Capítulo 11: A Floresta dos Elfos
O feitiço de teletransporte logo chega ao fim, e nós quatro nos encontramos em uma sala completamente diferente, aparentemente feita de pedra. Espiando pela janela, vejo que estamos no meio de uma floresta exuberante.
| Chise | [Isto é...]
| Tet | [Estamos no meio da floresta!], exclama Tet.
| Fauzard | [Acredito que estamos dentro da fortaleza na entrada da floresta. Vim aqui com meu contratante para repelir os humanos durante a guerra], explica Fauzard.
Pouco depois, percebo o círculo mágico abaixo de nós ficando borrado e desaparecendo.
| Chise | [Círculos de teletransporte de uso único, huh?], eu observo.
Quando você despeja mana em um círculo mágico, o feitiço gravado nele é ativado automaticamente. No entanto, não se pode simplesmente fazer um círculo mágico de qualquer jeito; é necessário usar materiais para criá-lo. É claro que, quanto mais poderoso o feitiço, mais raros são os materiais. E mesmo depois de tudo isso, você ainda precisará despejar uma montanha de mana no círculo para ativá-lo.
| Chise | [Elfos têm muito mana, então podem ativar o círculo com apenas algumas pessoas. Em qualquer outra nação, eles provavelmente precisariam usar um monte de pedras mágicas], eu reflito.
Ainda assim, não consigo deixar de me sentir um pouco como uma convidada VIP, considerando quanto esforço demanda a criação e ativação de um círculo mágico.
| Tet | [Existem outros círculos de teletransporte no reino dos elfos?], Tet pergunta, olhando para o ponto onde o círculo mágico costumava estar.
| Althea | [Instalar círculos mágicos em cada assentamento — e que possam ser usados várias vezes, ainda por cima — seria difícil, então não. Não há outros círculos de teletransporte no reino], Althea responde com um sorriso sem jeito.
Segurando cuidadosamente a lanterna espiritual em seus braços, ela nos conduz para fora da sala. Do lado de fora, soldados elfos nos esperam, segurando as rédeas de algumas bestas míticas que parecem cavalos de oito patas.
| Chise | [Nunca vi este tipo de besta mítica antes], eu digo. [Não temos nenhuma na floresta]
| Tet | [Elas são tão grandes! E tão legais!], exclama Tet.
| Althea | [São sleipnirs], Althea nos explica.
Assim que me avistam, os sleipnirs começam a empurrar seus focinhos em minha direção, implorando por um pouco de mana.
| Althea | [O-O que vocês estão fazendo?! Acalmem-se, por favor? Estão sendo rudes com a Senhorita Chise!], Althea os repreende, segurando as rédeas e tentando puxá-los de volta, mas eles não se mexem.
| Fauzard | [Eles parecem gostar bastante de você], comenta Fauzard.
Tet rapidamente coloca uma mão em minhas costas para que eu não caia. [Uh-oh, você está bem, Senhorita Bruxa?]
| Chise | [Estou bem. Só não esperava que fossem tão amigáveis]
Mas tudo bem, este não é meu primeiro contato com feras míticas, eu penso enquanto acaricio os focinhos dos sleipnirs. Um após o outro, eles absorvem mana através da palma da minha mão. Quando terminam de se saciar, deixam que a Althea os puxe de volta.
| Althea | [Desculpe pela confusão. Deveríamos montar os sleipnirs para viajar pela floresta, mas...], Althea deixa a frase no ar.
| Fauzard | [Eles começaram a brigar para ver qual deles terá a honra de carregar a Senhorita Chise em suas costas], Fauzard murmura.
Ele tem razão. Os sleipnirs estão pressionando as testas uns contra os outros e se encarando, batendo os cascos como se para se intimidarem. Os soldados elfos tentam desesperadamente acalmá-los, sem sucesso; eles não cederam. Afinal, aquele que eu acabar montando será capaz de se alimentar da meu mana. Nenhum deles quer perder tal oportunidade. O único que não está brigando com os outros é o sleipnir da Althea, já que ele irá conosco de qualquer maneira.
| Althea | [Hm... Você também montará nos sleipnirs, Senhorita Chise, Senhorita Tet?], Althea pergunta sem jeito.
Não há estradas dentro da floresta dos elfos, então viajar em carruagens não é uma opção. Deve ser por isso que trouxeram os sleipnirs para montarmos. Mas há um pequeno problema.
| Chise | [Tet e eu não sabemos andar a cavalo], eu confesso. [Mas está tudo bem; apenas seguiremos você em nosso tapete voador]
| Tet | [Não o usamos há muuuito tempo!], exclama Tet.
Tiro o tapete mágico da nossa Bolsa Mágica e o estendo no chão. Ao ouvir minhas palavras, os sleipnirs param de se encarar para olhar para nós, com os olhos arregalados em choque e decepção. Um sorriso sem jeito surge em meus lábios quando alguns deles relincham para tentar chamar minha atenção, mas faço o meu melhor para ignorá-los.
Althea também não lhes dá importância. [Vou seguir para a floresta com este aqui, então. Sigam-me], diz ela, subindo em seu sleipnir e indo em direção à mata, com a Tet e eu voando logo atrás.
Enquanto Tet e eu admiramos a paisagem, Althea nos lança um olhar de desculpas de cima de seu sleipnir.
| Althea | [Tenho certeza de que devem pensar que estamos indo terrivelmente devagar comparado à velocidade máxima do seu tapete voador, mas, por favor, tenham paciência comigo], diz ela.
| Chise | [Está tudo bem. Eu não gostaria que você forçasse sua montaria além dos limites]
| Tet | [Tet gosta do tapete voador porque pode ficar grudadinha na Senhorita Bruxa!], diz Tet, envolvendo seus braços em volta de mim por trás e descansando o queixo no meu ombro.
Solto um grito de surpresa; não estava esperando que ela começasse a me abraçar do nada. [Tet! Pelo menos me avise antes de fazer isso], eu a repreendo.
Uma risada elegante escapa da Althea enquanto ela nos observa.
| Althea | [Vocês são muito mais fofas e pés no chão do que eu esperava. Por favor, perdoem-me], diz ela entre risos.
Meu rosto fica vermelho; puxo o capuz dos meus mantos para esconder meus olhos e finjo olhar para as árvores.
| Tet | [A Senhorita Bruxa está com vergonha], Tet — que já está mais do que familiarizada com meus maneirismos — murmura para a Althea.
| Chise | [É realmente tão engraçado?], eu resmungo.
Althea para de rir e olha para nós com uma expressão séria.
| Althea | [A maioria das pessoas que vêm ao nosso reino — especialmente as que esperam uma audiência com Sua Majestade — nutrem algum motivo oculto. É por isso que estou satisfeita em poder guiar alguém com um temperamento tão ameno e agradável para a nossa floresta, pelo menos uma vez]
A rainha dos elfos não é apenas imortal, rica e poderosa, mas também é uma alta elfa — uma raridade suprema mesmo entre os elfos. A maioria dos humanos que vêm vê-la o faz porque quer algo — geralmente nada bom. Alguns cobiçam a magia da rainha, alguns desejavam desvendar os segredos da floresta e outros querem transformar todos os altos elfos em escravos ou aprender o segredo de sua imortalidade... E há aqueles que querem reivindicar a floresta e seus recursos por completo, incluindo as bestas míticas e os próprios elfos. A rainha certamente não tem uma vida fácil.
| Chise | [Nosso objetivo principal é o turismo, então...], dou de ombros.
| Althea | [Mas, Senhorita Chise, você pode acabar em uma posição semelhante à de Sua Majestade no futuro], Althea aponta.
| Chise | [Talvez sim. Talvez não]
De certa forma, a floresta dos elfos representa um dos futuros potenciais da nossa própria floresta. Por enquanto, elas são bem parecidas: assim como os elfos, nós apenas realizamos trocas com o mundo exterior através de pontos limitados de contato e recusamos qualquer influência externa. Nosso objetivo principal atual é proteger a floresta e as pessoas e criaturas que vivem nela. Mas...
| Chise | [Por enquanto, nosso objetivo principal na Floresta da Bruxa da Criação é produzir mana, mas assim que os níveis de mana deste mundo voltarem ao normal, estou pensando em limpar algumas terras], eu disse.
| Althea | [Para quê?], Althea me pergunta, com um olhar surpreso.
| Chise | [Não planejo me livrar de todas as árvores nem nada, apenas algumas delas. Não me entenda mal; acredito que devemos cuidar bem da natureza, mas, ao mesmo tempo, não quero atrapalhar o desenvolvimento dos humanos e de sua cultura]
| Tet | [A Senhorita Bruxa está sempre lendo livros!], Tet complementa.
Exatamente como a Tet disse, eu gosto de livros. Para que uma cultura se desenvolva e floresça, livros são uma necessidade absoluta. Além disso, acredito que a natureza e a cultura podem coexistir. Então, embora eu seja absolutamente contra a destruição completa da natureza, eu adoraria criar um espaço onde tanto a natureza quanto a civilização possam prosperar juntas em harmonia.
| Tet | [Tet espera que, um dia, as bestas míticas possam viver onde quiserem!]
Aceno positivamente. [Eu também. O mundo é grande; seria ótimo se elas pudessem viver fora da nossa floresta. Espero que possamos ver esse dia chegar]
Bestas míticas só podem viver em lugares densos em mana. A maioria delas pereceu durante a queda dos precursores, e muito poucas restaram. Isso não apenas significa que a caça ilegal de bestas míticas é desenfreada — já que são tão raras — mas também que elas só podem viver em regiões muito específicas. Mas se os níveis de mana do mundo subirem novamente, as bestas míticas podem viver em seus ambientes preferidos sem tanta pressão externa. Além disso, se elas se espalharem por diferentes regiões e se reproduzirem, haverá mais delas por todo o continente. Talvez um dia vejamos um mundo onde humanos e bestas míticas coexistam pacificamente, assim como os homens-dragão com os grifos e pégasos, minha discípula Yuicia e seu pequeno companheiro cat-sith, ou a Althea e seu sleipnir. Claro, eu estou ciente de que, conforme suas populações crescem e se espalhem, estarão mais ameaçadas por doenças, acidentes e ataques de humanos e monstros, mas para mim, isso parece um mal necessário se significar protegê-las da extinção de toda a espécie.
| Althea | [Eu a chamei de pé no chão antes, mas você é na verdade uma grande sonhadora, hum? E parece gostar muito de bestas míticas], Althea diz.
| Chise | [Não seria lindo, no entanto?]
Um sorriso pequeno e gentil surgiu nos lábios da Althea, e ela olhou carinhosamente para a Tet e para mim como se fôssemos crianças. O que, okay, pelos padrões dos elfos, nós poderíamos ser. Ela me chamou de 『sonhadora』, mas sendo um ser imortal, qual seria o ponto de viver se eu não tivesse uma ambição ou duas?
E assim, nós três (mais o Fauzard em sua lanterna espiritual) seguimos cada vez mais fundo na floresta dos elfos.


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