Capítulo 4




Eu não vou esquecer isso, huh... Eu lembro de quando ainda era ingênuo assim.

Claro, não foi há tanto tempo, mas minha noção de tempo ficou rapidamente distorcida pelas incontáveis horas que passei estudando. Sou o primeiro a admitir que me precipitei um pouco.
Infelizmente, eu ainda estou penando para entender as pronúncias sem sentido da Língua Comum. Me viro melhor ouvindo, mas preciso parar e quebrar a cabeça sempre que aparece uma palavra que não reconheço de imediato, comparando com o que já sei. É lento e desajeitado, mas na maior parte das vezes funciona.

Okay, eu admito, eu estou bem ferrado.

Existem inúmeras inflexões tonais que ainda passam completamente por cima da minha cabeça, e quanto mais eu tento aprender, mais eu me enrolo. Minha única esperança, a esse ponto, é rezar para conseguir deduzir as coisas pelo contexto.
Minha pronúncia, porém, é um caso completamente perdido. Não importa o quanto eu tente, Tomoe e Mio simplesmente não conseguem entender o que estou tentando dizer. Mesmo quando faço o possível para imitá-las perfeitamente, é inútil. Elas dizem que eu estou usando o som errado de 『A』, mas para mim todos os 『A』 soam iguais, e acabamos brigando. No fim, eu aceitei que falar a Língua Comum é impossível para mim, mesmo que eu tente por anos a fio. Dói ter que desistir tão rápido, mas não há outro jeito de encarar isso. Foi uma completa perda de tempo.
Escrever, pelo menos, veio fácil. Como não preciso me preocupar com pronúncia perfeita, é como aprender qualquer outra língua da Terra. Em apenas um mês, eu chego ao ponto de conseguir ler e entender grosseiramente a maioria dos textos, e também escrever passagens simples. Isso significa que posso 『falar』 usando magia para conjurar escrita no ar, como balões de fala de um mangá, e, por mais desajeitado que seja, ao menos consigo me comunicar. É como passar bilhetes, só que sem papel. Agora tudo o que preciso é que a Tomoe ou a Mio interpretem qualquer nuance emocional que se perca na escrita, e pronto.

Eu realmente espero que aquela habilidade idiota de Compreensão que recebi da Deusa não esteja interferindo nisso... Eu sei que ela não queria que eu lidasse com hyumans de jeito nenhum, mas isso já é crueldade demais.

Infelizmente, esse não é meu único problema. Eu ainda preciso entender por que aquela primeira moradora fugiu de mim em pânico, e por que os guardas da vila me receberam nos portões com força letal. Não pode ser só um problema de idioma. Ou havia alguma outra situação em andamento que exigia um nível tão alto de alerta, ou então algo na minha aparência — talvez em quem eu me pareça — era uma péssima notícia para eles.
Depois de investigar um pouco, porém, descubro que nenhuma das duas opções está correta. Eles sempre mantêm a segurança daquele jeito, e minha aparência não foi um fator decisivo. Não, por mais que eu odeie admitir, por mais que deseje desesperadamente que houvesse outra razão, o problema sou eu mesmo. Descobrir isso foi ainda pior do que saber que não consigo falar com eles diretamente.
Aparentemente, eu estou praticamente vazando mana, a ponto de até hyumans comuns conseguirem ver. O próprio ar num raio de três metros ao meu redor se distorce com aquilo. Os moradores do Subespaço também conseguem ver, claro, mas simplesmente não ligam muito, já que eu converso normalmente, dominei um Grande Dragão, pareço um hyuman comum e ajo como se isso não fosse nada. Nenhum deles sequer considerou que tamanha quantidade de mana esteja escapando de mim sem intenção, então ninguém se deu ao trabalho de me avisar.

Da próxima vez, eu realmente queria que alguém percebesse... talvez até exagerasse um pouco? Desmaiar com a densidade disso já deixaria bem claro.

Tomoe diz que é 『como um rio nascido de uma poderosa geleira』. Soa legal, mas eu sinto que preciso saber mais.

| Makoto | [Então... como eu parecia para os hyumans?], eu pergunto a ela.
| Tomoe | [Hm... colocando de forma simples—]
| Makoto | [O mais simples possível, por favor]
Ela fez uma pausa. [Como se não um, mas vários Reis Demônios tivessem acabado de descer diante deles, eu suponho]
| Makoto | [...]

Eu não faço ideia de como responder isso, mas a mensagem foi clara o suficiente.
Quando chamei aquela mulher em alguma língua misteriosa e a segui sorrindo até os portões da cidade, eles reagiram da única forma sensata possível: me atacando. Não posso culpá-los por isso.
Eu solto um suspiro profundo.

Mas que porra é essa?!

Ainda assim, eu não vou quebrar tão fácil. Sou o filho mais velho da família Misumi, e, pela minha honra, vou encontrar algum jeito de contornar essa idiotice. Talvez, se eu pedir ajuda aos anões, eles consigam fazer algo para impedir que todo esse mana vaze — ou, no mínimo, escondê-lo quando eu quiser falar com humanos. Claro, os guardas já viram meu rosto, mas eu não terei problema nenhum em usar uma máscara na cidade. Posso pedir isso aos anões também — talvez fazer algo legal que cubra só a metade superior do meu rosto, tipo algum super-herói.
Eu também posso precisar de roupas novas, o que posso pedir facilmente à Ema-san. Ela provavelmente consegue reunir roupas extras de todas as raças que estamos abrigando, e eu escolherei alguma coisa. Basicamente, eu preciso ir com tudo para garantir que passe despercebido, indo ao ponto de levar a Mio ou a Tomoe comigo, só por precaução.

É isso que eu vou fazer, então... Meu passeio pela cidade pode esperar até os anões terminarem o trabalho.



Vários dias depois, eu recebo a notícia de que os anões terminaram a máscara e o anel que encomendei, e finalmente estou pronto para tentar a vila mais uma vez.
O anel foi o esforço conjunto de todos os anões mais habilidosos, batizado de Draupnir. É uma peça especial e única de artesanato que absorve mana e a comprime para armazenamento fácil e discreto! Este modelo especial ainda vem com um mecanismo de segurança que a maioria das pessoas chamaria de maldição: eu literalmente não consigo tirá-lo até que ele esteja cheio de mana! Aparentemente, meu mana é denso demais para ser escondido de outra forma. Eu até consigo contê-lo manualmente até certo ponto, mas só por pouco tempo. Ele começa branco e muda de cor conforme absorve mana, até 『desligar』 num vermelho brilhante. Parece ser apenas uma peculiaridade natural do material.
Eu pedi para a Tomoe e a Mio me acompanharem à cidade quando tudo estiver pronto, e recebo dois sim cheios de energia.

| Tomoe | [Ah, um trio heroico, como os bravos samurais de Mito Komon! Isso faria do Milorde o nosso mestre disfarçado, claro, comigo como o destemido Kaku-san! Você, Mio, pode ser o Suke-san ou o Hachibe-e, francamente tanto faz]

Por que a gente está fingindo estar no Japão medieval dentro de um mundo de fantasia literal?

| Makoto | [Uh, Tomoe? Eu tenho quase certeza de que não existe nenhum Mito aqui]

Eles nem sequer têm um Japão.

Ela franze a testa. [Hm... de fato, estamos carentes de um elenco de apoio essencial]

Ou talvez a gente possa abandonar completamente esse roleplay de drama samurai?

Eu suspiro pesado. [Por que a gente está copiando dramas antigos, afinal?]
| Tomoe | [Que pergunta tola! Agora que tenho minha katana recém-forjada, preciso dar a ela um uso temático apropriado!]

Eu não devia ter perguntado.

Tomoe começa a brandir dramaticamente a espada que os anões fizeram para ela.

| Tomoe | [Brilhe, ó lâmina temível! Recuem! Recuem, ou eu os cortarei!]

Ela está realmente se empolgando demais... Isso nem é mais Mito Komon.

Até a Mio parece animada com a viagem, à maneira dela.

| Mio | [Ah, mal posso esperar para provar todo tipo de iguarias pelo caminho! Naturalmente, o prato principal será o Milorde, e eu guardarei algumas ruínas para a sobremesa]

Uh, Mio? Eu definitivamente não sou comestível. Não me importa o quanto você esteja com fome, nada de comer objetos inanimados ou pessoas... Não acredito que eu precise dizer isso. E como assim eu sou o prato principal?! Por que eu?!

Ela balança a cabeça. [Não, eu vou focar em qualidade acima de quantidade. Tudo o que preciso é do sangue do Milorde, um pouco de mana e, se eu tiver sorte... hehehe!]

Isso está me dando uma enxaqueca... Eu nem quero imaginar o que ela quer dizer com esse 『hehehe』.

Eu fico cada vez menos confiante em levar essas duas comigo. Parece que estou só me impondo mais dificuldades.

Vamos lá, dá pra fazer. Vai ficar tudo bem. De algum jeito, isso tudo vai dar certo.

Antes de partirmos, eu dou instruções aos representantes de cada raça no Subespaço para que tudo continue funcionando sem problemas na nossa ausência. Com isso, finalmente estamos prontos para ir.
Só por precaução, caso alguém estranhe minhas roupas, combinamos que eu me passaria pelo filho de um comerciante rico, sem nome, em viagem para aprender o ofício da família. Tomoe e Mio serão minhas guarda-costas, e venderemos todo tipo de raridade — mais especificamente, os produtos fabricados e as colheitas cultivadas no Subespaço. Eu não consigo falar devido a uma doença da infância, e a máscara e o anel são amaldiçoados, então eu não posso removê-los... mais ou menos. Essa parte da história foi meio mal explicada, e eu fico com receio de ainda levantar suspeitas. É estranho carregar tanta bagagem sendo uma pessoa só, afinal.
E assim, eu começo minha jornada de verdade — uma sequência ininterrupta de desastres que, de algum modo, acabou tornando o mundo um lugar melhor ao longo do caminho.


※※※



Para parecer o mais discreto possível, eu tento manter as partes visíveis do meu rosto imóveis enquanto exploramos a vila. Eu já tinha a impressão de que o assentamento era pequeno antes de ser expulso dali, e acabou sendo uma versão um pouco mais arrumada de um campo de refugiados, como os que eu via na TV no Japão. Mal dá para chamar isso de vila de verdade. É uma base improvisada de operações a partir da qual os hyumans exploram o Fim do Mundo e, embora não tenha estrutura para ser um quartel-general adequado, os moradores chamam o lugar de base.
A maioria vive em tendas, e algumas partes do acampamento têm pequenas cabanas de madeira, mas há alguns edifícios de pedra ornamentados que claramente abrigam as instalações mais oficiais do assentamento. Se eu tivesse que chutar, diria que eles guardam os achados mais valiosos ali.

Segundo os guardas do portão, a maioria dos residentes está ali para treinamento ou em busca de recursos naturais. Força ou dinheiro — objetivos simples o bastante e motivo suficiente para viver na última fronteira da civilização hyuman. Os mais empreendedores provavelmente se preocupam mais em lucrar do que em ser pessoas decentes, mas isso é só um palpite, e eu espero estar errado.
Apesar de ser nosso primeiro assentamento hyuman, existe uma sensação constante de que estamos literalmente na borda do mundo. Não há crianças brincando na praça da vila, obviamente, e eu me sinto idiota por ficar decepcionado com isso.
Passar pelos portões da frente, é claro, não apresentou problema nenhum. Graças à máscara e ao anel, ninguém sequer cogitou que eu possa ser o 『monstro』 que encontraram dias atrás. Também preparamos uma carroça cheia de mercadorias raras como parte da nossa cobertura, e fomos recebidos de braços abertos, sem qualquer suspeita.
Um dos homens do portão se interessou especialmente por algumas frutas cultivadas no Subespaço, e eu me sinto um pouco mal por termos simplesmente enfiado punhados de frutas aleatórias em caixotes e chamado isso de mercadoria. Aqui nos ermos, porém, qualquer coisa fresca provavelmente é uma bênção, e há uma boa chance de frutas serem especialmente valiosas. Vários dos anões mais velhos já viveram entre humanos no passado e tiveram experiência em comércio com eles, e gentilmente nos ensinaram o básico, mas este assentamento está longe de ser um ambiente comercial comum. As informações que temos também são bem antigas, então servem apenas como referência geral.

Enquanto quero me passar por comerciante, acho que não custa nada me registrar como aventureiro também. Os anões me falaram sobre uma Guilda de Aventureiros, e eu fico ansioso para experimentar esse clichê de fantasia. A guilda local foi estruturada para treinar seus membros, e não consigo imaginar que recebam muitos novatos — candidatos de Nível 1, em especial, provavelmente são inéditos. Ainda assim, acho que vale a pena cuidar da papelada agora e conhecer as instalações. Vale notar que apenas meu nível é bugado. Tanto a Tomoe quanto a Mio têm seus níveis testados com o papel que muda de cor dos orcs, e ambas aparecem como de alto nível. Se qualquer uma delas se registrar, não haveria problema algum.
Não existe limite máximo de nível, pelo que ouvi. Estou acostumado a um nível máximo de noventa e nove nos jogos, mas há registros de pessoas que passam dos cem. Isso só me torna ainda mais misterioso. Tomoe e Mio se registrariam na casa das centenas, o que já é alto para padrões hyumans — mas, de novo, as informações dos anões têm quase trinta anos. Além disso, as duas só parecem humanoides, e não estão sujeitas a esses critérios de qualquer forma.

| Makoto | [Só não tenham um nível tão alto a ponto de derrubar todo mundo da guilda, okay?], eu aviso as duas.

Esse é o verdadeiro problema. Tudo o que sabemos com certeza é que elas são Nível 100 ou mais, o que nos coloca numa situação delicada. Isso intimidou os moradores, sim, mas também chamou atenção demais, e os contras superam em muito os prós aqui.

Tomoe grunhe, indiferente. [Essa é uma resposta que não possuímos. Apenas hyumans e demônios se importam com tais formalidades]

Justo. Um dragão lendário não precisa de números para provar que é forte.

Mio assente. [Exatamente. Se bem me lembro, um grupo de hyumans de Nível 250 a 300 conseguiu matar um dos meus filhos muitos anos atrás. Foi um confronto brutal, e ouvi dizer que muitos dos aventureiros morreram no processo]

É difícil dizer o quão útil o relato da arach seria aqui, ainda mais sendo apenas boato.

Sério? Talvez seja melhor evitar a guilda por completo, dependendo do nível médio por aqui. Se uma arach consegue enfrentar tantos Nível 300 e ainda lutar de igual para igual, é seguro assumir que a Mio e a Tomoe estão muito acima disso.

Por enquanto, porém, podemos ficar um mês ou algo assim, entender melhor o valor das mercadorias e o básico dos negócios, e talvez aprender a agir de forma convincente como aventureiros. Com sorte, não vamos chamar atenção indesejada antes de irmos embora... mas, de algum modo, eu duvido que isso seja possível.

É só impressão minha, ou este lugar é estranho?

Por estar localizado no Fim do Mundo, faz sentido haver todo tipo de raça aqui, não apenas hyumans. Eu me surpreendo ao ver demônios andando normalmente pela vila, apesar da suposta guerra com a humanidade. Isso até faz certo sentido — a terra é dura demais para desperdiçar energia e recursos brigando entre si. Eles estão todos no mesmo barco, afinal.
Em vez de lojas de verdade, a maior parte do comércio acontece em barracas na rua, o que novamente faz sentido dada a escassez de materiais e espaço. Eles precisam de muitos pontos de venda, já que isso aqui é, metaforicamente, a linha de frente antes da selva.
Apesar de tudo isso, porém, uma coisa ainda me parece profundamente estranha.

Por que todo mundo aqui é tão bonito?

| Makoto | [Ei, Tomoe, Mio]
| Tomoe | [Hm? Algo errado?]
| Mio | [Alguma coisa está incomodando o Milorde?]

As duas se viram para mim. Ambas são lindas, obviamente. Se um simples Contrato consegue transformar dois monstros literais em mulheres tão belas, quase acredito que todo mundo aqui é bonito por padrão.

| Makoto | [Por que você acha que todo mundo nesta base é tão atraente?], eu pergunto. [Se existir alguma regra que só permita gente bonita morar aqui, eu acho que vou enlouquecer]

É isso. Todos, dos hyumans aos demônios, de homens a mulheres, são bonitos. É totalmente impossível. Falando sem rodeios, eu estou mais perto de um orc em aparência do que de um humano de verdade — e não estou exagerando.

Por que eu estou quase chorando agora...?

Nenhuma das duas parece ligar muito.

| Tomoe | [Sério?], Tomoe bufa. [Não vejo um único rosto digno de nota]

Onde diabos você está olhando? A elfa que acabou de passar por você, literalmente enquanto você dizia isso, podia ser uma estátua que ganhou vida! Se a gente tivesse uma figura sequer metade tão bonita quanto ela, venderia instantaneamente!

Mio assente. [Ninguém digno de atenção, com certeza]

Vocês estão cegas? Olhem literalmente para qualquer lado! Parece que a gente entrou num desfile de supermodelos!

| Makoto | [Você só pode estar brincando], eu consigo dizer por fim.

As duas assentem seriamente.

Espera. Então elas acham todo mundo aqui feio? Este mundo realmente tem algo pessoal contra mim, huh!

Eu congelo ao perceber algo que preferia nunca ter pensado. Meus pais são originalmente deste mundo, e eles são bem bonitos — provavelmente medianos pelos padrões daqui, mas ainda assim. Minhas irmãs também são lindas, algumas das mulheres mais bonitas que já vi.

M-Mas e eu? Se meus pais eram ambos hyumans, então isso quer dizer que eu também sou hyuman. Eu sou algum tipo de changeling, então? Fui trocado por um anão ou um orc ou algo assim? Minha mãe traiu meu pai com algum monstro? Eles me acharam debaixo de uma ponte?!

Não, isso é impossível. A própria Deusa confirmou que eu sou filho deles, sem dúvida alguma.

| Tomoe | [Hm? Algo errado, Milorde?], Tomoe pergunta, franzindo a testa.
| Mio | [Você está se sentindo mal?], Mio se inclina, aproximando o rosto do meu. [Gostaria de encontrar algum lugar para entrar, talvez?]

As duas parecem genuinamente preocupadas, então decido encerrar essa linha de pensamento.

| Makoto | [Nah, não é nada. Na verdade...]

É isso mesmo. Eu preciso aprender sobre este mundo, acima de tudo.

| Makoto | [Vejam se conseguem descobrir quanto custam as coisas nas barracas daqui], eu peço. [Vejam se os preços são justos, o que é popular, o que deve vender em breve, qualquer coisa que conseguirem. Quando terminarem, comparem o que descobriram]
Tomoe suspira, irritada. [Que trabalhoso]
Mio se curva. [Como desejar]

Se isso não diz muito sobre o tipo de pessoa que cada uma é, eu não sei o que diria.

| Makoto | [Certo, hora de ir para a Guilda de Aventureiros... É assim que chama, né? Confere para mim, Tomoe?]
| Tomoe | [Certamente]

Ela para um homem que passa para perguntar. Infelizmente, esse é o melhor e mais fácil jeito que tenho de me comunicar com os moradores. Sem elas, eu ficaria preso escrevendo mensagens. Ainda corro o risco de chamar atenção, já que estou vestido de forma estranha e murmurando com minhas auxiliares o tempo todo, mas é melhor do que falar abertamente em línguas estranhas.

Eu não estou amargurado com isso, juro... Está tudo perfeitamente bem.

Pouco depois, Tomoe retorna.

| Tomoe | [Precisamos apenas virar à direita na esquina, Milorde, e a Guilda de Aventureiros estará diante de nós]

Ótimo, sem problemas. Vamos.


Diário do Makoto Misumi: Nossa Primeira Cidade

Meu mundo, meu lar, agora está para sempre fora do meu alcance. Ainda assim, sinto como se carregasse minha antiga casa comigo na forma como tento aplicar meus velhos valores a cada coisa nova que encontro. Eu sei que isso é um exercício em vão — não há sentido em me apegar àquelas crenças antigas, em exaltar aquelas virtudes antigas.
Os hyumans, meus semelhantes raciais neste mundo, são atraentes demais. Parece que eu entrei no set de um filme, daqueles em que escalam deliberadamente apenas as pessoas mais bonitas que conseguem encontrar, e depois usam CGI para deixá-las ainda mais atraentes. Talvez até a beleza que eu vi fora da vila quando cheguei fosse apenas mediana neste mundo. Os insultos da Deusa e a insistência de que eu sou feio são, objetivamente, verdadeiros.
Ainda assim, até mesmo os mais belos habitantes deste mundo lutam para sobreviver como qualquer outro, uma visão estranha aos meus olhos. Eu já vi belezas que seriam disputadas por olheiros em um piscar de olhos, abraçando os joelhos em becos, com olhos mortos.
Será que algum dia vou me acostumar às normas deste novo mundo? Beleza está nos olhos de quem vê, como dizem, mas eu tenho dificuldade em aceitar que este lugar seja tão impiedosamente desigual. Aparência aqui é um privilégio e um talento por si só, e parece cruel tirar uma ferramenta assim dessas pessoas. Tudo o que posso dizer com certeza é que este mundo, sem dúvida, ainda vai continuar me surpreendendo.


※※※



| Recepcionista | [O quê? Vocês querem se registrar? Aqui?]

A recepcionista da guilda nos encara com uma confusão nada disfarçada.

Já imaginava. Não tem como um novato comum se registrar num inferno desses.

| Mio | [Sim], Mio confirma educadamente. [O Milorde está aqui apenas para observar o processo, para referência futura, mas nós duas gostaríamos de nos tornar membros oficiais]
A recepcionista assente lentamente. [Tudo bem... mas posso perguntar por que o seu acompanhante ali está vestido de forma tão estranha?]

Ela me observa há um tempo, mas eu não achei que ela realmente comentaria sobre isso.

Mas, nossa, ela é linda. Um rosto desses caberia facilmente na capa de uma revista. O que só fez as palavras dela doerem ainda mais!

Não posso culpá-la. Se eu visse um sujeito com cinco anéis brancos e rosas na mão esquerda, um robe cinza comprido e uma máscara estranha, eu também estaria encarando com a mesma intensidade.

| Mio | [Milorde é o herdeiro de uma renomada família de comerciantes cujo nome permanecerá em sigilo, mas ele foi uma criança muito doente. Perdeu a voz ainda jovem, e nunca a recuperou de verdade. Além disso, acabou sendo alvo de várias maldições ao longo da nossa jornada até aqui...]

Ao ouvir a palavra maldições, o olhar da recepcionista mudou de suspeita para repulsa. Quase doeu. Mio, claro, ficou visivelmente mais irritada conforme a conversa avançava, e o sorriso dela se tornou forçado. Ouço um leve ruído do outro lado e me viro para ver a Tomoe tremendo de raiva, a mão firmemente agarrada ao punho da espada. Seguro o pulso dela e lanço um olhar duro, e felizmente ela entende o recado e solta a arma.

Se vocês duas odeiam tanto ouvir isso, deviam ter pensado numa história de fachada diferente! A culpa é de vocês!

| Mio | [Para suprimir as maldições], Mio continua, [o Milorde deve usar a máscara e os anéis o tempo todo. Ainda assim, ele é extremamente talentoso em magia e possui um meio único de comunicação para tirar proveito disso]

Ela olha para mim e, entendendo o recado, eu crio um balão de fala ao meu lado com a palavra 『OLÁ』 escrita na Língua Comum. A recepcionista se assusta por um instante, mas felizmente não questiona mais nada.

Então, vou ficar bem escrevendo tudo o que preciso dizer... Um problema a menos.

| Mio | [Espero que possa perdoar as excentricidades do Milorde], Mio continua. [Agora, embora minha companheira e eu estejamos confiantes em nossas habilidades, ainda não nos alistamos na Guilda por estarmos ocupadas cuidando do Milorde. No entanto, decidimos que seria melhor nos registrar agora que temos a oportunidade]

Tomoe assente brevemente em concordância.

Mio encara a recepcionista, uma ameaça silenciosa passando entre as duas. [Agora, existe algum problema pendente, ou nos será permitido nos registrar?]

Eu decido deixar a Mio conduzir a maior parte da conversa na guilda, já que a Tomoe pediu direções antes, mas foi uma decisão difícil. Por enquanto, porém, Mio parece estar indo bem.

| Recepcionista | [N-Não, de forma alguma!], a recepcionista responde apressadamente. [Eu entendo que a situação de vocês é complicada. Fiquei apenas um pouco surpresa, já que esta filial é composta quase exclusivamente por aventureiros poderosos, e nunca tivemos alguém se registrando aqui antes. Eu... eu sinto muito]

Essa fala é minha, moça. Desculpa por dar um susto desses.

| Recepcionista | [Primeiro, permitam-me registrar seus níveis. Enquanto isso, explicarei nossas instalações enquanto meus colegas preparam o teste]

Perfeito. Dou sinal verde para a Mio.

| Mio | [Por favor], a aranha se curva.
| Recepcionista | [Muito bem. Em nossa Guilda, realizamos todas as tarefas administrativas e de apoio que você esperaria da organização. Organizamos os trabalhos por ranque, de E a SSS, levando em conta tanto a dificuldade quanto circunstâncias especiais. Os aventureiros também são ranqueados, e encorajamos que aceitem trabalhos de ranque equivalente]

Soa simples o suficiente. Eles precisam de alguma forma de quantificar a força dos aventureiros, afinal.

| Recepcionista | [Quanto a isso, vocês começarão no Ranque E, mas aumentaremos seu ranque conforme completarem missões com sucesso]
Mio ergue uma sobrancelha. [Oh? Então, independentemente do nosso nível, seremos obrigadas a começar pelas tarefas mais fáceis?]

De onde vem tanta confiança, Mio? Só escute. Não importa o quão forte você seja se a Guilda não sabe se pode confiar em você.

A recepcionista sorri de forma constrangida. [E-Exatamente. Independentemente do nível, vocês começam no Ranque E, mas se completarem essas missões sem dificuldade, provavelmente subirão de ranque mais rápido que o normal]
Tomoe suspira, irritada. [Que trabalhoso]

Você também, Tomoe?

Lanço um olhar de repreensão para as duas, e ambas se curvam em desculpas.

A recepcionista continua. [Além dos ranques alfabéticos, também distinguimos modificadores negativos, neutros e positivos. Por exemplo, seriam necessárias apenas três missões de Ranque E+ para se tornar um aventureiro de Ranque D, mas cinco missões E ou até dez missões E-]

Fico surpreso por ela não se abalar muito com a intimidação das minhas acompanhantes, mas ao olhar ao redor do salão, noto alguns aventureiros de aparência rude. Ela provavelmente já está acostumada a lidar com clientes difíceis.

Basicamente, basta conseguir algumas missões E+ para a Tomoe e a Mio e ficamos tranquilos.

| Recepcionista | [Também devo mencionar os dois ranques especiais], a recepcionista continua. [O primeiro é aberto a aventureiros de qualquer ranque, mas se a missão for claramente de baixo nível, aventureiros de nível alto demais podem ser impedidos de aceitá-la. Nessas missões, os mecanismos de segurança habituais da Guilda não se aplicam, e elas devem ser aceitas por conta e risco do aventureiro. Muitas delas são missões normais que falharam diversas vezes e, como resultado, a Guilda concede uma promoção de ranque ao aventureiro que as completar como forma de gratidão — desde que ele seja abaixo do Ranque S ao aceitá-la. Aventureiros de Ranque S ou superior são registrados como colaboradores especiais da Guilda e avaliados de acordo]

Hmm... alto risco, alta recompensa. Isso pode ser útil para nós.

| Recepcionista | [A segunda classificação especial], a recepcionista continua, [é reservada para missões destinadas a aventureiros ou grupos específicos. Nesses casos, vocês lidam diretamente com o solicitante e negociam a recompensa pessoalmente. Muitas vezes, isso resulta em compensações maiores do que missões comuns, mas normalmente há pouco ou nenhum aumento de ranque]

Oh, então dá pra solicitar pessoas específicas... bom saber.

| Recepcionista | [Por fim, observem que se juntar à Guilda concede acesso a todas as instalações e serviços que oferecemos]

Isso é ótimo de ouvir. Por um tempo, temi que a Guilda fosse o equivalente deste mundo a uma agência exploradora de trabalho por contrato, mas eles parecem legítimos.

A recepcionista fez uma pausa, como se lembrasse de algo, e então se virou para mim. [Ah, mais uma coisa que devo mencionar...]

Espera, eu?

| Recepcionista | [Como vocês provavelmente já firmaram contrato com a Guilda dos Comerciantes, observem que esses contratos terão prioridade em caso de conflito entre as duas. Vocês estarão contratualmente obrigados a priorizar acordos com eles]

Essa é a primeira vez que ouço falar de uma Guilda dos Comerciantes. Eu sempre assumi que este mundo era só espadas e magia, e sequer considerei o lado econômico da sociedade. Isso é especialmente embaraçoso considerando que minha história de fachada gira justamente em torno disso.

| Recepcionista | [É claro, a maioria das restrições existe para garantir que vocês não usem conexões como aventureiros para criar monopólios e manter o mercado o mais livre possível de violência desnecessária. Pedimos que sigam rigorosamente essas diretrizes]

Então é isso? Ainda bem que ela explicou tudo de forma tão clara, mesmo supostamente nunca tendo feito isso antes.

Bato levemente os nós dos dedos no balcão para chamar sua atenção e crio um balão de fala.

| Makoto |Duas perguntas. Primeiro, onde podemos obter informações sobre os aventureiros de mais alto ranque da Guilda? Segundo, aproximadamente que ranque teria alguém que derrote um lizhu?

Ela lê o texto e, felizmente, pareceu entender tudo. Ao terminar, olha de volta para mim.

| Recepcionista | [Você pode consultar o quadro ali, onde estão listados os ranques de todos os aventureiros ativos nesta filial. Atualizamos regularmente, então pode assumir que as informações estão corretas. Quanto ao lizhu, há diversos fatores que modificam a dificuldade, desde se foi um único monstro ou um ninho inteiro, até o tipo de materiais coletados. Poderia ser um pouco mais específico?]

Caramba, eles são bem detalhistas...

| Makoto |Gostaria de saber a recompensa por eliminar uma horda, com todos os materiais coletados
| Recepcionista | [Nesse caso, pediríamos a pele, as presas e os olhos. Missões assim costumam ser Ranque C+, mas contra um bando inteiro, sobe para B. No entanto, a maioria dos aventureiros raramente aceita missões de coleta de materiais, pois geralmente dá mais trabalho do que retorno. Além disso, lizhus em grupo são particularmente problemáticos, então essas missões costumam receber uma classificação especial]

Talvez seja melhor eu não mencionar que chutei um até a morte por acidente.

Depois de agradecê-la, digo às minhas acompanhantes que vou checar os ranques e sigo até o quadro de avisos. A menos que o quadro esteja cheio de aventureiros Nível 300 ou 400, talvez seja melhor não nos registrarmos nesta guilda.

Aproximo-me do quadro e leio o nome no topo da lista — Mils Ace, Ranque SS, Nível 444.

Ace parece um sobrenome... e eu achando que Misumi era estranho. Três quatros seguidos não é um bom presságio. Espero que ele não morra tão cedo.

Logo abaixo está um aventureiro Ranque S de Nível 280 com um nome mais normal. A partir disso, dá para assumir que esse tal Ace é bem forte, mas nem mesmo ele chegou ao Nível 500. Isso não é um bom sinal para a Mio ou a Tomoe.

Isso fecha a questão. Não tem como a gente se registrar aqui. Vou inventar alguma desculpa esfarrapada e a gente cai fora.

Se foram necessários tantos aventureiros do top vinte para sequer ter chance contra uma única arach, Mio precisa ser significativamente mais forte. É imprudente chamar tanta atenção quando ainda mal sabemos como as coisas funcionam aqui.
No entanto, enquanto estou diante do quadro, ouço um alvoroço crescente atrás de mim. Viro-me e vejo minhas duas servas, cada uma segurando uma folha de papel.

Ah. Elas não entenderam por que eu estava olhando os ranques? Esses papéis são de medição de nível, não são? Isso tudo é um pesadelo? Sou eu quem deveria estar bagunçando a ordem natural das coisas! Por que sou eu que tenho que trabalhar tanto para mantê-las fora de problemas?!

Corro de volta até elas. Os papéis do tamanho de origami que seguram estão de um vermelho intenso, e a superfície se contorce com símbolos estranhos. Definitivamente são papéis de medição de nível, mas o vermelho parece mais um mau funcionamento do que uma leitura normal. Estamos sendo encarados como se fôssemos prisioneiros fugitivos. Resisto ao impulso de gritar e estragar nossa cobertura, então apenas lanço o olhar mais furioso que consigo. Felizmente, elas pareceram entender.

Tomoe ri de forma sem graça. [E-Eu juro que não fazia ideia do que era isso... Essa coisa maldita simplesmente ficou vermelha quando eu peguei]

Mio assente em silêncio.

Oh, então elas entenderam por que estou tão bravo? Deviam ter percebido isso um minuto atrás!

Agora há uma segunda recepcionista no balcão, e essa tem orelhas de gato. Ela é uma mulher-fera, provavelmente, e fico imensamente grato por vê-la.

A outra recepcionista engole em seco ao olhar os papéis. [E-Eles deveriam funcionar perfeitamente até o Nível 400...]

Não me surpreende que ela esteja tão abalada. Minhas duas acompanhantes têm pelo menos a força dos três aventureiros mais fortes da guilda juntas, afinal, e eu assumo que venceriam facilmente o Ace-san.

Bom, acho que não dá mais para dizer que mudamos de ideia agora, né? Hora de ir a público.

A recepcionista de orelhas de gato estende um novo par de papéis. [E-Estes são papéis de 625, então...]

Ergo a mão para detê-la.

| Makoto |Elas tiveram força suficiente para me escoltar ileso pelo Fim do Mundo na última semana

Mio, Tomoe, vocês duas não precisam parecer tão orgulhosas assim!

| Makoto |Em termos de poder bruto』, meu balão continua, 『elas conseguem derrotar monstros da classe arach em combate individual. Posso solicitar um teste de nível superior?

Uma onda de surpresa percorreu a multidão reunida.

Por que eu disse arach?! Quero dizer, aquelas aranhas monstruosas que dizem ser manifestações de pura escuridão? Parentes da própria Aranha do Desastre?! Que nível isso sugere, novecentos? Só de imaginar o que todo mundo vai comentar agora... Se a recepcionista tirar papéis de 1.600 ou algo assim, elas vão acabar sendo testadas no nível dos Espíritos ou mais! Não, aqueles primeiros papéis tinham que estar quebrados. Igualar o nível daquele Ace já não deveria ser possível!

O burburinho da multidão aumentou ainda mais, e eu resisto à vontade de tapar os ouvidos.

O que são Espíritos, afinal? Eu nem sei se eles são fortes.

| Recepcionista | [Sério?!], os olhos da recepcionista de orelhas de gato se arregalam. [Quase nunca precisamos de algo mais forte que papel de 625... Vou verificar no depósito!]

Ela sai correndo da sala e retorna momentos depois com um maço de papéis dentro de um envelope antigo.

Tomoe me lança um olhar cauteloso. [Milorde, parece que atraímos uma plateia considerável]

Sem brincadeira. Vamos ter que blefar até o fim e torcer para não piorar.

| Recepcionista | [U-Um... aqui estão]

A recepcionista oferece um novo par de folhas, grandes o bastante para serem seguradas com as duas mãos. Percebo que ela remove um grampo metálico de cada uma, liberando mana por toda a superfície — aparentemente, as folhas já são carregadas com mana, e precisam ser ativadas.
Crio um novo balão de fala.

| Makoto |Você primeiro, Tomoe
Ela assente obedientemente. [Como desejar]

Assim que a Tomoe segura o papel, ele começa a mudar de cor. Quase um terço da folha, partindo das bordas, fica vermelho — e continua se expandindo. Pelo visto, se ficasse totalmente vermelho, o teste declararia Nível 1.600. Isso explica a tensão dos espectadores, enquanto a cor avançava em direção ao centro. Por fim, para quando pouco mais de oitenta por cento da folha está carmesim. Qualquer sinal de mana desaparece, indicando que provavelmente já é seguro tocá-lo.
A recepcionista de orelhas de gato pega a folha, prende novamente o grampo metálico e examina a superfície. O número exato deve aparecer ali. Ela solta um suspiro profundo ao ver o resultado e rabisca algo num papel. Em seguida, segura a folha de medição uma última vez, e ela se incendeia e desaparece.

Isso é algum tipo de magia de armazenamento? Ou folhas usadas são perigosas?

| Recepcionista | [V-Você foi oficialmente registrada como aventureira, Tomoe-sama. Aqui está sua placa de identificação], diz a recepcionista nervosa, entregando-a.
Tomoe a aceita animada. [Oh? Capturaram minha imagem em mithril! Ela se parece comigo, Milirde?]

Eu assinto. Não há necessidade de balão de fala para isso.

Então é assim que introduzem mithril... Parece um metal perfeitamente normal. Nem é tão brilhante.

| Recepcionista | [Agora, quanto ao seu ranque e nível, Tomoe-sama...]

Os observadores engolem em seco.

| Recepcionista | [... Você é Ranque E e N-Nível 1.320. A partir deste momento, você é oficialmente a aventureira mais forte de toda a Guilda]

A mais forte?!

| Tomoe | [Oh, que gentil reconhecer minha superioridade tão rapidamente! Posso perguntar o quão mais fraco é o antigo mais forte?]

Caramba, ela está de ótimo humor. Já esqueceu que estamos tentando passar despercebidos?!

Admito que eu também fiquei curioso com a diferença.

| Recepcionista | [Seria a Matadora de Dragões, Sofia Bulga... Ranque SSS, Nível 920]
| Tomoe | [Hmm... Matadora de Dragões, você disse?], Tomoe sorri. [Quantos deles ela já caçou, será?]

Verdade. Eu sempre esqueço que ela também é um dragão.

| Recepcionista | [Se o que ouvi estiver correto], responde a recepcionista, [o grupo da Sofia-sama derrotou o Grande Dragão Lancer, bem em seu covil, no Império]
Tomoe bufa, desdenhosa. [Lancer? O autoproclamado Espada Celestial? Bem feito para aquele tolo confiante demais]

Ainda bem que a máscara facilita esconder minha expressão.

Mas que nome legal... Eu teria adorado conhecê-lo.

Mio ergue a mão. [Talvez seja a minha vez agora?]

Ah, é verdade. Ainda não mediram ela. Tenho a sensação de que ela também vai ultrapassar os mil...

Ela pega o papel e, após um minuto, o teste termina — com noventa por cento da folha vermelha. A recepcionista de orelhas de gato treme violentamente enquanto manipula a placa de resultado. Ela sem dúvida sabe que as duas são muito mais fortes que a tal Matadora de Dragões, e está suando tanto que quase fico com pena.

| Recepcionista | [M-Mio-sama, Ranque E... Nível 1.500]

Parabéns, temos uma nova número um.

Agora não tem mais como não chamar atenção, não importa onde formos. Eu devo ser o único comerciante do mundo inteiro com não uma, mas duas guarda-costas em quatro dígitos.

| Tomoe | [O quê?!], o rosto da Tomoe fica vermelho de raiva. [Impossível! Como ela é quase duzentos níveis mais forte que eu?! Eu exijo um reteste! Tragam outro papel!]

Por que ela está tão irritada com um número idiota desses?

Dou um tapinha firme no ombro dela.

| Makoto | [Ela estava lutando o tempo todo enquanto você dormia. É claro que o nível dela seria maior. Agora... minha vez]

Tomoe passou sabe-se lá quanto tempo em sua montanha, enquanto a Mio literalmente caçava comida e devastava lugares pelo mundo. Há uma diferença clara na quantidade de experiência que cada uma acumulou.

E conhecendo aquela masoquista, há uma grande chance de ela ter ainda mais 『experiência』.

Deixo a Mio consolando a Tomoe e me viro para a ainda trêmula recepcionista de orelhas de gato.

| Makoto | [O papel, por favor]

Com dedos trêmulos, ela vai pegar o papel de 900.
Sorrio de forma constrangida e estendo a mão para detê-la.

| Makoto |Só o menorzinho já está ótimo

Não consigo imaginar que vou precisar de algo maior.

Seguro a folha pequena com uma mão e espero que ela mude. Não surgem símbolos nem outros sinais de que algo esteja acontecendo. A sala ao meu redor fica tão silenciosa que chega a doer. Finalmente, a folha muda de cor apenas de leve.

Oh? Será que finalmente subi de nível?!

A recepcionista suspira aliviada. [Ranque E, Nível 1]

Eu sabia... Eu simplesmente sabia. Não tem motivo para eu ficar chateado com isso, né?

Nosso público parece ainda mais confuso agora que sabe o quão absurdamente baixo é meu nível comparado ao das minhas acompanhantes. Pior ainda, como toda essa informação fica disponível publicamente, será difícil esconder isso daqui para frente. Felizmente, parece que os ranques são mais valorizados do que os níveis, então enquanto permanecermos em ranques baixos, talvez consigamos passar despercebidos... espero.
As recepcionistas se oferecem para conduzir uma análise mais detalhada dos nossos atributos, o que eu recuso prontamente. Se um ou mais valores forem anormalmente altos, isso só pioraria nossa situação. Ainda assim, fiquei curioso, então decidi procurar outra forma de verificar meu próprio status.
Com isso, deixamos a Guilda para explorar algumas barracas de rua enquanto procuramos uma estalagem. A recepcionista de orelhas de gato nos indica as recomendações oficiais da Guilda. Os outros aventureiros se afastam apressadamente para nos evitar, e o caminho até as ruas de terra do assentamento parece mais largo do que na entrada. No entanto, temos outras preocupações no momento — precisamos encontrar uma pousada.




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