Capítulo 63 - O Gigante que Arranca Corações
Bernhard Grunewald é um mestre de masmorra.
Esse é o boato confiável que circula em sussurros pela alta sociedade. Ele possui uma quantidade absurda de riqueza de origem desconhecida, e a Masmorra Practis é perfeita demais para a grande cidade de Blut. Apesar de não ter conexões, ele foi promovido de forma chocante à posição de duque em apenas uma geração, e ninguém sabe por que o rei o trata com tanto favor. Tudo isso só fortaleceu esse rumor.
Na verdade, dadas as circunstâncias, seria ainda mais estranho se o Bernhard não possuísse uma masmorra. Alguém ascender de barão a duque é algo extremamente anormal, e, embora ele seja inegavelmente um demônio no campo de batalha, isso por si só não justificaria tamanha promoção. Então por que o rei anterior lhe concedeu o título? A resposta óbvia é que o Bernhard possui um poder capaz de rivalizar com o trono. Ele já não é apenas um nobre, mas um rei que possui sua própria masmorra, e, ciente disso, o rei lhe concedeu autoridade na tentativa de mantê-lo ao seu lado.
Era isso que a nobreza pensava — e o Frederick também.
| Frederick | [Como... que absurdo! Não só o pai, mas a filha também?!]
Frederick não consegue acreditar na cena diante de seus olhos — ou talvez seja mais correto dizer que ele não quer acreditar. Sim, aquilo que a Mercedes invocou de sua alabarda é um monstro, mas ao mesmo tempo, não é. Aquilo é um Guardião, uma existência que apenas aqueles que realmente conquistaram uma masmorra podem comandar, e um monstro com poder equivalente ao de um exército inteiro. Nem mesmo o rei consegue invocar um.
É claro que o Frederick não possui provas conclusivas para chegar a essa conclusão, e a Mercedes jamais anunciou que aquela criatura é um Guardião. Ainda assim, ele sabe. Dada a presença esmagadora e a aura intimidadora, é dolorosamente óbvio o que aquilo é.
| Frederick | [O quão injustos vocês conseguem ser?! Vocês... vocês... demônios monstruosos!], rugiu Frederick, enquanto os braços cobertos de plantas da academia se estendiam em direção a Mercedes.
No entanto, ela permanece imóvel. Quem se moveu em seu lugar foi o Schwarz Historie. Ele agarrou a academia enquanto as ataduras caiam de seus braços, queimando com chamas negras.
| Historie | 『Capítulo Um: Arm Bandage (Arms Untamed)』, ele anunciou.
O fogo negro se espalhou rapidamente dos braços da academia para o corpo principal, despedaçando-os.
Porém, ainda não acabou. A academia começou a regenerar seus braços com uma velocidade assustadora.
O Historie anunciou o próximo ataque antes mesmo que a regeneração terminasse.
| Historie | 『Capítulo Dois: Rückseite Selbst (Dark Self Unreal)』
Uma luz intensa disparou do rosto inexistente do Historie. Ela envolveu o Frederick e, de repente... ele está de volta à sala de aula de seus tempos de escola. Seu eu mais jovem está ali, junto dele, e o encara com um sorriso de desprezo.
| Frederick do Passado | [Ora, ora. Você está com uma aparência bem patética aí, velho. Que coisa vergonhosa. Não sente vergonha de viver assim? Ugh, vampiros senis são tão feios. Eu já teria me matado]
| Frederick | [E-Esse é...]
É outra versão do Frederick — aquela que habita dentro de si. Ela ri dele por ser velho e decrépito, mas é, sem dúvida, ele, o mesmo homem que se agarrou desesperadamente aos dias de juventude. De repente, Frederick sente suas pernas fraquejarem. Ele desabou no chão, pois o escárnio de seu eu jovem quase o destruiu.
Mas o Historie ainda não terminou.
| Historie | 『Capítulo Três: Mitleid Auge (Pitiful Surrounding Eye)』
Os uniformes dos colegas ao redor mudaram, e muitos deles agora são adultos. Frederick está no centro, recebendo todo o peso da piedade deles. Eles já tiveram a mesma idade física, mas apenas o Frederick continuou envelhecendo, e agora é o único velho entre eles.
[Pobre Frederick...]
[Huh? Você é o Frederick, né?]
[Sua vida acabou quando se fica velho assim]
| Frederick | [Parem... Parem...!]
Lágrimas se formam em seus olhos enquanto ele tentava fugir, mas tropeçou nos próprios pés. Suas pernas são finas como galhos apodrecidos. Incapaz de correr, ele acabou estirado de forma desajeitada no chão.
Então, alguém estendeu a mão para ele.
É a garota que ele outrora desprezou por estar presa em um corpo infantil — Hannah. Ela olha para ele com genuína compaixão nos olhos.
[Você está bem, Frederick? Não force demais, está bem? Você já é um senhor agora]
| Frederick | [Pare com isso! Eu não preciso da sua piedade!]
Frederick afastou a mão dela e fugiu rastejando. Incontáveis olhos o cercavam, todos cheios de pena. Mas, de repente, eles desapareceram, e ele foi lançado na escuridão.
| Historie | 『Capítulo Quatro: Waldeinsamkeit (Lonely Isolation)』
Ele não vê nem ouve nada. Os olhos piedosos dão lugar a um isolamento absoluto, lançando suas emoções no caos. Sua noção de tempo começa a se apagar, segundos se transformando em horas.
Pessoas — e vampiros — são criaturas sociais, e justamente por isso, extremamente vulneráveis à solidão. Não há exceções; até misantropos quebram quando enfrentam horas, dias ou talvez semanas de isolamento.
Os deuses já conduziram um certo experimento. Queriam descobrir quanto tempo uma pessoa suportaria em um ambiente de privação sensorial total. No fim, até os mais sãos começaram a alucinar após apenas quinze minutos.
Outro experimento bloqueou olhos e ouvidos, amarrou os membros e forçou os sujeitos a permanecer em uma cama macia o tempo todo, exceto para comer ou ir ao banheiro. Apenas dois ou três dias disso já eram suficientes para quebrá-los.
As pessoas simplesmente não conseguem suportar um ambiente sem estímulos. Presas em um espaço vazio, sem visão, som ou toque, elas quebram mentalmente em uma velocidade alarmante — e quanto mais sã a pessoa no início, mais rápida é a queda. Os Falsch que a humanidade — os deuses — criaram à sua imagem não são exceção.
Frederick entrou em pânico e se debateu no vazio. Ele não é fraco de espírito — sua fortaleza mental é, na verdade, maior que a da maioria. Ainda assim, ninguém são conseguiria suportar tal ambiente. Se — apenas se — existisse alguém capaz de resistir a esse ataque com uma mente estável e calma, essa pessoa teria que ter nascido sem algo essencial. Precisaria ter um coração atrofiado.
| Historie | 『Capítulo Cinco: Heftig Glück (Intense Regret)』
Frederick não sabe o que está acontecendo. Privado de luz e som, ele não percebe o mundo exterior, ignorando completamente o fato de que a academia que tanto preza agora está envolta em chamas carmesim.
Que ataque cruel. Ele está envolto em chamas que queimam até os ossos, mas não sente absolutamente nada. Ele sequer percebe que está sendo atacado. Preso nessa escuridão solitária e privado de seus sentidos, ele está completamente indefeso.
É isso que torna o Schwarz Historie verdadeiramente aterrador.
| Historie | 『Capítulo Seis: Unverändlich Einst (Past Unchanging)』
| ??? | [...drick! Frederick! Frederick Beckenbauer!]
Ao ouvir seu nome, Frederick despertou sobressaltado. Essa voz foi como uma luz na escuridão após ter sido privado de todos os sentidos durante sua batalha contra a Mercedes. Sua percepção de tempo está tão distorcida que parece que se passaram anos desde a última vez que ouviu outro ser.
Mais impressionante ainda, ele abre os olhos e encontra luz — não apenas a sensação, mas luz real. Vampiros odeiam claridade, mas a escuridão do Schwarz Historie desgastou o coração vampírico do Frederick, e agora a luz que ele tanto despreza parece a maior das bênçãos.
Mas então, ele se deparou com uma visão chocante que imediatamente destruiu sua euforia.
| ??? | [O que um aluno exemplar como você está fazendo dormindo na aula? Sou tão entediante assim?]
| Frederick | [Huh...?]
| ??? | [Preste atenção, ouviu? Você é a estrela em ascensão da nossa turma]
Frederick levou um momento para perceber quem está falando com ele. Ele reconhece o rosto e a voz — não, ele se lembra deles. Mas o homem que o Frederick conhece nunca foi tão amigável, nem sorriu para ele daquela forma. Sim, seu professor o tratava assim quando ele era jovem e acreditava ser um gênio, mas depois que ele caiu na mediocridade — e abaixo dela — passou a encará-lo com desprezo.
| Frederick | [Huh? O-Onde este velho foi parar...?]
| Garota | [Ew! Por que está se chamando de velho, Frederick? Você parece um ancião!], ri uma garota, achando aquilo engraçado. É uma de suas ex-namoradas. Houve um tempo em que ela foi gentil com ele, mas se afastaram conforme o Frederick envelheceu. Ultimamente, ele só se lembra de ser ridicularizado por ela.
O que está acontecendo...?
Assim que ele olhou para os próprios braços, esse pensamento cessou. Eles não são galhos finos de um velho, mas braços jovens e saudáveis. Em pânico, ele apalpou o próprio corpo. Jovem, cheio, movendo-se com uma fluidez surpreendente, sem dor ou lentidão. Ao tocar o topo da cabeça, sentiu uma cabeleira cheia.
| Frederick | [D-Desculpe. Você poderia me emprestar um espelho?]
| Garota | [Um espelho? Claro]
Frederick pega o espelho de mão e encara seu reflexo. Como esperado... lá está o rosto de seu eu jovem. Ainda bonito, querido pelas mulheres, em seu auge, quando todos acreditavam que ele estava destinado à grandeza.
Eu voltei ao passado?!
Ele não consegue acreditar. Ele estava lutando contra aquela garota absurdamente poderosa — a criança Grunewald. Estavam em combate, então o Guardião o privou de seus sentidos.
Então por que ele está aqui?
Por quê?
Foi morto pela Mercedes e enviado de volta no tempo? Não, isso é absurdo demais.
Ainda assim, uma coisa é certa: se ele está no passado, então existe uma chance de refazer tudo.
Ao perceber isso, Frederick entra em ação imediatamente. Arrogante, condescendente, convencido de seu próprio talento, ele acreditava ser um gênio e negligenciou treinamento e estudos. Quando percebeu o erro, já era tarde demais.
Ele não pode repetir isso. Desta vez, ele estudará arduamente para forjar um novo caminho. Não se importa em ser visto como antissocial, evitará o lazer e se dedicará inteiramente a se aprimorar, esperando que desta vez — talvez — sua idade perpétua chegue mais cedo.
| Amigo | [O que deu em você ultimamente, Frederick? Você anda tão isolado. Vamos sair!]
| Frederick | [Saiam vocês. Velhos como eu — quero dizer, eu — preciso treinar. Preciso ficar mais forte e provar a este corpo idiota que meu auge chegou! É a única forma de não esperar eternamente por uma idade perpétua que nunca virá enquanto viro um velho decrépito...]
| Amigo | [Você está exagerando! Não precisa se preocupar tanto com—]
| Frederick | [Cale a boca! Me deixem em paz, seus portadores de pragas! Eu não sou como vocês! Idiotas inúteis que permanecerão jovens para sempre e nunca conhecerão o verdadeiro sofrimento!]
Seus antigos amigos se afastaram. Sua namorada também o abandonou quando o amor se esvaiu. Mas tudo bem! Ele quer isso! Ser estudante é apenas um piscar de olhos na longa vida de um vampiro! Ele precisa focar no futuro!
Mas no fim...
| Professor | [Estou decepcionado com você, Frederick. Como conseguiu falhar nessa prova? Era fácil!]
Ele caiu da Classe A para a B, depois para a C.
[Olhem só, é o Frederick. Tinha tanto medo de envelhecer, mas olha só ele agora!]
[Que fracassado]
[Pelo menos ainda somos jovens!]
Nada mudou. Ele retornou ao mesmo futuro. Tudo foi inútil.
Mais uma vez, o velho Frederick cambaleia pelas ruas... até ouvir uma voz jovem e familiar.
| Hannah | [Toma isso, seus moleques!]
| Vampiro | [Droga! Vamos dar o fora!]
| Hannah | [Sério, o senhor está bem?]
É a Hannah.
Tudo se repetiu.
| Frederick | [Aaaah... Aaaaaaah!]
Ele gritou, fugiu, e nada mudou.
Sua obsessão com a academia se intensificou. Ele traiu o país, enfrentou a Mercedes... e novamente, ela invocou o Guardião.
Mas desta vez, algo está diferente.
Quando a escuridão se dissipou, Mercedes estava diante dele, a alabarda apontada. Ele não consegue se mover. Não consegue falar.
Quando ela golpeou sem piedade, ele ouviu uma voz.
| Historie | 『Capítulo Final: Einst Refrain (Past Repeated)』
| Professor | [...drick! Frederick! Frederick Beckenbauer!]
Ao ouvir seu nome, Frederick acorda com um sobressalto. Ele examina o ambiente e descobre que está dentro de sua sala de aula. O professor responsável pela Classe A que ele conheceu em sua juventude está parado diante dele, e ele está cercado por seus colegas de classe.
| Professor | [O que um aluno nota dez como você faz dormindo na aula? Eu sou tão chato assim?]
| Frederick | [H... unh...?]
| Professor | [Mantenha o foco, ouviu? Afinal, você é a estrela em ascensão da nossa classe]
É uma repetição da última vez, ele pensou. Assim como foi subitamente lançado ao passado antes, agora ele se encontra mais uma vez nos dias de sua juventude. Sim, ele está feliz por ter a chance de um recomeço, até certo ponto. Mas o que pesa ainda mais em seu peito é o medo de ser forçado novamente a trilhar o mesmo caminho de antes.
E se ele encontrar o mesmo fim? E se seus esforços e ações forem todos inúteis, e todos convergirem para o mesmo futuro? E se esse for apenas o seu destino? Se for assim, seu coração certamente se partirá.
O que o impulsionou nesta terceira chance de vida foi o medo. Ele lutou febrilmente. Acreditando que a arrogância durante a juventude levaria ao ridículo mais tarde, ele decidiu manter um perfil baixo desta vez e, convencido de que até ele pode mudar seu destino, trabalhou para melhorar a si mesmo. Desta vez, ele se aventurou em terras inexploradas e descobriu a semente que cresce sob comando mais cedo do que antes.
Ainda assim, no entanto, ele avançou para a velhice e se tornou alvo de ridículo para aqueles ao seu redor. Não há nada que ele possa fazer sobre seu corpo, mas com seu desespero vem uma certa aceitação: não importa o que faça, ele envelhecerá, e sua idade perpétua não virá até seus últimos anos. Mas, se esse for o caso, ele ao menos precisa proteger o único lugar ao qual pertence, então fez as preparações necessárias.
Contanto que a Mercedes nunca se matricule na academia, ele não encontrará o mesmo destino, então ele abusou de sua autoridade como diretor da academia para reprová-la e, assim que os exames de admissão terminaram, convocou todos os professores participantes e ordenou que não a admitissem.
| Frederick | [Existe uma certa aluna... O nome dela é Mercedes Grunewald. Decidi reprová-la. Ela não é adequada para nossa academia]
| Professora | [O que o senhor quer dizer, Diretor Frederick?! Ela obteve a pontuação mais alta entre todos os candidatos e é filha da Casa Grunewald! O senhor tem que estar louco para reprová-la sem um bom motivo!]
| Professor | [Está exatamente correto! Por favor, reconsidere isso, senhor. Pelo menos encontre um motivo adequado para...]
| Professor | [O duque não vai simplesmente ficar sentado e aceitar isso]
| Frederick | [Minhas desculpas, mas tomei minha decisão e me recuso a ser contestado. Eu mesmo farei o trabalho de explicar a situação ao Lorde Bernhard]
O que foram aquelas reações? Manter aquele monstro prodígio fora da academia é uma prioridade máxima! Sim, Bernhard protestará contra essa decisão, mas isso é muito melhor do que a destruição garantida! Contanto que a Mercedes nunca coloque os pés na academia, ele poderá resolver as coisas. E, felizmente, ela entrou em sua carruagem e partiu exatamente como o Frederick esperava.
Ele se sentiu aliviado do fundo do coração. Finalmente conseguiu forjar um novo futuro para si mesmo.
No entanto, por algum motivo, Mercedes estava frequentando a escola logo no dia seguinte.
Frederick entrou em pânico. Por que ela está aqui? Por que ela está andando por aí como se devesse estar aqui? Por que ninguém lhe contou sobre isso?! Ela foi reprovada! Ele usou sua autoridade como diretor para expulsá-la e silenciar toda a oposição! Ele até a viu partir!
Então por que ela ainda está aqui na academia?
Ainda em pânico, Frederick decidiu agarrar uma das professoras que circulam pelos corredores e pedir uma explicação. [Ei!]
| Professora | [Oh, Diretor Frederick! O que foi?]
| Frederick | [Com licença?! Por que diabos aquela aluna está aqui?! Nós a reprovamos!]
| Professora | [Huh? Reprovamos a Mercedes Grunewald? O que o senhor quer dizer? O senhor deve estar ficando senil! Ela tirou a nota mais alta da turma!]
| Frederick | [O que eu quero dizer? Usei minha autoridade como diretor para reprová-la, não? Você foi totalmente contra, mas eu consegui te calar no final, certo?]
| Professora | [O senhor deve estar brincando! Isso nunca aconteceu. Talvez o senhor deva descansar um pouco], diz ela, rindo um pouco antes de partir.
O que está acontecendo? Frederick reprovou a Mercedes ontem. Essa verdade foi apagada deste mundo? Não, Bernhard os pressionou para deixá-la entrar?!
Frederick interrogou cada um dos professores da escola, mas todos reagiram da mesma forma.
| Professor | [O que o senhor quer dizer? A Srta. Grunewald tirou a nota máxima de sua série. Ela até discursou para a nova turma na cerimônia de abertura]
| Professor | [O senhor estava alucinando ou algo assim?]
| Professora | [Discutimos sobre reprová-la? Não sei do que o senhor está falando. Encerramos a sessão imediatamente naquela reunião]
| Professor | [O senhor deve estar cansado]
O que está acontecendo? Frederick não consegue entender. Suas memórias entraram em conflito com as respostas deles. É como se a entrada da Mercedes na academia com as melhores notas fosse um episódio fixo na história, e a consistência lógica de todos os eventos que a precederam fosse ignorada para chegar a esse ponto. As coisas simplesmente parecem ... erradas, como se ele tivesse tirado o número um de uma máquina de bingo apenas para que ele se transformasse em um seis.
Tudo o que aconteceu depois estava de acordo com o futuro de que o Frederick se lembra. Mercedes e Sieglinde se conheceram e o confrontaram. No final, ele foi bloqueado por aquele gigante e, então... Mercedes ergueu sua alabarda diante dele.
Ele perdeu mais uma vez. Agora, ele alcançou o mesmo ponto final três vezes.
Mercedes golpeia com sua alabarda e, no momento seguinte, um som crepitante ecoa através dele enquanto o mundo é distorcido por uma tempestade de areia e ele é mais uma vez lançado na escuridão.
| Professor | [...drick! Diretor Frederick!]
Ele acorda com um sobressalto. Desta vez, foi puxado da escuridão pela voz de um dos professores da academia.
Chocado, olha ao redor. Esta é agora sua quarta tentativa de vida, embora, desta vez, seu ponto de reinício tenha sido durante sua velhice, não na juventude. Independentemente disso, Frederick não se importa. Ele agora sabe que nada pode impedir seu envelhecimento; ele aceitou seu destino. Mas a única coisa que ele não consegue aceitar é ter o título que merece tirado dele. Desta vez, ele precisa eliminar a Mercedes Grunewald.
| Frederick | [Q-Que dia é hoje?!]
| Professor | [Huh?]
| Frederick | [Que dia é hoje?! Quando foi a cerimônia de abertura?! Existe uma aluna aqui chamada Mercedes Grunewald?!]
| Professor | [Ah, certo. Não se lembra? A cerimônia de abertura foi ontem, e a Mercedes obviamente estava lá também. Ela é incrível, não é? Tirou a nota máxima da turma]
Esta é a pior notícia possível para o Frederick. A cerimônia de abertura já ocorreu. Ele tem vontade de gritar e chorar. Por que foi levado para este tempo miserável?
Ainda assim, ela ainda não veio confrontá-lo, o que significa que ainda não sabe que ele é um traidor. Ele simplesmente tem que eliminá-la assim que ela descubra, então o Frederick fez tudo o que podia para garantir que isso acontecesse.
Sua quinta chance de vida: Ele conspirou com Beatrix para realizar um assassinato. Isso falhou, e ele caiu perante a lâmina da Mercedes.
Sua sexta chance de vida: Ele tentou matar a Mercedes libertando monstros no quase-labirinto usado para as aulas. Todos são derrotados, e sua tentativa direta de eliminá-la falha. Ele cai perante a lâmina dela.
Sua sétima chance de vida: Ele tenta espalhar boatos de que a Mercedes é uma mestre de labirinto, mas isso apenas dá a ela mais autoridade e mais peso às suas palavras. Ela percebe que ele é um espião de Beatrix, e ele cai perante a lâmina dela.
Sua oitava chance de vida: Ele tenta informar a Beatrix que a Mercedes é uma mestre de labirinto. Agora vendo-a como uma ameaça, Beatrix decide recuar, mas a Mercedes determina que o Frederick é um homem disposto a tagarelar para seus inimigos. Assim, ele cai perante a lâmina dela.
Sua nona chance de vida: Ele lança um ataque surpresa por desespero, mas naturalmente perde e cai perante a lâmina dela.
Sua décima chance de vida: Ele cai perante a lâmina dela.
Sua vigésima chance de vida: Ele cai perante a lâmina dela.
Sua trigésima chance de vida: Ele cai perante a lâmina dela.
Ele perde inúmeras vezes; não importa quantas vezes tente, ele nunca consegue vencer. Conforme vivencia sua vida repetidamente, começa gradualmente a aceitar seu destino, o que o leva à resignação. Ele desiste de expulsá-la da academia. Desiste de assassiná-la. Desiste de trazê-la para o seu lado e desiste de convencê-la. Desiste uma vez, depois duas, depois uma terceira vez, uma quarta, uma quinta e, eventualmente...
Sua centésima chance de vida: Ele não faz nada, até que, eventualmente, cai perante a lâmina dela.
Finalmente, ele desistiu.
Dentro daquela solidão, Frederick viveu vicariamente a metade final de sua vida repetidas vezes. É a chamada segunda chance de vida pela qual todos anseiam — uma chance de resolver as dúvidas e arrependimentos persistentes — que lhe foi concedida via ilusão e fantasia. É como se ele tivesse voltado ao passado e refeito sua vida, mas foi tudo apenas uma ilusão realista pela qual o Frederick lutou desesperadamente.
Ele tentou abandonar seus modos mulherengos e tentou oferecer mais respeito aos outros. Tentou não se tornar complacente com seus talentos e se dedicou ao seu treinamento e estudos. Mas cada ciclo terminava na mesma conclusão, e todas as versões de si mesmo se tornaram um fracasso velho e deprimido. E quando tudo acabou, aquele monstro prodígio rompeu seu sonho.
| Mercedes | [Acabou, Diretor Frederick]
Ele não tem certeza de quando ela chegou ali, mas a Mercedes agora está acima dele com sua alabarda erguida bem alto. Não é nada novo, apenas a experiência da derrota que ele encontrou inúmeras vezes dentro de seus sonhos. Ele está além de distinguir sonhos da realidade. Em vez disso, sua alma quebrada apenas murmurou: 『então aconteceu de novo』. Ele nem sequer tentou resistir. Em vez disso, seus olhos vazios estão treinados apenas em seu passado repetitivo, inconsciente de que retornou à realidade.
Capítulo Final: Einst Refrain (Passado Repetido).
O velho quebrado foi atingido por inúmeros passados que se tornaram sua realidade. Einst Refrain é o poder final e maior do Schwarz Historie, e ele manipula as nanomáquinas no corpo da pessoa para colocá-la completamente para dormir. O capítulo anterior existe para enfraquecer a mente e borrar a linha entre sonho e realidade. Então, o capítulo final manipula completamente os cinco sentidos para apresentar-lhes um sonho perfeitamente realista de seu passado, cheio de derrota.
Sim, a pessoa pode resistir — aqueles com vontades mais fortes de forma bastante completa. Mas é tudo inútil. A ilusão é criada pelo Historie, e ele jamais permitirá a vitória às suas vítimas. Em vez disso, elas vivenciarão seu passado repetidamente até que eventualmente aceitem seu destino. Então, a realidade volta a esmagá-las. Assim, a vítima do ataque meramente interpreta aquilo como o fim de apenas uma de inúmeras vidas, simplesmente aceitando seu destino com o pensamento 『então aconteceu de novo』.
Ao colocar em palavras, parece bastante possível resistir a este ataque. É verdade — se alguém fosse capaz de recuperar a sanidade uma vez trazido de volta à realidade, então o faria. Contanto que não desista, terá outra chance. Se resistirem aos seus inúmeros passados sem se resignarem ao seu destino, então serão capazes de superar este ataque.
Mas quantos são capazes disso? Essas pessoas dificilmente poderiam ser consideradas normais, se é que sequer existem.
Assim, Einst Refrain é um ataque que quebra a mente, e um que ninguém de mente sã consegue contra-atacar.


Clique no botão abaixo e deixe sua mensagem.