Capítulo 9 - A Alegria do Maxwell




Cinco dias se passaram num piscar de olhos. Em 25 de agosto, chegou a hora da Luciana e sua comitiva chegarem oficialmente à capital.

| Melody | [Vejo você em breve, minha senhorita]
| Luciana | [Cuidado]

Melody sorriu para a Luciana e olhou para o céu. [『Ocultar — Trasparenza』. 『Voar — Ali da Angelo』]

A empregada desapareceu e, em seguida, uma corrente ascendente repentina passou por ela enquanto alçava voo.
Melody foi explorar um local para conectar seu feitiço de portal, para o seu suposto retorno. Precisam de uma estrada tranquila e deserta para entrar. Se alguém visse uma de suas portas aparecer do nada, seu segredo seria revelado e seu futuro estaria perdido. Não podem ter testemunhas para surpreendê-las do outro lado.

Claro, isso é mais fácil dizer do que fazer tão perto da capital real. Viajantes percorrem as estradas por onde a Melody pode ver. [Hm. Talvez tenhamos que ir um pouco mais longe]
Ela teve que viajar o equivalente a duas horas de carruagem para encontrar um lugar adequado. [Isso serve. É melhor se apressar. 『Entrada da Frente (Benvenutiporta)』]

Um par de suntuosas portas duplas de prata apareceu e se abriu sozinha. Uma carruagem passou por elas, com o Luke no assento principal.

| Melody | [Siga em frente por esta estrada], disse Melody a ele.
| Luque | [Pode deixar], uma questão simples, graças à posição que ela instalou o portão. O criado estalou as rédeas.
| Luciana | [Melody!], Luciana acenou da janela.

A empregada acenou de volta. Assim que o último membro da carruagem saiu pela porta, Lect e seu cavalo o seguiram.

| Lect | [Obrigado, Melody], disse ele.
Ela deu uma risadinha. [Não foi nada, na verdade, mas agradeço a intenção]

Dito isso, Melody observou os arredores mais uma vez antes de abrir a porta e seguir a carruagem.
Cerca de duas horas depois, chegaram à capital.

| Luciana | [Paltescia!], exclamou Luciana, com uma mão no peito e a outra erguida para o céu. [Eu voltei!]
| Melody | [De onde você tira todas essas ideias, minha senhorita?], disse Melody.

Imagino de qual peça ela tirou isso.

Luciana mostrou a língua de forma adorável. [Simplesmente me ocorreu]

Não se escreve 『ignóbil』 sem 『nobre』 (NT: Uma piada que não fica boa em português. Seria 『Ignoble』 e 『Noble』). Por mais infames que sejam os Luthorburg, ainda são aristocratas e, junto com o cavaleiro, passaram rapidamente pela longa fila de plebeus que aguardavam para entrar e conseguiram acesso à cidade propriamente dita.

| Luciana | [É tão bom finalmente sair em público de novo], Luciana respirou fundo. [O mundo é meu!]
| Melody | [Há algum lugar em particular onde você continua encontrando essas frases, minha senhorita?]
| Luciana | [Meu cérebro!]

Duvido sinceramente que você consiga rastrear as origens etimológicas desse idioma até o seu cérebro, minha senhorita.

Este não é o único anacronismo que a Melody havia notado desde que renasceu neste mundo. Ela atribuiu isso a um truque psicológico, uma espécie de tradução entre realidades que torna certos conceitos compreensíveis para ela.

| Lect | [Obrigado novamente pela sua hospitalidade], disse Lect, igualmente perplexo. [Vou me retirar agora]
| Melody | [Você tem algum compromisso?], perguntou Melody.
| Lect | [Vou informar meu senhor que irei acompanhá-la — ou melhor, a Cecilia — ao Baile de Verão]
| Melody | [E quanto a Paula? Ela ainda está trabalhando duro no vestido]
| Lect | [Ela pode ficar, se não for incômodo. Algo me diz que ela não me ouviria nem se eu implorasse]

Ele e a empregada trocaram um sorriso cúmplice. Ambos conhecem a Paula bem o suficiente para saber que ele está certo. Não conseguiriam arrancar a empregada do trabalho quando a moda está em jogo.

| Melody | [Vou insistir para que ela vá com calma], disse Melody. [Nem que seja pelo bem da família dela]
| Lect | [Por favor, faça isso. Estou indo]
| Melody | [Boa viagem], Melody sorriu e acenou em despedida.

Enquanto o Lect se afastava a trote, um pensamento lhe ocorreu. Ele gosta do som daquelas palavras quando vêm de Melody. 『Boa viagem』. Elas ressoaram com familiaridade e cuidado, e uma série de implicações marcadamente mais extravagantes que o cavaleiro, no entanto, estava ansioso para explorar em seu caminho de volta para a propriedade de seu senhor.

Luciana praticamente deu um pulo. [Ah! Quase me esqueci!]
| Melody | [Sim, minha senhorita?]
| Luciana | [Preciso dar minha resposta ao convite do Lorde Maxwell!]
| Melody | [Ah, isso também me escapou. Vamos voltar à propriedade e escrever uma carta? Eu mesma posso entregá-la]
| Luciana | [Sim! Obrigada, Melody! Para a mansão, Luke! Depressa!]
| Luque | [Imediatamente], disse o criado.

O baile deste verão promete ser agitado.



Naquele mesmo dia, algum tempo antes do retorno da Casa Luthorburg, Annemarie e Maxwell se encontraram no quarto do Christopher com o próprio príncipe herdeiro.

| Max | [Artigos femininos? Para a Casa Leginbarth, você disse?], perguntou Maxwell.
| Annemarie | [É o que a Guilda diz], corrigiu Annemarie. [Dizem que houve um aumento repentino nas vendas de produtos destinados a mulheres]

A Guilda do Comércio se beneficia de generosos subsídios, cortesia do príncipe, e em troca o príncipe aprecia informações privilegiadas de vez em quando. A descoberta mais recente o interessou particularmente.

| Max | [Entendo que a irmã do Lorde Leginbarth é viúva], apontou Maxwell. [Tem certeza de que essas coisas não são para ela?]
| Annemarie | [Esses itens são destinados a senhoritas da nossa idade. Os pedidos incluem coisas como roupas íntimas, camisolas e similares]
| Max | [Essas vestimentas não costumam ser feitas sob medida?]
| Annemarie | [O que nos leva à próxima conclusão: alguém comprou esses itens às pressas. Precisavam deles repentinamente e imediatamente]
| Max | [Você quer dizer que ela apareceu, essa sua tão importante Santa?]

Pelo que o Maxwell sabe, Christopher e Annemarie haviam sonhado com coisas portentosas em sua juventude, tido visões do futuro. Essa garota, a Santa deles, é supostamente a figura central das visões, mas está desaparecida há algum tempo. Ela supostamente os resgatará de algum arauto da destruição chamado 『O Senhor das Trevas』 ou algo assim.
Mas as circunstâncias acabaram de mudar. Seria ela? Seria ela aquela por quem eles esperavam?

Annemarie franziu a testa. [Considerando o quão diferente tudo isso é das nossas visões, estou francamente hesitante em criar muitas expectativas, mas essa é toda a informação que consegui reunir. A Casa Leginbarth tornou-se repentinamente e muito recentemente excessivamente secreta]
| Christopher | [Acho que o conde espera que o Baile de Verão seja o palco de sua grande estreia], disse Christopher.
Maxwell franziu a testa. [Que problemático]
| Christopher | [Problemático como? Nos dá a chance perfeita para descobrir se ela é realmente boa nisso ou não. Claro, também temos que nos preocupar com a princesa imperial. Que timing fantástico]
| Annemarie | [Ainda não a vi], disse Annemarie. [Ela ainda não chegou?]
| Christopher | [Ela só chegará um dia antes do baile. Nem eu tive a chance de contemplar sua beleza ainda]
Maxwell olhou para o príncipe. [Que presunçoso]
| Christopher | [Sonhamos com o irmão dela, Schroden, e ele é um bonitão. Eu aposto na semelhança familiar. É o que me mantém animado, na verdade]

Annemarie pressionou os dedos nas têmporas, lutando contra uma enxaqueca iminente.

| Christopher | [Uma princesa e uma potencial santa. E o baile nem começou ainda!], reclamou Christopher. [Por que ela não apareceu no último baile como deveria? A garota com quem eu esbarrei no dia da cerimônia de abertura era bonitinha, mas não uma santa. Só uma empregada de cabelos negros]
| Max || Annemarie | [[Você quer dizer a Melody?]], disseram Maxwell e a Annemarie em uníssono.

| Christopher | [Espera, vocês dois a conhecem?]
| Max || Annemarie | [[Somos amigos/as]], eles harmonizaram mais uma vez, e então se entreolharam. Coincidências.
| Christopher | [Por que eu sou o único de fora?!], lamentou Christopher. [Existe algum Clube das Belas Donzelas que eu desconheço?!]

Ainda bem que a Annemarie havia garantido este quarto com seu feitiço 『Silêncio』 com antecedência.

| Annemarie | [Meus pêsames, Sua Alteza], disse ela. [Enfim, vamos a assuntos mais importantes], disse ela, lançando um olhar para o Maxwell.
Percebendo a mudança de tom, Maxwell endireitou-se na cadeira. [Sendo eles?]
| Annemarie | [Monstros invadirão a capital em breve]
| Max | [O quê?!], o jovem lorde recuou. Ele havia se preparado, mas não para algo assim.
| Annemarie | [O perigo pode muito bem chegar até você, Lorde Maxwell. Sinto muito por ter escondido isso de você por tanto tempo]
| Max | [O que exatamente você previu?]
| Christopher | [Uma emboscada. Pelo que sabemos, o Senhor das Trevas os enviará atrás da Santa], disse Christopher, recuperado e completamente normal novamente. [Acontece no caminho para casa, enquanto ela está em sua carruagem. Foi assim nos, er, sonhos, de qualquer forma]
| Max | [Impossível], Maxwell refutou. [Monstros? Na capital real? No Distrito Superior, nada menos? Como?]
| Annemarie | [Não posso dizer. Tudo o que sabemos é que acontece e a Santa sai viva]
| Christopher | [Nem sequer sabemos quem orquestra tudo isso]

O choque deixou o Maxwell sem palavras.

| Annemarie | [O que complica as coisas], continuou Annemarie, [é que não sabemos ao certo quem é a Santa. Todos os indícios apontam para a garota que os Leginbarth supostamente estão abrigando, já que isso coincide com a Santa que nós conhecemos. Mas tanta coisa se desviou de nossas visões originais que não podemos confiar em suposições. É perfeitamente possível que uma terceira pessoa, sem qualquer relação com o ocorrido, seja a vítima]
| Max | [Uma terceira pessoa? Como quem?], Maxwell ponderou por um momento, até que o olhar silencioso da Annemarie finalmente lhe trouxe a compreensão. [Lady Luciana?]
| Annemarie | [Outra coisa que coincide com a Santa que conhecemos: Você, Lorde Maxwell, a acompanha até o Baile de Verão]
| Max | [Você sabia], Maxwell se levantou num pulo, a raiva fervendo em seu estômago. [Você sabia de tudo isso e mesmo assim deixou acontecer?!]



| Annemarie | [Sinto muito, Lorde Maxwell. Sinto muito mesmo, mas esta não é a primeira vez que a Luciana preenche os requisitos que pensávamos serem exclusivos da Santa. Ela é, para todos os efeitos, uma substituta da pessoa que nos falta, mas não possui o poder da Santa. Ela precisa de proteção]
Ele rangeu os dentes. [E eu devo protegê-la]
| Annemarie | [Exatamente. Os lacaios do Senhor das Trevas são invulneráveis a tudo, exceto aos poderes da Santa ou armas de prata. Você terá que se preparar adequadamente]
| Max | [Você deixou sua mensagem clara, mas ainda não recebi uma resposta ao meu convite]
| Annemarie | [Não? Nem uma única carta?]
| Max | [Não, embora eu acredite que ela retorne hoje. Talvez amanhã. De qualquer forma, não há necessidade de se preocupar agora, mas e se ela recusar?], os olhos duros do Maxwell suavizaram-se com preocupação.
Annemarie sorriu para ele com desdém. [Acho que tudo vai dar certo]
| Christopher | [Alguém pode ter esperança]

Após a longa reunião, Maxwell voltou para sua propriedade em sua carruagem. Quando a carruagem parou em frente à mansão, um rosto familiar chamou sua atenção.

| Max | [Melody?]

Ela estava parada no portão da frente, parecendo perdida, antes de finalmente falar com o guarda que estava estacionado ali. [Com licença, onde posso entregar uma carta?]
| Guarda | [Não aqui, eu receio], disse o guarda. [A senhora encontrará um escritório de correios no portão dos fundos. Peço desculpas pelo inconveniente]
| Melody | [Obrigada, senhor. Vou para lá]
| Max | [Não se incomode], disse Maxwell.

Melody se virou rapidamente e viu uma carruagem parando ao seu lado. Quando parou, Maxwell não esperou por um lacaio, desembarcando por conta própria.

| Max | [Faz algum tempo], disse ele.
| Melody | [Sim, Senhor Reclentos]

O porteiro ficou em posição de sentido diante de seu senhor, o filho do marquês. Melody corrigiu-se rapidamente com uma reverência.

| Max | [Essa carta não seria para mim, ou é?], perguntou Maxwell.
| Melody | [É sim. Lady Luciana a enviou com seus melhores cumprimentos, meu senhor]
| Max | [Obrigado, Melody. Aceito com prazer], Maxwell estendeu a mão.
Isso confundiu a empregada. [E quanto ao procedimento?]

A Casa Reclentos mantém um protocolo postal rigoroso. Todas as entregas têm que passar pelo escritório de correio, onde um funcionário as registra meticulosamente, mas se a Melody entregar a carta diretamente ao Maxwell, eles pularão essa etapa completamente.

| Max | [Conheço bem o remetente, o que me permite uma simplificação do processo], disse Maxwell. [Certamente informarei as pessoas certas]
| Melody | [Como desejar, meu senhor. Aqui está]
Maxwell aceitou e ergueu o envelope contra o sol. O fantasma da carta dentro o encarou, guardando seus segredos. [Não suponho que você poderia me dizer o que diz?]
| Melody | [Isso não seria tão divertido quanto ler você mesmo], respondeu a Melody com uma risadinha. [Mas vou lhe dizer uma coisa. Minha senhorita a escreveu com as bochechas rosadas, então acho que o conteúdo lhe agradará]
| Max | [Bem], Maxwell retribuiu o sorriso dela com um sorriso caloroso. [Isso me anima]
| Melody | [Fique tranquilo, meu senhor, o sentimento é recíproco. Com sua licença]
| Max | [Claro. Muito obrigado novamente]

A empregada e o nobre se separaram. De volta aos seus aposentos, Maxwell não perdeu tempo lendo a carta. Ele tem uma acompanhante para o baile, um fato que lhe tirou um peso dos ombros.
Mas uma nova preocupação surgiu. Ele tem uma missão agora, uma dama para proteger. Aconteça o que acontecer, ele levará isso até o fim.
Uma frase no final da carta, no entanto, o fez erguer uma sobrancelha. 『Gostaria de lhe pedir um favor? Outro casal se juntará a nós, um tal de Sir Lectias Froude e sua parceira... Lady Cecilia?

Ele se lembrou daquele nome. É o Anjo do Baile da Primavera — a garota com quem a Luciana havia dançado.

| Max | [Suponho que isso mereça ser relatado], ponderou ele, e então deu uma risadinha. [A senhorita é, no mínimo, obstinada, minha dama]




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