Capítulo 14 - Purificar!... E o Troco.
Examino a imagem na tela. Ela está se movendo — é uma imagem ao vivo, não estática.
Será que consigo mover isso igual a um drone? Seria bom se estivesse um pouco mais alto — oh, mexeu! Incrível!
Parece que consigo mudar o ângulo só com o pensamento.
Clarividência é praticamente um drone de verdade, né? Sempre quis ter um desses... Ei, eu! Foco!
Estou empolgado demais com a nova magia, mas consigo conter a vontade de sair explorando o mundo inteiro por cima e volto ao que realmente importa.
Faço o drone de clarividência subir ainda mais, até que a montanha inteira seja projetada na tela. Ela também está coberta por sombras, mas consigo distingui-la mais ou menos dessa distância. Também localizo o que parece ser a entrada por onde entrei, mas é menor do que um ponto. Então me preparo para purificar a montanha inteira. Com essa nova perspectiva, visualizar é fácil.
Vou imaginar uma cúpula cobrindo toda a montanha e a área ao redor, e purificar tudo de uma vez. Pensando bem... no Japão, a gente costuma dizer 『reverter maldições』, não 『dissipar』, né? Tipo 『olho por olho, dente por dente』? Então, se eu purificar as sombras, será que a maldição simplesmente volta para quem a lançou? Bom, não adianta se preocupar com isso. Se eles acabarem amaldiçoados pela própria maldição, bem feito. Olho por olho, dente por dente.
| Akira | [Purificar!]
Sinto um puxão suave, como se algo estivesse sendo drenado do meu corpo.
Isso deve ser mana, ou seja lá como chamam. Fico um pouco nervoso, mas não parece que a perda de mana me afetou de forma alguma. Sem problemas, eu acho.
O monitor agora mostra uma imagem limpa da montanha e dos arredores, sem sequer um vestígio de preto.
| Akira | [Barreira, Reforçar]
Depois de todo esse trabalho para purificar a área, seria inútil se as sombras simplesmente voltassem. Observo o monitor por alguns minutos, mas nada muda.
| Akira | [Parece que funcionou]
Não funcionou.
Quando verifico o monitor novamente algumas horas depois, as sombras de alguma forma conseguiram entrar dentro da barreira.
Como?!
A resposta fica clara rapidamente. Quando envolvi a câmara atual com uma barreira, ela cobre o chão também. Mas, ao conjurar Barreira na montanha, eu criei uma cúpula. Não protegi o solo. As sombras estão subindo da terra. Elas estão passando por baixo da barreira.
Sinto nojo e uma irritação profunda.
Vou purificar de novo — e desta vez, vou fazer maior.
Imagino novamente uma cúpula cobrindo a montanha e seus arredores, além de uma grande parte da floresta ao redor.
Não quero ver sombras toda vez que sair.
Investigar o subterrâneo, porém, é outra história. Clarividência me permite olhar de cima, o que não ajuda muito, e Consciência Espacial também não funciona em terra sólida.
Espera aí! Eu não preciso ver debaixo da terra, preciso? Posso usar Clarividência para saber o tamanho que a barreira precisa ter e simplesmente estendê-la também para baixo. Enquanto a barreira estiver completamente fechada, nada vai conseguir passar.
Abandonando completamente a ideia de enxergar o subterrâneo, visualizo quatro estacas gigantes cravadas profundamente no solo. É fácil imaginar isso, então faço com que se estendam cada vez mais fundo, até ficarem pelo menos cinco vezes mais profundas do que a montanha é alta. Em seguida, visualizo a barreira se estendendo a partir de cada estaca, conectando todas em um enorme cubo. Faço o mesmo acima do solo, estendendo as estacas mentais até ultrapassarem o topo da montanha e conectando-as da mesma forma. A imagem final na minha mente é a de um cubo gigante e semitranslúcido, metade enterrado na terra.
Isso vai funcionar! Vamos lá!
| Akira | [Purificar! Barreira! Reforçar!]
As sombras que vazavam do chão realmente me deixaram inquieto, então, para garantir, faço questão de imaginar com força a maldição voando de volta para quem quer que seja o responsável.
Quem será que é o causador dessa maldição, afinal...? Ah, tanto faz. Se não quiserem ser amaldiçoados, que comprem um amuleto ou algo assim! Azar o de vocês, essa maldição está voltando direto para onde veio!


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