Capítulo 59 - O Homem Desprezado pelo Destino




Frederick Beckenbauer um dia acreditou que era o escolhido do destino, não porque houvesse qualquer evento específico que o levasse a pensar assim, mas simplesmente porque estava convencido de ser todo-poderoso — como muitos jovens são — e era convencido o bastante para se achar especial. Como sua crença na própria superioridade era mais forte do que a da maioria das pessoas, ele realmente era extraordinário na juventude. Sua mente funciona mais rápido do que a de seus colegas, e ele nunca perdeu uma batalha simulada.
Talvez o fato de ser o filho mais velho de um barão também incentivou esse orgulho excessivo. Seus servos seguiam fielmente suas ordens, e o povo comum se curvava diante dele sem exceção. Criado em um ambiente assim, é praticamente impossível não desenvolver um ego inflado.
Além disso, ele também foi abençoado na aparência física. Era um homem de beleza incomparável — bem, talvez não tanto, mas sua aparência ao menos se encontrava próxima do limite inferior do topo do percentil. Naturalmente, ele era popular entre as mulheres, e o Frederick aceitava isso como um simples fato da vida.
Quando se matriculou em Edelrot, ele foi colocado, como esperado, na Classe A, onde se reúnem os melhores alunos. Naquela época, era chamado de gênio, e suas notas continuavam no topo da turma. Durante o torneio de caça, ele chegou até a ser convidado a se juntar à facção de um veterano, apesar de ainda estar no primeiro ano. Todos acreditavam que seu futuro seria brilhante.

Quando completou quatorze anos, ele caiu no caminho da libertinagem, a ponto de ele e seus amigos se gabarem do número de mulheres com quem dormiram.
Frederick se saiu admiravelmente no torneio de caça para alguém de sua série e não perdeu para nenhum de seus colegas no torneio de artes marciais. Ele se desenvolvia mais rápido que os outros, era abençoado em seu físico e, às vezes, até conseguia derrotar alunos mais velhos.
Quanto à sua colega de classe — a garota permanentemente presa no corpo de uma criança... ele a desprezava. No fundo de sua alma, ele acreditava que ela era uma mulher amaldiçoada pelo destino.

Um prodígio aos dez, um gênio aos quinze, um homem comum após os vinte. Frederick não sabe quem disse essas palavras, mas talvez ele se encaixe nelas. Ele acreditou ser escolhido pelo destino — não, ele apenas quis acreditar nisso. Mas quando completou dezessete anos, a realidade o atingiu com força. Ele caiu da Classe A. Seu desempenho no torneio de caça diminui, e ele já não conseguia mais vencer seus colegas no torneio de artes marciais. Na verdade, ele começou até a perder para alunos mais novos.
Não, suas habilidades não pioraram. Os outros simplesmente o alcançaram — e, eventualmente, o superaram. Frederick não é um gênio, apenas alguém que floresceu cedo. No fim, suas habilidades empalideceram diante das de seus colegas. Quando se formou na academia, ele já havia caído para a Classe C e entrou no mundo adulto como nada mais do que um homem mediano.

Enquanto isso, Hannah — a garota que ele tanto menosprezou — se formou no topo da Classe A. Isso apenas alimentou ainda mais seu ressentimento. Em algum momento, Hannah começou a avançar várias voltas à frente, e agora ele jamais conseguiria alcançá-la.
Mesmo assim, isso ainda o tornava apenas mediano. Não abaixo da média! A Dama da Sorte não lhe reservou qualquer favor especial — na verdade, ela o despreza, e o Frederick só descobriu isso quando chegou aos trinta anos. Sua idade perpétua não veio. Ele se transformou em um velho, e o tempo continuou avançando sem piedade. Sua pele, antes macia e viçosa, começou a se deteriorar visivelmente, as linhas de expressão se aprofundaram, e seu cabelo começou a rarear.
Frederick implorou e rezou. Ele até visitou a igreja para suplicar diretamente aos deuses.

Por favor, não deixe meu corpo se deteriorar ainda mais. Deixe-me alcançar minha idade perpétua.

Os deuses, no entanto, permaneceram indiferentes. Não importa quanto tempo ele esperasse, seu corpo continuou a definhar.
Agora, ele está muito abaixo da média. A maioria dos vampiros para de envelhecer ainda jovem; ser velho é sinal de inferioridade, e juventude é sinal de superioridade. Ninguém sabe ao certo por que as idades perpétuas diferem entre os vampiros. Alguns dizem que isso é determinado pelo próprio indivíduo, outros acreditam ser algo hereditário. Existe até uma teoria que afirma que isso depende da quantidade de sexo que um vampiro teve. Mas a teoria mais aceita é que isso se baseia no talento.
Vampiros talentosos alcançam certo nível de poder ainda jovens, o que avisa ao corpo que eles chegaram ao auge e o faz parar de envelhecer. Já os corpos daqueles que não alcançam esse nível nunca reconhecem que chegaram a esse ápice e continuam envelhecendo. Segundo essa teoria, aqueles que não atingem determinado ponto continuam crescendo, buscando um sinal de maturidade que jamais alcançarão.
É claro, isso não passa de uma teoria. Não há provas que a sustentem. Mas, de alguma forma, ela soa estranhamente convincente.
Por exemplo, há o Bernhard Grunewald, um veterano do Frederick. Ele floresceu tarde e, embora superasse seus colegas durante os anos escolares, alcançando o topo da turma, continuou envelhecendo, fazendo com que seu rosto já maduro parecesse ainda mais velho. Só por isso, ele caiu na mesma categoria que o Frederick, mas, ao contrário dele, as habilidades do Bernhard continuaram se desenvolvendo. Quanto mais ele crescia, mais forte se tornava, até que, eventualmente, ninguém conseguia se comparar a ele.
Seus feitos na guerra lhe renderam o título de herói, e suas habilidades disparam drasticamente. E então, ao finalmente alcançar o auge de suas capacidades, ele chegou à idade perpétua aos vinte e oito anos e continuou a reinar como o vampiro mais forte que existe.
Frederick jamais alcançou seu auge, enquanto o do Bernhard simplesmente chegou mais tarde em sua vida. A altura da barreira que um vampiro precisa superar difere de indivíduo para indivíduo, e enquanto ela não é transposta, a carne continua a envelhecer. Não passa de conjectura, mas isso fez o Frederick tremer de medo.

No fim, Frederick só alcançou sua idade perpétua quando já entrou na casa dos noventa anos, envelhecendo até se tornar um dos homens mais velhos que existem. Ele perdeu todo o cabelo, rugas profundas se cravaram em seu rosto, perdeu tanto os dentes quanto as presas e passou a usar dentaduras. Seus olhos e ouvidos se deterioram, seu corpo ficou mole e flácido, e ele começou a cambalear ao andar. Só quando chegou a esse ponto é que seu tempo finalmente parou.
Não, isso não é seu auge — ele nem consegue forçar essas palavras a sair da boca. Seu corpo provavelmente apenas percebeu que envelhecer mais o mataria. Ele amaldiçoa a própria carne.

Seu idiota! Seu maldito tolo!

Parar de envelhecer agora não tem sentido algum. Ele perdeu a juventude, o poder e a vitalidade. O que uma vida longa poderia lhe trazer agora?

Sua esposa o abandonou, e ele perdeu o título de barão — algo prometido a ele por direito de nascimento — para seu irmão mais novo. Seu pai lhe enviou uma carta de deserdamento, explicando que o Frederick simplesmente não era apto. Sempre que entrava na cidade, os outros apontavam e riam. Crianças mais velhas zombavam dele e até chutavam suas pernas trêmulas. Quando passava por antigas namoradas, elas sequer o reconheciam, e se algum ex-colega o reconhecia, o ridicularizava sem piedade.
Acima de tudo, porém, houve um evento que o tornou mais miserável do que qualquer outro. Um dia, enquanto o Frederick cambaleia pela cidade, um grupo de marginais o cercou, e soldados correram para salvá-lo.
O único problema foi a identidade da garota que liderava aquele grupo de soldados.

| Hannah | [Tomem isso, seus pestinhas!]
| Vampiro | [Agh! M-Maldição! Vamos cair fora!]
| Hannah | [Sério! O senhor está bem, vovô?]

Ela parece uma garota jovem, mas o uniforme que vestia e os soldados que liderava deixaram claro que ela é muito mais velha do que aparenta. E o Frederick sabia exatamente quem ela é. Eles estudaram na mesma escola, e ele já chegou a desprezá-la.

| Frederick | [Han...nah?]
| Hannah | [Huh? Já nos conhecemos antes?]

Hannah não reconheceu o Frederick, o que é compreensível. Todos os vestígios de quem ele foi um dia desapareceram, reduzindo-o a nada além de um velho franzino.

É melhor que ela não me reconheça, ele pensou. Ele não queria que ninguém associasse sua forma miserável atual ao antigo eu jovem. Mas as palavras desnecessárias de um de seus soldados destruíram essa esperança.

| Soldado | [Ah, é o Velho Frederick. Ele é famoso por aqui. Você o conhece, capitã?]
| Hannah | [Frederick? Fred... Huuuuh?!]

Os olhos da Hannah se arregalaram. Frederick não se lembra exatamente do que ela disse depois disso, mas presumiu que tenha sido algo como 『quanto tempo』 ou 『você mudou bastante』. A maior parte de suas palavras passou direto por seus ouvidos, pois ele estava fundo demais no desespero para ouvir qualquer coisa.

Como? Como?! Por que somos tão diferentes?!

Ele um dia desprezou a Hannah. Ela é a filha mais velha de um barão e, além de não poder herdar o título do pai, alcançou sua idade perpétua ainda criança. Ele sempre pensou que ela fosse digna de pena.
No entanto, é o talento que determina o início da idade perpétua. Alcançar a imortalidade na juventude é sinal de excelência — a marca de um gênio.

Um prodígio aos dez, um gênio aos quinze, um homem comum após os vinte.

Prodígios de verdade param de envelhecer quando ainda são jovens o bastante para serem chamados de prodígios. Não é que eles param de se desenvolver; eles simplesmente não precisam mais. E são os verdadeiramente talentosos que são os escolhidos pela Dama da Sorte. Se ela o favorecer, você conseguira encontrar seu lugar no mundo mesmo sem herdar o título de barão.
É assim que deve ter sido para a Hannah. Ela tem homens a seus pés que a admiram e a chamam de capitã. Ninguém ri agora — em vez disso, olham para ela com respeito. Frederick um dia a desprezou, mas agora inveja sua juventude. Sua pele é viçosa e livre de rugas, e ela transborda energia. Será que os dois realmente passaram a mesma quantidade de tempo neste mundo? Será que realmente foram colegas de classe?!
De repente, Frederick percebeu lágrimas escorrendo por seu rosto. Ele estava devastado por sua própria miséria.

| Hannah | [F-Frederick?! V-Você está bem?! Está ferido?!]
| Frederick | [Bem, tudo dói quando se tem um corpo tão decrépito quanto o meu...]
| Hannah | [O que fazer, o que fazer...? Por ora, vamos para algum lugar descansar e...]
| Soldado | [Hum, Capitã? A senhora tem uma audiência com Sua Majestade em breve]

Hannah entrou em pânico, mas o Frederick apenas a encarou com ódio. Ela se preocupou com ele, o que significa que o considera fraco. Ninguém se preocupa com alguém muito mais forte do que si mesmo. Esse sentimento só pode significar uma coisa — ele estava sendo visto como inferior.
Hannah provavelmente não tinha essa intenção, mas essa foi a única forma como o Frederick conseguiu interpretar suas ações.

| Frederick | [Não olhe... de cima para mim...]
| Hannah | [Huh?]
| Frederick | [Não... Não ouse olhar de cima para mim!]

Frederick se levantou com dificuldade. Suas costas doíam, e suas pernas tremiam. Até o simples ato de ficar de pé consome sua resistência. Mas ele não podia continuar encolhido no chão — ele não suportava essa humilhação.

| Frederick | [Olhe para mim! S-Só espere! Este não será o meu fim! Um dia, todos vocês olharão para trás e se lembrarão de mim!], berrou o velho miserável, cuspindo para todos os lados enquanto lágrimas e catarro escorriam por seu rosto.

Ele sabia que está sendo absurdo. Sabia que essa não era a forma de tratar alguém que acabou de lhe oferecer ajuda. A reação natural seria raiva. Era isso que ele merecia! E, ainda assim... Hannah não estava com raiva. A única emoção em seus olhos era pena.
E não foi só ela. Todos os soldados e vampiros ao redor o encaravam com a mesma expressão de piedade.
Quando um cachorro feroz late, as pessoas apenas acham barulhento e irritante. Algumas até ficam com medo. Mas e se for um cachorro velho, sem dentes, latindo rouco? Alguém ficaria com raiva? Não. A maioria apenas acharia... triste. Por quê? Porque ele é fraco. Não representa ameaça.
Em outras palavras, Frederick era fraco demais até mesmo para ser alvo da raiva dela.

Assim, ele partiu sozinho para explorar terras desconhecidas e, após muito esforço e frustração, retornou com poder. Depois de muitos e longos anos, ele foi empregado como diretor da Academia Edelrot. Finalmente, ele conquistou um lugar ao qual pertencer.
No entanto, mais uma vez, um prodígio atravessou seu caminho. Aquele detestável nome Grunewald voltou a se erguer como uma parede que o impedia de alcançar o destino que ele acreditava merecer. Mercedes Grunewald... Ela possui o talento da Hannah e a crueldade do Bernhard; é um prodígio enviado diretamente do inferno.
Frederick não conseguia se livrar da sensação de que ela veio para tomar aquilo que deveria ser seu.




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