Capítulo 5
| Atendente | [A Companhia Kuzunoha, é? Você tem uma placa da Guilda dos Comerciantes com você?]
Eu balanço a cabeça. 『Desculpe, nós a perdemos em algum lugar no caminho até aqui. Não vamos ter nenhum meio de substituí-la por várias vilas ainda, então, por enquanto, gostaríamos de quartos como hóspedes comuns... não, como aventureiros』
Eu estendo minha placa de aventureiro, e o jovem no balcão a aceita, lançando apenas um olhar rápido antes de devolvê-la. [Raidou-sama, é? Entendido]
Eu sinto que estamos correndo o risco de atrair atenção negativa demais para nós mesmos, então invento a Companhia Kuzunoha e um pseudônimo para tentar manter algum grau de sigilo.
Tem um som realmente bom... Raidou, herdeiro da Companhia Kuzunoha. Eu não tenho nenhuma das habilidades nem as costeletas lendárias do personagem de videogame que inspirou o nome, no entanto. Como minhas servas só parecem humanas, acho que eu passo por um invocador... Um rei dragão e uma besta mítica, eu suponho.
A testa do atendente se franze. [Puxa, uma placa perdida... Que pena. A Guilda dos Comerciantes só tem uma subfilial aqui, então receio que haja pouco que possamos fazer a respeito]
| Makoto | 『Eu só fico feliz por termos escapado perdendo apenas a placa, considerando nossa jornada』, eu escrevo sombriamente. 『Nós nunca pretendíamos atravessar o Fim do Mundo para começo de conversa』
Isso é verdade. Eu não planejei vir para este mundo em momento algum.
| Atendente | [Eu fico impressionado que o senhor tenha se saído tão bem lá fora. É um milagre o senhor ter chegado até aqui sem a preparação adequada]
| Makoto | 『Tenho minhas subordinadas para agradecer por isso. Agora, podemos ter dois quartos? Espero que haja vagas』
| Atendente | [Claro. Receio, porém, que os únicos quartos disponíveis sejam nossas suítes mais caras]
Ótimo... Pelo menos esta estalagem finalmente tem quartos vagos. Parece que esta vila está em plena temporada turística.
Talvez eu esteja jogando videogame demais, mas eu assumi que bastaria entregar algumas moedas de ouro e eu conseguiria uma cama na hora.
| Makoto | 『Quanto custa por quarto?』
| Atendente | [Bem, já que o senhor forneceu suas placas de aventureiro, e também tem cavalos para cuidarmos, o preço será considerável, mas podemos oferecer uma taxa melhor do que com uma placa de comerciante]
Ele fica rodeando a resposta, parecendo um personagem irmãozinho de um simulador de namoro. Parece que nasceu para ficar se remexendo.
| Atendente | [Então?]
| Makoto | 『Sobre o preço, então...』
Eu incentivo ele a falar com um aceno firme.
| Atendente | [... Por favor, entenda que, como vocês são aventureiros, não assumimos responsabilidade por quaisquer objetos perdidos ou roubados durante a estadia]
Ele quer evitar responder tanto assim, é?
Eu não consigo imaginar a maioria dos aventureiros carregando muitos bens em carroça, mas comerciantes teriam todo tipo de mercadoria. É claro que eles responsabilizariam a estalagem por qualquer perda, mesmo num lugar barra-pesada como este. Afinal, eu nunca ouvi falar de um campo de refugiados seguro e livre de crimes.
| Makoto | 『Eu não me importo』, eu escrevo. 『Nós não solicitaremos nenhum tipo de compensação por perdas』
| Atendente | [Incluindo o custo de cuidar dos seus cavalos, então, o preço será de seis moedas de ouro por noite]
Porra, isso é caro!
Eu ouvi dos anões que o preço normal de um quarto numa estalagem é, no máximo, uma moeda de prata, mas evidentemente as informações deles estão desatualizadas.
Ao que parece, este mundo usa principalmente moedas metálicas como moeda. Existem as moedas padrão de cobre, prata e ouro, claro, mas também há uma moeda de valor maior na forma de prata moriana condutora de mana, apelidada de moedas de magiprata. Por fim, a moeda mais cara é o ouro verdadeiro — uma moeda feita de um metal valioso muito mais caro do que ouro comum. Eu assumi que prata moriana é o nome técnico de mithril ou algo assim, mas os anões confirmam que são metais diferentes. Se for esse o caso, imagino que placas de aventureiro seriam feitas disso, em vez de mithril.
Em termos de valor, uma moeda de cobre equivale a cerca de mil ienes, uma de prata vale dez mil, e ouro vale cem mil. Então, magiprata vale por volta de um milhão de ienes. Moedas de ouro verdadeiro quase não são cunhadas e a maioria vira peça de exibição. Supostamente, uma única delas compra um castelo. Isso me lembra como o Japão só usava moedas no período Edo e as peças douradas de han.
O salário mensal médio fica entre uma e três moedas de prata, o que parece tão diferente do iene destruído pela inflação.
Isso quer dizer que este lugar maldito custa incríveis seiscentos mil ienes por noite... É um pouco demais mesmo para a fronteira do enriquecer ou morrer, não é? Eles nem oferecem seguro para cavalo!
Eu fico numa encruzilhada. Eu posso aceitar a taxa e bancar o comerciante de carteira gorda, mas eu gastaria o dinheiro que os anões me deram, e eu prometi a eles que não desperdiçaria com nada não essencial. Claro, nós podemos recuperar o dinheiro com o tempo...
| Tomoe | [Faça com que seja dez dias], Tomoe diz com confiança, reivindicando domínio total sobre a minha carteira.
Eu lanço um olhar sujo para ela e começo a puxar moedas de ouro da bolsa.
Um... dois... três...
Eu praticamente sinto todo mundo contando junto comigo. Claro, Tomoe não faz ideia de quanto dinheiro isso é, mas todo o dinheiro que eu tenho no mundo é essa bolsa com cem moedas de ouro. A maior parte dela está indo para a mesa agora.
Dez dias num hotel por seis milhões de ienes, pago adiantado em dinheiro vivo... Haha, eu me sinto uma celebridade. Alguns milhões por um quarto numa cabana de madeira no meio do nada!
O atendente assente. [Pago integralmente, obrigado. Permita-me levá-los ao quarto]
Tomoe para. [Oh, mais uma coisa...]
Eu impeço ela de continuar num estalo, como um contra-ataque instantâneo de jogo de luta.
O que essa idiota quer agora?!
O jovem se vira, engolindo em seco. [H-Hm... Sim?]
| Tomoe | [Nosso senhor tem uma alma gentil, mas eu tenho um temperamento difícil, entende. Eu levo bronca por isso sem parar], ela puxa casualmente a placa de aventureiro do bolso, garantindo que o atendente veja a abominação que é o nível dela. Aquilo é uma ameaça, se eu já vi uma. [Acontece que esta é a primeira estalagem com vagas que encontramos na cidade. Sua hospitalidade é bem-vinda, sim, mas você tem certeza de que o preço está correto?]
| Atendente | [S-S-Sim, claro], o atendente gagueja. [V-Você sabe como é, aqui no Fim do Mundo... Além disso, temos mais orgulho do nosso estabelecimento do que qualquer outra hospedaria da cidade]
É impressão minha, ou ele está começando a soar suspeito?
Tomoe assente. [Bom. O melhor quarto da última estalagem que tentamos, entende, custava meras uma moeda de ouro por noite. Perdoe-me por suspeitar que algo estava errado. Se você tivesse insinuado que seus preços eram uma fraude, bem... eu estava preparada para obliterar este monte miserável de gravetos por completo, hehe]
Ela está sorrindo, mas há uma dúvida cortante nos olhos. Eu assumi que ela é só uma cabeça de vento, mas ela é bem mais afiada do que deixa transparecer. Eu nem sei como ela descobriu aquele preço. Eu olho para a Mio, cujo sorriso também não chega nos olhos. As duas me dão um arrepio na espinha.
| Tomoe | [Permita-me conferir uma última vez], Tomoe arrasta as palavras. [Você disse que eram seis moedas de ouro por noite, não foi?]
| Atendente | [I-I-Isso, hm... eu...]
Então ele estava cobrando a mais de propósito, afinal... Aquele garotinho de cara fofa estava tentando bancar o vilão? Eu acho que esse negócio de 『não julgue um livro pela capa』 vale em dobro neste mundo. Vai ser complicado me acostumar... Eu derreto só de ver uma mulher bonita. Eu ainda sou só um estudante do ensino médio, afinal. Espera, este mundo sequer tem ensino médio? Provavelmente não numa cidade como esta, de qualquer forma.
| Atendente | [D-Duas moedas de ouro!], o garoto finalmente gagueja, se curvando tão fundo que quase dobra ao meio. [Sinto muito, eu devo ter me enganado!]
Ainda assim, isso dá algo como dois milhões de ienes por noite para nós três, o que deveria pagar um hotel construído como um palácio. Eu não consigo acreditar que esse seja o preço normal de um quarto tão merda.
Tomoe ergue uma sobrancelha, divertida. [Oh? Que engano curiosamente grande]
Ela começa a balançar a perna à toa e 『acidentalmente』 enfia o pé limpo através do assoalho de madeira. O atendente congela ao ver aquilo, a cor sumindo dos pés até o rosto.
Ela suspira. [Oh, minhas desculpas. Parece que seu chão está ficando bem velho]
Pelo olhar no rosto dele, está bem claro que não é o caso.
| Mio | [Por favor, tenha cuidado, Tomoe-san], Mio a adverte. [Mas aqui vai uma ideia, garoto... Por que você não guarda o dinheiro restante até fazermos o check-out? Até lá, nós vamos considerar você inteiramente responsável]
Caramba, Mio, isso é cruel, forçar ele a guardar o dinheiro que tentou arrancar de nós. Se ele tentar fugir com nosso ouro agora, ele não vai escapar só com um sustinho...
Ele sacode a cabeça freneticamente. [N-Não, eu devolvo seu dinheiro agora mesmo, prometo!]
| Mio | [Trabalho demais], ela dispensa ele com um aceno e um suspiro. [Nosso mestre não precisa de uma quantia tão mísera, de qualquer forma. Estou ansiosa pelas nossas refeições... Espero sinceramente que suas oferendas me saciem]
O sorriso no rosto dela deixa claro que ela não aceitará um não como resposta. Ela está determinada a fazer ele cumprir.
Mas se as duas são tão espertas assim, por que elas foram e causaram tanto problema na Guilda daquele jeito? Se for para qualquer coisa, parece até que estão tentando causar confusão...
O atendente para na porta e se vira pela metade, implorando silenciosamente para mim.
O que você é, um chihuahua?! Pena que eu sou mais do tipo gato, seu desgraçado!
Mesmo que eu fosse do tipo cachorro, eu não mexeria um dedo para ajudar ele logo depois de ele tentar nos passar a perna. Eu não consigo pensar em nada apropriado para responder, então eu desvio o olhar de propósito e sigo para o quarto.
| Tomoe | [Que incômodo... Ainda bem que conseguimos cortar essa palhaçada pela raiz], Tomoe reclama.
Mio assente em concordância com a queixa dela. [Tomara que aquele garoto tolo não seja tentado a prejudicar mais ninguém do mesmo jeito. E só de imaginar ele tendo que proteger cuidadosamente a mesma quantia que tentou roubar de nós... Hehehe!]
| Makoto | [Vocês duas são doentes], eu cuspo. [Embora eu ache que ele até mereceu um pouco...]
Agora que estamos no nosso quarto, eu sinto que é seguro falar mais livremente. O quarto não mostra sinal nenhum de ser à prova de som, mas eu imagino que não seremos ouvidos desde que falemos baixo.
| Mio | [Preciso admitir, porém, que as coisas são mais caras em geral do que fomos levados a acreditar], Mio diz.
Tomoe dá de ombros. [É o que é. Parece que os vendedores definem os preços aqui... Não há muito a fazer]
| Makoto | [Sim... Especialmente com o quão raros até os essenciais são aqui], eu admito. [Não é surpresa o mercado estar todo fodido... Que lugar para começar]
Tomoe assente com seriedade. [Nós não podemos esperar que o dinheiro mantenha seu valor aqui. Um cantil de água é mais valioso do que uma lâmina decente — e presas e garras de monstros valem mais ainda]
| Mio | [Porque são tão deliciosas?], Mio chuta.
| Makoto | [Água é a única coisa daí que você deveria estar consumindo! Sério, Mio, para de tentar transformar tudo em comida]
Eu não acho que avisar ela vá adiantar, no entanto. Uma gulosa sempre será uma gulosa, pelo visto.
| Tomoe | [As mercadorias mais valiosas aqui são aquelas que só podem ser encontradas localmente e, portanto, vendem por preços generosos em outros lugares], Tomoe conclui. [Depois vêm os essenciais diários difíceis de obter e, por fim, armamentos e armaduras padrão. Que lugar incomum...]
Eu consigo entender essenciais serem caros, mas eu não consigo engolir armas serem mais baratas do que comida. Se eu tiver que chutar, porém, é porque comida e água acabam rápido e precisam estar em oferta constante, o que aumenta a demanda. Já armas se desgastam lentamente e precisam ser substituídas muito mais raramente.
Ainda assim, algo nisso me incomoda. Armas exigem habilidades especializadas para serem feitas, sem mencionar as instalações e os materiais especiais necessários. Parece estranho que sejam mais baratas do que comida e luxo em qualquer circunstância. Não, algo está errado.
Eu acho que onde há poder e dinheiro, sempre tem gente puxando as cordas... Qualquer comerciante que queira negociar num lugar desses ficaria rico rápido, sem dúvida, mas deve haver um motivo mais profundo por trás de tudo.
| Makoto | [Espera, tem uma Guilda dos Comerciantes neste lugar, né? Será que a gente devia mesmo tentar vender coisas sem ir até eles primeiro?]
Tomoe assente, pensativa. [Certamente, parece que há uma filial aqui]
Mio balança a cabeça. [Se eles não quiserem que você negocie, eu quero ver eles tentarem te impedir]
Esse não é o problema. A gente realmente não pode se dar ao luxo de chamar atenção.
| Tomoe | [Isso não colocaria as palavras do nosso senhor sob suspeita?], Tomoe questiona. [Nós afirmamos estar registrados com eles, apesar da placa perdida, mas não sabemos nem as regras mais básicas? Isso só enfraquece o disfarce do nosso senhor como herdeiro de toda uma operação mercantil rica]
Talvez ela não seja burra afinal... Isso é praticamente exatamente o que eu estava tentando dizer.
| Makoto | [Sim, isso], eu assinto. [Mio, você pode ir verificar essa filial? Só diga que está interessada em se juntar a eles ou qualquer coisa e descubra o máximo possível das regras]
Mio pisca, surpresa. [O senhor não quer dizer agora, Milorde, quer?]
| Makoto | [É claro que quero. Rumores sobre vocês duas vão estar por toda a cidade amanhã de manhã, então agora é o único momento real em que podemos nos mover sem sermos observados. Vai, anda, vai]
Ela suspira fundo. [Ah, tá bom, se você insiste. Eu vou, já que preciso]
Quando a Mio sai, Tomoe abre um sorriso satisfeito para mim.
| Tomoe | [Que apropriado, para nosso mestre nos usar como bem entende. Você tem a alma de um velho sábio]
| Makoto | [Eu não sou velho coisa nenhuma!], eu retruco. [Além disso, a gente não precisaria ser tão cuidadoso se você não tivesse feito aquele show na Guilda]
Ela faz um biquinho, infeliz. [Mas não era assim que sempre se fazia em Mito Komon? O apelo não é investigar os problemas locais depois de chegar na estalagem?]
| Makoto | [Não, isso aqui é totalmente diferente. Quem sabe se existe um gênio do mal sequer?]
| Tomoe | [Claro que existe]
| Makoto | [Como você tem tanta certeza?!]
O mundo é muito mais complexo do que a ética preto-no-branco dos dramas antigos!
| Tomoe | [O mercado está desorganizado demais para ser outra coisa. Isso tem que ser uma trama]
Então agora ela é esperta? Toda a burrice sai da cabeça dela quando ela entra no modo nerd de drama?
| Makoto | [Você é bem afiada, Tomoe]
| Tomoe | [Nada disso. Você sem dúvida deduziu o mesmo que eu antes de mim. Ah, pense só — tem alguém por aí fazendo o tal dinheiro sujo! Ilegalmente!]
Não precisa falar com tanta empolgação!
| Makoto | [Eu espero que a Mio encontre alguma coisa para a gente ter ao menos uma direção], eu murmuro.
| Tomoe | [Impossível, sem dúvida. Ela parece não ter a menor noção da trama em questão, e eu ficaria surpresa se ela voltasse sem um perseguidor!]
De novo: não precisa soar tão feliz.
Um dos nossos maiores problemas, porém, é que a maioria das minhas mercadorias é comida. A gente não consegue vender nada disso sem se destacar.
Okay, por que isso está se desenrolando exatamente como um episódio antigo de Mito Komon?
| Makoto | [Pessoalmente, eu acho que você está mais para o vilão do dia... ou para o comerciante corrupto...]
A risada maligna dela serviria perfeitamente para qualquer um desses papéis, mas sinceramente não há muitos outros personagens que eu diria que combinam com ela.
A testa dela se franze, irritada. [Claramente, eu sou a escolha natural para Kaku-san!]
| Makoto | [Uma das coisas do Kaku-san é que ele não usa espada!]
| Tomoe | [Então eu serei uma nova Kaku-san, uma mestra da espada!]
| Makoto | [Você está destruindo o personagem!]
| Tomoe | [Eu vou esculpir o lugar dele, de qualquer forma. Sem mais perguntas!]
Então você só vai forçar no grito?!
| Makoto | [Você é tão... Tá bom, vai. Você é a Kaku-san]
Mais tipo chapada-no-crack-san, mas tanto faz.
| Tomoe | [Hm? Essa nuance... Você disse isso como um insulto!]
Agora ela lê mentes?!
Eu solto um suspiro. [Estou começando a suspeitar que você causou toda aquela confusão na Guilda de Aventureiros de propósito]
| Tomoe | [Er... bem...]
Merda... Ela estava mesmo tentando estragar tudo, só por causa do roleplay idiota de drama Edo?!
Ela sorri fraco e desvia o olhar. [Haha... hahaha...]
Sim, definitivamente uma desmiolada-san. Ela vai matar todo mundo com a gente.
Toc toc!
Uma batida alta ecoa na porta.
Hm? Quem é?
Eu lanço um olhar de canto para a Tomoe.
| Tomoe | [Quem vem lá?], Tomoe chama.
| Mio | [Sou eu, Mio. Posso abrir a porta?]
| Tomoe | [À vontade]
Parece a voz dela, mas eu ainda estendo um Reino de detecção ao nosso redor, só por precaução. E, de fato, há seis homens cercando a estalagem e, pelo jeito como se portam, cada um é um lutador experiente.
Ah, qual é... Eu nunca pensei que ela realmente voltaria seguida para cá...
Mio, notando meu olhar penetrante, fica um pouco vermelha e começa a se remexer. [M-Milorde? Aconteceu alguma coisa? Você está me encarando com tanta força...]
Eu balanço a cabeça sem palavras. [Não, apenas... esquece]
Pelo jeito, Tomoe também percebe nossos visitantes. Eles ainda não entraram no prédio, nem se aproximam do estábulo para checar nossas mercadorias. Eu duvido que o vazamento tenha vindo do atendente, considerando o quanto a Tomoe assustou ele, mas ele parecia bem do tipo que se suborna fácil.
| Mio | [Eu terminei de investigar a Guilda dos Comerciantes], Mio anuncia.
Eu assinto. [E?]
| Mio | [Parece que vender mercadorias sem uma licença deles é ilegal. O lugar mais próximo onde podemos emitir ou renovar uma placa é a cidade mais próxima daqui, Tsige]
| Makoto | [Quão longe fica?]
| Mio | [Mais ou menos três vilas depois daqui. A jornada até lá normalmente leva um mês]
Espera, três cidades inteiras depois desta? Isso é longe pra caramba.
A gente teria dificuldade para nos sustentar até lá, sem dúvida. Mesmo que a Mio e a Tomoe façam trabalhos de aventureiro até lá, a remuneração do Ranque E não pode ser tão boa.
| Makoto | [Tem algum jeito de vender nossas coisas antes?], eu pergunto.
| Mio | [Parece que um posto de troca pode atender nossas necessidades]
| Makoto | [Um posto de troca?]
Primeira vez que ouço falar disso.
| Mio | [A gente pode agir como atacadistas para qualquer filial da Guilda dos Comerciantes... Aliás, posso perguntar o que é um atacadista?]
Você devia ter perguntado isso para o pessoal da Guilda, né?
| Makoto | [Basicamente, a gente só pode vender para outros comerciantes], eu explico. [Mas, bem...]
Seria um jeito excelente de descobrir o valor de mercado das nossas mercadorias, mas, considerando o estado de desordem em que essa base está, eu sinto que os comerciantes estão tentando arrancar dinheiro dos aventureiros de propósito. Eu não quero ajudar nisso — mas existe uma boa chance de eu só estar pensando demais.
Eu penso por um momento. [Eu acho que todas as nossas mercadorias estão prestes a estragar, então é melhor a gente vender tudo o que tem nesse posto de troca amanhã]
Isso pelo menos vai render algum dinheiro.
O primeiro dia chega ao fim, mas ainda há coisa demais para fazer para a gente relaxar. Eu decido não recuar para o Subespaço e me preparo para dormir numa das camas da estalagem.
Tomoe assente. [É melhor também não dar atenção aos nossos perseguidores lá fora]
Mio lança um olhar confuso para ela. [Perseguidores?]
| Tomoe | [Você não percebeu que estava sendo seguida?]
| Mio | [Eu? Seguida?!]
Eu não fico surpreso. Ela não parece ser do tipo que evita perigo — ela prefere mergulhar nele e engolir o perigo inteiro.
Ela marcha até a janela. [Eu vou me livrar deles]
Eu balanço a cabeça. [Não, deixe. Eu quero deixar eles irem]
| Mio | [Por quê?!]
| Makoto | [Eu disse, deixe]
Ela faz um biquinho. [Hmph]
| Makoto | [Vamos, já está quase na hora do jantar. Seria ruim não aproveitar, né?]
Felizmente, isso melhora o humor dela na hora, exatamente como eu esperava.
Eu me viro. [Aliás, Tomoe...]
| Tomoe | [Sim, Lorde?]
| Makoto | [Eu quero que você espere junto das nossas mercadorias... Na verdade, acho melhor você passar a noite lá fora. Eles já estão ficando curiosos]
Os olhos dela se arregalam. [O quê?!]
| Makoto | [Você quer ser tipo o Kaku-san, não quer? Então. Ele é sempre quem faz esse tipo de coisa no show!]
| Tomoe | [M-Mas, e o jantar!]
Eu sorrio calorosamente. [Você vai ficar bem!]
| Tomoe | [E-Então, você é o diabo, Lorde?!]
| Makoto | [Agora, você provavelmente não precisa que eu diga isso, sendo a boa serva de comerciante que você é, mas não encoste um dedo nas nossas mercadorias, okay?]
| Tomoe | [Você é um demônio! Tem um demônio entre nós!]
| Makoto | [Só lembre do tanto de problema que você causou pra gente hoje! Agora vai, essa é uma ordem!]
Eu preciso bater o pé de vez em quando.
Pode me chamar de diabo, demônio ou o que quiser! Mwahahaha!
Tomoe
Honestamente, ele podia ser mais atencioso.
Desse jeito, ele está destinado a virar nada menos que o estereótipo do velho cruel. Eu preferia muito mais ele como o Komon-dono gentil e sábio, claro — sem mencionar que ele não tem quase nenhuma vontade de enfiar o nariz no perigo. Com a tentativa de golpe na recepção, por exemplo, ele percebeu a maldade, mas não fez nada. Se eu não tivesse interferido, o encontro teria acabado antes mesmo de começar. Isso não serve. O mundo não se tornará um lugar melhor — e eu não terei chance de usar minha katana nova também.
Embora a lâmina seja apenas correta em forma, os anões anciãos... não, os eldwars, como eu vou chamá-los, conseguiram forjar uma katana. Eu fico feliz que Mio seja descuidada do jeito certo para convidar problema até a nossa porta e avançar o enredo. Ela se encaixa perfeitamente no papel do desastrado Hachibe-e-san, conduzindo cada preparação que a gente precisa. Agora, se ao menos nosso Lorde estivesse mais disposto a confrontar os malfeitores, a gente poderia começar nossa Jornada de Salvar o Mundo: arco do Fim do Mundo de verdade.
No momento, eu estou agachada entre as várias mercadorias na nossa carroça. Embora eu ainda esteja irritada com a falta do jantar, há um ar de expectativa, e eu me pego grata ao meu Lorde pela previsão dele. Eu tenho minha espada no quadril — uma lâmina leve de um gume só no formato de uma katana de verdade, embora eu ainda não tenha encontrado o método de forja de uma genuína.
Meu Lorde tem memórias de ser arrastado pelos pais para algo chamado Hamono Matsuri, ou Festival de Cutelaria, numa cidade chamada Seki, onde esse tipo de lâmina é feita. Eu decidi vasculhar essas memórias mais a fundo depois.
Felizmente, ele é do tipo curioso e pesquisa regularmente o que quer que capture seu interesse. É um traço fácil de explorar, e eu sou bem grata por isso.
Eu observo nossas mercadorias. A maioria são frutas encontradas crescendo naturalmente no mundo natal do meu Lorde. Como ele afirma reconhecer tudo, ele é bem útil para identificar as comestíveis. Cada fruta está madura e suculenta, com sabor que eu confirmei pessoalmente. Isso também é um produto do ambiente duro em que ele viveu, e, apesar do jeito meio aleatório de empacotar, nenhuma mostra sinais de amassado ainda. Elas estão tão frescas como pod—
Eu congelo.
| Tomoe | [Hmph... Então eles ousaram fazer seu movimento]
Os perseguidores da Mio estão se aproximando devagar. Embora a aproximação deles revele evidência de treino dedicado, eu passei tempo demais longe dos hyumans para detectar isso só por esse traço. Não, há uma malícia sutil no ar que deixa as intenções deles claras. Eles também são coordenados nos movimentos, o que fala de têmpera na fornalha da batalha.
Hmm... Como eu procedo?
No momento antes de eu sair do quarto, meu Lorde implorou para eu não matar todos onde eles estão. Eu fiquei muito mais forte desde a forja do nosso Contrato, mas não tenho itens de supressão como meu Lorde tem. Se eu atacar pra valer, eles morrerão em segundos, mas eu não posso simplesmente ignorar ordens.
Vamos testar o uso ideal da força.
Dois dos seis escolhem esperar do lado de fora, enquanto quatro entram no estábulo. Perfeito. Agora eu vou deixar dois vivos, mesmo no pior cenário. Dois dos quatro ladrões se aproximam devagar da carroça, estendendo a mão para pôr as mãos no veículo.
É a hora!
Eu me levanto em silêncio e desembainho a lâmina, movendo-me para o lado do carrinho.
| Tomoe | [Que negócio vocês têm com a nossa carroça?], eu pergunto alegremente.
Os intrusos congelam, as cabeças virando rápido para me encarar. Os olhos deles falam de cautela e malícia em partes iguais. Isso não é surpresa; com minha presa diante de mim e a batalha próxima, eu encaro os olhos deles com a alegria predatória de uma serpente observando um rato suculento.
| Bandido | [...]
Minha presa permanece em silêncio. Eles trocam um único olhar e assentem de leve. Então não têm desejo de negociar, mas eu não tenho problema com isso. Canalhas miseráveis desses merecem dor. Os vigias, apesar de sem dúvida ouvirem minha interrupção, não fizeram menção de se aproximar. Então eles vão ficar fora da luta.
Eu pego o brilho de aço nas mãos dos dois capangas mais próximos, e os dois vigias fazem um movimento de arremesso. Em conjunto, os saqueadores da carroça avançam sobre mim. Eu desvio o primeiro e, então, esquivo do segundo. As facas de arremesso são desviadas no ar com a bainha da minha lâmina. Os golpes deles são leves e lentos, longe de ser páreo para mim.
A espada curta que erra me corta no ar mais uma vez, num ângulo que praticamente implora para eu chutar e arrancá-la da mão do dono. Eu dou um chute rápido com a ponta do pé no pulso do atacante — um chute que nem carrega meu peso direito — e, ainda assim, com um estalo surdo, o canalha foi lançado para trás. Eu me contive o melhor que pude, mas o pulso dele sem dúvida estilhaçou. Eu sinto que usar minha espada seria uma decisão tola e letal, mas minha curiosidade venceu.
| Tomoe | [Hmm...]
Eu vou evitar matá-los se eu focar meus ataques nas armas deles. Eu dou um passo rápido para trás e, antes que meus oponentes consigam se recompor, eu desfiro um golpe curvo veloz.
| Bandido | [O quê?!], um deles engasga.
Incapaz de responder mais, ele provavelmente nem processou meu recuo. Eu praticamente desapareci da frente dele, e ele congelou como um iniciante miserável.
*Clang*!
Meu oponente congela ao som da lâmina dele misteriosamente encurtando diante dos próprios olhos. Eu mal sinto a resistência do aço dele, e minha katana parece tão natural na minha mão quanto uma extensão do meu corpo. Os eldwars realmente superaram a si mesmos, e eu fico ansiosa para ver o que farão com uma katana de verdade.
*Schlk*!
O que foi esse som?
Eu sigo o som e vejo metade do meu oponente, do peito para cima, caindo molhado no chão. Eu vejo a metade de baixo desabar um instante depois.
Impossível! E pensar que eu daria um golpe desses...!
Pior: parece que meu desconforto alcançou os quatro oponentes restantes. Se eu não agir rápido, os quatro vão escapar, e eu preciso de vilões vivos para interrogar! Os dois vigias mais distantes já têm uma boa distância de mim, e a nossa briga parece propensa a se espalhar se eu os perseguir. Não. Eu preciso me contentar com o par do meio.
Eu mudo a pegada da lâmina, lembrando o conselho do meu Lorde de que eu devia mandar forjar uma katana de fio invertido também. Meus próximos alvos já viraram as costas descaradamente e estão fugindo. Embora eu não consiga ver os rostos, o formato do corpo de uma indica seu sexo feminino.
Eu raciocino que, se eu só conseguir trazer um vivo, meu Lorde preferiria a mulher. O peito dela é bem grande e se destaca de forma proeminente sob as roupas negras. Ele insistiu na beleza dos transeuntes apesar da aparência completamente mediana, então eu concluo que ele só está faminto pelo toque de uma mulher. Apesar disso, ele não faz nenhum movimento para consumar nosso Contrato. Ele é um homem intrigante, sem dúvida.
Não... Se meu Lorde mantiver uma mulher cativa, o que separaria ele de qualquer oficial corrupto?! Ele cometeria um erro desses, sem dúvida! Que artimanha perversa, usar minha adoração pelo meu Lorde contra mim! Que tático astuto... embora eu não possa negar que isso pareça estranho, de algum jeito.
Eu posso deixar esses pensamentos para depois, no entanto. Eu vou deixar a mulher ir e trazer o homem de volta.
Eu impulsiono do chão em direção ao meu alvo, ultrapassando com facilidade o atacante sem peito. Então eu me viro para cortar a rota de fuga pretendida deles, cravando a parte chata da minha lâmina na boca do estômago dele. A outra se vira, os olhos se arregalando ao ver meu golpe. Ela sem dúvida viu o destino dos companheiros e, como eu esperava, ela tropeça só uma vez antes de aumentar a velocidade e fugir pela própria vida.
Hehe, eu sabia. Excelente trabalho! Agora eu só preciso extrair a informação de que precisamos para encontrar o mal que vive dentro deste lugar! Finalmente, começa agora! Tudo conforme o plano... Kekekekeke!
| Makoto | [Pronto, oficial corrupto é o único papel que combina com você agora]
Eu solto um suspiro ao ver o homem de roupas escuras que a Tomoe trouxe de volta. Ele ainda não recuperou a consciência, e a Mio já voltou para fora para se livrar dos corpos que a Tomoe deixou para trás.
Enquanto eu cruzo os braços imperiosamente para a Tomoe, uma quarta pessoa senta em silêncio no banquinho atrás de mim, os olhos vagando inquietos pelo quarto.
A gente foi para o salão de jantar depois de nos separarmos da Tomoe e, durante nossa caminhada pós-jantar, a gente tropeçou numa garotinha perdida. O plano era trazê-la de volta para a estalagem e descobrir o máximo possível sobre a situação dela, mas, no caminho, a gente encontrou a Tomoe. Ela estava extremamente satisfeita consigo mesma, se gabando de que não matou todos. Eu honestamente fiquei bem com três dos seis terem fugido, mas quando eu perguntei se isso significa que ela capturou três, eu não recebi a resposta que queria.
| Tomoe | [Eu matei dois onde eles estavam, mas um ainda está lá, vivo], ela mencionou indiferente.
Ela tentou chutar a espada do primeiro para fora da mão, mas acidentalmente mandou ele voando, e ele nunca levantou depois de bater no chão. Meu melhor palpite é que ele morreu de choque. Quanto ao segundo, ela cortou a espada dele para desarmar, mas acidentalmente cortou o coitado ao meio. Aparentemente, os dois foram acidentes, e ela ficou murmurando desculpas, mas nada disso importa.
Isso é doentio! Isso não é algo que um 『ops』 fofinho conserta! Meu Deus, eu estou viajando com uma assassina!!!
Eu perguntei à Mio se ela poderia comer— quero dizer, fazer os corpos desaparecerem bem quietinho, e ela ficou mais do que feliz em ajudar. Ela foi direto para a carroça para limpar.
Suspirando, eu vou até a cama para checar nosso cativo. O corpo dele é esguio e magro, e não tem nenhum dos músculos que eu esperaria.
| Makoto | [Uh, Tomoe? Você sequestrou uma garota ou algo assim?]
| Tomoe | [Hehe... Kekekeke...!]
Uh oh. Do que ela está rindo?
| Tomoe | [Eu sabia que você era desse tipo, meu Lorde!]
Desse tipo? Do que diabos ela está falando?!
| Tomoe | [Eu consigo ver agora, meu Lorde — você vai me chamar de corrupta agora, não vai?!]
Eu não sei do que ela está tão confiante, mas ela sabe o que eu estou prestes a chamar ela... Um palpite sortudo.
| Tomoe | [Mas], ela continuou, apontando imperiosamente para o nosso refém, [isso aí é um homem!]
...
Tá, e daí? Por que diabos eu deveria me importar?! Mais importante: eu preciso saber se ela revistou esse cara em busca de armas escondidas ou não!
Ela obviamente revistou, se está tão confiante de que é um homem. Não tem cobertor nem nada, então o corpo dele está completamente exposto.
Mas isso é mesmo um cara? Tem algo aqui que parece meio errado... Quero dizer, olha esses quadris—
Eu solto um suspiro. Claramente, Tomoe não apalpou nada, porque há facas nas bainhas, à vista de todos.
| Makoto | [Por que você não checou ele por armas?], eu repreendo. [Sério, por que você arrastou ele até aqui sem ao menos garantir que ele estava desarmado? Isso é descuido]
Eu retiro as facas. Elas provavelmente são facas de arremesso, já que não têm uma pegada boa para balançar na mão — mas seriam mais do que suficientes para se aproximar por trás e cravar no pescoço de alguém.
Tomoe ri fraco. [Eu achei que seria divertido, caso ele ameaçasse violência contra nós quando estivéssemos a sós]
Isso não é minha ideia de diversão, mas okay, você que sabe.
O refém geme, se mexendo na cama. Ele provavelmente só está virando no so—
Kssh!
| Makoto | [... Whuh?]
Há o som de tecido rasgando, e o que quer que estivesse mantendo os peitos do nosso cativo presos se rompeu, revelando o grande busto dela.
... Oh.
Com isso, eu volto às minhas palavras de antes. Tomoe ainda está em choque e, ao alternar o olhar entre mim e a refém, ela pareceu encolher de vergonha.
Acho que isso coloca a Tomoe numa situação complicada, assim como o peito da nossa refém estava... Espera, isso não tem graça.
A agressora devia estar amarrando o peito bem apertado, ou então não teria se soltado desse jeito.
| Tomoe | [I-Isso deve ser uma trama! Uma maquinação cruel de algum cérebro por trás de tudo!], Tomoe gagueja. [De que outra forma minha mão seria forçada com tamanha crueldade?! Ah, a inhumanidade!]
| Makoto | [Você poderia pelo menos tentar considerar minhas necessidades da próxima vez?], eu suspiro pesado. [Tipo... você devia saber que isso tornaria o interrogatório ainda mais difícil]
| Tomoe | [Eu evitei a peituda com grande garra e determinação], Tomoe responde estoicamente. [Ela era um homem minutos atrás, eu juro]
Uh... peituda? Eu me perdi, mas talvez seja melhor assim.
| Makoto | [Sério... Se você tiver que sequestrar alguém de novo, certifique-se de fazer uma revista completa. Assim você garante que ele está desarmado... e verifica as partes se isso realmente importa tanto para você, eu acho]
| Tomoe | [Oh, mas você esqueceu — eu estava tão tomada pelo medo de virar uma molestadora, que fui incapaz de tocá-la]
| Makoto | [Porra... Segurança em primeiro lugar! Sempre segurança em primeiro lugar! Isso não é um drama. Você não precisa se preocupar com censura nem com a aparência nem nada disso! Seria melhor para todos nós se você fosse pervertida, e não idiota!]
Em teoria, claro — espero que ninguém me cite nisso.
| Tomoe | [Hrnghh...!]
| Makoto | [Sem rosnar!]
Eu balanço a cabeça, irritado. [Sério, você é tão—]
| ??? | [C-Com licença?], veio uma voz desconhecida.
Eu paro. A voz é leve e suplicante, e não é a Mio nem a Tomoe. Eu não consigo pensar em quem poderia ser, mas—
Ah, certo... Eu esqueci da garota que a gente pegou na caminhada!
Ela ainda está curvada no banquinho, com um olhar inquieto no rosto. Pelo visto, ela perdeu a família, e nós a levamos para casa para conseguir alguns detalhes e ajudar a encontrá-los. Tomoe quase me fez esquecer dela por completo. Ela é uma completa estranha, e eu tenho quase certeza de que não entendeu uma palavra do que eu acabei de dizer.
Claro que ela ficaria inquieta com isso... Eu estive escrevendo para ela esse tempo todo porque eu estava doente demais para falar. Não é de se admirar que ela esteja preocupada.
Eu olho para a Tomoe. [... Só tente ser mais cuidadosa da próxima vez, okay?]
Ver o efeito que eu causei na garota drenou toda a raiva de mim.
Aliviada com a mudança nas minhas emoções, Tomoe se curva para a nossa convidada. [Oh, obrigada pela sua ajuda, garota!]
Não era ela que devia me agradecer primeiro?! E ela ainda mudou para a Língua Comum certinha pra isso... Isso tem que ser um crime premeditado. Eu só queria que ela usasse a cabeça para facilitar a minha vida em vez de causar problema o tempo todo... Eu acho que vou chorar.
| Garota | [Eu achei que você tinha dito que não consegue falar?], a garota me pergunta, confusa.
| Makoto | [Eu consigo falar], eu respondo o mais claramente possível na Língua Comum. Minha pronúncia deveria estar perfeita, e eu estou confiante de que acertei até as inflexões emocionais.
A garota apenas inclinou a cabeça, confusa, sem responder. Eu olho para a Tomoe, que assente e se vira para falar com a garota.
Olha só, que consideração.
| Tomoe | [O meu Lorde tentou dizer que consegue falar. Viu? Totalmente ininteligível]
| Garota | [Huh?! Tudo o que eu ouvi foi ihamyumyuamunee!]
Merda... Eu soei mesmo assim? Acho que só a primeira parte passou...
| Tomoe | [Essa é a parte mais fascinante da maldição dele], Tomoe continua dramaticamente. [Veja, embora ele seja incapaz de falar a Língua Comum, ele é habilidoso em outros idiomas e consegue se comunicar conosco livremente através do uso deles]
A garota pisca. [Eu achei que ele tinha ficado doente?]
| Tomoe | [De fato, nós achamos isso na época, mas não passava de um subproduto do feitiço. Nós nos referimos a isso como uma simples doença para evitar discriminação. A maioria ouviria falar da maldição e julgaria meu Lorde é impuro, afinal]
A garota pareceu aceitar a resposta.
Cara, eu queria ser metade tão bom em convencer pessoas quanto ela...
A sobrancelha pequena dela se franze. [Você consegue falar tantas línguas, mas não consegue usar a Língua Comum... Isso é horrível! Seja lá qual demônio te amaldiçoou é muito ruim!]
Espera, demônio? Maldições são algo exclusivo de demônios? Se for, é melhor a gente arrumar outra explicação... Eu não quero manchar uma raça inteira por causa de um álibi.
Tomoe assente com simpatia. [Uma alma pobre, de fato. Agora, garota, me diga o que te traz aqui e como você veio a encontrar o meu Lorde]
| Makoto | 『Espera aí』, eu escrevo.
Ela nem ouviu o que a garota disse?
| Tomoe | [Hm? Aconteceu alguma coisa?], Tomoe responde casualmente.
Como assim ela está de boa com o que a garota acabou de dizer?
| Makoto | 『Por que você acha que eu fui amaldiçoado por demônios?』
Eu sou atingido por outra onda de alívio por ela já ter idade para ler.
| Garota | [A Língua Comum é uma bênção da Deusa, um presente para todos no mundo para que a gente consiga conversar! Todo mundo é abençoado com isso um pouco depois de nascer!]
| Makoto | [...]
| Garota | [Ah, mas não os monstros. Só os hyumans são aceitos pela Deusa, então monstros precisam estudar muito para falar]
| Makoto | [...]
Tem algo um pouco triste no jeito como o todo mundo dela só inclui hyumans. Só que tem algo mais urgente.
Isso quer dizer que eu sou tecnicamente um monstro?
Essa história de bênção também soa um pouco estranha. Eu ouvi que, todo ano depois de nascer, todo mundo precisa ir ao santuário da Deusa ou algo assim para rezar e, a cada visita, o domínio da Língua Comum de uma criança aumenta. Existem algumas diferenças no momento em que uma criança começa a falar, é claro, mas geralmente acontece por volta dos três anos. A garota nos diz que chegou a esse ponto aos quatro.
Obviamente, eu não posso simplesmente pegar essa merda... Eu só tenho respeito pelos não-hyumans que conseguiram dominar a Língua Comum.
Não se baseia em ciência nenhuma, afinal. Você só tem que repetir as vogais sem parar, de novo e de novo, até que eventualmente receba bênçãos o bastante para aquilo fazer sentido. Forçar não-hyumans a dar sentido àquela literal falta de sentido e lidar com a língua manualmente é impossível.
Huh, então é assim que funciona... Vai se foder, Deusa! Ela espera que eu lute com unhas e dentes por cada coisinha?! É isso, agora é oficial!
Deixando essa revelação sobre a Língua Comum de lado, eu me viro para a Tomoe e vou direto ao que interessa.
Mio
Ao voltar da limpeza, eu encontro o Milorde completamente sem expressão e a Tomoe com um olhar conturbado. Eu deduzo que o ronco sutil vindo do fundo do quarto pertence à garota que acolhemos. Sentada de frente para a Tomoe e o Milorde, porém, há uma mulher que exala malícia abertamente.
Honestamente, Tomoe-san... você não pensou em sequestrar um homem? Milorde é o interrogador principal, afinal.
Ela é claramente uma das canalhas que me seguiram desde a Guilda dos Comerciantes, e eu duvido que ela tenha um gosto melhor do que os companheiros caídos. Mesmo eu tendo consumido eles indiretamente ao envolvê-los em escuridão e drenar o mana enquanto se decompunham, todos tinham a complexidade de sabor da lama. Se eu não tivesse partilhado do mana do Milorde, porém, eu provavelmente nem teria me importado.
Imagino que o conteúdo do interrogatório terá pouca relação comigo.
Eu ainda luto para entender os modos do mundo, e as emoções humanas em particular são confusas, na melhor das hipóteses. Se eu ficar irritada, eu sem dúvida vou devorá-la ali mesmo e incorrer na ira do Milorde. Ainda assim, eu admito que fico curiosa com a novidade da expressão do Milorde, e acabo curiosa sobre a conversa deles.
| Makoto | [Tomoe], o Milorde finalmente diz. [Faça]
| Tomoe | [Com prazer]
Com isso, Tomoe-san envolve o corpo da prisioneira em névoa. Ela se debate na tentativa de resistir, mas cai fraca na cama momentos depois. Parece algum tipo de feitiço de sono, exceto que a névoa permanece densa ao redor dela enquanto dorme.
| Tomoe | [Você consegue ver a expressão dela, Lorde, consegue?]
Ele assente. [Parece que sim, sim. Você tem certeza de que eu consigo falar com ela assim?]
Ainda assim, o Milorde não demonstra qualquer emoção. Eu nunca o vi nesse estado, e eu sinto vontade de matar a mulher, sem dúvida responsável por isso, ali onde está.
| Tomoe | [Vai ser como se você estivesse falando através de mim], Tomoe confirma.
| Makoto | [Tanto faz. Vamos acabar logo com isso]
Eles ainda não notaram meu retorno, provavelmente pela severidade do Milorde. Não há malícia nem raiva no ar, apenas uma intensidade indescritível.
| Tomoe | [Ainda assim, esse é um método bem seco de interrogatório... não tem diversão nenhuma]
Estou impressionada que ela consiga falar com tanta leveza.
| Makoto | [Eu não preciso que seja divertido. Não importa se a gente ameace ela, drogue ela, seja lá o que for — desde que a gente consiga a informação de que precisa]
| Tomoe | [Eu suponho]
| Makoto | [Eu fico feliz de ter você comigo nisso. Eu não sei como conseguir um soro da verdade nem nada, e eu nunca torturei alguém antes]
Não há calor nem frieza na voz dele, apenas um fato nivelado. Eu ouvi que o mundo antigo dele é uma terra pacífica sem morte nem dor, então eu assumi que o Milorde ficaria mais inquieto com coisas assim.
Ele pretende matar essa mulher? Suponho que não é meu lugar dizer.
Contrato ou não, eu pertenço a ele em corpo e alma. Nada mais importa e, em momentos como este, é importante me lembrar disso.
Eu observo enquanto os dois continuam o interrogatório. Tomoe-san faz algo com a mulher para torná-la mais sugestionável, e ela responde prontamente a qualquer pergunta que o Milorde faça. O ataque deles não foi para roubar nossas mercadorias, e a garota que o Milorde e eu encontramos está de algum jeito relacionada ao incidente.
Mas veja só... esta base está cheia de sujeira.
Depois que as perguntas pareceram secar, os dois suspiram e deixam a névoa ao redor da mulher desaparecer antes de trocar um olhar. Eu tomo isso como o momento ideal para anunciar minha presença.
| Mio | [Vocês terminaram, eu suponho? Excelente trabalho]
O Milorde se vira num sobressalto, a expressão suavizando ao me ver. [Oh, Mio. Algo assim... Você terminou a limpeza?], a voz dele é suave e gentil, como sempre.
| Mio | [Claro], eu respondo. [O sabor deixou muito a desejar, como esperado]
Eu lanço um olhar para a Tomoe-san, e ela abaixa a cabeça em desculpas.
O Milorde suspira, aliviado. [Obrigado. Agora, se ao menos as coisas parassem de ir do jeito que a Tomoe quer, talvez a gente conseguisse respirar]
Do jeito que a Tomoe quer?
Eu lembro dela mencionar encontrar algum cérebro por trás de tudo, mas eu ainda não ouvi nenhum detalhe.
Tomoe-san sacode a cabeça freneticamente. [Eu juro que não tenho intenção de forçar minha vontade mais ainda! Eu duvido que seria divertido o suficiente]
Eu não faço ideia do que ela está falando, mas, ao que tudo indica, essa última confusão finalmente se aproxima do fim.
| Mio | [Que tal retomarmos isso amanhã?], eu pergunto. Presumivelmente, já não há muito mais a extrair do interrogatório.
Em vez de me responder, porém, meu Lorde simplesmente me entrega um pedaço de papel.
| Mio | [O-O quê? Milorde, posso perguntar o que é isso?]
É um desenho feito a carvão — e um bastante habilidoso. Um retrato de uma jovem sorridente, mostrado do busto para cima.
| Makoto | [A irmã da garota], meu Lorde diz simplesmente.
Ah, agora eu entendo.
Quando encontramos a garota durante a caminhada, ela havia perguntado se tínhamos visto sua irmã mais velha. Nós a fizemos nos acompanhar porque parecia que ela estava sendo observada — embora, quando chegamos à estalagem, a presença observadora já tivesse desaparecido, então eu não sei ao certo por que ela ainda está ali. Ainda assim, se essa é a vontade do meu Lorde, eu não me inclino a contrariá-lo.
Pelo interrogatório, fica claro que a tal irmã mais velha está sendo mantida pelos nossos atacantes, e meu Lorde parece decidido a resgatá-la. É um desejo tolo, é claro, já que não temos como saber sequer se a irmã da garota ainda está viva.
| Makoto | [Eu acho que sei onde a irmã está. Você e a Tomoe podem ir verificar agora?]
O quê...? Isso quer dizer que a gente não vai dormir juntos hoje à noite?
| Tomoe | [M-Meu Lorde!], Tomoe-san protesta. [Primeiro você me nega o jantar, e agora o sono?!]
Pela primeira vez, eu concordo com a lagarta.
Meu Lorde assente de forma prática. [Vocês nem precisam dormir toda noite, precisam?]
Isso... isso é verdade, eu suponho. Eu consigo me lembrar de períodos de meses — ou até anos — permanecendo acordada, seguidos por cochilos igualmente longos. Ainda assim, eu desejo ajustar meu sono ao do meu Lorde o máximo possível, sem mencionar a outra questão em mãos.
| Mio | [Talvez você tenha razão, Milorde, mas—]
| Tomoe | [Eu quero dormir, meu Lorde!], Tomoe-san protesta em voz alta. [Dormir neste corpo me dá uma sensação de frescor matinal que eu nunca senti antes!]
Ela é direta e rude na escolha de palavras, mas eu concordo. Embora eu só tenha esta forma hyuman há alguns dias, dormir me deixa estranhamente satisfeita.
Meu Lorde balança a cabeça. [Vocês ouviram o que ela disse. Não temos ideia se a irmã da garota ainda está viva. Além disso, nós até sabemos onde ela está, e tenho certeza de que vocês duas conseguem lidar com qualquer coisa que apareça pelo caminho]
| Mio | [Que sentido há em se apressar se ela talvez já esteja morta?], eu pergunto.
Eu pretendia que fosse uma pergunta honesta, mas isso foi um erro. Os olhos do meu Lorde se turvaram novamente com vazio.
| Makoto | [Mio... eu quero fazer tudo o que puder para salvar a irmã dessa garota. Por favor, apenas tentem trazê-la de volta em segurança. Mesmo que ela já esteja morta, precisamos contar isso à garota o quanto antes. Entende?]
Eu engulo em seco e acabo assentindo. Há algo no olhar dele que é profundamente perturbador. É antinatural e indiferente, como se ele tivesse perdido todo o interesse em mim de repente, e ser considerada inútil tão abruptamente foi indescritivelmente doloroso. Eu lanço um olhar para a Tomoe-san, que parece igualmente abalada. Ela assente com firmeza.
| Makoto | [Desculpe por isso], meu Lorde se desculpa sem emoção. [Eu vou levar a garota ao posto de troca amanhã, então não se preocupem com isso. Foquem em encontrar a irmã por agora, viva ou morta], ele olha para a Tomoe. [Como não temos atores suficientes, vocês duas também vão ter que fazer os papéis de Gin-san e Yashichi]
Tomoe suspira. [Suponho que não temos muita escolha... O papel do Komon-sama sempre foi esperar a confirmação de que os inocentes estão a salvo. Mio, vamos]
Eu não faço ideia do que se passou nessa troca, mas fico grata por parte da tensão ter desaparecido do ar. Milorde fica no seu melhor quando está à vontade, e eu sinto um pequeno fio de gratidão pela dragão.
Tomoe para na porta, porém, e se vira de volta para o Milorde por um instante.
| Tomoe | [Oh, mais uma coisa]
| Makoto | [O que foi?]
Ótimo... Ele soou normal de novo.
| Tomoe | [Se completarmos essa missão com sucesso, eu... eu gostaria de me referir a mim mesma como minha pessoa]
A tensão visivelmente sai dos ombros do Milorde. Eu também fico confusa sobre por que ela precisaria de permissão para isso.
| Makoto | [Uh... não vejo por que não], ele responde, algo com o que eu não poderia concordar mais. [Por que você está perguntando isso?]
| Tomoe | [Parece combinar melhor comigo, mas presumi que fosse um prazer exclusivo do Komon-sama]
| Makoto | [Bem... não é. Faça o que quiser]
| Tomoe | [Oh, muito obrigada, meu Lorde! Até logo!]
Depois de uma reverência completamente desrespeitosa, ela escancara a porta e sai em disparada. Eu a sigo, mantendo total compostura. Sem dúvida, ela sabe qual é o nosso destino, então tudo o que preciso fazer é acompanhá-la.
Assim que saímos da estalagem, porém, eu paro. Há uma coisa que ainda me incomoda e, agora que estamos a sós, parece certo perguntar. Dada a hora tardia, não há transeuntes à vista.
| Mio | [Tomoe-san? Posso perguntar o que causou tamanha aflição no Milorde?]
Ela dá de ombros. [Não faço ideia. Eu só fiquei feliz que você voltou quando voltou e ajudou a avançar as coisas. Você viu o retrato, não viu?]
| Mio | [Vi. A irmã da garota, certo?]
| Tomoe | [Exato. Como a garota afirmou ser habilidosa em desenho, pedimos que ela fornecesse um apoio visual]
| Mio | [Ela é bem boa para a idade]
Pelo que ouvi, ela mal tem dez anos.
Tomoe assente. [Porém, no momento em que ele colocou os olhos no retrato, a emoção drenou do rosto do meu Lorde, e uma pressão estranha tomou o ar. A cativa também reagiu da forma mais esquisita... Foi por isso que o interrogatório aconteceu]
Eu lembro da cena no quarto da estalagem. Certamente, eu nunca vivi nada parecido.
| Mio | [Você acha que o Milorde conhece a irmã?], eu arrisco.
| Tomoe | [Impossível. Ele não tem nem amigos nem inimigos neste mundo inteiro]
Há uma firmeza na voz dela que corta qualquer suposição adicional.
| Mio | [Você... você conhece muito bem o Milorde], eu consigo dizer. [Eu estava sob a impressão de que vocês só se conheciam há pouco tempo]
Não deve ter passado de alguns dias, pelo que me disseram.
| Tomoe | [Suponho que sim... embora minhas circunstâncias, em particular, sejam bem únicas]
| Mio | [Posso perguntar?]
| Tomoe | [Por que não? Veja, eu consigo controlar ilusões livremente, embora isso venha com um efeito colateral poderoso]
| Mio | [E qual seria?]
| Tomoe | [Eu consigo ver memórias... Eu vi as memórias do meu Lorde. Nada mais, nada menos]
| Mio | [O quê?! Como ousa uma serva tão inferior violar a mente dele assim?!]
| Tomoe | [Ele e eu éramos inimigos naquela época, assim como você e eu fomos]
Eu estou com ciúmes— não, não vou dizer isso.
| Mio | [Então quem é o Milorde?]
| Tomoe | [Pergunte isso a ele você mesma. Faça isso, e vocês dois sem dúvida encontrarão novas fontes de confiança]
| Mio | [Faz sentido... mas seria errado você mesma me contar?]
Ela balança a cabeça. [Nem eu vi tudo — assim como não vi suas memórias. Nosso Lorde me deu permissão para vasculhar o conteúdo da mente dele, é claro]
Minhas memórias? Duvido que eu tenha alguma daqueles dias intermináveis de gula...
| Mio | [Mas, nas memórias que você viu, você chegou a ver alguém parecido com o retrato?]
Essa é a forma mais simples de descobrir, mas, mais uma vez, Tomoe balança a cabeça. [Sou incapaz de procurar detalhes tão minúsculos, sem mencionar que grande parte da mente dele ficou fechada para mim depois do nosso Contrato. Talvez esteja lá dentro. Há uma coisa da qual posso ter certeza, no entanto], ela se vira para me encarar nos olhos. [Se não conseguirmos garantir o bem-estar da irmã, nosso Lorde sem dúvida permanecerá de ânimo baixo por um bom tempo]
Isso é um problema sério, sem dúvida. Garantir que o humor dele melhore é crítico para manter o caráter agradável da nossa jornada. Tomoe não precisa de resposta para saber que a importância foi compreendida.
| Mio | [Muito bem. Nesse caso, vou deixar essas questões do passado para trás e focar na tarefa em mãos]
Tanto pelo nosso presente quanto pelo nosso futuro — e pelo meu prazer contínuo nessa pequena viagem — eu me concentro no objetivo que temos diante de nós.



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