Capítulo 6 - Na Capital
Nossa carroça chacoalhava visivelmente, mas fomos rápidos na estrada e ninguém teve tempo de nos fazer perguntas. Chamei a Rike, que segurava as rédeas da Krul.
| Eizo | [Ei]
| Rike | [Aconteceu alguma coisa?], perguntou ela, virando-se para mim.
| Eizo | [Não ultrapassamos algumas carruagens bem rápidas?]
Nenhuma dessas carruagens viajava em alta velocidade; afinal, os cavalos puxam uma carroça cheia de mercadorias. Mesmo assim, vimos algumas passando por nós na direção oposta e notamos que eram bem velozes. Também encontramos algumas (poucas) carruagens indo na nossa direção que levariam um tempo até mesmo para nossa carroça veloz ultrapassar.
| Rike | [É, normalmente, Krul conseguiria alcançar a maioria das carruagens bem rápido, mas dessa vez levou um tempinho], observou Rike.
| Eizo | [Imaginei], eu respondi.
| Rike | [Espere, você acha...?]
| Eizo | [Eu diria que é provável]
Assenti com a cabeça, sabendo que a Rike havia chegado à mesma conclusão. Nossa carruagem é de construção simples, mas utiliza um sistema de suspensão com molas de lâmina. A velocidade da carruagem da Forja Eizo deve-se, em grande parte, ao poder bruto da Krul, mas as molas também sustentam nosso veículo e aumentam nossa velocidade.
As estradas por todo o reino não são pavimentadas nem bem conservadas. Esses caminhos são endurecidos e desgastados pelo tempo, graças às muitas pessoas que caminham e cavalgam por elas. Podem até receber manutenção ocasionalmente, mas as rodas das carruagens ainda batem nas superfícies irregulares, tornando a viagem desconfortável. As molas de lâmina absorvem o impacto da estrada irregular, proporcionando uma experiência mais suave para os passageiros, e também ajudavam as carruagens a se moverem suavemente.
Eu havia ensinado o Camilo sobre essa tecnologia. Quero evitar afetar muito o avanço tecnológico deste mundo, mas o sistema de suspensão com molas de lâmina é um projeto simples e eu não acho que mudaria muito a história. Eu espero que meu amigo possa aproveitar minha ideia. A última vez que ouvi falar dele, ele estava quase conseguindo produzir em massa a ideia das molas de lâmina... mas todas essas carruagens velozes ao nosso redor me fizeram pensar que ele havia monetizado com sucesso o sistema de suspensão.
Talvez chegue o dia em que a Krul terá dificuldades para ultrapassar outras carruagens. Como vou consolá-la e animá-la então? Bem, acho que não preciso me preocupar com a Krul se sentindo mal por enquanto.
Enquanto eu ponderava sobre isso, nossa carroça puxada por dragonete, auxiliada pelo sistema de suspensão, seguia pela estrada, em direção à capital.
Depois de um tempo, lajes de pedra substituíram a terra batida da estrada rural — isso é a prova de que a capital está muito perto. Em termos de táticas militares, provavelmente seria imprudente tornar o caminho para a capital fácil e tranquilo, mas o centro do reino tem aparências e dignidade a zelar. Seria indelicado ter uma estrada esburacada até a capital. Nossa carroça, que estava balançando um pouco antes, começou a rolar com mais suavidade. A estrada é claramente muito mais plana aqui.
Diana olhou para o horizonte. [Estamos perto]
Todos assentimos. Ainda levará um bom tempo até descobrirmos exatamente o que está acontecendo na capital, e estamos bastante nervosos com o que o futuro nos reserva.
O clima foi repentinamente quebrado quando uma voz alta e tranquila exclamou: [Olá!]
Isso veio da beira da estrada, não é? Parece a voz de uma senhorita... Virei-me na direção da voz e avistei um rosto familiar.
| Eizo | [Catalina!], eu exclamei.
Enquanto a cumprimentava, o resto da minha família acenou. Ela disparou em direção à nossa carroça com uma velocidade incrível. Rike puxou levemente as rédeas, diminuindo a velocidade da Krul, e isso foi mais do que suficiente para a Catalina alcançá-la. Ela saltou para a nossa carroça com a maior elegância e graça. Ágil como sempre, eu entendo... Francamente, não tenho certeza se uma serva deveria ser tão ágil...
| Catalina | [Você está transportando algo importante!], exclamou Catalina. [Pensei em te pegar na floresta, mas não queria te perder!]
| Eizo | [Entendo], eu respondi.
| Catalina | [Rike, eu posso assumir o controle — você pode simplesmente relaxar!]
| Rike | [Huh?], os olhos da Rike se arregalaram. [Ah! Muito obrigada!]
Surpresa com a energia da Catalina, Rike obedientemente se afastou do assento do cocheiro. Assim que os prédios da capital começaram a aparecer, perguntei a Catalina se ela sabia algo sobre a situação em que estamos envolvidos.
| Catalina | [Bem], disse ela. [Não parece nada bom! Posso te garantir!]
Ela parece ter alguma noção, mas não forneceu muitas informações. O que significa que provavelmente não devo insistir por enquanto.
| Catalina | [Sabe, outro dia...], Catalina começou.
Ela é como um rádio — nos informando rapidamente sobre os acontecimentos sem parar para respirar, e todos ficamos em silêncio, ouvindo nervosamente seu relato. Quando nossa carroça chegou à entrada da capital, ela tirou uma ficha de madeira do bolso, permitindo-nos entrar sem problemas. Por ora, aquela carroça puxada por um dragonete pertence à Casa Eimoor, a cocheira é uma funcionário da Casa Eimoor, e nós temos até um passe de entrada — não há necessidade de explicar nossas identidades aos guardas no portão.
E assim, apesar do horário matinal, conseguimos furar a longa fila de pessoas que esperavam para entrar na capital. Eu quase podia sentir algumas pessoas nos lançando olhares fulminantes enquanto cortamos a fila e entramos em alta velocidade. Parece que estamos com pressa hoje, então posso fingir que não vi, mas eu não gostaria de furar a fila para a capital em momentos menos urgentes (embora eu também não visite a capital para assuntos menos urgentes de qualquer maneira). Receber esses olhares não é agradável; normalmente não vale a pena furar a fila. Ugh, essa mentalidade de me recusar a me destacar deve vir da minha origem japonesa. Eu realmente não quero ser considerado estranho — provavelmente não deveria tocar nesse assunto com mais ninguém.
Nossa carroça correu pela capital. Um dragonete não é uma visão comum, mesmo em um lugar tão diverso como este. Sob os olhares curiosos da população, seguimos direto para o centro da cidade — o coração da capital protegido por duas camadas de muralhas, onde residem principalmente os nobres. Embora tenhamos atraído alguma atenção no centro, ninguém foi tão grosseiro a ponto de pedir para comprar nossa dragonete. Nossa cocheira é uma funcionária da casa de um conde em ascensão que tem ligações com o marquês — esse fato provavelmente também ajudou.
Depois de um curto período, nossa carroça chegou à residência dos Eimoor. Matthias saiu imediatamente para nos cumprimentar. Ele é um pouco reservado, um homem de poucas palavras, mas muito atencioso e gentil. Ele é o mestre dos cavalos da Casa Eimoor, e eu o conheci durante a campanha de subjugação dos monstros.
| Matthias | [Ei], disse Matthias, levantando a mão para me cumprimentar. Ele não está sorrindo, mas, para os padrões dele, está sendo muito amigável conosco.
| Eizo | [Olá], eu respondi. [Desculpe incomodá-lo, mas vou deixá-las aos seus cuidados]
Eu estou falando da Krul, Lucy e Hayate. Maribel está escondida no bolso da Helen; Ela não deu um pio, e o Matthias não a notou. Eu também mantive a Maribel escondida durante a viagem, já que a presença de uma espírito do fogo em público só levantaria mais perguntas. Eu a escondi do Matthias por causa dele — não queria que esse segredo o afetasse psicologicamente. Ele não é expressivo, mas parece péssimo em mentir, e a ignorância é realmente uma bênção. Acho que isso será melhor para ele.
| Matthias | [Claro], respondeu Matthias com um aceno de cabeça. Ele até esboçou um sorriso desajeitado. Essa é a expressão mais alegre que ele consegue demonstrar, e eu sei disso muito bem.
Descemos da carroça, carregando a caixa que contém a Garra do Dragão Divino. Nesse momento, tivemos que nos separar da Krul, Lucy e Hayate por um breve instante. Catalina, apesar de manter seu tom descontraído de sempre, nos apressou e nos guiou para dentro da mansão.
Eu já estou bastante acostumado com essa vista. Esta é a casa do meu amigo, mas mesmo assim, eu não acho que um simples ferreiro deva ter a honra de visitar sua residência suntuosa com tanta frequência. No entanto, a verdade é que eu conheço bem aquele lugar — o suficiente para saber a disposição geral dos cômodos e para onde eu estou indo. Se minha memória não me falha, estamos indo para uma sala de estar grande o suficiente para grupos, e eu presumi que é lá que descobriremos mais detalhes sobre o atual desastre. O que me lembra...
| Eizo | [Onde está o Bowman?], perguntei a Catalina.
Bowman, que tem um físico imponente, é o mordomo-chefe desta mansão. Normalmente, ele é o primeiro a nos cumprimentar e nos guiar até a casa. Ele está ocupado atendendo outros hóspedes?
| Catalina | [Ah, bem, ele tem outros trabalhos para fazer], disse Catalina, olhando para mim e franzindo levemente a testa.
| Eizo | [Entendo], tudo bem, não vou me intrometer.
Catalina se virou para frente quando chegamos ao nosso destino. Ela bateu na porta que é tão familiar.
| Catalina | [Já estamos entrando], ela disse.
| Marius | [Podem entrar], respondeu Marius de dentro.
Ela abriu uma das portas duplas e nos convidou a entrar; todos nos curvamos diante da Catalina ao entrarmos na sala. Não me surpreendi com os rostos reunidos à nossa frente: Marius, Camilo e o marquês. Chamar eles de 『a turma de sempre』 me faz sentir como se eu fizesse parte disso, e eu realmente não quero...
Após uma breve saudação, fomos convidados a nos sentar, e todos nos sentamos. Coloquei a caixa com a Garra do Dragão Divino sobre a mesa. Assim que todos se acomodaram, Marius quebrou o silêncio.
| Marius | [Então, vamos começar?]
| Gregor | [Muito bem], o marquês assentiu solenemente.
Ele parece um pouco irritado com toda essa confusão. Isso é uma questão política? Quero dizer, para ser justo, eu não esperava que fosse nada além de política.
| Marius | [Ah, desculpe], Marius apontou para a caixa sobre a mesa. [Antes de irmos ao assunto principal, isso é o que eu estou pensando?]
Eu assenti. [Você pode dar uma olhada aí dentro, se quiser]
| Marius | [Sério? Não se importe se eu der uma olhada...]
Ele pegou a caixa e a abriu delicadamente. Camilo e o marquês se aglomeraram ao redor do Marius para também espiar lá dentro. Camilo não tem o status necessário, mas se o marquês estava tão curioso, ele mesmo poderia ter aberto.
Marius engasgou.
| Marius | [Whoa...]
Ele retirou reverentemente a Garra do Dragão Divino da caixa, quase como se a estivesse oferecendo a um deus. Passou os dedos pela lâmina, parecendo inquieto.
| Eizo | [Eu também dei um nome a ela], eu disse. [Garra do Dragão Divino]
| Marius | [Incrível], respondeu Marius. [Parece mesmo que você cortou a garra de um dragão de verdade]
Camilo e o marquês assentiram. Camilo então disse: [Confio em suas habilidades, Eizo, então sabia que você faria algo de tirar o fôlego, mas isto? Isto... é absolutamente deslumbrante. Será um presente mais do que adequado para o império]
| Gregor | [E se eles ousarem recusar este presente, eu o comprarei de você por um bom preço], acrescentou o marquês.
Todos riram, mas o clima alegre se dissipou rapidamente.
| Marius | [Bem, vamos ao que interessa?], perguntou Marius.
Ouvi alguém na sala engolir em seco, nervoso.
| Marius | [Tínhamos planejado manter este presente da faca de oricalco em segredo até o dia em que o apresentássemos ao império], explicou Marius.
| Eizo | [Esse seria o primeiro passo na investigação das facas falsificadas da Forja Eizo, certo?], eu perguntei.
Ele assentiu. [Sim]
Facas falsificadas da Forja Eizo estão circulando na capital, e esta faca de oricalco deveria ser o gatilho — um enviado do império alegará ter comprado uma faca popular no reino. Será então que poderemos afirmar abertamente que eles têm uma falsificação, provocando assim uma investigação adequada.
Durante os interrogatórios, a facção do duque dissidente será a primeira a cair na linha de fogo — ele está em conflito político com o marquês e o Marius, que pertencem à facção dominante. Embora sua facção não seja grande dentro do reino, o duque ainda é parente do rei e, portanto, exerce bastante poder. Nosso plano é desferir um golpe duro no duque e seus subordinados. Nem preciso dizer que a facção do duque não deveria saber de nada disso antes do plano ser colocado em prática. Se ele descobrir, e o Marius insistir no plano mesmo assim, o duque provavelmente tentará descobrir a origem da faca de oricalco. Então, seria apenas uma questão de tempo até que ele perceba a farsa, o que prejudicará a facção principal.
Espere, isso significa...
| Marius | [A facção do duque descobriu nosso esquema], disse Marius, confirmando exatamente o que eu havia imaginado.
| Eizo | [Você sabe quem vazou a informação?], eu perguntei.
Ele franziu levemente a testa. Acho que minha pergunta não foi inadequada, mas eu não deveria perguntar?
Marius deu um pequeno suspiro. [Mais ou menos, sim], ele confessou.
Como apenas alguns poucos sabem do plano, por eliminação, provavelmente não foi difícil identificar o suspeito. E eu provavelmente também sou um dos suspeitos. Vivi tranquilamente na Floresta Negra, então tive ampla oportunidade de deixar escapar esse plano para a facção do duque enquanto habilmente encobria meus rastros. Eu seria o suspeito... visto que o resto da minha família se manteve em silêncio sobre isso, é claro. Só posso esperar estar no fim da lista de potenciais culpados, em vez de no começo.
| Eizo | [Então, acabou para esta faca de oricalco? Sem mais nada a desempenhar?], eu perguntei, apontando para a Garra do Dragão Divino, que havia sido devolvida à caixa.
Marius balançou a cabeça. [Independentemente de tornarmos isso público ou não, temos que entregar a faca ao enviado do império. Afinal, estamos apenas pegando o oricalco emprestado. Mas a questão principal é—]
| Gregor | [Como podemos lidar com a questão das facas falsificadas da Forja Eizo], concluiu o marquês. Seu olhar poderoso e digno está direcionado a mim, emanando pressão.
| Eizo | [Bem, para ser sincero, não tenho pressa nenhuma em resolver o problema], revelei.
| Gregor | [Oho?], perguntou o marquês, arqueando uma sobrancelha. Ele esperava que eu ficasse furioso com as falsificações circulando no mercado?
Eu sorri para ele. [Não consigo imaginar que nossos produtos sejam inferiores a essas falsificações]
A sobrancelha do marquês se ergueu ainda mais.
| Eizo | [É óbvio, mas as facas que eu fabrico superam facilmente qualquer falsificação no mercado], eu disse. [E o mesmo pode ser dito das facas que os membros da minha família forjaram. Se você precisar adiar um pouco o problema — se precisar de mais tempo — a Forja Eizo não tem problema nenhum com isso]
| Gregor | [Tem certeza?], perguntou o marquês.
| Eizo | [Sim. Embora, obviamente, eu não gostaria que você as deixasse à solta para sempre. Isso prejudicaria não só o nosso negócio, mas também o do Camilo]
| Gregor | [Claro], o marquês assentiu profundamente com a cabeça.
Se os negócios do Camilo derem errado, o marquês terá um mercador a menos em quem confiar. Claro, perder um não seria um grande problema para alguém tão poderoso quanto o marquês, mas o Camilo é amigo de um ferreiro (eu) que possui habilidades misteriosas, e também tem conexões no império e na região nórdica. Embora eu não tenha certeza se o Camilo é reconhecido publicamente pelo império, é verdade que ele havia recebido permissão diretamente do próprio imperador para vender mercadorias dentro do reino. O marquês definitivamente não está disposto a deixar um mercador assim fracassar. Fazer isso levaria o império a duvidar das habilidades do marquês e, por extensão, das da principal facção do reino. Nenhum nobre está disposto a ser subestimado.
| Gregor | [Sei muito bem que teremos que persegui-los um dia], disse o marquês.
| Eizo | [Bem, talvez possamos apenas esperar para ver por enquanto], eu sugeri.
| Gregor | [Mas...]
O marquês cruzou os braços enquanto o Marius tentava oferecer ajuda.
| Marius | [Veja bem, embora Sua Majestade em pessoa possa não estar presente desta vez, alguns figurões aparentemente estarão lá], explicou Marius.
| Eizo | [Se você causar um grande alvoroço na frente dessas pessoas, poderá garantir, pelo menos, que este assunto não será silenciado], eu imaginei.
| Marius | [Exatamente. Se apenas o enviado do império estiver presente, isso significaria muito pouco. O pessoal do império voltará para casa e, francamente, eles não se importam com os assuntos do reino. Mas se pudermos causar um grande alvoroço na frente deles, as pessoas certamente se importarão — e com ordens de um dos figurões do império nos apoiando, poderíamos ter uma chance de encurralar a facção do duque sem nos preocuparmos com como eles podem tentar interferir ou nos impedir]
| Eizo | [Justo...]
Eu havia vivenciado algo semelhante na Terra. Ao envolver meu chefe ou outros supervisores, o assunto foi escalado, forçando assim uma empresa a agir e fazendo com que uma determinada situação progredisse. Deve ser assim. O truque é envolver pessoas acima de você, mas também garantir que não chegue muito acima — você não quer que pessoas com muito mais poder sejam alertadas sobre essa situação. Mas acho que não vou precisar desse truque aqui.
| Marius | [Não sabemos quando teremos outra oportunidade como esta. Não queremos perder esta chance], disse Marius.
| Eizo | [E seria péssimo se eles usassem a Garra do Dragão Divino contra nós, nos forçando a revelar a origem do oricalco], eu acrescentei.
Marius assentiu. [Mas acho que não adiantaria muito se mostrarmos uma de suas facas como referência durante a reunião]
| Eizo | [Sim. À primeira vista, minhas facas verdadeiras e as falsas parecem quase idênticas]
| Marius | [Só humilharíamos o enviado do império. O presente de oricalco provavelmente anularia qualquer ofensa, mas...], Marius fez uma pausa enquanto encarava o resto da minha família. [Embora me doa pedir, gostaria de contar com a sua ajuda, minha senhorita]
Ele olhava para a Anne, que apontou o dedo para si mesma, sem expressão.
| Anne | [Eu?], perguntou ela, perplexa.
Marius assentiu. [É constrangedor para mim dizer isso, mas você ainda é a sétima princesa imperial]
| Anne | [De fato. Embora, admito, eu preferisse esquecer meu status]
Ela parece firme; obviamente, está falando extraoficialmente e mantendo sua posição em segredo (embora sua identidade não seja exatamente um segredo, já que ela não se disfarça). Isso não importa ali, porém — estamos discutindo assuntos altamente confidenciais, e nada do que for dito sairá desta sala. Também não há preocupação de que nossa conversa seja gravada, então, a menos que seja anotada em algum lugar, tudo será apenas boato.
Como princesa imperial, Anne deve saber o peso do que acabou de dizer...
Camilo e Marius não são os únicos presentes — o marquês também está aqui, e a ideia de que a Anne quer renunciar ao seu título deve ser uma grande notícia para ele. Se a Anne estiver falando sério sobre sua reivindicação, o marquês, sem dúvida, encontraria um jeito de permitir que ela viva oficialmente no reino, sem questionamentos. Mas nem o Camilo nem o marquês parecem ansiosos para tirar proveito das palavras da Anne, e permaneceram tão impassíveis quanto o Marius enquanto ele prosseguia com seu pedido.
| Marius | [Em outras palavras, você tem uma posição superior à do enviado], disse ele.
| Anne | [Contanto que meus irmãos e irmãs mais velhos não venham], respondeu Anne.
Ela é a sétima princesa imperial e, como seu título indica, tem seis irmãos mais velhos. Acho que já ouvi falar de dois deles, mas ela deve ter vários irmãos mais velhos também. E, em termos de hierarquia, eles estão acima da Anne. Em linhas gerais, aqueles mais próximos do trono detêm mais poder, e se ela tiver irmãos mais novos, eles também estariam acima dela na hierarquia.
| Eizo | [Há alguma chance de eles aparecerem?], eu perguntei.
Anne balançou a cabeça negativamente. [Acho que não]
Ela deixou os ombros caírem exageradamente. Anne tinha ido até minha cabine para negociações, então não é totalmente implausível que a sexta princesa imperial venha com o enviada. Mas eu sei que o caso da Anne foi extremamente raro e apenas uma exceção à regra. A família imperial não deixará a fortaleza imperial tão facilmente... isto é, exceto Sua Majestade Imperial.
| Marius | [Então vamos descartar essa possibilidade por enquanto], disse Marius com um sorriso. Por um instante, o clima na sala ficou mais leve. [Em resumo, eu gostaria que você levasse este assunto adiante como uma pessoa do império]
Anne estreitou os olhos. [E como exatamente isso beneficiaria o império?]
Antes de se juntar à minha família, ela ocasionalmente nos lançava esse olhar, que lembra o de um predador que avistou sua presa. A pergunta da Anne foi extremamente simples. Claro, se ela fizesse um escândalo, o reino poderia se unir em torno dela e transformar isso em uma causa nobre. Mas se o reino usar as complexidades do apoio da princesa imperial para fundamentar seu argumento, quaisquer responsabilidades daí decorrentes recairão parcialmente sobre o império. Portanto, é óbvio que o pagamento terá que valer o risco — Anne claramente não está disposta a concordar com esse plano sem nada em troca.
| Marius | [Prepararei uma recompensa adequada], disse Marius. [Posso lhe prometer isso]
| Anne | [E haverá uma recompensa para nós também, certo?], perguntou Anne.
Os dois sorriram, e embora pareça uma conversa amigável, o clima é tudo menos tenso.
| Samya | [Eles são como uma cobra e um falcão se encarando], murmurou Samya.
Todos nós assentimos discretamente em concordância.
| Marius | [Sim, claro], respondeu Marius com um aceno de cabeça.
Eu não tenho certeza se ele não tinha ouvido a observação da Samya ou se havia decidido ignorá-la, mas o Marius prosseguiu com a conversa. O 『nós』 a que Anne se refere não é o império, mas nossa família — Forja Eizo. Francamente, tínhamos recebido bastante gentileza e boa vontade do reino. Um homem como eu, que supostamente veio da região nórdica e havia fornecido pouca ou nenhuma informação sobre minha história, tenho permissão para viver em um lugar misterioso como a Floresta Negra, sem perguntas. Minhas circunstâncias são mais do que suspeitas.
Normalmente, eu seria amarrado e enviado de volta para a região nórdica ou forçado a viver na cidade e mantido sob estrita vigilância. É verdade que a floresta em que eu vivo é um lugar de segredos dentro do reino — ou pelo menos na área ao redor da cidade — e também é bastante perigosa. O lugar perfeito para manter uma pessoa escondida da população. Mesmo assim, eu sinto que é uma relação de troca. Eu provavelmente sou um dos melhores ferreiros do mundo, embora devo isso as minhas trapaças, e forneço meus produtos quase exclusivamente ao reino. Também não me envolvo em muitos (apenas alguns) assuntos políticos, provavelmente graças ao Marius e ao Camilo, que me protegem o máximo possível.
E eu aposto que o marquês também não quer desagradar o Marius. Se o Marius insistir em algo, na maioria das vezes, o marquês cede. Afinal, os dois agora são parentes. E quem poderia culpá-lo por mimar o jovem nobre promissor que ele um dia acolheu? O conde agora faz parte da família do marquês. Mas, é claro, eu suspeito que o marquês tenha seus próprios planos.
Eu sei que tudo isso se deve aos esforços do Marius e do Camilo, que me impediram de ser arrastado para assuntos problemáticos, e como eu lhes sou grato por isso, realmente não preciso de muito em troca. Mas dizer isso aqui seria um erro. Praticamente toda a minha família (com exceção da Samya) tem me dito ultimamente para aceitar qualquer coisa que as pessoas estejam dispostas a me dar. Elas têm me importunado sem parar. E assim, permaneci em silêncio a pedido da Anne.
| Marius | [Primeiro, posso fornecer ao império sementes que permitirão que vocês cultivem plantações até mesmo nos vales de sua nação], disse Marius.
Anne engasgou, com os olhos arregalados. [Sério?!]
Isso é uma grande conquista para o império. A paisagem lá é montanhosa e as planícies, desoladas. Essas plantações podem ser um verdadeiro impulso para o poder nacional.
| Marius | [Claro. E não vamos simplesmente dar a vocês], respondeu Marius.
| Anne | [O que você quer dizer?], perguntou Anne.
O conde olhou para o marquês, que assentiu com serenidade.
| Marius | [A república tem agido de forma bastante suspeita ultimamente], revelou Marius.
| Eizo | [Oh, é mesmo?], eu respondi. A república faz fronteira tanto com o reino quanto com o império, segundo meu conhecimento prévio.
Anne franziu levemente a testa enquanto encarava o Marius. [Eles não mantinham uma postura neutra em relação ao reino e ao império?], perguntou ela.
| Marius | [De fato. Deveriam, pelo menos], respondeu Marius. [Mas recentemente, eles têm reunido algumas tropas]
| Anne | [Eles ainda precisam de armas e armaduras, não é? Ouvi dizer que a república não tem muitos estoques]
| Marius | [Exatamente]
Conforme a conversa prosseguia, eu não conseguia esconder meu choque. Como o reino e o império sabem de todas essas informações altamente confidenciais? As duas nações são hábeis em coletar informações, a república está simplesmente cheia de brechas, ou é um pouco de ambos?
| Anne | [Ah, agora entendi], disse Anne com um aceno de cabeça.
Os outros membros da Forja Eizo estão perplexos com essa troca de palavras.
| Marius | [Só por precaução, concordamos em fornecer armas ao império. E, claro, essas armas terão um gato gordo em seus punhos. Então, em troca da sua cooperação, forneceremos as sementes para ajudar sua nação], explicou Marius com uma piscadela.
Anne pareceu um pouco preocupada enquanto sorria. [E então? O que eu preciso fazer?]
| Marius | [Oh, nada de especial]
Os olhos da princesa se arregalaram de surpresa.
| Marius | [Só preciso que você aja como a sétima princesa imperial], esclareceu Marius. [Sério, é só isso]
| Anne | [Poderia me dar mais detalhes?], perguntou Anne.
Marius assentiu. Desta vez, ele não se virou para o marquês, então eles devem ter planejado nos explicar tudo desde o início. Estamos chegando ao cerne da questão e, percebendo isso, Anne endireitou-se.
| Marius | [É tudo muito simples, na verdade], disse Marius. [Quem tem a posição mais alta entre nós?]
| Anne | [Provavelmente eu], respondeu Anne.
| Marius | [Exatamente. Sem dúvida, teremos algumas pessoas de alto escalão presentes também, mas você é uma convidada do nosso reino]
A expressão da Anne mudou ligeiramente — provavelmente ninguém percebeu, exceto sua família. Nós a conhecemos muito bem.
| Marius | [Se quisermos agravar essa questão, não precisamos que você cause alvoroço], continuou Marius. [A faca de oricalco ainda será apresentada ao enviado, mas se uma falsificação da Forja Eizo também for descoberta no local... Bem, a situação se tornará automaticamente mais séria. Especialmente se a sétima princesa imperial estiver presente]
| Anne | [E se, no fim das contas, todos decidirem que comprar da Forja Eizo é muito trabalhoso? Que separar armas autênticas das falsificações dá muito trabalho? E se todos os nossos clientes decidirem simplesmente comprar armas de outra forja?]
| Marius | [Se isso acontecer...], Marius fez uma pausa. O silêncio se instalou na sala, e o resto de nós o aguardou com a respiração suspensa. [Camilo talvez tenha que sofrer um pouco]
O conde sorriu, e eu quase perdi a compostura. Camilo deu uma risada alta e forçada enquanto o Marius se virava para mim.
| Marius | [E Eizo, eu realmente sinto muito, mas se essa for a conclusão a que o reino chegar, terei que obedecer — não poderemos mais equipar nossos soldados com suas armas], disse ele. [Mas é claro, nosso objetivo principal é agravar a questão das falsificações e conduzir uma investigação completa]
Concordei com a lógica. [Não me importo]
Sim, os lucros do Camilo sofrerão um impacto temporário nesse cenário, e sim, ele pode perder o reino como cliente por um tempo (pelo menos em relação à venda de armas), mas esses são os problemas dele. Eu tenho certeza de que ele encontrará imediatamente outro lugar que queira comprar meus produtos. E se um de nossos pedidos regulares for cancelado, isso não nos afetará muito. Francamente, há muitos projetos que eu posso concluir com mais tempo livre.
Marius sorriu mais uma vez. [Que alívio]
Ele não parecia visivelmente à vontade, porque provavelmente já havia previsto minha resposta. Ele não está se aproveitando de mim nem nada. Ele apenas confia em mim... eu acho. Quero dizer, somos amigos, certo?
| Marius | [Mas acho que isso não vai acontecer], ele continuou.
| Eizo | [Por que não?], eu perguntei.
| Marius | [Você pode não se importar, Eizo, mas uma vez que o reino promete comprar algo, a menos que as mercadorias sejam absolutamente terríveis, temos que cumprir nossa parte do acordo e concluir a transação. Nossa dignidade e confiança seriam prejudicadas caso contrário]
| Anne | [Justo], disse Anne, exibindo um sorriso ligeiramente assustador. [Certo. Agora entendi o que devo fazer e o que minha nação receberá em troca. Mas o que nós receberemos? Poderia me esclarecer?]
Anne está sorrindo, de fato, mas eu sei que seu próximo passo dependerá da resposta do Marius. O resto da Forja Eizo engoliu em seco, nervosos.
Mais uma vez, aqueles dois parecem uma cobra e um falcão se encarando... Quero dizer, ambos estão sorrindo e parecem calmos, mas isso só os torna mais aterrorizantes. Fico até aliviado que a Diana não se envolva em situações como essa com frequência.
Embora o Marius esteja envolvido em uma discussão um tanto acalorada com a Anne, ele provavelmente quer acalmar as preocupações da Diana e aliviar sua tensão mental o mais rápido possível.
| Marius | [Acho que rastrear os impostores e destruir os culpados lhe trará muitos benefícios], começou Marius.
Diana tentou se levantar em protesto, mas a Anne lançou-lhe um olhar fulminante — Diana permaneceu sentada. Ainda assim, Marius tem razão. De todos os envolvidos nessa confusão, nossa forja será a que mais se beneficiará com a eliminação desse esquema de falsificação. E já que ganharemos algo com isso, é natural que ajudemos. Marius não está errado em insistir nisso, e se eu estivesse sozinho, teria concordado e voltado para casa, satisfeito com o acordo.
Marius sorriu mais uma vez. [Mas...], murmurou ele. [Suponho que isso não será suficiente. O reino ganharia muito e daria muito pouco em troca]
| Anne | [Exatamente], concordou Anne. [Mesmo de improviso, há muitas maneiras de o reino tirar proveito dessa situação]
Eu não tenho certeza se o Marius está se fazendo de desentendido, mas a Anne está se aproveitando da situação. Olhei para o marquês, que permaneceu indiferente como sempre — ele não se opôs à conversa. Se alguém não o conhecesse, presumiria que o marquês estaria chateado, mas essa é sua expressão neutra. Não sou alguém para falar... Aparentemente, minha expressão facial normal também é bem assustadora. Mas, ei, não vou tocar nesse assunto.
| Marius | [E para preencher essa lacuna, nossos oficiais discutiram uma recompensa adequada], disse Marius.
Alguém engoliu em seco, nervoso. Essa recompensa provavelmente determinará se aceitaremos ou recusaremos seu pedido. Eu provavelmente precisarei tomar essa decisão final. Estou genuinamente curioso para saber qual recompensa ele quer nos oferecer pelo nosso trabalho.
| Marius | [A princípio, pensamos em moedas de ouro, mas tenho certeza de que vocês têm o suficiente], disse Marius. [E então pensei em minérios raros, mas não tenho nenhum para oferecer]
Os pedidos do Marius geralmente me rendem um bom lucro — ganhei uma boa quantia com esta última encomenda também. E embora eu ganhe a maior parte do meu dinheiro vendendo para o Camilo, às vezes consigo algum dinheiro de outras fontes.
Deixando de lado as coisas que a Forja Eizo possa precisar, o que eu quero? Normalmente, eu cobiço minérios raros, mas eles não são fáceis de encontrar. E se fossem comuns, não seriam raros para começo de conversa! Além disso, nossa forja já possui uma pequena coleção de metais preciosos. Acho que não me importaria com mithril agora. Eu estou brincando, é claro, mas já temos adamantita e hihiirokane consagrados na kamidana, e eu não estou muito a fim de trabalhar com mithril novamente antes de forjar com esses dois.
Isso me lembra, lá na Terra, comprei um kit de modelo de plástico de um mecha em uma loja de eletrônicos. Estava empolgado no meu dia de folga e fiz uma compra por impulso, mas nunca cheguei a montar aquela coisa...
| Marius | [Mas você não está interessado em terras ou um título, está?], perguntou Marius, lançando-me um sorriso forçado.
Assenti firmemente. Eu realmente não quero me envolver com nada disso... Na verdade, eu nem quero que meu nome fique rabiscado em um canto da história deste mundo. Se eu algum dia conseguir terras, tenho certeza de que a Lady Frederica fará a devida anotação, e meu nome estará nos registros. Prefiro evitar isso completamente.
| Marius | [Então, aqui está o que temos], disse Marius. Ele enfiou a mão no bolso e tirou algo de madeira.
Anne pareceu surpresa. [Isso... Huh?]
| Eizo | [O que foi?], eu perguntei. [Isso é ruim ou algo assim?]
Anne pegou delicadamente a pequena etiqueta de madeira e me mostrou. Dois emblemas decoram a superfície. Espere, acho que já vi isso em algum lugar no meu conhecimento... Onde está mesmo?
Enquanto eu vasculhava minhas memórias, Anne me deu a resposta. [Este é um passe — um passe gravado com o brasão da família real do reino e o brasão do imperador], explicou ela.
O do imperador e o da família real?! Em outras palavras, ambos estariam atestando minha identidade.
| Eizo | [Só para deixar claro — este brasão não é o que Sua Majestade usa, certo?], eu perguntei.
| Marius | [Certo. Nosso rei não pode lhe dar seu apoio pessoal, nem seus irmãos ou seu filho], explicou Marius. [O brasão neste passe representa um ramo separado e menor da família real. Mas fique tranquilo, você recebeu o apoio deles, e eles ainda são bastante poderosos]
Pela enésima vez hoje, Marius sorriu para a Anne.
| Anne | [E meu pai — quero dizer, o imperador forneceu seu brasão?], perguntou Anne.
| Marius | [Bem...], disse Marius, parecendo um pouco confuso. [Eu mencionei que um emblema do império como um todo seria suficiente, mas ele acabou enviando sua insígnia pessoal]
Anne soltou o maior suspiro até então. Eu quase podia imaginar o sorriso travesso do imperador zombando dela.
| Anne | [Tenho certeza de que ele fez isso de brincadeira, mas se o império não se importa, tudo bem], disse Anne.
| Marius | [O enviado que nos trouxe isso parecia bastante preocupado], comentou Marius.
| Anne | [Sem dúvida porque o brasão que o imperador forneceu é diferente do que foi solicitado]
| Marius | [De fato. O enviado fez questão de nos dizer que seu pai colocou seu brasão pessoal nesta etiqueta]
| Anne | [Ele é o tipo de pessoa que faz isso], Anne deu outro suspiro pesado.
Helen olhou entre nós, parecendo um tanto perdida naquela conversa, e então perguntou: [Hum, então o que isso significa?]. Ela não é de forma alguma ignorante, mas tanto a Anne quanto o Marius vivem em um mundo completamente diferente.
Anne se virou para a Helen e começou a explicar: [Se você portar este passe, na maioria das vezes, alguém da família real atestará pelo Eizo dentro do reino, enquanto o próprio imperador garantirá o status do Eizo dentro do império. Francamente, mesmo no reino, o brasão pessoal do imperador será mais do que suficiente para garantir a identidade e a confiabilidade de alguém]
| Helen | [Hum...], Helen murmurou, com a voz arrastada. Ela parece estar se esforçando para entender o quão impressionante é esse passe.
| Anne | [Em outras palavras, podemos entrar e sair livremente de qualquer cidade ou vila do reino ou império], disse Anne. [Podemos até ir aos arredores ou ao centro da capital como quisermos, sem perguntas]
Diana, que devia ter entendido as implicações do passe, permaneceu em silêncio. O marquês e o Marius obviamente sabiam disso e também permaneceram em silêncio.
| Anne | [Na verdade, podemos até mesmo transitar livremente entre o reino e o império], acrescentou Anne.
| Helen | [O quê?!], Helen ficou chocada. [Que conveniente!]
| Anne | [E é mesmo]
Normalmente, é bastante difícil cruzar as fronteiras de qualquer nação — incluindo o reino e o império. Mascates, mercadores e desbravadores que se aventuram em labirintos para sobreviver encontram maneiras de atravessar, mas pessoas comuns — como um ferreiro comum — não conseguem entrar facilmente em países estrangeiros. Antes da Grande Guerra, seiscentos anos atrás, aparentemente era impossível cruzar qualquer fronteira e, embora as regras tenham se flexibilizado desde então, ainda não é uma tarefa fácil.
Mas essa passagem na nossa frente nos permite cruzar fronteiras sem perguntas. Ninguém tem o direito de nos questionar ou questionar nossas identidades. Afinal, temos o selo de aprovação da família real e do próprio imperador — qualquer tipo de questionamento implicaria que a pessoa está lançando dúvidas sobre ambos os monarcas (obviamente, a autenticidade do passe seria questionada, mas só isso). Um passo em falso e a cabeça do interrogador pode estar na guilhotina.
Marius nos encarou com um olhar sério. [Gostaria que vocês tivessem muito cuidado com isso]
| Anne | [Certo. Nunca o percam e não nos coloquem em uma posição em que ele seja roubado], respondeu Anne com um sorriso. Suas palavras podem ter um significado oculto, mas seu sorriso é genuíno.
Marius assentiu. [Então? Isso será suficiente?]
Anne se virou para mim. Eu assenti imediatamente também; eu esperava um passe apenas da Casa Eimoor, então isso é conveniente e até mais do que eu esperava. Eu estou mais do que grato pelo privilégio.
| Marius | [Então, terei prazer em lhe entregar isso], disse Marius. Ele fez uma pausa antes de acrescentar: [Ah, e só para vocês saberem, a reunião será amanhã]
Todos nós o encaramos, atônitos, enquanto ele esboçava um sorriso genuíno.
| Eizo | [Isso é... bem repentino], eu murmurei, ainda em choque.
Marius soltou um pequeno suspiro. [É em parte por isso que queríamos que você viesse correndo para cá]
| Eizo | [O enviado do império chegou mais cedo?]
| Marius | [Pode-se dizer que sim]
| Eizo | [Eles não deveriam ter acomodações em algum lugar?]
Mesmo que um convidado chegue dois dias antes, não há necessidade de adiantar os planos em dois dias. O enviado poderia percorrer a cidade e usar o tempo extra para investigar a capital, embora provavelmente seja vigiado de perto. Além disso, um nobre estimado do reino estará presente neste evento; certamente eles também precisam considerar a agenda desse nobre.
| Eizo | [Os superiores concordam com isso?], eu perguntei.
| Marius | [Não posso dizer isso em voz alta, mas o cargo deles é bem tranquilo — eles têm muito tempo livre], revelou Marius. [Como o nome deles está intimamente ligado à família real, eles são frequentemente mencionados em momentos como este]
| Eizo | [Hum...], fingi desinteresse.
Na Terra, pessoas com empregos assim costumam agir com preguiça e parecem que não fazem nada, mas na verdade coletam um monte de informações nos bastidores. Não sei se esse é o caso desse nobre em particular, mas se for, não quero que o Marius e o Camilo fiquem estressados porque eu chutei isso e fiz algum comentário descuidado. Se eu estiver certo, eles podem pensar que foi um palpite de sorte e deixar passar, mas o marquês é uma raposa velha e astuta com muita experiência de vida. É melhor eu não fazer nada desnecessário.
| Marius | [Quando informamos ao nobre que a reunião seria antecipada para amanhã, recebi uma resposta de aceitação alarmantemente imediata], disse Marius.
Dei uma risadinha sem graça. [Nossa!]
Pessoas de alto escalão com cargos tranquilos têm tanto tempo livre que geralmente simplesmente aceitam as coisas. E ficam tão animadas para participar...
| Marius | [Então, considerando tudo isso, a reunião será realizada amanhã], confirmou Marius.
| Eizo | [Entendo...]
Como representante estrangeira de alto escalão, Anne ficará hospedada na propriedade do Conde Eimoor. Eu não quero que todos nós a abandonemos aqui sozinha. Talvez eu devesse deixar a Diana e a Helen como suas guardas. Esta é a casa da Diana e, certamente, ela pode relaxar em sua casa de vez em quando. A esposa do Marius é aparentemente amiga de infância da Diana e, sem dúvida, elas querem conversar mais do que puderam no casamento.
Assim que me virei para a Anne, Diana e Helen para dizer-lhes que ficassem, Marius se pronunciou. [Vocês não vão embora agora, vão? Por que não ficam todos aqui hoje?]
| Eizo | [Sério?], eu perguntei. [Todos nós?]
| Marius | [Claro. Já preparei os quartos — os homens e as mulheres têm acomodações separadas, é claro]
Fiquei um pouco chocado — então, notei Camilo e o marquês sorrindo de orelha a orelha. Marius, Camilo e eu já fomos chamados de 『Os Três Travessos Desordeiros』 antes, mas temos certeza de que não estamos falando daqueles três? Eu não deveria estar incluído, certo?
Olhei para a Lidy, que percebeu meu olhar e pareceu entender a preocupação silenciosa que eu tenho. Ela assentiu levemente. Parece que, se ficarmos apenas uma noite, Krul, Lucy e Hayate não precisarão se preocupar em ficar sem energia mágica. Lidy também não.
Percebi outra coisa: quando a Catalina disse que o Bowman estava se concentrando em 『outros trabalhos』, ela quis dizer que ele estava ocupado preparando os quartos para nós. Ela não pôde me contar na hora, para não estragar a surpresa de que ficaremos na mansão.
| Eizo | [Bem, se não for um grande incômodo para vocês, aceitaremos a oferta], eu disse.
| Marius | [Que bom ouvir isso], disse Marius com um sorriso.
Eu sorri de volta. A família toda raramente passa a noite em outro lugar que não seja nossa cabana. Espero que isso sirva de treino para o futuro.




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