Capítulo 58 - Imperatriz Beatrix




A carruagem em que o Felix se encontra cruzou a fronteira e, após se reunir com algumas tropas, finalmente chegaram à capital de Beatrix. Os mantos brancos originalmente planejavam libertar o Felix, mas já não têm margem para isso. A carruagem agora está completamente cercada por soldados, e soltá-lo apenas faria com que os mantos brancos fossem rotulados como traidores e executados.

Perdoe-nos, garoto. Eu também quero manter minha cabeça no lugar, o capitão se desculpou em silêncio enquanto a carruagem seguia viagem. Por fim, ela chegou ao palácio e parou.

| Capitã | [Desça, Princesa Sieglinde], ordenou a capitã do esquadrão.

Em Beatrix, o exército é composto apenas por mulheres, e as soldados vestem armaduras negras — uma cor considerada sagrada nessa terra.
O preto é a cor da noite e, por isso, reverenciado por todos os vampiros. Já o branco simboliza a detestável manhã. O fato de os mantos brancos serem forçados a usar essa cor — especialmente por chamarem tanta atenção no meio da noite — reflete o quão baixo é o status dos homens nessa nação.
A líder das soldados é uma mulher cavalheiresca chamada Rose. Seus cabelos cor de sangue chegam até os quadris, seus traços são refinados e suas proporções bem equilibradas. Há nobreza em sua postura, e ela exala uma aura de confiabilidade. Parece capaz de derrotar qualquer coisa — exceto um orc.
Rose abre a porta do compartimento trancado onde a Sieglinde está e observa o interior. Lá dentro, encontra uma garota de cabelos brancos, exatamente como os relatórios indicavam. Ela parece um pouco menor do que o esperado, mas sua altura é perfeitamente normal para uma garota de doze anos.
Ao lado dela está outra jovem sentada no chão, com a cabeça baixa. Ela é loira e, embora seus traços sejam andróginos, ainda assim é bela.

| Rose | [Hmm. Então temos a princesa... e mais uma. Quem é essa garota?]

Huh?! Mais uma?! Tinha certeza de que havia um cara com ela! Eu estava errado?!

O capitão dos mantos brancos começou a entrar em pânico. Quando capturou as duas, o acompanhante da princesa era definitivamente um homem. E agora, há uma mulher ali. É verdade que o garoto tinha traços andróginos, mas o capitão duvida muito de ter sido idiota a ponto de confundir uma garota com um rapaz.

| Capitão | [E-Ela é uma estudante que interferiu quando tentamos capturar a princesa]
| Rose | [Entendo! Mesmo sendo nossa inimiga, devo elogiar sua bravura]
| Capitão | [M-Mas, se me lembro bem, e-ela era um homem...]
| Rose | [Seu idiota!], Rose elevou a voz e apontou para a garota(?), [O que exatamente nessa adorável jovem lembra um homem?! Você é cego?! Ela pode ser andrógina, mas é preciso ser um lixo completo para confundi-la com um homem!]
| Capitão | [N-Não, eu quis dizer... Minhas mais sinceras desculpas!]

O capitão dos mantos brancos tem suas queixas, mas qualquer coisa que diga agora soaria apenas como desculpa. Percebendo isso, ele se calou. Em Beatrix, o testemunho de um homem tem pouquíssimo peso. Se uma capitã como a Rose diz que ele está errado, então ele está errado. Na verdade, as outras soldados já começam a encará-lo com olhares cheios de desprezo.
Os mantos brancos são tratados como peões descartáveis — suas vidas valem praticamente nada. Se a Rose o matasse ali mesmo, provavelmente seria absolvida. Assim, sua única opção é admitir o 『erro』, pedir desculpas e rezar para sair dali com vida.

| Rose | [Vocês podem ir]
| Cavaleiros | [[[[[S-Sim, senhora!]]]]]

Os mantos brancos se apressam em sair. A sensação de estarem sob a mira de armas não é apenas imaginação.

Rose então se voltou para a garota(?) e lhe oferece um sorriso tranquilizador. [Não há nada a temer, jovem guerreira corajosa. Respeitamos a coragem e, embora não possamos devolvê-la ao seu lar imediatamente, prometo que não será tratada com crueldade]

A jovem pareceu tremer de medo, então a Rose agiu com compaixão.
Mas, é claro, ela está enganada.
A garota(?) não tremeu de medo — e sim de humilhação.



Algumas horas antes, quando a Hannah percebeu que perdeu a chance de libertar o Felix, ela se aproximou dele e sussurrou:

| Hannah | [É hora do plano B, Felix]
| Felix | [C-Certo...]
| Hannah | [Os mantos brancos já admitiram, mas nesse ritmo, você será executado assim que chegarmos. O Império Beatrix é uma matriarquia onde os homens são privados de direitos humanos básicos. A forma como lidam com prisioneiros de guerra também é insana. As mulheres são tratadas com gentileza, mas os homens simplesmente são mortos]

Esse país é horrível — Felix pensou isso do fundo do coração.

| Hannah | [Então... eu vou te transformar em uma garota, tudo bem?]
| Felix | [Huh?]

Felix não conseguiu compreender de imediato as palavras estranhas que saíram da boca da Hannah.

Uma garota? Transformar quem em uma? Eu?!

Enquanto o Felix permaneceu atônito, Hannah tirou pincéis de maquiagem e um kit de costura, aproximando-se dele.

| Hannah | [Eu sempre achei que você ficaria ótimo se tentasse cross-dressing! Não se preocupe com nada e deixe tudo comigo!]
| Felix | [Huh?! E-Espera, mas...]
| Hannah | [Não temos muito tempo, então vou ser rápida! Eles vão desconfiar se você estiver usando uniforme masculino, então vou dar um jeito nisso também]



Hannah arrancou as calças de um Felix apavorado, cortou o tecido e o costurou novamente, transformando-o em uma saia. Em seguida, aplicou maquiagem, transformando o Felix em uma garota com velocidade e habilidade chocantes. No fim, ele se tornou uma jovem galante capaz de atrair qualquer olhar. Ele ficaria excelente vestido como cavaleira e certamente receberia o selo de aprovação de um orc — um sommelier nato de cavaleiras.



Agora, Felix foi levado à câmara de audiências. É claro que ele está amarrado para evitar qualquer tentativa suspeita, mas a cena acabou parecendo estranhamente sugestiva. Diversas cavaleiras o encaravam e soltavam suspiros de admiração, fazendo arrepios percorrerem sua espinha.

Isso é humilhante. Simplesmente vergonhoso.

Felix sempre se orgulhou profundamente de sua posição como primogênito da Casa Grunewald e sempre se esforçou para ser um cavalheiro exemplar.
E agora?
Ele está vestido como uma garota, enquanto as mulheres ao redor o devoram com os olhos, cheias de desejo. Ele quer chorar.

| Beatrix | [Então você é a Princesa Sieglinde. Deixe-me ver seu rosto]

A Imperatriz Beatrix XVII tem cabelos cor de pêssego que descem pelas costas. Com 180 centímetros de altura, ela é bastante alta para uma mulher. Seus olhos azuis são afiados, o nariz longo e os traços maduros exalam um charme feminino avassalador. Seu vestido deixa o decote à mostra, e ela segura um leque que claramente foi importado do exterior.

| Hannah | [Você entende a gravidade de suas ações?! Isso é um pesadelo diplomático!]

Hannah abandonou completamente sua postura distraída e incorporou a Sieglinde. Ela sabe que alguém que teme consequências não faria algo assim em primeiro lugar, e tem plena consciência de que apontar isso é estúpido. Ainda assim, fez exatamente isso — pois é o que uma garota ignorante de doze anos faria.

| Beatrix | [Vejo que ainda é bem jovem, princesa. É claro que entendo. Estou preparada para esmagar sua terra apodrecida. Isso já ultrapassou há muito uma simples questão diplomática]

Bom, não dá pra negar que Orcus está apodrecido.

Há verdade nas palavras da Beatrix. Orcus é corrupto, e a Hannah, que opera nas sombras, sabe disso muito bem. As camadas superiores da sociedade estão cheias de escória. O antigo rei era um idiota, e o novo rei já foi executado como traidor. Sieglinde é íntegra, mas tão íntegra que corre o risco de trilhar o mesmo caminho de seu avô.
Se o Império Beatrix não fosse uma matriarquia construída sobre a subjugação dos homens, Hannah talvez considerasse melhor se submeter ao domínio deles. A limpeza do ano passado melhorou a situação de Orcus, mas ainda há corrupção apodrecendo por dentro. Nesse sentido, a Imperatriz Beatrix é mais competente que os governantes atuais da Hannah.
Apoiada nos labirintos, a imperatriz criou uma sociedade hierárquica governada apenas por aqueles sob sua tutela. A democracia pode proteger contra déspotas corruptos — ao menos impedindo que governem por muito tempo —, mas se o povo for idiota, produzirá líderes do seu próprio nível. 『Igualdade』 é um termo bonito, mas implica falta de direção unificada, e o país apenas se desviará cada vez mais do caminho.
Já uma monarquia possui um objetivo único e pode agir com rapidez, embora um monarca incompetente possa destruir tudo em um instante. Com um líder competente, a monarquia supera a democracia — e, considerando como a Beatrix unificou seu império, ela é, sem dúvida, competente.
Isso, claro, se você ignorar completamente seus ideais.

| Beatrix | [A propósito... tenho uma proposta para sua companheira. Que tal se tornar uma de minhas amantes? Garanto que a tratarei bem]
| Hannah | [V-Você só pode estar brincando!]
| Beatrix | [Não há necessidade de ter medo. Sou habilidosa com as mãos. Vou lhe mostrar os picos do prazer]
| Felix | [Que piada! Prefiro morrer a sofrer tamanha vergonha!]
Beatrix soltou uma risadinha. [Você é adorável! Vai ser divertido quebrar uma garota teimosa como você]

Hannah já está farta. Ela voltou o olhar para a Beatrix e observou a imperatriz lamber os lábios como se avaliasse sua nova presa. Claro, os olhos da imperatriz estão fixos no Felix. Infelizmente, ele é exatamente o tipo dela.

Caramba... ela está falando sério. Tipo, muito sério.
Se tudo correr bem, Mercedes vai se reunir logo com o Bunbun e enviar uma equipe de resgate...


O tempo deles pode estar acabando mais rápido do que a Hannah imaginou — ao menos no que diz respeito à castidade do Felix.
De qualquer forma, ela deseja com todas as forças que a ajuda chegue antes que o Felix comece a implorar pela morte. Se a situação exigir, Hannah está pronta para jogar sua missão de reconhecimento pela janela e fugir com ele.




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