Prólogo - Fim de uma Jornada, Início de um Mundo
Este é o fim de uma jornada e o início de um mundo.
| Homura | [Oops, acho que fiz de novo...]
A ruiva impetuosa — Homura — parece sentir apenas o menor resquício de remorso pelo que acabou de fazer.
Diante de seus olhos, o castelo do Senhor das Trevas arde em uma labareda ardente.
A cena parece algo que se esperaria ver em uma atração de um parque de diversões. Cinco garotas machucadas e surradas — ou, mais precisamente, quatro garotas e uma forma de vida mecânica com aparência de garota — esticam os pescoços, encarando a visão surreal.
O castelo é massivo e imponente, aninhado em uma muralha fortificada que se ergue grandiosamente da terra como se fosse partir o chão ao meio.
O castelo do Senhor das Trevas está incrustado diretamente nas muralhas e se projeta defensivamente para fora, um testemunho do compromisso do Senhor das Trevas em repelir invasores de suas terras com as próprias mãos.
| Garota | [O que você quer dizer com oops?! Eu te disse para acabar com o Senhor das Trevas! Quem disse algo sobre queimar o castelo inteiro dele?!]
Infelizmente para o Senhor das Trevas e suas convicções, esta fortaleza implacável, que poderia facilmente ser descrita como 『impregnável』, agora expele enormes colunas de fumaça em todas as direções, tendo seu mestre sido morto há poucos instantes.
| Garota | [Todo aquele saque precioso, em chamas. Só porque você fica maluca toda vez que vê fogo. Procure ajuda, sua idiota!], grita a cientista louca do grupo.
O alvo de sua raiva é a Homura, a responsável por atear este fogo.
| Homura | [Não é como se eu pudesse evitar! É que a sensação é tão boa quando acontece!]
| Garota | [Bem, na próxima vez que acontecer, vou te dar um piercing com a maior agulha que eu encontrar — bem no meio desse seu crânio estúpido, sua pervertida!]
| Homura | [Pervertida...! Isso é irônico vindo de uma aberração como você que gosta de fazer experimentos em humanos!]
| Garota | [Sim, sim, continue falando, sua peituda acéfala]
Enquanto as duas discutiam, elas começaram a se encarar. É um duelo verbal pelo título de pior das piores, a escória da escória, e está prestes a entrar no segundo round: a fase do 『cale a boca antes que eu faça você calar』.
| Homura | [Já cansei de você! Pelo bem de toda a humanidade, é hora de eu finalmente derreter essa sua boca suja e fechá-la de vez!]
Chamas incharam ao redor do punho da Homura, que já estava manchado de preto como carvão. Os arredores foram iluminados por chamas incandescentes, o ar tremeluzindo no calor escaldante.
| Psycho | [Pode vir. Vou transformar você em um monstro de filme B da semana e pendurar você na minha coleção!]
Enquanto a Psycho continuava a falar bobagens, ela agitava uma adaga de aparência sinistra no ar.
O gesto foi mais do que apenas uma ameaça.
A lâmina deixa um corte no espaço vazio. A escuridão espreita pela fenda recém-formada, observando-as.
Um momento depois, uma mão deformada aparece de dentro da fenda sombria. A mão, que é grande e distorcida demais para ser humana, agarra a borda da fenda e começa a forçá-la visivelmente para abrir.
Enquanto essa coisa, seja lá o que for, tenta sair de sua fenda dimensional, uma terceira garota de repente se coloca no meio desta altercação inútil.
| Proto | [Tudo bem, uma luta! Contem comigo!], grita Proto — a forma de vida mecânica — jogando-se neste barril de pólvora como mais um estopim aceso. [Podemos finalmente decidir qual de nós é superior: eu ou vocês, formas de vida inferiores baseadas em carbono!]
Enquanto a androide ergue o punho no ar, o fragmento de metal incrustado em sua pulseira brilha com uma luz azul fria.
Qualquer uma dessas garotas poderia reduzir um país inteiro a ruínas se decidisse lutar seriamente. A pequena briga delas, porém, chega ao fim antes mesmo de começar.
| Garota | [Uma disputa por dominância, vocês dizem...?], diz uma quarta participante na loucura. [De fato. Talvez eu devesse me juntar também]
| Homura | [T... tudo bem, vou deixar você passar com um aviso, por enquanto]
| Psycho | [Na próxima vez eu vou massacrar você]
| Proto | [Você deu sorte]
Assim que a assassina mortal, Jin, anunciou sua intenção de entrar na briga, as outras três garotas rapidamente declaram uma trégua, e a fenda dimensional se fechou apressadamente.
Jin desembainha sua katana, um brilho diabólico em seus olhos vermelhos.
As três garotas se viraram, evitando contato visual e tentando parecer despreocupadas, mas por dentro estão se borrando de medo.
| Jin | [Chega... Isso é fútil], diz Jin. [Olhem para a Tsutsumi. Ela está com fome. Vamos terminar isso logo]
| Tsutsumi | [Minha barriguinha... está vazia...], anuncia Tsutsumi, a arma biológica viva.
O estômago da Tsutsumi roncou. Sua voz soa suave e frágil, mas seu tom deixa claro — ela está pronta para comer, e está pronta agora.
| Psycho | [Tudo bem... Vamos prosseguir com isso, então. A Deusa queria que derrotássemos o Senhor das Trevas e salvássemos o mundo, certo?]
| Homura | [Sim, então só resta a parte de salvar o mundo. Agora que o Senhor das Trevas foi resolvido, estamos livres para salvar esse mundo para valer]
As garotas não conseguem evitar um sorriso. É hora de salvar o mundo. E todas elas sabem o que isso significa. O caminho está claro.
| Homura | [Vamos queimar a injustiça até não sobrar nada!]
| Psycho | [Você realmente só pensa em uma coisa]
| Homura | [Bem, o que você esperava?]
| Psycho | [Ei, cada uma com seus problemas, eu acho]
Elas querem viver egoisticamente, de forma egocêntrica, e serem absolutamente fiéis a si mesmas. Esse é o sonho, e essas desajustadas decidiram que seu caminho para alcançá-lo seria salvar o mundo.
| Psycho | [Deveríamos tirar uma foto comemorativa enquanto estamos aqui. Na frente do castelo do Senhor das Trevas, enquanto ele ainda está pegando fogo], Psycho puxa seu smartphone do bolso.
O caminho pode estar claro, mas elas ainda têm tempo para um pequeno desvio.
| Homura | [Não sei não. Tirar uma foto comemorativa na frente da casa em chamas de alguém parece meio errado]
No mínimo, não parece certo.
| Psycho | [Mas olhe essa iluminação! Vai ser uma ótima foto]
Entre o sol nascente e a conflagração furiosa, a iluminação no castelo do Senhor das Trevas é de fato deslumbrante.
| Homura | [Acho que essa é uma forma de dizer...], diz Homura, começando a arrumar seu cabelo, que ficou desgrenhado durante a luta.
Qualquer resquício minúsculo de culpa que a Homura sentia originalmente pareceu ter evaporado completamente a esta altura.
| Homura | [Falando nisso, por que você trouxe seu celular, afinal?]
| Psycho | [Quando mais eu teria a chance de usá-lo? A única razão de eu ter guardado a bateria por tanto tempo foi para este momento], gabou-se Psycho, como se fosse óbvio.
Para a Psycho, esses pequenos toques hediondos são o tempero da vida.
| Homura | [Você é um monstro, sabia disso...?], diz Homura, olhando para a Psycho e torcendo o nariz.
| Psycho | [Tudo bem, então não vou te mostrar a foto depois]
O tom da Homura mudou imediatamente. [Uma foto comemorativa! Na frente da casa em chamas de alguém, você diz?! Isso é tão divertido], ela grita com entusiasmo. Seu valor como ser humano acaba de sofrer uma queda rápida.
| Psycho | [Quem é o monstro agora...?]
Cada garota pensa que a outra é o maior lixo humano, mas, na verdade, é um empate técnico. Ambas são completas e totais escórias.
As cinco garotas se amontoam, sorrindo amplamente enquanto o castelo do Senhor das Trevas surge ao fundo, entre o sol nascente e as chamas ardentes.
Aqui, neste mundo estranho, não há como reproduzir uma foto de fato. Assim que a bateria do smartphone da Psycho acabar, elas nunca mais poderão olhar para aquela imagem novamente.
| Psycho | [Digam X!]
O celular dispara.
Mas as garotas decidem comemorar de qualquer forma — este momento entre as grandes coisas que fizeram até agora e as grandes coisas que farão no futuro.
| Homura | [Afinal... este dia demorou muito para chegar], diz Homura.
| Psycho | [Nem me fale]
Assim que a foto foi tirada, as garotas se permitiram mergulhar na nostalgia. A estrada que percorreram através deste mundo estranho foi perigosa e sangrenta. E ainda assim, olhando para trás, tudo valeu a pena. Uma luta que empreenderam para viver suas vidas do seu próprio jeito.
Enquanto estão paradas diante do castelo em chamas do Senhor das Trevas, as cinco garotas refletem sobre o caminho percorrido até aqui.








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