Sandra Cresceu uma Flor
Nós nunca nos incomodamos em trancar as portas da casa nas terras altas à noite, por uma série de boas razões.
Primeiro e mais importante: ninguém se daria ao trabalho de vir até as terras altas para nos roubar. Não há outros edifícios por perto e, se alguém que não conhecemos tentar se aproximar da casa, seria óbvio muito antes de chegar.
Não há um bom motivo para pedestres seguirem em direção à nossa vizinhança, então, do ponto de vista de um ladrão, seria improvável que alguém testemunhasse o crime. Por outro lado, se acontecer de pegarmos um ladrão no meio do assalto, o terreno tornaria muito difícil para ele conseguir uma fuga limpa. Não importa o quão rápido corra, Furatorute ou Leica poderiam alcançá-lo em sua forma de dragão e quase certamente o deteriam.
Depois, há nossa fantasma residente, Rosalie. Ela costuma flutuar pela casa enquanto todas as outras estão dormindo, e provavelmente notaria se um ladrão tentasse invadir. Ela pode até espiar os cômodos através do chão ou do teto, então não importa o quão silencioso e furtivo um ladrão seja, ainda haveria uma chance de ela pegá-lo se ele desse azar.
É por tudo isso que ladrões nunca tentaram invadir nossa casa. Não aconteceu nem sequer uma vez. Acho que recebemos algumas visitas da ladra fantasma Canhein... mas ela é um caso totalmente à parte e não conta de verdade.
Essas são apenas as razões pelas quais não temos problemas com ladrões, no entanto. Há um outro motivo para não trancarmos nossas portas, um que não tem nada a ver com furtos: o fato da Sandra morar do lado de fora, no jardim.
De modo geral, Sandra passa as noites ao ar livre. Aparentemente, estar do lado de fora parece mais natural do que estar dentro de casa para uma planta. Dito isso, ela gosta de entrar na casa de vez em quando. Às vezes o vento está forte demais para ela ficar lá fora, e às vezes ela não tem um motivo real e apenas decide entrar por um capricho. Esse é exatamente o tipo de relacionamento que ela tem com casas.
Enfim, o ponto é que, se trancássemos nossas portas à noite, Sandra não conseguiria mais entrar sozinha. Ela poderia sempre bater na porta para acordar alguém e pedir que abrissem, mas se entrar significasse incomodar alguém toda santa vez, eu fico preocupada que a Sandra se sinta mal e acabe parando de entrar de vez.
E assim, decidimos por nossa política de deixar as portas destrancadas. Considerando que todas passam as noites em seus próprios quartos, que possuem suas próprias trancas, imaginei que, mesmo em um pior cenário, não seria um grande problema. Nunca tivemos um ladrão tentando invadir, afinal — nem mesmo quando Nintan nos deu uma tonelada de oferendas inegavelmente valiosas para guardarmos aqui.
Em resumo, não há absolutamente nada de estranho na Sandra vagar pela casa no meio da noite.
Abro a porta e entro na sala de estar, onde encontro a Sandra. [Acho que você vai ficar dentro de casa hoje, huh?], eu comento. Acabei de sair do banho e decidi que estou com vontade de beber algo, mas logo sou distraída pelo fato da Sandra parecer um pouco abatida. Sua aparência parece quase doentia.
| Sandra | [Sim, vou... Estou com dor de cabeça, por algum motivo, então estou sentada quieta por enquanto], explica Sandra.
Acho que é por isso que ela está segurando a cabeça, então.
| Azusa | [Huh? Você sabe o que está causando isso? Tipo... você está doente ou algo assim?], eu pergunto.
Plantas são seres vivos, então presumo que tenham seus próprios tipos de doenças. O único problema é que não consigo nem começar a imaginar que tipo de enfermidade afligiria uma planta que pode se levantar e se mover como uma mandrágora.
| Sandra | [Hum. Acho que não], responde Sandra. [Parece mais que só não estou me sentindo bem hoje, não que eu esteja doente de verdade]
Eu queria respeitar o julgamento dela, mas também sei que pode ser muito difícil dizer quando você pegou algo. Um pouco de cautela provavelmente não faria mal.
| Azusa | [Você acha que pode estar se sentindo assim porque não teve tempo suficiente para fazer fotossíntese ultimamente? Ou talvez tenha perdido o apetite por luz solar?], eu pergunto. A fotossíntese é o equivalente de uma planta a comer, afinal, e quando as pessoas pulam refeições, tendem a perder a energia para se movimentar também. Às vezes, perder o apetite inteiramente é um sinal de que você está sofrendo de algo — como exaustão pelo calor, por exemplo.
Mas a Sandra balança a cabeça. [Não é nada disso], diz ela. [Na verdade, tenho sentido necessidade de fazer fotossíntese muito mais do que o normal ultimamente]
| Azusa | [Huh. Então seu apetite está na verdade maior que o normal? Hum... Suas folhas murcharam ou algo assim?]
Se ela tiver perdido folhas recentemente, poderia estar recebendo menos energia do sol, mesmo passando mais tempo fazendo fotossíntese. Imaginei que o equivalente humano seria como nosso apetite cresce se comermos muito menos por um breve período.
Mas, mais uma vez, Sandra balança a cabeça.
| Azusa | [O que poderia ser, então...? Você não bateu a cabeça recentemente ou algo assim, bateu?], eu pergunto. Eu sei que tinha passado para explicações que só faziam sentido para um humano, mas ainda parece valer a pena perguntar.
| Sandra | [Não, não bati], diz Sandra. [Como eu sequer bateria a cabeça se passo todo o meu tempo plantada na terra?]
Então não temos pista nenhuma? Isso é um pouco inquietante.
| Sandra | [Bem, considerando o quanto vivi até agora, tenho certeza de que não vou cair morta depois de apenas um dia ou dois disso. Vou esperar passar por enquanto], diz Sandra enquanto se joga em uma cadeira.
| Azusa | [Acho que você tem muito mais energia que uma planta normal... mas não deixe de me avisar se algo mudar, okay?], eu disse.
| Sandra | [Não se preocupe. Não sou do tipo que diz que nada está errado se não for verdade], responde Sandra.
Eu não sei a nenhuma coisa sobre doenças de mandrágoras, então aquilo é o melhor que eu posso fazer no momento. Eu só tenho que torcer para que minhas preocupações sejam infundadas. Peço a Rosalie para ficar de olho na Sandra durante a noite, por precaução, e sigo para a cama.
Na manhã seguinte, acordo um pouco mais cedo do que o habitual. Minhas preocupações com a Sandra me impediram de cair em um sono profundo, o que provavelmente explica por que acordei cedo também.
Sigo direto para a sala de jantar para verificar como a Sandra está, mas, quando chego, descubro que ela não está mais lá. Rosalie, no entanto, atravessa uma parede um momento depois.
| Rosalie | [Bom dia, Irmãzona! Sandra foi para o jardim logo ao amanhecer], explica Rosalie.
| Azusa | [Bom dia, Rosalie. Acho que isso significa que a dor de cabeça dela não foi tão terrível, espero?]
Pelo menos, significa que ela não estava com tanta dor a ponto de não conseguir se mover. Dito isso, eu não ficarei tranquila até verificar com ela e ouvir que ela está se sentindo melhor diretamente da fonte. É assim que as coisas funcionam quando se tem uma filha.
Abro a porta da frente e saio, saudada pelo ar matinal fresco e revigorante, e encontro a Sandra de fato no jardim. Ela está segurando um pequeno espelho, provavelmente examinando a própria aparência. Ela é uma menina, afinal.
| Azusa | [Bom dia, Sandra! Está se sentindo melhor?], eu pergunto... mas, enquanto a chamo, me ocorre que algo está muito levemente estranho. A pessoa parada na minha frente é definitivamente a Sandra, e o que quer que eu esteja percebendo não parece ser tão grave, mas há algo nela que está diferente.
O que é? O que estou perdendo aqui?
| Sandra | [Oh, bom dia, Azusa! Descobri o que estava causando minha dor de cabeça ontem à noite. Acontece que era realmente temporário e nada com que se preocupar de jeito nenhum!], diz Sandra, com a expressão brilhante e alegre. Parece que sua dor de cabeça realmente havia sumido, e eu posso parar de me preocupar com a saúde dela.
| Azusa | [É bom ouvir isso], eu disse. [Espere, porém — você descobriu o que estava causando? Como?]
Eu certamente não acho que um especialista prestativo tenha aparecido e ensinado à Sandra sobre mudanças atmosféricas ou algo do tipo. Como ela pode ter tanta certeza de que sabe exatamente qual foi a causa?
| Sandra | [Foi isso. Viu?], diz Sandra enquanto aponta para sua cabeça, que está decorada com uma flor azul.
| Azusa | [Oh, que bonita], eu disse. [Você mesma a fez?]
De vez em quando, Farufa e Sharusha fazem pequenos enfeites de cabelo assim com flores. O clima nas terras altas não é muito adequado para cultivar uma grande variedade de flores, mas há algumas variedades pequenas e bonitas que florescem de tempos em tempos.
| Sandra | [Eu não diria que a fiz], diz Sandra. [Eu diria que a dei à luz, se for o caso]
Huh? Ela a deu à luz? O que isso significa? E agora que penso nisso, não me lembro de ter visto muitas flores azuis nas terras altas. Existem algumas por aí, mas essa não se parece com nenhuma das que conheço, e também não vi nenhuma parecida na floresta.
| Azusa | [Onde você a encontrou, afinal?], eu pergunto.
| Sandra | [Acho que você não está acompanhando o que estou dizendo. Eu a encontrei bem aqui, obviamente! Você poderia procurar por todas as terras altas por horas e nunca encontraria outra flor como esta]
Hm? Espera, isso significa que...?
| Sandra | [Minha flor desabrochou! Aposto que você nunca viu uma flor que diga mandrágora como esta aqui, certo?]
| Azusa | [É isso que está acontecendo aqui?!]
Digo, ela é uma planta! Acho que faz sentido que ela possa dar uma flor! Isso é algo pelo qual eu deveria parabenizá-la? Não tenho ideia de qual é o protocolo social para florescer.
| Azusa | [Que bom para você! É uma flor muito bonita], acabo dizendo. Tudo aquilo é novo para mim, e até eu percebo que minha tentativa de elogio havia soado um pouco travada.
| Sandra | [Não é?! Mal posso esperar para mostrá-la a todas durante o café da manhã!], diz Sandra com a cabeça erguida e um olhar extremamente orgulhoso no rosto. Pela maneira como ela está agindo, você pensaria que este é o momento único de sua vida sob os holofotes.
Por volta da hora em que todas estão se reunindo para o café da manhã, Sandra entra na casa a passos largos. Bastou um olhar para sua nova flor azul para que a família começasse a acumular elogios.
| Leica | [Oh, que flor adorável! Parabéns!], diz Leica.
| Harukara | [O visual meio desabrochado é muito estiloso também! Essa é uma flor impressionante — e elfos têm padrões altos!], acrescenta Harukara. Ela e a Leica inclusive iniciam uma salva de palmas, para garantir. Enquanto isso, Farufa e Sharusha estão soltando exclamações ao fundo sobre o quão incrível aquilo é.
| Rosalie | [É, nenhum fantasma se importaria em receber essa flor deixada em seu túmulo. Nada mal mesmo], observa Rosalie.
| Sandra | [Eu não vou oferecê-la a ninguém! Isso seria um desperdício total!], rebate Sandra.
Acho que plantas não ficariam muito felizes com uma pessoa qualquer colhendo-as para usar como oferenda, né...? Não é como se a flor fosse ganhar algo com o acordo...
| Furatorute | [Azul é realmente a cor mais legal — e isso, é claro, significa que os dragões azuis são os mais legais de sua espécie!], declara Furatorute.
| Sandra | [Você está apenas procurando uma desculpa para exaltar sua espécie!], Sandra alfineta. Tive que concordar com ela nessa.
No geral, a flor azul da Sandra recebeu avaliações entusiasmadas dos membros da nossa família... mas eu ainda estou um pouco apreensiva. Não é que eu não a ache bonita ou algo assim. Ela é realmente bela, para uma flor — e eu não estou decepcionada por não ser amarela ou o que quer que seja. Levei um tempo para entender o que é... mas finalmente, percebi.
Ah, entendi. É isso que está me incomodando...
Eu não queria estragar a festa da Sandra, mas também não podia deixar a pergunta passar sem ser feita, e eu sou a única que pode abordá-la.
| Azusa | [Ei, Sandra? Tenho apenas uma perguntinha rápida...], eu digo.
Sandra dá uma olhada no meu rosto e instantaneamente parece perceber que minha pergunta não vai ser divertida. Ela está obviamente muito infeliz por eu estar arruinando a atmosfera festiva. Eu entendo como ela se sente, de verdade... mas eu simplesmente não posso fingir que não estou vendo aquilo!
| Azusa | [Sobre a sua flor... ela vai murchar eventualmente, não vai?]
| Sandra | [É claro que vai!], Sandra retruca. [Todas as flores murcham! Por que não murcharia? Qual é a desse padrão duplo? Você pensa: Oh, isso vai morrer eventualmente. Que triste, toda vez que vê um animal? Ou você está apenas abusando do poder porque sabe que é uma bruxa imortal?!]
Oops. Isso com certeza a deixou irritada. Mas esse nem era o ponto da minha pergunta, na verdade!
| Azusa | [Não, não, não foi isso que eu quis dizer! Não estou dizendo que sinto pena de você porque ela vai murchar eventualmente — isso é totalmente normal! Só estou preocupada se você ficará bem depois?! Seu corpo real não vai murchar junto com ela nem nada, certo...?]
Minhas outras familiares já parecem ter percebido onde eu quero chegar: eu temo que o florescimento possa ser um sinal de que o tempo de vida dela esteja chegando ao fim. Uma vez que essa possibilidade me ocorreu, eu não podia simplesmente ignorá-la.
| Sandra | [Huh? É claro que eu não vou murchar], Sandra responde instantaneamente, como se não tivesse a menor ideia de por que eu me daria ao trabalho de perguntar algo tão estúpido.
Oops. Estive me preocupando sem motivo?
Nesse ponto, Farufa sai apressada da sala de jantar. Ela parece estar indo para o seu quarto e, um momento depois, ressurge carregando um livro bastante grosso.
| Farufa | [É assim que as mandrágoras normais se parecem, certo, mamãe?], pergunta Farufa enquanto me mostra uma seção do livro. É tudo sobre as aplicações medicinais das mandrágoras — em outras palavras, sobre suas raízes. Aquela é a parte da planta que supostamente tem o formato de um humano e que mataria você se você ouvisse seu grito.
| Azusa | [Oh, sim. São elas mesmas], eu digo.
| Sandra | [Bem, eu sou essa parte também, não sou? Então, é claro que eu não murcharia], diz Sandra enquanto aponta para si mesma.
| Azusa | [O-oh, certo! Isso faz sentido!]
Ela se parece tanto com um humano normal que eu nunca tinha realmente interiorizado a conexão, mas, no fim das contas, Sandra é realmente composta em sua maior parte pelo sistema radicular de uma mandrágora. Não faria sentido uma raiz daquelas murchar apenas porque sua flor feneceu.
| Farufa | [Mandrágoras são basicamente um tipo de bulbo, e elas sobrevivem perfeitamente bem mesmo se suas folhas ou flores morrerem. Isso significa que a Sandra deve ficar bem também!], diz Farufa.
| Sandra | [Farufa está certa. Minha flor vai murchar eventualmente, mas isso não significa que eu murcharei junto com ela. Como eu poderia ter vivido tanto tempo se morresse tão facilmente?]
Ah, graças a Deus. Acho que isso não será um problema, afinal.
| Azusa | [Faz sentido quando você coloca dessa forma, mas honestamente, eu estava preocupada!], eu disse. [Que alívio!]
Eu estou incrivelmente feliz por ter decidido perguntar. Quem sabe por quanto tempo eu teria me martirizado com isso se não tivesse feito? Eu teria que tocar no assunto eventualmente, de um jeito ou de outro.
| Sandra | [Ah, e enquanto temos esse livro em mãos, ele diz algo sobre quanto tempo a flor de uma mandrágora costuma ficar aberta?], Sandra pergunta a Farufa.
Oh, boa pergunta! Sandra está agindo como se esta fosse sua primeira flor, então faz sentido que ela não saiba quanto tempo durará. Eu sei que alguns tipos de plantas só florescem uma vez ao longo de várias décadas — não é como se ela ganhasse uma nova a cada primavera ou verão.
| Farufa | [Hum], diz Farufa enquanto estuda seu livro. [Diz que durará cerca de duas semanas]
| Azusa | [Duas semanas? Acho que parece razoável], eu digo. Era mais ou menos o tempo das minhas habituais férias de inverno ou primavera da escola, lá no Japão, o que faz sentido intuitivo de alguma forma. Parece apropriado que a flor da Sandra dure um tempo semelhante.
| Sandra | [Florescer é realmente maravilhoso! É como uma empolgação!], declara Sandra com energia.
Assim que terminou de mostrar sua flor a todas, Sandra voltou para o lado de fora. Segundo ela, precisa fazer muita fotossíntese para manter sua flor saudável e bonita. Isso basicamente significa que sua rotina diária não mudará nada, mas sua flor parece ter aumentado sua motivação para realizar suas tarefas habituais, pelo menos.
Claro, a fotossíntese não é algo ativo como musculação, então eu não tenho certeza de quanta motivação entra na equação em primeiro lugar. Animais continuam respirando estando motivados ou não, e eu tenho a impressão de que a fotossíntese acontece de forma quase automática, desde que você esteja sob a luz do sol.
Na verdade, quando paro para pensar nisso, as plantas obtêm energia apenas por ficarem sentadas sob o sol. Isso não é meio que trapacear? A maioria delas não consegue se mover, claro, mas isso não se aplica nem um pouco à Sandra!
Eu estou começando a reconhecer que a Sandra pode realmente ser a mandrágora escolhida.
Sandra passou um bom tempo banhando-se na luz solar, mas quando decidi ir até Furata para fazer algumas compras, ela disse que viria comigo. Percebi na hora que ela estava esperando exibir sua flor para o pessoal da cidade, mas decidi não confrontá-la sobre isso. Farufa e Sharusha decidiram vir junto também — ou, na verdade, Sandra pediu que viessem.
E assim fui para Furata fazer pedidos com minhas três filhas ao meu lado.
Sandra marchava pelas ruas da cidade com a Farufa e a Sharusha flanqueando-a, uma de cada lado.
Ah, entendi. Ela convidou as duas porque queria que elas a escoltassem assim, pensei enquanto olhava para trás para elas.
De vez em quando, Sandra parava para conversar com um dos habitantes da cidade, dizendo algo como: [Olhe, eu dei uma flor! Não é bonita?]. Naturalmente, eles sempre respondiam: [É realmente linda!] ou algo nesse sentido. Ela fez isso enquanto estávamos na loja também, e tive a chance de espiar sua expressão. Resumindo, o rosto dela tinha escrito por toda parte 『Receber elogios de todo mundo é o melhor!』. Ela estava até sorrindo de canto.
Ela é tão fácil de ler, honestamente!
Se a Leica tivesse brotado uma flor, provavelmente teria dito algo como Exibi-la na frente dos habitantes da cidade apenas anunciaria meu próprio egocentrismo, então me absterei, mas a Sandra ainda é uma criança, mentalmente falando. Ela não está pensando nessas linhas de jeito nenhum. Quando ela tem a chance de receber atenção positiva, ela a devora.
Por outro lado, isso não é realmente uma coisa ruim. Ela não está causando problemas para ninguém, desde que não exagere — embora, se ela for longe demais, corre o risco de afastar as pessoas dela...
Eventualmente, alguns dos moradores da cidade começaram a puxar conversa comigo.
| Aldeão | [Vejo que sua filha deu uma florzinha adorável, Senhorita Bruxa das Terras Altas!]
| Aldeão | [Isso deve ser um sinal do trabalho adorável que a senhora tem feito ao criá-la, tenho certeza!]
| Aldeão | [Sandra está ainda mais fofa hoje do que o normal, não está?!]
Antes que eu percebesse, eu estava sorrindo de orelha a orelha.
| Azusa | [Ah, vocês acham? Obrigada, pessoal! Ha-ha-ha, não, sério, eu agradeço! Ela é realmente a mais fofa, não é? Ha-ha-ha-ha!]
É muito bom ver minha filha sendo coberta de elogios!
Isso! Eu posso viver com isso! Tudo bem — temos duas semanas antes que essa flor murche, então é melhor aproveitarmos ao máximo!
Sandra foi só sorrisos durante todo o resto do dia. Ela já viveu uma vida longa o suficiente para que, na minha opinião, tenha merecido esse pequeno momento extra de felicidade.
No dia seguinte, porém, as coisas mudaram.
Um pouco depois do meio-dia, Sandra entrou pesadamente com um olhar abatido no rosto. Ela também está balançando as mãos ao redor da cabeça, como se estivesse afastando algo de si.
| Sandra | [Phew... Acho que vou ficar aqui dentro e descansar], murmurou Sandra.
| Azusa | [Por mim tudo bem, mas descansar de quê? Toda essa fotossíntese te esgotou?], eu perguntei.
Imaginei que ela precisaria de mais nutrientes do que o normal para manter sua flor saudável, o que presumi significar que ela se cansaria mais facilmente também. Dito isso, você também pensaria que ela teria que passar mais tempo lá fora no sol. Estar dentro de casa não significa necessariamente que a Sandra está fazendo uma pausa. Ela geralmente só entra depois que o sol se põe.
| Sandra | [Não, não é isso. Fazer fotossíntese não me cansa nem um pouco], disse Sandra com um balanço de cabeça. [Acho que a culpa é da minha flor... Tenho recebido muita atenção indesejada]
Atenção indesejada...? Como assim, pessoas dando em cima dela?
As palavras 『atenção indesejada』 imediatamente trouxeram à mente a imagem de caras estranhos tentando cantá-la. Isso é estranho, porém — ela parece jovem demais para receber esse tipo de atenção. Talvez alguns dos meninos locais de Furata ou Nascúte tenham começado a insistir para que ela brinque com eles? Se é isso que está acontecendo, então eu sei que dizer para eles manterem suas mãos sujas longe da minha filha seria imaturo da minha parte, então eu estou totalmente preparada para dizer a eles que poderiam sair e brincar nos campos próximos.
| Sandra | [Tive tantos insetos fervilhando ao meu redor para chegar ao pólen da minha flor! Eles são um incômodo...]
| Azusa | [Ah! Esse tipo de atenção!]
Acho que é mais ou menos para isso que as flores servem, não é? Não é como se fossem apenas um acessório de moda! Na verdade, a polinização é provavelmente o propósito mais importante dos dois, de uma certa perspectiva.
| Sandra | [É tudo totalmente inútil, já que não há outras mandrágoras crescendo por aqui. Isso significa que todos os insetos não passam de um estorvo. Eu queria que eles me deixassem em paz...], lamentou Sandra.
| Azusa | [Acho que isso é uma desvantagem bem grande, quando você coloca dessa forma], eu concordei. Realmente não parece haver muita vantagem, pelo menos para ela.
| Sandra | [Talvez eu devesse usar um chapéu até que minha flor murche?]
| Azusa | [Mas isso estragaria a diversão de ter uma, não estragaria...?]
| Sandra | [Tudo bem. Não é como se os insetos fossem me dizer o quão bonita minha flor é, não é? Não tenho interesse em mostrá-la para ninguém que não reserve ao menos um tempo para me dizer o quão bem ela parece]
Aparentemente, Sandra acha que qualquer um que queira chegar à sua flor deve ter que pagar um pedágio em elogios primeiro.
| Azusa | [Eu entendo de onde você vem, mas honestamente, parece um pouco mesquinho da sua parte], eu disse.
| Sandra | [Ah, qual é! É a minha flor, não é?], disse Sandra antes de soltar um suspiro. [Ugh. E eu aqui pensando que essas duas semanas seriam cheias de nada além de elogios]
Até flores lindas, ao que parece, têm suas desvantagens. A vida nunca é tão fácil no final.
Infelizmente para a Sandra, sua flor é aparentemente uma variedade bastante rara e preciosa. Não demorou muito para que um inseto ainda maior aparecesse para dar uma investida nela.
| Nozonia | [Olá novamente! Sou eu, Nosonia, representante do Projeto Nosonia!]
Dois dias depois, Nosonia — um demônio com asas de borboleta — voou em direção à nossa casa. Ela é um tipo de demônio chamado de rastejante, especificamente, e eu aparentemente salvei sua vida sem perceber quando ela era uma larva. Eu nem me lembro do incidente, e certamente não acho que ela me deva nada. Mas sua gratidão não a deixou aceitar um não como resposta, e ela fez um monte de roupas e coisas para mim como sua forma de me retribuir.
| Azusa | [Ei. Já faz um tempo. Quando foi que nos vimos pela última vez? Naquela vez que você montou uma barraca para o Festival de Dança, eu acho?], eu respondi. Demônios tendem a ser muito adaptáveis no geral, o que provavelmente explica por que eu os encontro com tanta frequência, apesar de viver nos territórios humanos.
| Nozonia | [Sim, bem, vim hoje para lhe pedir permissão em relação a um certo assunto], disse Nosonia.
Oh, puxa. Acho que sei para onde isso está indo. De jeito nenhum foi coincidência ela aparecer logo após a flor da Sandra desabrochar.
| Nozonia | [Se for possível, eu gostaria de obter um pouco do néctar da flor da Senhorita Sandra. Néctar de mandrágora humanoide é uma substância extraordinariamente rara!]
Eu sabia!
| Azusa | [Digo... se você quer obter o néctar dela, vai ter que perguntar à própria Sandra], eu respondi. [Eu nem sei por que você está falando comigo sobre isso, honestamente]
| Nozonia | [Oh, eu apenas pensei que era importante pedir permissão a guardiã dela antes de fazer o pedido formal], explicou Nosonia.
Huh. Isso é bem razoável, na verdade. Acho que devo ser grata por ela estar tentando fazer isso da maneira correta em vez de roubar o néctar, ou algo assim. Pelo menos isso nos deixa espaço para negociar.
| Azusa | [Na verdade, onde você ouviu sobre a flor dela? Nem a Beelzebub apareceu para vê-la ainda], eu perguntei. Eu nunca tive uma boa noção de como esse tipo de informação chega ao reino dos demônios.
| Nozonia | [Ah, eu ouvi rumores através das minhas conexões na indústria rastejante! Por acaso sou a vice-presidente da Associação de Rastejantes da Cidade do Castelo Vanzeld]
Isso é como o fato de existir uma associação específica em Tóquio para pessoas de Okayama? Acho que organizações assim surgem não importa em que mundo você viva...
| Nozonia | [Alguns rastejantes fazem viagens ao mundo humano de vez em quando, entende. Sempre há histórias fluindo para a Associação de todos os tipos de lugares!], continuou Nosonia.
| Azusa | [Demônios realmente são casuais sobre viajar por aí, não são...? Enfim, deveríamos ir ver o que a Sandra pensa sobre tudo isso.]
Não faz sentido falar sobre isso até ouvirmos a opinião dela, afinal.
Nosonia e eu nos dirigimos ao jardim onde a Sandra muito provavelmente seria encontrada. Ela está lá, como esperado — mas, surpreendentemente, entramos enquanto ela fazia algum tipo de dança estranha. Achei que fosse uma dança, enfim, até perceber que ela estava apenas se debatendo para afastar os insetos.
| Sandra | [Agggh! Agora abelhas estão vindo atrás de mim! Vocês, coisas horríveis, não poderiam apenas ficar longe?!]
Realmente há um bom número de abelhas zumbindo pelo jardim naquele dia. A flor da Sandra deve tê-las atraído.
| Azusa | [Talvez um chapéu seja uma boa ideia, afinal, pelo menos quando houver abelhas por perto?], eu sugeri.
| Sandra | [Chapéus não ajudam! Elas continuam vindo! Todas já devem saber sobre a minha flor!], gritou Sandra de volta.
Acho que a colmeia tem sua própria rede de informações? Parece que as pessoas não têm o monopólio de espalhar informações — o mundo natural também domina isso.
| Azusa | [Bem, este provavelmente não é o melhor momento, mas você tem uma visita], eu disse.
| Sandra | [Eles terão que esperar! Estou com as mãos ocupadas afastando esses parasitas estúpidos do néctar da minha flor!]
Eu estou começando a achar que as negociações haviam fracassado antes mesmo de começarem. Nosonia está firmemente do lado dos parasitas, afinal...
| Nozonia | [É bom ver você de novo, Senhorita Sandra! Sou Nosonia, do reino dos demônios, e vim na esperança de desfrutar do néctar deleitável da flor muito rara que você cultivou!]
| Sandra | [Vá embora]
Sandra rejeitou o pedido com uma única frase.
Sim, justo. Ela está atrás da mesmíssima coisa que todas aquelas abelhas irritantes, afinal. Nosonia foi bem atrevida com seu pedido também. Talvez seja seu lado mercante se mostrando?
Nosonia parou para pegar uma abelha que voava por perto, fechando as mãos ao redor dela. Uma borboleta ou mariposa normal nunca conseguiria realizar um movimento assim, mas rastejantes são outra questão inteiramente.
| Azusa | [Oh, boa captura!], eu disse. [Não vai te picar, no entanto?]
| Nozonia | [Ah, ser picada por uma abelha das terras humanas dói menos do que perceber que cometi um erro de arredondamento! Eu ficarei bem. Hum... entendo, entendo! Então esse é o tipo de abelha com que estamos lidando. Tudo bem — eu sei exatamente o que fazer], disse Nosonia enquanto espiava em sua gaiola de mão improvisada, estudando a criatura que capturou. Ela sabe um bocado sobre insetos.
| Nozonia | [Permita-me propor um acordo, Senhorita Sandra. Estou disposta a fazer para você um chapéu perfumado com um aroma que afastará esta espécie de abelha de você. Em troca, tudo o que peço é uma pequena amostra do seu néctar]
Oh, então esse é o jogo dela.
Nosonia é uma verdadeira profissional quando se trata de roupas e tecidos. Sandra não pagou nada pelo seu néctar, mas ainda assim ganhará um chapéu personalizado — não é um acordo ruim de jeito nenhum. Claro, eu nunca brotei uma flor da minha cabeça, e não tenho a menor pista de como seria ter néctar colhido, então eu não tenho uma ideia muito clara de quanto a Sandra se oporia à experiência. Ela terá que tomar a decisão por si mesma, no final.
| Sandra | [Oh, sério?], disse Sandra. [Dê-me alguns minutos para pensar sobre isso]
Sandra mergulhou em pensamentos, balançando a cabeça e murmurando para si mesma enquanto se afastava. Meu melhor palpite é que ela está dando voltas na casa nas terras altas, e não demorou muito para que ela emergisse do lado oposto do edifício, provando que eu estava certa.
| Sandra | [Aceito o seu acordo. Uma flor fofa murcha em apenas algumas semanas, mas um chapéu fofo pode durar muito tempo para mim. O chapéu simplesmente faz sentido!]
| Nozonia | [Muito obrigada!], exclamou Nosonia. [Vou fazer para você o chapéu mais adorável que você já viu!]
Assim mesmo, o acordo foi selado. Sandra e Nosonia trocaram um aperto de mão firme.
Fiquei feliz em ver que tudo correu bem no final, mas tive uma leve dúvida persistente.
Não é meio triste para uma pessoa — ou planta, eu acho — tratar uma flor que cultivou como prioridade menor que um chapéu...?
| Nozonia | [Bem, aí está, Senhorita Azusa! Posso pegar emprestado um dos seus quartos vazios para montar o chapéu?], perguntou Nosonia.
Considerando que a flor não vai estar por perto por muito mais tempo, acho que perderia o propósito se o chapéu não chegar a ela até daqui a um mês.
| Azusa | [Claro, sem problemas], eu respondi. Decidi apresentá-la à Mimi, a mímica, aproveitando a oportunidade. Seria um desastre se ela entrasse acidentalmente no quarto da Mimi e fosse mordida, afinal.
Apresentei a Mimi a Nosonia, que se derreteu pela 『fofinha mímica』. Tive que assumir que ou ela estava sendo apenas educada, ou os demônios têm um padrão de fofura bem diferente do meu...
Nosonia mudou-se para um de nossos quartos vazios e começou a trabalhar no chapéu imediatamente. Sandra acabou ficando com ela no quarto também, dando sugestões sobre exatamente que tipo de chapéu queria durante todo o processo. Ninguém ficaria feliz se o produto final da Nosonia não fosse do agrado da Sandra, então faz um certo sentido que ela fizesse pedidos em tempo real, mas também significa que haveria uma pressão enorme sobre a Nosonia para ter um bom desempenho. Eu só tenho que esperar que uma profissional como ela esteja à altura do desafio.
| Azusa | [Tenho certeza de que deve ser muito pior para pequenas plantas que apostam suas vidas inteiras em um único desabrochar, mas cultivar uma flor com certeza é difícil, não é?], eu murmurei enquanto tomava uma xícara de chá da tarde na mesa de jantar.
Farufa, Sharusha e Furatorute estão todas sentadas comigo. Estamos desfrutando de alguns doces que a Nosonia trouxe como presente — pedaços de massa frita que me lembram muito sata andagi, um deleite de Okinawa semelhante a um donut.
| Furatorute | [Eles estão grudando na minha garganta... Estou secando...], lamentou Furatorute enquanto mastigava.
| Sharusha | [Isso é apenas natural], disse Sharusha para mim, ignorando a Furatorute inteiramente. [Um dos motivos pelos quais mandrágoras humanoides raramente florescem é, supostamente, que suas flores servem a propósitos práticos muito pequenos. Alguém poderia dizer que conseguir ver uma é uma experiência muito valiosa para nós], explicou ela. Ela segura um pedaço de massa frita na mão, mas está tão ocupada com sua palestra que não consegue encontrar o momento certo para comê-lo. [Além disso — e Sharusha deve esclarecer que este fato foi registrado em uma crônica histórica, em vez de obras de um botânico — mandrágoras humanoides têm sido amplamente procuradas desde os tempos antigos. Uma flor chamativa seria contraproducente para evitar a perseguição]
| Azusa | [Bom ponto! Significaria apenas mais inimigos com quem lidar!], eu exclamei. As abelhas são ao menos um pouco úteis para mandrágoras normais, já que servem como polinizadores, mas quaisquer humanos que uma flor atraísse seriam predadores.
| Sharusha | [Além disso, Sharusha hipotetiza que o estresse de viver se escondendo dos humanos significaria que mandrágoras humanoides apenas muito raramente encontram ambientes nos quais possam se estabelecer bem o suficiente para cultivar uma flor], acrescentou Sharusha.
| Farufa | [Viu? Farufa estava pensando a mesma coisa!], Farufa interveio. [Não haveria como a Sandra ter tempo para cultivar uma flor quando estava correndo de um lado para o outro dia após dia!]
A explicação das minhas filhas trouxe um pensamento súbito à minha mente.
| Azusa | [Espere — isso significa que esta casa é um lugar onde a Sandra pode se sentir segura e em paz?]
Farufa e Sharusha assentiram ao mesmo tempo.
Nesse caso, aquela flor é um sinal de que a Sandra acha que esta casa é um lugar bom para morar!
Para ser sincera, nenhuma de nós tinha total certeza se a casa nas terras altas era um bom ambiente para a Sandra ou não. Tínhamos feito o nosso melhor para torná-la um lugar agradável para ela viver, é claro, mas a questão de se era a decisão certa para ela morar aqui esteve em aberto por um tempo.
| Azusa | [Não é como se isso estivesse me sobrecarregando, ou algo assim, mas ainda sinto como se um peso tivesse saído dos meus ombros], eu comentei. Eu me sentia assim em parte porque sou sua mãe adotiva, claro, mas, mais importante, eu quero que ela possa viver com conforto e segurança.
| Farufa | [Você é uma mamãe tão boa, mamãe♪!]
| Sharusha | [Sharusha está confiante de que a Sandra também desfruta da sua vida aqui]
Sim! Nada supera um elogio das minhas filhas!
O dia passou, e a hora do jantar se aproximava rapidamente. Já que a Nosonia estará presente para a refeição, eu decidi adiar o cozimento para um pouco mais tarde que o habitual, para que todas possamos comer juntas depois que a Harukara chegar em casa à noite.
Harukara chegou em casa a bordo da Leica há pouco tempo, e eu estava pensando que deveria dizer a Nosonia que estava quase na hora do jantar quando ela entrou na sala de jantar antes que eu tivesse a chance.
| Azusa | [Ei! Espero que seu trabalho esteja indo bem. A Sandra ainda está no quarto?], eu pergunto. Sandra não come, então ela pula nossas refeições com bastante regularidade.
| Nozonia | [Não, ela estará aqui em breve], responde Nosonia. [Acho que ela quer aproveitar esta chance para se exibir para todas]
Sandra chega à sala de jantar logo em seguida, e o faz usando seu novo chapéu, além de uma roupa distintamente estilosa para acompanhá-lo.
| Sandra | [Então, o que vocês acham? Eu pareço bonita? Nós não paramos no chapéu — eu fiz ela coordenar uma roupa inteira para mim de cima a baixo!], declara Sandra orgulhosamente.
| Leica | [Você está maravilhosa! Combina incrivelmente bem com você!], diz Leica.
| Harukara | [É realmente muito moderno! Você parece tão elegante que eu gostaria de apresentá-la em um anúncio para a Farmacêutica Harukara!], acrescenta Harukara. Ela e a Leica inclusive iniciam uma salva de palmas educada, à qual a Farufa, Sharusha e eu nos juntamos um momento depois.
Seu novo visual é realmente de uma elegância de tirar o fôlego. Falando como mãe dela, no entanto, eu agora tenho uma preocupação totalmente diferente pesando em minha mente, sobre a qual decidi perguntar a Nosonia.
| Azusa | [Então, hum, sobre essas roupas — elas provavelmente são bem caras, certo?], eu comento. [Não tem como um pouco de néctar cobrir o custo de uma roupa como essa, então eu posso pagar o que quer que seja a diferença. Como você sequer montou tudo isso em uma única tarde?]
| Nozonia | [Oh, tudo exceto o chapéu é de pronta entrega], explica Nosonia. [Por acaso eu tinha alguns conjuntos de roupas de tamanho infantil comigo e coordenei com o que eu tinha. Pensei que, já que ela estaria fazendo um pequeno desfile de moda, seria uma pena não ir até o fim!]
| Azusa | [Acho que faz sentido. Eu pagarei por isso, de qualquer forma]
Nosonia insistiu que daria as roupas para a Sandra como um presente, mas em momentos como esse, eu sinto que é minha responsabilidade como mãe dela arcar com a conta.
Harukara me apoiou também. Em suas palavras: [Isso mesmo! É justo que você seja compensada por seus produtos!]. Sendo ela própria uma presidente de empresa, imaginei que ela dá muito peso ao valor do trabalho. [Não existe almoço grátis, afinal. Eu ficaria morrendo de preocupação esperando o outro lado da moeda cair...]
| Azusa | [Você está fazendo parecer que ela está tentando nos extorquir!], eu grito.
| Harukara | [Independentemente disso, se você tem o dinheiro para pagar em momentos como este, é importante fazê-lo!], insiste Harukara.
Eu estou de acordo aqui. Fiz uma nota mental para trabalhar um pouco mais duro do que o normal na minha matança de slimes para compensar a diferença.
| Harukara | [Enfim, por que não pensar nisso apenas como o preço que você tem que pagar para fazer a Sandra sorrir, Senhora Professora?], sugere Harukara.
| Azusa | [Ooh, essa é uma ideia!]
Sandra já ficou encantada quando sua flor desabrochou, e agora parece mais feliz do que nunca. A moda realmente tem um jeito de elevar o espírito das pessoas, e eu tenho a sensação de que o seu sorriso também está contribuindo para o seu senso de confiança. Não no sentido de torná-la arrogante, é claro — apenas que a ajudaria a ter orgulho da pessoa que é.
Isso também pode ser o motivo pelo qual ela parece muito menos ranzinza com as pessoas do que era quando a conhecemos... embora, por outro lado, ela já tivesse amolecido muito antes de sua flor brotar. Pensando bem, ela agiu de forma bastante hostil com o resto da nossa família quando se juntou a nós pela primeira vez. Ela até rosnava para o resto de nós algumas vezes.
Muito provavelmente, aquela agressividade foi a sua maneira de lidar com suas muitas ansiedades. Hoje em dia, porém, a fachada dura da Sandra foi substituída por um sorriso feliz e espirituoso. Sua flor desabrochou, e seu sorriso desabrochou junto com ela.
Oh, puxa, acho que estou lacrimejando um pouco! Ganhar um novo conjunto de roupas provavelmente não vai ser um grande ponto de virada na vida dela nem nada, mas ainda é tão bom de ver!
| Rosalie | [Huh? Ei, Irmãzona, sua alma está tremendo — de um jeito bom, quero dizer. Aconteceu algo?], pergunta Rosalie. Ela percebeu meu momento de profunda emoção imediatamente. Esta é uma família difícil para se guardar segredos.
| Azusa | [Eu estava apenas um pouco comovida com o quão feliz a Sandra parece, só isso], eu explico.
Sandra, é claro, ouviu seu nome e virou-se para me olhar. [Que estranho], diz ela. [Por que você está agindo de forma ainda mais emocional sobre isso do que eu?]
| Azusa | [Bem, por que não? É claro que estou feliz por algo legal acontecer com você!], eu respondo.
| Sandra | [Certo, claro. Só não chore todas as suas reservas de água], comenta Sandra. [Este é realmente um chapéu legal, porém! Combina comigo ainda melhor do que a minha flor], acrescenta ela enquanto se examina no espelho de mão que carrega.
Eu realmente não consigo me lembrar de já tê-la visto tão feliz antes... mas então, no momento seguinte, uma expressão conflituosa passou por seu rosto.
| Sandra | [Já que tenho um chapéu tão bonito, acho que posso aposentar esta flor antes que ela murche]
Oh, entendo. Sandra não considera sua flor azul como muito mais do que um acessório de moda. Agora que tem um chapéu para preencher esse papel, ela não tem mais nenhuma necessidade particular de sua flor. Ela murchará em mais duas semanas ou algo assim de qualquer maneira, então é uma coisa boa ela ter encontrado um substituto.
Nada disso, no entanto, muda o fato de que sua flor é preciosa por direito próprio. É basicamente a prova de que ela esteve desfrutando de sua vida na casa nas terras altas.
Prensá-la ou secá-la para mantê-la por perto para sempre parece que seria meio errado, porém... Isso significaria cortá-la dela, para começar. Mas de que outra forma poderíamos preservá-la...?
| Azusa | [Oh! Eu sei!], eu grito.
| Sandra | [Eeek!], Sandra dá um grito. [Honestamente, Azusa, não me assuste assim! De onde veio isso?]
| Azusa | [Desculpe, desculpe. Eu apenas tive uma ideia realmente ótima], eu explico. [Bem, é ótima em teoria, de qualquer forma. Acho que não saberemos o quão boa é com certeza até tentarmos e vermos como corre]
No pior dos casos, afinal, meu plano pode resultar em algo realmente inquietante. Há uma chance real de a pessoa para quem eu planejo pedir ajuda me dizer que apenas consegue fazer coisas inquietantes, o que arruinaria tudo antes mesmo de começarmos.
| Sandra | [O que diabos você está falando?], pergunta Sandra. [Não sou eu não entendendo porque sou uma planta — nem mesmo os animais seriam capazes de acompanhar sua explicação desta vez!]
| Azusa | [Tudo bem, então, vou colocar da forma mais simples que puder], eu digo. [Acho que deveríamos pedir a alguém para pintar um retrato seu!]
A flor da Sandra só ficará por perto por um tempo limitado, o que significa que temos um limite de tempo firme para trabalhar. Como tal, dirigi-me à casa da Mamãe Yufufu logo no dia seguinte para tentar entrar em contato com a pessoa que eu quero recrutar para nos ajudar. Isso acabou correndo sem problemas, e ela chegou à casa nas terras altas na hora, sem problemas.
| Curalina | [Olá. Eu sou Curalina, o Espírito da Água-viva, e dediquei minha vida a capturar a falta de sentido deste mundo em forma ilustrada. Água-viva-viva-viva-viva-viva...]
Curalina fez uma apresentação pessoal muito mais adequada do que eu passei a esperar dela, saudando-nos com uma reverência educada. Meu melhor palpite é que ela está muito mais entusiasmada do que o normal, pois sabe que queremos comissioná-la para fazer uma pintura.
| Azusa | [Então, começando hoje, Curalina, a artista espírito da água-viva, pintará toda a nossa família junta], eu explico. Esta foi minha ideia, então cabe a mim informar a todas. [Achei que a melhor maneira de preservar a flor da Sandra seria incluí-la em uma pintura! Dessa forma, ela durará para sempre, mesmo depois de murchar!]
| Curalina | [Para sempre é um exagero. Daqui a dez mil anos, cada pintura que existe hoje não passará de poeira. Tudo é transitório; tudo é impermanente. Água-viva-viva-viva-viva-viva]
| Azusa | [Por que a própria pintora é quem está discordando de mim sobre isso?!], esta é a parte em que você deveria fazer um discurso sobre a atemporalidade da arte ou algo assim! [Claro, você é um espírito e está por aqui há seis ou sete séculos ou o que quer que seja, então talvez você realmente saiba, mas se você apenas tomasse um pouco mais de cuidado para preservar suas pinturas, elas durariam por um tempo realmente longo!]
| Curalina | [Talvez. Nesse caso, farei uma pintura que durará pela água-viva-viveternidade, pelo menos em espírito. Água-viva-viva-viva]
Se você tem que forçar seu bordão de gagueira de água-viva tão mal assim, então não se dê ao trabalho de fazê-lo.
O fato de nossa artista residente estar altamente motivada é uma coisa boa, de qualquer forma. Eu espero que isso signifique que ela entregará uma bela pintura... mas então a Leica levantou uma mão nervosa.
| Leica | [Hum... Eu odeio lançar dúvidas sobre este esforço, mas sinto que a última vez que a Curalina nos pintou, os produtos foram bastante angustiantes... Seu estilo seria bem adequado para uma exposição, com certeza, mas não estou convencida de que seria apropriado para um retrato de família... Você tem certeza de que esta é uma boa ideia...?]
Curalina realmente pintou os membros da minha família uma vez antes. Ela nos pintou individualmente daquela vez, em vez de todas nós como um grupo, e cada uma daquelas pinturas acabou parecendo profundamente amaldiçoada. Eu ouvi dizer que a série 『A Casa da Bruxa das Terras Altas』 atraiu grandes elogios no mundo da arte, mas se esta pintura for algo parecido com aquelas, não seria uma ótima lembrança ou peça de exibição, mesmo que pudesse ser vendida por um preço alto em uma galeria.
Eu percebi que é exatamente com isso que a Leica está preocupada. A maioria dos artistas seria capaz de ajustar seu estilo para atender às necessidades de qualquer projeto, mas a Curalina não parece ter essa flexibilidade.
| Curalina | [Provavelmente ficará tudo bem], disse Curalina com um bocejo.
Eu espero que ela ao menos deixe suas garantias sem ressalvas, mas considerando como ela é, imaginei que aquilo é o melhor que conseguiremos. Eu sei que, se perguntasse, ela provavelmente diria algo como: 『Você nunca pode dizer o que vai acontecer no futuro com certeza』, ou algo para se justificar.
| Curalina | [Esta pintura capturará uma memória familiar preciosa. Eu não a tornaria assustadora de propósito. Degradando seu próprio trabalho assim apenas prova que você não é água-viva-viva-vivapta para ser uma artista...], disse Curalina.
| Leica | [Nesse caso, retiro minha objeção], Leica admitiu.
| Curalina | [A arte quase não tem valor por si só, francamente, mas há alguns nesta espiral mortal que lhe atribuem valor arbitrariamente, e eles também são válidos. Talvez seja a própria falta de valor intrínseco da arte que a torna valiosa para eles. Água-viva-viva-viva-viva]
| Azusa | [E agora você voltou a dizer que nosso retrato de família não tem valor! Você deveria ter parado enquanto estava ganhando!], eu grito. Nem mesmo eu consegui ficar quieta depois dessa. Se isso não é degradar o próprio trabalho, então o que é?!
| Curalina | [Desafiar-se a trabalhar sob um tema pelo qual você não está muito interessada é um dos muitos temperos da vida. Considero esta uma comissão bastante favorável. Água-viva-viva-viva-viva...]
| Azusa | [De novo, pare enquanto está ganhando!]
De um jeito ou de outro, Curalina pintar nosso retrato de família está decidido. Teremos apenas que fazer o nosso melhor para não pensar muito profundamente em suas crenças pessoais enquanto ela trabalha nele...
Desnecessário dizer que, se a Curalina vai pintar nosso retrato de família, todas nós teremos que participar do processo. A família inteira se reuniu para posar para ela, da mesma forma que as pessoas se reuniriam para tirar uma foto em grupo. Na verdade, como este mundo não tem câmeras, isso é mais ou menos a coisa mais próxima de uma foto de grupo que existe.
Já que não fazemos exatamente isso com frequência, todas se vestiram com roupas bonitas para combinar com as da Sandra. O retrato não pareceria certo se ela fosse a única a não estar usando suas roupas do dia a dia, afinal.
| Curalina | [Para começar, já que a Sandra deve ser o ponto focal, faremos com que ela se sente na cadeira central. Sandra, por favor, levante o queixo ligeiramente para manter sua flor claramente visível. Em seguida, Farufa e Sharusha, por favor, tomem seus lugares em cada lado dela]
Curalina nos deu direções claras e eficazes, colocando cada uma de nós exatamente onde ela nos queria. Nesse sentido, pelo menos, ela realmente age como uma profissional.
| Curalina | [Azusa, por favor, fique atrás da Sandra. Leica e Furatorute, por favor, fiquem em cada lado dela, e Harukara e Rosalie em cada lado delas]
Nesse ponto, Curalina pareceu ser atingida por uma ideia. Ela levou uma mão à boca, parando para considerar suas opções. Se ela teve um momento de inspiração profissional, imaginei que seria melhor ir com a opção que ela criou.
| Curalina | [Eu também poderia desenhar a Rosalie em um canto, no estilo retrato-em-retrato. Você preferiria isso?]
Isso é o que fazem em anuários quando alguém não pode comparecer no dia da foto da classe!
| Azusa | [Não, obrigada! Apenas faça normalmente! Não vamos tornar isso mais excêntrico do que já tem que ser!], o objetivo deste retrato não é fazer as pessoas rirem, obrigada!
| Curalina | [Entendido], disse Curalina. [No entanto, como a Rosalie é um espírito, receio que incluí-la no mesmo espaço que o resto de vocês inevitavelmente resultará na pintura assumindo um tom sinistro... Água-viva-viva-viva-viva...]
| Azusa | [Justo!]
Já estamos pedindo a uma artista especializada em pinturas inquietantes para desenhar um retrato emocionante. Pedir que ela desenhe um retrato emocionante apresentando uma fantasma literal poderia ter sido pedir demais... Além disso, colocar uma fantasma em um retrato de família é um pedido estranho, não importa quem esteja fazendo a pintura, o que complica a situação mais do que nunca.
| Curalina | [E isso não é nem a metade. Há também a mímica a considerar. Água-viva-viva-viva-viva...]
É impressão minha ou aquele último Água-viva-viva-viva-viva soou um pouco forçado?
Desnecessário dizer que a Mimi, a mímica, está presente para o retrato também. Ela é um membro da nossa família também, afinal.
| Curalina | [Quando a mímica abre a boca ao lado da Rosalie, torna-se extra ominoso. A imagem inteira faz pensar em uma masmorra]
| Azusa | [Acho que faria, sim], eu suspiro. Descobriu-se que nos desenhar como uma família feliz é uma tarefa muito mais difícil do que eu imaginei.
| Rosalie | [Tudo bem, pessoal!], declarou Rosalie. [Eu posso apenas diminuir a aura de fantasma e colocar um visual mais amigável em vez disso! Eu posso parecer com, uh... como um espírito guardião! Isso deve resolver o problema!]
Eu nunca vi um espírito guardião, então não tenho a menor pista de como eles sequer se parecem, mas acho que posso apenas confiar na Rosalie quanto a isso.
| Curalina | [Farei o que puder para evitar retratar qualquer malevolência em sua presença, mas, por favor, façam o que puderem para garantir que também não expressem tal malevolência. Água-viva-viva-viva-viva], disse Curalina.
Okay, mas existe alguém por aí que faria isso de propósito...?
| Curalina | [Azusa, uma pitada de malevolência está surgindo em sua expressão. Por favor, mantenha sua expressão pura e imaculada. Água-viva-viva-viva]
E eu sou imediatamente repreendida!
| Azusa | [O quê, sério?! Isso não pode estar certo! Eu estava sorrindo e tudo mais!], eu protesto.
| Curalina | [As expressões da Farufa e da Sharusha são perfeitamente puras. Por favor, tente emulá-las]
| Farufa | [Você consegue, mamãe! Farufa sabe que você consegue!]
| Sharusha | [Sharusha está bem ciente de que seu espírito materno é tão puro quanto poderia ser por dentro]
| Azusa | [Eu sei que vocês estão tentando me apoiar, mas estão fazendo parecer que eu pareço malevolente na maior parte do tempo!]
Digo, com certeza, qualquer um pareceria impuro comparado à Farufa e à Sharusha, mas é melhor você não fazer esse tipo de comparação. E, honestamente, seria meio bizarro se eu fosse tão inocente quanto aquelas duas!
Eu ainda tinha minhas dúvidas, mas fiz o meu melhor para ser uma boa modelo e manter minha pose o mais consistentemente possível. As outras fizeram o mesmo, embora a Sandra — a estrela do show — e a Furatorute se mexessem de vez em quando, ganhando uma bronca da Curalina. Sandra é uma criança, então não é ótima em ficar parada, enquanto a Furatorute é apenas uma pessoa naturalmente inquieta.
| Sandra | [Seria tão fácil para mim ficar parada se eu pudesse apenas me plantar], observou Sandra.
| Azusa | [Isso tornaria a pintura estranha de novo, então não!], eu disse.
| Sandra | [Todo o objetivo de eu assumir esta forma é me permitir mover por aí, e agora você está me dizendo para não me mover nela? Animais são tão complicados]
Entendo seu ponto, mas, por favor, apenas aguente por enquanto.
| Furatorute | [Ficar parada realmente cansa, huh? Aposto que isso seria mais fácil se eu, a grande Furatorute, apenas congelasse todas nós no lugar com meu sopro gelado]
| Azusa | [Essa é a solução mais violenta que você poderia ter proposto!], eu reclamei.
| Curalina | [Se vocês estivessem congeladas, seria impossível manterem expressões naturais], disse Curalina, descartando a ideia por um ângulo diferente. [Além disso, você, Furatorute, é quem está tendo dificuldades para ficar parada. A menos que seu sopro congelasse você também, não serviria para nada]
| Furatorute | [Eu não posso evitar! Dragões azuis são todos sobre se mover por aí!]
| Curalina | [Hum? Parece que você fica parada mais consistentemente quando está falando. Por favor, continue a falar o máximo que puder]
Pequenos problemas continuaram surgindo aqui e ali, mas, no geral, a pintura da Curalina progrediu em um ritmo constante.
Três dias depois, Curalina nos disse que chegou a um estágio em que não precisamos mais nos alinhar e posar para ela.
| Curalina | [Eu posso terminar o restante da pintura sozinha. Dito isso, pode haver momentos em que eu precise consultar vocês sobre certos detalhes, então seria melhor se eu pudesse fazer meu trabalho em algum lugar por perto], explicou ela.
| Azusa | [Nesse caso, sinta-se à vontade para usar um dos quartos vazios], eu ofereci. Eu não quero comprometer nada que possa ajudar a fazer a pintura ficar o melhor possível.
Dez dias depois, finalmente, nos reunimos para ver a pintura terminada. Nossa família está retratada com detalhes perfeitamente satisfatórios, e a bela flor na cabeça da Sandra é tão chamativa quanto poderia ser.
| Sandra | [Oh, que legal. Parece ainda melhor do que a flor real parecia, não parece?], disse Sandra com um sorriso, de braços cruzados enquanto estuda a pintura.
Sua flor azul não está mais presente em sua cabeça. Já se passou muito mais de duas semanas desde que desabrochou pela primeira vez, e ela já cumpriu seu propósito há muito tempo. A atitude animada da Sandra, no entanto, sobreviveu — ela ainda está tão otimista quanto esteve naquele primeiro dia. De certa forma, a flor nos ensinou a todas o quão bem ela está passando ultimamente.
Nossa família não tem cerimônias de entrada ou de formatura para participar, então é meio difícil escolher dias que valessem a pena comemorar. Fiquei feliz por termos tido uma chance tão perfeita de ter um retrato de família pintado.
Leica, aliás, não pareceu comovida pela pintura terminada tanto quanto intrigada. Ela a observava como uma visitante em um museu de arte, inclinando-se para perto para estudar os mínimos detalhes da pintura.
| Azusa | [Eu realmente agradeço por você ter desenhado todos nós tão bem], eu disse para a Curalina, que estava parada atrás observando enquanto apreciávamos seu trabalho. [Obrigada, Curalina. É uma pintura maravilhosa!]
Curalina, no entanto, estava agindo de forma um pouco estranha. Ela estava tremendo tanto que você pensaria que estava congelando em nossa casa...
| Curalina | [Eu não sabia que pintar um retrato feliz provocaria uma reação física tão terrível em mim... Água-viva-viva-viva! Água-viva-viva-viva!]
| Azusa | [O quanto você odeia pinturas felizes?!]
| Curalina | [V-veja por este lado... Isso prova o quão inspirador esse trabalho realmente é... Ugggh! Ugggh!]
| Azusa | [Eu entendo a lógica, mas é muito difícil ficar feliz com isso quando a mulher que a pintou está tendo um colapso ao fundo!]
| Curalina | [Eu preciso de dor... Oh, eu sei — eu posso fazer a mímica me morder para neutralizar a felicidade... Água-viva-viva-viva-viva-hhaaaaugh!]
No final, Curalina realmente passou pelo quarto da Mimi para levar algumas mordidas antes de finalmente ir para casa...



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