Capítulo 6




| Garota | [Um... eu sei que você é algum tipo de lorde, mas não deveria ao menos saber conduzir uma carroça?]

Apesar do ar frio da manhã ainda pairar espesso ao nosso redor, as palavras da garotinha segurando as rédeas dos cavalos ao meu lado parecem ainda mais geladas.

Não é como se eu não soubesse conduzir... É só sacudir as rédeas e fazer os cavalos andarem, certo?

O único fator complicador é o fato de que os 『cavalos normais』 puxando nossa carroça de mercadorias têm um par de chifres brotando das testas. Existe algum tipo de truque mágico ou biológico em ação para torná-los invisíveis, mas isso não os torna menos reais.
Os 『cavalos』 são monstros conhecidos como bicórnios, e são frequentemente usados por orcs e homens-lagarto como meio de transporte. Isso significa que eu consigo falar com eles, mas não sei o quanto eles conseguem me entender. A esse ponto, parece que eu consigo conversar com qualquer coisa, exceto objetos inanimados e hyumans.
O problema é que, em vez de usar as rédeas, eu posso simplesmente pedir para eles irem, e eles vão. Eu parei de fazer isso rapidamente, no entanto, pelo simples motivo de querer parecer o mais normal possível. Quando testei isso de volta no Subespaço, Tomoe disse que era estranho me ouvir falar com eles numa língua esquisita, então eu parei até de tentar.

Não que eu devesse aceitar esse tipo de merda de uma samurai wannabe num mundo sem Japão, mas ainda assim.

| Makoto |Desculpe』, eu escrevo. 『Estou acostumado a deixar tudo nas mãos das minhas servas
| Garota | [Hmph... Não acha que o herdeiro de um grande e importante negócio deveria se esforçar mais?]

Ela tem razão nisso.

Não é de se admirar que ela seja tão capaz para a idade que tem, crescendo num lugar como este. A garota é muito mais inteligente e competente do que qualquer criança teria o direito de ser.

| Makoto |Foi por isso que eu fui expulso da minha mansão』, eu respondo. 『Isso é mais uma tentativa de me tornar independente e capaz do que propriamente ver o mundo
| Garota | [Oh, eu entendo totalmente! Mas você tem certeza de que consegue vender tudo isso sem a Mio-san e aquela outra mulher?]

Merda, ela entende mesmo... Ela é muito mais dura que a irmã, isso é certo. Por outro lado, ela é só uma parecida, então essa comparação não é muito justa.

Eu perdi completamente o controle quando vi o retrato na noite anterior. Agora, porém, estou me esforçando para esquecer o quão duro eu fui com a Tomoe e a Mio e para parar de me sentir tão mal comigo mesmo.

| Makoto |Tenho certeza de que qualquer um consegue vender essas frutas
Pela primeira vez em toda a nossa conversa, a garota me olha com surpresa. [Huh? Por quê?]
| Makoto |Eu também nunca vi essas frutas antes. É bem provável que ninguém tenha visto. Como não temos fundos para continuar nossa jornada do jeito que estamos, estou decidido a vendê-las pelo preço que eu conseguir. Além disso, frutas parecem algo que cairia bem aqui
| Garota | [Ei, hum... Talvez eu não devesse te perguntar isso, mas...]
| Makoto |O que foi?

Ela hesita. Existe a chance de que ela tenha mais coisa na cabeça além de só encontrar a irmã.

| Garota | [Eu nunca vi frutas assim, e todas parecem tão frescas e saborosas... Onde você conseguiu isso, e como trouxe até aqui?]

Há uma acuidade no olhar dela — como o de uma informante ou uma espiã. Se ela fosse apenas uma espiã, porém, toda essa história com a irmã seria ainda mais impressionante, já que eu nunca duvidei que ela estivesse falando a verdade. Ela teria que ser a melhor atriz da cidade — não, do mundo — se tudo isso fosse uma encenação. Talvez ela esteja sendo chantageada; alguém ameaçando a irmã dela em troca de informações. Isso explicaria o momento estranho em que a encontramos. Ela também ficou ansiosa demais para nos seguir de volta à estalagem.

Se for esse o caso, quem quer que esteja por trás dessa merda é escória. Quem forçaria uma criança a fazer o trabalho sujo?

| Makoto |Hm... duvido que você acreditasse se eu contasse
| Garota | [Vai lá, tente!]

Ansiosa demais, como sempre. Isso não importa, porém; eu já tenho algumas ideias para nossas mercadorias, e quanto antes essa informação se espalhar, melhor. Não importa se ela é só uma informante.

| Makoto |Nós nunca pretendíamos vir ao Fim do Mundo. Na verdade, essa visita inteira foi um acidente
| Garota | [Okay]
| Makoto |Enquanto vagávamos pelas terras devastadas, porém, fomos envolvidos por uma névoa impenetrável. Lá no fundo, encontramos uma vila próspera
| Garota | [Uma vila? Por aqui?]
| Makoto |Sim... Dois, talvez três dias de viagem. O assentamento era cheio de criaturas raras e perigosas não-hyumans
| Garota | [O quê?!]
| Makoto |Acontece que eles conseguem falar a Língua Comum tão bem quanto qualquer um e foram amigáveis conosco. Eles nos deram abrigo por vários dias e nos enviaram essas frutas quando partimos
| Garota | [...]

Eu sei que ela não acreditaria. Minha história é apenas meio verdadeira, afinal.

| Makoto |Difícil de acreditar, não é?
| Garota | [S-Sim... Que tipo de raças você viu lá?]
| Makoto |Muitas, de homens-lagarto a arachs. Era um lugar estranho, como se tivéssemos pisado numa terra de sonhos

Eu olho de volta para as frutas. Ter evidência física deve ajudar bastante o meu caso, embora eu não tenha a menor intenção de contar essa história para o pessoal do posto de troca. Eu planejo apenas chamá-las de raras e vendê-las.

| Garota | [Sério?!], a garota balança a cabeça em descrença. [Não consigo nem imaginar isso...]
| Makoto |Eu sei. Às vezes, eu mesmo fico convencido de que aquele lugar não é real
| Garota | [Numa névoa, huh...]

Ela para para pensar.

Eu sabia. Essa garota é suspeita pra caralho.

| Makoto |Este é o posto de troca, Rinon?

Eu tento recuperar a atenção dela com a melhor tentativa que consigo escrever do nome dela. A irmã dela é Toa, aparentemente, e tem um ano a menos que eu. Essa é a parte mais inconveniente de escrever tudo o que quero dizer, já que ela precisa estar olhando para o balão de fala e prestando atenção para conseguir 『me ouvir』 de fato.

| Rinon | [Eu nunca ouvi falar de uma vila assim por aqui], ela murmura para si mesma.

Sem muitas opções, eu toco no ombro dela para recuperar a atenção.

| Rinon | [Eep?! P-Perv—! Estou sendo molestada!!! Er... huh? O que está acontecendo?]

M-Molestada? Esse mundo tem limites que eu desconheço?! Eu não esperava ouvir isso, ainda mais considerando que os direitos humanos em geral parecem estar numa área cinzenta aqui!

| Makoto |D-Desculpe』, eu rabisco. 『Acho que o prédio atrás de nós é o posto de troca...
| Rinon | [Ah! Me desculpe! Eu esqueci completamente!]

Ainda assim, assédio sexual é algo conhecido neste mundo... Anotado.

Eu tento não ficar constrangido demais enquanto estacionamos em frente ao prédio. Todos os olhares estão em mim como o único rosto novo da cidade — falando metaforicamente, claro, e a minha máscara não ajuda. Rinon espera na carroça, recusando-se firmemente a entrar no posto de troca.

É só porque as roupas dela estão um pouco rasgadas e sujas? Eu não sei onde fica o alfaiate, e eu realmente duvido que esteja aberto tão cedo de manhã.

Além disso, parece estranho comprar roupas para uma garotinha que eu literalmente acabei de conhecer. Se alguma coisa, isso soa como coisa de rico, e não de um cara comum como eu.

Eu me aproximo do atendente, que sorri calorosamente para mim. [Bom dia! Não me lembro de ter visto você antes. Em que posso ajudar?]
| Makoto |Bom dia. Fiquei sabendo deste lugar pela minha serva ontem à noite. Ela tem cabelo preto curto e roupas incomuns

Os olhos dele se arregalaram. Evidentemente, Mio deixou uma impressão.

| Atendente | [Hum... perdoe a minha grosseria, mas...]
| Makoto |Minhas desculpas, mas eu não consigo falar. Espero que aceite comunicações escritas

O atendente assente, compreensivo. Evidentemente, isso não é um grande problema.

| Atendente | [Oh, entendo. Se me permite ser ousado, estou correto em entender que você não tem sua placa de comerciante?]
| Makoto |Não tenho, por mais vergonhoso que seja admitir. Só negócio há pouco tempo, então estou um tanto perdido
| Atendente | [Claro. Aliás, é um milagre você ter chegado até aqui. Você é abençoado com uma grande sorte, senhor, um talento do qual eu e muitos outros infelizmente carecemos]
| Makoto |Tive minha cota de problemas incomuns no caminho, pode acreditar. Agora, eu gostaria de saber se você poderia comprar as mercadorias que consegui juntar ao longo da jornada
| Atendente | [Bom, você certamente não pode vendê-las por conta própria sem sua placa... Fico feliz que tenha escolhido vender diretamente para nós, em vez de tentar passar por cima da gente. É a única coisa apropriada para um comerciante]

Ele ri animadamente e me incentiva a mostrar as mercadorias. Pelo jeito como age, ou a Guilda dos Comerciantes não teve envolvimento no ataque da noite passada, ou ele está baixo demais na hierarquia para saber. Como conseguimos nos comunicar mais ou menos normalmente, espero conseguir extrair essa informação dele.

| Makoto |Esta é a minha carroça』, eu escrevo quando chegamos do lado de fora.

Rinon ainda está sentada no banco do condutor. Evidentemente, ela não tem intenção de fugir.

| Atendente | [Ela é sua escrava, eu imagino?], ele se vira para a garota sem esperar resposta. [Ei! Mostre-me as mercadorias!]

O quê?! Escrava?!

Isso me pegou completamente de surpresa, mas, considerando onde ela está sentada e como está vestida, eu consigo entender o salto lógico dele.

Ainda assim, eu não sabia que escravidão existia neste mundo... Preciso ficar atento a isso.

Eu preciso corrigir o mal-entendido, no entanto. É estranho o atendente ser tão casual a respeito, e até mesmo a Rinon já começou a mexer na carroça como se isso fosse normal. Eu não sei se ela está acostumada a ser confundida com uma escrava ou o quê, mas toda a situação parece profundamente errada.

| Makoto |Com licença. Ela é uma amiga minha e minha guia até o posto de troca. Ela não é escrava de ninguém
| Atendente | [Oh], ele olha para a garota sem muita reação. [Minhas desculpas, senhorita]

Evidentemente, ele assume que não houve nenhum dano. Até a Rinon me olha em choque, e leva um momento para ela se recompor, curvando-se levemente enquanto amarra a lona para que possamos ver as frutas.

Os olhos dele se arregalam. [Mas o que é isso tudo?!]

| Makoto |O que acha? Imagino que você nunca tenha visto frutas assim. Todas são deliciosas, eu prometo. Sinta-se à vontade para provar uma

Eu pego um par de maçãs da cesta mais próxima e entrego uma a ele antes de dar uma mordida na outra.

| Atendente | [S-Se insiste...]

Evidentemente aliviado ao confirmar que a fruta é, de fato, comestível, o comerciante deu uma mordida na sua. Os olhos dele se arregalaram em choque quando ele recuou para examinar a fruta, e então ele deu uma segunda mordida, mais gulosa. Ele devora a fruta até o caroço, tomando cuidado para não deixar escapar uma única gota do suco doce pelos lábios.

Wow... Ainda bem que eu estoquei extras. Deve ser bem fácil vender tudo. Com sorte, ao menos vou conseguir cobrir o custo da estalagem.

| Makoto |E então?』, eu escrevo. 『Parece que agradou o seu paladar
| Atendente | [Nunca provei nada tão delicioso na minha vida! Onde no mundo você encontrou frutas tão maravilhosas?!]
| Makoto |Isso vai continuar sendo o meu pequeno segredo, eu acho. Você acha que poderia comprar todas as minhas mercadorias?
| Atendente | [Um segredo?! Você vai monopolizar um tesouro desses?!]
| Makoto |Monopolizar? Claro que não. O método para obtê-las é um tanto incomum, e não tenho certeza de que conseguiria reproduzir o processo mesmo se tentasse
A mandíbula do comerciante cai em horror. [Quer dizer que estas são todas as frutas que existem?!]
| Makoto |Infelizmente, sim. Pior ainda, elas provavelmente vão estragar em poucos dias, então eu gostaria de me livrar delas antes disso
| Atendente | [Hrm... Então é um acordo único...]
| Makoto |Quanto você está disposto a pagar?
| Atendente | [... Posso provar as outras também?]
| Makoto |Claro, mas apenas uma de cada, por favor. Tenho quantidades muito limitadas
| Atendente | [Entendido. Quanto você tem no total?]
| Makoto |Apenas o conteúdo desta carroça. São quatro caixas de cada uma das quatro variedades, então dezesseis caixas no total

O comerciante chama vários outros funcionários, e juntos eles dividem uma maçã (uma segunda, já que a primeira já tinha ido), um pêssego, uma pera e uma romã. Eu as escolhi aleatoriamente, mas elas são surpreendentemente boas para variedades selvagens. Além disso, todas crescem sem qualquer consideração por estação ou clima, o que as torna ainda mais estranhas.

E eu aqui achando que teria que melhorar minhas mercadorias... Aposto que consigo continuar vendendo isso do jeito que está, sem problema algum.

O comerciante finalmente limpa a boca da última fruta. [São espetaculares, cada uma delas]
| Makoto |Muito obrigado
| Atendente | [Agora, vamos discutir o preço]
| Makoto |Prossiga
| Atendente | [Peço desculpas se parecer que estamos tratando um produto tão fino com leveza, mas nunca lidamos com frutas assim antes. Espero sinceramente que o que oferecermos seja satisfatório]

Imagino que, mesmo sendo deliciosas, a maioria das pessoas não pagaria por algo que não conhece. Pelo jeito, ele está pedindo permissão para me pagar menos.

Ele pensa em silêncio por um bom tempo. [Trinta moedas de ouro por caixa, essa é a minha oferta. Isso daria um total de 480 moedas de ouro por todo o seu estoque]

O quê caralhos?! Eles agem como se estivessem me passando a perna, mas isso ainda é uma quantia absurda! É praticamente o peso da carroça em ouro! É como se eu estivesse transportando joias!

Com dinheiro assim, eu consigo pagar todo o custo da estalagem e ainda sobra bastante. Ainda assim, eu preciso barganhar um pouco — se eu aceitasse na hora, isso desvalorizaria o produto. Ainda bem que eu não pedi cem moedas de ouro pelo lote inteiro, ou teria acabado me enganando sozinho. O maior incentivo, porém, foi a expressão no rosto do comerciante, que deixa claro que ele espera que eu peça mais.

| Makoto |Devo admitir que não esperava uma soma dessas. Parece até indevido pedir mais do que isso
O rosto dele se iluminou de esperança. [E-Então você aceita por esse preço?!]

Droga, onde foi parar a cara de pôquer dele?!

| Makoto |Infelizmente, não. Quatrocentas e oitenta não é um valor meio estranho para fechar negócio? Façamos quinhentas moedas de ouro, e consideremos um acordo fechado
| Atendente | [Quinhentas?! Fechado! Ei, pessoal!]

Ele corre para avisar os colegas, que ficam tão eufóricos quanto ele. As frutas provavelmente vão ser enviadas a um nobre ou a um mercado maior.

Quanto será que vou conseguir por fruta no futuro? Aposto que dá para vender por duas... talvez três vezes o preço de hoje!

Rinon me encara em silêncio, ainda petrificada pelo valor que acertamos. Afinal, ela acabou de ouvir que apenas uma daquelas frutas que ela comeu pode valer mais do que a irmã dela ganha em um ano inteiro.
Alguns minutos depois, o comerciante retorna com uma bolsa de dinheiro, e eu passo um ou dois minutos contando tudo.

| Makoto |Quinhentas moedas de ouro, recebidas integralmente. Muito obrigado
| Atendente | [Não, eu que agradeço! Caso encontre outras raridades como essas em suas viagens, por favor, nos avise]
| Makoto |Avisarei. Então, até mais

Rinon finalmente se recupera o suficiente para estalar as rédeas da carroça agora vazia, e voltamos para o caminho da estalagem.

Acabei de vender um monte de frutas aleatórias por cinquenta milhões de ienes... Acho que hoje é meu dia de sorte.

Quando retornamos à estalagem, a perseguidora que a Tomoe capturou não estava mais lá. Isso não é surpresa — nós não a deixamos amarrada, e ela ficou sozinha na estalagem o tempo todo.
Eu me jogo em uma das camas enormes do quarto. Eu costumava me deitar assim sempre que precisava pensar, ou às vezes até para dormir... embora isso não importe mais agora, obviamente. A cama é macia demais, fazendo com que eu afunde quando me deito. Ela também é grande, do tamanho de uma king size, com um ar luxuoso. Eu nunca tinha pensado em um quarto tão extravagante antes.
Rinon já se foi. Ela insistiu em passar na casa dela, recusando-se a voltar para a estalagem. Isso obviamente é só uma desculpa, já que não há motivo para ela voltar enquanto a irmã ainda está desaparecida. Mesmo assim, eu acompanho cada movimento dela com o meu Reino — mesmo que ela consiga sentir mana, não há como detectar isso.
No momento, ela se encontra com alguém a algumas dezenas de metros da entrada da estalagem. Eu consigo ouvir cada palavra que dizem a essa distância, mesmo sem vê-los diretamente, e também tenho uma noção perfeita das emoções e expressões deles. É um dom quase perfeito concedido pelo Tsukuyomi-sama, limitado apenas pela falta de um manual de instruções decente.

| Homem | [Bem? Você sabe quem eles são?], pergunta o estranho.
Rinon balança a cabeça. [Tudo o que descobri é que ele é o herdeiro da fortuna de algum comerciante]
| Homem | [Patético. Nossos homens na Guilda dos Comerciantes conseguiriam descobrir isso]

Claro que conseguiriam. O quê, ele achou que eu ia contar a história da minha vida inteira para uma garotinha que acabei de conhecer? Ele é idiota ou o quê?

| Rinon | [M-Mas com o ataque às mercadorias, mal consegui conversar com eles!]
| Homem | [Certo... Acredito que nossos agentes já retornaram. Eles estão sob observação para garantir que não tenham trazido nenhum presente inesperado. Infelizmente, não encontraram nada que esclarecesse a verdadeira identidade deles. Você tinha que ter descoberto alguma coisa]
| Rinon | [Quando acordei, as duas mulheres já tinham ido embora. Eu saí com ele direto para a Guilda dos Comerciantes]
| Homem | [As companheiras dele, huh? Aquelas de nível absurdamente alto? Não ouvimos nada de relevante sobre elas — talvez porque estejam sendo mantidas em sigilo de propósito. Então, o que mais?]

Ah, então a Guilda dos Aventureiros está mantendo tudo em silêncio de propósito. Ainda bem que isso não virou conhecimento comum.

| Rinon | [Quando voltamos], Rinon continua, [a mulher que eles capturaram tinha desaparecido]
| Homem | [Desaparecido...?]
| Rinon | [Eu disse que precisava ir para casa, e saí]
| Homem | [Aquele moleque nobre arrogante... Ele simplesmente a deixou lá, sem amarrar, sem vigia, sem nada?]

Cale a boca! Ele está certo, mas eu não quero ouvir isso! Ainda assim, a atitude desse cara é bem merda... Um sujeito realmente desprezível.

| Homem | [E então?], ele pressiona. [O que você descobriu sobre a carga dele?]
| Rinon | [E-Eu... eu não sei]
| Homem | [Você o quê? Você tinha que ter descoberto alguma coisa. Vamos, desembucha!]
| Rinon | [Ele disse que há uma vila numa névoa a dois ou três dias de viagem daqui, e que conseguiu as frutas lá com homens-lagarto e arachs amigáveis]
| Homem | [...]
| Rinon | [É verdade!], ela gagueja, ficando visivelmente nervosa com o silêncio dele. [Foi isso que ele disse, eu prometo! Ele até falou que não se importava com o valor delas!]

Então eles não são aliados voluntários... Interessante.

| Homem | [Ele não se importa com o preço?], o homem repete, incrédulo.
| Rinon | [Ele disse que parecia um sonho, então não se importava desde que vendesse... O velho da Guilda dos Comerciantes comprou a carroça inteira por quinhentas moedas de ouro]
| Homem | [Quinhentas?!], a voz dele se eleva em choque.

Ei... talvez você não devesse gritar esse tipo de coisa no meio da rua.

| Rinon | [S-Sim], Rinon confirma.
| Homem | [Então esse é o preço mínimo. Esses recém-chegados são realmente interessantes... Quinhentas, huh?]

Ele abre um sorriso tão repulsivo que me surpreende que a Rinon consiga manter a calma.

Eu sabia que estavam me pagando menos do que valia... Mas a esse preço? Droga. Aposto que boa parte dessas frutas vai para tentativas de propagação e depois será revendida por ainda mais dinheiro.

| Rinon | [E-Ei... deixe-me ver minha irmã! Você disse que a soltaria se eu conseguisse as informações que você queria daquelas pessoas!]
Ele zomba. [O quê, você acha que essas informações meia-boca bastam para pagar a vida dela? Desse jeito, você nunca mais vai vê-la]

Esse desgraçado... Como ele ousa chantagear uma criança para fazer o trabalho sujo dele?!

Eu sinto a raiva subir dentro de mim, e considero seriamente atingi-lo com magia a partir da estalagem.

Eu posso fazer isso... Não, eu devo fazer isso.

No entanto, depois de começar a entoar o encantamento, eu paro. Se eu o matasse agora, Rinon teria que vê-lo morrer, e isso seria profundamente traumático.

Acho que você viverá... por enquanto, seu merda.

Sou forçado a ouvir enquanto a Rinon continua implorando pelo retorno seguro da irmã.

Por fim, o homem suspira. [Se você quer tanto vê-la, tudo bem. Só mais uma coisa e ela será libertada. Eu até vou esquecer o dinheiro que você me deve]

Dinheiro, é? Aposto que elas já vêm pagando juros há eras...

| Rinon | [Sério?!]
| Homem | [Sim, garota, eu prometo. Agora, escute...]

O que o homem sugere em seguida faz meu estômago se revirar. Rinon recusa imediatamente, mas eu já consigo prever como essa conversa vai terminar.
Eu recolho o meu Reino. Não preciso ouvir essas palavras da boca dela. O importante é que a irmã da Rinon está viva — assumindo que as palavras daquele homem sejam verdadeiras. Caso contrário, eu estou preparado para me tornar um assassino. Não tenho a menor intenção de seguir o exemplo da Tomoe, mas estou pronto para ser um pouco bruto se for preciso.
Fechando os olhos, eu tento dormir. Não posso fazer mais nada até a Tomoe e a Mio voltarem, e não há nada que eu possa fazer no meio-tempo. Além disso, tenho a impressão de que isso também será melhor para a Rinon.
Com um último suspiro pesado, eu me deixo adormecer.




Convite Discord
Achou um erro? Reporte agora
Comentários

Comentários

Mostrar Comentários