Capítulo 1 — O Sorriso Presunçoso e os Sinais de Duplo V da Senhorita Santa
| Elen | [EU CONSEGUI]
Assim que retorna a Merinesburg, Elen ergue ambas as mãos em um sinal de duplo V e exibe um sorriso presunçoso para a Sylphy e a Melty.
Quanto ao motivo... eu realmente preciso explicar?
| Sylphy | [Não acredito que você me venceu!]
| Melty | [Urgh! Eu odeio o quão diferente os nossos corpos funcionam]
Sim. Elen engravidou.
Considerando que passamos quase meio ano juntos no norte, não é exatamente um choque. Para que conste, Amalie também engravidou depois da Elen. Acontece que a concepção é muito mais fácil entre dois humanos.
| Berta | [Eu sou a única que ficou para trás...], Bertha murmura, direcionando um olhar fixo para mim.
Mas as coisas são como são. Ela não foi conosco para o norte.
E as harpias? Os olhos delas estão brilhando intensamente, colocando uma pressão enorme sobre mim. Honestamente, elas meio que estão me assustando.
| Shemel | [Cara, eu achei que nós tínhamos uma boa chance]
| Bela | [Que pena]
| Tozume | [S-sim...]
Como de costume, Tozume se atrapalha com esse tipo de assunto, mas esse jeito desajeitado é bem adorável à sua própria maneira.
| Seraphita | [Que pena]
| Ira | [Verdadeiramente lamentável]
Até mesmo a Seraphita e a Ira parecem genuinamente desapontadas.
Er, Seraphita?, não consigo evitar de pensar comigo mesmo. A sua filha parece extremamente confusa agora, então seria bom você relaxar um pouco.
Enquanto isso, Aqual está me avaliando como se eu fosse um porco premiado, Ifriita está com aquela cara de gato espacial sem noção, e a Doriada está sorrindo como um predador que acabou de encurralar a sua presa. Honestamente, ela é a mais assustadora do grupo.
E a Grande? Nem um pouco em pânico. Ela não parece se importar nem um pouco, permanecendo de lado apenas observando a Sylphy e as outras com um sorriso sereno. É como se ela estivesse dizendo que vai engravidar quando for o momento certo, então por enquanto? Ela não está incomodada.
| Ira | [Eu realmente me esforcei muito, mas simplesmente não deu certo... Isso é difícil]
| Grande | [Isso não é uma corrida. Não vejo necessidade de pressa], Grande responde calmamente para a Ira, que parece absolutamente arrasada.
Bela jogada, Grande.
Não é como se ela não fosse ativa sob os lençóis da cama, mas eu agradeço o autocontrole dela aqui.
| Sylphy | [Não deveria haver uma ordem para essas coisas?], Sylphy resmunga.
| Elen | [Se tivéssemos que esperar pelas que têm uma expectativa de vida mais longa, aquelas de nós com vidas mais curtas se tornariam mulheres idosas primeiro], Elen responde.
| Sylphy | [N-não vai demorar tanto tempo assim!]
Elen mantém a sua expressão calma mesmo quando a Sylphy tem um ataque de pelanca, com a sua máscara de rainha desmoronando em pedaços metafóricos. Honestamente, é adorável ver o equilíbrio dela rachar — mas o bater de pés dela está literalmente rachando o chão de pedra. Eu preferiria que ela não fizesse isso; serei eu quem vai consertar mais tarde.
| Melty | [Isso é mau, Kousuke. Isso vai causar desordem], Melty diz, aproximando-se de mim com um olhar sério demais.
Consigo entender onde ela quer chegar, mas, de verdade, o que eu deveria fazer?
| Sylphy | [Grrr, ninguém mais está autorizada a fazer isso com o Kousuke a não ser eu!], Sylphy de repente declara.
| Melty | [Isso é um abuso de poder]
| Ira | [Ordem ou não, eu não concordo com isso]
| Seraphita | [Isso é injusto!]
| Pirna | [Realmente é]
A tentativa da Sylphy de me monopolizar acende um fogo sob as outras, e uma discussão começa entre elas. Isso é mau. Nesse ritmo, tudo vai desabar.
Não, literalmente. O castelo vai desabar.
| Kousuke | [Parem! Paaaarem!], eu entro no meio delas momentos antes de explodirem. [Conceber um filho é uma bênção. Não é algo para o qual deveríamos estar decidindo uma ordem]
| Elen | [Este resultado foi abençoado por Deus], Elen intervém, sem ajudar em nada.
| Kousuke | [Pare! Estou tentando acalmar as coisas, então você pode, por favor, não provocar todo mundo com essa sua cara presunçosa?!]
Maldita seja, Elen. Você está se divertindo com isso, não está? Só porque os seus enjoos matinais diminuíram não significa que você pode arrumar briga!
| Sylphy | [Em outras palavras, você vai assumir a responsabilidade por isso, não vai?], Sylphy diz.
| Kousuke | [Huh?]
Espere, o que ela quer dizer com responsabilidade?
Estou com medo.
| Kousuke | [Quero dizer, é claro que vou. Vou trabalhar duro para garantir que todas sejam cuidadas e bem alimentadas!]
| Melty | [Não é desse tipo de responsabilidade que estamos falando], Melty rebate.
| Sylphy | [Você precisa assumir a responsabilidade por este conflito], Sylphy adiciona. [Você entende?]
| Kousuke | [Ha ha ha! Oh, acabei de me lembrar que tenho um lugar onde preciso estar...]
Tento fugir, mas a Sylphy e a Melty me prendem de ambos os lados, sorrindo docemente enquanto cravam as mãos nos meus ombros.
Fim de jogo, cara. Fim de jogo.
... Eu não vou me livrar dessa.
E assim, fica decidido que passarei um tempo 『entretendo』 as garotas em Merinesburg. Honestamente, eu já estava querendo um tempo de descanso na cidade com elas de qualquer forma, então isso não é um problema. O problema é fingir não notar o quão intensas as minhas noites estão prestes a se tornar.
Mas essa paz não durou muito.
Emissários do Reino Sagrado chegaram.
| Kousuke | [Emissários do Reino Sagrado, hm?], eu murmuro, encarando o teto do meu lugar habitual no sofá.
Apenas alguns momentos atrás, Sir Leonard, que está posicionado na frente leste, enviou um aviso. Enviados do Reino Sagrado surgiram na fronteira leste, carregando tanto a sua bandeira nacional quanto uma bandeira branca de trégua.
| Leonard | 『De acordo com eles, vieram para negociar um cessar-fogo e a paz』, ele relata.
A voz do Sir Leonard carrega um tom de irritação através do Comunicador Golem. Ele se voluntariou para o posto do leste na esperança de ser o primeiro a brandir a sua espada contra o Reino Sagrado quando a batalha final chegasse. E agora? A sua primeira missão real é escoltar uma comitiva de paz. Não é de admirar que ele esteja infeliz.
| Sylphy | [A paz não será alcançada tão facilmente. Não tema], Sylphy responde friamente.
As palavras dela me impressionam. Para ela, o Reino Sagrado é o seu inimigo jurado. Por mais de vinte anos, eles roubaram a sua família, oprimiram o seu povo e mataram incontáveis cidadãos seus, incluindo o seu próprio pai. A ideia de paz com o Reino Sagrado não é algo que ela possa aceitar levianamente.
| Grande | [Vocês humanos são bem problemáticos], Grande murmura de onde está deitada com a cabeça no meu colo. [Por que simplesmente não param de matar uns aos outros?], os chifres dela se enterram desconfortavelmente em mim, não importa como ela se mova, mas não vou dizer para ela sair. Eu agradeço o esforço, mesmo que doa.
| Kousuke | [Claro, Grande. Mas isso não é exatamente algo que se possa pedir a alguém que perdeu tudo para um inimigo]
| Grande | [Hmm. É assim? Nós, dragões, não matamos uns aos outros em grupos. e se um de nós é morto por um humano ou um monstro, simplesmente aceitamos que ele era fraco]
| Kousuke | [Hm... sobrevivência do mais forte, hm? Ou talvez apenas um individualismo extremo]
Os dragões nascem fortes. Os humanos são fracos por conta própria, por isso formamos comunidades para nos proteger. Não é de admirar que os nossos valores sejam mundos de distância.
| Grande | [Os mortos estão mortos. Não consigo entender arriscar a própria vida por aqueles que já se foram. Posso, contudo, entender o desejo de matar alguém que te prejudicou ou te subestimou]
| Kousuke | [Sim. Tire todas as justificativas, e é a isso que tudo se resume no final]
Vocês roubaram o nosso país, mataram os meus amigos, os venderam e tiraram a vida do meu pai! Eu nunca vou deixar vocês se safarem com isso! Vou matar todos vocês!
No fim das contas, essa é a verdade nua e crua de como a Sylphy e as outras se sentem. No limite, as pessoas estão furiosas e querem a sua vingança. Mas, ao contrário de uma briga de taberna, esta não é uma luta que termina com alguns hematomas — esta é uma guerra entre nações, o que significa que custa rios de dinheiro e mortes incontáveis. Normalmente, isso é o suficiente para impedir os países de lutarem até o amargo fim.
Normalmente.
| Kousuke | [Precisamos ter cuidado...], eu murmuro.
No momento, as forças militares de Merinard são fortes o suficiente para aniquilar completamente o Reino Sagrado. Armas mágicas estão saindo das linhas de produção, bombas aéreas harpias feitas com Joias Mágicas estão estocadas, e pranchas voadoras estão sendo produzidas em massa. Os alimentos enlatados e o macarrão instantâneo que inventei no ano passado também estão sendo fabricados em um ritmo acelerado.
Além disso, a base de retaguarda nas Terras Desoladas de Omitt está prosperando, desenvolvendo Joias Mágicas, ferro mágico e aço, com armas e armaduras sendo feitas com esses materiais. As nossas fazendas e os produtos dos elfos estão circulando pelas terras, gerando receita vinda da Nação Montanhosa de Dragonis e da Federação de Pequenas Nações. Com o nosso controle sobre as cidades de Merinard se estreitando, estamos prestes a receber impostos delas.
Claro, ainda temos uma lista enorme de problemas internos para lidar, mas estamos adquirindo o poder para sermos capazes de lutar contra o Reino Sagrado em vantagem. Afinal, estamos pelo menos duas gerações à frente deles tecnologicamente. E comigo no meio? Eles não têm a menor chance.
| Grande | [Ter cuidado com o quê?], Grande pergunta preguiçosamente.
| Kousuke | [Para que a Sylphy ou o Sir Leonard não saiam matando todo mundo quando os emissários aparecerem, já que eles odeiam tanto o Reino Sagrado. Eu não sou contra matar pessoas a essa altura, mas acho que precisamos ter cuidado para não ir longe demais. Eu escolhi ficar do lado deles, e sou eu quem trouxe armas modernas para este mundo. Isso significa que carrego parte da responsabilidade pelo que quer que aconteça]
| Grande | [Carrega mesmo?], Grande rebate. [Eles são quem decide como usar o poder que você dá a eles. As ações deles são responsabilidade deles, não sua]
| Kousuke | [Será...? Hm]
Claro, quando alguém usa uma faca de cozinha para um assassinato, ninguém culpa o ferreiro. Mas armas, bombas, golens — armas feitas especificamente para atos de guerra não entram na mesma categoria. Além disso, eu nem sequer estou vendendo isso como uma parte neutra. Eu escolhi um lado e só as estou entregando para pessoas com quem tenho um relacionamento pessoal. Não posso mais fingir que sou apenas um espectador. Sou um participante direto na guerra de Merinard contra o Reino Sagrado.
| Grande | [Você nunca muda, Kousuke]
| Kousuke | [Olha, eu não sou nenhum santo com uma vontade de ferro e determinação inabalável, tá? Sou apenas um cara normal com dúvidas de sobra]
| Grande | [Não sei se você ainda pode se chamar de normal quando matou milhares da sua própria espécie para provar um ponto, e fez isso sem piscar], Grande diz secamente.
| Kousuke | [... Válido. Você me pegou nessa]
Eu esmaguei a invasão do norte e massacrei incontáveis soldados para provar um ponto, para mostrar o poder de Merinard e para garantir a paz com os dois países do norte.
Tinha sido necessário. Pelo menos, é o que digo a mim mesmo. Porque talvez seja um pouco tarde para alguém com tanto sangue nas mãos ficar se preocupando com baixas.
Mesmo assim, não tenho desejo de aumentar esse número desnecessariamente. Se eu tiver que matar pessoas, quero fazer isso de forma eficiente e eficaz. Se eu vou para o inferno de qualquer maneira, vou hesitar em cada decisão e manter a minha contagem de corpos o mais baixa possível.
| Grande | [Kousuke], a voz de Grande suaviza. [Tire essa cara assustadora do rosto. Você se rebaixa, mas no que me diz respeito, você não é nem de longe tão comum quanto pensa. Isso é tudo o que eu queria dizer]
| Kousuke | [Entendido... Bem, vou tentar não remoer muito]
| Grande | [Mm. Assim está melhor]
Os emissários estão a caminho de Merinesburg de carruagem e a cavalo. Mesmo que se apressem, ainda vai levar algum tempo até que cheguem a Merinesburg.
| Kousuke | [Eu me pergunto sobre o que eles sequer vão querer conversar], pondero em voz alta.
| Grande | [Será que eles vão realmente conversar de fato?], Grande pergunta.
| Kousuke | [Bom ponto... O fato de terem enviado emissários significa que provavelmente não querem arrumar problema. Pelo menos, não ainda]
Se nada mais, isso prova que eles nos reconhecem como um Estado. Afinal, uma nação massiva não envia enviados para negociar com 『bandidos』. Mas agora? Esses bandidos têm aliados, parceiros comerciais e uma embaixada.
Isso mesmo. Não apenas Merinard tem relações econômicas e políticas com laços com a Nação Montanhosa de Dragonis e a Federação de Pequenas Nações a oeste, mas também formamos conexões com o Reino Tigris e o Principado de Diieharte, embora em uma capacidade mais limitada. Além disso, o Império Varyag — o inimigo mortal do Reino Sagrado — agora tem uma embaixada em Merinesburg.
A mão do Reino Sagrado foi forçada. Eles têm que nos reconhecer como um país de verdade.
| Grande | [Você vai ser deixado de fora das coisas desta vez?], Grande pergunta.
| Kousuke | [Aparentemente, o plano é me manter longe das vistas do Reino Sagrado]
Eu liderei o ataque quando se tratou das negociações com as duas nações do norte, então não é exatamente um absurdo presumir que o Reino Sagrado já sabe sobre mim. Isso me torna uma possível dor de cabeça — ou pelo menos, é como a Sylphy e as outras veem isso — e deixa a nossa rainha e o seu povo em alerta total.
Sendo assim, não apenas a Sylphy e a Melty, mas também Seraphita, Ifriita, Elen, o Arcebispo Deckard, a Alta Sacerdotisa Katalina e toda a facção Nostalgia da religião do Adolismo concordam: eu devo ser mantido longe dessas negociações.
Então, enquanto eles se ocupam se preparando para as conversas, eu fico com... bem, um monte de tempo livre.
| Kousuke | [Talvez eu vá dar uma volta]
| Grande | [Nesse caso, eu vou com você. Me disseram para não te deixar sozinho, não importa o que aconteça], é a Grande, claro.
| Kousuke | [Okay, então, vamos juntos]
O pelo do Cuvi já deve ter crescido de volta a essa altura e ele deve ter retornado à sua forma fofa original. Talvez eu passe por lá para provocá-lo um pouco. Ou, melhor ainda, pegar a perspectiva do Kirillovich sobre tudo isso. Afinal, ele é um embaixador do Império Varyag.
| Grande | [Estamos aqui para passar o tempo! Mostre alguma hospitalidade]
| Kousuke | [Eu peço chá e lanches. Que sejam doces e deliciosos]
Kirillovich franze a testa, parecendo em cada centímetro o diplomata sério que é. [Eu juro, vocês dois não são um pouco desinibidos demais?]
Em vez de cumprimentá-lo adequadamente, Grande e eu simplesmente entramos sem ser convidados e exigimos ser tratados como convidados estimados.
Esta é a embaixada do Império Varyag, localizada bem ao lado do Castelo de Merinesburg. Fui completamente deixado de fora das negociações com o Reino Sagrado, então a Grande e eu viemos aqui para extorqui-los. Mas vamos chamar isso pelo que é: uma visita de cortesia. Claro. Sim.
Mesmo assim, Kirillovich é um bom sujeito. Ele vai resmungar, mas ainda assim vai nos servir chá e lanches, mesmo que estejamos sendo irracionais. Honestamente, talvez seja menos 『bondade』 e mais tenacidade e 『profissionalismo obstinado』.
| Kirillovich | [Muito francamente, tenho minhas reservas sobre você entrar na embaixada de outra nação e comer e beber o que quer que seja colocado na sua frente sem a menor suspeita]
| Kousuke | [O império não tem motivos para querer me matar. Agora, me sequestrar para me fazer trabalhar para eles? Claro. Mas me envenenar? Nah]
| Grande | [Além disso, não há chance de alguém matar o Kousuke comigo aqui], Grande declara.
| Kousuke | [E mais, aparentemente, eu tenho resistência a veneno], eu adiciono. [Fui esfaqueado no fígado uma vez com uma adaga envenenada com veneno de basilisco. Vivi para contar a história]
| Grande | [E venenos simplesmente não funcionam de forma alguma em mim], Grande finaliza.
Kirillovich suspira, esfregando as têmporas antes de dar um gole em seu chá. [Esse é o tipo de informação que você não deveria estar compartilhando de forma tão livre]
Não tenho a menor ideia do que a expressão dele realmente significa, mas de qualquer forma, mesmo que ele tente alguma coisa, não vai funcionar. Especialmente se ele tentar algo comigo. O melhor que ele pode esperar é que nos eliminemos mutuamente.
Por exemplo, se ele usasse o mesmo tipo de ferramenta mágica preciosa de teletransporte instantâneo de longa distância que o Cuvi usou quando me sequestrou, seria impossível me capturar sem me matar primeiro. Entre o meu Inventário, as minhas ferramentas e a minha falta de energia mágica (o que torna as coleiras de escravos inúteis), não há uma cela no mundo que consiga me segurar. Se eu conseguisse quebrar as minhas amarras — eu apenas cavaria através da parede ou do chão e faria facilmente a minha fuga. Eles precisariam literalmente esmagar os meus olhos e me encasular do pescoço para baixo em um bloco de concreto para me capturar vivo.
| Kirillovich | [Então], Kirillovich pergunta finalmente, [o que traz você aqui hoje? Certamente não apenas chá e lanches]
| Kousuke | [Se eu dissesse que viemos aqui apenas pelo chá e pelos lanches, você provavelmente ficaria irritado, então não vou dizer isso]
| Grande | [Kousuke, estes são bem deliciosos], Grande diz alegremente.
| Kousuke | [Oh é mesmo? ... Nossa, o sabor de nozes é tão saboroso]
Ela coloca habilidosamente outro doce na minha boca com as suas garras. Nozes trituradas em uma massa macia — tem gosto exatamente de mochi de nozes.
| Kirillovich | [Eu agradeceria se vocês dois não flertassem de forma tão aberta na minha frente], Kirillovich murmura. [Então, mais uma vez, por que você está aqui?]
| Kousuke | [Oh, minha culpa. Na verdade, tenho algumas novidades para você. Emissários do Reino Sagrado chegaram à fronteira leste esta manhã. Eles querem um cessar-fogo e conversas de paz. Eles não vão chegar a Merinesburg por um tempo, mas ainda assim...]
Kirillovich estreita os olhos. [Essa é uma distância considerável de carruagem]
| Kousuke | [Sim], respondo em um tom tranquilo.
Ele claramente quer perguntar como eu já sei, mas eu ignoro sabiamente a sua pergunta não verbalizada.
Não estou especialmente preocupado. Se leva alguns dias de carruagem e a cavalo, então estamos facilmente a mais de cem quilômetros de distância. Neste mundo, se você quiser transmitir uma informação complexa como 『Um emissário de uma nação estrangeira chegou para negociar a paz』, você teria que escrever uma carta, entregá-la a um mensageiro e enviá-lo correndo a cavalo até o destinatário. Esse é o método padrão de comunicação, o que significa que receber esse tipo de notícia da fronteira leste de forma quase instantânea deveria ser impossível.
Em comparação, um cavaleiro solitário avançando firme, cavalgando sem descanso e trocando de cavalos ao longo do caminho conseguiria provavelmente cobrir a distância em cerca de dois dias. Isso é o normal aqui.
Agora, obviamente, as coisas são diferentes se você usar um wyvern, magia de teletransporte ou ferramentas mágicas sem considerar o custo.
| Kousuke | [Olha, essa parte não é importante, então vamos deixar isso de lado por enquanto]
| Kirillovich | [Devo admitir que adoraria ouvir mais detalhes, mas se você diz, que assim seja. Por favor, continue], Kirillovich diz com um pequeno dar de ombros.
| Kousuke | [Agradeço por isso. De qualquer forma, fui completamente deixado de fora das coisas desta vez, mas não posso deixar de me perguntar por que o Reino Sagrado decidiu de repente conversar quando nunca quiseram antes. Como isso aconteceu? E então, achei que seria bom fazer uma visita ao meu amigo embaixador e pegar a opinião dele enquanto tomamos um chá]
| Kirillovich | [Hmm. Entendo]
Kirillovich apoia os dedos contra o queixo, pensativo. Ele é um humano — mais especificamente um elfo — enviado desde o distante Império Varyag. Tenho certeza de que ele é mais conhecedor desse tipo de assunto do que eu jamais poderia esperar ser.
| Kirillovich | [Não temos todos os detalhes ainda, mas talvez os combates com o império tenham se intensificado. Nesse caso, o Reino Sagrado pode ter concluído que continuar com as hostilidades abertas contra Merinard simplesmente não vale a pena]
| Kousuke | [Não vale a pena?]
| Kirillovich | [Pense bem. Vocês destruíram uma força de dezenas de milhares de homens com apenas algumas centenas e saíram ilesos. Mesmo as maiores nações não têm soldados infinitos. E cada destacamento custa dinheiro. Agora, imagine gastar esse dinheiro apenas para não ganhar nada, é tolice. Você está apenas queimando dinheiro a esse ponto. Não vale a pena. Além disso...]
| Kousuke | [Além disso?]
| Kirillovich | [Existem riscos demais. Eles sabem que você ainda tem cartas escondidas. Aposto que decidiram cortar os prejuízos]
Cartas escondidas, hm?
Kirillovich parece estar ciente do meu pequeno alvoroço no norte. Isso não é uma grande surpresa — ele teve o inverno inteiro para coletar informações, e eu meio que enlouqueci lá em cima. Não é exatamente o tipo de coisa que eu conseguiria esconder.
| Kousuke | [Então eles querem cortar os prejuízos antes de serem aniquilados?], eu reflito. [Ainda assim, Sylphy e as outras os desprezam demais. Não acho que o Reino Sagrado vai conseguir o que quer tão facilmente]
Os demi-humanos tiveram o seu lar tomado deles e suportaram opressão por mais de vinte anos. Inferno, todo mundo em Merinard, demi-humano ou não, odeia o Reino Sagrado a essa altura. E então há a questão de todos os bens que eles confiscaram, sem mencionar as incontáveis pessoas que levaram para a escravidão, particularmente as elfas que foram sequestradas para que o Reino Sagrado pudesse forçá-las a produzir magos — literalmente. Não é difícil imaginar os horrores pelos quais esses homens e mulheres passaram.
| Kirillovich | [Certamente vai ser difícil], Kirillovich admite. [Como um primeiro passo, presumo que eles vão oferecer uma grande restituição. Além disso, ao longo de vários anos — muito provavelmente de cinco a dez — eles vão oferecer a Merinard vantagens fiscais para o comércio. Ao formar uma relação econômica com Merinard, eles vão tentar evitar lutar uma guerra em duas frentes com vocês e o Império Varyag]
| Kousuke | [Negociar através do mercado, hm? Isso vai sequer funcionar? Não consigo ver Merinard ansiosa para fazer negócios com o Reino Sagrado em primeiro lugar. Não é possível que a Sylphy e as outras escolham uma resistência total em vez disso?]
| Kirillovich | [Acredito que isso seria difícil. Se a Rainha Sylphyel fosse o tipo de governante que utiliza as suas tropas para conquista e genocídio, então talvez. Mas esse não é o jeito dela, é? E Merinard não vai querer perder a chance de vender as suas mercadorias para o Reino Sagrado a preços altos. Guerras não são travadas apenas com sangue e ferro]
| Kousuke | [Entendo. Bem, presumo que isso faça sentido. O termo guerra econômica existe por uma razão. E mesmo se Merinard escolhesse a resistência total e tomasse as terras deles, não teríamos o pessoal para governá-las. Os cidadãos deles são adolistas devotos que nunca escutariam demi-humanos de um antigo Estado vassalo]
| Kirillovich | [Exatamente. É por isso que, se Merinard não tem interesse em expansão e o Reino Sagrado veio bater à porta pensando na paz, então, de uma forma ou de outra, haverá paz entre as duas nações], o tom do Kirillovich é definitivo enquanto ele dá um gole no que agora é um chá morno. Então ele se encosta para trás com um olhar severo. [Dito isso, não é como se Merinard fosse de repente dar as mãos ao Reino Sagrado. Eles sempre terão que ficar de olho em vocês como um inimigo em potencial enquanto continuam a guerra conosco]
| Kousuke | [Isso parece um negócio muito bom para vocês]
| Kirillovich | [Certamente é. Mesmo se Merinard e o Reino Sagrado estabelecerem a paz, este último ainda precisará dedicar tropas e dinheiro para manter a guarda alta contra vocês. Isso vai reduzir os recursos que eles podem dedicar à guerra conosco. Nós saímos ganhando]
Para manter essa prontidão constante, o Reino Sagrado terá que continuar injetando dinheiro em sua máquina de guerra, mesmo durante a paz. O que significa menos para aplicar na guerra ativa que eles já estão travando. Não consigo imaginar que o Reino Sagrado esteja muito satisfeito com isso.
| Kirillovich | [No entanto, eles não vão descansar sobre os louros], ele adiciona.
| Kousuke | [Compreensível]
Kirillovich se inclina para trás no sofá, estreita os olhos e olha para o teto, pensando por um momento. [O Reino Sagrado provavelmente descobriu por que Merinard avançou tão rápido. Em outras palavras, eles sabem sobre você, Sir Kousuke]
| Kousuke | [Sim, isso faz sentido]
Eu estive na vanguarda da guerra contra as nações do norte e depois novamente durante as negociações. Não há como o Reino Sagrado não ter ouvido falar de mim. Eles provavelmente receberam notícias diretamente das próprias nações do norte.
E quem sabe quais informações podem ter vazado da própria Merinesburg. Não prendemos todos os adolistas, nem impedimos as pessoas de saírem de Merinard. Sir Leonard tem a fronteira leste selada, então duvido que tenhamos novos espiões entrando por ali, mas até onde eu sei, não estamos tentando ativamente capturar espiões dentro de nossas fronteiras. Se estão, Sylphy e Melty não me contaram.
| Kirillovich | [No que diz respeito ao Reino Sagrado], Kirillovich continua, [eles vão querer eliminar a causa raiz de seus problemas rapidamente]
| Kousuke | [Os métodos mais óbvios seriam sequestro ou assassinato. Ou talvez incitar o povo a se voltar contra mim?]
| Kirillovich | [Muito provavelmente. O ideal seria que eles quisessem garantir os seus poderes para si mesmos. Mas assim que perceberem que isso não vai acontecer, eles vão se mover para se livrar de você. No que diz respeito ao controle de informações... Hm, não tenho certeza. Eles podem ser bem equipados e treinados na arte de controlar informações internamente, mas não acredito que sejam bons em fazer isso no exterior. É por isso que acho que eles estão provavelmente mais bem equipados para uma ação direta — assassinato ou rapto. Eles são fanáticos. Em nome de seu deus, eles vão jogar as suas vidas fora sem hesitação. Isso os torna... oponentes problemáticos]
| Kousuke | [Sim. Fanáticos são os piores], eu murmuro. [Então você está dizendo que assassinato ou rapto é o mais provável. Faz sentido. Mas se o leste e o oeste estão bloqueados pelo império e por nós, e o sul não é nada além de oceano... isso deixa o norte ou o noroeste]
| Kirillovich | [Talvez. Ou...], os olhos do Kirillovich se estreitam. [Eles podem se aproximar da própria Merinard]
| Kousuke | [Oh? Bem, isso faria sentido também. As terras disputadas com o império são férteis, certo? Eles estão com falta de comida?]
| Kirillovich | [Esse é exatamente o caso. Diga-me, Sir Kousuke — quanto você sabe sobre a vida diária dos cidadãos do Reino Sagrado?]
| Kousuke | [Hm? Honestamente, não muito. Tipo, nada]
Eu sei que é composto por adolistas superfieis, mas isso é basicamente tudo. Não tenho ideia de que tipo de trabalho eles fazem ou como passam os seus dias.
| Kirillovich | [Então escute com atenção. De modo geral, os cidadãos do Reino Sagrado não fazem nenhum trabalho físico]
| Kousuke | [... Espere, o quê?], as minhas sobrancelhas se erguem.
| Kirillovich | [Exatamente como eu disse. Eles não cultivam campos, não carregam fardos. Todo esse trabalho é deixado para os escravos — principalmente demi-humanos]
| Kousuke | [Hah, entendi agora. A facção principal do Adolismo acredita que os demi-humanos nasceram com pecado, e a única maneira de se arrepender é servindo aos humanos puros. Certo?]
Kirillovich inclina a cabeça. Oh? Você é bem informado]
| Kousuke | [Tive os meus motivos para estudar. Mas um país consegue realmente funcionar assim? Essa é uma linha perigosa para se caminhar]
Na minha cabeça, uma sociedade que depende inteiramente de escravos como força de trabalho é, na melhor das hipóteses, instável. Se houver uma revolta de escravos, a produção de alimentos e a atividade econômica vão despencar.
| Kirillovich | [Aparentemente não. O Reino Sagrado existe há séculos, embora a obsessão atual deles com a subjugação de demi-humanos tenha se desenvolvido ao longo dos últimos duzentos ou trezentos anos]
| Kousuke | [É mesmo? Okay, agora que paro para pensar sobre isso, eles dependem daquelas coleiras de escravos e de milagres que podem curar ferimentos e doenças...]
| Kirillovich | [Exatamente. Até onde eu sei, os escravos raramente morrem por ferimentos físicos ou doenças. Ainda assim, um número considerável de escravos morre por causa do ambiente terrível em que precisam viver]
| Kousuke | [Entendi. Acho que peguei o espírito de como é a vida cotidiana por lá, mas como isso se relaciona com os próximos passos do Reino Sagrado?]
| Kirillovich | [Resumindo a história, é por isso que eles invadiram Merinard, é por isso que estão lutando contra o império e é por isso que estão expandindo as suas fronteiras]
Kirillovich está extremamente sério, parecendo um professor ou algo assim.
Hmm... O motivo pelo qual o Reino Sagrado está fazendo tudo isso...
| Kousuke | [Então, a razão pela qual eles invadiram Merinard e a transformaram em um Estado vassalo foi para adquirir escravos demi-humanos para o trabalho e sequestrar elfas para produzir magos. As táticas expansionistas deles visam garantir mais escravos demi-humanos. Quanto ao motivo de estarem lutando contra o império, eles precisam de terras férteis para resolver os seus problemas de escassez de alimentos, e a ideologia deles impulsiona o resto], eu resumo.
| Kirillovich | [Ideologia, você diz?], Kirillovich diz, olhando para mim. [Essa é uma palavra bem sofisticada. Não é o tipo de coisa que se ouve de pessoas que não são filósofos ou cientistas políticos]
| Kousuke | [Sim, não é uma palavra comum. Deixa as coisas maiores do que são. De qualquer forma, trazer o nosso povo de volta — aqueles que foram raptados e forçados à escravidão — não vai ser fácil]
| Kirillovich | [Não, não vai. Eles precisam de escravos para que a sua sociedade funcione. Você poderia até dizer que os escravos fazem parte da infraestrutura, como as estradas e os canais de água. Como um súdito do império, isso faz a minha pele arrepiar], Kirillovich escarra.
O Império Varyag é multiétnico, o que significa que fundamentalmente não consegue concordar com o Reino Sagrado em vários aspectos. Merinard é semelhante nesse sentido.
| Kousuke | [Okay, então isso significa que eles vão avançar para o norte para conseguir mais escravos? Mas eles já têm escravos. Eles vão... reproduzi-los para ter mais filhos?], eu pergunto.
| Kirillovich | [Vai levar algum tempo, mas acredito que seja inteiramente possível], Kirillovich responde. [Se fizerem isso, a sua força de trabalho vai encolher temporariamente e a escassez de alimentos vai piorar. No entanto, eles têm um meio de resolver esse problema, não têm?]
| Kousuke | [Entendi agora. Hmm, vejamos... Então foi isso que você quis dizer quando disse que eles se aproximariam de nós?]
| Kirillovich | [Está correto]
Em outras palavras, Kirillovich está dizendo que eles estão de olho na minha habilidade de produzir alimentos em vastas quantidades. Ao se aproximarem de nós com uma oferta de paz, eles estão dispostos a engolir certas perdas se isso significar chegar perto e comprar quantidades massivas de comida da gente. Do ponto de vista de Merinard, isso seria uma dádiva econômica. Muito mais do que vender para Diieharte, Tigris e para a Federação de Pequenas Nações.
| Kousuke | [Você acha que a Sylphy e as outras vão concordar com isso?], eu pergunto.
| Kirillovich | [Imagino que o Reino Sagrado vai acenar com a ideia de devolver os demi-humanos que tomaram como escravos], Kirillovich diz. [Merinard poderia controlar o fluxo de alimentos que entram no Reino Sagrado, um recurso tático. Não é um mau negócio. Além disso, se garantirem um cessar-fogo por dez a vinte anos, Merinard terá tempo para se preparar para um confronto final com o Reino Sagrado décadas no futuro. Acho inteiramente provável que elas mordam a isca]
| Kousuke | [Então vai ser um bocado de manobra política, hm?]
| Kirillovich | [Sim. E podemos até acabar destruindo o Reino Sagrado nesse período]
| Kousuke | [Eu agradeceria, mas nesse cenário posso imaginar que vocês não ficariam felizes por termos abastecido o seu inimigo com comida]
| Kirillovich | [Também está correto. Se isso acontecer, teremos muitas decisões difíceis e acabaremos tendo que realizar todo tipo de discussões], Kirillovich diz com um dar de ombros.
Em outras palavras, isso pode se tornar muito mais complicado do que 『o inimigo do meu inimigo é meu amigo』.
Urgh, isso vai ser uma dor de cabeça. De verdade.
Alguns dias se passam após o meu pequeno encontro com o Kirillovich.
Os emissários do Reino Sagrado finalmente chegam a Merinesburg e, depois de tirarem um dia para descansar, as negociações começam para valer.
Enquanto tudo isso está acontecendo, sou colocado sob um confinamento rigoroso. Basicamente, fico em prisão domiciliar no palácio traseiro, uma ala isolada bem nos fundos do castelo, reservada para a família real.
Do lado de fora, harpias armadas com bombas de fragmentação antipessoal mantêm vigilância. Ao longo do caminho que leva ao palácio traseiro, membros do esquadrão de fuzileiros montam guarda com metralhadoras encantadas com munição infinita e indestrutibilidade. Bem em frente aos meus aposentos, Shemel e o seu grupo revezam em turnos, totalmente equipadas e vigilantes. Lá dentro comigo estão a Grande e as três garotas slime — Lime, Bess e Poiso. Em outras palavras, estou completamente protegido.
Mesmo uma soberana tão poderosa quanto a Melty não seria capaz de romper se tentasse avançar direto. Quanto a mim, bem... eu provavelmente conseguiria com alguns golens de autodestruição equipados com bombas de Joias Mágicas Brilhantes. Mas isso também nivelaria o palácio traseiro inteiro com o chão, então não é exatamente o ideal.
Então, sim, tecnicamente é uma prisão domiciliar, mas com esse elenco, estamos basicamente apenas relaxando e namorando. As garotas slime conseguem criar clones de si mesmas para monitorar cada ângulo e interceptar intrusos, então, honestamente, toda essa estrutura de segurança é meio que um exagero.
Naquela noite, após o primeiro dia de negociações, Sylphy, Melty e Ira vêm ao meu quarto. Como de costume, Sylphy e Melty ocupam lugares nos meus lados esquerdo e direito, enquanto a Ira se acomoda entre as minhas pernas, apoiando as costas contra mim.
| Sylphy | [Eles não são emissários à toa. As coisas basicamente correram exatamente como você tinha ouvido, Kousuke], Sylphy lamenta, relatando os eventos do dia.
Exatamente como ela disse, as previsões do Kirillovich foram certeiras.
| Sylphy | [Honestamente, faz a gente se perguntar se ele tinha algum tipo de conhecimento prévio sobre o que eles trariam para a mesa], ela adiciona.
| Kousuke | [Duvido disso. Mais provável que mostre o quão bem ele entende o Reino Sagrado. O homem tem muita experiência na bagagem]
E, além do mais, ele provavelmente tem uma sólida compreensão da Sylphy e da Melty como pessoas, bem como do nosso poder político e capacidades de produção. A verdadeira questão é como ele conseguiu as suas informações. Será que ele tem algum tipo de clarividência? Conseguiria usar magia para ver e ouvir coisas à distância?
| Melty | [Deixando os detalhes de lado], Melty diz, [as coisas correram quase exatamente como você disse, Kousuke. Uma proposta de paz, um pedido para iniciar o comércio começando por alimentos, e tratamento tarifário favorável por cinco anos. Se concordarmos, eles vão considerar a devolução dos demi-humanos que tomaram como escravos — incluindo as elfas]
| Kousuke | [Rapaz, Kirillovich realmente acertou na mosca. Ele deve ter uma fonte para as informações dele]
| Sylphy | [Você realmente não pode baixar a guarda com esses países grandes... Como devemos lidar com isso?], Sylphy reclama enquanto cantarola bebericando o hidromel que fiz usando um barril de fermentação.
Aparentemente, ela está azeda assim porque os emissários do Reino Sagrado dominaram completamente o fluxo das negociações naquele dia. Em outras palavras, tudo correu como o esperado. E além disso, Kirillovich — que nem sequer esteve na sala — de alguma forma conseguiu prever como tudo isso se desenrolaria para Merinard.
| Kousuke | [Quero dizer, a essa altura, nós não temos realmente outra escolha], eu digo.
| Sylphy | [Você está certo...], Sylphy murmura, claramente desagradada.
Ela se inclina para trás na cadeira de vime, com o hidromel ainda na mão. A verdade é que Merinard quer evitar uma guerra prolongada com o Reino Sagrado. Temos que implantar tropas dentro do país apenas para manter as coisas seguras, lidando com monstros e bandidos e mantendo a paz. Não temos pessoal suficiente para lidar com isso e lutar uma guerra.
No papel, agora controlamos toda a antiga Merinard. Todos juraram lealdade à Rainha Sylphyel. Mas, na prática?
Eu não tenho tanta certeza.
Este foi um Estado vassalo do Reino Sagrado por vinte anos e, nesse tempo, muitos adolistas se mudaram para cá. Por todo o país, disputas já estão surgindo entre antigos escravos demi-humanos e esses adolistas. Se favorecermos um lado demais, o outro pode começar a causar problemas. Além disso, embora seja ótimo que os demi-humanos não sejam mais escravizados, muitos não têm empregos. Isso significa que não há comida. A menos que abordemos esse problema, o roubo e o banditismo vão aumentar. Isso terá um impacto muito negativo na segurança pública, desgastará a confiança no governo da Sylphy e despertará ressentimento em relação aos demi-humanos em geral.
Enquanto isso, proprietários de empresas adolistas e plebeus de repente se verão sem uma força de trabalho, causando falências por todo o país. E sendo adolistas ou não, eles são cidadãos de Merinard agora, o que significa que temos que ajudá-los também.
E não nos esqueçamos dos monstros. Até agora, as forças estacionadas do Reino Sagrado lidavam com eles, mas agora, a responsabilidade é nossa. Proteger mercadores e fazendeiros é absolutamente vital. O Exército de Merinard tem toneladas de armas poderosas, mas nos falta mão de obra. As pranchas voadoras oferecem uma mobilidade incrível, claro, mas você não consegue resolver problemas sistêmicos apenas se movendo rápido.
Em todo caso, até eu consigo listar uma série de problemas como esse, e eu dificilmente sou a ferramenta mais afiada do armário. Sylphy e Melty, que estão ambas muito mais cientes da situação em campo, têm listas ainda mais longas, tenho certeza.
| Sylphy | [A princesa expulsou os caras maus de seu país, trouxe a paz para a terra, tornou-se rainha e viveu feliz para sempre... Acho que a realidade nunca funciona dessa forma, hm?]
| Melty | [Isso é porque a realidade não é um conto de fadas], Melty diz secamente.
| Ira | [Não existem esperanças nem sonhos aqui], Ira adiciona categoricamente.
| Sylphy | [Agora que estou no comando], Sylphy murmura, [eu realmente sinto o quão incrível o meu pai era]
| Kousuke | [Tudo bem, senhoritas. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar. Vamos a isso], eu digo, acariciando gentilmente a cabeça da Sylphy enquanto ela suspira.
| Sylphy | [... Nesse caso, vamos a isso]
Ela se inclina contra a minha mão, aconchegando-se por mais. Eu atendo ao pedido. Se carinhos na cabeça são o que de que ela precisa para melhorar o humor, vou dar a ela todo o amor que ela quiser.
Ira, Melty... vamos revezar, okay? Eu só tenho duas mãos.
| Kousuke | [Então foi isso que aconteceu ontem à noite]
| Elen | [Parando para pensar sobre isso, Sylphyel pode parecer uma adulta, mas ainda é bem jovem]
| Amalie | [Eu não consigo nem imaginar ela agindo assim com você, Sir Kousuke... Isso honestamente me traz um sorriso ao rosto], Amalie diz com uma risada gentil enquanto costura em um quarto do palácio traseiro banhado pela luz quente do início do verão.
Elen costura ao lado dela, os seus olhos carmesins piscando em uma quietude fascinada. Ambas as mulheres vestem vestidos de peça única soltos que ocultam as suas barrigas salientes. Como eu sei? Porque elas me mostraram, é claro.
Não me façam admitir algo tão constrangedor.
| Elen | [Gostaria de tocar?]
| Kousuke | [Posso?]
| Elen | [Mas é claro. Afinal, é o seu bebê]
Elen guia a minha mão até a sua barriga. A percepção de que o nosso filho está ali dentro desperta algo profundo em mim. Vou ser pai. Honestamente, ainda não parece real.
Descobrimos que a Elen estava grávida no início do ano, enquanto o clima ainda estava frio. Eu estava atolado até o pescoço com os negócios do pós-guerra, tentando descobrir opções de emprego para os demi-humanos recém-libertados, quando a Elen e a Amalie começaram a se sentir mal.
A magia de cura não surtiu efeito nelas, assim como as minhas poções de vida, cura ou veneno. Comecei a entrar em pânico até notar que ambas pareciam felizes apesar de suas condições. Em outras palavras, elas descobriram antes de mim. É claro que sim; no fim das contas, elas são mulheres do clero capazes de invocar milagres.
Neste mundo, homens e mulheres santos que conseguem invocar milagres de cura geralmente possuem uma vasta bagagem de conhecimento médico. O motivo é simples: os milagres funcionam melhor quando o conjurador entende o tipo específico de ferimento ou doença que aflige um paciente. Saber o que curar — ou como — é muito melhor do que tentar curar alguém aleatoriamente. E assim, a maioria dos homens e mulheres do clero que conseguem usar milagres de cura precisa de uma grande quantidade de conhecimento médico.
| Amalie | [Gostaria de tocar na minha barriga também?]
| Kousuke | [Oh, se você não se importa... Whoa]
Quando estendo a mão em direção à barriga de Amalie, ela puxa a minha mão para mais perto e pressiona a minha cabeça gentilmente contra o seu estômago.
Ah, ela quer que eu escute.
| Amalie | [Você está ouvindo alguma coisa?], ela pergunta, acariciando a minha cabeça enquanto a minha orelha está pressionada contra ela.
| Kousuke | [Hm... Nada ainda. Você está no quarto mês, certo?]
| Amalie | [Sim. Acredito que esteja correto. Não tenho mais enjoos matinais, então...]
| Elen | [Isso foi... bem difícil], Elen suspira.
Amalie teve uma situação mais fácil em comparação. Os enjoos matinais da Elen foram brutais. Um mero cheiro de comida era o suficiente para fazê-la se sentir péssima.
| Elen | [Você foi de grande ajuda, Kousuke]
| Kousuke | [Fico feliz que toda aquela tentativa e erro tenham valido a pena]
Eu tentei de tudo para ajudar a dar a Elen algum tipo de alívio. Corri de um lado para o outro para perguntar quais alimentos as grávidas achavam mais fáceis de comer e, então, usando a minha habilidade de criação, fiz todo tipo de comida para ela experimentar. No final, gelatina de frutas cítricas e batatas fritas foram o que funcionou melhor.
| Elen | [Finalmente consigo comer outras coisas agora], Elen diz agradecida.
| Kousuke | [Fico feliz que não tenha durado muito]
Eu tenho confiança na minha infinidade de conhecimentos gerais, mas gravidez ou parto são algo inteiramente diferente. Manuais de sobrevivência nunca cobrem isso. Jogos também não. Geralmente é apenas: 『fulana está grávida』, 『elas deram à luz』. Às vezes você pega uma missão secundária para buscar um médico, mas eles nunca mostram o que as mulheres grávidas comem.
| Kousuke | [Não sei o que posso realmente fazer por vocês duas, mas se houver qualquer coisa de que precisem, não hesitem em pedir. Farei o que estiver ao meu alcance]
| Elen | [Obrigada, mas ficaremos bem. Tenho a Amalie e Bertha comigo, e a Alta Sacerdotisa Katalina aparece regularmente. Todo mundo aqui no castelo tem sido muito gentil. Mas, bem...]
| Kousuke | [O que houve?]
| Elen | [Acho que nós duas agradeceríamos se você viesse nos ver pelo menos uma vez por dia enquanto estiver em Merinesburg]
| Kousuke | [Claro]
Elen sorri com isso. A expressão dela suavizou ultimamente — talvez as mulheres realmente mudem quando se tornam mães. E se ela está mudando, então eu preciso começar a agir como um pai.
| Elen | [Mas não seria prudente focar toda a sua atenção na gente. Certifique-se de também se dar bem com a Sylphyel e as outras]
| Kousuke | [Sim, er, eu sei]
Sylphy está claramente incomodada pela Elen ter passado na frente dela, mas não há muito que alguém possa fazer. Biologicamente, raças de vida longa têm mais dificuldade para conceber.
Hm? E quanto às harpias?
Elas não são uma raça de vida longa. Até onde eu sei, deveria ser tão fácil para elas engravidarem quanto foi para a Elen e a Amalie, mas nenhuma delas jamais mencionou nada para mim sobre estar grávida...
Quero dizer, eu nunca perguntei diretamente, mas com certeza elas não deram à luz aos meus filhos em segredo nem nada... certo?
Certo?
... Espera. Agora estou começando a ficar preocupado. As harpias têm uma ideia de família e casamento muito diferente da minha. As unidades familiares delas são mais parecidas com haréns... então, é. Talvez eu deva apenas perguntar a elas diretamente.
| Amalie | [Você de repente não parece bem. Está tudo bem?], Amalie pergunta.
| Elen | [Está preocupado com alguma coisa? Ficaremos felizes em ouvir...], Elen adiciona.
| Kousuke | [Não, não é nad— mrgh—!]
| Elen | [Você está mentindo], Elen acusa enquanto esmaga o meu rosto.
| Kousuke | [Mm, você não é a santa da verdade à toa!], Elen enxerga direto através de mim e da minha mentira. Eu esqueci totalmente que os olhos especiais dela sempre revelam a verdade.
| Kousuke | [Okay, tudo bem, eu falo! Só estava pensando... As harpias são uma raça de vida curta como vocês, então não seria estranho se algumas delas estivessem grávidas também. É que ninguém nunca me disse nada. E a ideia de família delas é diferente da minha, então e se elas tiveram filhos meus e apenas... nunca me contaram?], eu digo, explicando as minhas preocupações para ambas as mulheres.
| Amalie | [Entendo... Nós também não sabemos muito sobre a cultura das harpias], Amalie admite.
| Elen | [Acho que seria melhor perguntar a elas diretamente], Elen concorda.
| Kousuke | [É, eu imaginei. Vou lá conversar com elas...]
| Elen | [Boa sorte]
Elen e Amalie se despedem de mim, e eu sigo para o lado de fora. Com certeza deve haver uma harpia no dever de segurança, mesmo que eu esteja com um pouco de medo de perguntar a elas.



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