atacar adequadamente.
Leah não fica impressionada com isso. Claro, eles não são um grupo de Ataque propriamente dito e, sim, estão lutando contra uma chefe que nunca viram antes, mas ainda assim parece passivo demais. Ao enfrentar um oponente desconhecido, saber que você é capaz de se defender dos ataques dele é importante, claro, mas... por que dar essa chance a ela? Por que esperar e dar total liberdade para que desfiram golpes eficazes quando você poderia desestabilizá-los primeiro?
Sugaru parece entender isso perfeitamente conforme caminha calmamente até a parede de escudos, sem se importar a mínima com a própria segurança — e passa a mão pela linha com a mesma brutalidade casual que demonstrou antes contra a toupeira.

| Jogador | [Gah!]
| Jogador | [Isso bate forte!]

A parede de escudos desmorona conforme os tanques são espalhados — não exatamente como folhas ao vento, mas ainda assim foram lançados para longe a uma boa distância. Alguns escudos são partidos bem ao meio, enquanto outros sofrem danos pesados. Ou os materiais diferem, ou algumas habilidades defensivas atenuaram o golpe.
O contra-ataque veio. Uma enxurrada de bolas de fogo avança na direção da Sugaru, com os conjuradores sincronizando seus feitiços perfeitamente para atingi-la enquanto ela ainda se recupera de seu ataque. Parecem feitiços de alvo único. Mais precisos que os feitiços em Área, o acerto é quase garantido, contanto que o alvo esteja dentro do alcance efetivo.
Quase, no entanto, não significa sempre. Leah não presenciou isso em primeira mão, mas aparentemente, se você conseguir se mover mais rápido do que o feitiço, pode simplesmente se esquivar do caminho ou se esconder atrás de uma cobertura e deixar que o feitiço colida contra ela em vez disso.
Sugaru parece fazer uma combinação de ambos ao agarrar um tanque sem escudo aos seus pés para usar como seu próprio escudo improvisado. As bolas de fogo atingem em cheio o jogador infeliz, que grita de agonia antes de explodir em partículas de luz. Ela pisoteia outro tanque congelado de medo abaixo dela, enquanto os tanques restantes aproveitam a oportunidade para recuar às pressas para uma distância mais segura.
Mas então, sem aparentemente emitir uma única palavra, os tanques em retirada irrompem em chamas em brasa.

A magia da Sugaru?

Algumas entidades neste jogo, como a Sugaru e seus semelhantes, não conseguem falar, mas conseguem usar magia da mesma forma. Isso levanta a questão de como as frases de ativação funcionam para eles. Sugaru tem sido a companheira da Leah desde quase o início do teste beta aberto. Leah direcionou uma parcela significativa de EXP para ela, tanto para fins de teste quanto porque ela é uma usuária formidável do 【Retentor】 por direito próprio, comandando um poderoso enxame de insetoides. Vale a pena lembrar que a Sugaru ascendeu a um nível que está basicamente no mesmo patamar da Leah. Se não fosse a retentora da Leah, provavelmente teria se tornado a décima Grande Calamidade a esta altura.
Nenhum dos jogadores de nível médio, muito menos os iniciantes, tem a menor chance contra ela. O inferno ruginte consome os tanques, junto com alguns jogadores de DPS corpo a corpo que se aventuraram perto demais para ver melhor.

| Jogador | [Esse Chefe de Ataque não é brincadeira!], um jogador grita. [Como a gente deve vencer essa coisa sem o item do evento?]
| Jogador | [Espera, espera, espera. O que está atrás não é o Chefe de Ataque verdadeiro?! Esta aqui é só o aquecimento!]
| Jogador | [Um inseto que usa 〔Magia de Fogo〕...? Então talvez seja fraca contra feitiços de água... Ou gelo?]
| Jogador | [Esquece isso! Rápido, alguém manda um sinal de socorro online! Talvez se a gente aguentar tempo suficiente, alguns jogadores profissionais entediados venham nos salvar!]

É um pensamento admirável, Leah reflete, mas pouco provável. É apenas o segundo dia da atualização. Qualquer jogador de nível alto que se preze estaria ocupado farmando suas próprias masmorras. Ou, no mínimo, já teria usado seu teletransporte de ida para ir a algum lugar bem longe de um polo. Mesmo que alguém queira ajudar, levaria tempo para chegar aqui.
Não que a Leah se importe se vierem. Ela ficaria mais do que feliz em dar a eles as devidas boas-vindas calorosas. Se o pedido de ajuda alcançar os 『jogadores profissionais』, haveria até a chance de membros do Grupo de Ataque que a derrotou da primeira vez aparecerem.

| Leah |Espere, Sugaru》, Leah diz. 《Parece que podemos ter mais companhia. Os goblins estão chamando por reforços, então vamos dar um tempinho para que cheguem, sim?
| Sugaru |Claro, chefe

Enquanto esperam, Leah verifica discretamente o falatório online de dentro do Senhor Placas. Como esperado, vários tópicos já surgiram sobre a sua aparição. Mas a resposta desta vez é... menos que a ideal. Na verdade, está terrível. Alguns tópicos estão sendo até sinalizados como spam porque muitos apareceram de uma vez.

Bem, isso não é um bom sinal para que mais alguém apareça.

Naquela época, o pedido de ajuda do Wayne atraiu uma multidão de jogadores de nível máximo, mas aquilo deve ter tido mais a ver com o momento do evento do que com qualquer outra coisa. No momento, com as penalidades de EXP por morte ativas e sem nenhum item de 『evento』 para incentivar a participação — embora a Leah saiba que esse mal-entendido sobre os artefatos seja generalizado —, as pessoas parecem muito mais pessimistas quanto às suas chances de vitória.
E o visual desta situação não ajuda exatamente. Um Chefe de Ataque atacando uma masmorra de iniciantes, para a base de jogadores, provavelmente parece uma disputa territorial entre monstros. Por que se dar ao trabalho de intervir em algo assim quando nenhum dano direto aos NPCs ou à civilização está em jogo?
Depois, há o outro motivo, muito mais prático, pelo qual ninguém está correndo para ajudar: mesmo que todo esse grupo de jogadores seja eliminado, esses são principalmente jogadores novos. Eles têm níveis baixos de EXP; qualquer coisa que perderem pode ser recuperada rapidamente. Não existe um cenário em que jogadores veteranos se teletransportando potencialmente para a morte por causa de um bando de novatos e uma masmorra de uma estrela faça qualquer sentido. Na pior das hipóteses, a base de jogadores perde o acesso a uma masmorra de uma estrela. Ou ela pode ser transformada em uma muito mais difícil. De qualquer forma, não há nada nesta em particular que mereça ser salvo quando há muitas outras masmorras de uma estrela por aí.

Claro, se eles souberem o verdadeiro valor do ponto de teletransporte desta masmorra em específico...

Mas será que aqueles que sabem realmente lutariam mais para salvá-la? Leah duvida. Qualquer jogador esperto o suficiente para decifrar isso também perceberia que suas chances de vencer são mínimas e escolheria aceitar o prejuízo.

| Jogador | [Ela parou de atacar], um jogador diz cautelosamente.
| Jogador | [Por quê?], outro pergunta.
| Jogador | [Importa o porquê?! Como estão as coisas com os reforços?!]
| Jogador | [Eles acham que a gente é troll! Droga! Alguém me ajuda aqui!]

Este grupo de jogadores, em vez de usar a calmaria para se reagrupar ou repensar a estratégia, parecem contentes em desperdiçar a oportunidade, esperando que alguém venha salvá-los. Leah quase sente pena deles. Eles podem ser iniciantes, mas a distância entre eles e os chamados jogadores de nível alto não é tão vasta quanto pensam. Este jogo foi projetado sem um sistema de níveis, sendo sua única medida de progresso o gasto total de EXP, mas até isso é apenas um medidor, nada mais. A verdadeira força vem de montar a build certa e executá-la bem. Ela não consegue evitar de se perguntar quando esses jogadores vão perceber isso e parar de depender de jogadores 『melhores』 para tirá-los do sufoco.

Sugaru emite um ruído na mente da Leah. 《Minha rainha, não me importo de esperar, mas precisamos manter esses tontos vivos?
| Leah |Bem, o meu pensamento era que mantê-los vivos poderia fazê-los ficar mais desesperados para chamar ajuda. E embora pareçam estar tentando, ninguém está vindo
Leah tenta falar com os jogadores. [Parece que todos vocês estão decididos a chamar por socorro, mas ninguém parece estar vindo. Como pode ser isso? Vocês não têm amigos?]
| Jogador | [Q-Q-Q-Quem você está chamando de sem amigos?!], alguém gagueja.
| Jogador | [Ei! O que você está fazendo, caindo na provocação de um NPC?!]
Mas a conversa acaba sendo tão inútil quanto a Leah esperava. [Se a ajuda não vem, então isso é apenas perda de tempo]

Tomando as palavras da Leah como um sinal, Sugaru libera uma enxurrada de feitiços de gelo em Área contra o grupo. Outra conjuração silenciosa. Ela parece alvejar de propósito o jogador que vinha resmungando sobre suas supostas fraquezas, como se dissesse: Fraca contra 〔Magia de Gelo〕? Dificilmente.
O grupo restante é composto majoritariamente por conjuradores de retaguarda. Se os tanques não foram capazes de parar os ataques da Sugaru, os alvos frágeis não têm a menor chance. Um por um, eles congelam completamente e depois se estilhaçam em fragmentos de gelo, deixando apenas um único grupo de jogadores ainda vivo.

| Jogador | [Cristo. Qual é a dessa derrota forçada por roteiro do nada...?], um deles murmura.
| Jogador | [Eu juro, quando eu descobrir quem ativou isso...]

Encarando-os, Sugaru ergue as mãos (as duas mãos mais altas, no caso) e dispara teias em direção ao grupo.
Leah chega a olhar duas vezes, surpresa. Ela não deveria ter se espantado, na verdade, já que faz todo o sentido do mundo a Sugaru conseguir usar as mesmas habilidades de sua progênie aracnídea, mas... ela não havia mostrado nenhuma evidência disso todo esse tempo. Deve ter sido uma habilidade adquirida automaticamente durante o seu Renascimento.

| Jogador | [Teias de aranha?!], alguém grita.
| Jogador | [Você está me dizendo que aquela coisa não é algum tipo de formiga?!]
| Jogador | [Espera, ela tem oito pernas! É claro que tem que ser algum tipo de aracnídeo!]
| Jogador | [Sim, mas aracnídeos não têm asas, até onde eu sei!]

Verdade, Leah pensa. Verdade... Pelo número de pernas, pelas asas, por... bem, por todo o resto, Sugaru há muito transcendeu a inspiração em qualquer forma de vida conhecida. As teias saindo de suas mãos, no entanto, sugerem que é ali que ficam suas fiandeiras.
... Talvez a Leah faça a Sugaru começar a fiar um dia desses.

| Sugaru |Acho que você vai descobrir que as Rainhas Arachnia também são capazes desta façanha, além de tecerem fios a partir de seus abdomens》, Sugaru diz.

Deixando de lado a sensação estranha e invasiva de ter sua mente lida, Sugaru acabou de contar a Leah algo muito interessante. Se as Rainhas Arachnia conseguem fazer isso, talvez ela adquira a habilidade 【Costura】 para as aprendizes em Trae, designando-as para serem fiandeiras e alfaiates. Afinal, membros humanoides aumentaram drasticamente dentro de seu círculo recentemente.
Leah volta sua atenção para a batalha em questão. Após prender suas presas restantes em casulos apertados, Sugaru borrifa um líquido misterioso sobre eles. Uma fumaça branca chia ao entrar em contato, acompanhada por um cheiro acre e pungente. Equipamentos, carne e ossos derretem quase instantaneamente. Parece ser uma forma mais potente do ácido fórmico secretado pelas formigas sapadoras, mas sua capacidade de decompor quase qualquer material coloca a substância bem além do domínio da 『química』 e firmemente dentro da 『magia』.
Quando o líquido termina o seu trabalho, apenas a seda dos casulos permanece, flutuando em uma poça rasa do que costumavam ser suas vítimas.

| Leah | [Um trabalho bem feito, Sugaru], Leah diz em voz alta. [Embora essa sua seda... Se ela consegue resistir aos efeitos corrosivos do seu ácido desse jeito, posso prever que terá uma demanda muito alta, de fato]
| Sugaru |Devo colocar as Rainhas Arachnia para trabalhar na produção dela? Elas produzem seda da mesma qualidade. Aracnídeos de nível mais baixo renderão seda de qualidade ligeiramente inferior
| Leah | [Hum... Nós poderíamos, mas ter apenas a seda não ajudaria muito sem a habilidade de fiar e tecer. Vamos esperar até que eu as tenha treinado em 【Costura】]

Algumas habilidades de criação exigem um certo nível de 『DEX』 e 『INT』 para serem desbloqueadas, mas isso não deve ser problema para indivíduos de nível Rainha. Isso dá a Leah uma nova inspiração para dar às rainhas vespóides as habilidades 【Alquimia】 e 【Ferraria】, e às rainhas besouro as de 【Trabalho com Couro】 e 【Artesanato】. Elas têm bastante tempo para se dedicarem a um hobby. Não é como se as rainhas fossem lutar pessoalmente contra cada grupo de jogadores que entrasse em suas masmorras, não com a quantidade de subordinados sob o comando delas.

| Leah | [As sapadoras ainda não encontraram o chefe, huh?], Leah pergunta. [Dado o tamanho desta planície, imagino que vai levar um tempo]
| Sugaru |Posso aumentar o número delas, para ver se aceleramos o processo

Sugaru invoca mais trinta formigas engenheiras e as envia para cavar no subsolo.

| Leah | [Talvez a gente pudesse trazer algumas vespas, fazê-las patrulhar lá no céu para—], uma agitação interrompe a linha de raciocínio da Leah. Ela se vira para ver um grupo de jogadores se aproximando vindo da direção do ponto de teletransporte próximo. [Deixa para lá. Agora não é o momento. Parece que temos companhia]

E que companhia. Uma multidão massiva se aproxima. Leah rapidamente verifica as redes sociais de novo, perguntando-se se havia deixado passar algo, mas não — a resposta online continua tão desanimadora quanto antes. Então de onde veio essa multidão? O momento é curioso.
Mais curioso ainda é o equipamento deles. Não parece apenas bom, parece quase... combinado. Leah não possui nenhuma habilidade para julgar a qualidade dos equipamentos deles apenas de olhar — nem sabe se tal habilidade existe —, mas duvida que alguém faria o esforço ou gastaria o ouro necessário para fazer equipamentos de nível baixo combinando.

| Jogador | [Lá está ela!], um deles grita. [Aquele grandalhão é o Chefe de Ataque que destruiu Hilith!]
| Jogador | [Bem, parece que todos os novatos estão mortos. Pobres coitados], outro diz.

Se a abordagem agressiva deles já não deixasse óbvio, a conversa não deixa fresta para dúvidas — eles estão aqui pela Leah. E pela forma como falam dos jogadores que ela eliminou mais cedo, provavelmente é seguro assumir que não estão conectados.
Isso significa que devem ter respondido ao pedido de socorro online. No entanto, não postaram sobre isso — e nem precisaram, considerando que conseguiram reunir tanta gente. Leah os conta e há mais deles do que o grupo que a derrotou durante a batalha na capital. Pelo menos quarenta, se não mais.
Quarenta. Malditas. Pessoas.
Claro, a falta de um sistema formal de grupo ou raid significa que não há limites técnicos para o tamanho do grupo, mas sério? Quarenta? Isso não é uma batalha em grande escala — é um duelo contra um único oponente. A esta altura, isso é sequer prático ou útil?

Leah decide fazer o primeiro contato. [Ora, ora, ora, que multidão impressionante. Vieram vingar seus amigos? Digam-me, como todos vocês conseguiram chegar aqui tão rápido?]

Ela tenta falar da forma mais neutra possível para um NPC, enquanto ainda sonda em busca de informações úteis. No mínimo, consegue descobrir quem é o líder com base em quem responder primeiro.

Com certeza, alguém que se posiciona na frente do grupo, um jogador com aparência de tanque equipado com uma armadura brilhante, toma a palavra. Primeiro para os companheiros de equipe: [Wow, a gente tem certeza de que essa é a Calamidade? Tem a aparência certa, mas a voz é meio... fofa]
Depois, mais alto para a Leah: [Nós, jogadores, temos métodos de comunicação além da sua compreensão, criatura imunda! Sua arrogância será a sua ruína!]

Leah não tem total certeza se era para ter ouvido aquela primeira parte, mas o 【Ouvido do Sentinela】 do Senhor Placas é extremamente minucioso. Tanto faz. Ela vai fingir que não ouviu.

| Leah | [Hum, é mesmo?], ela responde soberba. [Esses métodos de comunicação — que intrigante. Talvez você queira me esclarecer?]
| Jogador | [Você não entenderia mesmo se a gente explicasse! E... espera, por que você está tão curiosa sobre isso?!]
Oops, deixei óbvio demais? Leah rapidamente procura uma maneira de se recuperar. [Seus amigos que acabei de destruir momentos atrás, eles falaram em voz alta sobre chamar ajuda. Ninguém veio, é claro, e eles encontraram o seu fim. No entanto, aqui estão vocês agora, aparentemente respondendo ao clamor deles. Perdoem-me por achar isso... peculiar]

Isso deve bastar, Leah pensa. Tudo o que ela disse é fundamentado em fatos que poderia razoavelmente saber com base no que realmente aconteceu. Nada muito comprometedor.

| Jogador | [Hum...], o líder do clã murmura pensativamente. [Como eu deveria explicar isso? Nós temos essa coisa chamada rede social? É parecido com gritar com toda a força dos seus pulmões no meio de uma praça lotada de uma cidade? Mas não exatamente, porque ninguém é obrigado a responder? Quero dizer, a gente coordenou isso através do chat privado do nosso clã, mas não tem como um NPC—]
| Jogador | [Ei, comandante], interrompe um jogador de pé ao lado dele. [Por que você simplesmente não diz Não temos obrigação de responder às suas perguntas e deixa por isso mesmo? Sério, por que você está sequer conversando com um Chefe de Ataque para começo de conversa? É porque ela tem uma voz fofa?]
| Jogador | [Eu não tenho obrigação de responder às suas perguntas!], o líder do clã esbraveja.
| Jogador | [Isso foi o que eu te disse para falar para a chefe, por que você está dizendo isso para mim?!]

Leah resiste ao impulso de dar um tapa na própria testa. Uma verdadeira dupla de comédia pastelão se desenvolvendo bem aqui, ela pensa ironicamente, assistindo à discussão se desdobrar.
Mas ela pegou a essência da coisa — chat de clã.
Apenas porque o jogo carece de um sistema oficial de clãs, não significa que os jogadores não possam organizar um por conta própria usando qualquer variedade amplamente disponível de ferramentas de terceiros ao seu dispor. Este grupo viu o pedido de socorro, organizou-se privadamente através de seu chat e chegou para desafiá-la.
Essa é uma façanha mais difícil do que parece, como qualquer um que já tentou sabe. Fazer esse número de pessoas remar na mesma direção não é uma tarefa fácil. Cultivar esse tipo de unidade exige um líder com carisma excepcional, bem como o conhecimento técnico para configurar e incentivar um senso de comunidade usando as ferramentas disponíveis. Os equipamentos em estilo de uniforme fazem sentido agora — fazem parte da construção de camaradagem.
Leah se lembra de alguém perguntando sobre clãs no FAQ em algum momento. Será que tinha sido essa pessoa?
Um sistema de clãs criado na ausência de um oficial — esse sim é um conceito interessante. Leah acha atraente em muitos aspectos. Sistemas de clãs convencionais costumam ser rígidos e incômodos. Espera-se que você cumprimente seus companheiros de clã toda vez que faz login, participe de atividades em grupo e contribua para os objetivos do clã — ou corre o risco de ser rotulado como um péssimo jogador de equipe. Se você quiser ajudar alguém de fora do clã, precisa se justificar ou sair de vez.
Sem essas estruturas rígidas, os jogadores provavelmente desfrutam de muito mais liberdade. Conseguem se juntar e jogar com os outros quando bem entenderem, sem a pressão das prioridades do clã. A liderança, por sua vez, não fica sobrecarregada com o microgerenciamento de cada integrante. Esqueça uma enorme sede de clã para o grupo todo, uma pequena sede alugada apenas para a liderança pode ser suficiente, onde os outros entram e saem conforme desejarem. Artesãos conseguem atualizar equipamentos perfeitamente, enquanto itens mais antigos podem ser reparados e passados para os membros mais novos, criando benefícios mútuos sem obrigações estritas.
É com esse tipo de organização que a Leah está lidando agora? Parece a explicação perfeita. Se eles se coordenaram privadamente, não é de se admirar que os canais sociais públicos não tenham refletido nenhuma mudança.
O clã começa a conversar entre si.

| Jogador | [Bem, bem, parece que tirar um dia de folga antes de começar está valendo a pena. Quem diria que o chefe do evento ia aparecer?]
| Jogador | [Né? E eu aqui achando que a gente ia começar atrás por entrar só no segundo dia]
| Jogador | [O líder do clã queria sondar a masmorra perfeita primeiro. Teria sido uma péssima publicidade começar a atrapalhar as masmorras populares com os nossos números logo de cara. A gente deve ser o primeiro a fechar uma masmorra para colocar o nosso nome em evidência para o recrutamento, lembram?]
| Jogador | [Caramba, o nosso líder pensou em tudo]
| Jogador | [Mas espera aí. Se a gente está tentando colocar o nosso nome em evidência, não devia ter anunciado publicamente que ia atrás da Calamidade?]
| Jogador | [Isso ia sair muito pela culatra se a gente sofresse um wipe]
| Jogador | [Esquece, eu retiro o que disse, o nosso líder pensou em tudo]

Ouvindo isso, Leah não consegue evitar de respeitar os tanques neste jogo. Eles sempre parecem alguns dos jogadores mais capazes por aí. Ela pensa isso e em como estava enganada — aparentemente, nem todos os jogadores de alto escalão passaram o primeiro dia farmando. Alguns, como este líder de clã, adotaram uma abordagem diferente.

| Leah | [Muito bem], Leah diz. [Se você não vai responder, então lute comigo. Pronto?]
| Jogador | [É para isso que estamos aqui], o líder do clã responde sem hesitação. [Vamos a isso]

Este grupo claramente planejou com antecedência. A maneira como se comportam é polida demais para ser improvisada — devem ter estudado cuidadosamente os tópicos de estratégia da Calamidade do evento anterior, discutindo e refinando sua abordagem. Eles vinham se preparando para um eventual confronto com a Leah — um que, se não tivesse acontecido hoje, teria acontecido em outro momento.
Bem, o que posso dizer? Leah pensa. É a honra máxima para um Chefe de Ataque.

| Leah | [Sugaru], diz ela baixinho.
| Sugaru |Sim, minha rainha

Leah prometeu deixar todos os confrontos desta excursão para a Sugaru. Ela não quer quebrar essa promessa, mas também quer fazer um algo a mais. Nesse caso, um pouco de RP de Chefe de Ataque não faria mal, certo? Só para ditar o tom.

| Leah | [Se vocês desejam me enfrentar], Leah declara, [devem primeiro derrotar o meu braço direito, a própria Rainha dos Insetos — Sugaru. Só então vocês ganharão o direito de me desafiar. Boa sorte, heróis]
Imediatamente, o ataque preventivo veio. [Unidade três-dois, D-ni-ro!], o líder do clã grita.
| Jogadores | [[[[D-ni-ro!]]]], ecoa um clamor unificado.

Ao comando do líder do clã, quatro conjuradores no grupo de retaguarda liberam o que parecem ser feitiços em Área baseados em água.
O Grupo de Ataque não parece grande o suficiente para abrigar trinta e duas equipes, então os algarismos provavelmente não correspondem diretamente aos números das unidades. Talvez sirvam para um propósito mais distinto — um sistema onde o primeiro dígito indica uma função ou tipo específico de tropa, e o segundo representa o número da equipe dentro dessa função. Se for esse o caso, equipe três-dois significaria a segunda unidade do terceiro tipo de função.
E D-ni-ro — seria essa a frase de ativação do feitiço? A maneira como foi proferida, com o líder do clã gritando primeiro, seguido pelos conjuradores, sugere que o clã padronizou as frases de ativação entre seus membros.
Isso é interessante. Pelo que a Leah viu até agora, jogadores solo costumam personalizar as frases de ativação de seus próprios feitiços — seja para facilitar o uso ou para ocultar suas intenções. Os grupos, por outro lado, tendem a manter as frases padrão para consistência e clareza entre companheiros de equipe aleatórios.
Este clã, no entanto, faz com que suas frases funcionem como uma espécie de código, exclusivo do grupo deles. É mais curto, secreto e fomenta um forte senso de identidade — todas vantagens claras. E ao contrário da conjuração silenciosa viabilizada pelo 【Olho Maligno】 e pela 【Fusão de Feitiços】 da Leah, a conjuração ativada pela fala não examina as ondas cerebrais do jogador em busca de intenção — é determinada puramente pelas palavras ditas.
Em outras palavras, os jogadores que cantam a frase nem precisam saber com qual feitiço ela está associada. Contanto que o líder do clã saiba, tudo o que eles precisam fazer é repetir o comando dele, e o resto se encaixa. Mesmo que a frase mude, não importa. Contanto que o líder do clã entenda o que está acontecendo, seus conjuradores se moverão como uma extensão de sua vontade.
Leah ainda não terminou de ficar impressionada com o que este clã conquistou, mas agora, literalmente, não é o momento. A magia está atualmente voando na direção delas. Os conjuradores coordenaram cuidadosamente o feitiço em Área para atingir tanto a Sugaru quanto o Senhor Placas.

| Leah | [E eu aqui achando que tinha deixado claro que vocês precisavam passar pela Sugaru antes de me atacar], Leah resmunga para si mesma.

Não há nada que impeça o clã de mirá-la diretamente, é claro; sua declaração foi puramente para dar um sabor ao RP. Claramente, eles entenderam isso, visando causar dano a ambas em um único golpe. Uma provocação, por assim dizer.
Mas a Leah não é um NPC. Ela não precisa ceder às provocações deles. Nem reagir, na verdade.
Para a consternação do clã, os quatro feitiços de água atingem o Senhor Placas inofensivamente, deixando-o um pouco molhado, mas sem nenhum arranhão. Enquanto isso, Sugaru levantou voo para minimizar o dano recebido. Ela ficou com um pouco de umidade nas pernas, mas a extensão do dano foi apenas essa.

O líder do clã emite outro comando. [Unidade três-um, B-ni-ha!]
| Jogadores | [[[[B-ni-ha!]]]], vem a resposta, no tempo certo.

Desta vez, quatro conjuradores diferentes liberam a 〔Magia do Relâmpago〕 na Leah e na Sugaru. Pela intensidade dos feitiços, é claramente de nível alto. Leah se vê surpresa — não pela coordenação deles desta vez, mas pelo fato de cada membro da equipe três-um ter investido tanto em 〔Magia do Relâmpago〕.
Os conjuradores, no geral, deveriam ser os membros mais equilibrados e versáteis de qualquer grupo. Para lidar com uma variedade de inimigos e conteúdos, eles precisam espalhar sua EXP por várias escolas de magia. Mas esses jogadores despejaram tanto na 〔Magia do Relâmpago〕 que sobrou pouco espaço para outras escolas. Na melhor das hipóteses, provavelmente têm uma outra escola nivelada em grau semelhante.
Isso vai contra o bom senso convencional — ou assim a Leah pensou. Ela tem que se lembrar de que este é um grande grupo de pessoas que costuma jogar junto. Para eles, a especialização não é uma desvantagem. Contanto que estejam coordenados, é uma vantagem massiva, permitindo que cada membro confie nos outros para cobrir suas fraquezas.

De repente, ela percebe algo. [Ah, então é por isso que você nos salpicou com água primeiro. Alvos que estão molhados sofrem uma penalidade na resistência a relâmpagos]

E coordenados eles de fato estão. O líder que emite esses comandos claramente tem uma boa cabeça sobre os ombros. Ele sabe que a menor resistência base de uma armadura metálica como a do Senhor Placas é contra a 〔Magia do Relâmpago〕.
Resistência base.
Azar o dele, Leah já aprendeu essa lição da maneira mais difícil. Depois de ser vítima dessa fraqueza uma vez, ela se esforçou e investiu os recursos para garantir que isso não acontecesse novamente. O Senhor Placas agora ostenta atributos aprimorados de 『MND』 e 『INT』 e se aprofundou o suficiente na árvore da 〔Magia de Terra〕 para desbloquear a 【Resistência a Relâmpago】.
Como esperado, os feitiços ricocheteiam inofensivamente no Senhor Placas. A resistência adicional é mais do que suficiente para compensar o debuff da água.
Leah sorri internamente. Assim como a Elfa Anônima ficou mais forte desde o nosso último encontro, eu também fiquei.
A magia também não faz praticamente nada com a Sugaru, que começou a voar em direção ao grupo.

Vendo isso, o líder do clã faz uma careta. [Unidade três-três, E-ni-i!]
| Jogadores | [[[[E-ni-i!]]]]

A 〔Magia de Vento〕 em Área dispara no céu em direção a Sugaru que avança.
Mais uma vez, Leah não consegue deixar de admirar o nível de tática em exibição. Sugaru está atualmente no ar e, nesse estado, ser atingida pela 〔Magia de Vento〕 acionaria um efeito de restrição de movimento, independentemente de causar dano real ou não. Se ela falhasse em resistir, ficaria temporariamente presa no lugar.

| Jogador | [Unidades um-um a um-três, formação defensiva! Protejam o corpo trinta!]

Muito inteligentemente, o líder do clã não espera para ver se a Sugaru será enredada — porque ela não foi — e ordena que o Grupo de Ataque defenda seus conjuradores. Por causa de sua decisão rápida, eles conseguem se organizar bem a tempo antes da Sugaru liberar seu primeiro ataque.
Sem se abalar com a parede de tanques que se monta diante dela, Sugaru mergulha em direção à raid. Como se estivesse se preparando para desferir um golpe físico devastador, ela ergue todos os seus três pares de mãos. Os tanques se preparam, estreitando a formação em antecipação — apenas para a Sugaru borrifar teias de todos os seis membros, enredando-os de forma eficaz. Os tanques, focados em se defender de um ataque corpo a corpo, não têm tempo de sacar suas armas e cortar a teia pegajosa. Sugaru crava um membro com garras em cada um dos tanques imobilizados, e então se projeta — junto com eles — para cima com uma velocidade surpreendente, disparando em direção ao céu.
Tudo acontece rápido demais.
Ninguém consegue reagir.
Ninguém consegue ver o rosto da Leah de queixo caído atrás da viseira do Senhor Placas.
Sugaru sobe até um ápice de cerca de trinta metros acima do chão, e então lança os jogadores capturados para o alto.

| Leah | [Sinto que já vi essa cena antes], Leah murmura para si mesma.

De fato, ela já viu. De volta a Erfahren, durante o ataque à cidade, as vespas fizeram a mesma coisa com cavaleiros desavisados. Sugaru não estava presente, mas talvez tenha visto as coisas se desenrolarem através de suas vespas.

O líder do clã olha para o céu, estupefato. [O que diabos... Como eu deveria contra-atacar isso? Eu nunca nem recebi dano de queda antes. Não sei o que, se é que alguma coisa, pode mitigar isso]

Ele deveria apenas ficar grato por não ter sido pego junto com seus homens.
Sugaru não espera que ele se recupere. Ela mergulha de volta em direção ao Grupo de Ataque, desta vez liberando feitiços em Área sobre eles assim que está ao alcance.
Agora, isso foi injusto, Leah pensa. Sugaru consegue descer e subir para fora do alcance efetivo do Grupo de Ataque, mas eles, presos firmemente ao chão, não conseguem descer mais para sair do dela. Ela tem o controle absoluto sobre os termos de engajamento nesta batalha.

| Leah | [Ela gosta de batalhas unilaterais onde o oponente não consegue revidar], Leah diz, assistindo o campo de batalha irromper em pandemônio. [Pergunto-me onde já vi isso antes]

É uma visão satisfatória. Ninguém mais tem atenção para dedicar a Leah. Chega de ataques em Área inteligentemente posicionados, chega de provocações, apenas a pura luta pela sobrevivência.
Conjuradores de baixo LP são os primeiros a ir, desaparecendo em partículas de luz. Depois o DPS corpo a corpo, os coitados correndo como galinhas sem cabeça. Por último, os tanques. Eles ergueram seus escudos para tentar mitigar parte do dano dos feitiços, mas nem tudo é bloqueável. Dicionário: procure por 『exercício de futilidade』.
A proeza mágica da Sugaru provavelmente agora rivaliza com o que a própria Leah era capaz de fazer durante a batalha na capital. O fato de alguém estar sobrevivendo ao bombardeio dela é um testemunho de sua força — e de seus equipamentos.
Alguns estão sobrevivendo. Não muitos alvos frágeis, mas uma quantidade razoável de tanques. Para acabar com eles, Sugaru despenca de volta ao chão, liberando outra rodada de seu ataque de teias.

| Jogador | [Baixem os escudos!], o líder do clã comanda. [Usem suas espadas para cortar a teia, a menos que queiram ser levados como os outros!]

Falando nessas almas infelizes, elas não estão em lugar nenhum. Sugaru as arremessou tão longe que seus corpos não estão em nenhum ponto próximo. Se não voltaram até agora, desapareceram tanto quanto o resto.
Atendendo ao comando do líder, os tanques restantes conseguem cortar as teias e evitar serem presos. Não é fácil. Os sobreviventes se condensaram em um quadrado defensivo apertado para proteger seu DPS, deixando pouco espaço para manobras. De fato, o espaço é tão limitado que, mesmo com a Sugaru de volta ao alcance, os conjuradores não conseguem se concentrar o suficiente para lançar nenhum ataque. Eles sobreviveram à segunda rodada de ataques de teia.
Mas então, vozes em pânico e temerosas ecoam.

| Jogador | [Gah! O que é isso?!]
| Jogador | [Esse líquido... queima! Isso é... ácido?!]

Obviamente, Sugaru é inteligente demais para usar o mesmo movimento duas vezes. Desta vez, entre algumas de suas rajadas de teia, ela misturou jorros de ácido. Leah assumiu que o ácido viria das mandíbulas da Sugaru, mas ele emerge do mesmo lugar que suas teias. Enquanto os tanques conseguiram cortar as teias, o ácido líquido se comporta de maneira diferente. Golpear contra ele apenas faz com que ele respingue por toda parte, com alguns jogadores azarados recebendo-o nos olhos. O jogo, reconhecendo a parte do corpo afetada, aparentemente inflige o status de cegueira nesses jogadores.
O ácido não é forte o suficiente para corroer a armadura de placas dos tanques, mas para o DPS, a história é outra. As partes conectivas de couro em suas armaduras são totalmente devoradas. Sem o couro para segurar tudo no lugar, as placas de metal deslizam de seus corpos, caindo no chão com uma série de estrondos pesados.
Então, bem quando a o Grupo de Ataque percebe o que está acontecendo e ergue os escudos para se proteger do ácido, é pura teia que vem, enredando-os. Em vez de içá-los para o céu, os fios da Sugaru prendem os jogadores onde estão, emaranhando-os em uma corrente grotesca, como uma macabra colcha de pérolas.
Com isso, não restam jogadores que possam montar uma ameaça significativa. Tudo o que resta é uma massa contorcida de jogadores lutando para se libertar das teias ou escapar do ácido remanescente.

| Leah | [E fim de jogo], Leah murmura.

Se a Sugaru tivesse vacilado, Leah teria intervindo de bom grado para acabar com eles ela mesma. Mas parece que não será o caso desta vez.
Mais feitiços em Área atingem o grupo imobilizado, com os jogadores se dissolvendo em partículas de luz. O líder do clã é o último a cair, mas com um feitiço final de relâmpago de alvo único da Sugaru, ele também ganha uma viagem rápida de volta para o seu Lar.


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| Leah | [Pois bem, acho que é seguro assumir que mais ninguém está vindo]

Leah permanece no local por algum tempo após o encontro com o clã, esperando caso mais algum pretenso desafiante tivesse colocado os olhos nela.
Ocasionalmente, um novato desinformado que não navega pelas redes sociais chega perto demais, apenas para avistar o Senhor Placas e imediatamente dar meia-volta.

| Sugaru |Chefe》, Sugaru diz. 《Minha falha no último encontro permitiu que o mal se abatesse sobre você. Esta desonra é minha para carregar, e peço o seu perdão
| Leah | [De modo nenhum], Leah descarta. [Não aconteceu nada comigo. Nada que eu chamaria de dano, de qualquer forma. Dificilmente é culpa sua que os nossos intrusos tenham uma péssima compreensão de escuta, Sugaru. Não ligue para isso]

Sério, Leah pensa. Fale sobre impaciência. Eles realmente achavam que podiam simplesmente ignorar uma das mecânicas mais notáveis da Leah — a sua comitiva — para desafiá-la diretamente? Em qualquer estratégia adequada de eliminação de chefe, falhar em lidar com, ou mesmo em considerar todas as mecânicas, é uma maneira infalível de transformar uma luta vencível em um desastre imediato.
Não que essa seja uma metáfora perfeita, já que a luta com a Leah não era vencível para eles, assim como não teriam como lidar com a mecânica que é a Sugaru, mas o ponto ainda continua de pé.

| Leah | [Eles se mostraram insuficientes desta vez], Leah reflete, [mas têm potencial. Quando os artesãos deles forem capazes de produzir um item de nível Artefato, talvez eu queira enfrentá-los novamente]

Itens de nível Artefato. Se artefatos são apenas itens, isso significa que até mesmo a Leah ou a Lemmy podem simplesmente criar um.
Isso significava que qualquer um pode simplesmente criar um.
Não precisa ser um item com campo de debuff como o que o Rei das Fadas anterior havia feito — talvez uma espada artefato seja inteiramente possível. E se esse for o caso, mesmo algo tão durável quanto o Senhor Placas pode não ser capaz de resistir ao seu poder destrutivo.
E se algo puder passar pelo Senhor Placas, pode alcançar ela.
E se algo puder alcançá-la, pode matá-la.
Não que a Leah pretenda simplesmente se render e morrer na próxima vez que enfrentar um oponente empunhando um artefato. Mas de agora em diante, possuir um terá que ser o requisito mínimo para qualquer um que sequer pense em desafiá-la novamente.

| Leah | [Hum, mas ainda assim... Clãs, huh?]

A mente da Leah deriva dos artefatos para os clãs. O encontro havia apresentado a ela um desafio que ainda não tinha considerado. O de que há informações sendo trocadas em canais aos quais ela não tem acesso. Ela fez questão de monitorar o falatório online desde sua derrota na capital para evitar cair em outra armadilha, mas se há discussões acontecendo além de seu alcance, então esse é um grande ponto cego.
Bem. Suponha que não haja nada que ela possa fazer a respeito disso. Melhor tornar a si mesma e a sua facção ainda mais fortes.

| Leah | [Falando em ficar mais forte, eu me pergunto se a capital vai começar a receber visitantes em breve?]

A dificuldade já havia sido reduzida para quatro estrelas — ela havia verificado. Inicialmente, houve a preocupação de que com o Sieg presente a dificuldade não cairia, mas após um pouco de teste, Leah confirmou que, curiosamente, o castelo não é considerado parte da capital em si para os cálculos de dificuldade. De fato, Sieg faz a dificuldade saltar para cinco estrelas se ele der um passo que seja para fora do castelo, mas contanto que permaneça dentro dele, a capital continua em quatro. Essa interação estranha só deixa no ar a pergunta de por que o castelo da capital de Hilith não tem sua própria masmorra associada e ponto de teletransporte.
Leah imaginou que poderia ter algo a ver com subdomínios dentro de domínios serem um caso especial. Talvez os devs pretendessem que as 『salas de chefe』 sejam acessíveis apenas para aqueles que limpem a masmorra ao redor primeiro. Também é provavelmente por este exato motivo que Ellental é apenas uma masmorra de três estrelas. Diaz está na mansão do lorde, então ele não contribui para a classificação de dificuldade porque a mansão é a 『área do chefe』 da Blanc.

Agora, então, Leah já havia se demorado na planície por tempo suficiente. Ela havia anunciado com sucesso a ausência da Calamidade. Com isso alcançado, seus negócios na região estão concluídos. Ela pode muito bem lavar as mãos de toda essa história, mas pensando nas formigas sob o seu comando, que vinham trabalhando tão diligentemente, talvez transformar esta terra no pequeno pedaço de paraíso delas. Com uma cidade portal bem ao lado, não haveria escassez de 『turistas』 dispostos.
Manter a masmorra em uma ou duas estrelas deve garantir um fluxo constante de iniciantes. Na verdade, aumentar a dificuldade além de duas estrelas provavelmente seria um erro. Se alguém notar que esta cidade portal é de alguma forma diferente das outras, pode atrair suspeitas indesejadas.
Sim. De fato. Uma estrela é o caminho a seguir.

| Sugaru |Chefe, desculpe interromper》, Sugaru de repente diz. 《Parece que uma sapadora encontrou uma fera enorme em...》, ela perde o fio da meada, com os olhos se apagando. 《Peço desculpas. Parece que a formiga pereceu no meio de seu relatório
| Leah | [Oh, nossa. Encontraram, é? Vamos prosseguir com cautela]

Imediatamente, Leah e Sugaru levantam voo em direção à última localização conhecida da sapadora morta. Elas chegam à entrada de uma caverna feita de terra amontoada — uma que parece suspeitosamente com o ícone genérico de caverna nos mapas de videogame — e descem em seu interior.
Lá dentro, Leah fica surpresa ao descobrir que não apenas a entrada é superdimensionada, mas o próprio corredor é grande o suficiente para acomodar até mesmo o colosso de três metros de altura que é o Senhor Placas. Muito maior do que o necessário para a toupeira que haviam encontrado antes — mas para um chefe de zona? Faz todo o sentido. Conforme avançam pelo túnel totalmente escuro, Leah se lembrou dos que ficavam abaixo de Lieb. Aqueles tinham sido suaves ao toque, esculpidos pelas formigas sapadoras usando seu ácido. Aqui, em contraste, o solo está frouxo e esfarelado, como se o corredor inteiro pudesse desmoronar a qualquer momento. Certamente não é uma construção tranquilizadora, mas pelo menos ilustra claramente as diferenças entre um túnel escavado por toupeiras e os feitos por formigas...
Sem luz, a visão natural (e, por extensão, os 【Olhos de Águia】 do Senhor Placas) tornou-se inútil. Leah mudou para o modo 【Olho Maligno】 e assumiu o controle manual do Senhor Placas para navegar. Desnecessário dizer que a Sugaru está completamente indiferente à escuridão. Ela mesma já havia governado uma complexa rede de túneis subterrâneos no passado. Naquela época, Leah se lembrava, as antenas da Sugaru agiam como uma espécie de sensores contra as paredes da caverna conforme ela se movia. Mas agora, ela não vinha fazendo mais isso. Deve ter sido parte da melhoria de navegação pelo 『sonar ativo』.

| Sugaru |Estamos quase lá, chefe》, Sugaru diz.
| Leah | [Oh, acho que estou vendo], Leah responde. [Aquela câmara mais adiante? Julgando pelo MP observável dela, é quase tão forte quanto uma rainha formiga recém-nascida. O que quer dizer... não muito]

Elas saem do túnel em uma câmara ampla. No seu centro surge uma toupeira enorme. Leah meio que esperava que ela atacasse imediatamente, dado o que havia acontecido com a formiga sapadora que a descobriu primeiro, mas por enquanto, a criatura permanece imóvel.

| Leah | [Não parece que ela nos notou. É toda sua, Sugaru]
| Sugaru |Você não vai Retê-la?
| Leah | [Eh, não parece realmente o tipo que se encaixaria com as nossas propriedades florestais. E duvido que seja fácil de criar, ao contrário dos nossos insetos e Treants. Além disso, meio que faz a mesma coisa que as formigas de qualquer forma? Então acho que podemos apenas continuar com as formigas]

Insetos são a forma de vida mais diversa da Terra. Embora a Leah esteja certa de que esse nível de variedade não havia se traduzido perfeitamente para o jogo — certamente não há mais de um milhão de espécies como na vida real —, sua comitiva de insetos já havia se provado versátil o suficiente para cobrir quase todos os casos de uso em que conseguia pensar. Dada a adaptabilidade de sua prole e a gama de especialidades que fornecem, contanto que tenham uma Rainha dos Insetos sob o seu comando, ela não precisa de mais nada. De fato, a árvore de 〔Nascimento Seletivo〕 da Sugaru teve algumas novas adições permitindo que ela gerasse monstros baseados em insetos aquáticos e outros artrópodes. Embora a Leah ainda não tenha gerado nenhum por falta de ambientes apropriados sob o seu controle.

| Sugaru |Nesse caso, permita-me》, Sugaru diz. 《A batalha anterior confirmou minhas capacidades no ar. Esta é uma boa chance de me testar no chão
| Leah | [Vá em frente], Leah responde.

Sugaru caminha em direção à toupeira gigante, e só agora ela pareceu registrar a presença de intrusos. Ela fareja irritantemente em direção ao ar, tanto quanto para dizer: Ugh, outro inseto?
Mas a Sugaru chega bem ao lado da toupeira, perto o suficiente para conseguir tocá-la, e mesmo assim ela não ataca. Estranho, mas ela supõe que faça sentido. Se tivesse sido hiperagressiva, a formiga sapadora não teria conseguido passar nem parte da mensagem antes de ser morta. Ainda assim, para ela agir com tanta indiferença apesar de não conhecer a força da Sugaru... Não estava confiante até demais?

| Leah | [Isso é algum tipo de handicap embutido para que os jogadores consigam sempre o primeiro ataque?], Leah murmura para si mesma. [Não, não faz sentido os devs serem tão generosos. Provavelmente é apenas uma peculiaridade desta toupeira em específico]

Se ela havia crescido tanto e se tornado dominante em seu habitat, provavelmente se considera invencível — sem medo por pura complacência.
Leah lembrou a si mesma que a mensagem dos devs que recebeu afirmava que apenas áreas sob o controle de uma única facção seriam consolidadas como masmorras. Na ausência de um sistema formal de grupo ou clã que possam definir inequivocamente 『facção』, o termo só pode ser interpretado como um único indivíduo. Então, para uma zona ser capaz de satisfazer simultaneamente este critério de 『única facção』 e ter mais de um único monstro, deve significar que há um chefe supremo enquanto os demais são seus retentores diretos. Em outras palavras, em cada área de masmorra, o chefe, quer seja um personagem de jogador ou um NPC, é um usuário de 【Retentor】.
Claro, tudo isso é apenas especulação da parte da Leah, mas considerando todas as coisas, ela provavelmente está certa. E há uma maneira de confirmar. Assim que derrotarem a toupeira, podem observar se resta alguma outra. Se todas desaparecerem junto com ela, então sua teoria estará provada correta.
Retornando sua atenção para a batalha que ainda está por se desenrolar, Leah vê que a Sugaru desistiu de esperar que a toupeira ataque primeiro. Suas mãos se transformam em lâminas semelhantes a foices, e ela golpeia a criatura.
Mãos... transformadas em foices? Leah não acredita em seus olhos por um segundo, mas olhando de perto, certamente parece que o par superior de braços da Sugaru, que sempre terminou em mãos e dedos, agora havia se transformado em lâminas afiadas e curvas.
Leah puxa às pressas o painel de habilidades da Sugaru. A única habilidade suspeita é a 【Transformação Perversa】.
Não suspeita no sentido de 『Huh? perversão?』, mas se destaca no sentido de que isso pode explicar o que ela acabou de presenciar.
Leah tinha notado a habilidade quando a Sugaru Renasceu pela primeira vez, mas a havia descartado devido a um excesso de confusão. Em sua defesa, transformação no contexto de insetos costuma significar algo como metamorfose. Mas as formigas neste jogo na verdade não passam por metamorfose — elas eclodem totalmente formadas, pulando os estágios larvais por completo. Então ela a havia descartado, porque se a metamorfose estava fora de questão, ela não queria acreditar que a habilidade transformava a Sugaru em algum tipo de desviada.
Mas agora ela viu a habilidade em ação. E como é muito melhor do que o que havia assumido originalmente. Isso não é um tipo de se embrulhar em um casulo por um tempo e sair com tipos diferentes de habilidades, mas uma maneira de transformar instantaneamente o próprio corpo na hora para se adaptar ao combate ou possivelmente até a necessidades de criação de itens.
Agora que leu a descrição real da habilidade, diz: 『transforma parte ou todo o corpo do usuário em uma forma escolhida. Consumir MP adicional reduz o tempo de transformação. Partes transformadas podem conceder habilidades temporárias baseadas em sua forma. A duração escala com o MP gasto』. Além disso, parece que as formas em que a Sugaru pode se transformar são predeterminadas — e a lista parece muito semelhante à dos diferentes insetos que ela pode produzir. Há 【Foice】, a que ela está usando agora, e depois 【Seda】 e 【Ácido】.

Oh. Então todo esse tempo, quando Sugaru estava disparando teias ou ácido, ela na verdade estava transformando fisicamente seu corpo em uma forma diferente.

Seria isso o que ela quis dizer ao afirmar que as Rainhas Arachnia produzem a mesma qualidade de seda que a dela? Se sim, na realidade ela quis dizer o contrário, porque ela na verdade está se transformando nelas para produzir literalmente a mesmíssima seda.

| Leah | [Então eu estaria certa em assumir que, quanto mais tipos de insetos ela gera, mais poderosa ela mesma se torna?]

Mais insetos, mais formas, mais ferramentas nesta multiuso — faz sentido.
E claro, como qualquer multiuso, provavelmente haverá situações em que uma ferramenta especializada se sairá melhor. Mas em encontros equilibrados, ter mais opções nunca é uma desvantagem.

| Leah | [Que raça temível as Rainhas Asrapada são], Leah murmura, impressionada. [Mas, por outro lado, o que mais eu deveria esperar do pináculo evolutivo dos artrópodes? É melhor eu não ficar para trás também]

A batalha diante da Leah está evoluindo rapidamente. Subitamente confrontada por lâminas afiadas como navalhas que aparentemente surgiram do nada, a toupeira gigante entra em pânico. Ela se ergue e golpeia com uma pata dianteira, tentando esmagar a Sugaru. Mas então, com um súbito flash rosa, o membro é decepado — cortado limpamente de seu corpo.
Os olhos da Leah se estreitam. Os braços de foice da Sugaru não são nem de longe grandes o suficiente para cortar algo daquela espessura por conta própria. Aquele flash tem que ser a ativação de uma habilidade — provavelmente a que está atrelada à sua metamorfose de 【Foice】.
Agora, com um de seus membros perdidos em um único golpe, a toupeira gigante finalmente parece compreender a magnitude da ameaça diante de si. Ela recua, ajustando-se rapidamente para ficar de pé nas patas traseiras. A pata dianteira restante ergue-se defensivamente, blindando seu rosto, enquanto um único olho semicerrado espreita por trás de suas garras. Então, de repente, o chão atrás da Sugaru estufa.

| Leah | [Interessante], Leah murmura. Um segundo depois, a terra explode. [Parece que você não é apenas um pedaço massivo de carne, não é?]

Aquilo claramente foi um feitiço de terra em Área. E, mais notavelmente, um raro feitiço com alvo por coordenada. A toupeira deve tê-lo mirado deliberadamente atrás da Sugaru em uma tentativa de pegá-la desprevenida.

| Leah | [A Sugaru, na época em que era uma Rainha Vespóide, nunca foi capaz de usar magia. Assumindo que esta toupeira gigante esteja no mesmo nível em que ela estava naquela época, então em troca de uma defesa mais baixa, ela tem capacidade mágica. Ela também é simplesmente mais forte de uma perspectiva pura de atributos, considerando que parece ter tido um bom tempo para amadurecer]

Mas uma Rainha Vespóide a Sugaru não é mais. Ela consegue dar de ombros para feitiços de conjuradores que despejaram toda a sua EXP em uma única escola — o que uma magia em Área de nível baixo vinda de um chefe que nem sequer é focado em magia deveria fazer?
Sem nem hesitar, Sugaru desfere outro golpe com seus braços de foice, e lá se vai a outra pata dianteira da toupeira gigante. Mesmo assim, com suas feridas abertas, a criatura tenta desesperadamente conjurar outro feitiço. Mas antes que consiga fazê-lo, as foices da Sugaru brilham novamente, e desta vez, o alvo é a cabeça da toupeira.

| Leah | [Hum. Primeiro a luxuriosa Rainha da Destruição, agora a Rainha Asrapada perversa. Tanto faz, as descrições de habilidades servem praticamente para visualização privada de qualquer forma. Ninguém nunca vai saber]



Inimigo único derrotado com sucesso: 『Toupeiras do Paraíso』
Zona desbloqueada: 『Ruínas do Paraíso』




As Mensagens do Sistema para assumir a propriedade da zona parecem um pouco diferentes do que a Leah está acostumada. Ela assume que é porque não há uma Área Segura nesta zona, o que significa que não pode defini-la fisicamente como seu Lar. Ainda assim, o fato de a notificação aparecer confirma o que ela precisava saber — ela reivindicou a área com sucesso, tornando-se sua nova 『única facção』. Agora, é oficialmente sua para fazer o que bem entender.

| Leah | [Espera um segundo], Leah diz, com um pensamento a atingindo. [Todo o tempo em que estivemos aqui, a dificuldade da masmorra nunca passou de uma estrela]

Pelo menos, não quando ela verificou pela última vez — na época em que os iniciantes estavam clamando por socorro.

| Leah | [Mas parando para pensar, é claro que a minha presença não aumentaria a dificuldade. Estou fazendo o RP de um Chefe de Ataque, mas não sou de verdade um. Não importa qual seja a minha classificação de estrelas, ainda sou apenas uma jogadora atacando a masmorra, exatamente como qualquer outra pessoa]

O cerne da questão é que a Leah não faz parte da facção que controla a masmorra.

| Leah | [Pensando por esse lado... eu não poderia simplesmente enviar minhas forças para dentro de outra masmorra — evitar intencionalmente matar o chefe — e fazê-las ficarem lá, atacando os jogadores enquanto fingem ser os monstros nativos da masmorra? Isso não é basicamente trapacear o sistema? Tipo, eu seria capaz de farmar todos os jogadores que quisesse de graça?]

Ela já tem uma estrutura de como esses encontros se desenrolariam — o encontro da Sugaru com os jogadores mais cedo.

| Leah | [Acabaria sendo uma batalha constante de três lados entre mim, os jogadores e o mestre original da masmorra, mas sou mais do que capaz de ajustar minhas forças para resistirem a o que quer que cruze o caminho delas]

Esta é uma boa ideia; ela descobriu algo grande aqui.

| Leah | [Certo], Leah diz com um suspiro anelante, parecendo empolgada. [Mas é melhor eu confirmar minha teoria antes de me comprometer com ela]

Ela pode fazer isso agora mesmo. Diaz já está perfeitamente situado dentro do domínio da Blanc.
Com uma mensagem rápida para a Blanc pedindo permissão, tudo o que a Leah precisa fazer é fazer o Diaz dar um passo para fora da mansão de Ellental. Se a dificuldade não mudar, isso confirmará sua teoria. Então ela não precisará manter o Diaz confinado na área do chefe como o Sieg. Mais importante, se esse pequeno plano dela der certo, significará que ela pode ignorar completamente o incômodo de equilibrar a dificuldade das masmorras. Em vez de reivindicar oficialmente uma masmorra, ela pode assumir o controle de fato, e dará no mesmo.

| Leah | [Se isso funcionar...], Leah praticamente saliva com o pensamento da EXP rolando solta. [Embora pareça um pouco com um déjà-vu... Ah. Isso é porque eu fiz isso antes — só que em uma escala menor. Os ranchos de goblins em Lieb são basicamente a mesma coisa]

Nesse caso, horizontes mais amplos merecem ideias mais amplas. Por que ela não havia Retido a toupeira chefe mais cedo? Se vai controlar mais masmorras, precisa de uma maior variedade de monstros. Os jogadores ficariam entediados se tudo o que enfrentassem fossem mortos-vivos e insetos. Pode valer a pena encontrar e Reter outro chefe de zona — algo diferente — para diversificar suas forças.
Mas se vai fazer isso, precisa ser estratégica. Os melhores alvos seriam territórios de monstros que não sejam facilmente acessíveis pelo novo sistema de teletransporte. Dessa forma, ninguém começará a fazer perguntas quando zonas inteiras misteriosamente se esvaziarem de monstros.

Espera um segundo.

Subjugar regiões que não foram designadas como destinos de teletransporte — onde ela já tinha ouvido isso antes...?
A percepção vem como um baque.

| Leah | [A Lyla...]




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