Capítulo 69 - Monstros Invocados
Flores florescem como um turbilhão a partir do Labirinto da Beatrix. Há plantas carnívoras gigantes, rafflésias rastejantes, árvores esculpidas em forma de bonecos humanos e vinhas que se estendem até o teto. Tudo indica que o Labirinto da Beatrix é do tipo vegetal.
Mercedes já enfrentou algumas plantas quando lutou contra o Frederick, mas está claro que desta vez não será tão simples.
| Mercedes | [Hah!]
Ela rosnou enquanto cortava as vinhas que avançavam com sua alabarda, saltando em seguida para desviar de uma planta carnívora que tenta mordê-la. No entanto, seu movimento no ar a deixou indefesa, e uma rosa gigante aproveitou a oportunidade para bloquear seus flancos e lançar espinhos contra ela.
Mercedes os cortou com a alabarda e usou magia gravitacional para desviar aqueles que não conseguiu atingir. Em seguida, arremessou uma pedra mágica de uso único, imbuída com fogo, na região onde as plantas estão mais concentradas.
Porém, uma das plantas carnívoras engoliu a pedra — e então ela explodiu.
A planta saiu completamente ilesa. Ou seja, seu ataque não causou absolutamente nenhum efeito.
Mercedes gemeu.
| Beatrix | [Ora, você até me deu um presente! Obrigada! Pedras mágicas são as minhas favoritas!]
Mercedes nunca ouviu falar de um monstro que comesse pedras mágicas antes, mas este mundo ainda está repleto de mistérios que ela desconhece.
Ela ficou chocada, mas imediatamente um boneco de árvore saltou atrás dela, atravessou suas defesas e a chutou para longe. Uma planta carnívora a esperava de boca aberta exatamente para onde ela está sendo arremessada, mas a Mercedes usou magia de vento para se redirecionar e pousar em segurança.
| Beatrix | [Ei! Não existe descanso para os cansados!]
Os monstros avançaram de imediato, forçando-a a adotar uma postura defensiva. Superar uma desvantagem numérica em batalha é algo extremamente difícil; na maioria das vezes, o exército com mais soldados vence. Ocasionalmente, surge um comandante genial capaz de derrotar um exército de mil homens com apenas cem, mas esses casos são exceções insignificantes.
Fundamentalmente, o lado em menor número sofre uma derrota esmagadora.
A própria Mercedes já lutou em desvantagem numérica antes. Na residência Grunewald, ela derrotou facilmente uma horda de bandidos — mas isso só foi possível porque eles não se comunicavam nem agiam em conjunto. Existe uma enorme diferença entre dez pessoas atacando separadamente e dez pessoas atacando como um só.
Uma multidão desorganizada pode ser eliminada uma pessoa de cada vez — e, se você for rápido o suficiente, não importa quantas pessoas haja nela.
Porém, inimigos que cooperam, cobrindo as falhas uns dos outros sob o comando de um líder habilidoso, podem superar qualquer expectativa. Além disso, cada um dos monstros ali é incrivelmente forte, rivalizando com a força que o Kuro tinha quando se conheceram. Nenhum deles é fraco.
Provavelmente, Beatrix e seus predecessores passaram incontáveis anos produzindo deliberadamente monstros mais poderosos, já que até mesmo os pontos de Labirinto acumulados naturalmente podem crescer absurdamente quando deixados por mais de um século. Sem mencionar que a Mercedes presumi que a Beatrix tenha jogado prisioneiros e escravos homens dentro do Labirinto, tornando possível a produção em massa até mesmo de monstros da classe ogro Asura.
Essa violência está conduzida por inúmeros soldados de elite, todos desprovidos dos pensamentos individuais e da vontade própria que os vampiros possuem. Eles agem apenas de acordo com os objetivos de sua mestra, jamais traem, não tomam decisões voluntárias e não temem a morte. Todos são peças descartáveis, usadas livremente.
Um exército perfeito.
| Mercedes | [Ugh...]
Um boneco de árvore surgiu diante da Mercedes com uma velocidade quase semelhante ao teleporte. Ele desferiu uma chuva de golpes vindos de cima, onde ela conseguiu se defender, mas assim que a lançou pelos ares, ele desapareceu — apenas para reaparecer atrás dela.
Ele a chutou novamente, então se moveu para sua frente e a golpeou com toda a força, esmagando-a contra o chão.
No instante em que a Mercedes aterrissa, ela se move à velocidade do som, quase parecendo desaparecer no ar. Ao surgir atrás do boneco de árvore, ela o chuta.
O boneco desapareceu outra vez e tentou golpear suas costas. Desta vez, porém, Mercedes desvia em velocidade máxima e contra-ataca. Embora consiga afastá-lo com um chute, o boneco salta no ar assim que toca o chão e volta a atacá-la.
Apesar da aparência insignificante, ele é assustadoramente forte.
| Beatrix | [O que foi? É só isso que você tem? Por que não libera todo o seu poder? Essa alabarda é um Labirinto, não é?]
| Mercedes | [Então você percebeu]
| Beatrix | [Como eu não perceberia? A súbita horda de porcos, as habilidades que você demonstrou... Não existem Labirintos perto da capital imperial que produzam esses porcos, e a cidade é cercada por muralhas. Como eles entrariam? Considerei a possibilidade de uma pedra seladora, mas eram muitos até demais para isso. O que só deixa uma resposta]
Ao que parece, Beatrix não é uma simples herdeira de Labirinto. Ela possui habilidades avançadas, além de intelecto afiado e talento como comandante.
Beatrix continuou, ainda exibindo o mesmo sorriso sereno.
| Beatrix | [Talvez Orcus esteja escondendo mais membros da família real, ou talvez você seja a verdadeira Sieglinde — ou quem sabe até sua descendente. Não tenho certeza, mas vou interrogá-la pessoalmente depois de capturá-la! Então mostre seu verdadeiro poder! Você certamente se arrependerá de perder aqui sem lutar com tudo]
| Mercedes | [Suponho que sim]
Beatrix está certa. As chances da Mercedes só pioram com o tempo. Todos os monstros ali são fracos o suficiente para que ela os derrote individualmente, mas ela não previu que seriam tão perigosos ao agir como um único exército sob um comandante.
Ela aprendeu da pior forma a diferença entre dez indivíduos e um grupo de dez.
| Mercedes | [Descomprimir!]
No entanto, a solução é simples. Ela só precisa quebrar a organização deles.
Ao seu comando, os monstros selados em sua alabarda se materializaram.
Surge o ogro vestindo uma armadura completa — um sujeito que ela sente que não vê há algum tempo — Benkei. Apareceu também um lobo gigante coberto de pelos negros, Kuro, e até mesmo o Chirpy, girando próximo ao teto.
Shufu apareceu com uma faca de cozinha na mão direita e uma frigideira na esquerda, mas as piadas que isso inspira podem ser ignoradas por enquanto.
Há também um slime gelatinoso musculoso completamente inútil, ao lado de sua versão mais forte: o slime gelatinoso realmente inútil. Goblins e orcs surgem, com goblins feiticeiros dando suporte na retaguarda. Ela chegou a invocar uma horda de orcs usuihon para causar assédio visual.
Seu exército não parece exatamente... consistente.
Mercedes chegou a se perguntar por que seu Labirinto é tão caótico comparado aos outros. Ainda assim, Chirpy e Shufu são espécies que originalmente pertenciam ao Labirinto da Beatrix, o que significa que o dela não é composto apenas por plantas.
O rosto da Beatrix empalideceu no instante em que percebeu isso.
| Beatrix | [Aqueles não são os monstros que eu enviei...? Não, isso é um absurdo! Impossível! Deve ser coincidência!]
Ela ergueu seu leque para o céu, reunindo suas tropas. Mas desta vez, será uma batalha de grupos. As forças da Mercedes não são tão organizadas quanto as da Beatrix, mas tudo o que ela precisa é desorganizar as dela.
Um slime gelatinoso inútil bloqueou o caminho de um boneco de árvore. A chuva de socos do boneco não surte efeito algum — seus punhos simplesmente afundam na carne gelatinosa, até que, por fim, o boneco inteiro é engolido.
[Fêmea... Fêmea...]
Um orc usuihon com sua parte censurada pixelada ignorou os outros monstros e avançou diretamente contra a Beatrix, mas outro monstro interceptou seu ataque, castrou seu membro censurado e o transformou em um orc kyoseizumi.
Esses porcos estúpidos não servem pra nada.
Para não desperdiçar seus pontos, Mercedes decidiu nunca mais produzir nenhum deles.
| Benkei | [Rooooooooar!], Benkei se mostrou extremamente dedicado à luta, balançando sua arma com a força de um exército de cem homens. As plantas não têm chance e são reduzidas a pedaços.
| Shufu | [Flambé!], Shufu utiliza uma técnica única, disparando fogo de sua frigideira e reduzindo as plantas a cinzas. Mercedes o observa com curiosidade, sem se lembrar dele possuir tal habilidade.
Quando ela olhou para a Beatrix, percebeu que ela exibe a mesma expressão.
[Fêmea... Fêmea...]
Todos os orcs normais ignoraram os outros inimigos e correram em direção a Beatrix. Mais uma vez, porém, monstros os interceptaram e atacaram seus pontos fracos: suas virilhas. Assim, eles também são transformados em orcs kyoseizumi.
Esses caras realmente não servem pra nada!
Se ela for produzir orcs, será melhor que já sejam pré-castrados.
[Ei! Vão para lá!]
[Certo!]
[Segurem eles!]
Enquanto isso, os orcs kyoseizumi trabalham de forma admirável em equipe para derrotar os monstros. Eles realmente são melhores que os outros. Orcs normalmente só pensam com a metade inferior do corpo, mas depois que isso desaparece, aparentemente conseguem pensar racionalmente.
| Mercedes | [Kuro!]
[Woof!]
Kuro correu até a Mercedes assim que ela ordenou. Em meio a todos aqueles monstros bizarros, ele é o único alívio verdadeiro.
Ela saltou sobre suas costas e avançou em disparada em direção a Beatrix.
Mercedes cortou os monstros que cruzaram seu caminho e girou a alabarda. Beatrix conseguiu bloquear com o leque, mas a Mercedes é mais forte.
O impacto a atingiu em cheio, arremessando a Beatrix contra as paredes da arena.



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